BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Do Seder à salvação
    A Sentinela — 1990 | 15 de fevereiro
    • Do Seder à salvação

      “Levantarei o copo da grandiosa salvação e invocarei o nome de Jeová.” — SALMO 116:13.

      1. Que cântico preferido de todos os tempos pode afetar o seu futuro?

      QUE acharia de um cântico que falasse sobre você ter um futuro longo e feliz? Realmente, tal cântico é um dos preferidos de todos os tempos. Todavia, você está em melhores condições do que a maioria de entender e gostar desse significativo cântico. Os judeus chamam-no de Halel (Louvor). Abrangendo os Salmos 113 a 118, esse cântico insta-nos a cantar “Aleluia”, ou ‘Louvar a Jah’.

      2. Como é usado esse cântico, e que relação tem com o Seder?

      2 Os judeus cantam o Halel na sua cerimônia da Páscoa, cujo costume evidentemente vem do tempo em que Deus tinha um templo em que se sacrificavam animais. Hoje, é cantado em lares judaicos durante o serviço e a refeição da Páscoa, chamado de Seder. Mas, poucos que o cantam em seu Seder captam o real sentido do Salmo 116:13: “Levantarei o copo da grandiosa salvação e invocarei o nome de Jeová.” Mas, por que se vincula a salvação com a Páscoa, e poderia a sua salvação estar envolvida?

      Páscoa: Festividade de Salvação

      3. Qual é a origem histórica do Seder?

      3 Lembre-se de que os israelitas eram escravos no Egito sob um opressivo faraó. Por fim, Jeová suscitou Moisés para conduzir Seu povo à liberdade. Depois de Deus trazer nove pragas sobre o Egito, Moisés anunciou a décima. Jeová golpearia o primogênito de toda família egípcia. (Êxodo 11:1-10) Mas os israelitas poderiam ser poupados. Como? Por abaterem um cordeiro, aspergirem seu sangue nas ombreiras e verga da porta e permanecerem dentro de casa comendo uma refeição de cordeiro, pão não-fermentado e ervas amargas. Durante esse Seder, Deus ‘passaria por alto’ sem matar seus primogênitos. — Êxodo 12:1-13.

      4, 5. De que modo a Páscoa resultou em salvação para muitos? (Salmo 106:7-10)

      4 Em reação a essa décima praga, Faraó disse a Moisés: “Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os demais filhos de Israel, e ide, servi a Jeová.” (Êxodo 12:29-32) Depois que os hebreus e a simpatizante “vasta mistura de gente” partiram, Faraó mudou de idéia e foi ao seu encalço. Daí Deus ajudou milagrosamente seu povo a escapar através do mar Vermelho, onde Faraó e seu exército perseguidor morreram. — Êxodo 12:38; 14:5-28; Salmo 78:51-53; 136:13-15.

      5 Moisés disse a Israel junto ao mar Vermelho: “Não tenhais medo. Mantende-vos firmes e vede a salvação da parte de Jeová, que ele realizará hoje para vós.” Mais tarde, eles cantaram: “Minha força e meu poder é Jah, visto que ele me é por salvação. Este é meu Deus, e eu o elogiarei.” (Êxodo 14:13; 15:2) Sim, o livramento de Israel, tanto da décima praga como do mar Vermelho, foi uma salvação. O salmista podia acertadamente descrever a Jeová como Deus “que realiza uma grandiosa salvação no meio da terra”. — Salmo 68:6, 20; 74:12-14; 78:12, 13, 22.

      6, 7. Por que se instituiu a Páscoa, todavia, por que agora é guardada de forma diferente em relação à primeira Páscoa?

      6 Os hebreus deviam guardar a Páscoa como ato comemorativo de salvação. Deus disse: “Este dia terá de servir-vos de recordação e tereis de celebrá-lo como festividade a Jeová nas vossas gerações.” (Êxodo 12:14) A cada refeição pascoal, ou Seder, o pai devia trazer à lembrança de sua família essa salvação. Jeová instruiu: “Quando os vossos filhos vos disserem: ‘Que significa para vós este serviço?’ então tereis de dizer: ‘É o sacrifício da páscoa a Jeová, que passou por alto as casas dos filhos de Israel no Egito quando feriu os egípcios, mas livrou as nossas casas.’” — Êxodo 12:25-27.

      7 Guardarem os judeus até hoje o Seder pascoal confirma a historicidade desse relato. Algumas de suas práticas, porém, diferem do que Deus instruiu. As Origens do Seder (em inglês) diz: “Na Bíblia há considerações extensas sobre a Páscoa e a Festividade dos Pães Não Fermentados; contudo, estas descrições não correspondem a posteriores observâncias desse dia santo. Em especial, o ritual bíblico se centraliza no sacrifício pascoal, o que na literatura pós-bíblica não mais ocupa uma posição central.” A razão principal é que os judeus não têm um templo para sacrifícios animais.

      8. Que razão especial temos para considerar a Páscoa?

      8 Os cristãos podem beneficiar-se do estudo de todas as festividades que Deus deu ao antigo Israel,a mas, por ora, certos aspectos da Páscoa merecem nossa atenção especial. Jesus, um judeu, guardava a Páscoa. Na última vez que o fez, ele delineou a única celebração divina para os cristãos — a Refeição Noturna do Senhor, o ato comemorativo da morte de Jesus. Portanto, essa celebração cristã tem relação com a Páscoa.

      Mais do Que Um Cordeiro Pascoal

      9, 10. De que modo era o cordeiro pascoal um sacrifício especial, ou ímpar?

      9 Hebreus 10:1 diz-nos que ‘a Lei era uma sombra das boas coisas vindouras’. A Ciclopédia de Literatura Bíblica, Teológica e Eclesiástica, de M’Clintock e Strong (em inglês), diz: “Nenhuma outra sombra de boas coisas a vir contidas na lei pode rivalizar com a festividade da Páscoa.” Em especial, o cordeiro pascoal tinha um significado que ia além da cerimônia comemorativa da salvação dos primogênitos, e daí de todos os hebreus, quando Deus os resgatou do Egito.

      10 Aquele cordeiro era ímpar em muitos aspectos. Por exemplo, muitos sacrifícios animais da Lei mosaica eram apresentados por uma única pessoa, em conexão com pecados ou culpa pessoais, e partes dos animais eram queimadas no altar. (Levítico 4:22-35) Parte da carne das ofertas de comunhão era dada ao sacerdote oficiante ou a outros sacerdotes. (Levítico 7:11-38) Contudo, o cordeiro pascoal não era usado no altar, e era oferecido por um grupo de pessoas, usualmente uma família, que era quem o comia. — Êxodo 12:4, 8-11.

      11. Como encarava Jeová o cordeiro pascoal, e para o que apontava este? (Números 9:13)

      11 Jeová deu tanto valor ao cordeiro pascoal que chamou-o de “meu sacrifício”. (Êxodo 23:18; 34:25) Eruditos têm dito que “o sacrifício pascoal foi o sacrifício de Jeová por excelência”. Este cordeiro inegavelmente apontava para, ou tipificava, o sacrifício de Jesus. Sabemos disso porque o apóstolo Paulo chamou Jesus de ‘nossa páscoa, que já tem sido sacrificado’. (1 Coríntios 5:7) Jesus foi identificado como “Cordeiro de Deus” e “Cordeiro que foi morto”. — João 1:29; Revelação (Apocalipse) 5:12; Atos 8:32.

      Sangue Vitalizador

      12. Que papel desempenhou o sangue do cordeiro na primeira Páscoa?

      12 Lá no Egito, o sangue do cordeiro foi decisivo para a salvação. Quando Jeová matou os primogênitos, ele passou por alto as casas em que havia sangue nas ombreiras das portas. Ademais, visto que os hebreus não choravam a morte de seus primogênitos, estavam em condições de marchar através do mar Vermelho para a liberdade.

      13, 14. Em que sentido o sangue de Jesus salva vidas e é necessário para a salvação? (Efésios 1:13)

      13 O sangue também está envolvido na salvação hoje — o sangue derramado de Jesus. Quando “estava próxima a páscoa, a festividade dos judeus”, em 32 EC, Jesus disse a uma grande assistência: “Quem se alimenta de minha carne e bebe meu sangue tem vida eterna, e eu o hei de ressuscitar no último dia; pois a minha carne é verdadeiro alimento, e o meu sangue é verdadeira bebida.” (João 6:4, 54, 55) Os ouvintes judeus pensariam na iminente Páscoa e no fato de que o sangue de um cordeiro foi usado no Egito.

      14 Jesus não estava nessa ocasião falando dos emblemas usados na Refeição Noturna do Senhor. Esta nova celebração para os cristãos só foi instituída um ano depois, de modo que mesmo as apóstolos que ouviram a Jesus em 32 EC nada sabiam a respeito dela. Ainda assim, Jesus fazia ver que seu sangue era essencial para a salvação eterna. Paulo explicou: “Mediante ele temos o livramento por meio de resgate, por intermédio do sangue desse, sim, o perdão de nossas falhas, segundo as riquezas de sua benignidade imerecida.” (Efésios 1:7) É apenas através do perdão à base do sangue de Jesus que podemos viver para sempre.

      Salvação de Quem e Onde?

      15. Para os hebreus no Egito, que salvação e privilégios se tornaram possíveis, e o que não? (1 Coríntios 10:1-5)

      15 A salvação no antigo Egito era limitada. Nenhum dos que saíram do Egito esperava ganhar vida infindável após o Êxodo. É verdade que Deus designou os levitas como sacerdotes para a nação, e alguns dos da tribo de Judá se tonaram reis seculares, mas todos esses morreriam. (Atos 2:29; Hebreus 7:11, 23, 27) Ao passo que os da “vasta mistura de gente” que também saíram do Egito não tinham esses privilégios, eles poderiam, junto com os hebreus, esperar alcançar a Terra da Promessa e usufruir uma vida normal ao passo que adoravam a Deus. Ainda assim, os servos pré-cristãos de Jeová tinham base para esperar que, com o tempo, poderiam usufruir infindável vida na terra, onde Deus intencionava que a humanidade vivesse. Isto se harmonizaria com a promessa de Jesus em João 6:54.

      16. Que tipo de salvação podiam os servos antigos de Deus esperar?

      16 Deus usou alguns de seus servos antigos para escrever palavras inspiradoras a respeito de a terra ter sido criada para ser habitada e a respeito de retos viverem nela para sempre. (Salmo 37:9-11; Provérbios 2:21, 22; Isaías 45:18) Mas, como poderiam os verdadeiros adoradores ganhar tal salvação se morressem? Por Deus trazê-los de volta à vida na terra. Jó, por exemplo, expressou a esperança de que seria lembrado e chamado de volta à vida. (Jó 14:13-15; Daniel 12:13) Claramente, um dos tipos de salvação é para a vida eterna na terra. — Mateus 11:11.

      17. Segundo a Bíblia, que diferente salvação outros podem alcançar?

      17 A Bíblia fala também da salvação para a vida no céu, para onde Jesus Cristo foi após a sua ressurreição. “Ele está à direita de Deus, pois foi para o céu; e foram-lhe sujeitos anjos, e autoridades e poderes.” (1 Pedro 3:18, 22; Efésios 1:20-22; Hebreus 9:24) Mas Jesus não seria o único humano a ser levado para o céu. Deus também determinara tomar da terra um número relativamente pequeno de outros. Jesus disse aos apóstolos: “Na casa de meu pai há muitas moradas. . . . Vou embora para vos preparar um lugar. Também, se eu for embora e vos preparar um lugar, virei novamente e vos acolherei a mim, para que, onde eu estiver, vós também estejais.” — João 14:2, 3.

      18. Temos agora que razão para focalizar a nossa atenção na salvação para a vida celestial?

      18 A salvação para a vida celestial em união com Jesus é certamente muito mais grandiosa do que a salvação limitada envolvida na primeira Páscoa. (2 Timóteo 2:10) Foi na noitinha do último Seder, ou refeição da Páscoa, válido que Jesus instituiu a nova celebração para seus seguidores, que se centralizava na salvação para a vida celestial. Ele disse aos apóstolos: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” (Lucas 22:19) Antes de considerarmos como os cristãos devem realizar essa celebração, consideremos a questão de quando devemos realizá-la.

      Um “Tempo Designado”

      19. Por que é lógico vincular a Páscoa com a Refeição Noturna do Senhor?

      19 Jesus dissera: “Desejei muito comer esta páscoa convosco antes de eu sofrer.” (Lucas 22:15) Depois disso, ele delineou a Refeição Noturna do Senhor, que seus seguidores deviam observar como recordação de sua morte. (Lucas 22:19, 20) A Páscoa era realizada uma vez por ano. Assim, é razoável que a Refeição Noturna do Senhor seja realizada anualmente. Quando? Logicamente, na primavera (setentrional), na época em que se comemorava a Páscoa. Isto significaria que, em vez de mantê-la sempre na sexta-feira, por ter sido este o dia da semana em que Jesus morreu, seria quando caísse o 14 de nisã (do calendário judaico).

      20. Por que as Testemunhas de Jeová se interessam por 14 de nisã?

      20 Portanto, 14 de nisã seria a data que Paulo tinha em mente quando escreveu: “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este copo, estais proclamando a morte do Senhor, até que ele chegue.” (1 Coríntios 11:26) Nos dois séculos seguintes, muitos cristãos apegaram-se a 14 de nisã, sendo conhecidos como quartodecimanos, do latim para “14.°”. M’Clintock e Strong informam: “As igrejas da Ásia Menor celebravam a morte do Senhor no dia correspondente ao 14.º do mês de nisã, dia em que, segundo a opinião de toda a Igreja antiga, ocorreu a crucificação.” Hoje, as Testemunhas de Jeová realizam a Refeição Noturna do Senhor anualmente na data correspondente a 14 de nisã. Alguns têm notado, porém, que esta pode diferir da data em que os judeus realizam a sua Páscoa. Por quê?

      21. Quando é que o cordeiro pascoal devia ser sacrificado, mas o que fazem os judeus hoje?

      21 O dia hebraico ia de um pôr-do-sol (por volta de 18 horas) até o pôr-do-sol seguinte. Deus ordenara que o cordeiro da Páscoa fosse morto em 14 de nisã “entre as duas noitinhas”. (Êxodo 12:6) Quando seria isso? Judeus modernos apegam-se ao conceito rabínico de que o cordeiro devia ser morto perto do fim de 14 de nisã, entre o momento em que o sol começasse a declinar (por volta de 15 horas) e o pôr-do-sol de fato. Assim, eles realizam seu Seder após o pôr-do-sol, quando o 15 de nisã já começou. — Marcos 1:32.

      22. Por que razão a data para a Comemoração da Morte de Cristo talvez difira da data em que os judeus guardam a sua Páscoa? (Marcos 14:17; João 13:30)

      22 No entanto, temos bons motivos para entender aquela expressão de maneira diferente. Deuteronômio 16:6 disse claramente aos israelitas que “matassem o sacrifício pascoal, na noitinha, no pôr-do-sol”. (Versão judaica Tanakh) Isto indica que “entre as duas noitinhas” referia-se ao período que ia do crepúsculo, do pôr-do-sol (que começa em 14 de nisã), até a escuridão de fato. Os antigos judeus caraítasb entendiam isso dessa maneira, como entendem os samaritanosc até os dias de hoje. Aceitarmos que o cordeiro pascoal era sacrificado e comido “no seu tempo designado”, em 14 de nisã, e não em 15 de nisã, é uma das razões pelas quais a nossa data da Comemoração as vezes difere da data judaica. — Números 9:2-5.

      23. Por que se acrescentam meses ao calendário hebraico, e como cuidam disso os judeus atuais?

      23 Outra razão pela qual a nossa data talvez difira da dos judeus é que eles empregam um calendário predeterminado, cujo sistema só foi consolidado no quarto século EC. Com este, eles podem fixar datas para o 1.º de nisã, ou para festividades, com décadas ou séculos de antecedência. Ademais, ao antigo calendário lunar era necessário ocasionalmente acrescentar um 13.º mês, para que esse calendário se sincronizasse com as estações. O atual calendário judaico acrescenta esse mês em pontos fixos; num ciclo de 19 anos, ele é acrescentado para os anos 3, 6, 8, 11, 14, 17 e 19.

      24, 25. (a) Nos dias de Jesus, como se fixavam os meses e se determinava a necessidade de meses extras? (b) De que modo as Testemunhas de Jeová fixam a data para a Refeição Noturna do Senhor?

      24 Contudo, Emil Schurer diz que “nos dias de Jesus [os judeus] ainda não tinham um calendário fixo, mas, à base de observação puramente empírica, começavam cada novo mês com o surgimento da lua nova e, similarmente a base de observação”, acrescentavam um mês conforme a necessidade. “Se. . . se percebesse perto do fim do ano que a Páscoa cairia antes do equinócio da primavera [hemisfério norte, por volta de 21 de março], decretava-se a intercalação de um mês antes de nisã.” (História do Povo Judaico na Época de Jesus Cristo, Volume 1, em inglês) Deste modo o mês extra entra naturalmente, sem ser adicionado arbitrariamente.

      25 O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová fixa a data para a Refeição Noturna do Senhor segundo o método antigo. O 1.º de nisã é determinado por quando a lua nova mais perto do equinócio da primavera (setentrional) puder provavelmente ser observada no pôr-do-sol em Jerusalém. Contando 14 dias daí para a frente chega-se a 14 de nisã, que, usualmente, corresponde ao dia de lua cheia. (Veja A Sentinela de 1.º de outubro de 1977, páginas 607-8.) À base deste método bíblico, as Testemunhas de Jeová em todo o globo foram informadas de que a Comemoração da Morte de Cristo este ano será após o pôr-do-sol do dia 10 de abril.

      26. Que aspectos adicionais da Refeição Noturna do Senhor merecem a nossa atenção?

      26 Esta data corresponde a 14 de nisã, que foi quando Jesus realizou a última Páscoa válida. Contudo, a Comemoração da Morte de Cristo enfoca uma salvação que vai além daquela que o Seder judaico comemora. Todos nós temos de entender o que acontece durante a Refeição Noturna do Senhor, o que significa, e como a nossa salvação está envolvida.

  • ‘Discernindo o que nós somos’ — na época da Comemoração
    A Sentinela — 1990 | 15 de fevereiro
    • ‘Discernindo o que nós somos’ — na época da Comemoração

      “Se discerníssemos o que nós mesmos somos, não seríamos julgados . . . para não ficarmos condenados.” — 1 CORÍNTIOS 11:31, 32.

      1. Os verdadeiros cristãos definitivamente desejam evitar o que, e por quê?

      A ÚLTIMA coisa que o cristão desejaria é ser julgado adversamente por Jeová. Desagradar “o Juiz do toda a terra” poderia levar a ‘ficarmos condenados com o mundo’ e a perder a salvação. Isto é assim quer almejemos a vida no céu com Jesus, quer a vida sem fim num paraíso terrestre. — Gênesis 18:25; 1 Coríntios 11:32.

      2, 3. Em que assunto poderíamos ser julgados adversamente, e o que disse Paulo sobre isso?

      2 Em 1 Coríntios, capítulo 11, o apóstolo Paulo abordou um aspecto em que é possível incorrermos em julgamento. Embora dirigisse seus comentários a cristãos ungidos, seus conselhos são importantes para todos, especialmente nesta época do ano. Discernirmos o que nós mesmos somos pode ajudar-nos a obter a aprovação de Deus e não sermos julgados adversamente. Falando sobre a anual celebração da Refeição Noturna do Senhor, Paulo escreveu:

      3 “O Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou um pão, e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: ‘Isto significa meu corpo em vosso benefício. Persisti em fazer isso em memória de mim.’ Ele fez o mesmo também com respeito ao copo, depois de tomar a refeição noturna, dizendo: ‘Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue. Persisti em fazer isso, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.’ Pois, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este copo, estais proclamando a morte do Senhor, até que ele chegue.” — 1 Coríntios 11:23-26.a

      4. O que acontecerá na noitinha de 10 de abril de 1990?

      4 Após o pôr-do-sol de 10 de abril de 1990, as Testemunhas de Jeová celebrarão a Comemoração da Morte de Cristo. Via de regra, o grupo que se reunirá será o de uma só congregação: assim, haverá lugar para pessoas que ainda não são Testemunhas de Jeová. Como será a reunião? Haverá um discurso bíblico. Daí, depois de uma oração, será passado o pão. Outra oração introduzirá a passagem do copo. Em vez de isso ser segundo um ritual formal ou procedimento rígido, a quantidade de pães ou de copos, e a maneira de serem passados, são ajustados segundo a situação local. O principal é que os itens sejam colocados à disposição de todos os presentes, ainda que a maioria simplesmente os passará adiante, sem deles comer ou beber. Mas, que coisas são passadas, e o que significam elas? Ademais, o que devemos considerar de antemão, para discernirmos o que nós mesmos somos?

      “Isto Significa Meu Corpo”

      5, 6. (a) O que fez Jesus com o pão? (b) Que tipo de pão usou ele?

      5 Já lemos o que Paulo ‘recebeu do Senhor’ concernente à Comemoração. Há também relatos de três evangelistas, sendo que um deles esteve presente quando Jesus instituiu essa celebração. (1 Coríntios 11:23; Mateus 26:26-29; Marcos 14:22-25; Lucas 22:19, 20) Esses relatos dizem que Jesus primeiro tomou um pão, orou, e daí partiu-o e distribuiu-o. Que pão era esse? Correspondentemente, o que é usado hoje? O que significa ou representa?

      6 Estavam disponíveis itens da refeição pascoal judaica, um deles sendo pão não-fermentado, que Moisés chamou de “pães não fermentados, o pão de tribulação”. (Deuteronômio 16:3; Êxodo 12:8) Este pão era feito de farinha de trigo, sem acrescentar fermento, sal ou condimentos. Sendo não levedado (hebraico: mats·tsáh), era chato e quebradiço: tinha de ser partido em porções adequadas para comer. — Marcos 6:41; 8:6; Atos 27:35.

      7. O que as Testemunhas de Jeová usam como pão na Comemoração?

      7 Jesus usou pão não-fermentado na Refeição Noturna do Senhor, de modo que as Testemunhas de Jeová hoje fazem o mesmo. Os matzotes comuns judaicos servem a esse fim, caso não sejam feitos com ingredientes adicionais, como malte, cebola ou ovos. (O matzot contendo tais adições dificilmente se ajustaria à descrição de “pão de tribulação”.) Ou os anciãos da congregação podem solicitar a alguém que faça pão não-fermentado de massa de farinha de trigo e água. Se não estiver disponível farinha de trigo, pode-se fazer pão não-fermentado de farinha de cevada, de arroz, de milho ou de outro cereal. A massa é estendida até ficar bem fina e daí assada numa forma levemente untada.

      8. Por que é o pão não-fermentado um símbolo apropriado, e o que significa comer dele? (Hebreus 10:5-7; 1 Pedro 4:1)

      8 Tal pão é apropriado porque não contém fermento (levedura), que a Bíblia usa para representar corrupção ou pecado. Paulo aconselhou o seguinte a respeito de um homem imoral numa congregação: ‘Um pouco de fermento leveda a massa toda. Retirai o velho fermento, para que sejais livres do levedo. Cristo, a nossa páscoa, já tem sido sacrificado. Guardemos a festividade, não com o velho fermento de maldade e iniquidade, mas com pães não fermentados da sinceridade e da verdade.’ (1 Coríntios 5:6-8; compare com Mateus 13:33; 16:6, 12.) Pão não-fermentado é símbolo apropriado do corpo humano de Jesus, pois ele era “leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores”. (Hebreus 7:26) Jesus estava ali presente em seu corpo humano perfeito quando disse aos apóstolos: “Tomai e comei este [pão], ele significa meu corpo.” (Mateus 26:26, A New Translation of the Bible, de James Moffatt) Comer do pão significa que a pessoa crê no benefício do sacrifício de Jesus em seu favor, e aceita-o. Mais, porém, está envolvido.

      Vinho Com Significado

      9. Que outro emblema Jesus disse que deve ser usado?

      9 Jesus usou outro símbolo: “Ele também tomou um copo, e após agradecer a Deus, ele o deu a eles, dizendo: ‘Bebei dele, todos vós; isto significa meu sangue, o novo sangue do pacto, derramado em favor de muitos, para obter a remissão de seus pecados.”’ (Mateus 26:27, 28, Moffatt) O que havia naquele copo comunal que Jesus passou, e o que significa para nós ao procurarmos discernir o que nós mesmos somos?

      10. De que modo o vinho encontrou seu lugar na Páscoa judaica?

      10 Quando inicialmente esboçou a festividade da Páscoa, Moisés não fez referência a uma bebida. Muitos eruditos crêem que o vinho foi introduzido na Páscoa muito mais tarde, talvez no segundo século AEC.b Seja como for, o uso de vinho nessa refeição era comum no primeiro século, e Jesus não objetou a isso. Ele usou o vinho pascoal ao instituir a Comemoração.

      11. Que tipo de vinho é apropriado para usar na Refeição Noturna do Senhor?

      11 Visto que a Páscoa judaica ocorria muito depois da colheita da uva, Jesus estaria usando, não suco não-fermentado, mas sim vinho tinto que poderia muito bem representar seu sangue. (Compare com Revelação [Apocalipse] 14:20.) O sangue de Cristo não necessitava de acréscimo, de modo que é apropriado o vinho puro, em vez de vinhos reforçados com brande (tais como o Porto, o xerez ou o moscatel) ou acrescidos de aromatizantes ou ervas (vermute, Dubonnet, ou muitos aperitivos). Mas não precisamos preocupar-nos com a maneira de o vinho ter sido processado, se açúcar foi acrescentado durante a fermentação para torná-lo de gosto mediano, seu teor de álcool, ou ainda se foi adicionado um pouco de enxofre para evitar a deterioração.c Muitas congregações usam vinho tinto comercial (como o Chianti, Burgundy, Beaujolais, ou clarete) ou simples vinho tinto caseiro. O vinho e o pão são meramente emblemas, ou símbolos; assim, qualquer sobra pode ser levada para casa e consumida mais tarde como qualquer outro alimento ou bebida.

      12. Segundo explicou Jesus, que significado representativo tem o vinho?

      12 O fato de Jesus ter falado de seu sangue na noite da Páscoa poderia ter trazido à lembrança o sangue de cordeiros lá no Egito. Mas, note como Jesus realmente fez uma comparação diferente, dizendo: “Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.” (Lucas 22:20) Deus celebrara anteriormente um pacto com a nação do Israel carnal, e este foi inaugurado com o sangue de sacrifícios animais. Havia uma correspondência entre o sangue desses sacrifícios e o sangue de Jesus. Ambos estavam envolvidos em Deus inaugurar um pacto com uma nação de seu povo. (Êxodo 24:3-8; Hebreus 9:17-20) Um aspecto do pacto da Lei era que o Israel carnal tinha a perspectiva de vir a formar uma nação de reis-sacerdotes. (Êxodo 19:5, 6) Contudo, depois de Israel fracassar em cumprir o pacto com ele, Jeová disse que substituiria “o pacto anterior” pelo “novo pacto”. (Hebreus 9:1, 15; Jeremias 31:31-34) O copo de vinho que Jesus então passou entre os apóstolos fiéis representou este novo pacto.

      13, 14. (a) Estar no novo pacto significa o quê? (b) O que significa a pessoa tomar dos emblemas?

      13 Os cristãos introduzidos neste novo pacto vêm a formar uma nação espiritual de reis-sacerdotes. (Gálatas 6:16) O apóstolo Pedro escreveu: “Vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.” (1 Pedro 2:9) É claro qual é a salvação que eles recebem — a vida no céu como co-regentes de Jesus. Revelação 20:6 confirma isso: “Feliz e santo é todo aquele que tem parte na primeira ressurreição; . . . serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos.”

      14 De fato, depois de Jesus ter instruído os apóstolos a que tomassem dos emblemáticos pão e vinho, ele lhes disse que ‘comeriam e beberiam à Sua mesa em Seu reino, e que sentariam em tronos para julgar as doze tribos de Israel’. (Lucas 22:28-30) Portanto, tomar dos emblemas da Comemoração significa mais do que simplesmente crer no sacrifício de Jesus. Todo cristão tem de aceitar o resgate e exercer fé, se há de ganhar a vida eterna onde quer que seja. (Mateus 20:28; João 6:51) Mas, tomar dos emblemas significa que a pessoa está no novo pacto, selecionada para estar com Jesus no Seu Reino.

      Necessidade de Discernimento na Época da Comemoração

      15. Como introduziu Jesus uma nova esperança para os servos de Deus?

      15 Como explicou o artigo anterior, antes dos dias de Jesus os servos leais de Deus não tinham esperança de ir para o céu. Eles aguardavam ganhar a vida eterna na terra, o lar original da humanidade. Jesus Cristo foi o primeiro a ser ressuscitado como espírito, e ele se tornou o primeiro dentre a humanidade a ser levado para o céu. (Efésios 1:20-22; 1 Pedro 3:18, 22) Paulo confirmou isso, escrevendo: “Temos denodo para com o caminho de entrada no lugar santo, pelo sangue de Jesus, que ele inaugurou para nós como caminho novo e vivente.” (Hebreus 10:19, 20) Quem se seguiria, depois de Jesus ter aberto esse caminho?

      16. O que reserva o futuro para os que tomam do pão e do vinho?

      16 Na noite em que Jesus instituiu a Refeição Noturna do Senhor, ele disse a seus apóstolos leais que ele lhes estava preparando um lugar no céu. (João 14:2, 3) Lembre-se, porém, que Jesus disse também que aqueles que tomassem do pão e do copo estariam em Seu Reino e se sentariam em tronos para julgar. Seriam estes apenas os apóstolos? Não, pois mais tarde o apóstolo João ficou sabendo que outros cristãos também venceriam e ‘se sentariam com Jesus em Seu trono’, e que juntos se tornariam ‘um reino e sacerdotes para governar sobre a terra’. (Revelação 3:21; 5:10) João foi informado também do número final de cristãos que são “comprados da terra” — 144.000. (Revelação 14:1-3) Visto ser este um grupo relativamente pequeno, um “pequeno rebanho” em comparação com todos os que adoraram a Deus ao longo das eras, é necessário discernimento especial na época da Comemoração. — Lucas 12:32.

      17, 18. (a) Em que costume caíram alguns cristãos em Corinto? (b) Por que era tão sério exceder-se no alimento e na bebida? (Hebreus 10:28-31)

      17 Paulo trouxe isso à atenção na sua carta aos coríntios, numa época em que alguns apóstolos ainda viviam e em que Deus chamava cristãos “para ser santos”. Paulo disse que se havia desenvolvido um mau costume entre aqueles ali que estavam sob a obrigação de tomar dos emblemas. Alguns tomavam refeições de antemão, em que comiam ou bebiam em excesso, deixando-os sonolentos, obtusos em seus sentidos. Em resultado, não podiam “discernir o corpo”, o corpo físico de Jesus representado pelo pão. Era isso tão sério assim? Sim! Por comerem indignamente, tornaram-se “culpado[s] com respeito ao corpo e ao sangue do Senhor”. Se estivessem mental e espiritualmente alertas, ‘poderiam discernir o que eram e não seriam julgados’. — 1 Coríntios 1:2; 11:20-22, 27-31.

      18 O que aqueles cristãos tinham de discernir e como? Primariamente, tinham de discernir no coração e na mente a sua chamada para estar entre os 144.000 herdeiros da vida celestial. Como discerniram eles isso, e devem muitos hoje crer que sejam parte desse pequeno grupo que Deus vem selecionando desde os dias dos apóstolos?

      19. Que situação reveladora prevaleceu na Comemoração de 1989?

      19 Realmente, apenas uma minoria bem pequena de cristãos verdadeiros hoje discerne isso acerca de si mesmos. Na celebração da Refeição Noturna do Senhor em 1989, mais de 9.479.000 se reuniram em congregações de Testemunhas de Jeová em toda a terra. Cerca de 8.700 professaram ter a esperança de serem ‘salvos para o reino celestial’. (2 Timóteo 4:18) A vasta maioria — sim, milhões de outros leais, cristãos abençoados que se reuniram — discerniram que sua esperança válida é viver para sempre na terra.

      20. De que modo os dos 144.000 ficam sabendo que foram chamados? (1 João 2:27)

      20 Em Pentecostes de 33 EC, Deus começou a selecionar os 144.000 para a vida celestial. Visto que tal esperança era nova, que os servos de Deus antes dos dias de Jesus não tinham, como é que os selecionados saberiam ou teriam certeza dessa esperança? Eles discernem isso por receberem o testemunho em favor disso dado pelo espírito santo de Deus. Isto não significa que eles realmente vêem o espírito (não é uma pessoa), ou que tenham alguma visão mental do espírito se comunicando com eles, tampouco ouvem vozes do domínio espiritual. Paulo explica: “O próprio espírito dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus . . . Somos também herdeiros: deveras, herdeiros de Deus, mas co-herdeiros de Cristo, desde que soframos juntamente, para que também sejamos glorificados juntamente.” — Romanos 8:16, 17.

      21. (a) Como é que os ungidos sabem que têm a esperança celestial? (1 Coríntios 10:15-17) (b) Que tipo de pessoas são os ungidos, e de que modo testificam modestamente a sua esperança?

      21 Este testemunho, ou percepção, reorienta a maneira de pensar e a esperança deles. Eles ainda são humanos, usufruindo as boas coisas da criação terrestre de Jeová, não obstante, a principal canalização de sua vida e de seus interesses é no sentido de se tornarem co-herdeiros de Cristo. Não chegaram a essa perspectiva através do emocionalismo. São pessoas normais, de conceitos e conduta equilibrados. Sendo santificados pelo espírito de Deus, porém, estão convencidos de sua chamada, não tendo persistentes dúvidas a respeito. Apercebem-se de que a sua salvação será para o céu, se se mostrarem fiéis. (2 Tessalonicenses 2:13; 2 Timóteo 2:10-12) Entendendo o que significa para eles o sacrifício de Jesus, e discernindo que são cristãos ungidos pelo espírito, eles modestamente tomam dos emblemas da Comemoração.

      22. O que discernirá a maioria dos que assistirão à Refeição Noturna do Senhor?

      22 A maioria dos que obedientemente se reunirão em 10 de abril não têm essa esperança, pois Deus não os ungiu com espírito, chamando-os para a vida celestial. Como vimos, Deus começou a selecionar os 144.000 lá nos dias dos apóstolos. Mas, com o encerramento dessa chamada, seria de se esperar que outros que vêm para adorá-lo tivessem a esperança que tinham Moisés, Davi, João, o Batizador, e outros fiéis que morreram antes de Jesus abrir caminho para a vida no céu. Assim, milhões de cristãos leais e zelosos hoje não tomam dos emblemas da Comemoração. Tais cristãos discernem o que são perante Deus no sentido de que percebem qual é sua esperança válida. Beneficiam-se do sangue e do corpo de Jesus por terem seus pecados perdoados e daí ganharem a vida infindável na terra. — 1 Pedro 1:19; 2:24; Revelação 7:9, 15.

      23. Por que a Comemoração será uma ocasião alegre? (Compare com 2 Crônicas 30:21.)

      23 Aguardemos, então, a feliz celebração em 10 de abril. Será uma ocasião para usar discernimento, mas também uma ocasião de alegria. Alegria para o pequeno número com esperança celestial que correta e obedientemente se servirá do pão e do copo. (Revelação 19:7) Alegria também para milhões de cristãos felizes que naquela noitinha observarão e aprenderão, e que esperam lembrar-se para sempre na terra dessa significativa celebração. — João 3:29.

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar