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Como a publicidade pode manipular a sua menteDespertai! — 1974 | 8 de setembro
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melhor do que os produtos dos competidores menos caros, menos anunciados?
Mas, há ainda outra arma no arsenal publicitário que é preciso enfrentar.
O Cenário “Forjado”
Imagine-se dirigindo numa rodovia durante o tráfego da hora mais movimentada. Seu carro falha ao começar a acelerá-lo — este cenário serve de fundo a recente comercial de televisão sobre gasolina. Vê como é forjado para influenciá-lo? Há dois fatores — VOCÊ e um SUSTO. Quão real é o problema? Se esquecer o cenário e usar o que aprendemos sobre palavras manipuladas, o próprio comercial lhe dirá. Chamam a esse problema de “hesitação”. ‘Pode acontecer [e não “acontecerá”] quando a gasolina não atingir devidamente todos os cilindros.’ Sua gasolina ‘pode ajudar a corrigir ESSE TIPO de hesitação’.
Mas, pergunte: Hesita o meu carro? Se assim for, é ESSE TIPO de hesitação que apresenta MEU CARRO? Ou ocorre uma causa mais comum de tais problemas — a bomba de gasolina defeituosa, carburador sujo, ou uma regulagem é necessária? Ao invés, o anúncio afirma que misterioso aditivo ‘pode ajudar a corrigir’ apenas ‘ESSE TIPO de hesitação’. Adiciona-se, para ‘ajudar a gasolina a fluir mais uniformemente’. O cenário forjado dá mais confiança no produto para muitos telespectadores do que o publicitário evidentemente possui!
Outro comercial de televisão mostra um gatinho mimoso andando ao redor, em cima e dentro dum novo modelo de carro, enquanto o anunciante afirma que acha-se ‘numa classe única’ e ‘não é como o carro de outrem’. Pode ver o cenário forjado neste anúncio? Em adição a (1) o óbvio apelo a seu orgulho, (2) o que tem que ver o gato com o carro, ou a bem dizer, o bem-conhecido ‘tigre em seu tanque’ com a gasolina? Apenas o que os produtos podem “pedir emprestado” do apelo natural destas criaturas.
O sexo é o mais abusado de tais apelos “emprestados”. A revista Newsweek, de 16 de abril de 1973, observa que “em um anúncio após outro nestes dias, a idéia do sexo é intrépida e impudente”. Figuras atraentes fornecem o cenário para se anunciar tudo, de confeitos a concreto. A substituição por um atleta ou astro de cinema de destaque cumpre similar finalidade — ligar o produto com a satisfação que o cenário dá à pessoa.
Evite este tipo de manipulação por simplesmente ignorar o cenário, a menos que tenha relação direta com o produto. Lembre-se, os gatos e os coalas, as lindas jovens e os belos rapazes, as mães e os bebês estão todos ali para captar sua atenção e estimular suas emoções. Os apelos ao orgulho, ao patriotismo e à lealdade familiar são todos “tomados emprestados” para o mesmo fim.
Evitar a Manipulação Economiza
A manipulação da publicidade levou muitos a crer que os produtos não anunciados dos competidores são inferiores. Como vimos, isto nem sempre é verdade.
Produtos cuja “marca” é anunciada talvez representem algo de bom e sejam uma proteção para o consumidor. Mas, o preço alto de tais produtos amiúde reflete o alto custo da publicidade. Algumas marcas não anunciadas da loja ou “domésticas” custam muito menos por essa razão, e são de qualidade equivalente. Uma dona de casa de Filadélfia, Pensilvânia, que descobriu isso, escreve:
“Para nossa surpresa, ficamos chocados. Estávamos tão acostumados a comprar as marcas anunciadas . . . Economizamos tremendamente e as marcas não anunciadas funcionam maravilhosamente.”
Outra idéia que talvez ajude sua carteira: Comprar coisas que as crianças gostam é somente natural. Mas, não pode substituir as demais considerações. Não permita que seus filhos manipulem sua mente a favor dos publicitários! Muito anunciados confeitos açucarados, cereais, e refrigerantes, por exemplo, talvez substituam alimentos nutritivos necessários, bem como talvez sejam caros.
Assim, é útil compreender como a publicidade tenta manipular a sua mente. Ajuda-o a diferençar a informação franca e a do tipo que exagera as diferenças de produtos ou cria o desejo de itens desnecessários, às suas custas.
Sim, a publicidade pode dominá-lo — ou servi-lo. Cabe-lhe decidir isso.
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Confrontada com a ameaça de estuproDespertai! — 1974 | 8 de setembro
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Confrontada com a ameaça de estupro
“ESTUPRO: O Crime de Mais Rápido Aumento.” Este era o título de um artigo publicado por uma das principais revistas femininas dos Estados Unidos no verão setentrional de 1973.
Não pode haver dúvida da exatidão dessa declaração. A cidade de Nova Iorque presenciou um aumento de quase 40% em 1972, em comparação com 1971. Seattle, Washington, testemunhou um aumento de 400% desde 1963. E estas são as estatísticas apesar de que, segundo cálculos conservadores, de 75 a 80 por cento dos estupros não são comunicados à polícia.
O estupro é a relação sexual ilícita sem o consentimento da mulher e é efetuado à força. Muitas vezes resulta em doença venérea, gravidez indesejada ou num dano físico por toda a vida. Ademais, tem-se dito que “psicologicamente, o estupro é o mais traumático dos crimes contra as mulheres, e, para muitas vítimas, a investigação policial que se segue é ainda mais abaladora” — sem dúvida sendo esta uma das razões por que mais estupros não são comunicados à polícia. “Situa-se em primeiro lugar na lista de crimes que a mulher teme, e em último na lista de crimes sobre os quais a vítima deseja falar”, afirma certo relatório, e “jamais é esquecido pelas mulheres envolvidas”. Como disse certo oficial de polícia de Nova Iorque: “É preciso ser mulher para entender o choque que a vítima de estupro sente.” — Time, 23 de abril de 1973.
O que pode fazer a mulher se confrontada com um estuprador? O Superintendente-Auxiliar do Departamento de Polícia de Boston. J. M. Jordan, declarou que um “grito longo e alto” pode ser a melhor arma da mulher: Um artigo que ensinava às mulheres como rechaçar tais ataques concluía com similar conselho: “A técnica é simplesmente surpreender seu atacante, de modo que possa sair correndo; tente rechaçar, e não provocar, uma luta até o fim. E grite, grite, grite tão alto quanto possa.” — Revista McCall’s, julho de 1973.
Grite! Grite! Grite! Será isso bom conselho?
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