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A adoração do euDespertai! — 1979 | 8 de outubro
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A adoração do eu
“ADORAR a mim mesmo? Isso é ridículo!” Para o leitor, talvez seja “ridículo”. Mas para crescente número de outros, talvez não seja. Efetivamente, a tendência neste sentido é tão acentuada que muitos chamam esta de a “Geração do Eu”. A evidência em apoio de tal descrição é considerável.
“Bem, talvez o egoísmo esteja fugindo um pouco do controle. Mas adorar a si mesmo? Não é isso ir ao extremo do assunto?” À primeira vista, talvez pareça assim, mas o quadro poderá alterar-se ao se examinar mais de perto o movimento da tomada de consciência de si próprio.
Na verdade, a tomada de consciência é importante. Precisamos estar cônscios do que acontece ao redor de nós. Precisamos estar cônscios das pessoas com as quais nos associamos — membros da família, vizinhos, pessoas de nossa comunidade, até mesmo todos os que habitam a terra, em vista de nosso mundo, em que as distâncias se encurtam cada vez mais. E, sim, nossa consciência precisa, certamente, abranger a nós mesmos, nossos pensamentos e ações, nossas necessidades e responsabilidades.
No entanto, a tomada de consciência de si mesmo que agora está sendo pregada pelos gurus-psicólogos se estreita ao ponto que a doutrina orientadora parece ser: ‘Primeiro eu; você em segundo ou sexto lugar, ou seja lá onde for — não importa realmente diante do Eu Imperial.’ Nem todos os envolvidos no movimento chegam a tal ponto, mas muitos o fazem, quer o declarem explicitamente quer não.
Por Que o Surto do EUismo?
Há razões para o surto do movimento da tomada de consciência de si mesmo nesta época. Os antigos valores foram questionados, e muitas das religiões ortodoxas deixam de apoiá-los. Os novos códigos que muitos psicólogos e psiquiatras advogam são insatisfatórios para o espírito humano, e não raro são contraditórios. Espiritualmente, milhões de pessoas derivam em mares agitados, procurando lemes fidedignos e âncoras fortes.
Desiludidas, constituem solo fértil para ensinos que colocam o eu num pedestal. Acolhem “mestres para satisfazer seus caprichos e deliciar seus gostos, e se desviam de ouvir a verdade e ficam à cata de ficções”. São exploradas “por meio das pretensões de filosofia, guiadas pela tradição humana, seguindo meios materiais de encarar as coisas”. — 2 Tim. 4:3, 4; Col. 2:8, An American Translation.
Acharam Alguns as Soluções?
No entanto, muitos acham ter encontrado respostas genuínas nos movimentos de conscientização de si mesmos. Acham que encontraram os lemes e as âncoras necessários para enfrentar os mares tempestuosos. Acharam mesmo? Sentem-se felizes, contentes, não mais tateando, não mais procurando algo?
Há motivos para termos dúvidas razoáveis. A seguinte série de artigos sonda mais profundamente os prós e os contras dos movimentos de tomada de consciência de si.
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“Primeiro eu” — a idolatria atualDespertai! — 1979 | 8 de outubro
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“Primeiro eu” — a idolatria atual
Muitos em nossa geração perderam a fé nas instituições humanas — no governo, nas leis, na ciência, na religião, no casamento, e nas pessoas. Para onde se podem voltar a fim de preencher tal vácuo? Muitos estão-se voltando para dentro, para si mesmos. Isto não é nada novo. É apenas um reavivamento.
O CREDO dos primeiros-euistas da atualidade é relativamente novo para o século 20. Rejeita o enfoque da consideração pelos outros que era mais comum no início deste século. Esse código de ética ensinava as pessoas a pensar nos outros, a fazer o bem aos outros, a encorajá-los, e a ajustar-se aos outros. Tudo isto constitui um tabu no novo culto do “Rei Eu”. Ao passo que este extremo poderá ser algo novo para este século, não é realmente novo — é apenas um reavivamento. Trata-se de a história antiquíssima repetir a si mesma.
Eis aqui uma amostra do novo código de ética, conforme coligido da safra corrente de livros sobre ajude a si mesmo e tome consciência de si mesmo:
“Observe cuidadosamente o número um.”
“Vença através da intimidação.”
“Poucos de nós aprendemos a usar o mundo, ao invés de sermos usados por ele.”
“Ao passo que é possível agir nos melhores interesses dos outros, o importante a se entender é que isso jamais será seu objetivo principal.”
“A moral pouquíssimo tem que ver com o êxito.”
“Tem o direito de julgar seu próprio comportamento.”
“Resolva viver segundo um código de ética determinado por você mesmo, e não por um que lhe tenha sido imposto por outros.”
“A culpa é um tóxico viciador tão forte e tão destrutivo quanto a heroína.”
“Está permitindo que as pessoas o pisem todo?”
“Novas técnicas revolucionárias para conseguir agir de seu próprio modo.”
Quando tais declarações são feitas nas páginas dos livros, são ajeitadas num contexto que retira delas sua dureza. Não raro, apresentam-se princípios sãos que resultam úteis, e a intenção aqui não é classificar o seu inteiro conteúdo como crasso egoísmo. No entanto, o teor de tais livros é exemplificado pelas admoestações e indagação supracitadas. Estas são as idéias utilizadas para os anúncios e as sobrecapas dos livros, para atrair leitores. Estes são os sentimentos usados como títulos. Estas são as impressões deixadas nos leitores. A disposição que permeia os seguidores do novo movimento é a de exaltar o indivíduo, em contraste com a sociedade em geral. Encontra-se o mesmo egocentrismo nos filmes, na televisão, no atletismo, nos jornais e nas revistas.
Grupos Terapêuticos (ou Maratonas) Para Tomar consciência de Si Mesmo
Um dos grupos pioneiros na exploração do ego foi fundado na Califórnia, EUA, em 1962. Há muitos outros agora em operação. Exploram o que há dentro da pessoa, procurando trazê-lo para fora. Não reprima nada, como dizem. O romancista político Fletcher Knebel descreve um exercício típico:
“Um exercício me derrubou: Em silêncio, olhos vendados, com as mãos agarradas por trás de nossas costas, 24 de nós estabelecemos contato com os ombros, os braços, as pernas, os quadris, enquanto se tocava música oriental exótica. Este tatear em massa, as pessoas tolamente tateando e esfregando-se para comunicar-se com outros, parecia-me o epítome da existência humana. Buscamos desesperadamente uns aos outros, todavia, só nos tocamos fugaz e desconfortavelmente. Eu caí fora, sentei-me no chão e chorei. Por causa do quê? Minha própria solidão e mágoas, talvez. Jamais olvidei tal experiência.”
Ao passo que o romancista Knebel afirma ter achado algum valor em provar a instrução da conscientização de si mesmo em grupos terapêuticos (ou maratonas) achou alguns aspectos objetáveis, tais como os seguintes:
“O movimento abriga quase tanta linguagem baixa quanto os Fuzileiros Navais dos EUA. Alguns líderes de grupos irradiam mais obscenidades do que perspectivas. . . . a incessante reciclagem dos mesmos palavrões entorpecem a própria consciência que o líder procura aguçar.
“Demasiados gurus modernos estadunidenses prometem a lua e só dão um raio de luar. . . . Um fim de semana de uma Revelação psicológica pode ser quase tão duradouro quanto um jantar chinês.
“A falha mais grave do movimento, em minha opinião, acha-se em sua aplicação limitada ao mundo. . . . Experimente apenas um fim de semana de consciência sensorial entre famintos pastores mális, nas celas de tortura dos acampamentos militares de Uganda, ou do outro lado da rua, diante da sede da KGB (serviço secreto) em Moscou. Ocorre escasso ‘crescimento’ pessoal nos países sob as garras da pobreza ou da tirania.”
A Nova Religião da Televisão: “Tudo Bem”
Tom Shales, do Post de Washington, EUA, escreveu uma coluna sobre os comerciais de televisão. Eis aqui alguns trechos:
“Talvez, nunca na história, tenha-se instado com tantos a se sentirem bem com tão pouco. Isso se dá porque os agentes publicitários de TV, que sempre estiveram envolvidos na política do ego descobriram novo instrumento para fazer as mercadorias terem saída. Trata-se do comercial do ‘tudo bem’ — o comercial que lhe diz que tudo está bem em apenas ser você mesmo e a respeito de qualquer coisa que o leve mais perto desse alvo, quer seja um desodorante, um pudim ou novo par de pneus radiais de cintas de aço. . . .
“Inquestionavelmente, existe um fervor religioso nestas conversas. . . . Mas o que está sendo realmente deificado nos novos comerciais é o próprio telespectador-consumidor. . . . o ponto dominante é que o extremismo na adoração do ego não é nenhum vício — é, de fato, uma virtude — . . .
“A televisão lhe manda apegar-se às coisas com toda satisfação que puder. Jamais sugere que sua satisfação poderá infringir a satisfação de outrem. Apenas diz, vá em frente, agarre-as, ou se arrependerá. . . .
“A televisão, o maior vendedor que já foi inventado, talvez tenha feito um trabalho esplêndido demais em nos vender a nós mesmos. Caso mergulhássemos impetuosamente numa desordem econômica realmente grave, estaríamos equipados a enfrentar algo tão inimaginável como a abnegação?”
Os Neonarcisistas
Na mitologia grega, Narciso era o filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. Segundo tal mito, era dotado de extrema beleza. Quando viu seu próprio reflexo numa fonte, apaixonou-se por si mesmo. Ele era incapaz de amar outros, e estava tão fascinado por si mesmo que nem sequer se ergueu para comer. Definhou e morreu. Atualmente, a psicanálise ortodoxa usa o termo narcisismo para significar intenso grau de amor próprio, a ponto de o paciente ficar indiferente para com outras pessoas — a menos que possa fazê-las notá-lo e admirá-lo.
Repetidas vezes, o atual EUismo tem sido chamado de novo ou neonarcisismo. Nathan Fain, num artigo de revista intitulado “A Era de Narciso: Salve o Olhar Para Mim, Garotão!”, chamou tal tendência de “uma inundação, verdadeiramente, de narcisismo nacional, sendo que nunca vimos antes algo parecido”. Ele o chamou de “a última indústria produtora estadunidense: o recesso para dentro do próprio corpo”, e acrescentou:
“Trata-se do último — e talvez final — limite. E, apesar das campanhas fundamentalistas para transacionar a culpa, inspirar temor, e geralmente manter a repressão, a arte estadunidense de amar a si mesmo entrou em seu alto período clássico.”
Mas Trata-se Realmente da “Adoração do Eu”?
Certa pessoa referiu-se a esta exaltação do Eu como “nova religião”. Outra a chamou de a “adoração do ego”. Para muitos, o movimento da tomada de consciência de si mesmo não vai tão longe; para alguns, ele vai.
A Bíblia indica que concentrar-se em si mesmo pode tornar-se adoração. “Cobiça”, afirma ela, “é idolatria”. “A cobiça é uma forma de idolatria.” (Col. 3:5; Tradução do Novo Mundo e A Bíblia na Linguagem de Hoje) A palavra grega que tais traduções vertem como “cobiça” é pleonexia. O comentário bíblico de Barclay afirma:
“Pleonexia é basicamente o desejo de possuir mais. Os próprios gregos a definiam como um desejo insaciável, e diziam que poderia facilmente satisfazê-lo como poderia encher uma tigela de água com um furo nela. Definiram-na como o desejo pecaminoso de ter o que pertence a outros. Definiram-se como a paixão pelas aquisições. Tem sido descrita como implacável interessismo.”
A respeito de tais, Filipenses 3:19 afirma: “Seu deus é o ventre.” Ou, conforme A Bíblia na Linguagem de Hoje o verte: “O deus deles é o desejo dos seus próprios corpos.” Tais pessoas insistem teimosamente em agir de seu próprio modo, com efeito idolatrando sua própria vontade. Séculos antes de Cristo, isto foi rotulado de idolatria: “A obstinação é como a iniqüidade de idolatria.” — 1 Sam. 15:23; Almeida, Imprensa Bíblica Brasileira.
Em realidade, a egolatria remonta ao primeiro casal humano. Queriam estabelecer seu próprio código do que era certo e errado. Por isso, quando lhes foi dito falsamente que poderiam ‘ser como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau’, a mulher encontrou algo pelo qual ansiar. Primeiro ela, daí, seu marido, seguiu este proceder. Foi um erro fatal.
Assim, atualmente, o credo dos adeptos do ‘primeiro eu’ não é algo novo. Trata-se de história antiqüíssima que se repete. Existia no tempo do começo do homem, e foi predito como estando presente nos últimos dias: “Nos últimos dias . . . os homens serão amantes de si mesmos.” — 2 Tim. 3:1, 2.
[Quadro na página 5]
CREDO DO PRIMEIRO EU
Ame a si mesmo. Ame sem possuir. Deixe suas emoções virem à tona. Não reprima nada. Seja assertivo. Não sinta culpa. Você é quem decide o certo e o errado. Faça o que bem quiser. Estou O. K., você está O. K. Não julgue. Não pregue. Ande de cabeça erguida. Viva o aqui e agora. É isso aí!
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‘Eu-ismo’ — faz vítimas de todos nósDespertai! — 1979 | 8 de outubro
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‘Eu-ismo’ — faz vítimas de todos nós
Os efeitos da filosofia egocêntrica do ‘primeiro eu’ são, deveras, de longo alcance. Infelizmente, todos nós somos influenciados pelos frutos produzidos por esta árvore ruim.
SERÃO os Estados Unidos uma potência em declínio? Essa foi a pergunta suscitada por uma revista semanal nos Estados Unidos. O que motivou a pergunta é resumido no artigo, como segue: “Moralmente, os ideais tradicionais de trabalho árduo, autocontenção e sacrifício, estão diluindo-se na avolumante disposição do eu-ismo que trouxe não só crescente delinqüência, rompimentos de famílias e outros distúrbios, mas também padrões declinantes na educação e no trabalho que comprometem a posição competitiva dos EUA no mundo.” — U. S. News & World Report, 27 de novembro de 1978.
Os adeptos do ‘primeiro eu’ entoam sua doutrina favorita: ‘Faça o que bem desejar.’ Certo homem de Chicago, EUA, fez isso, que era a sodomia, e 32 garotos estão mortos. Ele os assassinou, jogou alguns num rio, e os outros ele enterrou sob sua casa e garagem. Os restos de 28 deles foram ali encontrados. Em 1968, fora condenado por sodomia com um garoto de 16 anos, e sentenciado a 10 anos de prisão. Cumpriu apenas 18 meses. Caso tivesse cumprido todo o seu termo, 32 garotos estariam vivos hoje. Ao invés, tornaram-se vítimas do chamado homossexualismo sem vítimas.
Há cinco anos atrás, houve 27 mortes de jovens vítimas de sodomia em Houston, EUA. Viram-se engolfadas numa roda de torturas homossexuais. Todavia, a sociedade em geral começa a adotar um conceito liberal do estilo de vida homossexual. O senador estadual pela Califórnia, EUA, H. L. Richardson, porém, não o faz: “Os homossexuais vão atrás do que eles chamam de ‘franguinhas’. As franguinhas são rapazinhos suscetíveis, usualmente adolescentes, que então se tornam vítimas de uma espécie de estilo de vida que, de outra forma, talvez jamais teriam considerado. Certamente considero tais jovens e seus pais como vítimas.”
É bom ou mau este estilo de vida homossexual? O conceito de Deus é o seguinte: “Deus os entregou a ignominiosos apetites sexuais, pois tanto as suas fêmeas trocaram o uso natural de si mesmas por outro contrário à natureza; e, igualmente, até os varões abandonaram o uso natural da fêmea e ficaram violentamente inflamados na sua concupiscência de uns para com os outros, machos com machos, praticando o que é obsceno e recebendo em si mesmos a plena recompensa, que se devia ao seu erro. . . . os que praticam tais coisas merecem a morte.” — Rom. 1:26, 27, 32.
Em seu relatório especial, o Senador Richardson também mostrou como outros se tornam vítimas de tal imoralidade: “Sempre que existe uma atitude comunitária descuidada para com o homossexualismo, os filmes pornográficos e as prostitutas, o índice de crimes sobe vertiginosamente. Hollywood é um exemplo vivo. Parte daquela área tornou-se tamanha fossa sanitária que os cidadãos e comerciantes legítimos estão sendo obrigados a deixar tal comunidade.” Em tais casos, as perdas financeiras em propriedades e negócios podem ser enormes.
“A pornografia pode causar os desvios sexuais”, afirma o Dr. Victor B. Cline, professor de psicologia. Ele declara ainda mais:
“Quando não garantiram a proteção da Primeira Emenda [da Constituição dos EUA] para a pornografia, seus defensores a chamaram de diversão inofensiva — possivelmente terapêutica — que poderia manter os estupradores e desviados sexuais fora da rua. . . . As publicações de psicologia e medicina estão repletas de pesquisas que demonstram que os desvios sexuais podem surgir, não só da exposição a ações da vida real como também da pornografia. . . . Assim ao passo que talvez digamos que, numa sociedade livre, cada pessoa deve decidir por si mesma se vai arriscar-se a usar a pornografia, temos também de considerar os direitos de alguém que talvez se torne vítima involuntária dum desviado sexual e de suas fantasias — tudo o que poderá surgir simplesmente porque uma pessoa teve oportunidade de arriscar-se com a literatura ou arte eróticas.
“Decisivamente, a sociedade tem de fixar alguns limites, quando o possível dano parece ser grande demais para ser tolerado. Penso que tal ponto há muito já foi ultrapassado quanto à pornografia. Para mim os que afirmam que a exposição e a venda de pornografia é um ‘crime sem vítima’ estão simplesmente errados. A evidência científica aponta fortemente demais o contrário.”
O colapso moral estende suas raízes a muitas outras áreas além do sexo. Todos nós pagamos por isso, de vários modos. Um modo é pelos maiores impostos que custeiam a proteção policial, os sistemas judiciários e as prisões. Outra área alcançada pelas raízes da árvore do eu-ismo, conforme mencionado na preocupação da revista noticiosa com o poder declinante dos Estados Unidos é
‘Padrões Declinantes no Local de Trabalho’
Todos nós sabemos — e somos vítimas — do declínio da qualidade dos produtos que compramos. Fabricantes que se concentram no eu utilizam materiais inferiores. Trabalhadores que se concentram no eu exigem maiores salários por menos trabalho e pior mão-de-obra. Não só isto: muitos são ladrões gananciosos.
“Destacado investigador do roubo de empregados chama o roubo — e não o beisebol — de o passatempo nacional dos Estados Unidos”, afirma um artigo de revista intitulado “Crime dos Trabalhadores de Escritório — É um Pecado, Mesmo Que não Seja Apanhado.” “O escroque mais engenhoso e bem sucedido dos Estados Unidos”, inicia o artigo, “usa um colarinho branco”. Continua:
“Com maior probabilidade, ele ou ela é uma pessoa respeitável, trabalhadora, freqüentadora duma igreja . . . e não é violenta, embora, seja assim mesmo um criminoso. Seu crime: roubar da firma, do freguês, do cliente, do governo — um total assombroso, pilhador de mais de US$ 40 bilhões (Cr$ 1.080 bilhões) por ano. Esse total é dez vezes o total anual dos crimes violentos contra a propriedade.” — U. S. Catholic, janeiro de 1979.
A maioria das pessoas prestam pelo menos louvores fingidos a Regra Áurea, mas aplicá-la é outra coisa. Também, cada um tem seu próprio método de racionalizar seu pecado. Muitos arrazoam: ‘Tire dinheiro da caixa registradora da loja — seus preços já incluem tais perdas.’ ‘Surrupie materiais do emprego — afinal de contas, elas não pagam o bastante.’ ‘Todo mundo faz isso. Por que eu não deveria fazê-lo?’ Tanto os trabalhadores de escritório como os braçais consideram isto como benefícios colaterais. O patrão o considera latrocínio, e os custos são pagos pelo leitor e por mim. Nós somos as vítimas.
Muitos comerciantes agem ainda pior, conforme indicado pelo promotor público de Nova Iorque, EUA, afirmando: “Vigaristas e manipuladores da bolsa de valores, diretores de firmas que obtêm lucros ilegais graças a informações internas, pessoas no comércio que sonegam lucros das autoridades fazendárias, e enormes números de investidores da bolsa de valores utilizavam contas no exterior para evadir-se do imposto de renda sobre seus lucros comerciais.” As pessoas que fazem isto são “aquelas que seriam as primeiras a queixar-se de um roubo ou assalto pelas costas em sua vizinhança”.
A Quem Posso Processar?
Calcula-se que mais de sete milhões de processos são movidos nos Estados Unidos num único ano. Tornam-se como uma avalancha e soterram os tribunais. Muitos são legítimos, muitos são frívolos, muitos são gananciosos. Trata-se duma epidemia de ‘processar ao mínimo impulso’, como certo jurista o chamou. Os pacientes processam os médicos, os clientes processam os advogados, os estudantes processam os professores, os trabalhadores processam seus patrões, os fregueses processam os fabricantes, umas pessoas processam outras. Até mesmo atinge a família: “Os filhos levam seus pais às barras do tribunal, enquanto maridos e esposas processam uns aos outros, irmãos processam seus irmãos, e amigos processam seus amigos”, conforme lemos num artigo de U. S. News & World Report, de 4 de dezembro de 1978.
Esse artigo alista alguns casos para mostrar os extremos a que o impulso de processar chegou. Um ex-estudante exigiu US$ 853.000 (uns Cr$ 23.031.000,00) em danos da Universidade de Michigan, EUA, em parte por causa da angústia mental que sofreu por ter recebido uma nota “D” (péssimo) em alemão quando esperava um “A” (equivalente a 10, excelente). Certo detento fugiu, e, quando capturado, processou o xerife e os guardas, exigindo US$ 1 milhão (Cr$ 27 milhões) por tê-lo deixado fugir, porque uma pena extra foi acrescida à sua sentença. Certa mãe processou as autoridades, exigindo US$ 500.000 (Cr$ 13.500.000,00) por impedi-la de amamentar ao peito seu bebê junto a uma piscina comunitária de diversão pública. Um rapaz processou seus pais, exigindo US$ 350.000 (Cr$ 9.450.000,00), acusando-os de não o haverem criado corretamente e que agora não conseguia ajustar-se à sociedade. Os pais moveram um processo quando sua filha quebrou um dedo ao tentar pegar uma bola alta rebatida num jogo escolar de softball (espécie de beisebol), afirmando que o instrutor falhara em ensinar-lhe como agarrar corretamente a bola.
Os peritos argúem que “o espectro do litígio está minando a produtividade, a criatividade e a confiança humana, criando ‘um medo de agir’ em muitos segmentos da sociedade”. Também, considera-se que tais processos provocarão maior erosão nas relações pessoais e nas instituições que ajudaram a cimentar a sociedade.
Assim, as pessoas querem fazer o que bem entendem, mas desejam que os outros assumam as conseqüências. Desejam semear a tolice e cometer extravagâncias, mas deixar que outros colham os problemas resultantes. Esta é a determinação do eu-ismo. Todo mundo se torna sua vítima.
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Pecado — o que é isso?Despertai! — 1979 | 8 de outubro
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Pecado — o que é isso?
“Afunde o barco da culpa”, disse certo proponente do EU. A verdade clara é que aqueles que não sentem nenhuma culpa são doentes.
PODER-SE-Á extinguir o pecado por se fazer uma proclamação pública nesse sentido? Isso seria como acabar com a febre por quebrar o termômetro, como acabar com o crime por jogar fora todas as leis. Descartar-se do Livro que define o pecado não o remove. Mesmo sem a Bíblia, o pecado existe, e há consciência do mesmo. Falando sobre aqueles não familiarizados com as leis de Deus, a Bíblia diz:
“Quando fazem pela sua própria vontade o que a Lei manda, embora não tenham a Lei de Moisés, eles são sua própria lei. Pois mostram, pela sua conduta, que têm a Lei escrita em seus corações. A própria consciência deles prova que isto é verdade, pois seus pensamentos às vezes os acusam, e às vezes os defendem.” — Rom. 2:14, 15, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
Apesar de suas afirmações, serve a quem ou ao que segue: “Quando se entregam como escravos para obedecer uma pessoa, de
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