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  • yb90 pp. 192-252
  • Suriname

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  • Suriname
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1990
  • Subtítulos
  • A Verdade Penetrou de Lancha
  • “Chegou o Reino de Deus”
  • Um Irmão Modesto Dá um Passo à Frente
  • Um Pintor Pobre Estabelece um Exemplo
  • Perante o Público
  • Ampliada a Mensagem do Reino
  • Um Torna-se Três — mas não Houve Aumento
  • Começa Uma Nova Era: Chega um Missionário
  • Um Ano de Educação Progressiva
  • De Volta à Estaca Zero
  • De Volta à Trilha Certa
  • Serviço de Campo Versus Remédio
  • “Meus Meninos”
  • Recordações de Trabalhadores Benquistos
  • Estratégia Especial do Superintendente de Filial
  • Início do Trabalho nas Zonas Rurais
  • Mais Para Dentro das Zonas Rurais
  • Casamento ou um Carro?
  • Mudança na Supervisão
  • Uma Olhada de Perto na Vida Missionária
  • Correspondentes de Despertai! num Território Hostil
  • Foi Remando Atrás dos Missionários
  • O Primeiro Irmão Negro do Mato!
  • O Filme da Sociedade Influenciou a Decisão do Governo
  • Uma Acolhida Fria
  • Um Ato de Fé da Parte de Uma Irmã Necessitada
  • Um Novo Salão Introduz Uma Nova Era
  • Um Encantador de Cobras Como Vizinho
  • Despedida e Votos de Boa Viagem
  • Residentes da Floresta Tropical Imploram Ajuda
  • “Jeová os Está Trazendo”
  • A Primeira Publicação em Sranan Tongo
  • Milhares Alcançados nas Zonas Rurais
  • Voluntários Jovens Desbravadores
  • “Há Cobras Aqui?”
  • Um Entusiasmado Estudante Muda-se Para Nossa Casa
  • De Draga a Salão do Reino
  • O Livro Paraíso Prepara o Caminho
  • Reação Animadora
  • Mais Ajuda Procedente de Gileade
  • A “Assembléia da Água”
  • Oh! Esses Ônibus!
  • Decididos a Permanecer
  • Migração Que Resulta Numa congregação e Numa Escola
  • Choque de Crenças
  • Um Homem Amaldiçoado Obtém a Aprovação de Deus
  • Outros Grupos Étnicos se Unem
  • Que Dizer dos Hindus?
  • ‘Casar-se Somente no Senhor’
  • Uma Idéia Nova
  • Noé — Assunto de Conversa nas Margens do Rio
  • O Primeiro Salão do Reino na Floresta Tropical
  • Declínio — Por Quê?
  • Novo Impulso Para as Testemunhas
  • Abre-se Outra “Porta” na Floresta Tropical
  • Reação do Clero
  • “Quando nos Visitarão?”
  • Aumento Entre a População de Língua Inglesa
  • Chocados com a Realidade
  • No Meio da Luta Renhida
  • Mas, Depois, a Volta
  • Corriam Para Salvar a Vida
  • O Timoneiro e Pastor
  • Um Aumento Dez Vezes Maior
  • Jeová não se Esquecerá do Trabalho Deles
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1990
yb90 pp. 192-252

Suriname

Cobras e onças movem-se furtivamente na montanhosa floresta tropical que cobre a maior parte do Suriname — o menor país da América do Sul, tanto em área como em população. E, no que diz respeito à coragem dos adoradores de Jeová Deus, esse país não fica atrás de nenhum outro.

EM 31 de julho de 1667, os impérios britânico e holandês, em constante competição, assinaram um acordo de paz e fizeram uma troca de possessões: Os holandeses entregaram a Nova Amsterdã aos britânicos, ao passo que os britânicos cederam o Suriname aos holandeses. O leitor está provavelmente familiarizado com a parte britânica da troca — a Nova Amsterdã, que renomearam como Nova Iorque. Contudo, que dizer do Suriname?

Chamado outrora de Guiana Holandesa e mais tarde Suriname, acha-se na costa nordeste da América do Sul, encravado entre a Guiana, o Brasil e a Guiana Francesa. Seu clima tropical faz lembrar a Flórida (EUA), embora seja um tanto menor do que essa península. Mas, espere, se gosta de nadar em mares azuis ou descontrair-se em praias brancas, o Suriname talvez não seja o lugar para você. Com efeito, o litoral lamacento do país parece tão inóspito que os primeiros colonizadores o chamaram a Costa Selvagem. Se você, porém, é do tipo aventureiro, ponha em sua mala repelente de insetos, pílulas contra a malária e um mosquiteiro, e venha explorar o mais luxuriante e o mais misterioso de todos os mundos naturais a majestosa floresta tropical.

Vista de avião, a copa das árvores da floresta tropical forma um uniforme tapete verde, entrecortado apenas por numerosos rios que serpenteiam em direção ao norte, ao oceano Atlântico. Mas, se espiar debaixo desse tapete, encontrará um dos mais diversos habitats: o mundo da esquiva onça, da sensacional arara, do macaco-uivador e da gigantesca sucuri.

A diversidade também é algo que identifica a população humana do Suriname. Os habitantes originais eram os ameríndios. Depois, chegaram os escravos negros da África Ocidental, trazidos para trabalharem nas plantações de café. Mais tarde, escravos fugitivos, ou os Bush Negroes (negros do mato), formaram tribos esparsamente espalhadas em toda a densa floresta tropical, que cobre 80 por cento do Suriname. Depois disso, chegaram indianos e indonésios orientais. Acrescente a estes chineses, libaneses, judeus e descendentes de colonizadores holandeses, e poderá ver por que a população do Suriname, de 400.000 habitantes, é às vezes chamada “o mundo em tamanho de bolso”.

As igualmente diversas crenças dos hindus, dos muçulmanos, dos morávios (protestantes), dos católicos romanos, dos animistas, dos fetichistas e outras resultaram numa miscelânea de religiões. Acrescente a isso a variedade de umas dez línguas, desde o holandês (a língua oficial) até o sranan tongo (língua local), e poderá entender por que o livro Suriname — Land of Seven Peoples (Suriname — País de Sete Povos) menciona que para a união nacional “ainda há muito chão”.

Mas, logo no início deste século, mais uma língua — a “língua pura” da verdade bíblica — entrou no Suriname e causou união onde quer que fosse aprendida. (Sof. 3:9) Entretanto, a divulgação da verdade bíblica nas vilas, nas zonas rurais e na floresta tropical exigiu coragem, perseverança, sacrifícios e, acima de tudo, a ajuda de Jeová Deus. Como tiveram bom êxito os servos de Jeová? Estendemos-lhe o convite de reviver conosco os pontos altos de nove décadas de pregação do Reino. Voltemos atrás. no tempo para o ano de 1903. O lugar, o noroeste do Suriname.

A Verdade Penetrou de Lancha

A lancha abriu caminho penosamente através da foz do rio Corentine, levando passageiros da Guiana para uma pequena cidade no Suriname de nome Nieuw Nickerie. Um passageiro, o Sr. Herbonnet, um comerciante de uns 25 anos, mal podia esperar até desembarcar, a fim de mostrar a seus amigos os livros que trazia consigo.

Seus amigos — Marie Donk, da padaria, Alfred Buitenman, da mercearia, e Julian Dikmoet, o sapateiro, ficaram imediatamente fascinados com as explicações simples das verdades bíblicas contidas nos livros. Não demorou muito e os quatro amigos formaram um grupo de estudo da Bíblia no lar de Marie Donk, da padaria. Ali, estudaram publicações adicionais do mesmo autor, Charles T. Russell, o primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia dos Estados Unidos.

Marie Donk, um judeu eloqüente, tomou a dianteira e instou com seus fregueses para que se juntassem ao grupo de estudo. A aceitação dos fregueses foi lenta até que o padeiro usou o lema que os antigos nickerianos recordam até hoje: “Nyan brede sondro frede!” (Coma pão sem medo!) “Isto significava”, conforme explica Lien Buitenman, de 83 anos, filha de Alfred Buitenman, “que as pessoas recebiam pão de graça depois das reuniões”.

Isso funcionou. A assistência às reuniões cresceu como massa de pão recém-amassada, isto é, até que o padeiro Donk instou com a assistência que participasse com ele na pregação aos domingos nas zonas rurais. Daí, a maioria dos que assistiam desistiu.

Contudo, entre 1910 e 1914, alguns fiéis seguiram o irmão Donk para dentro de um pôlder fora de Nickerie, vadearam o canal de escoamento de uma plantação de cacau e foram batizados. “Esses batismos atraíam centenas de espectadores”, diz James Brown, que tem agora 86 anos. Ele se lembra de observar, fascinado, o irmão Donk mergulhar um novo discípulo totalmente vestido e gritar: “Em nome do Pai.” Daí, ele imergia a mesma pessoa uma segunda vez e dizia: “Em nome do Filho”, depois, uma terceira vez: “Em nome do Espírito Santo.” Feito isto, o batizador voltava-se para os espectadores e gritava: “Vinde! Sede batizados e permanece vivos!” Alguns iam, mas mormente por medo de que o mundo terminasse em 1914. Depois de chegar e passar o ano de 1914, bom número deles se afastou.

“Chegou o Reino de Deus”

Contudo, por volta de 1920, os Estudantes da Bíblia que prosseguiram foram estimulados quando um irmão dos Estados Unidos chegou de navio e exibiu o Fotodrama da Criação.

“Foi o discurso mais importante”, conta James Brown. “Fui cedo ao galpão na plantação de cacau e sentei-me na primeira fileira. O local estava lotado com 500 pessoas. Começou a exibição. Eu nunca vira coisa igual — os slides, o filme, a música! Um homem se pôs de pé e disse: ‘Esta noite chegou o Reino de Deus a Nickerie!’”

Daí, começou a haver aumento novamente, e, em princípios dos anos 30, os irmãos construíram um pequeno local de reuniões no quintal do irmão Donk. Mas, a congregação de Nickerie seria testada novamente por meio de problemas.

Um Irmão Modesto Dá um Passo à Frente

Em meados da década de 30, soube-se que Marie Donk levava uma vida contrária à moral bíblica. Contudo, ele continuou a dirigir as reuniões. Quem corrigiria essa situação?

Alfred Buitenman, de pequena estatura e de fala macia, havia discretamente dado apoio financeiro a congregação desde seu batismo em 1903. “Mas, durante uma reunião”, recorda Lien, “fiquei surpresa de ver meu pai dar um passo à frente, erguer a voz e anunciar que daí em diante o local de reunião seria na sala de estar de nossa casa.” Felizmente, a maioria dos irmãos apoiaram esta mudança, mas alguns apoiaram o padeiro Donk, e aquele grupo se desfez gradualmente.

O irmão Buitenman entrou depois em contato com a sede da Sociedade em Nova Iorque, recebeu publicações e, desde 1936, pastoreou fielmente a congregação sob os seus cuidados.

Mas, por ora, voltemos a nossa atenção para 240 quilômetros ao leste, e retrocedamos 25 anos no passado. Chegamos à capital, Paramaribo, no ano de 1911.

Um Pintor Pobre Estabelece um Exemplo

Numa visita ao porto de Paramaribo, os peregrinos (como eram chamados os superintendentes de circuito naquela época) Blake e Powell, procedentes dos Estados Unidos, encontraram Frederic Braighwaight, um pintor de temperamento brando, natural de Barbados, de quase 40 anos. Frederic reconheceu a verdade e despertou o interesse de sua esposa, Cleópatra, bem como de um de seus conhecidos. Ele começou a dirigir reuniões na sua pequena casa de madeira.

Como os peregrinos, Frederic procurava meios de partilhar com outros as verdades bíblicas. Assim, no seu serviço, ele dava testemunho ao carpinteiro Willem Telgt. O carpinteiro gostava do que ouvia e, junto com um amigo seu, começou a assistir às reuniões dos “Zelosos Estudantes da Bíblia”, elevando o número dos estudantes de três para cinco.

O irmão Braighwaight apreciava essas reuniões. “Embora fosse pobre”, contou Willem Telgt há alguns anos, “o irmão Braighwaight usava sempre nas reuniões um terno branco recém-passado. Houve ocasiões em que, quando ele não tinha meios para tomar uma refeição, se podia ouvir seu estômago vazio roncar, mas, assim mesmo, ele dirigia todas as reuniões com o mesmo entusiasmo.”

Impelido pelo exemplo do irmão Braighwaight, Willem Telgt foi batizado em 19 de fevereiro de 1919, e mais tarde desempenhou um papel importante na expansão dos interesses do Reino.

Perante o Público

Na década de 20, os Estudantes da Bíblia eram pouco conhecidos na capital. Isso, porém, mudou em meados dos anos 30, quando um deles, o irmão Graham, colocou um banco na frente de uma loja que dava para o movimentado mercado. Ele abria sua mala bem gasta e exibia os coloridos livros encadernados da Sociedade. Todos os dias da semana, este idoso irmão que falava inglês ocupava seu posto.

Os compradores se agrupavam muitas vezes em volta de sua mala, ansiosos por um debate. “O irmão Graham, porém, fazia observações breves, bem breves”, contou Leo Muijden, que faleceu recentemente aos 78 anos de idade. “Certo dia, vi na mala dele um folheto com uma figura de um rapaz que corria. Perguntei ao irmão Graham: ‘Para onde está ele correndo?’ O irmão idoso olhou para mim e disse: ‘Se o ler, irá descobrir.’ Só disse isso. Assim, eu li Escape Para o Reino e descobri!”

Ampliada a Mensagem do Reino

Além de as pessoas aprenderem a mensagem do Reino por meio dos livros, ouviram-na também em Paramaribo por meio de discos. Como? Nas noites de domingo, Cornelus Voigt, dono de uma loja, o qual simpatizava com as Testemunhas, posicionava seu toca-discos e um possante alto-falante no andar de cima de sua casa. “Daí”, contou o irmão Telgt, “ele tocava uma gravação de uma missa católica romana, seguida de música religiosa. Depois disso, quando um número suficiente de pessoas se reunia, ele trocava o disco e aumentava o volume ao máximo. Subitamente, a voz de Joseph F. Rutherford, o segundo presidente da Sociedade, retumbava na assistência e muito além.”

Às noitinhas, nos dias de semana, porém, Voigt nunca precisava atrair assistência, mas simplesmente esperava até que seu filho, Louis, um bem-conhecido médico, começasse a dar consultas numa clínica ao lado de sua casa. Logo que a sala de espera ficava cheia de pacientes, Voigt tocava seus discos. Helen Voigt, a esposa do médico, relembra: “Os pacientes tinham de ouvir o irmão Rutherford, quer gostassem, quer não.” Sim, por meio de livros e discos, as Testemunhas alcançaram os olhos e os ouvidos do público.

Um Torna-se Três — mas não Houve Aumento

Visto que a Segunda Guerra Mundial foi travada bem longe do horizonte do Suriname, os irmãos ali não sofreram em conseqüência dos ventos mortíferos da guerra. Contudo, a congregação de Paramaribo sofreu alguma turbulência. De que espécie? Contenda entre os irmãos.

“Por volta de 1945”, diz Leo Liefde, de 80 anos, que vem assistindo às reuniões desde 1938, “a congregação se dividira em três grupos diferentes e se reunia em três locais diferentes, ao passo que os três se diziam Testemunhas de Jeová”. Entretanto, quando foi anunciado em 1946 que o terceiro presidente da Sociedade, Nathan H. Knorr, visitaria o Suriname, “os três grupos ansiavam receber ‘seu presidente”, diz o irmão Muijden. Como reagiria a isso o irmão Knorr?

No dia 1.º de abril de 1946, o irmão Knorr e Frederick W. Franz, que era naquele tempo o vice-presidente, chegaram a Paramaribo. Naquela mesma noite, 39 irmãos de todas as facções se reuniram em terreno neutro, o pátio de uma escola, para ouvir os irmãos Franz e Knorr discursar. Daí, na sessão de perguntas, os irmãos expressaram suas opiniões divergentes. Por certo tempo, o presidente escutou, mas depois já bastava para ele.

“O irmão Knorr falou de modo breve”, relembra o irmão Muijden. “Ele disse: ‘Quem de vocês deseja que um missionário venha aqui?’ Todos nós levantamos a mão. ‘Ótimo’, disse o irmão Knorr. ‘Este mês ele estará aqui.’” Fiel à sua promessa, em 27 de abril de 1946, chegou Alvin Lindau, formado em Gileade.

Começa Uma Nova Era: Chega um Missionário

Alvin Lindau, de 26 anos, norte-americano, foi morar com o irmão Baptista e começou a juntar as facções diferentes num só grupo. Um mês depois, o irmão Lindau relatou contente: ‘O número de publicadores que relataram subiu de 2 para 18.’ O irmão Knorr, por sua vez, tinha boas notícias para o Suriname. Ele escreveu que, a começar em 1.º junho de 1946, seria estabelecida uma filial. “Estou certo”, acrescentou o irmão Knorr, “de que este é o tempo de levar avante a obra em Paramaribo”.

Designado na qualidade de superintendente de filial, Lindau pôs-se a trabalhar. Primeiro, ele transferiu a filial da casa do irmão Baptista para o andar de cima de um espaçoso sobrado, situado à Rua Zwartenhovenbrug, 50, e transformou o andar térreo em Salão do Reino. Daí, iniciou um estudo de livro semanal, a Reunião de Serviço e o Estudo da Sentinela. Depois disso, ele ensinou os irmãos a dirigir estudos bíblicos domiciliares.

A seguir, o irmão Lindau anunciou: “Passemos para a ofensiva!” Um dos antigos relembra: “Ele nos convidou a participar na distribuição de casa em casa do livro Filhos. De início, eu hesitei, mas o irmão Lindau me disse: ‘Ou você afunda ou nada.’ Portanto, enchi minha pasta com livros e ofereci a nova publicação às pessoas que moravam em volta do Salão. Para a minha alegria, minha pasta se esvaziou em pouco tempo.”

Contudo, alguns irmãos que preferiam antes dar discursos a distribuir livros murmuraram: ‘Não temos nada que ver com a Sociedade Torre de Vigia (EUA). Cremos no pastor Russell.’ Portanto, eles “afundaram”. A maioria dos irmãos, porém, apoiou a campanha com os livros. Mas sentiam a necessidade de treinamento. Nos meses seguintes, prover-se-ia precisamente isso.

Um Ano de Educação Progressiva

Em setembro de 1946, iniciou-se na congregação de Paramaribo a Escola do Ministério Teocrático. Naquele mesmo mês, começou uma campanha de discursos públicos no Salão do Reino. Os convites atraíram a atenção do público, também da polícia.

Na quarta-feira antes do primeiro discurso, o orador foi intimado a comparecer na delegacia. ‘É este o primeiro país em que a Sociedade Torre de Vigia está ativa?’ perguntaram as autoridades. Quando ficaram sabendo que o Suriname era realmente um dos últimos lugares alcançados pela Sociedade, abandonaram as objeções que haviam levantado. As reuniões públicas vêm sendo realizadas desde então.

No mês seguinte, em outubro, a congregação acolheu Max e Althea Garey, bem como Phyllis e Vivian Goslin, formados em Gileade. Trabalhando lado a lado com os irmãos locais, os “cinco americanos da Torre de Vigia”, como os missionários se tornaram conhecidos em toda a cidade, asseguraram o progresso dos publicadores.

No fim de 1946, o trabalho árduo e o cuidado amoroso dos missionários haviam conseguido muito: A pregação aumentara e as divisões terminaram em união. Haveria, porém, mais progresso ainda.

O primeiro foi a “Assembléia Teocrática das Nações Alegres”, em dezembro. Entusiasmados com o lançamento do livro “Seja Deus Verdadeiro”, 20 publicadores precisaram apenas de uma hora para distribuir 8.000 convites que anunciavam o discurso público. Duzentos e treze compareceram — um auge de todos os tempos!

Naquele mesmo mês, os irmãos fizeram um cortejo nas ruas comerciais, segurando A Sentinela e Despertai!. Transeuntes curiosos se agruparam em volta dos publicadores. Certo homem, que dirigia uma charrete, viu uma irmã com as revistas e conduziu sua charrete até a esquina onde ela se encontrava. Ele queria as revistas. Naquela manhã foram colocadas 101 revistas. O serviço nas ruas estava tomando rumo!

De Volta à Estaca Zero

Em 1948, o número de publicadores subiu para mais de cem. Mas, depois, com a mesma rapidez com que a escuridão nos trópicos domina a luz do dia, o decréscimo substituiu o aumento. Em março de 1949, apenas 88 publicadores ainda estavam ativos. Houve desavença novamente. O que havia de errado?

Um missionário revelou graves irregularidades no lar missionário. Os irmãos N. H. Knorr e M. G. Henschel, da sede, examinaram o assunto por ocasião da visita que fizeram ao Suriname em abril de 1949. Mais tarde, John Hemmaway, que era missionário na Guiana naquela época, foi enviado para investigar o assunto. O que ele descobriu ocasionou a retirada de três missionários, deixando os Gareys com uma congregação de 59 publicadores. Os irmãos voltaram a estaca zero. O problema era como reanimá-los.

Max Garey foi designado temporariamente na qualidade de superintendente de filial, e revelou ser um pastor cuidadoso em tempos de dificuldade. A pioneira Nellie van Maalsen, que tem agora 76 anos, recorda: “Como muitos na congregação, eu estava triste e confusa naquele período, mas”, diz ela calorosamente, “Max era um irmão amoroso. Deixava a gente à vontade. Mesmo agora, quando penso no irmão e na irmã Garey, fico com lágrimas nos olhos”.

Por três meses Max Garey pôs ataduras nas feridas, por assim dizer, do grupo reduzido. Depois, em novembro de 1949, J. Francis Coleman e S. “Burt” Simmonite, novos formados de Gileade, originários do Canadá, chegaram para ajudar os irmãos a se refazer.

Antes disso, a filial e o lar missionário haviam sido transferidos para um local apertado, na Estrada Gemeenelands, 80. Portanto, para acomodar os recém-chegados, alugou-se um segundo lar na Rua Prinsen. Burt Simmonite, de 27 anos, foi designado para ser o novo superintendente de filial.

Em 22 de janeiro de 1950, os irmãos sentiram de modo verdadeiramente pessoal a empatia da organização de Jeová. Naquele dia, o irmão Knorr fez uma viagem especial ao Suriname para dar encorajamento. ‘Muito embora as pessoas espalhem boatos e falem mal das Testemunhas de Jeová’, disse o irmão Knorr a 75 irmãos, ‘não se deixem perturbar com isso. Pela vida que levam e pela mensagem que pregam, poderão consolar os que buscam a verdade. Isto devemos fazer apesar do que outras pessoas fizeram ou farão no futuro.’

Depois de três dias de associação edificante, o irmão Knorr se despediu dos irmãos. Fortalecidos, os irmãos prosseguiram.

De Volta à Trilha Certa

Estando a congregação de Paramaribo de volta à trilha certa, os missionários passaram a dirigir sua atenção para o oeste, para Nickerie, onde o irmão Buitenman e mais cinco publicadores — não influenciados pelos acontecimentos em Paramaribo — tinham pregado a mensagem do Reino sem cessar desde 1936. Para ajudar o irmão Buitenman, que nessa ocasião tinha 71 anos de idade, os Gareys se mudaram para Nickerie. Mais tarde, o local de reunião foi mudado da casa do irmão Buitenman para o lar missionário, na Rua Gouverneur.

John e James Brown, irmãos fidedignos, naquele tempo quadragenários, ajudaram o irmão Garey e, por sua vez, receberam treinamento completo. Com o tempo, nas noites de quarta-feira, sob a luz de um lampião a querosene, John e James davam discursos públicos ao ar livre em Nickerie e nas vilas circunvizinhas.

Depois, seu irmão Anton Brown também aceitou a verdade, e a “Igreja dos Browns”, como o povo da cidade chamava a congregação, aumentou ainda mais suas atividades. Perto do tempo da primeira assembléia de circuito, realizada em Nickerie, em fevereiro de 1953, o número dos publicadores havia triplicado para 21. Obviamente, a congregação estava tirando proveito da presença dos missionários. Mas, como se saíam em Paramaribo os outros missionários, Burt Simmonite e Francis Coleman?

Serviço de Campo Versus Remédio

Burt e Francis fizeram o melhor que puderam para reativar alguns dos publicadores antigos, mas sem êxito. Com freqüência, estes publicadores se esquivavam dos compromissos feitos para ir ao serviço de campo, dando a resposta costumeira: “Irmão, eu não pude ir. Tinha tomado remédio.”

Sim, por causa de todos os parasitas intestinais nos trópicos, de vez em quando tal resposta era verdadeira. “Mas”, disse Burt, “não sei se era certa ou errada, cheguei à conclusão de que uma quantidade tremenda de remédio era tomada naquela pequena congregação”. Mas, o que se podia fazer a respeito?

A irmã van Maalsen ajudou. Certo dia, depois de ter faltado ao serviço de campo, ela disse: “Irmão, preciso dizer-lhe a verdade. Eu estava cansada demais.” Comovido com a honestidade dela, Burt, de estatura alta, encurvou-se e deu um pequeno abraço nela e disse: “Nellie, pelo que noto, acho que você é a primeira pessoa a me dizer a verdade sobre isso.” Burt acha que esta observação correu entre os publicadores. “Deve ter sido assim”, diz ele, “pois a quantidade de remédio tomado parecia ter diminuído acentuadamente”.

“Meus Meninos”

Muitos na congregação apreciavam os laboriosos missionários. Portanto, não demorou muito para Burt e Francis encontrarem um lugar nos lares e nos corações dos publicadores. Até mesmo hoje, quando Burt e Francis são mencionados aos antigos, olhos enfraquecidos pestanejam e faces enrugadas sorriem, trazendo de volta recordações.

“Burt e Francis eram como parentes. Eram meus meninos”, diz Oma (vovó) de Vries, agora com 91 anos de idade. De sua cadeira de balanço, ela aponta para o andar de cima da casa ao lado. “É ali que eles moravam. Eram vizinhos alegres.”

“Toda vez que ouvíamos Burt assobiar, sabíamos que estava indo ao serviço de campo”, começa a contar Loes, filha de Oma.

“E quando Francis tocava seu violino e de certa forma tocava música com duas colheres, sabíamos que ele se descontraía”, acrescenta a filha Hille. “Mas, quando ouvíamos Burt cantar o Cântico do Reino 81, ‘Avivai a Grã Canção de Reinol Exultação!’, sabíamos que estava debaixo do chuveiro.”

“E”, diz também Dette, outra filha, “quando sentíamos cheiro de comida queimada, sabíamos que os meninos estavam estudando”. Portanto, Oma passou a prover-lhes refeições. Ela ri entusiasticamente e termina a história acrescentando: “Eu amarrava uma panela cheia de comida numa vassoura e a empurrava para fora da minha janela do andar superior do sobrado. Daí, Burt, da casa ao lado, alcançava com seus braços compridos a panela e a pegava, assim o almoço estava servido!”

Quão tristes ficaram os irmãos quando Francis contraiu a temível doença tropical filariose! Apesar de febres intermitentes e inchaço cada vez maior na perna, Francis continuou seu serviço missionário por mais dois anos. Não obstante, a doença finalmente o obrigou a retornar ao Canadá. O irmão Coleman fora um grande apoio para a congregação. Com a ajuda dele, o espírito da congregação melhorara consideravelmente, e o número de publicadores aumentara para 83.

Recordações de Trabalhadores Benquistos

Por causa do aumento no número de publicadores, Burt Simmonite escreveu a Brooklyn: “Seria maravilhoso se passássemos o marco de cem este ano!” E isso aconteceu, em abril de 1952, com um aumento de 30 por cento — 109 publicadores.

Apresentamos-lhe dois trabalhadores benquistos daquele tempo: Hendrik Kerk e William Jack. Hendrik, um homem de grande estatura, com um sorriso cativante e olhos amistosos, fora líder de uma quadrilha, sendo mais conhecido pela polícia do que pela sociedade refinada. “Hendrik era um diamante bruto”, recorda Burt. Ele aceitou a verdade, deu apoio de todo o coração à congregação e, mais tarde, tornou-se o primeiro pioneiro especial daquela localidade.

Também, havia William, um trabalhador alegre e incansável já nos seus 70 e poucos anos. Ele morava num casebre bem pobre, usava roupa muito remendada, mas limpa. Passava horas na sua canoa feita de um só lenho escavado, dando testemunho às pessoas que moravam dispersas ao longo das margens do rio. Quando encontrava pessoas interessadas, não deixava de viajar longas distâncias para visitá-las, não obstante sofrer de deficiência cardíaca.

“Certa manhã, bem cedo”, relembra Burt, “remamos por horas a fio contra a corrente para visitar uma família interessada. Finalmente, chegamos, descansamos um pouco e começamos a estudar por volta das seis horas da tarde. Primeiro, o irmão Jack estudou o livro ‘A Verdade Vos Tornará Livres’. Depois, passou para A Sentinela, e depois disso, enquanto minha cabeça caía de sono, ele considerou uma terceira publicação. Por causa da distância, só podia visitar essa família de quinze em quinze dias, mas ele aproveitava bem o tempo! No dia seguinte, remamos de volta. Eram momentos felizes.”

Estratégia Especial do Superintendente de Filial

Recebeu-se em dezembro de 1951 uma boa notícia: Mais quatro missionários, Shedrick e Wilma Poyner, Muriel Simmonite e Connie McConnell, foram designados para o Suriname. Logo, porém, chegou uma notícia ruim: O procurador-geral, influenciado pelos clérigos coloniais da cristandade, recusou-lhes visto de entrada.

O superintendente de filial, porém, continuou a visitá-lo. O procurador-geral finalmente disse: ‘Dois missionários podem entrar. Decida quais os dois que deseje.’ Visto que a congregação precisava de mais um irmão, Simmonite escolheu os Poyners. ‘O pedido foi deferido.’ Mas o superintendente de filial não deu por encerrado o assunto.

“Daí, mencionei que Muriel Simmonite era minha irmã” relata Burt, “e que eu esperava que ele não nos separasse recusando a entrada dela”. O procurador-geral não conseguiu recusar isso. Novamente: ‘Pedido deferido’. Mas, não havia jeito de se obter visto para Connie McConnell. O placar continuava a marcar três pontos. Mas, ainda assim, Burt não desanimou. Apenas mudou de tática.

Ele explica: “Por meio das cartas que minha irmã me enviava enquanto servia com a irmã McConnell, em Quebeque, no Canadá, eu chegara a conhecer bastante essa jovem. De modo que mais tarde, quando a encontrei na assembléia de 1953, em Nova Iorque, ficamos noivos e ela conseguiu visto de entrada no Suriname como minha noiva. Casamo-nos ali e o resultado final foi que marcamos os quatro pontos, o que me proporcionou não pouca satisfação e a todos nós boas risadas.”

Início do Trabalho nas Zonas Rurais

Até então, os irmãos se haviam concentrado nas cidades de Paramaribo e Nickerie. Mas, em 1953, a verdade entrou no povoado de Meerzorg, quando Leo Tuart se mudou para lá.

Leo, que tinha então 40 anos, entrara em contato com a verdade em 1944. Leo, de baixa estatura, cheio de vida e usando sempre um chapéu marrom de feltro, trabalhava como estivador no porto de Paramaribo e gozava de boa reputação pela sua honestidade. Embora benquisto no seu povoado, Leo ainda não conseguira fazer discípulos dentre o povo ali, isto é, até que a filial enviou as “tropas de choque” — na forma de Hendrik Kerk.

Em pouco tempo, Hendrik e Leo contataram três homens que aceitaram estudo bíblico. Movidos pelo espírito de Jeová e muito bem guiados pela boa liderança de Hendrik, os três progrediram até o ponto de batismo. Junto com Leo, formaram uma equipe harmoniosa.

Trabalhar em equipe era também a chave para o próximo projeto deles, a saber, construir um Salão do Reino. Nenhum deles tinha dinheiro, mas os três novos irmãos separaram partes de seus campos, plantaram arroz e doaram os lucros da safra para o projeto de construção.

O irmão Tuart, porém, não tinha terras onde plantar arroz. A fim de contribuir para o projeto, ele tomou emprestados 200 florins ao banco, os quais pagaria gradualmente do pouco que ele ganhava. Aqueles quatro irmãos pobres atingiram a sua meta, construindo um belo Salão do Reino.

Diga-se de passagem que, quando o projeto estava pela metade, esses irmãos pararam as obras para assistir a uma assembléia especial em Paramaribo. Na segunda-feira, à noite, em 18 de Janeiro de 1954, eles se encontravam entre os 159 presentes para ouvir os discursos dos irmãos Knorr e Henschel.

“Na assembléia, o irmão Knorr e o irmão Henschel disseram que queriam visitar o nosso novo salão”, recorda o irmão Leo Tuart, agora com 77 anos de idade. “Fiquei um pouco nervoso”, diz ele ajustando seu chapéu de feltro, “mas não era preciso. Os dois irmãos nos elogiaram pelo nosso trabalho. ‘Somente’, disse o irmão Knorr, ‘não cortem aquela linda mangueira em frente do salão. Ela proverá sombra e frescor.’ Aceitamos o conselho do irmão Knorr, e aquela árvore ainda está ali, dando sombra, frescor e mangas.”

Mais Para Dentro das Zonas Rurais

Para manter o passo com o aumento, a filial foi transferida para um prédio de três andares, à Rua Zwartenhovenbrug. Uma loja de calçados, chamada Fathma, ocupava o andar térreo. No primeiro andar achava-se o Salão do Reino e a cozinha, o segundo andar servia como escritório da filial e lar missionário, e o último andar era usado para depósito de publicações.

Deste local, Muriel Simmonite, que tinha então 28 anos de idade, fazia viagens regulares para Onverdacht e Paranam, povoados que ficam uns 30 quilômetros ao sul de Paramaribo. “De manhã cedo, viajávamos de graça num ônibus que levava os trabalhadores para uma mina de bauxita”, recorda Helen Voigt, que acompanhava Muriel uma vez por semana. “Pregávamos então ao povo que morava perto da mina, comíamos nosso sanduíche ao meio-dia, pregávamos mais um pouco e voltávamos de ônibus com os trabalhadores. Cansadas, mas satisfeitas, chegávamos a nossa casa por volta das seis horas da tarde.”

Com o tempo, Muriel contatou o calmo e esbelto Rudie Pater que aceitou a verdade. Mas Rudie queria divulgar a verdade mais além, e tinha meio de transporte — uma enorme motocicleta Harley-Davidson.

Ele relembra: “Muriel foi a Paranam de manhã cedo e trabalhou o dia inteiro. Depois, à noitinha, fui com a moto Harley a Paranam e encontrei-me com Muriel, daí, dirigimos mais estudos bíblicos. Quase à meia-noite, Muriel pulou na garupa da Harley, e viajamos para casa em meio ao barulho ensurdecedor.”

Casamento ou um Carro?

A reação das pessoas nesses povoados era tão favorável que Rudie mais tarde pensou em comprar um carro, para que mais publicadores pudessem ir junto com ele. “Eu tinha algumas economias”, diz Rudie, “mas eu precisava desse dinheiro para as despesas de meu casamento que se aproximava. Falei com minha noiva, Maria, que também estudava a Bíblia, e ela concordou em adiarmos nosso casamento. Portanto, comprei um carro de fabricação inglesa, marca Hillman, e a partir daquele tempo cinco dentre nós pregávamos nas zonas rurais.” Os resultados? Em 1954, havia grupos de estudos em Paranam, em Onverdacht e em mais três outros lugares fora da cidade.

A propósito, o casamento se realizou. E hoje o irmão e a irmã Pater são publicadores muito estimados em Paramaribo.

Mudança na Supervisão

Em fins de 1954, várias mudanças haviam ocorrido. Shedrick e Wilma Poyner, missionários produtivos, haviam deixado o país. Max e Althea Garey mudaram-se para Curaçau, onde trabalharam mais dez anos como missionários antes de retornarem aos Estados Unidos. Os primeiros pioneiros especiais locais, Hendrick Kerk e Melie Dikmoet, filha do sapateiro Julian Dikmoet, haviam sido enviados para novos territórios. E Connie, esposa de Burt Simmonite, estava esperando bebê, o que tornava necessário o envio de outro missionário que pudesse mais tarde substituir o irmão Simmonite como superintendente de filial.

Portanto, em novembro de 1954, Burt passou a supervisão do país para Dirk Stegenga, um tímido missionário holandês de 22 anos de idade. É desnecessário dizer que levou algum tempo para o irmão Stegenga acertar o passo.

Uma Olhada de Perto na Vida Missionária

“Dois dias depois de minha chegada”, relembra Dirk, que tem agora 57 anos de idade, “Burt e Connie partiram para o serviço de circuito, e Muriel estava fora do país. Portanto, lá estava eu, assustado e sozinho naquela enorme casa.”

Depois, quando Dirk estava quase adormecido, um som agudo, pina, piuííí, piuííí, penetrou no seu quarto. Uma sibilante locomotiva a vapor estava fazendo a curva junto à casa. Quando o trem ganhou velocidade de novo, todo o barulho da rua foi eclipsado pelo do motor, tchuc-tchuc, tchuc-tchuc. Uma fumaça oleosa e faíscas encheram a rua, a casa e seu quarto. “Depois”, continua Dirk, “olhei boquiaberto ao passo que as faíscas dançantes caiam sobre minhas camisas 100 por cento de náilon que eu comprara em Nova Iorque e queimavam fazendo buracos em todas elas. Fiquei desesperado.”

Os dias que se seguiram trouxeram mais calor, barulho, fumaça, faíscas e buracos nas suas camisas. “Depois, para piorar as coisas”, acrescenta Dirk, “vi enormes ratos que corriam pela cozinha. Neste ponto, não suportei mais.” Felizmente, Helen Voigt teve pena do missionário solitário e o fez sentir-se bem-vindo, provendo refeições para ele. “Helen”, diz Dirk com gratidão, “era como mãe”.

Mas, depois de voltarem os outros missionários, Dirk logo se sentiu bem, e, orientado por Burt, dispôs-se a trabalhar.

Alguns meses mais tarde, Dirk e Burt dirigiram sua atenção para um território desafiador: a floresta tropical virgem. ‘Haveria um ponto de apoio ali?’ perguntavam-se. Para descobrirem isso, em setembro de 1955, fizeram as malas, embarcaram numa locomotiva a vapor e viajaram para dentro da densa floresta. Começou um emocionante capítulo na pregação do Reino.

Correspondentes de Despertai! num Território Hostil

Até então, nenhum dos habitantes da floresta tropical, os ameríndios e os negros do mato, havia aceito a verdade. Alguns negros do mato, porém, ouviram a mensagem do Reino pela primeira vez em 1947, quando foram dados discursos num quartel, onde os negros do mato se alojavam quando visitavam a capital.

Também, em 1950, dois irmãos visitaram Gansé, uma aldeia de 1.300 negros do mato às margens do rio Suriname. Mas o pastor morávio ali apregoara ao som da trombeta: “Dois falsos profetas estão vendendo livros!” Daí, logo depois de as Testemunhas terem colocado quatro livros numa choupana de um senhor idoso, centenas de incitados membros da igreja rechaçaram as Testemunhas de volta junto ao rio. Os irmãos foram apressadamente para a sua canoa e se afastaram remando, mal escapando de serem linchados.

Cinco anos mais tarde, Burt e Dirk lembravam-se daquele acontecimento ao passo que o trem avançava roncando em Kabel. Era a última estação, a uma distância de duas horas de remo de seu destino final, Gansé. Como seriam tratados desta vez? Para evitar reações hostis, a filial havia escrito ao chefe da aldeia, solicitando permissão para que dois correspondentes de Despertai! visitassem Gansé para colher informações para um artigo sobre os negros do mato. O chefe havia respondido que os correspondentes eram bem-vindos.

Naquele dia, quando Burt e Dirk chegaram de canoa a Gansé, o chefe e seus assistentes estavam presentes para os acolher. “Fomos recebidos como se fôssemos da realeza”, relembra Dirk. “Mostraram-nos nosso alojamento, uma das melhores casas da aldeia, depois levaram-nos até o rio e polidamente ficaram de costas para nós até terminarmos de tomar banho. Depois disso, mantivemos uma comunicação sociável com eles ao passo que Burt, que sabia falar sranan tongo, participava na maior parte da conversação.”

No dia seguinte, ao visitarem a aldeia, os irmãos deram cautelosamente testemunho a alguns aldeões. Poucos dias mais tarde, de manhã cedo, no domingo, partiram para Kabel. Ali, pernoitaram na casa de hóspedes, esperando o trem do dia seguinte.*

Foi Remando Atrás dos Missionários

Entretanto, algumas horas depois de os missionários terem partido de Gansé, um negro do mato, de 18 anos, chamado Frederik Wachter, chegou ali. Os conhecidos lhe disseram que estiveram ali dois homens brancos, altos, que acreditavam serem Testemunhas de Jeová. Frederik ficou desapontado. Por um ano ele vinha procurando as Testemunhas, e elas haviam estado ali e partido novamente! Mas, quando soube que os missionários partiriam no trem do dia seguinte, Frederik disse: “Preciso alcançá-los antes de o trem partir.” Será que conseguiria?

Na segunda-feira de manhã, quando os missionários acordaram, notaram um negro do mato, de baixa estatura e tímido, que os esperava do lado de fora. “Estiveram na minha aldeia para pregar?” perguntou Frederik. “Sim”, responderam surpresos os missionários. “Por que pergunta isso?”

“Eu perdi a sua visita, mas vim para saber mais sobre seus ensinamentos.” Os missionários se sentaram com Frederik e responderam às suas perguntas sobre o sábado, o batismo, o Reino e mais outras coisas, mas estavam curiosos de saber como este rapaz inteligente chegara a saber sobre Jeová. Eis a história de Frederik:

Em 1950, pouco antes de os dois irmãos terem sido enxotados de Gansé, colocaram dois livros com o tio de Frederik. Quatro anos mais tarde, Frederik encontrara esses livros, lera-os e aprendera sobre a verdadeira condição dos mortos. Desde então, ele recusara-se a participar das cerimônias supersticiosas de sua tribo. Também, havia abandonado a Igreja Morávia e desejava encontrar um dia as Testemunhas de Jeová.

Nesta manhã de segunda-feira, seu desejo se realizou. Mas logo o trem havia de partir. Os missionários embarcaram depois de lhe darem o livro “Seja Deus Verdadeiro” e o convidarem a visitar a filial quando fosse à capital. Frederik prometeu fazer isso.

O Primeiro Irmão Negro do Mato!

No mês seguinte, em outubro, um rapaz descalço bateu à porta do lar missionário. Dirk Stegenga relembra: “Frederik havia lido o livro ‘Seja Deus Verdadeiro’, lembrava todos os pormenores e entendia a verdade. Todos os dias, durante duas semanas, ele veio ao lar missionário e estudou. Mas, não vinha às reuniões. Estávamos intrigados com isso.”

“Um dia, depois de convidá-lo novamente”, continua Dirk, “Frederik abaixou os olhos e murmurou: ‘Não tenho sapato.’ Ele tinha vergonha de vir. Bem, nós não quisemos fazer dele um ‘cristão de arroz’, dando-lhe um par de sapatos. Em vez disso, dissemos: ‘Vamos mostrar um filme, portanto estará escuro. Ninguém vai enxergar que você está descalço.’ Quão felizes nos sentimos de ver Frederik na assistência aquela noite!” E quão satisfeito ficou de saber, mediante o filme “A Sociedade do Novo Mundo em Ação”, que milhares de africanos serviam alegremente a Jeová — sem sapatos!

Depois de duas semanas, Frederik voltou para casa com outro desejo: assistir à Assembléia “Reino Triunfante”, em dezembro daquele ano. Trabalhou dia após dia para economizar dinheiro a fim de viajar para o congresso. Conseguiu. Em 11 de dezembro, batizou-se. Que alegria foi acolher naquele dia o nosso primeiro irmão negro do mato! Hoje, no serviço de pioneiro especial, o irmão Wachter faz bom uso de sua excelente capacidade de lembrar textos bíblicos. “A experiência de Frederik”, diz em suma Dirk, “fez-me lembrar que somos humildes instrumentos nas mãos de Jeová. Afinal de contas, não fomos nós que encontramos Frederik, mas ele é que nos encontrou.”

O Filme da Sociedade Influenciou a Decisão do Governo

Mais cedo naquele ano, o mesmo filme que ajudou o irmão Wachter fora usado de outro modo. Como? Bem, depois de a filial saber que dois novos missionários haviam sido designados para o Suriname, fez-se pedido de vistos, mas foram indeferidos pelo procurador-geral, que era protestante ferrenho. Quando, porém, o procurador-geral saiu de férias, conseguiu-se rapidamente uma entrevista com o ministro da justiça e segurança pública, sendo este muçulmano. Como poderíamos persuadi-lo? Dirk relata:

“Depois de me ouvir, o ministro tirou uma pasta com revistas A Sentinela sublinhadas. Daí, ele leu de uma das revistas que as Testemunhas de Jeová não apóiam os planos de cinco anos deste mundo. ‘O Suriname possui um plano de cinco anos’, disse ele, ‘portanto, não desejamos uma religião que é contra o nosso plano’”.

O superintendente de filial esclareceu o nosso conceito sobre obediência aos governos, e o ministro pareceu satisfeito. O verdadeiro obstáculo para se conseguirem os vistos, porém, era o clero da cristandade. “Visto que o ministro era muçulmano”, continua Dirk, “eu lhe disse que a cristandade não gostava de nós porque não cremos na Trindade. Como os muçulmanos, nós cremos em um só Deus. O ministro achou isso interessante, mostrou-se mais simpático e prometeu ajudar.”

As semanas passaram, mas não se ouviu nada a respeito. Daí, o Dr. Louis Voigt, que mais tarde se tornou Testemunha, propôs: “Visto que o ministro e o substituto do procurador-geral são meus pacientes, eu os convidarei, bem como as esposas, a minha casa. E vocês, missionários, venham também para mostrar o filme da Sociedade. Talvez isso acabe com o preconceito.”

As autoridades governamentais assistiram realmente ao filme da Sociedade e ficaram bem impressionadas. “Duas semanas mais tarde”, conta Dirk, “conseguimos os vistos”. Os missionários Willem “Wim” e Grietje “Gré” van Seijl estavam para chegar.

Uma Acolhida Fria

Em 7 de dezembro de 1955, o procurador-geral, que já estava de volta das férias e muito contrariado, mal podia esperar até que o velho navio cargueiro Cottica atracasse. Daí, quando os passageiros Wim e Gré van Seijl desembarcaram, o procurador-geral os intimou a comparecer na sua presença. “O procurador-geral olhou para nós como se fôssemos criminosos”, relembra Wim. “Ele declarou: ‘Vocês só podem trabalhar em Paramaribo. Se evangelizarem um passo fora da cidade, serão expulsos!’ Daí, entregou-nos um documento que declarava essas restrições, e permitiu-nos sair. Essa foi uma cordial acolhida”, disse com sarcasmo o irmão van Seijl.

Entretanto, os dois missionários revelaram ser um adicional apoio sólido à congregação. Deveras, antes de chegarem ao Suriname, eles já se haviam mostrado fiéis no serviço. Ambos aprenderam a verdade durante a ocupação nazista dos Países Baixos, foram batizados em 1945 e mais tarde ganharam experiência no serviço de circuito.

Com esta ajuda adicional, veio o aumento. Em fevereiro de 1956, a filial escreveu: “Dividimos a congregação em duas.” Em abril: “Conseguimos! Tivemos um aumento de 47 por cento.” E em junho: “Alcançamos 200 publicadores!” A filial concluiu: “As perspectivas são animadoras!”

Nesse ínterim, a família do irmão Simmonite — aumentada com a chegada do bebê Candy — mudou-se no ano seguinte para uma plantação de cocos em Coronie, para trabalhar como pioneiros especiais. Mais tarde, porém, em 1957, devido à saúde precária de Burt, eles tiveram de retornar ao Canadá. Durante os oito anos em que permaneceu no Suriname, ele se empenhara de corpo e alma. Com a bênção de Jeová, Burt teve bom êxito em pastorear a congregação desde sua condição instável de infância, por assim dizer, até a de juventude responsável e digna de confiança. Não foi nada pequena essa consecução! Hoje, a família Simmonite ajuda a promover os interesses do Reino na Guatemala.

Um Ato de Fé da Parte de Uma Irmã Necessitada

Em 1955, depois de uma reunião no danificado Salão do Reino em cima da loja de calçados, Stella Daulat caminhou para casa bastante pensativa. Quando entrou em sua pequena casa cercada de mangueiras e abieiros, já tinha feito uma decisão. ‘Vou oferecer meu terreno à congregação, para que tenha um lugar onde construir um salão melhor.’ Falou sobre o assunto com sua mãe, que também era Testemunha, e ambas decidiram: ‘Vamos dar de graça.’ Visto que Stella não tinha para onde ir, perguntou apenas se a casa podia ser mudada para os fundos do terreno. “Não há problema”, disseram os irmãos. “Nós a mudaremos.”

A propriedade da irmã Daulat — herdada de sua bisavó que a recebera em 1863 ao ser emancipada da escravidão — provia-lhe, porém, mais do que abrigo. Visto que ela vendia as frutas produzidas pelas árvores, isto lhe era também uma pequena fonte de renda. Assim, renunciar à propriedade significava renunciar ao seu meio de vida. “A decisão de Stella”, admira um irmão, “foi um ato de fé”.

Os irmãos aceitaram com gratidão a dádiva, mas não tinham fundos para a construção. Alguns meses mais tarde, porém, não tinham outra escolha senão construir. Por quê? Em dezembro de 1955, quando mais de cem pessoas estavam sentadas no Salão do Reino, o prédio começou a tremer. A estrutura não podia mais suportar tantas pessoas. “Ficamos preocupados”, relembra Wim van Seijl. “Parecia que o chão ia ceder e que todos íamos parar entre os sapatos no pavimento inferior!” No fim da reunião, anunciou-se que os sentados na primeira fileira podiam levantar-se e descer as escadas ao passo que todos os demais deviam permanecer sentados. Depois disso, a fileira seguinte de irmãos saiu, e assim por diante, até que o salão se esvaziou. “Aquele dia”, acrescenta Wim, “fizemos a decisão e dissemos: ‘Com dinheiro ou sem dinheiro, vamos construir outro salão’.”

Um Novo Salão Introduz Uma Nova Era

Willem Telgt, batizado em 1919, supervisionou o projeto. “Não se preocupe em retirar os móveis”, disse ele para Stella. “Mudaremos a sua casa tal como está.” Os transeuntes ficaram observando quando os irmãos ergueram a frágil casa, a colocaram sobre troncos de árvores e a rolaram para os fundos. “Pode minha janela dar para a rua?” perguntou Stella, “assim poderei ter uma vista melhor”. Não há problema. Deram um quarto de volta na casa. Depois, Stella entrou na casa, endireitou os quadros na parede, colocou sua cadeira em frente da janela, e estava pronta para observar a equipe da construção empenhar-se na obra. O que viu ela?

Primeiro, os irmãos desarraigaram as árvores. A seguir, lançaram o alicerce e construíram paredes espessas e firmes de concreto. Daí, acabou o dinheiro. Mas a Sociedade ajudou com empréstimo, e a construção continuou. Com 13.000 florins (7.000 dólares americanos), seis meses depois estava terminado um salão com a capacidade de 200 assentos. Marcou-se a dedicação para 13 de Janeiro de 1957.

Durante a construção, muitos publicadores fizeram a seguinte observação: “Este salão nos servirá até o Armagedom.” Mas, depois da dedicação, já não tinham mais certeza disso, pois 899 pessoas compareceram! A assistência — no salão, nos parapeitos das janelas e do lado de fora — usufruiu um programa de discursos e exibição de slides entremeados com um excelente coro em que todas as Testemunhas participaram. Quando os irmãos felizes voltaram para casa naquela noite, sentiram que começava uma nova era de expansão em Paramaribo.

Um Encantador de Cobras Como Vizinho

Com o tempo, foi preciso mudar o lar missionário para dependências melhores. A casa já não só estava hospedando ratos, mas também cobras. Como se dava isso? Um curandeiro, que praticava demonismo com a ajuda de tapijtslangen (jibóias), residia junto com suas cobras nos fundos do lar missionário. Às vezes, as jibóias de dois metros de comprimento escapavam de dentro de seus cestos e se arrastavam para dentro da garagem das bicicletas. “Quando Gré e Muriel iam pegar suas bicicletas”, relembra Wim van Seijl, “davam de cara com as jibóias que pendiam do teto”. Gré acrescenta: “Aquelas cobras se arrastavam até mesmo escada acima em direção da cozinha.”

Não é de admirar que os missionários não lamentaram quando a filial e o lar missionário foram mudados para a Rua Weide, em Paramaribo.

Despedida e Votos de Boa Viagem

Em 1958, depois de Muriel Simmonite partir, a família de missionários ficou reduzida a quatro membros. Esta dedicada trabalhadora ajudara muitas pessoas a aceitar a verdade. Depois de se casar com o missionário Walter Klinck, que era então superintendente de filial na Libéria, ela suportou muito tratamento duro naquele país por causa da verdade. Por motivos de saúde, ela e o marido tiveram de retornar aos Estados Unidos. Hoje, Muriel acompanha o marido no serviço de circuito ali.

Também, em 1958, desejou-se boa viagem para Max Rijts, de 25 anos de idade, o primeiro pioneiro local a cursar a Escola de Gileade. Max, um irmão prestativo que aprendera a verdade com Burt enquanto este trabalhava como professor em Coronie, cursou a 32.ª turma de Gileade e retornou ao Suriname. Havia serviço a espera dele?

Residentes da Floresta Tropical Imploram Ajuda

Max, recém-chegado de Gileade, recebeu uma designação que exigia muito esforço: Encontrar pessoas interessadas que moravam às margens dos rios na floresta tropical. Algumas semanas depois da primeira viagem de Max, a filial recebeu uma carta procedente de uma aldeia dos negros do mato. ‘Obrigado por me tornarem feliz, enviando o irmão Rijts para me revelar o evangelho’, escreveu um membro de uma tribo. ‘Procuro pregar as boas novas de casa em casa. Desejo aprender mais a respeito, e há muitos outros comigo.’ A mensagem foi viva e clara: “Estamos dispostos, mas necessitamos de ajuda!”

O circuito ajudou, comprando um pequeno barco com um motor de popa de dez cavalos. Uma tripulação de três homens viajou rio Suriname acima. Os irmãos tinham uma missão dupla: Pregar em todas as aldeias e localizar um lugar para designar pioneiros especiais.

Depois de avançarem uns 100 quilômetros interior adentro, os irmãos ficaram surpresos de avistar uma aldeia que não aparecia no mapa. Ficaram sabendo que 800 negros do mato, de todas as partes da floresta tropical, se haviam estabelecido temporariamente ali para trabalhar na construção de uma usina hidrelétrica e uma represa. Os irmãos perceberam que tinham feito uma descoberta de ampla repercussão. Essa aldeia, Suralcokondre, oferecia uma surpreendente oportunidade de pregar a membros de muitas tribos diferentes — Saramaccaners, Aucaners, Matuariers, Alukus, Paramaccaners e Kwintis — todos num só lugar! Certamente, este era o lugar apropriado para o envio de pioneiros especiais.

Dois meses mais tarde, o barco retornou. A quantidade de publicações, sacos de arroz, utensílios de cozinha e redes indicavam que a tripulação, composta de Max Rijts e Frederik Wachter, planejava ficar. E, sem um chefe de aldeia ou clérigo oponente à vista, 20 negros do mato de tribos diferentes logo começaram a estudar a Bíblia com Gado Wortu sma (gente da Palavra de Deus), como os aldeões chamavam os irmãos. Mais tarde, foram organizadas reuniões, e no ano seguinte a congregação de Suralcokondre tornou-se a primeira na floresta tropical.

Depois, ao se completar a represa no fim do ano de 1963, os negros do mato, que estavam em Suralcokondre, retornaram a seus lugares de origem. Contudo, 21 deles levaram consigo algo precioso: o conhecimento exato de Jeová Deus. Assim, a verdade se infiltrou nas diversas aldeias em toda a floresta tropical. “Foi com a orientação de Jeová”, conclui o irmão Rijts, “que descobrimos Suralcokondre”.

“Jeová os Está Trazendo”

A orientação de Jeová se tornou da mesma forma evidente no que ocorreu ao longo de outro rio, o Saramaca. Certa manhã, em fins da década de 60, um negro do mato, semente a Deus, de nome Seedo, remou até à igreja. Anos antes, ele se desviara do animismo fora batizado como morávio e se mudara mais perto dessa igreja, procurando servir melhor a Deus.

Ao se aproximar da igreja naquela manhã, ele ouviu um tumulto. Daí, na frente da igreja, viu mesas cheias de mercadorias. Ele se achava no meio de um bazar da igreja. Lembrando-se do relato bíblico sobre Jesus expulsar do templo os mercadores, ele se perguntava: ‘Como podem, então, ter um mercado aqui?’ Desgostoso, deu meia volta, remou para casa e disse a sua esposa: “Nunca mais retornarei à igreja!”

Contudo, seu desejo de servir a Deus não diminuiu. Portanto, quando um conhecido lhe falou sobre as Testemunhas, ficou logo interessado. ‘Talvez estes sejam os verdadeiros cristãos’, pensou, e decidiu descobrir isso. Em Janeiro de 1961, Seedo, junto com seu amigo, Baya Misdyan, viajou para a capital e entrou no estádio de futebol, no local de um congresso. Muitos viraram a cabeça para olhar.

“‘Negros do mato!’ dissemos impulsivamente quando os vimos”, relembra Natalie Hoyt Stegenga, ex-missionária no Uruguai e agora esposa de Dirk. “Foi uma sensação.” Naquela época, o único irmão negro do mato era Frederik Wachter, e agora, de repente, mais dois que chegavam. A irmã Stegenga diz mais: “Dissemos entre nós, missionários: ‘Jeová os está trazendo. Eles estão vindo!”’ E Seedo e Baya vieram realmente. Ao aprenderem os requisitos de Jeová, legalizaram seu casamento, foram batizados e se tornaram zelosos pregadores ao longo das margens do rio Saramaca.

No ínterim, outros pioneiros também encontraram pessoas interessadas ao longo das margens do rio Maroni, no extremo leste do país. Assim, em princípios da década de 60, havia um ponto de apoio as margens de três rios. Lançara-se assim a base para maior expansão na floresta tropical.

A Primeira Publicação em Sranan Tongo

Muitos dos negros do mato que aceitaram a verdade naqueles anos se recordam de Philie Slagtand. Philie fora zelosa política ativista, mas tornou-se Testemunha de Jeová, e, embora sofresse de filariose, que fez com que ficasse com a perna terrivelmente inchada, ela traduziu pacientemente o folheto “Estas Boas Novas do Reino” para o sranan tongo — a primeira publicação da Sociedade na língua local. Mais tarde, a irmã Slagtand traduziu mais publicações para o sranan tongo. Com o tempo, sua enfermidade a levou à amputação da perna e a voltar para os Países-Baixos. “Contudo, toda vez que eu viajava para os Países-Baixos”, diz um ancião, “os irmãos negros do mato me davam suas cartas para eu as entregar a ela. Não se esqueceram do amoroso trabalho de sua primeira tradutora”.

Milhares Alcançados nas Zonas Rurais

Em princípios da década de 60, foram acrescentados mais instrumentos à pregação do Reino. Na assembléia de 1961, Milton G. Henschel fez o lançamento do livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado em holandês. Oito meses depois, todos os 3.000 exemplares haviam sido colocados.

Naquela mesma semana de congresso, a rádio nacional Apinti entrevistou o irmão Henschel. Depois da entrevista, o irmão Henschel pediu permissão para radiodifusões regulares. O dono da estação de rádio concordou, e desde então, há quase três décadas, o programa semanal de 15 minutos, “Coisas em Que o Povo Pensa”, está no ar, divulgando a verdade bíblica.

Além do uso do rádio para a difusão das boas novas, os irmãos exibiram amplamente os filmes da Sociedade, embora isso representasse um grande empreendimento. “De certa forma, eu prendia com correia na minha motocicleta este projetor Bell & Howell, as caixas de carretéis e um gerador”, relata um pioneiro, “e viajava para as zonas rurais. Os filmes atraíam o povo das aldeias às centenas e os mosquitos aos milhares”. Até 1961, 30.000 pessoas haviam ouvido a mensagem do Reino por intermédio desses filmes. O solo das zonas rurais foi arado e a semente foi lançada, por assim dizer. Daí, era tempo de enviar trabalhadores de novo para regarem a semente da verdade. Mas a quem enviar?

Voluntários Jovens Desbravadores

Prevendo a necessidade de pioneiros que estivessem dispostos a trabalhar em zonas rurais, Dirk Stegenga e Wim van Seijl reuniram uma dúzia de jovens. Jusuf Sleman, que tinha 20 anos naquela época, relembra: “Uma vez por semana, Dirk e Wim consideravam doutrinas bíblicas, objeções que surgiriam no ministério de campo e problemas que enfrentaríamos. Depois desse treinamento, sabíamos o que se esperava de nós. Tínhamos de ir desbravar o caminho.” E lá se foram, a pé, de bicicleta e de canoa para as suas novas designações.

Paul Naarendorp, um irmão capacitado, nos seus 20 e poucos anos naquele tempo, recorda como viajava de motocicleta. “Eu tinha uma cama de campanha entre minhas pernas, bem como minha mala, pasta de campo e outros pertences na garupa. Mas, quando me casei em 1963, minha carga dobrou — tinha então duas camas de campanha, mala maior, duas pastas de campo e, naturalmente, minha esposa!” Contudo, ele acrescenta: “Foram tempos felizes.”

Hille de Vries, que tinha então 23 anos, junto com sua irmã de 19 anos, Loes, foi enviada a uma aldeia ao noroeste do Suriname. “Com nossos 45 florins (25 dólares americanos) de mesada, alugamos uma casa de 15 florins”, relembra Hille. “Não havia água corrente nem eletricidade! Usávamos água estagnada para tomar banho e a água da chuva para beber.”

Loes recorda: “Não tínhamos dinheiro para comprar suficiente querosene, portanto, só acendíamos o lampião durante as reuniões. As outras noites, ficávamos no escuro. Não obstante, trocando publicações com alimento, conseguíamos sempre equilibrar o orçamento. Apesar das dificuldades, éramos felizes.”

“Há Cobras Aqui?”

Visitar publicadores isolados era uma das experiências mais emocionantes desses jovens pioneiros. Sigamos Paul Naarendorp em sua viagem com Richenel Linger, um pescador pobre nos seus 60 e poucos anos, que morava numa choupana perto da costa do Atlântico.

Embora normalmente sozinho, o irmão Linger fazia uma viagem de pregação uma vez por semana. Desta vez, Paul o acompanhou. Começaram às três da madrugada, remando rio acima por três horas até uma aldeia de ameríndios, e pregaram ali o dia inteiro. As sete horas da noite, estavam de volta para casa. Duas horas mais tarde, tomaram a sua primeira refeição quente naquele dia, e quão boa era!

Mas Paul, o rapaz da cidade, estava preocupado. “Há cobras aqui?” perguntou ele. “Bem, algumas”, respondeu calmamente o irmão Linger, “na maioria sakasnekis [cascavéis dos trópicos]”. Paul exclamou assustado: “A mordida dessa cobra é fatal.” “A semana passada havia uma”, continuou o irmão Linger ao passo que apontava para o telhado de colmo bem acima da cabeça de Paul. “Eu estava comendo quando a vi. Eu disse comigo mesmo: ‘Fique quieta e vou ensinar-lhe uma lição.’ Depois de terminar de comer e de lavar a louça, eu a matei com um cutelo. Era desse comprimento”, acrescentou ele, afastando as mãos uma da outra cerca de um metro e vinte centímetros. Paul ficou horrorizado de novo.

O irmão Linger, contudo, não tencionava amedrontar o visitante. Para ele era coisa normal. “Aquela noite”, recorda-se Paul, “eu me encolhi todo, puxei um cobertor sobre minha cabeça e orei por muito tempo a Jeová antes de adormecer”.

Sim, muitos daqueles jovens pioneiros da década de 60 amadureceram por meio de suas experiências e são hoje colunas nas congregações.

Um Entusiasmado Estudante Muda-se Para Nossa Casa

Outro pioneiro daquele tempo, de 19 anos, Cecyl Pinas, trabalhou incansavelmente em Wageningen, uma colônia uns 190 quilômetros ao oeste da capital. Ali, ele conheceu Adolf “Jef” Gefferie, um mecânico de 21 anos, que ouviu a verdade e a aceitou de imediato.

Os estudos bíblicos com Jef duravam três ou quatro horas. Depois de um desses estudos, Cecyl e seu companheiro disseram: “Jef, estamos cansados. Vamos para casa.” Jef disse: “Vou acompanhá-los metade do caminho.” Os pioneiros pararam na metade do caminho, mas Jef continuou a fazer perguntas bíblicas. Os pioneiros prosseguiram com Jef que continuou a acompanhá-los. Em casa, os pioneiros disseram: “Boa noite, Jef.” Mas Jef continuou a fazer perguntas. “Escuta, Jef”, disse Cecyl, “você pode fazer mais perguntas, mas eu vou para a cama. Portanto, se eu não responder, é porque peguei no sono.” ‘É uma boa idéia’, pensou Jef. Ele se deitou no chão, e a palestra continuou até que Cecyl se calou.

No dia seguinte, Jef trouxe seus pertences para a casa dos pioneiros. “Antes de nos apercebermos”, diz Cecyl rindo, “ele se mudara para a nossa casa. Estudávamos em todos os momentos de folga. Em questão de três meses Jef se batizou, e dois anos mais tarde, tornou-se pioneiro especial.”

De Draga a Salão do Reino

O entusiástico Jef, um dos três mecânicos em Wageningen, apontou para uma draga abandonada e propôs: “Vamos comprá-la, consertá-la, vendê-la e usar o dinheiro para fazer um Salão do Reino.” Os donos disseram: “Isso não pode ser consertado. É um montão de ferrugem. Leve-o.”

Depois de arrancarem o mato da altura de um homem, notaram que estava caindo aos pedaços. Então, os irmãos compraram as peças que faltavam e consertaram a draga pedaço por pedaço. Depois de dois anos, chegou o dia para experimentarem a máquina. “Estávamos ansiosos”, relata Jef. “Um irmão deu partida na máquina e ela funcionou! Ficamos contentes. Daí, a draga andou. Mais alegria. Que momento maravilhoso foi aquele!”

A draga foi vendida por 15.000 florins (8.300 dólares americanos). Esse dinheiro, suplementado por um empréstimo, foi usado para construir um Salão do Reino e uma casa para pioneiros. Assim, a verdadeira adoração tinha mais uma base na região rural.

Com o passar dos anos, diversos pioneiros e missionários edificaram sobre esta base. Hoje, Riaan e Martha du Raan, formados em Gileade, procedentes da Namíbia, são trabalhadores apreciados em Wageningen.

Em 1963, o irmão Telgt tinha novamente em suas mãos idosas um projeto de construção, a construção de uma filial e lar missionário na capital. Para familiarizar os irmãos com o novo local, realizou-se uma assembléia no terreno poeirento. Centenas de pés humanos nivelaram o solo em preparação para a construção. Mais tarde, uma centena de voluntários, muitos deles profissionais aposentados, chegaram e terminaram a construção depois de um ano e meio. E um prédio de dois pisos, com espaço para escritório, um Salão do Reino e dormitórios para missionários. Desde agosto de 1964, estas novas dependências em Wichersstraat têm sido o local da filial.

O Livro Paraíso Prepara o Caminho

Uma vez completado o projeto da filial, os irmãos se concentraram na pregação ao longo das margens dos três rios, o Saramaca, o Suriname e o Tapanahoni. Nel Pinas, irmão de Cecyl, e Baya Misdyan viajaram para junto dos negros do mato da tribo dos Aucaners, às margens do distante rio Tapanahoni — uma região onde nenhuma Testemunha havia visitado até então. Contudo, a mensagem do Reino havia sido ouvida ali. O livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado havia preparado o caminho. Como se dera isso?

Em 1959, Nel Pinas explicara as gravuras do livro a Edwina Apason, uma mulher analfabeta da tribo dos Aucaners com quem se encontrara em Albina, uma aldeia no nordeste do Suriname. Edwina gostou muito do que aprendeu, mas, depois de sete meses, ela retornou a Tapanahoni. Perdeu-se o contato com ela.

Oito anos mais tarde, porém, uma semana antes de Nel viajar para Tapanahoni, ele encontrou Edwina na capital. Ela lhe contou que pregara todo aquele tempo entre sua tribo, usando as gravuras do livro Paraíso. Quando ela soube que Nel partiria para Tapanahoni, implorou-lhe que procurasse duas pessoas interessadas, Yabu, um jovem, e Tyoni, uma jovem.

Reação Animadora

Dois dias depois de chegarem a Tapanahoni, os irmãos encontraram Yawsa, a aldeia de Yabu, mas este estava ausente. Na noite seguinte, porém, Yabu procurou os irmãos. Ele lhes contou que havia abandonado o demonismo e queria servir a Deus. Tirou cinco dias de folga de seu emprego e estudou com os irmãos oito horas por dia. Depois daqueles dias, ele desejava servir o verdadeiro Deus, Jeová.

A seguir, os irmãos procuraram Tyoni, uma moça negra do mato, de 20 anos, que já vinha pregando na sua aldeia, em Granbori, mostrando as gravuras do livro Paraíso. Contudo, seu irmão, um curandeiro, havia tirado dela o livro. Tyoni havia chorado e orado: “Por favor, Jeová, dê-me outro livro Paraíso.” Não é de admirar que os dois irmãos se sentissem impelidos a encontrá-la.

Certo dia, Tyoni ouviu dizer que as Testemunhas haviam chegado a uma aldeia vizinha. Ela remou apressadamente para essa aldeia, mas os irmãos já haviam partido. Que decepção! Mais tarde, porém, os irmãos retornaram e estudaram com ela por três dias. Ela contou que quando não tinha nada para comer, os parentes lhe ofereciam caça não-sangrada. Ela sempre recusara. O pai ameaçara bater nela se não abandonasse suas crenças. Contudo, ela disse: “Mesmo que ameacem matar-me, não desistirei.” E isso dito por uma moça analfabeta que aprendera a verdade apenas com as gravuras! Comovidos pela sua fé, os irmãos lhe deram o último exemplar que tinham do livro Paraíso. Ela abraçou o livro. Tomada de alegria, agradeceu a Jeová que a sua oração fora atendida.

Depois de dois meses, os irmãos retornaram a Paramaribo, mais tarde, porém, Nel e sua esposa Gerda mudaram-se para Tapanahoni a fim de trabalharem quais pioneiros especiais, edificando sobre aquele alicerce na floresta tropical.

Mais Ajuda Procedente de Gileade

Pouco tempo depois, chegaram, em 1968, os formados em Gileade, Roger e Gloria Verbrugge, do Canadá, e Rolf e Margret Wiekhorst, da Alemanha, dobrando o número da família dos missionários, de quatro para oito. A personalidade calorosa dos novos missionários, conjugada com o sincero interesse no bem-estar dos outros, logo fez com que eles se tornassem benquistos pelos irmãos locais.

Antes, outro formado em Gileade, Albert Suhr, havia chegado a Paramaribo. Depois de se formar na 20.ª turma, em 1953, Albert trabalhou 13 anos como missionário em Curaçau até que a epilepsia o obrigou a partir e a mudar-se para junto de seus parentes no Suriname. Não levando em conta sua enfermidade, ele reiniciou o serviço de pioneiro até que sua saúde precária exigiu que se mudasse para um lar de idosos. Mas Albert não abandonaria a pregação do Reino. Vamos fazer-lhe uma visita.

De manhã, ele exibe um suprimento das revistas A Sentinela e Despertai! na sala de recreação. Daí, ele escreve o texto diário em letras grandes para um vizinho de 80 anos de idade que tem vista fraca. A seguir, ele entrega revistas aos médicos residentes e aos enfermeiros. No fim do dia, Albert faz estudo pessoal. “Minha saúde fraca impede-me de fazer mais”, diz Albert, agora com 68 anos, “mas servir a Jeová ainda é o desejo de meu coração”. Modestamente, ele omite mencionar, porém, que num mês recente, dedicou 126 horas à pregação. “Trabalhadores inconspícuos como Albert”, diz um missionário, “nos faz lembrar o que significa realmente ter fé”.

A “Assembléia da Água”

Por alguns anos o número de publicadores flutuara em torno de 500 no total. Mas, depois, o número aumentou para mais de 550. Por que o aumento! Um relatório da filial faz a seguinte observação: “A Assembléia Internacional ‘Paz na Terra’ teve um grande efeito na obra.”

Aquele congresso em 1970 é lembrado como sendo “Assembléia da Água”. Na noite de 16 de Janeiro, a chuva caiu como nunca desde 1902, inundando Paramaribo e seu estádio, o local da assembléia. “Naquela manhã, alguns publicadores acordaram e descobriram que suas casas estavam com água até os joelhos”, relembra Gré van Seijl. “Não obstante, logo se dirigiram para a assembléia.” Diz um dos organizadores da assembléia: “Ficamos surpresos de ver mais de 1.200 pessoas entrar com dificuldade em meio a água lamacenta no estádio. Nunca antes tivemos tão grande número de pessoas.”

Oh! Esses Ônibus!

As enchentes ocorriam apenas ocasionalmente, mas ônibus que quebravam eram coisa corriqueira antes e depois das assembléias. Certo domingo, em fins da década de 60, 48 pessoas estavam esperando um ônibus com 30 lugares para as levar de volta a Paramaribo, mas o ônibus não chegava. “Procuramos o motorista”, relembra Rolf Wiekhorts, “e o encontramos no meio de centenas de peças do motor do ônibus espalhadas em volta dele. ‘Há problema com a caixa de câmbio’, disse o motorista, ‘mas vou consertar.’”

Quatro horas depois começou a viagem. Logo, um cheiro de coisa queimada encheu o ônibus. “Só a quarta marcha funciona”, explicou o motorista. Depois da meia-noite o ônibus desceu encosta abaixo até uma pequena balsa, mas como subir a encosta na quarta marcha? “Que cena”, continua Rolf, “jovens, idosos, até mães com bebês no colo, empurravam o ônibus ao ritmo de um cântico do Reino e um motor que roncava. O ônibus aos poucos subiu a encosta. Conseguimos. Às três da madrugada, estávamos em casa.”

Certa vez, a congregação de Nickerie alugou também um ônibus para viajar para uma assembléia. às sete da manhã, o grupo partiu, mas, por volta das dez horas, o ônibus tinha quebrado numa deserta estrada de terra. “Eu volto”, prometeu o motorista, afastando-se. “Nunca mais o vimos”, diz Max Rijts, um dos passageiros. Quando o alimento e a água esgotaram, dois irmãos se puseram a caminhar ao longo de um canal em busca de socorro. Quinze horas mais tarde, voltaram com um barco, e a viagem continuou. Ao meio-dia, chegaram ao local da assembléia, tendo feito uma viagem de 240 quilômetros em 30 horas. “Oh! sim”, acrescenta Max com um riso, “o nome escrito no ônibus era ‘Bem-vindos’!”

Decididos a Permanecer

Visto que Natalie Stegenga estava esperando bebê, o casal Stegenga deixou o lar missionário em setembro de 1970. Dirk Stegenga fora um diligente superintendente de filial por 16 anos. A supervisão do país passou então para o missionário Wim van Seijl.

“Embora estivéssemos decididos a permanecer”, diz Dirk, “era difícil”. Natalie acrescenta: “Encontramos uma casa para morar, mas não tínhamos dinheiro para pagar o aluguel. Não possuíamos nem sequer um pano para lavar o rosto.” Mais tarde, porém, os irmãos os ajudaram, e Dirk encontrou um emprego que o habilitou a cuidar da esposa e da filha, Cheryl. Os Stegengas ainda estão no Suriname, os três trabalhando como ministros de tempo integral.

Migração Que Resulta Numa congregação e Numa Escola

Em princípios da década de 70, milhares de negros do mato migraram para a capital à procura de emprego. “Alguns deles”, relembra Margret Wiekhorst, “mostraram que apreciavam a verdade, pois assistiam às reuniões em língua holandesa em nossa congregação, embora não entendessem o idioma”. Portanto, para ajudá-los, Frederik Wachter apresentava resumos do congresso nas línguas tribais deles. Posteriormente, mais reuniões foram organizadas, e, em junho de 1971, formou-se na capital a primeira congregação dos negros do mato.

Duas irmãs negras do mato, que havia pouco tempo tinham aprendido a ler e a escrever, foram designadas como pioneiras especiais nessa nova congregação, e ajudaram diversas famílias a tomar posição ao lado de Jeová. Esses novos discípulos, por sua vez, queriam aprender a ler. Assim, a congregação estabeleceu uma escola de alfabetização.

A partir de 1975, a brochura Aprenda a Ler e a Escrever, na língua sranan tongo, vem sendo usada para ensinar diversas classes duas vezes por semana. “Os estudantes comparecem fielmente às aulas”, informa Elvira Pinas, uma das oito instrutoras, “porque anseiam ler a Bíblia pessoalmente. Mostram também perseverança. Uma irmã idosa freqüentou as aulas por sete anos, mas agora ela sabe ler.” Hoje, 20 por cento da população é analfabeta, mas, graças à nossa escola, esse índice caiu para apenas 5 por cento entre as Testemunhas batizadas.

Choque de Crenças

A escola de leitura tinha outra vantagem. Em 1974, Edwina Apason (a senhora analfabeta que aprendera a verdade por meio das ilustrações do livro Paraíso) escreveu: ‘Para a minha alegria, sou designada como pioneira especial nas margens do Tapanahoni. Quando saí de lá, eu não sabia ler, mas agora eu sei. Sinto-me mais equipada para ajudar minha tribo.’

Mas, para Edwina retornar às suas raízes, exigiu coragem. Por quê? Os do povo de sua tribo vivem, comem, trabalham e dormem temendo os antepassados mortos, e dão valor aos amuletos como proteção contra espíritos maus. Reverenciam também a natureza, crendo que os rios, as árvores e as pedras estão imbuídos de espíritos vivos. “Qualquer mudança deste modo de viver”, diz Edwina, “causa tumulto”.

Os ensinamentos da Bíblia e as crenças tribais logo entraram em choque quando Edwina estava esperando suas regras mensais. Bem, as pessoas na aldeia acreditam que seu amuleto perde o poder estando perto de uma mulher menstruada e que um espírito mau pode atacar a família inteira com uma doença fatal. Para prevenir isso, todas as mulheres que estão com as regras precisam mudar-se para uma choupana, longe da aldeia. Visto que essa crença se baseia no temor de demônios, Edwina recusou-se a fazer isso, e, conforme ela previra, isto causou tumulto.

Ela foi ameaçada e levou pauladas, mas não se deu por vencida. Mais tarde, algumas das mulheres com as quais ela estudou a Bíblia imitaram a posição corajosa dela, mas foram repudiadas e expulsas de suas choupanas. Edwina as acolheu, e este grupo de mulheres destemidas suportou unicamente a represália da tribo, não desistindo de pregar. Com o tempo, surgiu um inesperado libertador. Quem era esse?

Um Homem Amaldiçoado Obtém a Aprovação de Deus

Algum tempo antes, a irmã Apason pregara a Paitu, um curandeiro nos seus 70 e poucos anos. Era apelidado Amaka (Rede), porque a maldição de um curandeiro rival lhe tirara a saúde e ele estava entrevado na sua rede. Paitu entendeu logo a mensagem da Bíblia e, certo dia, levantou-se de sua rede e juntou seus ídolos, amuletos e poções, deixando os aldeões apreensivos. Daí, entrou na sua canoa e despejou no rio todos esses apetrechos de magia. Depois disso, a sua saúde melhorou, e ele foi defender as pregadores.

Primeiro, Paitu construiu choupanas para as mulheres que haviam perdido as suas por causa de perseguição. A seguir, limpou um terreno para plantação, a fim de que as mulheres tivessem um meio de vida. As mulheres progrediram então rapidamente e foram batizadas. Uma delas, a irmã Dyari, comovida com a ajuda que recebera, exclamou: “Como posso agradecer a Jeová? O único modo é tornando-me pioneira!” E isso ela fez, até o dia de hoje. Em 1975, Paitu foi batizado, e naquele mesmo ano, formou-se uma congregação com 20 publicadores na aldeia de Edwina, em Godo Olo. Que recompensa para tais sustentadores da adoração verdadeira!

Outros Grupos Étnicos se Unem

Até onde, porém, havia penetrado a verdadeira adoração nos segmentos muçulmanos e hindus da população do Suriname? Até princípios da década de 70, apenas poucos se haviam manifestado. Mas em 1974, a filial pôde finalmente relatar que alguns muçulmanos de origem indonésia aceitaram a verdade. Mostraram-se corajosos em fazer isso. Por quê?

“Muitos vivem em famílias bastante tradicionais”, explica Jan e Joan Buis, formados em Gileade, de origem indonésia, que ensinaram a verdade a diversos muçulmanos. “Com freqüência, enfrentam perseguição quando rompem com essas tradições”, acrescenta Jan. “Certa vez, estudei a Bíblia com um jovem muçulmano. Os parentes, porém, deram-me a entender que eu não era bem-vindo, pois varriam furiosamente o chão. Mas, nós estudávamos em meio à nuvem de poeira.” Quando isso falhou, os parentes começaram a brigar iradamente. Ao desconsiderar também isso, esse senhor foi lançado fora, sendo repudiado pela família. Ele se mudou para fora da capital e continuou seu estudo da Bíblia, e tanto ele como a esposa se tornaram Testemunhas.

“Anos mais tarde”, recorda Jan, “os parentes desse irmão observaram que ele era o único entre eles que não tinha problemas conjugais. E, quando ele convidou sua mãe para morar em sua casa, o conceito dos parentes sobre as Testemunhas mudou para melhor.” A coragem deste irmão levou outros muçulmanos a se associar conosco.

Que Dizer dos Hindus?

Os indianos orientais hoje formam o maior grupo étnico do país. Embora sua vida esteja envolvida em cerimônias religiosas, a mensagem do Reino atraiu para a organização de Jeová um crescente número de hindus que apreciam muito a verdade. Shama Kalloe, uma moça nascida numa família hindu perto da cidade de Nickerie, é um exemplo disso.

O pai de Shama, um laborioso agricultor de arroz, que zelava bem de todos os seus 12 filhos, dizia-lhe desde a juventude que fosse fiel ao hinduísmo e se casasse só com alguém que também fosse hindu e indiano oriental. “Toda vez que alguém jovem em nossa região quebrava essas regras”, revela Shama, “papai me repetia com lágrimas o que desejava para mim”. Visto que Shama amava seu pai, estava decidida a não lhe causar desgosto.

Em 1974, Shama, com 19 anos, mudou-se para Paramaribo a fim de fazer curso de didática na faculdade, para o magistério. Ali, na casa de seu irmão, ela encontrou A Sentinela e Despertai!. Os artigos atraíram o interesse dela, mas também suscitaram nela perguntas. “Por isso, implorei a Deus que me fizesse entrar em contato com o pessoal dessas revistas”, continua Shama, “e no dia seguinte um casal de Testemunhas me visitou”.

Os missionários Roger e Gloria Verbrugge começaram a estudar com ela duas vezes por semana. “Não demorou muito”, conta Roger, “e ela passou a freqüentar as reuniões da congregação, bem como começou a participar no ministério de campo. Em setembro de 1976, esta moça zelosa foi batizada”.

Depois da formatura, Shama começou a lecionar em Nickerie e mudou-se para a casa de seus pais. Embora o pai estivesse preocupado com a nova crença de sua filha, ele também se orgulhava da posição dela como professora. Shama, porém, desejava pregar por tempo integral na sua vizinhança composta de hindus. Mas, não queria ferir os sentimentos de seu pai. Ela encontrou uma solução.

Para agradar a seus pais, ela continuou a lecionar na escola, mas fazia o serviço de pioneiro depois das horas de trabalho. Em questão de meses, ela já estava dirigindo 18 estudos bíblicos com hindus, e o entusiasmo dela ajudou muitos a se batizarem. “Ao mesmo tempo”, acrescenta Gloria, “Shama continuava a tratar seus pais com amor e seguia os costumes da família, mas tomava posição firme quando necessário”. Não muito depois disso, seu amor a Jeová foi posto à prova.

‘Casar-se Somente no Senhor’

Shama já estava então beirando 25 anos. Visto que a maioria das moças hindus ali se casam entre os 15 e 19 anos, e mulheres solteiras são raras, os parentes providenciaram que pretendentes visitassem a casa, mas Shama recusou casar-se com qualquer deles. Ela implorou a ajuda de Jeová para suportar a pressão e para casar-se “somente no Senhor”. (1 Cor. 7:39) Para agradar a seus pais, porém, ela procuraria casar-se com um indiano oriental, e fez o voto: “se não existe tal companheiro na organização de Jeová, permanecerei solteira”.

Aos 28 anos, sua fidelidade foi recompensada. Shama conheceu Alfons Koendjbiharie, um ancião de congregação, de origem indiana oriental, que morava nos Países-Baixos. Eles se enamoraram e decidiram casar-se. Visto que os pais dela não conheciam Alfons, um dia Shama leu na Bíblia para sua mãe os requisitos de Jeová para os anciãos cristãos. A mãe ouviu com atenção e daí disse: “Você terá um bom marido.” Mais tarde, depois de um tocante discurso de casamento na casa dos pais de Shama, o pai, profundamente comovido, dirigiu-se a um missionário e disse: “Seu Deus me deu um filho!”

Desde 1984, Shama vem servindo como pioneira nos Países-Baixos, mas o exemplo dela ainda é lembrado no Suriname. Ela ajudou a mudar o curso dos acontecimentos, e desde então, ex-hindus têm afluído para a irmandade.

Uma Idéia Nova

Em agosto de 1974, esta reação favorável entre diferentes partes da população resultara num auge de 831 publicadores. O dobro desse número, porém, assistia às assembléias. Onde realizar assembléias para acomodar tal grupo crescente? Alguns irmãos tiveram uma idéia nova:

‘Construir um Salão do Reino que possa transformar-se em tribuna de um Salão de Assembléias, tribuna esta que aumentaria ao dobro de seu tamanho.’ De que modo? ‘Bem, elevando-se o piso do Salão do Reino cerca de um metro. Daí, colocando-se duas gigantescas portas corrediças numa das paredes laterais do salão. Abrindo-se estas portas durante as assembléias, o salão se torna uma tribuna. Depois, acrescentando-se um enorme telhado na frente desta tribuna para proteger as pessoas contra o sol e a chuva, tem-se assim um adequado Salão de Assembléias para os trópicos.’

Comprou-se um terreno de 40 metros por 200 metros, e começou-se a construção. Um ano mais tarde, em 28 de novembro de 1976, este modesto Salão de Assembléias foi dedicado e tem servido bem aos irmãos no decorrer dos anos.

Noé — Assunto de Conversa nas Margens do Rio

Ao longo das margens do rio Tapanahoni, o aumento em publicadores também levou a um projeto de construção: fazer uma korjaal (canoa escavada) suficientemente grande a fim de transportar a congregação inteira para as assembléias na capital. “Esse projeto foi um desafio”, relata Cecyl Pinas, que superintende a obra no interior. “Uma korjaal desse tamanho nunca antes fora feita. Mas o irmão Paitu disse: ‘Podemos fazer.’”

O irmão Paitu, entendido em construção de korjaal, selecionou uma enorme árvore, e quatro irmãos a derrubaram em um dia. Daí, passaram dois meses escavando a árvore e dando-lhe a forma de uma canoa de 18 metros, a maior que já se fez. Logo, esta canoa das Testemunhas veio a ser assunto de conversa nas margens do rio. Toda vez que passava, as crianças da aldeia vinham correndo e gritavam: “Noa e psa!” (Noé está passando!)

O Primeiro Salão do Reino na Floresta Tropical

Em setembro de 1976, a nova congregação de Godo Olo ganhou outro impulso quando quatro jovens Testemunhas, professores profissionais, fixaram residência junto às margens do Tapanahoni. “Embora fôssemos ali com o fim de lecionar na escola”, explica Hartwich Tjon A San, um dos professores, “mudamo-nos para lá principalmente para trabalhar junto à nova congregação”. E realmente trabalharam! Ensinaram com paciência seus irmãos analfabetos a ler e a escrever, e depois disso ofereceram voluntariamente seus préstimos para o próximo plano de ação da congregação: a construção de um Salão do Reino em Godo Olo.

Antes disso, Alufaisi, o chefe da aldeia, oferecera aos irmãos um terreno onde pudessem construir um salão. Os irmãos não tinham dinheiro, portanto, como podiam realizar isso? Pensaram: “A floresta provê madeira. O rio, areia e pedregulho. E Jeová nos dá a força para juntarmos isso.” Só lhes faltava cimento. A canoa Noé ajudou neste respeito.

Por causa da reputação da canoa Noé de ser segura e conveniente para viagens, os funcionários do governo pagavam uns 4.000 florins (2.200 dólares americanos) por ano para alugar a canoa para os transportar para o litoral. Com esses ganhos comprou-se cimento na capital. Mas, como transportar o cimento até Godo Olo? Novamente, na canoa Noé.

Em Albina, um alto e musculoso negro do mato, também bom timoneiro, de nome Do Amedon, e outros irmãos carregaram 40 sacos de cimento de 50 quilos na korjaal. Depois, governaram a canoa Noé de grande calado rio Maroni acima, rumando em direção do sul, para as sulas (corredeiras), que têm nomes como Manbari (Homens Gritam [ao passarem pela corredeira]) e Pulugudu (Possessões Perdidas [as corredeiras afundaram muitos navios e as pessoas perderam suas possessões]). Conseguiriam passar?

A tripulação ouviu o estrondo da primeira catarata! Adiante deles o rio se lançava sobre um montão de rochas que pareciam uma gigantesca escada, colidia com enormes pedras que bloqueavam o caminho, espremia-se por insidiosos canais e batia contra Noé. O irmão, de pé na proa, procurava atentamente passagens no furioso rio. Daí, ele mergulhou sua longa vara nas águas turbulentas, encurvou-se e impeliu a canoa Noé para dentro de um canal. Ele gesticulou. O motor parou, e Noé atracou abaixo da sula.

Do Amedon equilibrou um saco de cimento sobre a cabeça. Pulando de uma rocha escorregadia para outra, atravessou com dificuldade as corredeiras e depositou o saco num lugar seco. Os outros irmãos o seguiram. Um por um, todos os sacos foram carregados para o outro lado. Depois, os irmãos puxaram cuidadosamente Noé através das águas brancas e carregaram os sacos de novo. Reiniciou-se a viagem até a próxima sula, onde se repetiu a atividade de suspender, pular, puxar e recarregar. Finalmente, 11 dias mais tarde e depois de passarem por sete corredeiras, o cimento chegou a Godo Olo.

No ínterim, outros irmãos haviam cortado árvores, e as irmãs e as crianças haviam transportado 250 barris de areia e pedregulho para o local da construção. Começou a construção, e depois de um ano, em 15 de abril de 1979, foi dedicado o primeiro Salão do Reino na floresta tropical.

E o que aconteceu com Noé? “Em geral, uma canoa dura uns quatro anos”, diz Cecyl Pinas, “mas Noé tem estado em uso já por uns dez anos”. Onde está agora? “Aposentada”, diz sorrindo Cecyl, “embora ainda em uso de vez em quando. Merece outro nome — Metusalém!”

Declínio — Por Quê?

Em fins da década de 70, a atividade de pregação no país sofreu um declínio. Em 1977, houve um decréscimo de 1 por cento; em 1978, um decréscimo de 4 por cento; em 1980, um decréscimo de 7 por cento! Por quê? Migração em massa.

Quando o Suriname se tornou uma nação independente em novembro de 1975, milhares de surinameses emigraram para os Países-Baixos, temendo distúrbios políticos. Outros emigrantes, observa o sociólogo J. Moerland na sua obra Suriname, ‘partiram em busca de emprego, educação ou segurança social, ou para se reunirem a membros de suas famílias’. Naquela época, acrescenta Moerland, ‘a pergunta que se fazia não era: “Vai partir?” e sim: “Quando vai partir?”’ Em 1981, quando parou o êxodo, quase um dentre três habitantes havia deixado o país. Atualmente, 200.000 surinameses vivem nos Países-Baixos — entre os quais há centenas de Testemunhas, que continuam a servir a Jeová no seu novo ambiente.

Novo Impulso Para as Testemunhas

Uma provisão que ajudou a obra a ganhar novo impulso foi a formação de uma Comissão de Filial em 1976. O servo de filial Wim van Seijl tornou-se o coordenador da Comissão de Filial e divide as responsabilidades com os membros da comissão Cecyl e Nel Pinas, bem como Dirk Stegenga. Como em outras partes, este novo arranjo resultou numa direção mais equilibrada de assuntos espirituais.

Para manter o impulso, as congregações em todo o país receberam mais dez missionários que chegaram entre 1974 e 1980. Dois deles, Hans e Susie van Vuure, não eram, porém, novatos. Ambos tinham décadas de experiência. Eram formados da 21.ª e da 16.ª turmas respectivamente e haviam servido como missionários no arquipélago da Indonésia.

Dois meses depois de chegarem ao Suriname, já estavam no serviço de circuito. “Essa designação nos ajudou a conhecer rapidamente o país e os irmãos”, explica Hans, de 60 anos. Susie acrescenta: “Notei quão avidamente as pessoas aceitam a nossa literatura.” Um exemplo disso? “Sim, durante dois anos e meio no serviço de circuito, nós dois colocamos cerca de 4.000 livros e 10.000 revistas. Isso mostra”, diz Susie, “que nos resta a fazer ainda muito serviço de pregação”.

Abre-se Outra “Porta” na Floresta Tropical

O governo havia construído no começo uma estrada de 350 quilômetros para dentro da floresta tropical, no sudeste do Suriname. Essa estrada abriu uma porta de atividade também num território totalmente novo: as aldeias de Apoera e Washabo dos ameríndios, ao longo do rio Corentine.

Em 1977, Pepita Abernathy e Cecilia Keys, Testemunhas procedentes dos Estados Unidos, abriram essa porta quando se reuniram a seus esposos, que eram funcionários de uma firma construtora, para morar num campo de trabalho a 50 quilômetros de Apoera. Mais tarde, foram enviadas duas missionárias para ajudarem as irmãs a contatar os índios Arawaks que moravam ali. Tiveram elas sucesso?

Pepita relata: “Conseguimos dezenas de estudos bíblicos. Mais tarde, eu e Cecilia visitamos os estudantes duas vezes por semana. Nós nos levantávamos às quatro da madrugada, às sete já dirigíamos o primeiro estudo bíblico e, por volta das cinco da tarde, estávamos de volta a casa.” Durante dois anos, estas irmãs ensinaram zelosamente os ameríndios que falavam inglês, mas depois tiveram de deixar o país. Quem continuaria então o serviço delas?

Reação do Clero

Em setembro de 1980, os missionários Herman e Kay van Selm dirigiram seu velho Land-Rover selva adentro, foram para Apoera e permaneceram ali durante os cinco anos que se seguiram. “Herdamos 30 estudos bíblicos e conseguimos mais”, relembra Kay. Eles foram juntados em três grupos de estudo de livro. Os discursos públicos atraíam 60 aldeões, e no ano seguinte 169 assistiram à Comemoração. Em pouco tempo, seis pessoas estavam preparadas para fazer o serviço de campo e escreveram cartas pedindo que fossem desligadas de suas igrejas.

Qual foi a reação do clero? “Como ousam?” berrou o sacerdote, amassando as cartas. “Até me citam textos bíblicos!” Ele declarou guerra. Os estudantes da Bíblia foram ameaçados de perder emprego e suas casas, e foi-lhes dito que tivessem sua própria escola, clínica e cemitério. A oposição fez diminuir o número de estudos. Houve declínio na assistência às reuniões. Numa reunião, uma só pessoa compareceu, mas só para pedir uma caixa vazia. “Ficamos tristes”, diz Kay. “Mas continuamos a encorajar e a pregar. Para a nossa grande alegria, um núcleo permaneceu firme, foi batizado e formou-se a congregação de Apoera.”

“Quando nos Visitarão?”

Em 1982, alguns ameríndios, de Orealla, uma aldeia na Guiana, remaram cerca de oito horas rio Corentine acima e perguntaram aos missionários: “Quando nos visitarão? Desejamos estudar a Bíblia.” Quando o grupo de Apoera já podia cuidar de si próprio, os missionários faziam viagens mensais para Orealla e ficaram sabendo que alguns aldeões já vinham esperando por muito tempo a visita das Testemunhas. “Certa manhã”, conta Herman, “encontrei um caçador idoso que disse que costumava ler Consolação, mas depois perdera contato com a Sociedade. Então, apontando para seu rádio, ele disse: ‘Ouvi a respeito de sua estação de rádio em Nova Iorque, mas, sabe, não consigo captar no meu rádio.’ Quando eu lhe disse que a WBBR cessou a radiodifusão na década de 50, ele acenou a cabeça em descrença. Daí, riu e disse que já era tempo de se pôr em dia, e aceitou um estudo bíblico.”

Era recompensador observar como o estudo da Bíblia em Orealla ajudou beberrões inveterados a se tornarem pais zelosos. Depois de se mostrar a um senhor de 50 anos como dirigir um estudo bíblico familiar, ele tentou fazer isso, embora de modo um pouco desajeitado. “Leia!” ordenava ele. Daí, fazia uma pergunta. Silêncio. “Fale agora! Não fique acanhado.” A essa altura, os olhos de seus filhos ficavam cheios de lágrimas. Com o tempo, porém, o método de estudo melhorou. Mais tarde, as crianças eram vistas correndo para casa. Por que essa pressa? “Estudo bíblico familiar!” diziam sorrindo.

Algum tempo depois disso, os irmãos receberam um terreno em Orealla, e Jethro Rübenhagen, formado em Gileade, (que serve agora em Apoera) ajudou os irmãos locais a construir seu próprio Salão do Reino — um sinal de que mais um grupo nacional, os ameríndios, haviam começado a aprender a unificadora “língua pura”. — Sof. 3:9.

Aumento Entre a População de Língua Inglesa

Na década de 1970, um crescente número de trabalhadores de língua inglesa, contratados da Guiana, estabeleceu-se em Nickerie. De modo que foram enviados dois missionários para iniciarem reuniões em inglês. Esses trabalhadores contratados reagiram favoravelmente. Hoje, há uma congregação de 30 publicadores.

Alguns desses novos publicadores vinham buscando a verdade por muitos anos. Por exemplo, Indradevi, de doze anos de idade, recebera de um vizinho na Guiana o livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado. Ela o prezava muito. Mais tarde, ela se casou e se mudou para Klein Henar, um pôlder de arroz perto de Nickerie. Em 1982, Hans van Vuure a encontrou. “Entre seus poucos pertences”, conta Hans, “vi um livro Paraíso desgastado. Indradevi disse que desde que recebera o livro em 1962, sempre o carregara consigo. Desejava muito aprender mais sobre Jeová. Depois de 20 anos, seu desejo se realizou!” Ela estudou, retirou suas imagens de deuses hindus e foi batizada.

Houve reação similar entre os guianeses de Paramaribo. Formou-se ali um pequeno grupo em 1980. Havia 20 publicadores em 1982, e, quatro anos mais tarde, esse número aumentou para 90, e a assistência às reuniões hoje revela perspectivas de mais aumento.

“Mais de 150 pessoas assistem às reuniões, embora para algumas delas isso requeira sacrifícios”, diz o missionário Paul van de Reep, da congregação de língua inglesa. Por exemplo, uma família de pouca renda sai de casa às oito da manhã, caminha uma boa distância, espera mais de uma hora para pegar um ônibus, e daí assiste à reunião. Lá pelas duas horas da tarde eles estão de volta em casa. “Semanalmente”, acrescenta Paul, “gastam o salário de um dia de trabalho para o ônibus a fim de assistirem às reuniões”.

Atualmente, cerca de 150 Testemunhas de língua inglesa compõem um dos três grupos lingüísticos que unicamente adoram a Jeová em Paramaribo.

Chocados com a Realidade

Em 25 de fevereiro de 1980, os habitantes de Paramaribo acordaram atordoados com o som de fogo de artilharia. Um grupo de militares derrubara o governo. Este primeiro golpe de estado abalou muitos surinameses pacatos. Visto que o país nunca sofrera guerra, pestilência nem furacões, o povo com freqüência dizia: “O Suriname é uma terra abençoada por Deus.” Mas, desde 1980, com o agravamento da crise econômica, muitos admitem agora que as profecias bíblicas estão tendo cumprimento bem perto deles.

As agitações políticas em 1982 causaram a suspensão da ajuda externa, aleijando a economia do país. Os preços dos gêneros alimentícios subiram vertiginosamente, o que causou pobreza. “Desde então”, relata um ancião em Paramaribo, “muitos de nossos irmãos negros do mato sofrem dificuldades em matéria de abrigo, roupa e alimentação para seus dez ou mais filhos, recebendo salários equivalentes a apenas 200 dólares americanos mensalmente”.

Contudo, a crise econômica não diminuiu a atividade dos irmãos. Ao contrário, numa congregação materialmente empobrecida, 106 dentre os 111 publicadores serviram recentemente como pioneiros auxiliares! E em toda a nação o número de publicadores subiu para mais de 1.200 em 1986.

A colocação de publicações continuou também a aumentar. Pergunte a Leo Tuart. Por 46 anos, ele vem transportando publicações do cais para a filial. “Anos atrás”, relembra o irmão Tuart, “recebíamos uma dúzia de caixas de livros por mês. Eu alugava uma carroça por 75 centavos e levava todas as caixas à filial. Mas agora”, diz ele radiante, “recebemos cem caixas a cada duas semanas, e preciso alugar um caminhão para fazer a entrega”. Atualmente, todos os meses, mais de 32.000 revistas A Sentinela e Despertai! são colocadas no Suriname — uma revista para cada 13 habitantes!

Mas outros, além de Leo Tuart, observaram a crescente atividade. Recentemente, um clérigo visitou a filial e disse a um missionário que ele vem instando com seu rebanho para que tenham o mesmo zelo das Testemunhas de Jeová. “Mas sem resultado”, lamentou o clérigo, perguntando: “Qual é o segredo de vocês?” O irmão respondeu: “Espírito santo.”

No Meio da Luta Renhida

Em meados de 1986, houve guerrilhas. Alguns meses depois, com a luta entre as tropas e os chamados comandos da selva (a maioria negros do mato) centralizada perto de Albina, uma aldeia junto ao rio Maroni, os irmãos negros do mato que moravam no sudeste do Suriname tinham de decidir se iriam ao congresso em Paramaribo ou não. “Sabiam que para ir tinham de viajar no meio da luta renhida”, explica Cecyl, “mas não queriam perder o congresso e assim decidiram ir”. Dez dias antes do congresso, 60 irmãos, irmãs e crianças viajaram de canoa rio abaixo em direção da área de combate. Na sexta-feira, chegaram a Albina, amarraram suas redes no Salão do Reino e dormiram ali.

Antes de amanhecer, ressoava nas ruas de Albina o estrondo do fogo de artilharia. Os comandos da selva passaram impetuosamente pela aldeia, as tropas revidaram, e as balas ricocheteavam por cima do telhado do salão. As Testemunhas se ajuntaram em busca de abrigo e permaneceram deitadas no chão o resto do dia.

Naquela noite, um deles conseguiu telefonar para a filial. “Venham buscar-nos”, implorou ele. No domingo à tarde, três anciãos estavam a caminho. Lá pelas 11 horas da noite, chegaram até os irmãos que estavam em dificuldades.

Os anciãos queriam retornar no dia seguinte, mas os irmãos negros do mato instaram: “Vamos embora agora. O tiroteio pode recomeçar.” Os anciãos oraram pedindo a orientação de Jeová e depois da meia-noite, três carros superlotados foram vagarosamente à capital.

“A estrada estava deserta”, relembra Paul Naarendorp, um dos motoristas. “Ao nos aproximarmos de um ponto de inspeção militar, meu coração começou a bater mais rápido. Imagine, o exército estava combatendo os comandos da selva, e agora surgia na frente deles um comboio que carregava 60 negros do mato, muitos dos quais eram homens jovens e fortes.” Seriam eles confundidos com comandos da selva?

Por de trás de uma coluna, um soldado fez sinal para pararmos. “Deparamos diretamente diante de um cano de tanque de guerra”, continua a dizer Paul, “e fomos cercados de soldados fortemente armados. Um movimento impensado podia fazer disparar o gatilho da arma de fogo. Entretanto, depois de explicarmos que éramos Testemunhas, os soldados inspecionaram os carros e nos deixaram ir.”

Quando os irmãos chegaram a Paramaribo, ouviram que começara novamente a luta em Albina. Eles haviam partido a tempo.

Mas, Depois, a Volta

Depois do congresso, os irmãos ficaram sabendo que o exército havia fechado a única estrada de acesso a Albina. Portanto, os irmãos negros do mato estavam novamente encurralados. Esperaram duas semanas, mas, depois, estavam com tantas saudades da floresta tropical que imploraram: “Levem-nos até o rio. De lá nós chegaremos ao nosso lar.”

Organizaram um plano e oraram pedindo a direção de Jeová. Primeiro, os dez timoneiros e alguns anciãos de Paramaribo tentariam chegar até Albina. “Não sei explicar por que, mas apesar de os militares nos verem”, relata um ancião, “não nos fizeram retornar”. Quando os irmãos negros do mato viram finalmente o rio Maroni, pularam de alegria.

No dia seguinte, as irmãs e as crianças partiram e se lhes permitiu também passar no ponto de inspeção, ao passo que outros foram barrados. No rio, os timoneiros estavam à espera com os barcos. Que reunião alegre!

Planejou-se mais uma viagem. Dois caminhões foram carregados com 96 sacos de arroz, 16 barris de gasolina, 7 barris de querosene e gêneros alimentícios, e novamente os irmãos foram de caminhão até o ponto de inspeção. Embora estes suprimentos fossem levados de caminhão para o território ocupado pelos comandos da selva, e não se permitisse a entrada de nenhuma mercadoria ali, os guardas deixaram os caminhões passar. “Um milagre”, diz um irmão. “A mão de Jeová estava evidente.”

Uma semana mais tarde, os 60 irmãos e todos os suprimentos chegaram ao destino. Eles gastaram cinco semanas para assistir a um congresso de três dias. Algumas semanas mais tarde, o exército cortou todo suprimento para o interior, e houve grande escassez de alimentos. Mas os irmãos que haviam assistido ao congresso tinham alimento para vários meses à frente e gasolina para as viagens de pregação. “Fazendo um retrocesso”, diz Cecyl, “percebo como Jeová nos dirigiu para fazermos a decisão certa no momento certo”.

Corriam Para Salvar a Vida

No ano seguinte, a luta deslocou-se para Moengo, um povoado de mineração ao leste de Paramaribo. Tropas do exército foram para lá, mas encontraram resistência feroz. Balas cruzavam o ar no povoado, casas explodiam em chamas e as pessoas corriam para salvar a vida.

A maioria dos irmãos ali se introduziu furtivamente na floresta tropical e correu para a segurança. Alguns chegaram a Paramaribo, ao passo que outros remaram em direção ao rio Maroni, fronteira da Guiana Francesa. Atravessaram o rio de 5 quilômetros de largura e entraram na Guiana Francesa. Cerca de 50 Testemunhas atravessaram essa fronteira e salvaram a sua vida.

As Testemunhas da Guiana Francesa providenciaram imediatamente alimento, roupa, lençóis, cobertores e remédios para eles. A filial da Martinica também despachou ajuda, e proveram-se fundos especiais para ajudar os refugiados. “As autoridades nos campos de refugiados ficaram intrigadas com a rapidez com que a nossa organização enviou socorro”, diz Cecyl Pinas. “Disseram: ‘Vocês não falam, agem.’”

O Timoneiro e Pastor

Naqueles anos turbulentos, Do Amedon, o timoneiro que governara a canoa Noé através das corredeiras, revelou ser um pastor capacitado. Do, um negro do mato, da tribo dos Aucaners, que deixara Paramaribo em 1974 para trabalhar como pioneiro especial na sua tribo, tem interesse nas pessoas, entende seus problemas e é um organizador capacitado. Com efeito, o conselho baseado na Bíblia, que ele dá, é tão apreciado que o povo de sua tribo o chama de “Pappie” (paizinho), embora ele tenha agora apenas 40 anos.

Primeiro, Do ajudou os irmãos ao longo do rio Tapanahoni. Depois, em meados da década de 80, ele e outros pioneiros se mudaram para as margens do rio Maroni. A aceitação foi surpreendente, mas os negros do mato ali estavam tão espalhados que era impossível alcançar a todos. Todavia, em 1985, o problema foi solucionado. De que modo?

Naquele ano, o Corpo Governante aprovou um aumento de reembolso para gasolina para os pioneiros especiais na floresta tropical. Com combustível a mais para os motores do barco, os pioneiros levavam então suas canoas de uma colônia para outra e encontravam pessoas interessadas. Em 1985, formou-se uma nova congregação de cerca de 30 publicadores na aldeia de Gakaba. Alguns meses mais tarde, esse número aumentou para 50, e cerca de 20 desses publicadores começaram o serviço de pioneiro. Não demorou muito e Do Amedon estava carregando novamente sacos de cimento através das corredeiras. Um segundo Salão do Reino surgiu na floresta tropical!

Um Aumento Dez Vezes Maior

“Um grupo de irmãos jovens completou um salão com 200 assentos numa pitoresca ilha do rio Maroni”, relata o coordenador da Comissão de Filial Wim van Seijl, que visitou recentemente essa área. “A seguir, ofereceram-se voluntariamente para navegar até Lawa, um rio em cujas margens nunca antes havíamos pregado. Ali, entre os negros do mato, da tribo dos Alukus, a verdade está sendo também difundida”.

Não obstante a guerra civil, a mensagem do Reino se infiltrou mais profundamente na floresta tropical. Os 20 irmãos negros do mato que trabalharam ao longo do rio Tapanahoni dez anos atrás aumentaram para 200 publicadores hoje, organizados em quatro congregações ao longo dos rios ao leste do Suriname. Um aumento dez vezes maior!

Tornou-se evidente um aumento similar em outras partes do país também. Muitas congregações relataram assistência às reuniões com o dobro do número de publicadores, tornando os Salões do Reino pequenos demais para acomodarem a multidão. Assim, em princípios de 1987, o Corpo Governante deu permissão à filial para a construção de um grande Salão de Assembléias, de 34 metros por 60 metros, e de quatro Salões do Reino. Foi uma decisão oportuna.

“Logo depois de comprarmos cimento”, conta Henk Panman, o então administrador do Salão de Assembléias, “esgotou o cimento no país. As construções pararam, mas nós trabalhamos até o fim.” Mais tarde, a filial dos Países-Baixos nos ajudou, enviando quatro carregamentos de material de construção. A equipe de construção e centenas de voluntários trabalharam um ano e meio, e completaram quatro lindos locais novos de reunião.

Falando de construção, lembra-se de Stella Daulat que doou sua propriedade em 1955? Depois de mudarem a sua casa, ela morou ali bem contente. Recentemente, porém, a congregação a surpreendeu ao anunciar numa reunião: “Vamos construir uma casa nova para a irmã Daulat.” Ao lado de sua velha casa, os irmãos construíram uma nova e espaçosa casa de tijolos e a presentearam a Stella que está com 78 anos de idade. Stella com os olhos cheios de lágrimas diz: “Que presente de Jeová!”

Jeová não se Esquecerá do Trabalho Deles

Como Stella, centenas de pessoas no Suriname receberam bênçãos de Jeová. Infelizmente, a falta de espaço não permite mencionar todos os fiéis, mas sua perseverança dia após dia no serviço de Jeová não é despercebida por Jeová, que não se ‘esquecerá da obra e do amor que mostraram ao seu nome’. — Heb. 6:10

Nas últimas quatro décadas, 41 missionários trabalharam ombro a ombro com os irmãos locais, e muitos são lembrados pelo seu zelo. Hoje, os 18 formados em Gileade que permanecem ainda são valiosos trabalhadores nas congregações em todo o país.

Agradecemos a Jeová que suscitou 1.446 publicadores (dois terços dos quais falam holandês, um terço, sranan tongo e os demais, inglês), todos os quais dominam também a língua pura da verdade. Contudo, o ajuntamento não terminou, pois 4.443 pessoas assistiram à Comemoração em 1989 — mais do que três vezes o número de publicadores!

Esta afluência de Testemunhas requer outro projeto de construção — uma nova filial. Portanto, já foram feitos planos para a compra de três hectares de terra num subúrbio de Paramaribo. Com essas novas dependências da filial, ela estará melhor equipada para cuidar de todos os que aceitam o convite que ressoa cada vez mais alto: “‘Vem!’ E quem tem sede venha; quem quiser tome de graça a água da vida.” Que Deus continue a abençoar nossos esforços ao passo que mundialmente obedecemos a ordem divina: “Tenhamos boa coragem e digamos: Jeová é o meu ajudador.’” — Rev. 22:17; Heb. 13:6.

[Nota(s) de rodapé]

O artigo dos correspondentes, Life in the Surinam Bush (A Vida no Sertão do Suriname), apareceu na Despertai! (em inglês) de 8 de fevereiro de 1956.

[Foto na página 194]

Alfred Buitenman serviu fielmente a Jeová por mais de 60 anos.

[Foto na página 197]

Lien Buitenman e James Brown lembram-se vividamente de terem visto o “Fotodrama da Criação” por volta de 1920.

[Foto na página 199]

Willem Telgt, batizado em 1919, tornou-se mais tarde o construtor de Salões do Reino no país.

[Foto na página 207]

Vovó de Vries cuidou de seus “meninos” missionários.

[Foto na página 215]

Frederik Wachter foi o primeiro negro do mato a se tornar Testemunha.

[Foto na página 218]

Stella Daulat doou seu terreno para a construção do primeiro Salão do Reino na capital.

[Foto na página 230]

Albert Suhr, formado da 20.ª turma de Gileade, dá testemunho num lar de idosos.

[Foto na página 241]

Membros da Comissão de Filial: C. Pinas, W. van Seijl, N. Pinas e D. Stegenga.

[Foto na página 246]

Leo Tuart é Testemunha há quase meio século.

[Foto na página 251]

A atual filial na Wichersstraat, 8-10.

[Mapa/Quadro na página 192]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

Mar do Caribe

Rio Corentine

GUIANA

SURINAME

Nieuw Nickerie

Paramaribo

Wageningen

Meerzorg

Moengo

Onverdacht

Paranam

Albina

Orealla

Rio Saramaca

Rio Maroni

Granbori

Rio Tapanahoni

BRASIL

GUIANA FRANCESA

[Quadro]

Capital: Paramaribo

Idioma Oficial: Holandês

Religião principal: Hinduísmo

População: 400.000

Filial: Paramaribo

[Tabela na página 252]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

Suriname

Auge de Publicadores

2.000

1.446

810

561

361

67

1950 1960 1970 1980 1989

Média de Pioneiros

400

236

63

54

41

10

1950 1960 1970 1980 1989

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