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“Prega a Palavra” — onde e por quê?A Sentinela — 1972 | 1.° de maio
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Os superintendentes ou “homens mais maduros”, sob a ordem de ‘pregar a palavra’, reconhecem que precisam evitar as coisas que tendem a diminuir a plena força da mensagem ou palavra de Deus. Quando verificam que os ouvintes dos seus discursos falam muito mais sobre as ilustrações usadas do que sobre os princípios aprendidos da Palavra de Deus por meio destas ilustrações, tais homens fazem reajustes. Sabem que não conseguiram cumprir sua designação de ‘pregar a palavra’, se de algum modo impediram que seus ouvintes obtivessem o pleno impacto da instrução da Bíblia.
Nada é tão eficiente e poderoso para motivar outros à ação do que a mensagem da Bíblia. “A palavra [ou mensagem] de Deus é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e da sua medula, e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração.” (Heb. 4:12) A “palavra de Deus” pode penetrar até as motivações da pessoa. Atinge o coração e revela se a pessoa realmente vive segundo os princípios retos ou tem o desejo de fazê-lo.
EFEITO SOBRE OS DE FORA DA CONGREGAÇÃO
Portanto, na pregação e no ensino dentro da congregação, não se deve permitir que nada detraia da Palavra de Deus. Não são as coisas feitas principalmente pelo seu efeito, mas sim a instrução bíblica que fortalece e edifica a congregação espiritualmente, amando a todos a permanecer fiéis a Jeová Deus. Também os de fora são afetados de modo salutar. Quando os de fora assistem a reuniões em que os oradores se concentram em transmitir instruções da Bíblia, podem compreender prontamente que se transmite algo mais valioso do que sabedoria humana, induzindo os sinceros a dizer: “Deus está realmente entre vós.” — 1 Cor. 14:25.
Visto que precisa haver tal ‘pregação da palavra’ dentro da congregação, é somente lógico que a mesma “palavra” seja declarada aos de fora. Não existe nenhum motivo para se ir além da Bíblia e se especular sobre assuntos tais como o que se pode esperar em matéria de lares e outros bens, trabalho e diversão na “nova terra” da criação de Deus. Toda a informação que as pessoas precisam ter para obter a aprovação de Deus e a vida se encontra na Bíblia. Por isso precisam ouvir o que a Palavra de Deus tem a dizer.
Portanto, quer a nossa pregação, como verdadeiros cristãos, seja feita dentro quer fora da congregação, seja ela a ‘pregação da PALAVRA’. Apenas tal pregação fortalecerá os ouvintes sinceros na sua determinação de ser servos fiéis de Jeová Deus.
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Perguntas dos leitoresA Sentinela — 1972 | 1.° de maio
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Perguntas dos leitores
● Como pode alguém chamado à vida celestial receber benignidade imerecida “em conexão com Cristo Jesus antes dos tempos de longa duração”, conforme indica 2 Timóteo 1:9? — E. U. A.
Naturalmente, seria impossível que alguém recebesse benignidade imerecida antes de nascer. Entretanto, Jeová Deus predeterminou uma classe de pessoas (mas não as pessoas específicas que a formam) para se tornarem herdeiros dum reino celestial. Visto que este era seu propósito, para todos os efeitos já estava como que realizado, e por isso se podia dizer que esta classe de pessoas havia recebido benignidade imerecida “antes dos tempos de longa duração”. Romanos 4:17 diz a respeito de Jeová: “[Ele] chama as coisas que não são como se fossem.” Portanto, este é um modo de se encarar o assunto.
A expressão “antes dos tempos de longa duração” evidentemente indica um período de duração considerável, embora indefinida. No entanto, outros textos nos habilitam a ser mais específicos quanto ao tempo envolvido. O apóstolo Paulo escreveu na sua carta aos efésios: “[Deus] nos tem escolhido em união com ele antes da fundação [katabolé] do mundo, para que fossemos santos e sem mácula diante dele em amor. Pois ele nos predeterminou para a adoção como filhos para si mesmo por intermédio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, . . . também somos designados herdeiros, visto que fomos predeterminados segundo o propósito daquele que opera todas as coisas segundo o modo aconselhado por sua vontade.” — Efé. 1:4-11.
O termo grego para fundação (katabolé) que aparece nesta passagem significa literalmente “lançar ou deitar” e pode referir-se à inseminação na concepção humana. De fato, em Hebreus 11:11, o termo é apropriadamente traduzido “conceber”. Lemos: “Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para conceber um descendente, embora estivesse além do limite da idade.” Isto se refere claramente a Abraão ‘deitar’ sêmen humano para gerar um filho e Sara ficar grávida.
Quanto à “fundação do mundo”, Jesus Cristo relacionou este acontecimento com Abel, dizendo: “Para que o sangue de todos os profetas, derramado desde a fundação do mundo, seja exigido desta geração, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias.” (Luc. 11:50, 51) De modo que se diz que Abel viveu na ‘fundação do mundo”. Visto que Abel era filho de Adão e Eva, a “fundação do mundo” se refere evidentemente ao tempo em que o primeiro casal humano se tornou pais de filhos, produzindo assim o mundo da humanidade. Portanto, deve ter sido depois de Adão e Eva pecarem e antes de lhes nascerem filhos que Jeová Deus se propôs produzir uma classe de pessoas como regentes celestiais junto com seu filho. Isto foi cerca de 4.000 anos antes de Paulo escrever a sua carta a Timóteo, e por isso se podia muito bem dizer que foi “antes dos tempos de longa duração”.
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