-
RefeiçãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
-
-
ou regaço podia facilmente manter uma palestra confidencial com ele.
As três posições costumeiras em cada leito indicavam que uma pessoa ocupava a posição alta, a média ou a baixa no leito. Alguém que ocupava a posição baixa, no terceiro leito, ou o mais baixo, ocupava a posição mais humilde na refeição. — Compare com Mateus 23:6; Lucas 14:7-11.
Pelo menos em certas ocasiões festivas, uma grande refeição ou banquete ficava sob a supervisão dum diretor (João 2:9) e podia apresentar distrações tais como “um concerto de música e dança”. — Luc. 15:25.
O CONCEITO CORRETO SOBRE AS REFEIÇÕES
Ê a vontade de Deus que o homem usufrua a comida e a bebida. (Ecl. 2:24) Os excessos, porém, são detestáveis para Deus. (Pro. 23:20, 21; Ecl. 10:17; Rom. 13:13; 1 Ped. 4:3; veja BEBEDICE [EMBRIAGUEZ]; GLUTÃO.) Visto que tomar refeições com moderação pode ser muitíssimo deleitoso, a condição de alguém que é alegre de coração é comparável a uma festa contínua. (Pro. 15:15) Também, uma atmosfera amorosa contribui para o prazer duma refeição. Afirma o provérbio: “Melhor um prato de verduras onde há amor, do que um touro cevado e com ele ódio.” — Pro. 15:17.
EMPREGO FIGURADO
Comer uma refeição junto com outrem significava amizade e paz entre os envolvidos. Por conseguinte, alguém que era privilegiado a comer regularmente à mesa dum rei era especialmente favorecido e gozava dum vinculo muito íntimo com o monarca. (1 Reis 2:7) Este foi o relacionamento que Jesus prometeu a seus discípulos fiéis, quando lhes disse que eles comeriam e beberiam junto com ele, em seu reino. — Luc. 22:28-30; veja também Lucas 13:29; Revelação 19:9.
A destruição dos que se colocam em oposição a Deus provê a ocasião para uma “grande refeição noturna”. Esta refeição é para as aves que se alimentarão dos cadáveres daqueles mortos. (Rev. 19:15-18) Uma refeição bem diferente é o grande banquete para todos os povos, mencionado em Isaías 25:6.
-
-
Refeição Noturna Do SenhorAjuda ao Entendimento da Bíblia
-
-
REFEIÇÃO NOTURNA DO SENHOR
Trata-se de uma refeição literal, que celebra a morte do Senhor Jesus Cristo; assim sendo, a comemoração de sua morte. Visto ser o único acontecimento que as Escrituras ordenam que seja comemorado pelos cristãos, é também chamado devidamente de Comemoração da morte de Cristo. Às vezes é chamado de “ceia do Senhor”. — 1 Cor. 11:20, Al; BJ; PIB.
Foi em 14 de nisã de 33 EC, na noite anterior à sua morte, que Jesus celebrou sua última refeição da Páscoa judaica, e, depois disso, instituiu a Refeição Noturna do Senhor. Mesmo antes de começar a refeição da Comemoração, mandou-se que o traidor Judas saísse, ocasião em que, segundo o relato, “era noite”. (João 13:30) Visto que os dias do calendário judaico decorriam da noitinha de um dia até a noitinha do dia seguinte, a Refeição Noturna do Senhor foi também celebrada em 14 de nisã, na noite de quinta-feira, 31 de março, segundo o calendário gregoriano.
A FREQÜÊNCIA DE SUA CELEBRAÇÃO
De acordo com Lucas e com Paulo, ao instituir a Comemoração de sua morte, Jesus disse: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” (Luc. 22:19; 1 Cor. 11:24) Com base nisto, é razoável entendermos que Jesus objetivava que seus seguidores celebrassem a Refeição Noturna do Senhor anualmente, e não com maior freqüência durante o ano. A Páscoa judaica, celebrada em lembrança da libertação de Israel da escravidão egípcia, realizada por Jeová em 1513 AEC, só era comemorada uma vez por ano, no seu aniversário, em 14 de nisã. A Comemoração da morte de Cristo, que também é um aniversário, seria apropriadamente realizada somente em 14 de nisã.
Paulo citou Jesus como dizendo a respeito do copo ou cálice: “Persisti em fazer isso, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim”, e acrescentou: “Pois, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este copo, estais proclamando a morte do Senhor, até que ele chegue.” (1 Cor. 11:25, 26) “Todas as vezes” pode referir-se a algo feito apenas uma vez por ano, especialmente quando é feito no decorrer de muitos anos. (Heb. 9:25, 26) O dia 14 de nisã foi o dia em que Cristo ofereceu seu corpo literal como sacrifício na estaca de tortura, e derramou seu sangue vital para o perdão de pecados. Por isso, esse era o dia da “morte do Senhor”, e, por conseguinte, era a data para se comemorar a sua morte, dali em diante.
Os participantes desta refeição estariam “ausentes do Senhor” e celebrariam a Refeição Noturna do Senhor ‘muitas vezes’, antes de morrerem fiéis. Daí, após a ressurreição deles para a vida celeste, estariam junto com Cristo e não mais precisariam de algo que os fizesse lembrar-se dele. A respeito da continuidade desta observância, “até que ele chegue”, o apóstolo Paulo evidentemente se referia a Cristo vir de novo, e a ele, Cristo, os receber no céu por meio duma ressurreição, na época de sua presença. Este entendimento da questão é elucidado pelas palavras de Jesus aos onze apóstolos, numa outra oportunidade, naquela mesma noite: “Se eu for embora e vos preparar um lugar, virei novamente e vos acolherei a mim, para que, onde eu estiver, vós também estejais.” — João 14:3, 4; compare com 2 Coríntios 5:1-3, 6-9.
Jesus informou aos discípulos que o vinho que havia bebido (nesta Páscoa que antecedeu à Comemoração) tinha sido o último do produto da videira que ele beberia “até o dia em que o beberei novo, convosco, no reino de meu Pai”. (Mat. 26:29) Visto que ele não beberia vinho literal no céu, referia-se, obviamente, àquilo que o vinho por vezes simbolizava nas Escrituras, a saber, a alegria. Estarem juntos no Reino era o que eles aguardavam com a máxima expectativa. — Rom. 8:23; 2 Cor. 5:2; compare com Salmo 104:15; Eclesiastes 10:19.
OS EMBLEMAS
Sobre o pão usado por Jesus ao instituir a Refeição Noturna do Senhor, relata Marcos: “Enquanto continuavam a comer, tomou um pão, proferiu uma bênção, partiu-o e o deu a eles, e disse: ‘Tomai-o, isto significa meu corpo.’ ” (Mar. 14:22) O pão era da espécie disponível para a refeição da Páscoa judaica, que Jesus e seus discípulos já tinham acabado de celebrar. Era um pão sem fermento, ou ázimo, uma vez que não se permitia nenhum fermento nas casas dos judeus durante a Páscoa e a conjugada Festividade dos Pães Não-Fermentados. (Êxo. 13:6-10) As Escrituras, às vezes, empregam o fermento para indicar a pecaminosidade. Era apropriado que o pão estivesse isento de fermento, porque o pão representava o corpo carnal, sem pecados, de Jesus. (Heb. 7:26; 9:14; 1 Ped. 2:22, 24) O pão ázimo era achatado e quebradiço; assim, foi partido, como era costumeiro nas refeições daqueles dias. (Luc. 24:30; Atos 27:35) Anteriormente, quando Jesus multiplicou miraculosamente o pão para milhares de pessoas, ele o partiu a fim de distribuí-lo a tais pessoas. (Mat. 14:19; 15:36) Por conseguinte, não parece haver nenhum significado espiritual no ato de se partir o pão da Comemoração da morte de Cristo.
Depois de Jesus ter passado o pão, ele tomou um cálice e “rendeu graças e o deu a eles, e todos beberam dele. E disse-lhes: ‘Isto significa meu “sangue do pacto”, que há de ser derramado em benefício de muitos.’ ” (Mar. 14:23, 24) Utilizou vinho fermentado — e não suco não-fermentado de uva. As referências bíblicas ao vinho são ao vinho literal, e não ao suco não-fermentado de uva. Seria o vinho fermentado, e não suco de uva, que faria rebentar “odres velhos”, como disse Jesus. Os inimigos de Jesus o acusaram de ser “dado a beber vinho”, acusação que nada representaria se o “vinho” aqui fosse mero suco de uva. (Mat. 9:17; 11:19) Na celebração da Páscoa judaica, que haviam terminado de realizar, o que estava disponível era vinho mesmo, e este podia ser usado apropriadamente por Cristo ao instituir a Comemoração de sua morte. Sem dúvida, o vinho era tinto, pois apenas o vinho tinto seria um símbolo apropriado do sangue. — 1 Ped. 1:19.
UMA REFEIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM COMUM
No antigo Israel, um homem podia prover uma refeição de participação em comum. Ele trazia um animal ao santuário, onde o animal era morto. Parte do animal oferecido ia para o altar, como “cheiro de apaziguamento para Jeová”. (Lev. 3:5, NM, ed. 1953, em inglês.) Outra parte ficava para o sacerdote oficiante, e ainda outra parte ficava com os filhos sacerdotais de Arão, e o ofertante e a casa deste compartilhavam dessa refeição. (Lev. 3:1-16; 7:28-36) Alguém que estivesse ‘impuro’, conforme definido na Lei, estava proibido de comer dum sacrifício de participação em comum, sob pena de ser ‘decepado do seu povo’. — Lev. 7:20, 21.
A Refeição Noturna do Senhor, é, igualmente, uma refeição de participação em comum, visto haver uma participação conjunta, ou parceria. (1 Cor. 10:18-21) Jeová Deus está envolvido, como o Autor deste arranjo; Jesus Cristo é o sacrifício resgatador, e seus irmãos espirituais comem os emblemas como co-participantes. O comerem à “mesa de Jeová” significaria que estão em paz com Jeová. (1 Cor. 10:21) Com efeito, as ofertas de participação em comum eram, às vezes, chamadas de “ofertas de paz”. — Lev. 3:1, NM, nota da ed. 1953, em inglês; “sacrifício pacífico”, ALA; BV; CBC.
Os participantes desta refeição, ao comerem o pão e beberem o vinho, reconhecem que estão sendo co-partícipes em Cristo, em completa união. Diz o apóstolo Paulo: “O copo de bênção que abençoamos, não é uma participação no sangue do Cristo? O pão que partimos, não é uma participação no corpo do Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois estamos todos participando daquele um só pão.” — 1 Cor. 10:16, 17.
Ao assim participarem dos emblemas, tais pessoas indicam que estão no novo pacto e estão recebendo os benefícios dele, isto é, o perdão de pecados da parte de Deus, mediante o sangue de Cristo. Prezam devidamente o valor do “sangue do pacto”, pelo qual são santificados. (Heb. 10:29) As Escrituras os chamam de “ministros dum novo pacto”, servindo aos seus objetivos. (2 Cor. 3:5, 6) E participam de forma apropriada do pão emblemático, porque podem dizer: “Pela dita ‘vontade’ é que temos sido santificados por intermédio da oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez para sempre.” (Heb. 10:10) Participam nos sofrimentos de Cristo e de uma morte semelhante à dele, uma morte íntegra. Esperam compartilhar de sua ressurreição. — Rom. 6:3-5.
A respeito de cada participante da refeição, o apóstolo Paulo escreve: “Quem comer o pão ou beber o copo do Senhor indignamente, será culpado com respeito ao corpo e ao sangue do Senhor. Primeiro, aprove-se o homem depois de escrutínio, e deste modo coma o pão e beba do copo. Pois quem come e bebe, come e bebe julgamento contra si mesmo, se não
-