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A comemoração da morte de Cristo e o que ela representa para o leitorA Sentinela — 1965 | 1.° de abril
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é mister que saiba, primeiro de tudo, em que consiste. A respeito dela, o apóstolo Mateus, testemunha ocular, escreveu: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo.’ Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: ‘Bebei dele todos, porque este é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.” Nessa ocasião, Jesus também ordenou, conforme relatado pelo apóstolo Paulo: “Fazei isto em memória de mim.” — Mat. 26:26-28; 1 Cor. 11:24, CBC.
Foi muito apropriado ter Jesus Cristo ordenado que a sua morte fosse comemorada. Por certo, morrer ele para prover o meio de a humanidade livrar-se do pecado e da morte e reintegrar-se no favor de Deus assinalou um dos mais notáveis, e, por que não dizê-lo, o mais notável acontecimento na terra, até aquele tempo. Ademais, por meio de seu proceder fiel, Jesus deu um exemplo autêntico para todos os seus seguidores. E, acima de tudo, por motivo de Jesus continuar fiel até à morte, apesar de tudo o que o Diabo e seus agentes pudessem fazer para desviá-lo, Jeová Deus ganhou verdadeiramente notável vitória sobre Satanás, o Diabo, o qual se tinha jactado de que podia desviar todos os homens de Jeová Deus. — Jó 2:4, 5; Mat. 20:28; 1 Ped. 2:21.
Ao instituir a Comemoração de sua morte, o que é que Jesus queria dizer ao mencionar: “Isto é meu corpo”, e, “Êste é meu sangue”? Na ausência de qualquer declaração ao contrário nas Escrituras, temos de concluir que Jesus simplesmente queria dizer o que é óbvio, a saber, que o pão e o vinho desempenhavam o papel, representavam ou significam seu corpo, seu corpo de carne e sangue; não que estes se tinham tornado realmente sua carne e seu sangue. É por isso que algumas versões rezam, “Isto significa meu corpo”, ou “Isto representa meu corpo”. Por serem assim símbolos o pão e o vinho, são corretamente mencionados como “emblemas”.
QUANDO E COM QUE FREQÜÊNCIA?
Quando e com que freqüência devem os cristãos realizar a Comemoração da morte de Cristo? A Igreja Católica Romana realiza a sua versão dela, a missa, cada dia do ano, exceto a Sexta-Feira Santa. Outras, tais como os cristadelfos, celebram-na semanalmente. Ainda há outras que a realizam três ou quatro vezes por ano.
Ao passo que o próprio Jesus não declarou explicitamente quando e com que freqüência a Comemoração de sua morte deva ser realizada ou observada, ainda assim a razão, a época que escolheu para instituí-la e o que o resto das Escrituras sobre este assunto nos têm a dizer, tudo isso nos auxilia a chegar a sólidas conclusões. Em primeiro lugar, não é razoável ou lógico comemorar a morte de Cristo anualmente? Todos os demais eventos dignos de nota são comemorados anualmente. Celebrá-la com mais freqüência em nada acrescentará a sua importância, mas pareceria, ao invés disso, diminuí-la, tornando-a comum.
Ademais, Jesus tanto instituiu a Comemoração de sua morte como morreu no dia que era a data mais significativa da história judaica, o décimo quarto dia do primeiro mês de seu ano lunar religioso, nisã. Esta era a noite da Páscoa, que comemorava a libertação da nação de Israel do cativeiro egípcio e a preservação ou passagem por cima do primogênito dos israelitas. Assinalou tanto o nascimento da nação de Israel como a vitória espetacular de Jeová Deus sobre o Egito, potência mundial dominada pelo Diabo. Mais do que isso, lemos, “Cristo, a nossa páscoa, já tem sido sacrificado”. Visto que Jesus Cristo é mencionado aqui como sacrifício pascoal e a Páscoa era comemorada anualmente, em 14 de nisã, não será razoável concluir que ele tencionava que a comemoração de sua morte ocupasse o lugar da páscoa judaica nas vidas de seus seguidores, todos os quais eram judeus, naquele tempo, acostumados a celebrarem anualmente a Páscoa, e a fazerem isso em 14 de nisã? Realmente, a história da igreja primitiva registra que, durante algum tempo, muitos cristãos realizavam a Comemoração da morte do Senhor em 14 de nisã. — 1 Cor. 5:7, 8.
Em harmonia com o precedente, as testemunhas cristãs de Jeová realizam a Comemoração da morte de Cristo apenas uma vez por ano, e fazem isso em 14 de nisã, que este ano começa em 16 de abril, após o pôr do sol.
PARTICIPA O LEITOR?
A pergunta: Participa o leitor? talvez pareça estranha para alguns de nossos leitores, visto que é costume comum, em muitas partes da cristandade, de todos os que assistirem à celebração da “Ceia do Senhor” tomarem do pão e do vinho. No entanto, as Escrituras não dão margem a tal observação indiscriminada da mesma. Quando Jesus instituiu a Comemoração, fez isto com seus onze apóstolos fiéis, aos quais continuou a dizer: “Eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis em tronos.” Segue-se, portanto, que apenas se o leitor estiver incluído neste pacto com Cristo para um reino é que poderá participar dos emblemas na Comemoração da morte de Cristo. Os que são abrangidos neste pacto, Jesus chamou de “pequeno rebanho”, o que são mesmo, falando-se comparativamente, estando limitado o seu número a apenas 144.000. — Luc. 22:29, 30; 12:32; Rev. 7:4-8; 14:1, 3.
Os que são abrangidos neste pacto para um reino são pessoas que se dedicaram a fazer a vontade de Deus, que foram aceitas por Jeová e que foram então geradas pelo Seu espírito a fim de serem seus filhos espirituais, “nascidos de novo” e feitos membros do corpo simbólico de Cristo. Todos estes podem dizer, junto com o apóstolo Paulo: “O próprio espírito dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus. Então, se somos filhos, somos também herdeiros: deveras, herdeiros de Deus, mas co-herdeiros de Cristo, desde que soframos juntamente, para que também sejamos glorificados juntamente.” — Rom. 8:16, 17.
Se o leitor estiver entre os aptos a participar dos emblemas da Comemoração da morte do Senhor, isto tem significado especial para o leitor, pois significa que tem comunhão com Jeová Deus e Jesus Cristo numa refeição sacrificial, por assim dizer. (1 Cor. 10:20, 21) Serve-lhe qual lembrete de sua posição ímpar como filho espiritual de Deus e como sendo um dos irmãos de Cristo. Também lhe fará lembrar-se de que tem de ser fiel até á morte, assim como o foi Jesus, e sua esperança é a da “coroa da vida”, a imortalidade, nos céus, participando dum trono celeste com seu cabeça, Jesus Cristo. Para o leitor, também, será ocasião de examinar a si próprio, de assegurar-se de que esteja participando com apreciação dos emblemas, de modo que não coma nem beba a condenação para si próprio. — 1 Cor. 11:27-34; Rev. 2:10.
SE NÃO TOMAR PARTE
Atualmente, a ampla maioria daqueles que estão presentes na refeição noturna do Senhor não participam dos emblemas. Realmente, na realização em 1964 da Comemoração da morte do Senhor, apenas cerca de doze mil pessoas tomaram parte, embora mais de 1.807.000 pessoas estivessem presentes; em média, uma em cada 159. Mas, talvez pergunte: Por que devo estar presente quando não vou participar dos emblemas? De que valor me serve a Comemoração da morte do Senhor? De muitíssimo valor! É para o seu próprio proveito espiritual mostrar respeito à ordem de Jesus aos seguidores de suas pisadas. Poderá tirar proveito de estar presente a esta “mesa de Jeová”, muito embora não seja participante no simbólico sacrifício de comunhão.
A sua presença na Comemoração pode ser ilustrada pela sua presença no casamento de outrem. O leitor mesmo não se está casando, mas, por ter amor e respeito pelo casal de noivos e pelo convite que lhe estenderam, honrará a eles com a sua presença. Assim, o mesmo acontece com a Comemoração da morte de Cristo; todos os que amam ao Senhor Jesus Cristo e à sua noiva, os membros do seu corpo, desejarão estar presentes. A recapitulação da vitória obtida por Jeová por manter Jesus a integridade, e o que a morte de Jesus significará para todos os obedientes dentre a humanidade, bem como a recordação do ótimo exemplo de fidelidade dado por Jesus, fortalecerá imensamente a sua fé e sua apreciação. Sentir-se-á espiritualmente revigorado pelo que verá e ouvirá.
Mas, não cometa o engano de concluir que tudo o que precisa fazer é assistir à Comemoração da morte de Cristo uma vez por ano. Aparentemente, este é um erro fácil de ser cometido, pois essa é a única vez que muitas pessoas são vistas no Salão do Reino das testemunhas de Jeová. Por certo, um jantar de peru, com tudo que o acompanha, não pode mantê-lo fisicamente o ano inteiro, será que pode? Assim, também, os cristãos precisam reunir-se amiúde a fim de serem nutridos espiritualmente, não só quando há uma festa espiritual e especial, como se dá com a Comemoração da morte de Cristo. É por isso que as testemunhas cristãs de Jeová assistem a cinco reuniões cada semana. Avaliam que “o homem não deve viver só de pão” e que, tendo em vista o dia de Jeová, que se aproxima ràpidamente, torna-se cada vez mais urgente que não deixem de congregar-se. — Luc. 4:4; Heb. 10:24, 25.
Por certo, até mesmo assistir a todas estas reuniões com regularidade não é tudo o que se exige dos cristãos. Em tais reuniões, a pessoa adquire conhecimento, recebe; mas o Cristianismo consiste em mais do que receber, exige também dar. Não disse Jesus que, “Há mais felicidade em dar do que há em receber”? Sim, é por isso que ordenou aos seguidores: “Deixai brilhar a vossa luz perante os homens.” Mais que isso, predisse que “estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”. Esta profecia, com efeito, constitui uma ordem a todos os seus seguidores para que preguem tal reino. Lembre-se, também, de que embora “com o coração se exerce fé para a justiça”, é “com a boca [que] se faz declaração pública para a salvação”. — Atos 20:35; Mat. 5:16; 24:14; Rom. 10:10.
A Comemoração da morte de Cristo traz à atenção a grande vitória de Jeová Deus sobre Satanás, o Diabo, e o que Jesus Cristo fez em seu benefício. Também destaca o exemplo dado por Cristo para seus seguidores. Portanto, faça todo o esforço de assistir à realização da comemoração da morte de Cristo na noite de 16 de abril. Outrossim, não fique só nisso. Mostre a sua apreciação por continuar a associar-se com os que seguem o exemplo de Cristo e participe com eles em pregar “estas boas novas do reino”.
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Caem os santos falsosA Sentinela — 1965 | 1.° de abril
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Caem os santos falsos
Uma Testemunha foi convidada a entrar na casa duma senhora bem-disposta, na Guanabara, Brasil, que lhe disse: “A única coisa que não concordo com as Testemunhas é sobre o uso de imagens.” Tirando a Bíblia, a Testemunha explicava o Salmo 115 quando uma das imagens espatifou-se no chão. A senhora pediu licença, ajuntou os pedaços, e disse: “Santo de verdade não cai.” Tirando ela todas as outras imagens, foi removida a última objeção. Essa pessoa de coração honesto faz hoje parte dos louvadores do Santíssimo Jeová.
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