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Homens sábios, discretos e experientes para guiar o povo de DeusA Sentinela — 1979 | 15 de julho
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16. (a) Em que sentido são iguais todos os anciãos? (b) Como se pode manifestar seu progresso, com maior benefício espiritual para todos os do rebanho de Deus?
16 Embora os anciãos sejam “iguais” na sua responsabilidade e autoridade de servir, e trabalhem a favor do rebanho, não são necessariamente iguais em outros sentidos. Alguns têm muito mais experiência, tanto na vida como na verdade, e têm feito progresso na sabedoria, em resultado de anos de estudo e esforços sérios. Cada um deles tem a sua força junto com as suas fraquezas. Se apreciarmos e aproveitarmos a força dos outros, nós também poderemos fazer com que nosso “progresso seja manifesto a todos”. (Rom. 12:3-10, 16) A ajuda provida por meio de tais pastores humildes, sinceros e tementes a Deus, possuídos de conhecimento e perspicácia, mostrará veraz a palavra profética e fará com que o rebanho de Deus, hoje, deveras ‘se torne muitos e dê fruto na terra’, tudo para o eterno louvor de Deus. — Jer. 3:15, 16.
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Qualificações para instrutores na congregaçãoA Sentinela — 1979 | 15 de julho
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Qualificações para instrutores na congregação
“Quem é sábio e entendido entre vós? Mostre ele as suas obras pela sua boa conduta com a brandura que pertence à sabedoria.” — Tia. 3:13.
1. Por que é muito importante que aqueles que servem como instrutores na congregação cristã sejam homens qualificados?
A INFLUÊNCIA do instrutor pode ser benéfica, ou então prejudicial. Isto se dá especialmente em assuntos de adoração. Jesus Cristo disse com referência aos fariseus: “Guias cegos é o que eles são. Se, pois, um cego guiar outro cego, ambos cairão numa cova.” (Mat. 15:14) Todos os que acompanhavam cegamente os ensinos não-bíblicos dos fariseus encaminhavam-se para a ruína e a morte espirituais, ao passo que os que acatavam o ensino do Filho de Deus estavam no caminho da vida. (Mat. 7:13-20, 24-27) O fato de vidas estarem envolvidas torna imperativo que os que servem quais instrutores na congregação sejam homens qualificados.
2. Por que podia Paulo dizer: “Estou limpo do sangue de todos os homens”?
2 O que o apóstolo Paulo disse a respeito de si mesmo, aos anciãos da congregação de Éfeso, mostra que a maneira em que o instrutor cristão se desincumbe de sua responsabilidade pode torná-lo culpado de sangue ou livrá-lo da culpa de sangue. O apóstolo declarou: “Eu vos chamo como testemunhas, no dia de hoje, de que estou limpo do sangue de todos os homens, pois não me refreei de falar a todos vós todo o conselho de Deus.” (Atos 20:26, 27) Se alguns anciãos da congregação efésia se tornassem infiéis e começassem a torcer as Escrituras para a sua ruína espiritual e em prejuízo de seus concrentes, não se podia lançar a culpa sobre Paulo. (Veja Atos 20:29, 30.) Eles mesmos levariam a culpa pelo sangue derramado. O apóstolo havia feito o máximo para transmitir-lhes “todo o conselho de Deus”. Não lhes havia negado nada do que era necessário para a salvação. Não tivera o desejo de obter popularidade, por agradar aos ouvidos deles ou por evitar assuntos que forçosamente iam expor atitudes, palavras e ações erradas. — Veja 2 Timóteo 4:3, 4.
3. Em harmonia com o exemplo de Paulo, o que devemos esperar do homem que está qualificado para ser instrutor na congregação?
3 Em harmonia com o exemplo do apóstolo Paulo, o homem que está qualificado para ser instrutor na congregação cristã precisa conhecer e entender tudo o que é essencial para a salvação, para que seu ensino não seja seriamente afetado. Também precisa estar disposto a transmitir “todo o conselho de Deus”, não importa qual a atitude da congregação. Pode haver ocasiões em que a congregação reage bem à repreensão e correção providas na Palavra de Deus. Mas, também pode haver ocasiões em que muitos realmente não querem mudar suas atitudes e modos errados. O instrutor cristão, porém, precisa continuar a apegar-se fielmente à Palavra de Deus em prover ajuda espiritual. Se alguns tiverem inclinações errôneas, ele terá de refrear-se de ser impaciente e terá de continuar a proclamar a verdade. Neste respeito, considere o que o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: “Prega a palavra, ocupa-te nisso urgentemente, em época favorável, em época dificultosa, repreende, adverte, exorta, com toda a longanimidade e arte de ensino.” — 2 Tim. 4:2.
4. A quem se dirigiu o conselho de Tiago 3:1?
4 Visto que a sã doutrina tem que ver com a salvação da pessoa, o ensino é uma responsabilidade que deve ser confiada apenas a homens qualificados. O discípulo cristão Tiago escreveu: “Não muitos de vós deviam tornar-se instrutores, meus irmãos.” (Tia. 3:1) Esta admoestação inspirada não foi dada para desanimar os homens qualificados de se tornarem instrutores, porque as Escrituras dizem também: “Se algum homem procura alcançar o cargo de superintendente, está desejoso duma obra excelente.” (1 Tim. 3:1) Tiago dirigiu as suas palavras a homens que se arvoravam em instrutores de seus concrentes, embora não fossem designados, nem estivessem qualificados para ensinar. Tais homens desqualificados queriam o destaque e a autoridade associados com serem instrutores, sem consideração das qualificações. Devem ter sido semelhantes aos homens que o apóstolo Paulo descreveu como “querendo ser instrutores da lei, mas não percebendo nem as coisas que dizem, nem as coisas a respeito das quais fazem fortes asserções”. — 1 Tim. 1:7.
“JULGAMENTO MAIS PESADO”
5. De que modo os instrutores hão “de receber um julgamento mais pesado”?
5 Por não compreenderem ou apreciarem plenamente “todo o conselho de Deus”, os pretensos instrutores precisavam ser convencidos da situação séria em que o instrutor se encontra. Tiago salientou que os instrutores, inclusive ele mesmo, hão “de receber um julgamento mais pesado”. (Tia. 3:1) Visto que o instrutor aparece perante os outros como ensinando-os e guiando-os, espera-se dele mais do que dos outros membros da congregação. Isto está em harmonia com o princípio bíblico: “A quem encarregaram de muito, deste reclamarão mais do que o usual.” (Luc. 12:48) Portanto, as palavras e as ações do instrutor são examinadas mais de perto do que as dos outros cristãos. Além disso, quando um homem erra no seu ensino e isto resulta em problemas para os membros da congregação, ou quando suas ações dão motivo para ofensa legítima, ele está sujeito a um julgamento severo por Jeová Deus, mediante o Senhor Jesus Cristo. O Filho de Deus disse: “Eu vos digo que de toda declaração sem proveito que os homens fizerem prestarão contas no Dia do Juízo; pois é pelas tuas palavras que serás declarado justo e é pelas tuas palavras que serás condenado.” — Mat. 12:36, 37.
6. Segundo Tiago 3:2, que perigo é inerente no ensino?
6 O discípulo Tiago prossegue com o seu argumento: “Todos nós tropeçamos muitas vezes. Se alguém não tropeçar em palavra, este é homem perfeito.” (Tia. 3:2) Visto que até mesmo instrutores exemplares estão sujeitos a errar em palavras, o perigo de fazer isso é muito maior no caso dos homens não qualificados. E quanto mais o instrutor possa errar, tanto maior dano causará à congregação e tanto mais pesado será o julgamento contra ele.
“QUEM É SÁBIO E ENTENDIDO?”
7. O que revela a pergunta encontrada em Tiago 3:13 a respeito do homem que está qualificado para ser instrutor?
7 Em vista dos perigos inerentes no ensino dado a outros, convém perguntar: Quem está realmente qualificado para isso? O discípulo Tiago suscitou uma pergunta similar: “Quem é sábio e entendido entre vós?” (Tia. 3:13) É digno de nota que Tiago não perguntou meramente: ‘Quem tem boas qualidades oratórias?’ Para ser bom instrutor, o homem precisa mais do que ter a capacidade de se expressar bem. A sabedoria e o entendimento são essenciais. O sábio tem o devido temor de Jeová Deus e sabe aplicar o conhecimento dum modo que produz bons resultados. (Pro. 9:10) Quem tem entendimento é capaz de escrutinar um assunto, obter o sentido dele e discernir as relações dos diversos aspectos da situação ou circunstância. Ele compreende o pleno significado do que está considerando. Isto significa que precisa ser cristão maduro, que precisa ter ‘suas faculdades perceptivas treinadas pelo uso, para distinguir tanto o certo como o errado’. — Heb. 5:14.
8. O que evidenciaria que um homem possui o necessário entendimento e sabedoria para ensinar seus concrentes?
8 Como se evidencia que um homem possui a necessária sabedoria e entendimento para ensinar seus concrentes? Sua vida deve demonstrar que ele tem a sabedoria e o entendimento associados com um profundo temor reverente de Jeová Deus. O discípulo Tiago prossegue: “Mostre ele as suas obras pela sua boa conduta com a brandura que pertence à sabedoria.” (Tia. 3:13) Portanto, os outros deviam poder ver que ele se comporta dum modo que se harmoniza com a personalidade, os modos e os tratos de Deus.
9. Como poderá o homem manifestar “a brandura que pertence à sabedoria”, e por que é isso importante, se ele há de servir como instrutor?
9 Tal conduta certa inclui mostrar ele “a brandura que pertence à sabedoria”. A fim de estar qualificado para ser instrutor, ele precisa ser brando, calmo e pacífico, não duro, tumultuoso, convencido ou arrogante. Tampouco deve estar inclinado a fazer fortes asserções, sem ter um argumento sólido ou uma prova para apoiá-las. O homem a quem faltar brandura achará muito difícil atuar em harmonia com o conselho de Paulo a Timóteo: “O escravo do Senhor não precisa lutar, porém, precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar, restringindo-se sob o mal, instruindo com brandura os que não estiverem favoravelmente dispostos.” — 2 Tim. 2:24, 25.
CARATERÍSTICAS QUE DESQUALIFICAM
10. (a) O que pode estar incluído em alguém ter “ciúme amargo”? (b) O que significa ser briguento?
10 Fixando a atenção principalmente nos homens que presumiam estar qualificados para instrutores na congregação, o discípulo Tiago salientou a seguir as caraterísticas que desqualificam. Lemos: “Mas, se tiverdes ciúme amargo e briga nos vossos corações, não vos jacteis e não mintais contra a verdade.” (Tia. 3:14) Estas palavras exigem que a pessoa examine a si mesma. O homem poderia perguntar-se: ‘Abrigo ciúme amargo? Sou briguento?’ O ciúme amargo incluiria ele ter o desejo descomedido de glorificar a si mesmo e as suas opiniões. Poderia manifestar-se num zelo fanático e obstinado a favor de suas próprias opiniões, ao mesmo tempo denunciando em voz alta as opiniões que divergem das dele, ou deixando de reconhecer que outros têm sabedoria e entendimento iguais ou superiores aos dele. Quanto a ser briguento, isto se refere a pessoa ter um espírito de altercação ou rixa. O homem talvez esteja inclinado a usar meios que criam perturbação, a fim de confundir os outros e promover os seus próprios fins. Ser contencioso assim resulta de orgulho e de ambição egoísta.
11. Por que podia Tiago subentender que o pretenso instrutor, que tem ciúme amargo e é briguento, ‘se jacta e mente contra a verdade’?
11 O homem amargamente ciumento e briguento, que traz à atenção as suas próprias qualificações para instrutor, realmente se está gabando ou jactando. No entanto, a verdade cristã, que ele professa ensinar, condena a caraterística má que ele está manifestando. Portanto, o homem que tem o espírito divisório da rivalidade e ainda acha que está qualificado para ser instrutor cristão deturpa a verdade apresentada nas Escrituras ou mente contra ela. Além disso, por ter tais caraterísticas indesejáveis, não tem motivo de jactância sobre suas qualificações para instrutor. Seria uma mentira. O fato de que, no coração, é egocêntrico e rixoso, o desqualifica de ser instrutor cristão.
12. Que espécie de sabedoria possui o homem que tem ciúme amargo e é briguento?
12 A sabedoria que tal homem egocêntrico, briguento, afirma possuir não é a sabedoria celestial. O discípulo Tiago escreveu: “Esta não é a sabedoria que desce de cima, mas é a terrena, animalesca, demoníaca.” (Tia. 3:15) A sabedoria divina se destaca em oposição ao ciúme amargo e à disposição de brigar. — Pro. 6:16-19.
13-15. Em que sentido é esta espécie de sabedoria (a) “terrena” (b) “animalesca” e (c) “demoníaca”?
13 A professa sabedoria de tal pretenso instrutor é caraterística dos homens terrenos alheados de Deus. Ele é igual aos que não têm espiritualidade, mas gastam seu tempo e sua energia em satisfazer seus desejos de prazeres ou na busca de prestígio e de bens neste instável sistema de coisas, em constante mudança. (Fil. 3:19; Col. 3:2) Sua motivação para querer ser instrutor é errada. Por ser orgulhoso, quer ter o respeito e a honra que ele associa na mente com tal cargo.
14 A sabedoria de um homem orgulhoso e altercador é também animalesca ou segundo a alma, quer dizer, deriva-se, por natureza, de o homem ser uma criatura senciente, uma alma. Segundo as Escrituras, tanto o homem como os animais são almas. (Gên. 2:7; Núm. 31:28; Rev. 16:3) Os humanos, como criaturas sencientes (almas), estão dotados de faculdades morais e intelectuais, mas os animais, como criaturas sencientes, são irracionais. (2 Ped. 2:12; Jud. 10) Portanto, chamar-se esta sabedoria específica de “animalesca”, ou ‘da alma’, mostra que ela não é espiritual, sendo produto das sensações, dos apetites e das inclinações carnais.
15 Tiago chama-a também corretamente da sabedoria demoníaca. Isto se dá porque os demônios (espíritos iníquos) manifestam uma disposição contrária à sabedoria divina. Eles não são brandos, mas duros e malévolos, conforme se pode ver da situação lamentável dos possuídos por eles. (Mar. 5:2-5) Quanto a Satanás, o Diabo, governante dos demônios, a Bíblia revela que o orgulho egoísta e a ambição mostraram ser a ruína dele. — 1 Tim. 3:6.
AS QUALIDADES DESEJÁVEIS ASSOCIADAS COM A SABEDORIA CELESTIAL
16. Quais são as particularidades da sabedora celestial?
16 Para alguém poder estar qualificado para instrutor de seus concrentes, ele precisa estar livre das caraterísticas associadas com a sabedoria terrena, demoníaca e da alma. Sua vida precisa revelar que ele é governado pela sabedoria celestial. O discípulo Tiago descreve esta sabedoria como segue: “A sabedoria de cima é primeiramente casta, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia.” (Tia. 3:17) Considere o que isso significa.
17. O que se quer dizer com ser ‘casto’ e ‘pacífico’?
17 Os qualificados para servir como instrutores são classificados como ‘castos’, puros e imaculados na mente e no coração. Sendo ‘pacíficos’, são pessoas que promovem a paz. Não somente evitam ser agressivos ou beligerantes, mas fazem o máximo para estabelecer boas relações com outros e entre eles. (Rom. 14:19; 1 Tim. 3:3) Não se empenham em nada, nem fazem algo, que interrompa a paz. — Veja Provérbios 16:28; 17:9.
18. Como mostra a pessoa (a) ‘razoabilidade’, (b) ‘prontidão para obedecer’ e (c) estar “cheia de misericórdia e de bons frutos”?
18 O homem ‘razoável’ é flexível, moderado e indulgente, não fanático no seu zelo. Não insiste no seu próprio modo ou na letra da lei, mas encara o assunto do aspecto humano, com a devida consideração. (Veja 1 Pedro 2:18.) Em vez de ser obstinado, aquele que tem sabedoria celestial está ‘pronto para obedecer’. Tem o espírito de cooperação, a disposição de acatar solicitações corretas. Tal homem cede diante do que as Escrituras dizem, não adotando uma posição e se apegando a ela quer tenha razão, quer não. Está pronto para mudar, assim que surge uma evidência clara de que adotou o conceito errado ou tirou conclusões errôneas. Quem tem a sabedoria celestial também está ‘cheio de misericórdia e de bons frutos’. É compassivo nos tratos com os outros. Tem dó dos aflitos e angustiados, e está ansioso e disposto a fazer o que pode para ajudá-los. Os “bons frutos” incluem todas as ações que estão em harmonia com a bondade, a justiça e a verdade. — Efé. 5:9.
19. O que significa alguém estar “sem parcialidade”?
19 Aquele que se deixa guiar pela sabedoria celestial está “sem parcialidade”. Não dá tratamento preferencial a outros baseado na aparência externa deles, na sua posição, riqueza, condição social ou influência na congregação. (Veja Tiago 2:1-4.) Nos seus tratos com o seu próximo, esforça-se a ser imparcial.
20. (a) O que significa ser hipócrita? (b) Como mostra aquele que tem sabedoria celestial que ele não é hipócrita?
20 A sabedoria celestial nunca torna a ninguém ‘hipócrita’. O hipócrita finge ser o que não é. O homem que mostra ter a sabedoria celestial não usa como que um disfarce. É reto e fidedigno em todas as suas relações. Efé. 4:25.
21. Como podemos aplicar pessoalmente o que a Bíblia diz a respeito dos requisitos para se servir como instrutor na congregação?
21 Aquilo que se requer dos instrutores cristãos deve induzir todos nós a nos examinarmos com cuidado. Damos evidência de que queremos viver em harmonia com a sabedoria celestial? Embora talvez não sejamos instrutores na congregação, todos nós temos a responsabilidade, como discípulos de Cristo, de ensinar a verdade a outros. Portanto, é vital que nossas atitudes, palavras e ações estejam de acordo com o que professamos ser (Rom. 2:21, 22) Esforcemo-nos sempre a ser servos melhores de nosso Pai celestial e alegremo-nos com as bênçãos que ele nos tem concedido. — Veja 1 Timóteo 4:15, 16.
[Foto na página 24]
“Se, pois, um cego guiar outro cego . . .” — Mat. 15:14.
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