-
As grandes empresas e o crimeDespertai! — 1984 | 22 de julho
-
-
As grandes empresas e o crime
AS GRANDES EMPRESAS! Elas exercem influência sobre todos nós. Ajudam-nos — e nos prejudicam. E há coisas que podemos fazer a respeito.
Uma empresa gigantesca, ou “multinacional”, pode apresentar um ativo de US$ 1.500.000.000. Muitas contam com um ativo muito maior. Esse volume de dinheiro representa poder. As empresas gigantescas tem tido vigorosas disputas com países — e têm ganhado. Não é de admirar que tanta gente as encare com suspeita!
Todavia, de certos modos, as grandes empresas é que criaram o mundo que nós conhecemos. Constroem ferrovias, controlam o petróleo, e, em muitas terras, fornecem energia elétrica, gás e transportes. Por causa delas, uma pessoa pode calçar sapatos fabricados no Brasil, vestir roupas feitas em Hong Kong, guiar um automóvel japonês, comer comida tropical e beber vinhos alemães. Graças às grandes empresas, a viagem ao exterior não é mais um privilégio exclusivo dos ricos. E, caso possua automóvel, televisão ou telefone, foi provavelmente a sua produção em massa, por parte das grandes empresas, que fez com que se tornassem mais em conta, podendo assim ser adquiridos.
Mas, existem problemas. Estes artigos consideram alguns deles.
O PROBLEMA do crime em nossas ruas não é algo novo. A cada dia ouvimos falar de assaltos pelas costas, esfaqueamentos, assassinatos e outros indícios do colapso geral da lei e da ordem. Não obstante, está cônscio de que, todo dia, são cometidos outros crimes de dimensões quase inimagináveis? A cada ano, assustadora soma de dinheiro é retirada de sua carteira ou bolsa sem que chegue sequer a notar. Apenas nos Estados Unidos, estes crimes insidiosos rendem pelo menos 200 bilhões de dólares por ano. Quem os comete? As grandes firmas, cujos executivos recorrem a métodos ilegais para ficarem eles próprios, ou suas empresas, cada vez mais ricos.
O crime das grandes empresas influi sobre todos. Amiúde, é mortífero e destrutivo. Que espécie de pessoas cometem tais crimes? Não raro, os altamente respeitados “pilares” da sociedade.
O crime das grandes empresas é tão comum que a maioria das autoridades nada podem fazer para coibi-lo. “O crime empresarial continua sendo um fenômeno obscuro e muitíssimo mal-entendido”, disse Leonard Orland, professor de direito de Connecticut, EUA. Caso estivessem disponíveis estatísticas exatas, pensa ele, mostrariam que “é ampla a quantidade de crimes empresariais ‘ocultos’, e que o verdadeiro crime empresarial é substancialmente pouco submetido a processos legais”. — Revista U.S.News & World Report.
Quando os criminosos de colarinho branco [altos funcionários, escriturários] são processados, o que acontece? Em contraste com as penas rotineiramente dadas a assaltantes e arrombadores, os criminosos deste tipo em geral se safam com penas brandas. Por exemplo, 25 companhias de lacticínios na área metropolitana de Nova Iorque admitiram que tinham, durante dez anos, cobrado demais de seus clientes. Era impossível determinar-se quanto tinham lucrado com tal crime, mas impôs-se a tais empresas uma restituição aos clientes de US$ 6,7 milhões. O que aconteceu com os executivos cujos crimes tinham custado aos consumidores milhões de dólares? Simplesmente se declararam culpados de uma contravenção menor e foram multados.
Outro exemplo: Descobriu-se que uma das maiores firmas que davam descontos em remédios nos Estados Unidos estava cobrando em dobro ao estado de Ohio para as receitas aviadas sob o programa de assistência médica (Medicaid). Este crime empresarial surrupiou dos contribuintes mais de meio milhão de dólares. Todavia, a firma culpada foi simplesmente multada e obrigada a devolver o dinheiro roubado.
Os executivos culpados podem muito bem argumentar com aqueles que sustentam que o crime não compensa. Para eles, obviamente, ele compensa muito bem. A revista U.S.News & World Report conta um caso em que o presidente do Conselho de Administração e o presidente-executivo duma empresa foram julgados culpados em um processo de sonegação de US$ 12 milhões de impostos, e foram sentenciados a prestar serviços públicos em lugar do termo de prisão. Ao cumprirem tal pena, continuaram a usufruir todas as mordomias da empresa, e o presidente-executivo recebia US$ 100 por hora como seu consultor.
Às vezes, o público paga com a vida. Por exemplo, em 1981, um novo óleo de cozinha, de baixo preço, surgiu nos supermercados da Espanha. As pessoas da classe operária, em dificuldades financeiras, começaram a comprá-lo como uma pechincha. E não é que os consumidores começaram a sentir estranhos sintomas! Mais de 20.000 pessoas ficaram doentes, e, até maio de 1983, de acordo com estatísticas do Governo, 339 tinham morrido. Por quê? Porque alguns comerciantes compraram óleo industrial barato na França e o processaram para vendê-lo como óleo comestível na Espanha.
O crime empresarial também está envolvido no fim que é dado a produtos tóxicos. Há cinco anos, a área chamada “Love Canal”, do estado de Nova Iorque, ocupava as manchetes quando seus moradores se viram expulsos de seus lares devido às emanações tóxicas de seus quintais. De onde vinham tais substâncias químicas? Uma grande empresa química enterrara resíduos perigosos naquela área.
Cinco anos depois, os moradores de Times Beach, cidadezinha de Missouri, EUA, tiveram de abandonar suas casas, e ergueram-se barreiras nas ruas com letreiros que apresentavam a caveira e ossos cruzados, e avisos em letras garrafais: “PERIGO! NÃO ENTRE.” Por quê? Porque a cidade estava contaminada com dioxina.
Malgrado tais experiências, verifica-se que alguns comerciantes, com total irresponsabilidade criminal, livram-se de resíduos tóxicos. Utilizando a técnica do “despejo noturno”, lançam venenos em esgotos, misturam-nos com lixo comum, ou até mesmo os misturam com óleo combustível para aquecimento para ser vendido aos senhorios a preço de banana. “O despejo noturno . . . não é apenas mais um crime do colarinho branco. Ameaça diretamente a saúde dos insuspeitos — e dos nascituros”, comentava em editorial The New York Times.
Sim, a pessoa mediana se torna vulnerável quando as grandes empresas recorrem ao crime. Com freqüência, porém, as pessoas se tornam vulneráveis por outros motivos. O que acontece quando as grandes empresas, ao passo que se pautam estritamente dentro da lei, mostram falta de senso moral? Nesse caso, muitas pessoas talvez venham a sofrer terrivelmente.
-
-
As grandes empresas e a moralDespertai! — 1984 | 22 de julho
-
-
As grandes empresas e a moral
COMO podem as pessoas tornar-se vítimas, mesmo quando as grandes empresas se pautam pela lei? Porque o alvo natural das empresas é obter lucros. Muitos empresários não parecem considerar que lhes cabe fazer juízos morais sobre de onde procedem seus lucros.
A título de exemplo, teste após teste tem confirmado que muitos sofrem conseqüências letais devido ao fumo. Entretanto, as grandes indústrias do fumo continuam a obter enormes lucros com a produção e a comercialização de seu produto perigoso. E continuam a fazer anúncios para incentivar mais pessoas a adquirir tal hábito. Pelo visto, o lucro obtido é um argumento irrespondível na mente deles. E quando as empresas negociam com outros países, podem ser ainda mais indiferentes aos resultados de suas ações.
As grandes empresas podem fazer com que pessoas sejam suas vítimas de outro modo. A fim de vender um produto que ninguém realmente necessita, há firmas que gastam muito dinheiro em publicidade para gerar uma necessidade, para fazer que as pessoas pensem que este produto não-essencial é como que uma necessidade. Um exemplo disto veio a lume nos anos recentes, na comercialização de alimentos infantis — preparados para a mamadeira de bebezinhos — nos países pobres.
Todos os peritos concordam que o perfeito alimento para um recém-nascido é o leite de sua própria mãe. Todavia, tem-se acusado grandes firmas de promover a comercialização agressiva de alimentos infantis pré-fabricados, nos países pobres, de modo a persuadir as mães que seus bebês serão mais saudáveis se lhes forem dados tais alimentos. Com que resultado? As mães gastam seu dinheirinho contado neste produto geralmente não-essencial. Com freqüência, não conseguem entender as instruções e não avaliam a necessidade de esterilizar a mamadeira do bebê. Daí, o bebê talvez acabe ficando desnutrido ou com diarréia.
Relata-se que um dos modos empregados para promover a venda de alimentos infantis pré-fabricados era fornecer uma amostra grátis à mãe logo depois do nascimento do bebê. Quando acabava a amostra grátis, a mãe verificava que não mais podia aleitar ao peito seu bebê e tinha de continuar utilizando aqueles alimentos (ao preço comercial, naturalmente). Por quê? Porque o leite materno talvez seque em cerca de uma semana se se descontinuar a amamentação ao peito.
É Legal, Mas . . .
Efetivamente, as grandes firmas são alvo de pesadas críticas por seu comportamento nas terras mais pobres. Por exemplo, o que aconteceu com 2,4 milhões de pijamas infantis proscritos nos Estados Unidos porque tinham sido tratados com um composto que retardava sua queima, e que se descobriu que provocava o câncer? Foram enviados para países em que as leis não eram tão severas.
O jornal inglês, The Guardian, anunciou em data recente: “A indústria farmacêutica internacional, inclusive as principais firmas britânicas, foi acusada por Oxfam, na semana passada, de explorar de forma sistemática os pobres do Terceiro Mundo para obter lucro comercial.” O jornal prosseguia: “Sua denúncia mais contundente refere-se à disposição das principais companhias farmacêuticas de vender preparados altamente perigosos e potencialmente tóxicos ao Terceiro Mundo — freqüentemente com afirmações sobre sua segurança e eficácia que foram obrigadas a retirar no Ocidente.”
As notícias nos falam de fármacos enviados a países do Terceiro Mundo, por firmas ocidentais, muito embora tenham sido proscritos no mundo ocidental por causa de seus conhecidos efeitos colaterais perigosos. Um antibiótico amplamente vendido na Ásia pode produzir uma forma fatal de anemia. Um hormônio esteróide vendido na África pode causar o crescimento de barba e a calvície nas mulheres, e a ampliação do clitóris nas moças. Um remédio antidiarréico vendido na Indonésia foi retirado dos Estados Unidos e do Japão porque podia causar danos ao cérebro e cegueira.
Ademais, há representantes das companhias farmacêuticas que se empenham a fundo para colocar tais produtos nas prateleiras das farmácias e drogarias. Aos médicos e administradores hospitalares foi oferecido suborno que incluía “carros ou educação universitária gratuita para seus filhos”.
No entanto, os problemas morais das grandes empresas não são tão óbvios em nenhum setor como o são no maior negócio de todos — o comércio de venda de armas.
-
-
As grandes empresas e a guerraDespertai! — 1984 | 22 de julho
-
-
As grandes empresas e a guerra
A VENDA internacional de armas tornou-se um alto negócio no século 19. Produtores de aço, como a firma alemã Krupp, e as firmas inglesas, Vickers e Armstrong, começaram a produzir armas em grandes quantidades. Quando seus governos não puderam, ou não quiseram, comprar bastantes armas, tais firmas criaram um comércio internacional e logo se tornaram gigantescas multinacionais.
Desde seus dias iniciais, expressaram-se dúvidas quanto à moral da produção e da exportação de armas. Alfred Nobel, da Suécia, descobriu uma forma de cordite (pólvora sem fumo, chamada balistite) para canhões, e, aos 60 anos, comprou a fábrica de armas sueca Bofors. Todavia, professava interesse no pacifismo e de sua herança surgiu o famoso Prêmio Nobel da Paz, a ser concedido aos que fizessem o máximo para promover relações amigáveis entre nações. Quando William Armstrong morreu, em 1900, um jornal inglês comentou: “Há algo que deixa a imaginação estarrecida, na aplicação de uma mente fria e comedida, como a de lorde Armstrong, à ciência da destruição.”
Entretanto, quaisquer escrúpulos logo foram deixados de lado por se pensar, quer no patriotismo, quer nos lucros. Já no início da Primeira Guerra Mundial, vendedores de armas pululavam pela maioria das capitais do mundo, vendendo suas mercadorias. Tal guerra, porém, expôs o grave problema moral relacionado com o comércio de armas.
Durante a guerra, armas de fabricação inglesa e francesa foram empregadas contra soldados ingleses e franceses no campo de batalha. A Alemanha lutou contra os russos e os belgas, que tinham sido armados pela Krupp. A maioria dos navios envolvidos tinham uma couraça fabricada com patente da Krupp, e na Batalha da Jutlândia, ambos os lados lançaram bombas dotadas de espoletas da Krupp.
Os fabricantes de armas amealharam enormes lucros com a guerra — tantos que muitos suspeitaram que eles tentaram prolongar a guerra em benefício próprio. Um artigo de revista de 1934 calculava que, durante tal guerra, a morte de cada soldado custou US$ 25.000, “dos quais uma grande parte foi para o bolso do fabricante de armas”. — The Arms Bazaar (O Bazar de Armas), de Anthony Sampson.
Desde aquela guerra, o comércio de armas persiste, e, atualmente, floresce como nunca antes. Alguns ainda questionam a moral de se lidar com armas da morte, mas ninguém nega sua lucratividade. “A guerra voltou a ser um ótimo negócio”, disse um analista de Wall Street [distrito financeiro, EUA]. O jornal The New York Times, referindo-se às armas modernas de alta tecnologia, adicionou: “Mais do que um milagre de tecnologia, a guerra eletrônica é um negócio lucrativo.”
“O comércio de armas está . . . florescendo, a URSS já tendo ultrapassado os EUA como o principal exportador das armas principais”, confirmou a revista inglesa New Scientist (Novo Cientista), acrescentando: “E, sem dúvida, dentro de um ou dois anos, veremos um reavivamento das exportações inglesas de armas, depois da exposição fornecida nas Falklands [Malvinas].”
Efetivamente, para os empresários das firmas produtoras de armas modernas, os conflitos das Malvinas e do Líbano devem ter parecido uma mercê de Deus. Comenta o jornal The Guardian: “As empresas européias e americanas vêem novas e excitantes perspectivas depois duma guerra [nas Malvinas] que forneceu uma demonstração clássica de suas mercadorias.”
Isto também devia ter sido óbvio para os que procuram algo seguro em que investir seu capital. Novos investidores em armas estão, por assim dizer, “surgindo em abundância”. Um analista de assuntos de defesa, citado em The New York Times, disse: “As ações têm tido bom desempenho desde tais incidentes [os conflitos das Malvinas e do Líbano]. É claro que isto tem atraído mais a atenção dos investidores.”
Na década de 70, ao passo que se travava a guerra no Sudeste da Ásia, as igrejas protestantes — algumas das quais protestaram contra a guerra e contra o crescente fortalecimento militar dos Estados Unidos — achavam-se entre os que tiravam proveito do lucrativo mercado de armas. Num folheto sobre o assunto, o Conselho Nacional de Igrejas (EUA) disse: “Os investimentos identificados aqui são com as ‘grandes empresas’ de produção e de agenciamento militar. A soma do investimento da Igreja é de quase US$ 203 milhões . . . Tais investimentos são um grande negócio para as igrejas, representando uma parte importante, senão a mais importante, de seus valores.”
O que faz com que os empresários das firmas produtoras de armas esfreguem as mãos de satisfação especial é que, na maior parte, eles negociam com os militares, e não com clientes comerciais. Suas vantagens são, portanto, muitas. A maioria das grandes nações já alocaram bilhões de dólares para a defesa, de modo que o dinheiro que chega aos cofres dos fabricantes está garantido. Visto que tais componentes precisam satisfazer padrões militares, o preço é quatro a cinco vezes superior aos vendidos aos clientes comerciais. Falando-se em geral, os militares preferem comprar produtos fabricados dentro de suas fronteiras, em vez de em fontes externas, assim reduzindo a ameaça de competição externa. As firmas americanas, em especial, em sua ânsia de contratos militares, encontram-se na posição incomum de não enfrentarem nenhuma competição do Japão. As armas são, deveras, um negócio lucrativo.
Colocados bem no meio deste grande negócio da guerra acham-se os vendedores de armamentos que oferecem suas destrutivas mercadorias como se fossem vendedores de porta em porta. “O que há de grandioso na fabricação de armas, comparado com a fabricação de automóveis”, disse um deles, “é que elas estão sempre ficando ultrapassadas ou gastas: há um escopo infinito de expansão”.
Feiras de armas, para onde os compradores e os vendedores convergem a fim de observar os últimos estilos de armas de guerra, estão surgindo por todo o mundo como os desfiles de moda. Os produtores desenvolvem o que chamam de terceira geração de armas — projetos de alta tecnologia que envolvem um aumento dos gastos militares para pesquisa e desenvolvimento. Christopher Paine, da Federação de Cientistas Americanos, chamou isto de “perigosa artimanha perpetrada pelos fabricantes de armas, para se conservarem no negócio”.
Os problemas morais do comércio de armas não mudou. Por três anos antes da guerra das Malvinas, os ingleses venderam para a Argentina, no valor superior a 200 milhões de dólares, navios de guerra e armas eletrônicas, grande parte das quais foram empregadas contra eles quando irrompeu a guerra. Este é o risco que tanto as nações como as grandes empresas preferem assumir. Erguem-se vozes condenando as vendas internacionais de armas. Todavia, as vendas prosseguem, geralmente incentivadas pelos governos nacionais. E, no ínterim, o mundo se torna um lugar cada vez mais perigoso de se viver.
[Destaque na página 8]
Os ingleses venderam para a Argentina armamentos no valor de milhões de dólares, apenas para vê-los empregados contra eles nas Malvinas (Falklands).
[Foto na página 7]
As dúvidas quanto à moral da venda de armas foram logo ofuscadas pelos lucros que começaram a fluir.
-
-
As grandes empresas e o leitorDespertai! — 1984 | 22 de julho
-
-
As grandes empresas e o leitor
O COMÉRCIO é uma atividade humana, e os humanos são passíveis de cometer graves erros. Assim sendo, as grandes empresas, também, com freqüência cometem graves erros morais. As grandes empresas envolvem enormes somas, de modo que, inevitavelmente, elas atraem os gananciosos e os famintos de poder. E, como parte integral deste mundo, naturalmente refletem o modo de pensar do deus deste mundo. Lembre-se de que “o mundo inteiro jaz no poder do iníquo”. — 1 João 5:19.
Todavia, aqueles que cometem tais erros são os responsáveis. Qualquer pessoa que se aproveite do enorme poder financeiro para tapear o homem simples do povo deve lembrar-se do aviso: “Quem defrauda o de condição humilde tem vituperado Aquele que o fez.” (Provérbios 14:31) Mesmo que as conseqüências de suas ações só sejam visíveis num país distante, não sendo talvez jamais vistas pessoalmente por eles, o princípio da Bíblia se prova verídico: “Quem defrauda ao de condição humilde para suprir-se de muitas coisas . . . seguramente se destina à carência.” (Provérbios 22:16) Quaisquer riqueza resultante de tal defraudação não escudará os criminosos do julgamento final de Deus.
Isto se dá especialmente com os produtores e vendedores de armas. Na verdade, não são eles realmente que puxam o gatilho ou lançam as bombas que ceifam vidas inocentes. Mas, ao suprirem as armas, compartilham a culpa. A verdade é que grande parte das guerras modernas seria impossível sem a cooperação das grandes empresas. Visto que tais empresas têm cooperado, todo o globo acha-se como a antiga terra de Israel, “poluída com o derramamento de sangue”. (Salmo 106:38) Por fim, como aconteceu também naqueles dias, Jeová julgará os culpados: “Destruirás os que falam mentira. Jeová detesta o homem que derrama sangue e que engana.” — Salmo 5:6.
Mas, o que pode a pessoa fazer? Deveria evitar todo contato com o comércio? Não necessariamente. A Bíblia não condena o comércio em si. (Provérbios 31:18; Mateus 25:14-27) Todavia, é importante como o comércio é conduzido. “Quem obtém lucro injusto traz o banimento sobre a sua própria casa”, avisa o provérbio bíblico. E os perigos morais que aguardam qualquer pessoa cujo alvo principal na vida é ficar rico são claramente sublinhados
-