-
Livro bíblico número 54 — 1 Timóteo“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
-
-
em fins de 49 EC ou início de 50 EC, Timóteo (talvez no fim da adolescência ou com pouco mais de 20 anos) já gozava de ‘bom relato da parte dos irmãos em Listra e Icônio’. Assim, Paulo providenciou que Timóteo viajasse com ele e Silas. (Atos 16:1-3) Timóteo é mencionado por nome em 11 das 14 cartas de Paulo, bem como no livro de Atos. Paulo sempre teve por ele um interesse paterno e, em várias ocasiões, designou-o a visitar e servir diferentes congregações — uma evidência de que Timóteo fizera bom trabalho no campo missionário e estava habilitado para cuidar de pesadas responsabilidades. — 1 Tim. 1:2; 5:23; 1 Tes. 3:2; Fil. 2:19.
CONTEÚDO DE PRIMEIRA TIMÓTEO
7. Por que Paulo incentiva Timóteo a permanecer em Éfeso?
7 Exortação à fé com boa consciência (1:1-20). Depois de saudar Timóteo como “filho genuíno na fé”, Paulo incentiva-o a permanecer em Éfeso. Ele deve corrigir os que ensinam uma “doutrina diferente”, que leva a questões inúteis em vez de a uma dispensação da fé. Paulo diz que o objetivo desta ordem é “o amor proveniente dum coração puro, e duma boa consciência, e duma fé sem hipocrisia”. Ele acrescenta: “Alguns, por se desviarem destas coisas, apartaram-se para conversa vã.” — 1:2, 3, 5, 6.
8. O que frisou o fato de se ter mostrado misericórdia a Paulo, e que excelente combate incentiva ele Timóteo a travar?
8 Embora Paulo fosse anteriormente blasfemador e perseguidor, não obstante, a benignidade imerecida do Senhor “abundou sobremaneira junto com a fé e o amor que há em conexão com Cristo Jesus”, de modo que se lhe mostrou misericórdia. Ele fora o maior dos pecadores; e assim tornou-se uma demonstração da longanimidade de Cristo Jesus, que “veio ao mundo para salvar pecadores”. Quão digno é o Rei da eternidade de receber honra e glória para sempre! Paulo encarrega Timóteo de travar um bom combate, “mantendo a fé e uma boa consciência”. Não deve ser como os que ‘sofreram naufrágio no que se refere à sua fé’, como Himeneu e Alexandre, a quem Paulo disciplinara por causa de blasfêmia. — 1:14, 15, 19.
9. (a) Que orações devem ser feitas, e por quê? (b) O que se diz quanto às mulheres na congregação?
9 Instruções sobre adoração e organização na congregação (2:1-6:2). Devem ser feitas orações concernentes a toda sorte de homens, incluindo os em alta posição, para que os cristãos possam viver pacificamente em devoção piedosa. É a vontade de Deus, o Salvador, que “toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos”. (2:4-6) Paulo fora designado apóstolo e instrutor destas coisas. De modo que ele exorta os homens a orar em lealdade e as mulheres a se vestirem com modéstia e bom senso, dum modo próprio das que reverenciam a Deus. A mulher deve aprender em silêncio e não exercer autoridade sobre o homem, “porque Adão foi formado primeiro, depois Eva”. — 2:13.
10. Quais são as qualificações para superintendentes e para servos ministeriais, e por que escreve Paulo estas coisas?
10 O homem que procura ser um superintendente está desejoso duma obra excelente. Daí Paulo alista as qualificações para superintendentes e para servos ministeriais. O superintendente deve ser “irrepreensível, marido de uma só esposa, moderado nos hábitos, ajuizado, ordeiro, hospitaleiro, qualificado para ensinar, não brigão bêbedo, não espancador, mas razoável, não beligerante, não amante do dinheiro, homem que presida de maneira excelente à sua própria família, tendo os filhos em sujeição com toda a seriedade . . . , não homem recém-convertido . . . deve ter também testemunho excelente de pessoas de fora”. (3:2-7) Há requisitos similares para servos ministeriais, e estes devem ser primeiro examinados quanto à aptidão antes de servirem. Paulo escreve estas coisas a fim de que Timóteo saiba como conduzir-se na congregação de Deus, que é “coluna e amparo da verdade”. — 3:15.
11. (a) Que problemas surgirão mais tarde? (b) Ao que deve Timóteo dar atenção, e por quê?
11 Em tempos posteriores alguns se desviarão da fé, por meio de ensinamentos de demônios. Homens hipócritas, falando mentiras, proibirão o casamento e ordenarão a abstinência de alimentos que Deus criou para serem tomados com agradecimentos. Como ministro excelente, Timóteo tem de recusar histórias falsas e ‘contos de mulheres velhas’. Por outro lado, deve treinar-se com a devoção piedosa como alvo. “Para este fim estamos trabalhando arduamente e nos esforçamos”, diz Paulo, “porque baseamos a nossa esperança num Deus vivente, que é Salvador de toda sorte de homens, e especialmente dos fiéis”. Portanto, Timóteo precisa continuar a dar estas ordens e a ensiná-las. Não deve permitir que ninguém despreze a sua juventude, mas, ao contrário, tornar-se exemplo em conduta e serviço piedoso. Deve absorver-se nestas coisas e prestar constante atenção a si mesmo e ao seu ensino, pois, por permanecer nestas coisas, ‘salvará tanto a si mesmo como aos que o escutam’. — 4:7, 10, 16.
12. Que conselho se dá sobre tratar as viúvas e outros na congregação?
12 Paulo aconselha Timóteo sobre como tratar as pessoas: homens mais idosos como pais, homens mais jovens como irmãos, mulheres mais idosas como mães e mulheres mais jovens como irmãs. Deve-se aprovisionar adequadamente às que são realmente viúvas. Contudo, a família da viúva deve cuidar dela, se possível. Deixar de fazer isso seria repudiar a fé. Se tem pelo menos 60 anos de idade, a viúva pode ser colocada na lista se ‘se der dela testemunho de obras excelentes’. (5:10) Por outro lado, viúvas mais jovens, que permitem que seus impulsos sexuais as controlem, devem ser rejeitadas. Em vez de vadiarem e tagarelarem, que se casem e tenham filhos, para não dar nenhum induzimento ao opositor.
13. Que consideração deve-se mostrar para com os anciãos, como se deve lidar com as pessoas que praticam pecado e que responsabilidade recai sobre os escravos?
13 Os anciãos que presidem de modo excelente devem ser contados dignos de dupla honra, “especialmente os que trabalham arduamente no falar e no ensinar”. (5:17) Não se deve admitir acusação contra um ancião, exceto à base de evidência de duas ou três testemunhas. As pessoas que fazem do pecado uma prática devem ser repreendidas perante todos os espectadores, mas não deve haver nisso nenhum preconceito ou parcialidade. Os escravos devem respeitar seus donos, prestando bom serviço, especialmente aos irmãos, que são “crentes e amados”. — 6:2.
14. O que tem Paulo a dizer sobre o orgulho e o amor ao dinheiro em conexão com a “devoção piedosa junto com a auto-suficiência”?
14 Conselho sobre “devoção piedosa junto com a auto-suficiência” (6:3-21). O homem que não concorda com palavras salutares está enfunado de orgulho e tem mania de criar questões, levando a violentas disputas sobre ninharias. Por outro lado, a “devoção piedosa junto com a auto-suficiência” é meio de grande ganho. Deve-se estar contente com o sustento e com o que se cobrir. A determinação de ficar rico é um laço que leva à destruição e o amor ao dinheiro é a “raiz de toda sorte de coisas prejudiciais”. Paulo insta a Timóteo, como homem de Deus, a fugir destas coisas, a empenhar-se por virtudes cristãs, a travar a luta excelente da fé e a ‘apegar-se firmemente à vida eterna’. (6:6, 10, 12) Deve observar o mandamento “dum modo imaculado e irrepreensível” até a manifestação do Senhor Jesus Cristo. Os ricos ‘não devem basear a sua esperança nas riquezas incertas, mas em Deus’, a fim de se apegarem firmemente à verdadeira vida. Concluindo, Paulo incentiva Timóteo a guardar sua custódia doutrinal e a desviar-se de falatórios profanadores e das “contradições do falsamente chamado ‘conhecimento’”. — 6:14, 17, 20.
POR QUE É PROVEITOSO
15. Que aviso se dá contra especulações e discussões?
15 Esta carta dá um forte aviso para os que se entregam a vãs especulações e argumentos filosóficos. “Debates sobre palavras” estão aliados ao orgulho e devem ser evitados, pois Paulo diz que eles obstruem o crescimento cristão, fornecendo apenas ‘questões para pesquisa em vez de uma dispensação de algo por Deus em conexão com a fé’. (6:3-6; 1:4) Juntamente com as obras da carne, essas disputas estão “em oposição ao ensino salutar, segundo as gloriosas boas novas do Deus feliz”. — 1:10, 11.
16. Que conselho deu Paulo sobre o materialismo?
16 Os cristãos na gananciosa Éfeso aparentemente precisavam de conselhos sobre combater o materialismo e suas distrações. Paulo deu tais conselhos. O mundo cita liberalmente as suas palavras: ‘O amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal’, mas quão poucos atentam a estas palavras! Ao contrário, os cristãos verdadeiros têm de acatar este conselho constantemente. Significa vida para eles. Têm de fugir do nocivo laço do materialismo, depositando sua esperança, não “nas riquezas incertas, mas em Deus, que nos fornece ricamente todas as coisas para o nosso usufruto”. — 6:6-12, 17-19.
17. Que conselho a Timóteo é oportuno para todos os zelosos jovens ministros hoje?
17 A carta de Paulo mostra que o próprio Timóteo era um excelente exemplo do que um jovem cristão deve ser. Embora relativamente jovem na idade, era maduro no crescimento espiritual. Ele se empenhara em qualificar-se como superintendente e foi ricamente abençoado com os privilégios que usufruiu. Mas, como todos os zelosos jovens ministros hoje, ele tinha de continuar a ponderar estas coisas e a absorver-se nelas, para fazer contínuo progresso. O conselho de Paulo é oportuno para todos os que buscam alegria contínua em fazer progresso cristão: “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino. Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.” — 4:15, 16.
18. Que arranjos ordeiros na congregação são claramente definidos, e como usa Paulo as Escrituras Hebraicas como autoridade?
18 Esta carta inspirada infunde apreço pelos ordeiros arranjos de Deus. Mostra como tanto homens e mulheres podem fazer a sua parte em manter a harmonia teocrática na congregação. (2:8-15) Daí, passa a considerar as qualificações para superintendentes e para servos ministeriais. De modo que o espírito santo indica os requisitos exigidos dos que servem em posições especiais. A carta incentiva também a todos os ministros dedicados a satisfazer estas normas, dizendo: “Se algum homem procura alcançar o cargo de superintendente, está desejoso duma obra excelente.” (3:1-13) A correta atitude do superintendente para com os da congregação, segundo a sua faixa etária e sexo, é apropriadamente considerada, como também o é o lidar com acusações perante testemunhas. Ao frisar que os anciãos que trabalham arduamente em falar e ensinar são dignos de dupla honra, Paulo recorreu duas vezes às Escrituras Hebraicas como autoridade: “Porque a escritura diz: ‘Não deves açaimar o touro quando debulha o grão’; também: ‘O trabalhador é digno do seu salário.’” — 1 Tim. 5:1-3, 9, 10, 19-21, 17, 18; Deut. 25:4; Lev. 19:13.
19. De que modo se traz à tona a esperança do Reino, e que exortação se dá nessa base?
19 Depois de dar todos esses excelentes conselhos, Paulo acrescenta que o mandamento deve ser observado dum modo imaculado e irrepreensível, ‘até a manifestação do Senhor Jesus Cristo como Rei dos que reinam e Senhor dos que dominam’. À base desta esperança do Reino, a carta termina com uma poderosa exortação aos cristãos “para praticarem o bem, para serem ricos em obras excelentes, para serem liberais, prontos para partilhar, entesourando para si seguramente um alicerce excelente para o futuro, a fim de que se apeguem firmemente à verdadeira vida”. (1 Tim. 6:14, 15, 18, 19) É sem dúvida proveitosa toda a excelente instrução de Primeira Timóteo!
-
-
Livro bíblico número 55 — 2 Timóteo“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
-
-
Livro bíblico número 55 — 2 Timóteo
Escritor: Paulo
Lugar da Escrita: Roma
Escrita Completada: c. 65 EC
1. Que perseguição irrompeu em Roma por volta de 64 EC, e por que aparente motivo?
DE NOVO Paulo era prisioneiro em Roma. Contudo, as circunstâncias de seu segundo encarceramento eram muito mais severas do que as do primeiro. Era cerca de 65 EC. Um grande incêndio alastrara-se em Roma, em julho de 64 EC, causando extensivos danos em 10 das 14 regiões da cidade. Segundo o historiador romano Tácito, o imperador Nero não conseguia “banir a sinistra crença de que a conflagração fora o resultado de uma ordem. Assim, para livrar-se do rumor, Nero lançou a culpa e infligiu as mais atrozes torturas em uma classe odiada por suas abominações, chamada de cristãos pela populaça. . . . Uma imensa multidão foi condenada, não tanto pelo crime de incendiar a cidade, como o de odiar a humanidade. As mortes eram acompanhadas de todo tipo de escárnio. Cobertos de peles de animais, os cristãos eram dilacerados pelos cães e pereciam, ou eram pregados em cruzes, ou condenados às chamas e queimados, para servirem de iluminação noturna, ao escurecer o dia. Nero ofereceu os seus jardins para o espetáculo . . . Surgiu um sentimento de compaixão; pois não era, como parecia, para o bem do público, mas sim para satisfazer a crueldade de um só homem é que estavam sendo destruídos”.a
2. Sob que circunstâncias escreveu Paulo Segunda Timóteo, e por que fala apreciativamente sobre Onesíforo?
2 Foi provavelmente por volta da época dessa onda de violenta perseguição que Paulo era novamente prisioneiro em Roma. Desta vez ele estava em cadeias. Não esperava ser solto, mas aguardava apenas o julgamento final e a execução. Os visitantes eram poucos. Deveras, identificar-se abertamente como cristão era correr o risco de ser preso e morto sob tortura. Assim, Paulo podia escrever com apreço sobre seu visitante de Éfeso: “O Senhor conceda misericórdia à família de Onesíforo, porque ele muitas vezes me trouxe revigoramento e não se envergonhou das minhas cadeias. Ao contrário, quando ele estava em Roma, procurou-me diligentemente e me achou.” (2 Tim. 1:16, 17) Escrevendo sob a sombra da morte, Paulo qualifica a si mesmo de “apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, segundo a promessa de vida que está em união com Cristo Jesus”. (1:1) Paulo sabia que a vida em união com Cristo o aguardava. Ele pregara em muitas das principais cidades do mundo então conhecido, de Jerusalém a Roma, e talvez até mesmo até a distante Espanha. (Rom. 15:24, 28) Seguira a carreira fielmente até o fim. — 2 Tim. 4:6-8.
3. Quando foi escrita Segunda Timóteo, e como tem beneficiado os cristãos através das eras?
3 A carta foi provavelmente escrita por volta de 65 EC, pouco antes do martírio de Paulo. Timóteo com certeza ainda estava em Éfeso, pois Paulo o incentivara a permanecer ali. (1 Tim. 1:3) Agora, duas vezes Paulo insta Timóteo a que vá ter com ele depressa, e pede que traga Marcos consigo, e também o manto e os rolos que deixara em Trôade. (2 Tim. 4:9, 11, 13, 21) Escrito numa época tão crítica, esta carta continha poderoso encorajamento a Timóteo, e tem continuado a dar encorajamento proveitoso para os cristãos verdadeiros em todas as eras desde então.
-