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Todos sofrem as conseqüências do contrabandoDespertai! — 1982 | 8 de março
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Todos sofrem as conseqüências do contrabando
Do Correspondente de “Despertai!” na Nigéria
FUNCIONÁRIOS do governo num país africano ficaram surpresos quando descobriram que um enorme cofre de carga, supostamente cheio de caixas de leite, servia de esconderijo para um automóvel Mercedes Benz. Três funcionários alfandegários foram acusados de aceitar subornos para que o carro pudesse ser contrabandeado ao país.
No ínterim, funcionários da China e de Formosa desmantelaram uma quadrilha de contrabandistas composta de capitães de barcos pesqueiros dos dois países. Os pescadores de Formosa vendiam canetas Parker e relógios Rolex falsificados e os pescadores chineses pagavam por eles com barras de ouro falsificadas que na verdade eram de chumbo revestidos de ouro!
Nos Estados Unidos, as autoridades alfandegárias calculam que o equivalente a 420 bilhões de cruzeiros em drogas é contrabandeado por ano apenas para a Flórida.
O contrabando é visivelmente um fenômeno mundial. É praticado por criminosos profissionais e por turistas ansiosos de “aplicar um golpe no sistema” por deixarem de pagar alguns cruzeiros de impostos. O turista talvez contrabandeie uma garrafa de bebida ou uma peça de roupa. Os profissionais contrabandeiam café, drogas, armas, munição, ouro, diamantes ou qualquer coisa para a qual haja mercado.
Pernas Ocas e Falsos Caixões de Defunto
Os contrabandistas profissionais são tanto audaciosos como engenhosos nos seus empenhos. Certo jornal africano comentou que os contrabandistas naquela parte do mundo inventaram novos métodos tão logo os antigos sejam descobertos. Recentemente, os favoritos incluem ‘caixas com fundo falso, esconder bens tais como jóias em pacotinhos de sopa, no pão, em todo tipo de gêneros alimentícios e em caixões de defunto’ bem como em várias partes da anatomia humana. Os contrabandistas orientais também têm os seus truques. Na China, a perna artificial de certo homem estava abarrotada de relógios contrabandeados! Outro parceiro tinha dezenas de relógios presos à cintura.
Contrabandistas sofisticados, que atuam no mercado de drogas na Flórida (E.U.A.), usam embarcações e aviões rápidos e potentes. “Por exemplo, os Constellations, de quatro motores, estão substituindo alguns aviões bimotores”, diz a revista Time.
Na Ásia, os turistas participam cada vez mais no contrabando de itens de Hong Kong às Filipinas. Uma das técnicas preferidas é destinar bens contrabandeados a pessoas fictícias.
Prejudica Realmente?
Ao voltar da visita a um outro país, já foi alguma vez tentado a se “esquecer” de que havia na sua bagagem alguns itens tributáveis? Muitos já. ‘O governo de qualquer jeito me mata de imposto’, argumentam. ‘Não vai prejudicar a ninguém se eu passar furtivamente alguns itens pelos funcionários da alfândega.’ Mas prejudica.
Este tipo de contrabando é realmente uma forma de sonegação de impostos. É você cristão? Neste caso reflita sobre o conselho dado na Bíblia de ‘render a todos o que lhes é devido, a quem exigir imposto, o imposto’. — Rom. 13:7.
Quer seja cristão quer não, você pode avaliar o efeito sobre o governo de seu país se valiosas receitas provenientes de impostos forem perdidas. Talvez ache que tais atos são pequenos, mas eles são cumulativos. Em certo país africano numerosos pequenos fazendeiros contrabandeiam as colheitas de café para países vizinhos onde o café é vendido por um preço mais alto. Cada fazendeiro contrabandeia talvez apenas um pouco de café mas o resultado final é que a receita sobre 30 por cento da safra inteira é perdida, anualmente.
Se seu país, como a maioria, depende das receitas alfandegárias para ajudar a custear os serviços do governo, por meio de seu contrabando “inofensivo” você estará realmente, neste caso defraudando seus co-cidadãos. Como assim? Porque terão de pagar impostos mais altos para compensar a receita perdida. Ainda mais, como resultado da existência de cidadãos desonestos, os governos adotam medidas custosas a fim de fiscalizar mais cuidadosamente as pessoas. Quem paga a conta são os contribuintes. A Nigéria, por exemplo, gastou recentemente mais de 3 milhões de dólares com navios para pegar contrabandistas e mais 12,4 milhões na construção de postos alfandegários em áreas estratégicas.
Armas e Drogas
Nem todos os itens são contrabandeados para se evitar o pagamento do imposto. Armas, munição e drogas não seriam taxados na maioria dos países; seriam confiscados. Tal contrabando é mundialmente um negócio muitíssimo volumoso e sem dúvida contribui para os crescentes problemas mundiais do crime e da instabilidade política. Tal contrabando envenena e ameaça a própria sociedade. É triste dizer que tal contrabando criminoso muitas vezes é possível graças a funcionários alfandegários corruptos.
Ironicamente, amiúde os países ricos e pobres agem contra seus interesses mútuos quando se trata de contrabando. Nos países pobres, onde a maconha ou o ópio são cultivados, o governo talvez relute em eliminar colheitas que rendem valiosas divisas à sua economia. As nações ricas queixam-se do problema das drogas mas prosseguem fabricando as armas que são contrabandeadas para os países pobres e assim contribuindo para a instabilidade social ali.
O Que Você Pode Fazer?
O contrabando é uma infeliz realidade da vida num mundo ganancioso. Você não pode mudar o mundo. Aproxima-se a época em que Deus fará isso. — Mat. 6:10; Pro. 2:20-22.
Você pode, porém, estar determinado a não contribuir para o problema do contrabando. Não compre itens caso suspeitar terem sido contrabandeados. Não se deixe levar na conversa de que poderá facilmente ganhar algum dinheiro por trazer para alguém um pacote, ao voltar das férias. Saiba quais são as leis alfandegárias em seu país e respeite-as, mesmo se souber de uma maneira infalível de esquivar-se delas. Qual cidadão honesto, terá algo que contrabandista algum poderá obter para você — uma consciência limpa!
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O fascinante mundo do tradutorDespertai! — 1982 | 8 de março
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O fascinante mundo do tradutor
A CAMPANHA publicitária de uma empresa automobilística americana na Bélgica quase entrou em colapso quando seu lema “Carroçaria de Fisher” foi traduzido “Cadáver de Fisher”. E, na França, os executivos de um fabricante de refrigerantes literalmente se arrepiaram quando descobriram que a propaganda que descrevia seu refrigerante como o “Refrigerante da Amizade”, fora traduzida por “Jogue Água Fria na Amizade”.
Histórias como estas não são incomuns no mundo do tradutor. Mas mostram a dificuldade e o desafio de se traduzir de uma língua para outra. Contudo, num mundo com cerca de 3.000 línguas, a tradução é uma real necessidade. A diplomacia internacional, o comércio, a educação, viagens e uma porção de outras atividades dependem do trabalho de tradutores — homens e mulheres que trabalham silenciosamente nos bastidores, tentando canalizar idéias e informações através das barreiras da língua.
Armadilhas e Perigos
Precisa-se mais do que apenas conhecimento de duas ou mais línguas para se traduzir com sucesso. Requer-se da pessoa um entendimento profundo da matéria a traduzir, se é que há de tornar-se um profissional nesse campo. Se vai especializar-se numa nova área, deve aprender bem sobre ela, a fim de evitar as armadilhas. E armadilhas há em quantidade. Por exemplo, um artigo na edição dinamarquesa de Seleções do Reader’s Digest sobre o antigo Egito mencionava Moisés e as 10 “tábuas”! Aparentemente o tradutor tomou “pragas” por “placas” e daí confundiu as 10 pragas com as tábuas contendo os Dez Mandamentos.
Mesmo os termos simples deixam de ser tão simples quando traduzidos para outra língua. Por exemplo, “benzin” em dinamarquês não é o mesmo que “benzeno”, “benzina” ou “benzol” em português. É o produto chamado de petrol na Inglaterra, gasoline, ou gas, na América do Norte, ou gasolina no Brasil. Por outro lado, “petroleum” na Dinamarca é paraffin na Inglaterra e kerosene nos E.U.A. (querosene no Brasil) e, paraffin nos E.U.A. é uma cera (parafina) na Grã-Bretanha. Confuso, não é? Mas, para um tradutor, problemas deste tipo são incontáveis, alguns dos quais não podem ser resolvidos satisfatoriamente nem mesmo com a ajuda de um dicionário.
Uma palavra em certa língua raras vezes tem exatamente o mesmo significado do seu equivalente, se é que existe tal coisa, em outra língua. Com freqüência, o tradutor tem de escolher entre diversas palavras similares, considerando o assunto, o contexto, o estilo e muitos outros
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