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“Mamãe, compra isso pra mim!”Despertai! — 1980 | 8 de dezembro
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amor de seus pais por eles. Sabem que outros os apreciam por causa da espécie de pessoas que se esforçam em ser — pessoas que demonstram seu amor, e que tentam fazer o que é correto. Na vida de tais jovens, existe uma base para real alegria e satisfação por suas realizações, ao invés de o sentimento superficial de importância temporária, graças a seus bens.
É importante que nós apresentemos tais coisas de real valor diante de nossos jovens, a quem tanto amamos, e que olham para o nosso exemplo, ao moldarem a sua própria vida.
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O álcool como combustível — é a solução?Despertai! — 1980 | 8 de dezembro
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O álcool como combustível — é a solução?
Um relatório sobre as medidas propostas pelo Brasil para a crise de energia.
EM 1979, em várias cidades do Brasil, os postos de gasolina começaram a vender álcool, ao invés de apenas gasolina ou óleo diesel. A idéia não é nova. Alexander Graham Bell declarou em 1922: “O consumo de petróleo é tão grande no mundo que as reservas serão suficientes apenas para mais algumas gerações. A solução é o álcool, um combustível limpo e perfeito.”
Para ser uma solução real, o álcool precisa provir de uma fonte renovável. A única disponível é a biomassa. O que é isto? Trata-se de matéria biológica, viva, que pode ser transformada em energia. A chave é a fotossíntese. As plantas armazenam energia solar em forma de componentes químicos que o homem pode usar para produzir álcool — álcool da biomassa.
Carros movidos a álcool têm mais de meio século de história no Brasil. Em 1919, o governador de Pernambuco decidiu usar álcool na frota de veículos oficiais, e, na década de 20, neste Estado, realmente se usaram misturas de álcool, e alguns carros eram movidos exclusivamente por tal combustível. Em 1933, o Presidente Getúlio Vargas decidiu fazer do Rio de Janeiro “a primeira cidade do Brasil movida a álcool”. Mas o esforço de converter os 20.000 veículos da cidade para serem movidos com uma mistura de 60 por cento de álcool teve que ser abandonado quando este se esgotou. Outras tentativas de misturar álcool e gasolina foram feitas em 1938 e 1942, mas era impossível tornar competitivo o preço do álcool. No entanto, o cenário começou a mudar em 1973. Os vertiginosos preços do petróleo e o aumento do consumo elevaram a conta do óleo importado de US$ 400 milhões, em 1972, para US$ 4 bilhões, em 1975.
Visto que o Brasil possui muitas correntes fluviais que podem ser utilizadas para gerar eletricidade, o elevado custo do petróleo não criou uma crise de energia, mas, antes, uma crise de combustível. A melhor opção de combustível para o país foi o álcool da biomassa. Portanto, foi instituído em novembro de 1975 o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). Ele abrange tudo — a plantação adicional de milhões de hectares de cana, pesquisas com outras plantas e também providências para estocagem e comercialização.
O primeiro estágio do plano foi usar até 20 por cento de álcool misturado à gasolina, visto que isto não exigia nenhuma adaptação nos motores dos carros. Depois de mais de três anos, até 16 por cento de álcool já estava sendo adicionado. O Programa do Álcool brasileiro já foi além da expectativa. A produção de álcool era de 740 milhões de litros em 1974-75; em 1977-78 subiu para 1,5 bilhão de litros. A meta é produzir 10,7 bilhões de litros de álcool em 1985, o que representará cerca de 5 por cento da energia consumida no país.
O Brasil possui uma área de terra de 8,5 milhões de km2, portanto, tem solo suficiente — e luz solar — para o cultivo de plantas a fim de produzir a necessária matéria-prima. O cerrado brasileiro, de cerca de 2 milhões de km2, é o ideal.
O objetivo prioritário do Proálcool é produzir álcool etílico da cana através de fermentação e subseqüente destilação. A produção atual é de cerca de 3.500 litros de álcool por ano, por hectare, mas, fazem-se testes para aumentar esta produção. A construção e instalação de uma usina para produzir cerca de 120.000 litros de álcool por dia custa o mesmo que perfurar um poço de petróleo, Cr$ 560 milhões, aproximadamente, mas, com a certeza de produção. A completa instalação de tal destilaria de álcool leva cerca de três anos ao passo que um campo de petróleo pode exigir cinco anos até poder ser explorado comercialmente.
Recentemente, o Instituto de Pesquisa Tecnológica até mesmo publicou um manual sobre como construir “minidestilarias”. Tal usina poderia produzir combustível para um caminhão e mover motores estacionários para as necessidades elétricas, ao passo que o bagaço da cana poderia ser transformado em fertilizante. Apenas 24 hectares de terra seriam suficientes para plantar a cana necessária para a usina. Para grandes proprietários de terra em regiões isoladas, a destilaria artesanal poderia representar um novo modo de vida.
Uma das maiores preocupações é a poluição criada pelos resíduos. A produção de um litro de álcool gera também 12 litros de vinhoto, que é o resíduo tóxico da polpa da cana. Se derramado nas correntes de água, ele absorverá o oxigênio e matará os peixes, algas e plantas. Além disso, uma destilaria que processe 120.000 litros por dia também produzirá quatro toneladas de levedura. Felizmente, o Brasil deu atenção a tais problemas. A Metalúrgica Conger S/A fabrica equipamento para transformar a levedura em ração de proteína para animais, por meio de processo térmico, e o vinhoto em excelente fertilizante ou em ração animal, por meio de evaporação, sem prejudicar o rendimento da destilaria.
Para uma boa produção, é necessário um solo fértil e de boa qualidade. Nem todo tipo de solo aqui satisfaz esta exigência. Portanto, paralelo ao programa original do Proálcool, o governo pretende desenvolver um projeto para produzir etanol, e mais tarde metanol, da madeira de eucalipto. O metanol poderia ser usado como substituto tanto para o óleo combustível como para o óleo diesel. A principal razão para se usar eucalipto é que ele não exige solo tão fértil quanto a cana. Outras vantagens são que os pés de eucalipto, no Brasil, se desenvolvem muito rapidamente (cinco anos) e o corte pode ser feito o ano inteiro. Também, as condições climáticas têm muito pouco efeito sobre o crescimento do eucalipto, mas são uma grande preocupação para a cultura da cana. Ainda mais, o custo de produção da madeira de eucalipto é de cerca de 8 mil cruzeiros por hectare, comparado com mais de 25 mil cruzeiros para a cana. Este custo mais elevado deve-se à necessidade de solo mais fértil, mais fertilizantes, pesticidas e mão-de-obra. Por outro lado, uma usina projetada para produzir 120.000 litros de álcool por dia, da madeira de eucalipto, custa quase o dobro de uma usina que processa a cana.
Mesmo agora, para começar, a matéria-prima já está disponível. Apenas nos Estados de Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais existem mais de 500 mil hectares de pés de eucalipto prontos para o corte. No futuro, seria necessário plantar cerca de um milhão de hectares de árvores, por ano, para suprir a necessária matéria-prima. O Presidente Figueiredo declarou recentemente que “tudo que necessitamos é ter 10 por cento do cerrado no Brasil central plantado com eucalipto para produzir o metanol equivalente a dois milhões de barris de petróleo por dia”. Isto tornaria o Brasil independente das importações de petróleo.
Existem, também, certos resíduos valiosos. Para cada mil litros de álcool são produzidos 800 kg de coque metalúrgico, 350 kg de ração animal (proteína), 500 kg de gás carbônico e 30 kg de furfurol, matéria-prima das resinas e solventes. Apenas o valor dos dois primeiros itens é de cerca de 70 por cento do álcool que é produzido. Assim, acredita-se que o preço do álcool poderia oscilar entre 5 e 15 cruzeiros por litro, dependendo de até que ponto tais subprodutos possam ser aproveitados.
Adaptações nos Automóveis
Qualquer carro à gasolina pode ser convertido ao álcool com apenas algumas pequenas adaptações, na maior parte para melhor rendimento. Seu custo é de cerca de Cr$ 15 a Cr$ 25 mil, por carro. A seu favor sabe-se que carros movidos a álcool aceleram mais rapidamente do que os movidos a gasolina. E visto que o álcool tem um ponto de fulgor [quando o líquido se torna inflamável] mais alto, não se transforma logo em chamas em caso de batida. Mas, o consumo de combustível aumenta de 10 à 15 por cento. Também, os motores convertidos ao álcool revelaram significativa corrosão nos carburadores, nas bombas de distribuição e tanques de combustível. Portanto, os motores convertidos mais recentemente têm peças de plástico e carburadores de alumínio para eliminar este problema. Outro problema é a ignição difícil em tempo muito frio. Para resolvê-lo, foram desenvolvidos métodos de pré-aquecimento do álcool para ignição.
Em São Paulo, os carros cor-de-laranja, com letreiros bem feitos, dizendo “Movidos a Álcool”, se tornaram parte do cenário. Uma piada típica que geralmente se diz quando passam é “Pelo menos o motorista é!” Contudo, o programa do álcool há muito passou do estágio das brincadeiras. É uma realidade.
As fábricas de automóveis já produzem em suas linhas de montagem carros movidos a álcool. A meta final para 1980 era de 250.000 automóveis com motores 100 por cento a álcool. O governo estima que por volta de 1982 mais de 1.000.000 de carros estarão adaptados ou terão motores de fábrica usando exclusivamente o álcool.
Mas, é o álcool da biomassa a solução definitiva? Trata-se, na realidade, de uma valiosa fonte renovável de energia que Deus colocou à disposição do homem. Contudo, a conversão ao álcool para combustível não resolverá todos os problemas. O mau emprego de tal recurso e a ganância na produção e distribuição podem levar a problemas sérios, assim como tem acontecido com o petróleo. O verdadeiro problema não será resolvido até que os exploradores egoístas dentre a humanidade tenham sido removidos.
Temos razão para crer que isto realmente acontecerá? Sim, mas não por meio de esforços humanos. No entanto, a Bíblia mostra que é o propósito de Deus fazer isto por meio de seu reino messiânico. “Resgatará sua alma da opressão e da violência, e o sangue deles será precioso aos seus olhos.” — Sal. 72:14.
[Foto na página 17]
MOVIDO A ÁLCOOL
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