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Quão forte é a religião na U.R.S.S. atualmente?Despertai! — 1973 | 22 de outubro
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domingo”. O leitor poderia assim concluir que isto representa uma onda de interesse na Igreja Ortodoxa.
Mas, este não é de jeito nenhum o caso. Para ilustrar: Se três igrejas tivessem congregações de 1.000 pessoas cada uma, mas, no decorrer dos anos, o número de membros decrescesse para 500 membros cada, e então duas fossem fechadas, o que aconteceria? Provável é que encontrasse 1.500 pessoas tentando entrar na igreja restante. O observador casua1 talvez conclua que havia forte ressurgimento, deveras, um “reavivamento”, porque essa única igreja estava ‘mais do que superlotada’. Mas, o que aconteceu realmente? Havia menos pessoas dando apoio à religião na localidade. Devido ao constante fechamento de igrejas, porém, a única que restava ficava superlotada.
Quem São os Religiosos?
Também, quem são as pessoas que geralmente freqüentam a Igreja Ortodoxa? O correspondente do Times de N. I., Peter Grose, observou:
“Toda vez que visitei uma igreja soviética . . . Havia sempre mulheres idosas e andrajosas com seus lenços de cabeça, sentadas em cantos escuros, inalando o incenso, que pareciam ter perdido o interesse na vida ao redor delas.
“Se isto era tudo que a religião significava então os edificadores do comunismo deviam ter pouco motivo de preocupação, sobre o presente ou o futuro.”
O relatório do Herald-Examiner de Los Angeles, EUA, também dizia: “Os que comparecem aos ofícios são poucos, a maioria sendo de idosos e a maioria do sexo feminino.”
Mas, o que dizer das notícias de que jovens se estão voltando para a religião? O Daily Post da Nova Zelândia disse sobre isto: “Na Rússia, alguns jovens (não muitos) retornaram à [religião] ortodoxa por razões estéticas bem como espirituais.” O que isto quer dizer é que pequeno número de jovens comparecem, não porque aprendem sobre as verdades de Deus, mas por razões de arte, cultura curiosidade ou até mesmo superstição. Como observou o Livro do Ano da Enciclopédia Britânica de 1972: “Os jovens recém-chegados na fé ortodoxa não compreendiam a liturgia nem se interessavam pelos sermões, mas mesmo assim eram batizados na fé.”
Em seu livro House Without a Roof (Casa sem Telhado) o autor Maurice Hindus, comenta o fato de que se vêem alguns jovens nas igrejas. Afirma ele:
“Seria tolice falar disso como movimento popular. De forma esmagadora, a juventude soviética ou é atéia ou completamente apática à Ortodoxia.
“Mesmo na Kuban cossaca, historicamente uma das localidades mais piedosas do país, os jovens praticamente deixaram de freqüentar a igreja. Quando passava de carro pelos povoados cossacos na manhã de domingo, vi multidões de jovens passeando a pé pelas ruas, brincando nos parques, mas não indo à igreja. Não vi, em nenhuma igreja, um número significativo de jovens.”
Por isso, é inevitável a conclusão. A Igreja Ortodoxa Russa, certa vez todo-poderosa, está morrendo. Peter Grose a chamou de “sombra pálida do que era antes da Revolução Bolchevista”. E certo teólogo e historiador da Igreja Ortodoxa, Anatoly Y. Levitin, disse:
“A Igreja Russa está enferma, seriamente enferma. A doença mais séria é a doença milenar do cesaropapismo, a subjugação da igreja à autoridade secular.
“Na Igreja, há bispos que são ramos de uma árvore morta, estéril e inútil. Há membros da igreja com gangrena que estão . . . infetando-a com suas exalações pútridas e que injetam veneno nas suas profundezas mais secretas.”
Conforme Levitin indica, a “gangrena” existe nos níveis mais altos. Isto foi de novo visto em 1971, quando foi instalado novo patriarca, Pimen, para substituir Alexei, que morreu no ano anterior. A respeito de Pimen, o Livro do Ano da Enciclopédia Britânica de 1972 disse: “Ele demonstrou plena conformidade com a política oficial do governo.”
Isto era tão evidente que a revista Time, de 3 de abril de 1972, relatou que destacado escritor russo “acusou o Patriarca Pimen, o líder da Igreja Ortodoxa Russa, de sujeição abjeta às diretrizes anti-religiosas do Cremlin”. Conforme observou Time, o escritor “vituperou a hierarquia da igreja por obedecer mediante medidas tais como o fechamento de igrejas, a repressão de sacerdotes dissidentes e a proscrição da educação religiosa para as crianças”.
Com certeza, o clero ortodoxo russo continua a assistir ao enterro de sua própria religião! Mas, o que dizer das outras religiões? Estão passando melhor do que a Igreja Ortodoxa?
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O que dizer das outras religiões?Despertai! — 1973 | 22 de outubro
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O que dizer das outras religiões?
SEGUNDO uma lista de representantes eclesiásticos que assistiam a uma conferência em Zagorsk, perto de Moscou, há pelo menos vinte e três outras denominações registradas pelo governo soviético. Estas têm a permissão de realizar seus ofícios em seus locais de reunião.
Entre elas há muçulmanos, luteranos, católicos-romanos, batistas, georgianos e ortodoxos armênios, judeus, budistas, e algumas religiões menores. Naturalmente, são minorias em comparação com a Igreja Ortodoxa Russa. Postas juntas, estas religiões minoritárias representam apenas poucos milhões de pessoas na inteira União Soviética.
Mas, serem estas religiões ‘reconhecidas’ pelo governo indica algo. Indica que também transigiram com os líderes comunistas. Indício disto é que há outras religiões que não têm permissão de registrar-se ou de realizar reuniões. Destacam-se entre estas as testemunhas cristãs de Jeová, que repetidas vezes tentaram registrar-se, mas que não obtiveram permissão de fazê-lo.
Morrem as Religiões ‘Reconhecidas’
Com raríssimas exceções, porém, as religiões ‘reconhecidas’ estão morrendo. Por exemplo: afirma Europe Since 1939 (Europa Desde 1939): “Cerca de 15 milhões de muçulmanos na Ásia soviética tenderam, com o tempo, a assimilar o modo de vida comunista; sob pressões oficiais, a lealdade ao Islã declinou, junto com os costumes peculiares islâmicos.” E um estadunidense que visitou recentemente a República Soviética de Uzbek, e que havia sido muçulmano, disse: “A maioria dos cidadãos desta região muçulmana abandonaram a prática da religião do Islã.”
O budismo certa vez controlava as pessoas nas regiões soviéticas orientais. Mas, o repórter Peter Grose comenta que os budistas agora “enfrentam números rapidamente decrescentes nas santas ordens, a idade avançada dos lamas, e, acima de tudo, a subserviência dos líderes budistas que, ecoando a política externa soviética, saúdam os co-budistas do estrangeiro com declarações sobre a liberdade de religião na União Soviética”.
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