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Por que há tanta desonestidade?A Sentinela — 1982 | 15 de agosto
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Por que há tanta desonestidade?
UM VELHO provérbio diz que “a ocasião faz o ladrão”. Contrário a isso, há alguns que insistem em que é “o ladrão que faz a ocasião”.
Não importa como esta se inicia, a desonestidade nas suas muitas formas atingiu proporções alarmantes. No entanto, muitas práticas se tornaram tão comuns que muitos não as consideram mais como desonestas.
Tome algumas situações típicas. O patrão diz ao escriturário para diminuir as quantias ao contabilizar as receitas de certas vendas. O escriturário adota o conceito de que isso não é objetável porque está fazendo simplesmente o que seu chefe lhe ordena. A esposa defrauda no orçamento da família, convencendo-se de que tem direito a alguma coisinha de natureza pessoal. O marido diz à esposa que tem de trabalhar horas extras, mas ele sai com os amigos ou, talvez, com outra mulher.
Certo lojista disse recentemente que jovens chegam à sua loja em grupos. Enquanto um deles faz uma compra, os demais assaltam o balcão. “Quando eu era garoto”, diz ele, “os moleques ficavam apavorados quando eram apanhados. O triste é que agora eles não ligam a mínima para isso. Em certos lugares, se você os repreende severamente, eles voltam e estilhaçam as janelas”.
E não são apenas os das classes menos privilegiadas que fazem isso. Não faz muito tempo, na Inglaterra, uma senhora idosa, com título de nobreza, foi condenada por roubo de lojas. E quem já não leu sobre desfalques, alguns pequenos, mas outros que chegam a milhões?
Quais são as causas desta tremenda tendência para a desonestidade? Há muitas. Desde a infância, grande parte das crianças ficam sujeitas à sua pérfida influência. Estórias folclóricas e clássicas tais como “Ali Babá e os Quarenta Ladrões”, filmes, programas de TV e muitos livros glorificam de um modo ou de outro a desonestidade.
Numa entrevista, em São Paulo, certo homem atribuiu muitos dos erros cometidos à influência de práticas religiosas tais como a fácil obtenção de perdão por meio da confissão. Uma mulher admitiu que seu mundo de honestidade desmoronou quando descobriu que o “Papai Noel” era um parente seu. Desde o conto da cegonha, que se diz que traz os bebês, até os políticos com suas promessas vazias — em todas as esferas da vida estamos cercados de poderosas influências que tendem a condicionar a mente à desonestidade.
Alguns não vêem nenhum mal no que chamam de “mentirinhas inocentes”, mas o fundador do cristianismo disse: “Quem é desonesto nas coisas pequenas, também será nas grandes.” Também identificou o Diabo como ‘o pai das mentiras’ e como aquele a quem a humanidade, em geral, se sujeita qual governante. Isso certamente dá o que pensar, e ajuda a entender por que a desonestidade é tão ampla. — Lucas 16:10, A Bíblia na Linguagem de Hoje; veja também João 8:44; 14:30.
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Por que ser honesto?A Sentinela — 1982 | 15 de agosto
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Por que ser honesto?
A BÍBLIA descreve corretamente a Jeová como o “Deus da verdade”, alguém “que não pode mentir”. (Salmo 31:5; Tito 1:2) Desde a criação do homem, Jeová tem sido firme em exigir que seus adoradores verdadeiros sejam honestos em todas as coisas. — Zacarias 8:16, 17.
Se a pessoa há de ser honesta, é importante que seja orientada, não pelas atitudes da comunidade, mas pelas normas do próprio Jeová Deus. Estas estão registradas na Bíblia.
COMO DEUS LIDAVA COM ISRAEL
Em sua lei dada à nação de Israel, Jeová ordenou: “Não deveis furtar e não deveis enganar, e não deveis tratar com falsidade, qualquer um ao seu colega. E não deveis jurar mentira em meu nome, de modo a profanares o nome de teu Deus. Eu sou Jeová.” — Levítico 19:11, 12.
Os ladrões não se safavam com uma pena leve. Tinham de compensar a vítima. E se não possuíssem o valor exigido por lei, tornavam-se escravos para pagar a dívida com trabalho. — Êxodo 22:1-4.
Jeová foi específico nos pormenores, de modo a não haver dúvidas quanto ao fato de que ele condenava todas as formas de desonestidade. Advertiu fortemente contra ‘línguas insidiosas’, palavras suaves, mas desonestas, tanto o roubo violento como o cometido às ocultas, bem como balanças comerciais desonestas. — Provérbios 1:10-19; Daniel 11:32; Miquéias 6:11, 12.
REQUISITO CRISTÃO
Mudou o princípio da honestidade com o estabelecimento da congregação cristã? De modo algum!
Quanto à mentira e ao roubo, a Bíblia ordena aos cristãos: “Não estejais mentindo uns aos outros.” “Sendo que agora pusestes de lado a falsidade, falai a verdade, cada um de vós com o seu próximo . . . O gatuno não furte mais, antes, porém, trabalhe arduamente, fazendo com as mãos bom trabalho, a fim de que tenha algo para distribuir a alguém em necessidade.” “Nenhum de vós sofra como . . . ladrão, ou como malfeitor.” — Colossenses 3:9; Efésios 4:25, 28; 1 Pedro 4:15.
A seriedade do assunto é salientada nas seguintes palavras de advertência: “Não sejais desencaminhados. Nem fornicadores, . . . nem ladrões, nem gananciosos, nem beberrões, nem injuriadores, nem extorsores herdarão o reino de Deus. E, no entanto, isso é o que fostes alguns de vós.” — 1 Coríntios 6:9-11.
Note que entre aqueles primitivos cristãos havia alguns que tinham sido ladrões e extorsores, mas mudaram seu modo de vida. A respeito da reputação do povo de Creta, o apóstolo Paulo citou um cretense, possivelmente o poeta Epimênides, como tendo dito: “Os cretenses são sempre mentirosos, feras prejudiciais, glutões desempregados.” (Tito 1:12) Entre os gregos o nome “cretense” tornou-se sinônimo de “mentiroso”. Mas alguns dentre os habitantes de Creta mudaram seus modos e tornaram-se genuínos cristãos. Havia no seu meio anciãos cristãos que chegaram a ter a reputação de ‘estarem livres de acusação, de não serem ávidos de ganho desonesto, de serem amantes da bondade, justos, leais, dominando a si mesmos’. — Tito 1:7, 8.
QUE OS FEZ MUDAR?
Foi chegarem a conhecer a Jeová, o “Deus da verdade”, e aprenderem os requisitos para os Seus servos que causou a mudança. Jesus Cristo, que ‘deixou uma norma para seguirem de perto’, tornou-se seu exemplo. Ao estudarem o padrão de vida de Jesus, aprenderam que não havia ‘engano na sua boca’. Dos seus ensinamentos aprenderam: “Assim como quereis que os homens façam a vós, fazei do mesmo modo a eles.” — 1 Pedro 2:21, 22; Lucas 6:31.
Naturalmente, não é provável que tenham mudado do dia para a noite. Foi por isso que, por exemplo, o apóstolo Paulo incentivou Tito a ‘continuar a lembrar’ aos cristãos em Creta certos assuntos relacionados com a conduta piedosa. (Tito 3:1-3) De início, talvez achassem que revestir-se duma nova personalidade fosse algo impossível. Quando sofreram reveses, talvez tenham ficado desanimados. Mas, o apreço pela maravilhosa provisão feita por Jeová, para o perdão de seu proceder pecaminoso no passado à base da fé no sacrifício de Jesus Cristo, teve um efeito estimulante. E, ao passo que aprenderam a confiar em Jeová e a buscar a ajuda do Seu espírito, notaram que fizeram mudanças que, por conta própria, nunca conseguiram fazer. — Veja 1 Coríntios 6:11.
POR QUE FAZER ISSO?
Mas, por que tanto esforço? Por que insistir em ser honesto em tudo?
Bem, comecemos pelo lar. O que acontece quando o marido e a esposa descobrem que não podem confiar um no outro? Talvez comece por coisas aparentemente pequenas, mas logo o inteiro relacionamento fica deteriorado. Por outro lado, serem honestos em tudo fortalece o vínculo marital. E exerce poderosa influência benéfica também na vida dos filhos.
Fora do lar, sua honestidade com os outros mostra como encara seus semelhantes. Neste caso, a punição refreia alguns de fazer o que é errado. Mas há forças mais impelentes. O apóstolo Paulo escreveu: “‘Não deves furtar, não deves cobiçar’, e qualquer outro mandamento que haja, está englobado nesta palavra, a saber: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’” (Romanos 13:9) Para recebermos amor, precisamos dar amor. A pessoa que é honesta goza de boas relações com outros. Ela fica em paz consigo mesma. Nenhuma consciência pesada a mantém acordada à noite. Não fica sempre apreensiva, com medo de que possa ser apanhada — Romanos 13:3-5.
Entretanto, o mais importante de tudo é a relação da pessoa com Deus. É o amor sincero a Jeová e o desejo de receber a Sua aprovação que induz a pessoa a lutar contra suas próprias imperfeições e a ser honesta mesmo quando outros não o são. — Salmo 15:1-5.
Há hoje em dia pessoas que realmente fazem isso? Vejamos.
[Destaque na página 4]
A honestidade desenvolve a confiança no círculo familiar.
[Destaques na página 5]
A pessoa honesta tem a consciência tranqüila e dorme bem à noite.
Para se ter uma boa relação com Deus é preciso ter uma conduta honesta.
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Eles conseguiram — honestamenteA Sentinela — 1982 | 15 de agosto
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Eles conseguiram — honestamente
QUÃO maravilhoso seria deixar abertas as portas da casa sem ter medo de ser roubado! Como melhoraria a vida e aumentaria o prazer se pudéssemos confiar em todos e todos confiassem em nós!
Mas, tudo isso começa com a própria pessoa, não é? Primeiro vem o nosso esforço pessoal.
Considere alguns exemplos de pessoas que venceram suas inclinações más e lutaram para se libertarem delas, porque queriam fazer isso.
Defraudaria Ele Para o Patrão?
No Rio de Janeiro, certo homem perderia o emprego se não continuasse a enganar os fregueses. Como se meteu nessa situação? Depois de obedecer por algum tempo às ordens do patrão, sem que isso lhe perturbasse a consciência, começou a aprender as normas de Deus na Bíblia. O que faria ele então? Obedeceria prontamente ao que a Bíblia dizia? De modo algum. Tomou o caminho mais fácil; parou de estudar a Bíblia. Conservou o emprego por mais algum tempo. Mas a história não termina aí.
Sua consciência não o deixava em paz, de modo que pediu demissão. (Romanos 2:14, 15) Suas orações pedindo uma boa consciência devem ter sido ouvidas, pois ele procurou uma Testemunha de Jeová que morava perto, para continuar seu estudo da Palavra de Deus. É interessante que não levou muito tempo até que seu ex-patrão mandou chamá-lo. Por quê? Ele o queria de volta. O homem que fora empregado para substituí-lo era desonesto não só com os fregueses, mas com o próprio patrão! Nesse ínterim, fortalecido em sua decisão de ser honesto, o estudante da Bíblia disse que consideraria a possibilidade de voltar, mas nos seus próprios termos — honestidade sob todas as circunstâncias. Sua exigência foi aceita. A honestidade triunfou e o homem é agora cristão batizado.
Ladrão a Mão Armada Muda de Proceder
Pode um ladrão a mão armada mudar seu modo de vida? No sul do Brasil, certo jovem de 19 anos fazia parte duma quadrilha de arrombadores. Na prisão, entrou em contato com literatura bíblica publicada pela Sociedade Torre de Vigia. Ficou chocado com o que aprendeu. Os requisitos de Jeová para o cristão eram muito diferentes do seu próprio modo de vida, embora fosse nominalmente católico romano.
Progrediu aos poucos. Seu apreço aumentava ao passo que suas dúvidas eram dissipadas. Hoje, ele mesmo estuda a Bíblia com outros prisioneiros, e é conhecido pelas autoridades da prisão, por advogados e juízes por sua surpreendente transformação. As autoridades ficaram tão impressionadas com sua mudança de comportamento, que permitem a realização cada semana de um estudo da Bíblia em grupo com 40 pessoas.
Não É Mais Ladrão Nem Mentiroso
Em Londres, na Inglaterra, certo jovem sentia-se tão desgostoso com o sistema à sua volta, que se tornou francamente rebelde. Visto que não tinha emprego fixo e nem queria trabalhar, sentia-se muito tentado a roubar. Quando era garoto de entregas, ficava com pacotes para si e também roubava doces das lojas. Logo entrou para uma quadrilha de arrombadores de casas, mas foi preso, julgado e condenado. Tendo apenas 16 anos, foi enviado a um reformatório inglês chamado Borstal. Depois de dois anos foi posto em liberdade, e, durante algum tempo, manteve-se fora de encrencas, temendo ser novamente preso.
Será que a instituição o reformou? Realmente, não. Depois de um ano ele já estava de volta à ladroagem. Como cobrador de ônibus, aproveitava o horário de maior movimento para ficar com o dinheiro em vez de registrar as passagens. Novamente perdeu o emprego. Casou-se no ínterim, mas desde o início surgiram sérios problemas por causa de sua bebedice e seus casos extraconjugais.
Foi então, dois meses depois do casamento, que o casal entrou em contato com a Bíblia. Aceitaram um estudo bíblico. Realizou isto uma mudança repentina? Na verdade, não. Os traços de desonestidade estavam arreigados demais. Parou de estudar. No entanto, uma semente fora semeada.
Recordando o passado, ele admite que no fundo sabia que o que ouvira nas poucas semanas de estudo bíblico era a verdade e o único meio de endireitar-se. Seu coração desejava isso, mas lhe faltava a força. Certo dia, ficou envolvido numa briga com a polícia. Foi preso por dirigir bêbado um veículo que não tinha seguro. Na manhã seguinte, quando se olhou no espelho e viu sua camisa branca coberta de sangue, fez um balanço de sua situação.
“Havia apenas duas opções para mim”, disse ele. “Morrer ou regenerar-me; tinha de decidir-me. Orei a Jeová, pedindo que enviasse uma certa Testemunha de Jeová para visitar-me. Realmente, esta veio logo e eu lhe supliquei que estudasse a Bíblia comigo. Isso se deu em novembro de 1973. Em marco de 1974, eu me batizei.”
Têm sido fáceis as coisas para esse ex-ladrão e ex-mentiroso? “Não”, responde ele. “Houve altos e baixos, ligeiras recaídas de atitude. Sem a ajuda de Jeová, nunca teria conseguido sair dos apuros em que me encontrava.”
Ele sabe que a felicidade depende de aplicar a lei de amor de Deus. “Minha família unida freqüenta o Salão do Reino. E eu me esforço a criar meus filhos no caminho de Deus. Lamento que meus pais não soubessem o que eu sei, de modo que não me puderam ajudar.”
VIDA COM FUTURO
Neste mundo sofisticado, alguns talvez pensem que “a ocasião faz o ladrão”. Mas, mesmo alguns ex-ladrões compreendem que uma vida de honestidade oferece muito mais.
Por quê? Porque resulta em justiça, numa boa consciência, em confiança mútua, e, acima de tudo, porque agrada a Deus. É um requisito básico para a vida na iminente nova ordem de Deus, em que não haverá mais roubo ou desonestidade.
O amor será o fator dominante duma vida muito satisfatória e plena numa terra paradísica sob o reinado milenar de Cristo Jesus. A honestidade imperará em toda parte. Por que não examina agora mais a respeito dessa esperança valiosa? As Testemunhas de Jeová em sua localidade terão prazer em ajudá-lo.
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