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  • O que requer Jeová de você?
    A Sentinela — 1979 | 1.° de maio
    • O que requer Jeová de você?

      “Ele te informou, ó homem terreno, sobre o que é bom. E o que é que Jeová pede de volta de ti senão que exerças a justiça, e ames a benignidade, e andes modestamente com o teu Deus?” — Miq. 6:8.

      1. A quem foi dirigida a pergunta que se encontra em Miquéias 6:8, e por quê?

      PESSOAS sinceras talvez perguntem: ‘O que devo fazer para agradar a Deus?’ Mas, não foi a tais pessoas de disposição justa, que buscam a Jeová Deus, que seu profeta dirigiu a pergunta em Miquéias 6:8. Antes, esta pergunta foi feita a um povo contra o qual o Deus Todo-poderoso tinha uma causa jurídica. (Miq. 6:1, 2) Este povo, Israel, havia desconsiderado as suas obrigações pactuadas com o Altíssimo. O resultado foi um lamentável colapso moral. Prevaleceram fraude, opressão, injustiças, idolatria e derramamento de sangue. A situação ficou tão ruim, que nem se podia mais confiar nos amigos mais íntimos e nos parentes. — Miq. 1:5; 2:1, 2; 3:1-3; 6:12; 7:2-6.

      2. Que oportunidade ofereceu aos israelitas anunciar-lhes Jeová que ele tinha uma causa jurídica contra eles?

      2 Assim, por anunciar uma causa jurídica contra seu povo infiel, Jeová fazia uma exortação ao arrependimento. Os israelitas estavam sendo avisados de que podiam escapar do julgamento adverso por tomarem medidas positivas para obterem uma condição aprovada perante seu Deus. O que requeria isso? Não bastavam formas externas de adoração, inclusive a oferta de sacrifícios seletos. (Miq. 6:6, 7) A profecia de Miquéias declarava: “Ele te informou, ó homem terreno, sobre o que é bom. E o que é que Jeová pede de volta de ti senão que exerças a justiça, e ames a benignidade, e andes modestamente com o teu Deus?” — Miq. 6:8.

      ‘INFORMADO SOBRE O QUE É BOM’

      3. O que se havia ensinado aos israelitas, por meio de Moisés, sobre o que é bom?

      3 Jeová Deus não deixou seu povo em ignorância sobre o que é bom. Séculos antes disso, Moisés dissera aos israelitas: “Que é que Jeová, teu Deus, pede de ti senão que temas a Jeová, teu Deus, para andares em todos os seus caminhos e o amares, e para servires a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma; que guardes os mandamentos de Jeová e seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem?” — Deu. 10:12, 13.

      4. Que proveito tirariam os israelitas de amarem a Jeová e obedecerem às suas ordens?

      4 De todo modo, era nos melhores interesses de Israel mostrar profundo amor a Jeová Deus e aderir lealmente às suas ordens. A obediência à lei divina assegurou-lhes a proteção e a contínua bênção de Jeová em todo o seu empreendimento. (Deu. 28:1-13) Por outro lado, a desconsideração da lei divina resultaria em insegurança e ruína. — Deu. 28:15-68.

      5. Por que promove a obediência a Jeová o nosso maior bem?

      5 De maneira similar, as pessoas que hoje têm genuíno amor a Deus e que procuram seguir as orientações dele empenham-se por um proceder que promove o seu maior bem. Por quê? Visto que Jeová é um Deus todo-sábio e amoroso, ele tem dado apenas ordens que promovem o bem-estar do homem. (Rom. 16:27; 1 João 4:8; 5:3) O amor é a própria base de todas as leis divinas que governam as relações humanas. O apóstolo Paulo enfatizou isso quando escreveu: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto que vos ameis uns aos outros; pois, quem ama o seu próximo tem cumprido a lei. Pois o código da lei: ‘Não deves cometer adultério, não deves assassinar, não deves furtar, não deves cobiçar’, e qualquer outro mandamento que haja, está englobado nesta palavra, a saber: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’ O amor não obra o mal para com o próximo; portanto, o amor é o cumprimento da lei.” (Rom. 13:8-10) É evidente que, se os homens em toda a parte demonstrassem verdadeiro amor ao próximo, isso resultaria em felicidade, paz e segurança.

      6. Por que é somente correto amar a Jeová e obedecer aos seus mandamentos?

      6 Além disso, é somente correto que expressemos nosso amor a Deus por obedecer aos seus mandamentos. (2 João 6) “Por meio dele temos vida, e nos movemos, e existimos.” (Atos 17:28) Portanto, nossa atitude deve ser igual à dos 24 anciãos que o apóstolo João viu em visão. Eles exclamaram: “Digno és, Jeová, sim, nosso Deus, de receber a glória, e a honra, e o poder, porque criaste todas as coisas e porque elas existiram e foram criadas por tua vontade.” — Rev. 4:11.

      ‘EXERÇA A JUSTIÇA’

      7. (a) Em conexão com a justiça, o que requeria dos israelitas a lei de Deus? (b) Como teria beneficiado o povo, nos dias de Miquéias, se tivessem exercido a justiça?

      7 Visto que Jeová Deus “ama a justiça e o juízo”, ele requereu que os israelitas o imitassem neste respeito. (Sal. 33:5) Sua lei proibia o suborno e demandava que se administrasse imparcialmente a justiça a ricos e a pobres. Lemos: “Não deves desvirtuar o julgamento. Não deves ser parcial nem aceitar suborno, pois o suborno cega os olhos dos sábios e deturpa as palavras dos justos. A justiça — a justiça é que deves seguir, para que fiques vivo.” (Deu. 16:19, 20) “Não cometerás injustiça no juízo; não favorecerás o pobre nem terás preferência pelo poderoso; julgarás com justiça o teu próximo.” (Lev. 19:15, Pontifício Instituto Bíblico) Deveras, se Israel tivesse acatado a exortação de ‘exercer a justiça’, teria havido melhores condições nos dias de Miquéias. A opressão teria sido impedida. A lei e a ordem teriam sido restabelecidas, resultando em paz, segurança e estabilidade.

      8. (a) Quando se requer que os anciãos cristãos exerçam a justiça, e como podem fazer isso? (b) Como é que o acatamento da admoestação de 2 Tessalonicenses 3:11-15 envolve a justiça?

      8 Também os cristãos estão sob a ordem de ‘exercer a justiça’. Os anciãos talvez tenham de determinar se certo irmão cristão está habilitado para servir como servo ministerial ou como ancião. Apenas por se apegarem lealmente à Palavra de Deus e por confiarem na orientação de Seu espírito poderão tratar do assunto de maneira imparcial. Talvez se requeira deles também que tomem decisões a respeito de concrentes que cometem sérios pecados. (1 Cor. 6:1-6; 1 Tim. 5:20-22, 24, 25) Do mesmo modo, os cristãos individuais podem ter de decidir se a conduta desordeira de certas pessoas associadas com a congregação as torna companheiros desejáveis. Também neste ponto, o devido exercício da justiça requer que tal decisão se baseie na Palavra de Deus e não em preconceitos pessoais, ou em opiniões não-bíblicas. O motivo de se parar de ter associação com concrentes, em sentido social, deve ser o desejo de fazê-los entender que precisa haver uma mudança no seu modo de proceder. Não significa ser desamoroso para com tais pessoas, ‘tratando-as como inimigos’. Deve-se continuar a ‘admoestá-las como irmãos’. (2 Tes. 3:11-15) Naturalmente, isto serve também para proteger os que seguem o conselho bíblico neste assunto contra caírem sob influência perniciosa. — 2 Tim. 2:20-22.

      9. Segundo Tiago 4:11, 12, como poderia o cristão deixar de exercer a justiça para com um concrente?

      9 Entretanto, se os cristãos fossem julgar pelas suas próprias normas as ações, os motivos ou o modo de vida dum concrente, fazendo uma avaliação desautorizada do valor desta pessoa, eles se tornariam culpados duma seria falha quanto a exercer a justiça. Note o que escreveu o discípulo Tiago: “Cessai de falar uns contra os outros, irmãos. Quem falar contra um irmão ou julgar seu irmão fala contra a lei e julga a lei. Ora, se tu julgas a lei, não és cumpridor da lei, mas juiz. Há um que é legislador e juiz, aquele que é capaz de salvar e de destruir. Mas tu, quem és tu para julgares o teu próximo?” (Tia. 4:11, 12) Os que julgam assim erguem-se acima da lei do amor que Deus deu, julgando que esta lei do amor não se aplica a eles. (Mat. 22:36-39; veja 1 João 3:16.) Procedendo assim, violam a norma de justiça de Jeová, a qual se baseia no amor.

      10. Por que é injusto encarar determinado grupo de pessoas como merecendo mais as “boas novas” do que outro grupo?

      10 Além disso, seria injusto que o cristão encarasse determinado grupo de pessoas como merecendo mais as “boas novas” do que outro grupo. Jesus Cristo morreu a favor de toda a humanidade, e é da vontade de Deus que não haja parcialidade na divulgação da mensagem de salvação. (1 Tim. 2:3-6) Por isso, nos países onde é possível visitar as pessoas nos seus lares, levando-lhes a mensagem da Bíblia, certamente está em harmonia com o espírito de imparcialidade que se visite cada porta. Embora certo grupo de pessoas talvez esteja mais inclinado a escutar, precisamos precaver-nos para não nos deixarmos levar por sentimentos de favoritismo. — Veja Tiago 2:1-9.

      ‘AME A BENIGNIDADE’

      11. Qual é o significado da expressão ‘amar a benignidade’?

      11 Além de se requerer deles o exercício da justiça, ordenou-se aos israelitas que ‘amassem a benignidade’. A expressão “amar a benignidade” pode ser traduzida também por “amar a benevolência” ou “amar o amor leal”. Tal “benevolência” é uma ativa preocupação compassiva ou consideração para com os outros. É benignidade que se manifesta em atos. (Veja Rute 2:8-20; 3:10.) ‘Amar a benignidade’ significa ter prazer ou deleite em expressar benignidade, vindo alegremente em auxílio dos outros.

      12. O que mostra que Jesus Cristo deveras ‘amava a benignidade’?

      12 Jesus Cristo deu excelente exemplo neste sentido. Mesmo quando estava cansado e se interrompia o seu sossego, ele atendia de bom grado as necessidades de seus conterrâneos. As Escrituras relatam sobre certa ocasião: “Ele . . . levou então [os apóstolos] consigo e se retirou em isolamento para uma cidade chamada Betsaida. Mas as multidões, sabendo disso, seguiam-no. E ele as recebeu benevolamente, e começou a falar-lhes do reino de Deus e sarou os necessitados de cura.” (Luc. 9:10, 11) Dava muito prazer a Jesus mostrar tal benignidade.

      13. Como podemos nós, hoje, mostrar que ‘amamos a benignidade’?

      13 Se você for discípulo de Jesus Cristo, está ‘amando a benignidade’? Coloca os confortos e desejos pessoais em segundo lugar, para que possa de toda a alma prestar ajuda material e espiritual aos necessitados? Como no caso de Jesus, tem sentimentos de compaixão no íntimo quando vê a triste situação espiritual dos que têm falta de conhecimento exato? (Mar. 6:34) Dá ávida e alegremente consolo espiritual aos outros, inclusive a conhecidos e parentes? Reserva também tempo, cada mês, para ter participação razoável em dar testemunho público? (Veja Revelação 22:1, 2, 17.) Quando vê concrentes e outros em verdadeira necessidade física, sente-se induzido a ir em auxílio deles? (Pro. 3:27, 28; 2 Cor. 8:1-4; 9:6-12) Certamente deve ser assim quando deveras ‘amamos a benignidade’.

      ‘ANDE MODESTAMENTE COM O SEU DEUS’

      14. Qual é o sentido do termo hebraico traduzido por “modestamente”?

      14 A profecia de Miquéias exortou também os israelitas: “Que . . . andes modestamente com o teu Deus.” Visto que o termo hebraico, traduzido por “modestamente” em Miquéias 6:8, só aparece aqui e em Provérbios 11:2, não se discerne prontamente o pleno significado desta palavra. Escritos judaicos, posteriores, indicam que este termo hebraico transmitia a idéia de pureza e decência. A Versão dos Setenta e a versão siríaca apresentam a idéia de estar “preparado” ou “pronto” para andar com Deus. Portanto, em vez de ser simplesmente uma questão de humildade, andar modestamente com Jeová evidentemente inclui estar numa condição apta, despretensiosa e não convencida diante dele.

      15. Conforme ilustrado pelos casos de Enoque e Noé, o que significa ‘andar com Deus’?

      15 A expressão ‘andar com Deus’ aparece já muito antes no registro bíblico. Por exemplo, o profeta Enoque e o patriarca Noé são mencionados como andando com Deus. Lemos a respeito de Noé: “Noé era homem justo. Mostrou-se sem defeito entre os seus contemporâneos. Noé andou com o verdadeiro Deus.” (Gên. 5:24; 6:9) Também Enoque “agradara bem a Deus”. (Heb. 11:5) Portanto, andarmos com Deus envolve comportar-nos como se estivéssemos na sua própria presença, harmonizando-nos com a sua vontade. Tanto Enoque como Noé gozavam de intimidade especial com Jeová Deus, por causa de sua fé e conduta reta.

      16. (a) O que se deve dar com respeito à nossa conduta se havemos de ser modestos em andar com Deus? (b) Que bem pode resultar de o cristão dar um louvável exemplo de modo de vida?

      16 Para que os cristãos estejam numa condição adequada, a fim de continuarem a usufruir a intimidade com Jeová Deus, eles precisam ser modestos a ponto de andar com ele, permanecendo santos, despretensiosos e decentes aos seus olhos. As Escrituras aconselham: “Mantende a vossa conduta excelente entre as nações, para que, naquilo em que falam de vós como de malfeitores, eles, em resultado das vossas obras excelentes, das quais são testemunhas oculares, glorifiquem a Deus no dia da sua inspeção.” (1 Ped. 2:12) Sim, o bom exemplo de vida cristã reforça a pregação pública das “boas novas”. Prova que a verdadeira adoração afeta a vida das pessoas para o bem e pode fazer calar os que difamam os genuínos discípulos de Jesus Cristo. (1 Ped. 2:13-16) De fato, tais difamadores dos cristãos talvez venham a reconhecer o erro de seu próprio proceder, e, com o tempo, tornar-se glorificadores de Jeová Deus.

      17, 18. (a) Conforme evidenciam a profecia de Miquéias e o texto de Tiago 1:22-25, o que requer Jeová de todos os que desejam agradar a ele? (b) Como é este mesmo ponto ilustrado por Enoque e Noé andarem com Deus?

      17 As palavras inspiradas da profecia de Miquéias não deixam dúvida sobre o fato de que requer ação por parte de todos os que querem agradar a Jeová Deus. O mesmo ponto é salientado pelo discípulo Tiago: “Tornai-vos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos com falsos raciocínios. Porque, se alguém for ouvinte da palavra e não cumpridor, este é igual a um homem que olha para o seu rosto natural num espelho. Pois, ele olha para si mesmo e vai embora, e esquece imediatamente que sorte de homem ele é. Mas aquele que olha de perto para a lei perfeita que pertence à liberdade e que persiste nisso, este, porque se tornou, não ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, será feliz em fazê-la.” — Tia. 1:22-25.

      18 Não basta apenas orar, ler a Bíblia, assistir a reuniões cristãs e escutar ali respeitosamente o que se diz. Nossa vida precisa demonstrar que exercemos a justiça, amamos a benignidade e somos modestos em andar com Jeová. Andarem tanto Enoque como Noé de maneira inculpe com o Altíssimo incluía atividade zelosa. Enoque profetizava destemidamente, dizendo aos ímpios dos seus dias que Jeová iria executar julgamento por meio de miríades de anjos. (Judas 14, 15) Noé não somente participou na construção da arca para a preservação de sua família e das espécies básicas dos animais, mas foi também “pregador da justiça”, dando aviso sobre a iminente destruição aos seus contemporâneos. — 2 Ped. 2:5.

      19. Que perguntas poderíamos fazer a nós mesmos para saber se vivemos em harmonia com Miquéias 6:8?

      19 Certamente, os discípulos de Jesus Cristo não querem enganar a si mesmos a ponto de pensar que basta ter uma personalidade agradável e empenhar-se na adoração pública para se ter a aprovação de Jeová Deus. Precisa haver evidência duma preocupação ativa e compassiva com o próximo. Será que você a tem? Está disposto e ansioso para atender as necessidades físicas e espirituais dos outros, sem parcialidade? Cumpre zelosamente a ordem de pregar e de fazer discípulos? (Mat. 28:19, 20) Merece ser imitada a sua conduta como servo de Deus? Em caso afirmativo, você está vivendo em harmonia com as palavras inspiradas que foram registradas em Miquéias 6:8.

  • Amor em ação
    A Sentinela — 1979 | 1.° de maio
    • Amor em ação

      “O amor nunca falha.” — 1 Cor. 13:8.

      1. Por que não nos deve surpreender a falta de verdadeiro amor no mundo?

      NESTE mundo, vemos e ouvimos repetidas vezes a palavra “amor”. Ela aparece em canções, em livros, em filmes, em “posters”, em cartazes e em crachás. No entanto, estamos vivendo num mundo em que o amor abnegado é realmente raro. Isto não nos deve surpreender, porque muitos classificam erroneamente a paixão e o sentimentalismo como sendo amor. Não conhecem o amor que distingue os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo. Este amor vai além de se amar o próximo como a si mesmo. Inclui, quando necessário, a disposição de entregar a própria vida a favor dos irmãos cristãos. Desta maneira, imita-se a Jesus Cristo, que depôs voluntariamente sua vida a favor da humanidade. — 1 João 3:16-18.

      2. Que assunto está sendo tratado no capítulo 13 da Primeira aos Coríntios?

      2 É evidente que o amor cristão é ativo, manifestando-se no bem positivo que faz pelos outros. Visto que o amor é um sentimento ou uma emoção, não é fácil de definir. Todavia, pode-se descrever a maneira em que se expressa. E encontramos no capítulo 13 da Primeira aos Coríntios uma descrição realmente magistral do amor que os cristãos devem ter. Neste capítulo, a ênfase não é dada à expressão do amor que Deus tem à humanidade, nem ao nosso amor a Jeová Deus. Mas, o teor principal da matéria é como se deve mostrar amor ao próximo.

      3. Quais eram alguns dos problemas que existiam na congregação Coríntia?

      3 Era disso que os cristãos em Corinto precisavam, porque não tinham entre si a melhor das relações. Conforme evidencia um exame da inteira carta Primeira aos Coríntios, a congregação ali tinha problemas com ciúmes, dissensões, divisões, jactâncias, imoralidade, desonestidade e indevidas liberdades. Alguns da congregação coríntia queriam prestígio. Eles queriam ofuscar um ao outro quanto às aptidões, dons ou dotes. — 1 Cor. 1:10, 11; 3:2, 3; 4:6, 7; 5:1, 2; 6:7, 8; 8:1, 2, 7-13; 11:18, 19; 12:14-18.

      “UM CAMINHO QUE ULTRAPASSA ISSO”

      4. Possuíam todos os cristãos os mesmos dons, no primeiro século E. C.?

      4 Naturalmente, não era errado que alguém encarasse os maiores dons do espírito como mais desejáveis e que um homem quisesse servir a congregação como apóstolo, como profeta ou como instrutor. Mas, o apóstolo Paulo salientou: “Será que todos são apóstolos? Será que todos são profetas? Será que todos são instrutores? Será que todos realizam obras poderosas? Será que todos têm dons de curar? Será que todos falam em línguas? Será que todos são tradutores?” (1 Cor. 12:29, 30) Todavia, havia algo que todos na congregação podiam fazer. De fato, era algo ainda mais notável do que a busca dos “maiores dons”. Isto se evidencia na exortação do apóstolo: “Persisti em buscar zelosamente os maiores dons. Contudo, ainda vos mostro um caminho que ultrapassa isso.” — 1 Cor. 12:31.

      5, 6. (a) O que queria dizer o apóstolo Paulo com a expressão “um caminho que ultrapassa isso”? (b) Como mostrou ele que possuir aptidões e dons não era a coisa de maior importância para os verdadeiros cristãos?

      5 Qual é este caminho que ultrapassa isso? É o caminho do amor. Sim, havia necessidade de que os cristãos, em Corinto, mudassem sua avaliação dos “dons” e pusessem o amor em ação. Indicando de que modo o amor é de maior valor do que aptidões, dons ou dotes, Paulo escreveu: “Se eu falar em línguas de homens e de anjos, mas não tiver amor, tenho-me tornado um pedaço de latão que ressoa ou um címbalo que retine. E se eu tiver o dom de profetizar e estiver familiarizado com todos os segredos sagrados e com todo o conhecimento, e se eu tiver toda a fé, de modo a transplantar montanhas, mas não tiver amor, nada sou. E se eu der todos os meus bens para alimentar os outros, e se eu entregar o meu corpo, para jactar-me, mas não tiver amor, de nada me aproveita.” — 1 Cor. 13:1-3.

      6 Ter o cristão a faculdade de falar em outras línguas, além de sua nativa, certamente seria um dom valioso. Ainda maior seria a capacidade de falar na língua dos anjos, que são criação superior ao homem. Mas, se alguém fosse usar o dom para aumentar seu destaque ou de outro modo tivesse motivação errada, ele não seria edificante para o seu próximo, inclusive seus irmãos cristãos. Seria apenas como o grande barulho feito por um instrumento de bronze ou um címbalo. Além disso, sem amor, os dons de profetizar, o conhecimento milagroso e a fé miraculosa não serviriam para o encorajamento dos outros. Estes dons ou dotes não seriam então usados de maneira correta. De modo similar, aquele que contribuísse generosamente dos seus bens para os outros, só para se gabar, não tiraria nenhum proveito disso. Não receberia nenhuma recompensa. Que dizer de ele escolher o sofrimento ou até mesmo a morte, talvez com a intenção de se tornar herói aos olhos dos homens? Novamente, se não tivesse verdadeiro amor a Deus ou ao próximo, sua disposição de fazer o supremo sacrifício não lhe traria nenhum proveito duradouro. Além dos louvores de homens mortais, ele não receberia absolutamente nada. (Veja Mateus 6:1-4.) Visto que o amor é tão importante, faremos bem em considerar como nós, individualmente, nos saímos na nossa demonstração desta excelente qualidade. Seguimos realmente o “caminho que ultrapassa isso”?

      COMO O AMOR DEVE MANIFESTAR-SE EM AÇÃO

      7. Como mostramos amor quando sofremos provações?

      7 A Primeira aos Coríntios 13:4 declara: “O amor é longânime e benigno.” O que isso requer de nós? Como devemos reagir quando somos provocados, oprimidos, irritados ou difamados? A pessoa longânime evita ações precipitadas ou acessos emocionais. Suporta pacientemente situações provadoras, fazendo-o na esperança de que os responsáveis pela situação desagradável sejam assim ajudados a mudar de proceder. Pelo mesmo motivo, devemos ser benignos, não rudes, duros ou odiosos, mas ternos, brandos, amigáveis e prestimosos. (Veja Romanos 12:20, 21; 1 Pedro 2:18-23.) Por causa da genuína preocupação com os concrentes, devemos de bom grado suportar as suas idiossincrasias e quaisquer fraquezas de consciência que porventura tenham. Não devemos insistir nos nossos direitos, mas devemos refrear-nos de usar plenamente nossa liberdade cristã. Assim não faremos outros tropeçar, nem lhes daremos uma desculpa para abandonarem a verdadeira adoração. — Rom. 14:1-4, 19-21.

      8. Por que não é amoroso gabar-se, jactar-se e ter ciúme?

      8 Somos informados adicionalmente: “O amor não é ciumento, não se gaba, não se enfuna.” (1 Cor. 13:4) Se realmente amarmos nossos irmãos cristãos, então, como poderíamos estar ciumentos ou invejosos de suas realizações, bênçãos ou aptidões? Antes, alegrar-nos-emos com eles e seremos felizes pelo papel que podem desempenhar na edificação da congregação. (Rom. 12:15, 16) De maneira similar, como poderíamos constantemente salientar e destacar nossas próprias realizações e experiências? Isto poderia desanimar os que nos escutassem. Poderiam achar que fizeram muito pouco, em comparação. Nossa jactância e gabação apenas derrubaria os outros e detrairia da glória que se deve dar a Jeová Deus. Quão desamoroso seria isso! Seria muito melhor minimizarmos nosso próprio papel. Somos apenas escravos de Deus, e todo o crédito e louvor pelo crescimento da congregação cristã cabem a ele. (1 Cor. 3:5-9) A humildade deve impedir que tenhamos uma opinião descomedida sobre nós mesmos, e ela nos refreará de tentarmos impressionar outros com nossa presumida importância.

      9. Visto que o amor “não se comporta indecentemente” o que requer isso de nós?

      9 Além disso, o amor “não se comporta indecentemente”. (1 Cor. 13:5) Quando temos genuíno amor, odiamos todas as formas de maldade. No entanto, há mais envolvido. A expressão “não se comporta indecentemente” pode significar também “não é grosseiro”. (Veja A Bíblia na Linguagem de Hoje.) O amor produz a conduta correta em todas as relações. A pessoa amorosa não menospreza os pobres e necessitados por evitar a companhia deles. Não restringe a sua associação apenas a alguns poucos escolhidos. (Veja Tiago 2:1-9.) O comportamento decente envolve também mostrar consideração para com a autoridade correta. Se tivermos verdadeiro amor, respeitaremos a pessoa e os bens dos outros. Isto certamente inclui nossos locais de reunião. Quão impróprio seria se as crianças escrevessem nas cadeiras ou andassem correndo por aí, talvez até mesmo derrubando pessoas! Tal comportamento indecente não tem lugar na congregação cristã. Traz descrédito à maneira em que os pais presidem a seus filhos.

      10. Como podemos mostrar que não procuramos os nossos próprios interesses?

      10 Continuando com a sua descrição do amor, o apóstolo Paulo escreveu: “[O amor] não procura os seus próprios interesses.” (1 Cor. 13:5) Sim, toma interesse ativo em todos os membros da congregação — jovens e idosos, enfermos e doentios, os que trabalham arduamente em ensinar, pregar e fazer discípulos. O amor está atento às necessidades dos concrentes e reage prontamente, para ser obsequioso. Não insiste no seu próprio modo de agir. (1 Cor. 10:23, 24) Esta bela qualidade não tem nada em comum com a filosofia de “primeiro eu”. É inteiramente altruísta.

      11. Já que o amor “não fica encolerizado”, o que devemos evitar?

      11 Visto que o amor “não fica encolerizado”, seria errado procurarmos desculpas para explodir em ira. (1 Cor. 13:5) Devemos ser ‘vagarosos no furor’, evitando acessos de ira. (Tia. 1:19) Na família, isso exige que todos se esforcem a ser pacientes com as faltas dos outros. E, na congregação, os anciãos, em especial, precisam dar exemplo de paciência, quando os irmãos e as irmãs parecem ser esquecediços e negligentes, ou deixam de tomar a sério as responsabilidades cristãs.

      12. O que serviria de prova de que não continuamos a ‘levar em conta o dano’ causado a nós?

      12 Além disso, em harmonia com a descrição bíblica do amor, não devemos ‘levar em conta o dano’ causado a nós. (1 Cor. 13:5) Seria desamoroso abrigar ressentimentos e remoer como determinadas pessoas nos fizeram mal, como que anotando num marcador. O passado deve ser posto de lado, e não se deve negar a benignidade àqueles que talvez nos tenham prejudicado. — Pro. 20:22; 24:29; 25:21, 22.

      13. Quais são algumas das coisas injustas com as quais o amor não se alegra?

      13 O que mais é que o amor não faz? “Não se alegra com a injustiça.” (1 Cor. 13:6) Portanto, o amor não se alegra quando outros ficam enlaçados na transgressão, degradando-se e arruinando-se. Os verdadeiros cristãos não se alegram, dizendo que tal pessoa merecia entrar em dificuldades. (Pro. 17:5; 24:17, 18) Adicionalmente, não nos devemos alegrar quando alguém consegue com esperteza safar-se duma situação que merece punição. (Sal. 50:18) Até mesmo vermos coisas injustas retratadas em filmes ou em programas de televisão não nos deve dar satisfação. Também, seria impróprio tomar o partido dos membros desordeiros da congregação, criticando a repreensão que lhes é dada. Isto não ajudaria ao transgressor a tomar medidas positivas para recuperar-se plenamente de sua fraqueza espiritual, que levou à sua má conduta.

      14. Com que se alegra o amor?

      14 Com que devemos alegrar-nos? O amor “alegra-se com a verdade”. (1 Cor. 13:6) Visto que, nesta passagem, a verdade é contrastada com a injustiça, evidentemente significa que devemos alegrar-nos de ver a poderosa influência a favor da justiça exercida pela verdade na vida das pessoas. Devemos achar prazer em todas as coisas que trazem bênçãos, que têm efeito sadio e edificante sobre os outros, e que servem para promover a causa da verdade e da justiça.

      “O AMOR NUNCA FALHA”

      15. Que garantia nos fornece a Bíblia de que o verdadeiro amor nunca será inadequado?

      15 Além de ser um caminho superior, o caminho do amor nunca acabará, nem será inadequado. Isto é belamente trazido à nossa atenção nas seguintes palavras: “Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. O amor nunca falha.” — 1 Cor. 13:7, 8.

      16. Como é que o amor “suporta todas as coisas”?

      16 No sentido de ‘suportar todas as coisas’, o verdadeiro amor não é prontamente deixado de lado, abafado ou abandonado. Não é sensitivo demais, nem conclui prontamente que não há esperança de se ver qualquer melhora nos outros. Se formos amorosos, continuaremos a fazer o bem para com o próximo, apesar de sua falta de gratidão. — Mat. 5:44-48.

      17. Em que sentido o amor “acredita todas as coisas”?

      17 Como devemos entender as palavras, ‘o amor acredita todas as coisas’? Certamente não significa que seremos crédulos, por exemplo, deixando de discernir o que é realmente mau. Antes, significa que o amor não suspeita. Por isso, embora nossos irmãos espirituais façam e digam coisas que nos ferem, não concluiremos logo que querem prejudicar-nos. Ao observarmos a conduta de outros, não pensaremos imediatamente o pior, mas esforçar-nos-emos a encará-la do melhor ângulo possível. Concederemos aos nossos irmãos cristãos o benefício de não os considerar logo culpados, nem lhes imputaremos maus intentos ou má motivação. — Ecl. 7:21, 22.

      18. No que se refere à esperança e à perseverança, o amor nos habilitará a fazer o quê?

      18 De maneira similar, o amor espera que as coisas saiam bem. Isto não quer dizer que o amor seja ingênuo. Mas, antes, procura, sim, ora pelo melhor resultado. O amor é otimista. Portanto, visitando as pessoas em território onde há pouca aceitação, por exemplo, podemos fazer isso com a esperança de que, com o tempo, algumas aceitem a verdade. (Veja Romanos 9:1-3.) Também, o cônjuge crente espera corretamente que o incrédulo, por fim, aceite as “boas novas”. (1 Ped. 3:1, 2) Embora o amor nos ajude a esperar o melhor, habilita-nos também a perseverar em todas as espécies de perseguição, provação, ultraje e difamação.

      19. Por que nunca lamentaremos de fazer o que é amoroso?

      19 Em determinada situação, sempre será de ajuda sermos amorosos. Nunca lamentaremos de ter feito o que é amoroso. Nunca o amor, o verdadeiro amor abnegado, fez que uma situação péssima se tornasse pior. Não temos assim bons motivos para imitar nosso Pai celestial, cuja qualidade predominante é o amor? — 1 João 4:7, 8.

      20. (a) Conforme mostra 1 Coríntios 13:8-13, por quanto tempo será o caminho do amor o “caminho que ultrapassa isso”? (b) Embora tenham cessado os dons milagrosos do espírito, como ainda podem ser reconhecidos os verdadeiros discípulos de Cristo?

      20 Não só neste sistema de coisas, mas por toda a eternidade, o amor continuará sendo o caminho superior. Nunca ‘falhará’, nem acabará. O apóstolo Paulo salientou isso ao dizer: “Quer haja dons de profetizar, serão eliminados; quer haja línguas, cessarão; quer haja conhecimento, será eliminado. . . . Agora, porém, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.” (1 Cor. 13:8-13) A história da congregação cristã confirma que os dons milagrosos cessaram, evidentemente já pelo segundo século E. C. Não obstante, os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, até o dia de hoje, podem ser identificados pelo amor que têm entre si.

      21. Em vista da importância do amor, que perguntas poderíamos fazer a nós mesmos?

      21 O que dizer de nós, individualmente? Aumentamos em nosso amor pelos nossos irmãos cristãos? Melhoramos em demonstrar amor na maneira descrita pelo apóstolo Paulo? Isto, certamente, é o que queremos fazer. Visto que o amor é fruto do espírito de Deus, oramos pedindo mais deste espírito, para que o amor tenha expressão mais plena na nossa vida? (Gál. 5:22) Que o amor continue em ação na nossa vida, para que possamos continuar a viver, sim, continuar a amar por toda a eternidade, como servos leais do Deus de amor, Jeová. — 1 João 4:20 a 5:3.

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