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Promovem-se os interesses de Deus pela jogatina?A Sentinela — 1960 | 15 de agosto
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Promovem-se os interesses de Deus pela jogatina?
UMA multidão de trezentas e cinco senhoras estavam sentadas caladas junto a longas fileiras de mesas, concentrando-se nos cartões cobertos de números que tinham diante de si. Ouviam atentamente ao passo que um sacerdote da Igreja Ortodoxa Ucraniana lia os números escritos em bolas de pingue-pongue conforme saíam duma esfera grande. Embora se tratasse do primeiro jogo de “bingo”, loto, víspora ou quino, licenciado na cidade de Nova Iorque, não era o primeiro jogo de bingo realizado ali. Estes jogos têm sido realizados por anos em muitas das igrejas de Nova Iorque; apesar do fato de que isso era violação das leis contra o jogo.
Pode-se dizer que a jogatina é a maneira em que Cristo queria que seus seguidores promovessem os interesses de Deus? Como pode algo, que é geralmente reconhecido como vício e como originador do crime, ser corretamente usado por pessoas que devem supostamente representar a Deus, edificar a moral e ensinar ao povo o respeito pelas leis?
Os líderes religiosos que realizam estes jogos não vêem nada de errado neles enquanto se tratar de jogos para fins caritativos. O órgão oficial da arquidiocese católica de Boston, E. U. A., declarou: “Na questão do jogo olhado do ponto de vista católico, olhamos muito menos para o jogo do que para o que está envolvido nele. O elemento da probabilidade não é o perigo moral, mas este é a capacidade da pessoa envolvida de desperdiçar o dinheiro em tal diversão. Se o dinheiro envolvido não for dinheiro que devia ser corretamente gasto em outra coisa, o jogo de azar, como esporte, é tão moralmente indiferente como qualquer outro jogo.”
A revista passa então a observar: “Os efeitos secundários decorrentes da jogatina ilegal são venenos mortíferos que se intrometem na corrente, da vida comunal e afetam de algum modo a cada membro da sociedade humana.” Mudam os efeitos com a legalidade ou a ilegalidade do jogo de azar? Não são ilegais e uma deliberada violação da lei os jogos de bingo realizados por igrejas em lugares onde as leis contra o jogo não fazem exceção para elas?
Embora o jogo de azar possa ser realizado a favor do que se considera ser uma causa meritória, seus efeitos degradantes não mudam. Davi Allen, no seu livro sobre A Natureza do Jogo de Azar disse: “O jogo de azar é uma atividade prejudicial. . . . Conduz a fraudes concretas, a trapaças, a matanças e a violações de muitas espécies. . . . Em todas as tentativas de analisar a jogatina de todos os pontos de vista, não surgiu nenhum fio de evidência a favor dela.” Estes maus frutos da jogatina a identificam como vício que deve ser evitado pelos cristãos, especialmente pelos que são superintendentes.
A jogatina na igreja pode à primeira vista parecer inocente, mas ela pode ser o início da febre de jogo que domina os jogadores habituais é leva à ruína deles. Pode apoderar-se duma pessoa de tal modo que é quase tão difícil de livrar-se dela como o é da toxicomania. A respeito dos jogadores habituais diz um dos que se reformaram: “São tão perigosos para si mesmos, para suas famílias e para suas comunidades como a pior espécie de viciados em entorpecentes. . . . Sei de mulheres que perderam o ordenado de seus maridos nos jogos de bingo semana após semana, e depois vão — literalmente — a qualquer extremo para ganhar bastante dinheiro a fim de ocultar as suas perdas dos seus maridos.” Muitas pessoas normalmente honestas têm defraudado dinheiro para cobrir as suas perdas no jogo.
Cria a igreja respeito pela moral cristã quando emprega um meio moralmente degradante para obter dinheiro? É isso ensinar o amor à verdade e à honestidade, quando patrocina algo que faz as esposas enganarem seus maridos?
As trezentas e cinco mulheres naquele jogo de bingo em Nova Iorque ficaram muito indignadas quando um inspetor da cidade procurou impedir o jogo por razões legais. Noticiando isto, o Times de Nova Iorque disse: “Um coro de apupos e vaias, e o barulho de pés batendo, saudou os intrusos. . . . O inspetor Meyer tentou apresentar ao deão uma citação: Mas o sacerdote nem deu atenção ao inspetor e continuou a proclamar os números. . . . As senhoras no jogo de ontem não queriam ser identificadas porque achavam que seus maridos objetariam ao jogo de bino à tarde. . ‘Haverá sempre algum jogo de bingo’, disse certa mulher solenemente, ‘e nós sempre saberemos onde encontrar um jogo’.” Entreer-se-ia uma mulher, com tal amor pelo jogo, sem hesitação ao que é considerado jogo ilegal? Em vez de lhe ajudar a resistir à perigosa febre do jogo, a igreja derruba esta resistência.
Um júri de Brooklyn, encarregado da pronúncia dos réus num caso de explorações ilegais, declarou: “A jogatina tem-se tornado o alicerce do crime organizado, tanto em escala local como nacional.” O júri lamentou a indiferença demonstrada pelo público em geral para com este mal social. Não contribuem os jogos patrocinados pelas igrejas para, esta indiferença? Os esforços dos órgãos policiais para, erradicar este mal social são enfraquecidos pelas igrejas que insistem em patrocinar a jogatina.
Tais igrejas não podem isentar-se da responsabilidade pelo aumento geral das violações da lei e dizer que isto se deve à falta de instrução religiosa. Elas contribuem para esta falta por usarem meios para angariar fundos, que podem levar à desintegração pessoal, social, política e econômica.
Não se pode servir a Deus por meio de práticas que pervertem a moral, que produzem maus frutos e que escravizam as pessoas aos desejos e aos prazeres. Os que realmente promovem os interesses de Deus esforçam-se continuamente a fortalecer o respeito pelos princípios bíblicos e ajudar os outros a se livrar dos desejos e das práticas prejudiciais deste mundo corruto. “Pois até nós éramos outrora insensatos, desobedientes, enganados, escravos de vários desejos e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros.” “Porque não continuais a correr com eles neste rumo para o mesmo antro vil de devassidão, eles se admiram e continuam a falar de vós abusivamente. Mas estas pessoas darão conta ao que está pronto para julgar os vivos e os mortos.” — Tito 3:3; 1 Ped. 4:4, 5, NM.
O fim, obter dinheiro para uma igreja, não justifica os meios. Um instrumento usado pelo mundo do crime não tem lugar entre os que professam servir a Deus. A jogatina não pode promover os interesses de Deus, e nenhuma espécie de raciocínio deturpado pode justificar o seu uso. Trata-se dum mal social que os verdadeiros cristãos deixam para trás ao se separarem dos desejos insensatos e prejudiciais deste mundo corruto.
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“O último verão”A Sentinela — 1960 | 15 de agosto
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“O último verão”
Boris Pasternak, no seu livro intitulado O Último Verão, escrito em 1934, referiu-se ao verão de 1914 como “o último verão em que a vida ainda parecia fazer caso das pessoas, e em que era mais fácil e mais natural amar do que odiar”.
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