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  • Coréia
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1988
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  • TERRA DIVIDIDA
  • INTERESSE PELO ORIENTE
  • PRIMEIRO COREANO DEDICADO
  • MAIS AJUDA DO EXTERIOR
  • PRIMEIRA IMPRESSORA
  • SOB NOVA DIREÇÃO
  • ATIVIDADE DE COLPORTORES
  • BATIDAS POLICIAIS
  • A OBRA PROSSEGUE
  • FAMÍLIA INFLUENTE FOGE DE “BABILÔNIA”
  • AVISO OPORTUNO
  • PRIMEIROS A MANTER-SE ÍNTEGROS
  • FIÉIS ATÉ À MORTE
  • DEPOIS DA II GUERRA MUNDIAL, A DESILUSÃO
  • “AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ESTÃO VIVAS DE NOVO”
  • “BEM-VINDO, ENVIADO DE ESPERANÇA DA TORRE DE VIGIA”
  • COMEÇA O MINISTÉRIO ORGANIZADO
  • REUNIÕES ORGANIZADAS ESTIMULAM OS IRMÃOS
  • CHEGAM OUTROS MISSIONÁRIOS
  • A GUERRA DA CORÉIA
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  • ESTABELECIDA A FILIAL
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  • GILEADE ENVIA MAIS AJUDA
  • LAR MISSIONÁRIO DE PUSÃ
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  • UMA MÃO NA RODA PARA A EDUCAÇÃO BÍBLICA
  • FAMÍLIA DE ZELOSOS TRABALHADORES
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  • ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL DA VONTADE DIVINA, DE 1958
  • EXPANSÃO NA ATIVIDADE DE CIRCUITO
  • ESCAPAR POR UM FIO DE TUMULTOS
  • RESTRIÇÕES TEMPORÁRIAS
  • ASSEMBLÉIAS “BOAS NOVAS ETERNAS”
  • PRIMEIRA AMPLIAÇÃO DA FILIAL
  • BROCHURAS PARA O CAMPO
  • UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA
  • O MAIOR DE TODOS
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  • O CAMINHO DE VOLTA; LONGO, MAS SEGURO
  • PRIMEIRO SALÃO DE ASSEMBLÉIAS NO ORIENTE
  • AJUSTES NA PUBLICAÇÃO DE REVISTAS
  • PROIBIDOS OS MISSIONÁRIOS
  • GIGANTESCO PROJETO
  • RODA UMA ROTATIVA DE ALTA VELOCIDADE
  • OLHAR À FRENTE
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1988
yb88 pp. 136-197

Coréia

A CORÉIA, vista de um satélite situado a muitos quilômetros de altitude, é uma pitoresca península do nordeste da Ásia. Localiza-se logo a oeste do arquipélago do Japão, e faz fronteira, ao norte, com a China e a União Soviética. Mais de 3.000 ilhas pontilham seu mar, ao longo de sua costa sul e ocidental, embora umas 2.600 não sejam habitadas. Qual o tamanho da Coréia? É quase tão grande quanto a Grã-Bretanha.

Vista mais de perto, a Coréia revela-se uma das áreas mais colinosas do mundo, deixando apenas cerca de 20 por cento da terra apropriada para a lavoura, o arroz sendo o cultivo básico. Há planícies que se estendem pelas costas oeste, nordeste e sul. As monções assolam o país, primeiro em uma direção, e depois na outra, resultando em invernos frios e secos, e em verões quentes e úmidos.

Uma espiada de frente revela que a maioria dos coreanos possuem características físicas iguais a outros asiáticos — rosto largo, lisos cabelos negros, pele azeitonada, e olhos negros. No entanto, distinguem-se por sua cultura, língua, vestimenta e culinária, e afirmam ter mais de 4.000 anos de História humana. Sua língua, que pertence à família altaica, é falada hoje em dia por mais de 60 milhões de pessoas.

TERRA DIVIDIDA

Devido à localização estratégica da Coréia, algumas nações mais poderosas, tais como a China e o Japão, há muito exercem forte influência sobre seu povo. Como defesa, o povo coreano isolou-se, tornando-se, como tem sido chamado, o reino eremita. Em 1910, o Japão impôs à Coréia uma regência colonial que durou até o fim da II Guerra Mundial, época em que a península foi dividida no paralelo 38, entre as forças militares dos Estados Unidos, ao sul, e as da União Soviética, ao norte. Em 1948, por uma resolução das Nações Unidas, formou-se, ao sul, a República da Coréia (Coréia do Sul). No mesmo ano, formou-se, ao norte, a República Democrática Popular da Coréia (Coréia do Norte). Ambos os governos afirmam representar toda a Coréia.

Em 25 de junho de 1950, com a invasão do sul pelo norte, iniciou-se a Guerra da Coréia, que durou três anos. Esta resultou em uma terra dividida de forma mais permanente, separada por uma zona desmilitarizada que vai do leste ao oeste a apenas uns 55 quilômetros ao norte da cidade de Seul. O governo do norte não concede nenhum espaço para a religião, e, assim sendo, coíbe a atividade das Testemunhas de Jeová.

INTERESSE PELO ORIENTE

Charles Taze Russell, primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), qual presidente da comissão de sete da IBSA (sigla, em inglês, da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia), visitou o Oriente pela primeira vez no início de 1912, “para ver as condições dos pagãos”, relatou A Torre de Vigia (em inglês), de 15 de dezembro de 1912. “Como resultado dessa averiguação, decidiu-se que as condições do paganismo permitiam que se gastasse parte dos fundos da Sociedade na proclamação do Evangelho do Reino ali”, prosseguia o relato. “Assim sendo, imprimiram-se publicações em seis das línguas principais”, inclusive em coreano.

O irmão Robert R. Hollister, que estava de acordo com as averiguações dessa comissão, representava a Associação no Oriente, inclusive na Coréia. Fez arranjos para a tradução e impressão em coreano do livro O Plano Divino das Eras. Foi impresso em Iocoama, no Japão, indicando como data de impressão 18 de março de 1914, tendo como editora a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, e R. R. Hollister como seu representante. O irmão e a irmã W. J. Hollister também passaram considerável tempo semeando as sementes da verdade do Reino na Coréia.

PRIMEIRO COREANO DEDICADO

A Torre de Vigia de 15 de agosto de 1914 (em inglês) publicou uma fascinante carta dirigida ao irmão Russell, que declarava: “Sou um estranho para o irmão, em certo sentido; mas obtive conhecimento da Verdade Presente através de seus escritos há apenas vinte e dois meses. Já por algum tempo, estou ansioso de escrever ao irmão e de lhe falar de meu apreço especial pela Verdade, mas as circunstâncias não me permitiram fazê-lo, senão agora.

“O irmão estará interessado em saber que sou coreano. Quando os primeiros missionários aqui chegaram (em 1885), a Coréia era um reino eremita. Desde então, alguns coreanos identificaram-se com o cristianismo.

“Por cerca de oito anos, fiquei à deriva em perigosas correntes do que agora vejo ser espiritismo — um ensino satânico. Atualmente agradeço a Deus por Ele ter enviado para cá o nosso amado irmão R. R. Hollister com as Boas Novas, e me salvado destas correntes que me conduziam a um lugar desconhecido.

“Quase perdi a razão; foram necessários uns seis meses para se me abrirem os olhos e ouvidos do entendimento. Desde então, eu já me consagrei ao Senhor, e continuo a louvá-Lo.” — Assinado, P. S. Kang.

Quem era P. S. Kang, e como foi que ele aprendeu a verdade?

Perante a assistência do congresso da IBSA em São Francisco, Califórnia, EUA, em 1915, o irmão R. R. Hollister relatou como foi que encontrou o Sr. Kang. “Na Coréia, o Senhor me levou a Kang Pom-shik,a que inicialmente foi utilizado, numa base simplesmente comercial, para fazer algumas traduções”, disse Hollister. “Logo depois, começou a ter profundo interesse pessoal nos artigos em que trabalhava, e, depois de passar alguns meses em nosso escritório, professou ter feito sua plena consagração [dedicação] ao Senhor. Desde então, tem sido muito utilizado para traduzir, interpretar, liderar a classe, e dirigir a filial coreana. Confiantemente aguardo o prazer de apresentá-lo aos irmãos na Assembléia Geral, como delegado da ‘Nação Eremita’.”

MAIS AJUDA DO EXTERIOR

Em 1915, a irmã Fanny L. Mackenzie, colportora (pregadora de tempo integral) originária da Grã-Bretanha, começou a fazer visitas periódicas à Coréia, assumindo suas próprias despesas de viagem. Ela utilizava uma carta com timbre da IBSA para dar testemunho. Como? Por imprimir uma mensagem a respeito do Reino, em inglês, no anverso da carta, e, no reverso, uma tradução dela em chinês, que podia ser entendido pela maioria das pessoas no Oriente.

A carta oferecia deixar, a título de experiência, o livro O Plano Divino das Eras. Os registros da filial mostram que ela colocou 281 livros. Além da sua diligência nesta obra de distribuir publicações, ela também pagou ao irmão Kang o equivalente a US$ 15, para as despesas pessoais dele. Em 1949, aos 91 anos, ela entregou tais registros a Don Steele, atual coordenador da Comissão de Filial, antes de ele vir para a Coréia.

PRIMEIRA IMPRESSORA

O irmão Kang, o secretário encarregado da obra na Coréia, e os que trabalhavam com ele, continuaram a disseminar a mensagem, mas sua aceitação foi lenta. Todavia, em 1921, eles realizaram “peregrinações” de discursos públicos por todo o país, e o opúsculo Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão foi editado e distribuído no idioma local. A Coréia entrou então para a lista de 18 sucursais da Sociedade, fora dos Estados Unidos.

Havia muitos problemas devido a que a impressão da mensagem em coreano era feita no exterior. Por conseguinte, em 1922, o irmão Rutherford enviou US$ 2.000 ao irmão Kang, a fim de este montar uma pequena gráfica, com sete prensas, no máximo. As prensas produziam publicações em coreano, chinês e japonês. Ainda assim, não houve grande aumento naqueles anos.

SOB NOVA DIREÇÃO

A Sociedade estabeleceu uma filial no Japão, no outono setentrional de 1926, e designou Junzo Akashi, nipo-americano, como seu representante no Japão, na China e na Coréia. No ínterim, o irmão Kang, que até então era o encarregado da obra na Coréia, estava utilizando a gráfica da Sociedade em proveito próprio, imprimindo livros do mundo. Ele teve até mesmo a audácia de vender a gráfica sem permissão. O irmão Park Min-joon o substituiu em 1927.

O irmão Park, um colportor, era um irmão fiel que tinha feito longas jornadas a pé, subindo e descendo através da península, a fim de realizar reuniões públicas e colocar publicações. Tinha enfrentado especial oposição da parte de missionários protestantes, mas ele foi muitas vezes socorrido pela polícia local, então nipônica, devido a estar a Coréia sob domínio japonês.

Visto que, já em 1931, eram necessárias maiores instalações para o escritório, este foi transferido para a casa do irmão Park, sita à Rua Key Dong, 147, em Seul.

O irmão Park dominava bem a língua inglesa, e traduziu os livros Reconciliação e Governo, bem como outros, do inglês para o coreano. Seu inglês fluente o habilitava a corresponder-se diretamente com a Sociedade em Nova Iorque. Pelo visto, contudo, o irmão Park não era tão conhecedor do japonês como Akashi desejava, de modo que foi substituído em 1935. O irmão Moon Tae-soon, um professor, foi posto como o encarregado da obra. A diligência do irmão Moon como trabalhador de tempo integral seria testada no futuro.

ATIVIDADE DE COLPORTORES

O irmão Lee Shi-chong, de 22 anos, dedicou a vida a Jeová em 1930, e devotou-se ao serviço de colportor. “Eu não tinha coragem suficiente para pregar na cidade, de modo que comprei uma bicicleta e decidi pregar nas províncias”, conta-nos o irmão Lee. “Empilhei minha mala e publicações na bicicleta, e o primeiro lugar a que me dirigi foi a prefeitura da Província de Quiongue. Hesitei em entrar, mas pensei em minha missão qual embaixador do Reino, termo que tinha ouvido muitas vezes da boca do encarregado da sucursal. O resultado foi que coloquei vários livros com as autoridades, e fiquei muito incentivado e, desde então, passei a me sentir confiante.”

O irmão Lee, que atualmente serve como ancião numa congregação de Seul, viajou de norte a sul, de leste a oeste pelo país, chegando ao que agora é a Coréia do Norte, e mesmo até a Mandchúria. Ele solicitava publicações do escritório de Seul e pedia que fossem enviadas à sua frente, para o próximo povoado ou pequena cidade. Assim era sua vida durante três anos, até 1933, quando a obra de testemunho passou a enfrentar dificuldades.

Os registros referentes a 1931 mostram que os proclamadores do Reino se mantinham bem ocupados. Alcançaram 30.920 casas, gastaram 11.853 horas no campo, e distribuíram 2.753 livros, 13.136 folhetos, e 3.940 exemplares da revista A Idade de Ouro (atual Despertai!). Em 1932, realizou-se o primeiro congresso na Coréia, de 11 a 13 de junho, em Seul, havendo 45 pessoas presentes. Naquele mesmo ano, 50.000 exemplares do folheto O Reino de Deus É a Felicidade do Povo foram lançados em coreano, para distribuição gratuita. Assim, a obra na Coréia expandia-se.

BATIDAS POLICIAIS

O governo militarista do Japão reagiu com firmeza a esta crescente atividade do povo de Jeová. O superintendente da filial no Japão forneceu o seguinte relatório, abrangendo tanto o Japão como a Coréia:

‘Parti de Tóquio, em viagem, em 10 de maio de 1933, e recebi, via aérea, uma carta em Múqueden, na Mandchúria, em 15 de maio, pela qual fiquei sabendo que toda a equipe do escritório, composta de cinco irmãos, em nossa filial [em Tóquio] tinha sido presa e encarcerada, e que o trabalho na filial era realizado por irmãs. Os jornais de 16 e 17 de maio devotaram quase que páginas inteiras a notícias de prisões de Testemunhas de Jeová.

‘A polícia realizou uma batida nos escritórios da Sociedade em Tóquio e em Seul. Apoderaram-se de todo o estoque de nossas publicações. Ficará certamente contente em saber que os irmãos japoneses e coreanos mantiveram sua fidelidade e integridade para com Jeová, e seu Rei ungido, mesmo durante essas severas provações.’

Calculou-se que o total de publicações que a polícia confiscou do escritório da Sociedade em Seul, em 17 de junho de 1933, era de 50.000 exemplares. Foram levados para o rio Han, em Seul, em 18 carrocinhas puxadas a mão, e queimados publicamente, segundo informou o jornal Tong A Ilbo, de Seul. O artigo também dizia que, em 15 de agosto de 1933, aproximadamente 3.000 publicações foram confiscadas e destruídas nas casas dos irmãos perto de Piongueiangue, agora situada na Coréia do Norte. Mas, será que as batidas policiais silenciaram a obra de testemunho?

A OBRA PROSSEGUE

O colportor Lee Shi-chong, a quem se pediu que regressasse a Seul devido às prisões, relembra: “Os irmãos prontamente recobraram a coragem, e reiniciaram a pregação com A Idade de Ouro, a única publicação não proscrita, e, naturalmente, continuamos a realizar nossas reuniões.”

A Idade de Ouro foi usada no campo coreano de 1933 até 1939, e estava registrada como jornal. Seu preço era de dois jeons, o equivalente a um centavo de dólar americano. Embora o estoque principal de publicações tivesse sido destruído, muitos dos irmãos ainda possuíam alguns livros e folhetos, e estes eram emprestados e trocados entre os irmãos, de modo que as pessoas que estavam realmente interessadas pudessem receber a mensagem.

As reuniões eram realizadas semanalmente, aos domingos. O irmão que as dirigia falava durante uma hora, e, caso houvesse alguns novos, ele repassava os ensinos fundamentais para eles. O dirigente também explicava um artigo de A Sentinela, visto que os demais não possuíam um exemplar para o acompanharem. A Sentinela era impressa em forma de folheto, e em japonês. Durante a ocupação nipônica, os coreanos eram obrigados a utilizar a língua japonesa, e, assim sendo, sabiam ler, escrever e falar japonês.

No entanto, havia poucos irmãos habilitados em Seul para dirigir tais reuniões. Por que isto se dava? Porque o superintendente da filial alistou todos que pôde na obra de colportor, e então os mandou a territórios longínquos. Como resultado disso, os irmãos experientes estavam espalhados pela península e não conseguiam associar-se. Quaisquer aprimoramentos nos métodos de dirigir as reuniões teriam então de esperar a chegada de missionários da Torre de Vigia (EUA), o que se daria em algum tempo ainda futuro.

FAMÍLIA INFLUENTE FOGE DE “BABILÔNIA”

Com a proscrição de todas as publicações da Torre de Vigia (EUA) exceto A Idade de Ouro, a obra tinha de ser feita com cautela. Os irmãos precisavam ser cuidadosos, discretos ao executarem suas atividades. Apesar de não haver reuniões organizadas regulares, aqueles que assumiram a verdade eram pessoas corajosas e determinadas.

A família Ok constitui notável exemplo. Eram todos Adventistas do Sétimo dia, bem educados, e em boa situação econômica, e gozavam de notável reputação na comunidade. O pai de Ok Ji-joon era ancião naquela igreja e diretor duma escola adventista, e a esposa dele, Kim Bong-nyo,b era a guarda-livros da escola local.

“Certo dia, em 1937”, Ok Ji-joon nos conta, “achei por acaso, na lata de lixo, um exemplar da revista A Idade de Ouro”. Visto que eu era muito religioso, interessei-me pelos artigos religiosos nela contidos, e os li do princípio ao fim. dias depois, dois senhores me visitaram e me ofereceram outras publicações do ‘Farol’. [Este era o termo para a “Torre de Vigia”, erroneamente traduzido e utilizado pelo superintendente da filial do Japão, e, assim sendo, também utilizado na Coréia.] Eles me pediram que lesse o que, mais tarde, fiquei sabendo ser um cartão de testemunho. Aceitei com prazer todos os livros que eles tinham. Mais tarde, ao lê-los, encontrei muitos pontos que contradiziam minha fé adventista. Escrevi para o endereço de Tóquio, indicado nas páginas finais do livro, e por alguns meses, mantive uma discussão doutrinal por carta. A filial em Tóquio respondia às minhas perguntas, anexando certas revistas A Sentinela sublinhadas em vermelho em determinados lugares.

“Tive problemas com a Igreja Adventista de Sariwon, na Província de Huangui, agora situada na Coréia do Norte, por persistir em formular perguntas sobre esta verdade recém-encontrada. O ministro tentou fugir das perguntas, e orgulhosamente disse que era falta de respeito formular tais perguntas ao ministro, especialmente por ele ser um amigo íntimo de meu pai. Eu, porém, achava que os relacionamentos pessoais não deviam interferir nas discussões sobre a Bíblia, e que ele me devia uma resposta. Meu irmão mais moço também reconheceu a verdade e me acompanhou, assim como meu irmão mais velho. Por fim, deixamos de freqüentar a igreja.

“Meu pai se opôs a nós. Quando eu e meu irmão mais velho fechamos nossa próspera fábrica de ferramentas agrícolas a fim de dispor de tempo para a obra de pregação, ele ficou furioso, e nos expulsou de casa. Entretanto, não desistimos, mas continuamos tentando persuadi-lo, por meio das informações comidas em A Sentinela.”

O irmão mais velho de Ok, Ok Ryei-joon, conta-nos em seguida como foi que os olhos de seu pai se abriram para a verdade.

“Certo dia, nosso ministro adventista nos visitou e nos contou que a divisão de informações (inteligência) do Departamento de Polícia tinha ordenado que nossa igreja comparecesse ao santuário xintoísta japonês para adorar aos deuses nipônicos e hastear a bandeira japonesa na igreja, saudar a bandeira, e cantar o hino nacional antes de cada ofício. A opinião do próprio pastor era de que os adventistas teriam de obedecer, senão sua igreja seria proscrita e os adventistas deixariam de existir. O ministro indagou a sede da igreja sobre isto, e então ele nos visitou para nos contar a resposta. A sede respondeu que eles deviam obedecer à ordem policial, embora fosse uma grande provação. Nosso pai ficou muitíssimo desapontado com tal decisão.”

O pai deles queria saber qual era o conceito da Sociedade Torre de Vigia (EUA) sobre este assunto. Para verificar isto, começou a estudar a Bíblia com seus filhos. Em resultado, ele reconheceu exatamente quão certas estavam as Testemunhas de Jeová. A família inteira — pai, mãe, quatro filhos e duas noras — pararam de freqüentar a igreja.

“Mais tarde, em 1938, a Igreja Adventista mandou um missionário americano à nossa casa, e este nos disse que seus missionários tinham decidido partir da Coréia devido à opressão do governo japonês”, prossegue Ok Ryei-joon. “Ele disse também que a saída de nossa família da igreja, devido ao problema da saudação à bandeira e da adoração nos santuários xintoístas, era muito elogiável, e ele nos incentivou a manter forte fé em Jeová Deus, como faziam todas as Testemunhas de Jeová na Coréia.”

Quando o superintendente da filial no Japão nos visitou, toda esta família foi batizada, em 19 de novembro de 1937. Hoje em dia, três destes irmãos servem quais anciãos. Ok Ung-nyun, o irmão mais moço deles, por causa de sua posição na questão da neutralidade, morreu fiel numa prisão japonesa, em 1939.

AVISO OPORTUNO

Em dezembro de 1938, durante a última visita de Junzo Akashi à Coréia, ele se reuniu com 30 irmãos na casa de Moon Tae-soon, em Seul, e avisou-os de que eles dentro em breve seriam presos. Quando isso acontecer, acautelou-os, não mostrem desrespeito pela bandeira nacional, nem pelo imperador. Não transijam tampouco, disse ele também. Instou com todos a que pregassem tanto quanto possível, utilizando os três folhetos disponíveis, Proteção, Aviso e Encare os Factos.

No novo folheto, Encare os Factos, Akashi frisava um ponto que influiria adversamente sobre os irmãos coreanos. O folheto incentivava que os jovens pares esperassem “alguns anos”, até depois do Armagedom, para se casarem. Ele interpretava isto como significando apenas dois ou três anos, em vez de um período indefinido de tempo. Assim, os irmãos coreanos acreditavam que só lhes restavam alguns meses para pregar, e eles então sofreriam encarceramento, e, enquanto estivessem presos, o Armagedom assolaria.

Algumas semanas depois, os jornais começaram a atacar a organização, e se referiam ao irmão Rutherford como um “pacifista doido”. Quando o filho de Junzo Akashi, além de outro irmão japonês, recusaram o treinamento militar em Janeiro de 1939, o próprio Akashi foi convocado a comparecer ao quartel-general do exército nipônico, em Tóquio, para explicar a razão. Seguiram-se prisões de irmãos — no Japão, em 21 de junho, em Formosa, em 22 de junho, e na Coréia, em 29 de junho. Muitas Testemunhas cumpriram sentenças repetidas vezes, até o fim da II Guerra Mundial, em 1945.

PRIMEIROS A MANTER-SE ÍNTEGROS

A irmã Chang Soon-ok, antiga católica que aprendeu a verdade por ler A Idade de Ouro, conta-nos o que aconteceu depois daquela última reunião em Seul, com Junzo Akashi. “Aqueles que ouviram o discurso dele foram para seu território designado portando muitos livros”, inicia ela. “Eu me dirigi para Pusã, a fim de pregar. No alvorecer de 29 de junho de 1939, um policial me prendeu. Nove de nós, irmãs, fomos trancafiadas na mesma cela que criminosas comuns. Esta era quente e suja, e cheirava mal. Ficamos detidas por um ano, antes de sermos sequer levadas a julgamento.

“Na prisão, eles obrigavam as detentas a adorar o imperador toda manhã. Por nos recusarmos, eles algemaram uma das mãos atrás das costas na outra mão, erguida por sobre o ombro. Às vezes punham algemas duplas em nós, e, outras vezes, duas pessoas eram algemadas juntas, costas com costas. Nesse período, tinham de passar nossas algemas para a frente, na hora de cada refeição. Por fim, depois de sete meses, eles desistiram e retiraram as algemas.

“Depois de cumprirmos nossas sentenças regulares, quatro de nós, irmãs, ficamos detidas num campo de custódia protetora em Chungju como incorrigíveis. Uma guarda contou às irmãs que todas que estavam naquele campo deveriam ser executadas em questão de dias. Daí, subitamente, terminou a guerra, e fomos finalmente libertadas em 16 de agosto de 1945. Até o dia de hoje, eu me emociono quando penso em todos aqueles anos de prisão.”

A família Ok também estava entre os detidos. Lee Jung-sang, esposa de Ok Ryei-joon, o irmão mais velho, relata a experiência deles.

“Quando eu não era nada mais do que um bebê espiritual, batizada há menos de dois anos, a polícia de Seul levou presos o meu marido e o irmão mais moço dele, Ok Jijoon”, relembra ela. “Naquela ocasião, a maioria dos irmãos e das irmãs coreanas foi detida, e, por fim, eles foram enviados para a prisão de Sodaemun, em Seul. A polícia confiscou de novo todas as publicações da Sociedade — pelo menos assim pensavam!

“Enquanto ainda estávamos livres, eu, Kim Bongnyo, minha cunhada, e outra irmã, Kim Kyung-hui, dirigimo-nos para a sala de estoque da Sociedade e retiramos todas as publicações que conseguimos carregar, visto que pensávamos colocar o máximo possível delas antes de nós mesmas sermos presas. Dirigimo-nos para o norte, para Piongueiangue, e, enquanto trabalhávamos ali, também fomos presas, em novembro de 1939, sob a alegação de perturbar a paz e distribuir livros proscritos. Fomos encarceradas na delegacia de polícia de Tongdaemun, e, mais tarde, removidas para a prisão de Sodaemun, onde estavam as outras irmãs. Ao todo, 38 irmãos e irmãs estavam presos naquele tempo.”

FIÉIS ATÉ À MORTE

A irmã Park Ock-hi, que atualmente é pioneira especial aos 86 anos, e é outra dos fiéis que foram encarcerados, relembra aqueles dias difíceis.

“Depois de passar todo o inverno na Província de Quionguesangue, no sul da Coréia, pregando as boas novas, voltamos para casa, em Seul, em fevereiro de 1939”, conta ela. “E meu marido, Choi Sung-kyu, foi imediatamente preso pela polícia da delegacia de Tongdaemun, em Seul. A polícia o acusou de recusar-se a adorar no santuário xintoísta. Nos 20 dias em que esteve preso, ele pegou febre tifóide, e eles o transferiram para um hospital. Depois de 40 dias hospitalizado, ele foi solto, apenas para ser recolhido durante as prisões dos irmãos, que se deu em junho de 1939.

“O cunhado de meu marido tinha um alto cargo no governo nipônico, e ele mandou um advogado para soltá-lo da prisão. O advogado disse a meu marido que a única forma de conseguir sua soltura era ele ir adorar no santuário xintoísta. Meu marido rejeitou na hora a oferta do advogado, e lhe pediu que não viesse mais vê-lo. Meu marido então me escreveu perguntando: ‘Quem mandou o advogado? Fique desperta! Leia Romanos 8:35-39.’ Esta carta incentivou grandemente a todos nós, que estávamos livres, e os novos ficaram determinados a continuar louvando a Jeová.

“Mais tarde, em setembro de 1941, fui presa novamente, mas fiquei detida apenas 15 dias. Disseram-me que, visto que meu marido seria liberto, eu deveria trazer 500 uons (US$ 250). Pedi emprestado esse dinheiro e me dirigi à prisão. Era uma noite escura e fria. Encontrei meu marido deitado no chão, coberto com um lençol branco, mais morto do que vivo. Eles o tinham encarcerado por dois anos e meio, e agora exigiam 500 uons para libertá-lo em tais condições! Meu marido, com 42 anos, morreu oito horas depois.

“Fui presa pela quarta vez em setembro de 1942, e, desta feita, acabei na prisão de Sodaemun, em Seul, junto com outras irmãs encarceradas. Ali tivemos de suportar indescritível tortura.”

A guarda carcerária ficava irada com tais irmãs por não adorarem o imperador japonês. Isso lhe dava um trabalho extra. Em cada refeição, ela precisava soltar as algemas e grilhões delas. Mas, obviamente, ela observou a fidelidade destas nossas queridas irmãs. Surpreendentemente, mais de 20 anos depois disso, ela começou a estudar a Bíblia, reencontrou tais irmãs num congresso de distrito, e foi batizada em 1970.

Os irmãos foram submetidos a interrogatório vez após vez, visto que as autoridades queriam achar meios de processá-los. Perguntava-se-lhes: “É verdade que todas as nações estão sob a influência do Diabo? Inclui-se nisto o nosso grande Japão Imperial? É você um espião americano? Quando é que virá o Armagedom?” Os irmãos respondiam a essa última pergunta por dizerem: “Depois de a obra de pregação ser feita.” Em seguida, as autoridades os acusavam: “Pela pregação, vocês estão realmente provocando a vinda do Armagedom, o que significa que estão instando que ocorra a destruição do Japão Imperial. Assim, estão violando a lei de ordem pública.” Muitos dos irmãos foram então detidos e lançados na prisão por dois a quatro anos.

Cinco dos 38 encarcerados morreram fiéis enquanto presos, inclusive Moon Tae-soon, que estivera cuidando da obra, sob a supervisão do superintendente da filial do Japão.

DEPOIS DA II GUERRA MUNDIAL, A DESILUSÃO

Junzo Akashi era responsável pela obra na Coréia desde o tempo em que o país era cuidado pela filial do Japão, em 1926. Os irmãos, depois de serem libertos, em 1945, procuraram-no para obter orientações. No entanto, Akashi, que levava uma vida imoral e tinha transigido quanto à verdade, sob pressão, tinha abandonado a organização de Deus.

Os irmãos coreanos mostravam-se perturbados, contudo, porque tinham acreditado na explanação inexata dele sobre os “alguns anos” que restavam antes do Armagedom. Esse pequeno grupo de irmãos se dividiu. Alguns, fortes na fé, criam que deviam continuar a pregar; outros perderam seu zelo.

Por vários anos, depois de 1939, não houve contato com a organização de Jeová. Os irmãos se sentiram abandonados. Muitos deles acreditavam que aquilo pelo qual eles passavam, na Coréia, estava acontecendo em toda a organização ao redor do mundo. Não dispunham de informações de que a Sociedade Torre de Vigia (EUA) ainda funcionava, quanto mais de que seus irmãos em outros países tinham mantido sua integridade durante a II Guerra Mundial, ou que começavam a ocorrer aumentos. Sem ninguém que os liderasse, e sem qualquer contato com a organização, a verdadeira adoração na Coréia reduziu o passo, quase que parando por completo.

“AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ESTÃO VIVAS DE NOVO”

Como foi que novamente se abriu por completo a porta que levava à adoração verdadeira? A irmã Park Ock-hi explica:

“Depois de libertados dos japoneses, em 1945, embora diversas irmãs insistissem que era hora de se esperar o Armagedom num ‘lugar secreto’, continuamos a realizar algumas reuniões em minha casa. Estas não eram reuniões organizadas; antes, os irmãos que as dirigiam nos pregavam à base de antigas publicações disponíveis. Este era o âmbito de nossas atividades, nos poucos anos seguintes. Um dos presentes era meu sobrinho, Park Chong-il, um rapaz de 15 anos que, mais tarde, seria um dos membros da Comissão de Filial da Coréia.

“Daí, para nossa surpresa, num certo dia de agosto de 1948, o irmão Choi Young-won mostrou-nos um artigo no jornal do Exército americano, Stars and Stripes. Declarava que as Testemunhas de Jeová eram muito ativas nos Estados Unidos e em outros lugares. Ficamos deleitados. Todos encorajamos o irmão Choi a escrever à Sociedade, nos Estados Unidos. Ele escreveu, e a Sociedade respondeu de imediato, mandando-nos um pacote de publicações. Alegremente enchemos nossas pastas e bolsas com tais folhetos e fomos direto fazer a obra de casa em casa, em Seul. Tivemos momentos maravilhosos! Uma senhora até chegou a comentar: ‘As Testemunhas de Jeová estão vivas de novo.’”

A primeira congregação das Testemunhas de Jeová se compunha de doze pessoas, em 24 de junho de 1949.

“BEM-VINDO, ENVIADO DE ESPERANÇA DA TORRE DE VIGIA”

Não foi senão depois de terem chegado os primeiros de uma longa fila de fiéis missionários, que por fim somavam 52 ao todo, que realmente veio a existir um forte vínculo com a sede da Sociedade.

Depois de a congregação Seul ser alistada pela Sociedade, fizeram-se arranjos para enviar ao pais alguns missionários formados na Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia (EUA). Embora tivessem inicialmente sido designados ao Japão, oito formados da 11.ª turma de Gileade tiveram suas designações mudadas para a Coréia. Don e Earlene Steelec foram escolhidos para ir primeiro. Depois de muita papelada, a República da Coréia lhes concedeu vistos de entrada, e, em 9 de agosto de 1949, eles chegaram à Coréia.

Devido a medidas de segurança no Aeroporto de Kimpo, apenas dois irmãos vieram saudar a chegada do casal Steele. Numa cerca, perto da pista, eles prenderam uma faixa que dizia: “Bem-vindo, Enviado de Esperança da Torre de Vigia.” Nenhum desses dois irmãos sabia nada de inglês, mas seu sorriso caloroso e seus amigáveis apertos de mão eram tudo de que o casal Steele precisava.

Depois de o casal Steele alojar-se num pequeno hotel, cerca de dez irmãos se reuniram, junto com o servo de congregação, Choi Young-won, que falava inglês. Este foi o primeiro contato, em dez anos, que tiveram com alguém que representava a organização. Agora os irmãos podiam obter respostas às suas importantes perguntas sobre a obra que restava a fazer. Assim, fizeram-se arranjos para uma reunião na noite seguinte. Em sua primeira carta à Sociedade, datada de 12 de agosto de 1949, o irmão Steele informou:

“Para surpresa nossa, quarenta irmãos e pessoas de boa vontade compareceram. Transmitimos as saudações dos irmãos dos Estados Unidos, falamos sobre a organização de Deus na atualidade e então respondemos a diversas perguntas deles. Em muitos sentidos, os irmãos têm profundo entendimento, e certamente estão ansiosos de fazer o que precisa ser feito. Apenas dois ou três têm noções erradas, sentindo-se amargurados por se terem estendido por tanto tempo os ‘alguns anos’ até o Armagedom, mencionados no folheto Encare os Factos.”

Sendo a população de Seul então de 1.500.000 habitantes, duas vezes maior do que antes da II Guerra Mundial, achar uma casa para os missionários era como procurar a proverbial agulha num palheiro. Mas, já em fins de agosto, comprou-se um excelente prédio próximo do centro da cidade. Era um bem-construído prédio de alvenaria, de estilo ocidental, anteriormente controlado pelo governo nipônico, mas que agora estava sob a tutela do Governo da Coréia. A casa tinha quatro dormitórios, ampla sala de estar, uma sala de jantar, e uma cozinha. Agora a Sociedade poderia enviar os outros seis missionários. Esta propriedade não só servia como lar missionário e local de reuniões da congregação coreana, mas, no devido tempo, também como escritório da filial.

COMEÇA O MINISTÉRIO ORGANIZADO

Havendo pequeno estoque de publicações à disposição, e com a chegada pelo correio de apenas alguns pacotes, os 2 missionários e os 28 irmãos locais, nos meses seguintes, costumavam emprestar os folhetos aos interessados, encontrados no trabalho de casa em casa, e então voltavam para pegar as publicações e reutilizá-las com outras pessoas.

Em 1.º de janeiro de 1950, quatro publicadores desejosos de iniciar o serviço de tempo integral foram designados pioneiros. Já em fevereiro, um quarto da congregação se compunha de pioneiros, sete ao todo, e os restantes publicadores alcançavam a média de 33 horas por mês. A obra de revisitas e de estudos bíblicos domiciliares, algo que eles não conheciam antes, simplesmente os deixou deleitados.

O primeiro mês completo de atividades dos missionários terminou com o cômputo de 16 estudos bíblicos. Os estudantes vinham ao lar missionário, em vez de estudarem em seus próprios lares humildes. O problema não era conseguir estudos, mas, em vez disso, encontrar pessoas genuinamente interessadas na mensagem do Reino e não apenas em aprender inglês ou em associar-se com estrangeiros.

Visto que os missionários ansiavam dispor de publicações em coreano, para utilizá-las no campo, a Sociedade aprovou que o livro “Seja Deus Verdadeiro” fosse traduzido e editado logo que possível. O irmão Choi era o único capaz de traduzir. No entanto, seu serviço secular o mantinha tão ocupado que era difícil até mesmo manter-se em dia com a tradução de A Sentinela para o estudo semanal. Para aliviar-lhe a carga, solicitou-se a duas pessoas que estudavam com os missionários, um deles um professor de inglês, e o outro um alto funcionário bancário, para ajudarem nesse mister. Surpreendentemente, levando-se em conta seu conhecimento limitado da verdade e da organização, a tradução era boa.

REUNIÕES ORGANIZADAS ESTIMULAM OS IRMÃOS

Foi somente após a chegada dos missionários que começou um Estudo de A Sentinela organizado. Depois que o irmão Choi traduzia a lição, o irmão Park Chong-il copiava a mão toda a lição em nove folhas de papel fino, com carbonos. Havendo 47 pessoas nesse primeiro Estudo de A Sentinela, em 14 de agosto de 1949, muitos tiveram de amontoar-se em torno de cada cópia feita em papel fino, para participar da reunião. Em seguida veio a primeira Reunião de Serviço já realizada na Coréia.

O irmão Shin Wan, que então voltou a associar-se com a congregação, dirigia pequena loja de mimeógrafos que foram utilizados de modo muito proveitoso em favor do Reino. Depois de feita a tradução do estudo de A Sentinela, uma cópia era passada para um estêncil de cera, e a matéria era reproduzida pelo método de rolo manual, provendo cópias individuais para todos os presentes à reunião. Acabaram as cópias feitas a mão!

CHEGAM OUTROS MISSIONÁRIOS

Todos na congregação aguardavam ansiosamente a chegada dos restantes missionários. Em 12 de março de 1950, Winfield (atual Sra. Scott) e Alice Counts, Grace e Gladys Gregory, Norrine Miller (atual Sra. Thompson), e Florence Manso (atual Sra. Janczyn) foram bem recebidas em sua nova designação com uma festa coreana, e a calorosa hospitalidade tradicional.

Os novos missionários não tinham recebido aulas do idioma, antes de chegarem à Coréia, mas, em maio de 1950, os oito missionários já tinham uma média de 20 estudos bíblicos cada um. Usavam intérpretes em seus discursos à congregação, mas tais intérpretes, não dominando bem o inglês, às vezes não eram bem exatos. Por exemplo, quando um missionário incentivava os irmãos quanto ao serviço, o intérprete usou o termo “serviço militar”.

Depois de ser organizada a primeira Escola do Ministério Teocrático, iniciaram-se também as reuniões públicas, na primavera setentrional de 1950. Havia tantas pessoas presentes, até 162 então, que se fizeram arranjos para realizar uma série de discursos públicos no auditório da Escola Primária Chae Dong. Foi notável que o primeiro discurso, “O Destino de Nossa Terra”, foi proferido pacificamente em 25 de junho de 1950 — o fatídico dia em que começou a Guerra da Coréia.

O irmão Steele relatou posteriormente: “Quando terminei de proferir meu discurso público num auditório escolar, em Seul, no dia 25 de junho, a polícia nos informou que a Coréia do Sul tinha sido atacada, e impusera-se um toque de recolher. Incidentalmente, aumentara tanto o interesse pela Teocracia que havia 336 pessoas presentes neste último discurso público! Na noite seguinte, desabaram as defesas da Coréia do Sul, e Seul foi sitiada.”

A GUERRA DA CORÉIA

Já em julho de 1949, todas as forças de ocupação, tanto dos Estados Unidos como da União Soviética, tinham sido retiradas, cada um deixando alguns homens como conselheiros militares. A península estava prestes a sofrer uma das mais destrutivas guerras dos tempos modernos. Em junho de 1950, quando irromperam os combates, o exército sul-coreano tinha menos de cem mil homens, equipados apenas de armas leves. As forças norte-coreanas, contudo, somavam cerca de 135.000 homens, inclusive uma brigada de tanques. Assim sendo, o Norte tinha vantagens quanto ao treinamento e o equipamento, ao passo que o Sul achava-se despreparado para impedir a invasão.

Em 28 de junho, a capital, Seul, caiu diante das forças norte-coreanas, que sobrepujaram o exército sul-coreano. A batalha oscilava em torno do paralelo 38, até que se assinou um armistício, em 27 de julho de 1953.

EVACUADOS OS MISSIONÁRIOS

No segundo dia de guerra, a Rede Coréia das Forças Armadas Americanas anunciou que se ordenava que todos os americanos deixassem o país. Os missionário’ confrontavam-se então com um dilema. Deveriam permanecer, e trabalhar junto com estes fiéis irmãos coreanos, ou deveriam partir? Os oito missionários se reuniram, pediram a orientação de Jeová, e consideraram a tensa situação. Ficar significaria captura e prisão na certa. Foi unânime a decisão — eles deveriam partir. Os acontecimentos que se seguiram mostraram que eles fizeram a decisão certa.

Um informe dos missionários declarava mais tarde: ‘Só dispúnhamos de 30 minutos para pegar o último comboio que deixava a capital. Pertences pessoais e domésticos foram confiados ao servo de congregação local. A cidade, no momento, estava sob bombardeio, e na louca corrida até o Aeroporto de Kimpo, nossos ônibus foram metralhados. Indo de avião para o Japão, nós oito presentemente trabalhamos em Cobe.’

O servo de congregação de Seul, irmão Lee Shichong, também escreveu que os poucos estrangeiros que ficaram tinham sido todos levados numa “marcha da morte”.

Assim, cedo demais, os oito missionários concluíram abruptamente sua designação na Coréia, o casal Steele ficando ali apenas pouco mais de dez meses, e os outros seis só ficando ali pouco mais de três meses. Mas, nesse breve período, passaram a amar ternamente seus zelosos irmãos coreanos. Mais uma vez a organização na Coréia ficaria sem qualquer contato direto com a Sociedade. Prosseguir no ministério e manter a neutralidade cristã, nestas novas circunstâncias, confrontava agora, individualmente, a cada Testemunha coreana.

FIÉIS APESAR DE DIFICULDADES

Com a destruição de 43 por cento das instalações industriais da Coréia, e a destruição de 33 por cento de suas casas, grande parte da população, incluindo os irmãos, vivia então como refugiados de guerra. As casas tinham sido destruídas, e desaparecera a propriedade privada. Manter-se em constante alerta significava vida. Vários irmãos morreram, apanhados no meio do fogo aéreo de ambos os exércitos. Alguns, inclusive aqueles que se refugiaram na propriedade da Sociedade, foram mortos a bala, a sangue frio, pelos soldados. No entanto, os sobreviventes jamais abandonaram sua comissão de pregar o Reino como a esperança do mundo. Jamais deixaram de semear as sementes da verdade.

Nos primeiríssimos dias de guerra, a maior parte da população de Seul ficou enredada dentro da cidade. Os irmãos sabiam que seriam forçados a alistar-se no Exército Voluntário do Povo, se não fugissem para o sul. O irmão Park Chong-il e Ok Ung-suk esconderam-se na cidade até 5 de julho, e então escaparam por cruzar o rio Han, no esforço de alcançar uma área “segura” ao sul de Seul. Passaram por dezenas de cadáveres, de tanques destroçados, e de prédios devastados, ao longo de sua rota de fuga, mas, quanto mais perto chegaram das linhas de combate, mais difícil se tornava evitar serem vistos por soldados norte-coreanos.

Em resultado do desembarque em Inchon, comandado pelo General MacArthur, dos EUA, em 15 de setembro de 1950, a cidade de Seul foi libertada do domínio norte-coreano, até que o pêndulo da guerra girou novamente em outra direção. O irmão Park voltou para Seul em 1.º de outubro de 1950, e decidiu trabalhar de casa em casa, interessado em ver qual seria a reação das pessoas. Encontrou-as tensas e temerosas.

Embora não fosse ainda batizado, Roh Pyung-il também enfrentou problemas pouco antes da guerra. Ele era o genro da irmã Kim Chu-ok, que provara sua fidelidade na prisão, durante a ocupação nipônica. Por ocasião da primeira ocupação de Seul pelos norte-coreanos, ele fugiu para os montes, a fim de não ser forçado a alistar-se no exército deles. No entanto, alguns soldados viram a fumaça que subia da fogueira acesa por ele para cozinhar, e o pegaram. Conduzido aos limites da cidade, colocaram-no junto com diversos outros rapazes que tinham sido apanhados. Eles foram interrogados, um por um. Aqueles que não conseguiram satisfazer aos interrogadores foram levados para fora e fuzilados. Roh pensava que seria morto, não importava o que dissesse, e, assim, decidiu-se a dar um testemunho, antes que isso acontecesse.

Foi-lhe perguntado por que evitava o Exército Voluntário do Povo. “Eu só posso servir ao Reino de Deus”, respondeu. “No Armagedom, ambos os lados desta luta política serão destruídos por Deus, e não desejo estar em nenhum dos dois lados. Não posso violar a lei de Deus por causa de qualquer lei humana contrária à Dele. Não tenho medo de morrer, porque acredito na ressurreição.”

Seu interrogador disse que Roh era o primeiro que falava a verdade, mas que, mesmo assim, deveria ficar à parte. Os soldados prepararam seus rifles, apontaram, e abriram fogo, deixando de acertá-lo de propósito. Roh desmaiou, vindo a despertar, pouco depois, surpreso de ainda estar vivo. Suas primeiras palavras foram: “A verdade certamente é poderosa!”

REFUGIADOS DE NOVO

Após dois meses e meio sob o domínio sul-coreano, no dia 24 de dezembro de 1950 o Governo da Coréia do Sul mandou que todos os habitantes de Seul, exceto os com idade de serem convocados, deixassem mais uma vez a cidade.

Somente 11 dias depois, em 4 de Janeiro de 1951, soldados norte-coreanos e chineses reocuparam a cidade. Antes disso, porém, os irmãos pegaram os bens que puderam levar a pé, ou em carroças, e começaram a viver como refugiados de novo. Levaram também várias caixas do folheto O Gozo de Todo o Povo que acharam no lar missionário. Estes foram usados para plantar as sementes da verdade durante este segundo período de vida como refugiados.

Os irmãos jovens, por certo, não puderam escapar da cidade. Embora sua posição cristã neutra lhes causasse problemas, ela muitas vezes foi o que lhes salvou a vida, como o irmão Park Chon-il logo viria a descobrir. Depois de o exército norte-coreano ter penetrado de novo na cidade, ele e Cho Young-ha, um professor de escola secundária que era metodista e se interessava pela verdade, moraram secretamente na casa duma irmã durante três meses e meio.

O irmão Park e seu colega estavam em seu esconderijo por apenas alguns dias quando a polícia secreta norte-coreana bateu à porta. A polícia suspeitava que eles eram ou espiões ou soldados do exército sul-coreano. Um investigador de polícia examinou as mãos deles para ver se tinham manejado armas.

“Nós somos cristãos que não podem participar na guerra, e, assim, não pudemos sair da cidade, pois teríamos sido apanhados pelo outro lado”, disseram ao investigador. A polícia mandou que não saíssem de casa, e ameaçou voltar no dia seguinte. Assim que a polícia se foi, o irmão Park e Cho Young-ha destruíram rapidamente todos os nomes, endereços e fofos de Testemunhas que eles possuíam e então decidiram dar testemunho à polícia, no dia seguinte, embora soubessem que talvez fossem presos.

Na manhã seguinte, o policial retornou com um outro investigador. O irmão Park deu testemunho por cerca de uma hora e meia, como se estivesse proferindo um discurso público. Os homens ouviram sem o interromper, e pareciam interessados em sua mensagem. Daí, depois de algumas perguntas, foram-se de modo abrupto. Dois dias depois, um deles retornou com ainda outro investigador, e o irmão Park e seu amigo tiveram outra oportunidade de dar testemunho. Nenhum policial voltou novamente. Eles tiveram o cuidado, porém, de não sair de casa. A fé de Cho foi grandemente fortalecida, e ele veio a aceitar plenamente a verdade.

A guerra agora pendia em outra direção, e, já em 31 de março de 1951, as forças da ONU tinham novamente atingido o norte, no paralelo 38. Seul mais uma vez achava-se sob o comando da ONU. Park Chong-il estava agora livre para sair de casa. Ele se dirigiu ao lado oposto da cidade, para verificar o estado do lar missionário, mas as forças da ONU o fizeram parar. Os soldados sul-coreanos, que serviam junto com as forças da ONU, mostraram-se suspeitosos dele. E não era de admirar! Depois de ficar dentro de casa por mais de três meses, seu rosto estava pálido e seus cabelos tinham ficado bem compridos. Visto que o irmão Park sabia um pouco de inglês, ele disse aos soldados americanos que era Testemunha de Jeová e tinha-se associado com os missionários americanos da Torre de Vigia, e que ia verificar o estado dos bens dos missionários. Os soldados acreditaram nele e o deixaram seguir caminho.

A OBRA AVANÇA APESAR DA CONDIÇÃO DE REFUGIADOS

Os irmãos, agora refugiados, fixaram-se primariamente em cinco cidades principais — Taejon, Taegu, Pusã, Chonju e Cunsan. As populações destas cidades incharam, atingindo um total várias vezes superior a seu tamanho normal, à medida que as pessoas se apegavam a qualquer abrigo — meias-águas, encostas dos morros, grutas — que conseguiam encontrar.

A irmã Kim Chi-duk, agora com 87 anos, e ainda servindo como pioneira, achava-se entre as primeiras Testemunhas a chegar a Taegu. Dois dos filhos dela tinham sido mortos na guerra. Ela então, junto com dois de seus outros filhos, começou de imediato a testemunhar. Não demorou muito para colocar todas as publicações que trouxe, e então usou a segunda semana para fazer revisitas.

Outro refugiado em Taegu, o irmão Lee In-won, junto com a irmã Kim, realizaram reuniões com dezenas de outras pessoas. Capítulos mimeografados dos livros “Seja Deus Verdadeiro” e “Isto Significa Vida Eterna” foram usados nas suas reuniões e no serviço de campo. Foi nesta cidade de Taegu que se organizou a primeira congregação, sob a condição de refugiados.

O irmão Ok Ryei-joon e esposa, Lee Jung-sang, refugiados da Coréia do Norte, fixaram-se então em Chonju. A irmã Lee nos conta o que aconteceu em seguida:

“Iniciei um estudo bíblico com quatro diaconisas da Igreja Presbiteriana Central. Elas não queriam usar as publicações da Sociedade, mas somente a Bíblia. Os clérigos dali nos consideravam refugiados desprezíveis, e tentaram impedir-nos de pregar, até mesmo mandando uma turba atrás de mim. Estas quatro senhoras me ajudaram a escapar da turba. Apesar de tais esforços do clero contra mim, as senhoras prosseguiram em seu estudo da Bíblia. Em resultado, 20 pessoas saíram por fim daquela igreja e aceitaram a verdade.”

MISSIONÁRIOS VOLTAM A DAR AJUDA

Sob as contínuas condições de tempo de guerra, entrar na Coréia era quase que impossível. Entretanto, depois de muito trabalho com a documentação burocrática, Don Steele conseguiu retornar, sozinho, e chegou à baía de Pusã em 11 de novembro de 1951. O quartel-general de MacArthur estabeleceu então o limite de uma pessoa para cada missão, e não se permitiu a entrada de mulheres. Levaria um ano para que Earlene, esposa de Don, pudesse juntar-se a ele.

Em 17 de novembro de 1951, o irmão Steele obteve permissão do Exército dos EUA para visitar Seul. Ele nos conta o que ele e os outros encontraram:

“Nessa tarde, atravessamos a cidade de Seul até o lar missionário. Quase todos os prédios grandes não eram senão estruturas ocas. A cidade era tão sossegada como o interior. O único trânsito que havia era militar. À distância, pude ver o lar missionário. Os prédios por toda a volta tinham sido completamente arrasados, mas o lar missionário ainda estava de pé. Mas tinha sido atingido por um obus, num canto, deixando um buraco de uns sessenta centímetros na parede de tijolos. Todas as vidraças tinham sido estilhaçadas, o reboco do teto tinha caído, e as portas, em sua maioria, tinham sido despedaçadas, e a fiação fora arrancada.”

Nessa mesma noite, cerca de 35 Testemunhas, na maioria irmãs, reuniram-se para ouvir o discurso de serviço do irmão Steele, e fizeram-se arranjos para o serviço de campo nos dias seguintes. Na manhã seguinte, 18 pessoas compareceram para o testemunho em grupo. Antes de terminar a semana de sua visita, 24 publicadores relataram tempo gasto no serviço de campo. Aquelas irmãs resolutas que permaneceram em Seul durante toda a guerra colhiam agora os frutos de seu trabalho árduo.

Os novos publicadores desejavam ser batizados — mas, onde? As únicas instalações disponíveis eram as casas de banho então usadas exclusivamente pelos soldados da ONU. Fizeram-se arranjos para batizar os novos nas casas de banho antes que chegassem os soldados da ONU, naquele dia. Assim, no sábado, 29 de dezembro de 1951, antes das 8 horas da manhã, 27 novos foram batizados, incluindo a irmã da antiga rainha da Coréia.

Pusã era a capital provisória do país, e era um local prático a partir do qual se podia servir aos irmãos em todo o país. Encomendou-se um novo mimeógrafo, e este foi recebido através da Agência do Correio Militar Americano. Surpreendentemente, os irmãos conseguiram, também, uma das primeiras máquinas de escrever com caracteres coreanos. As Testemunhas na Coréia davam outro grande passo à frente!

Em dezembro de 1951, e em janeiro de 1952, o irmão Steele conseguiu visitar todos os lugares em que congregações e grupos tinham sido estabelecidos. Imagine que, antes da guerra, só havia um total de 61 publicadores na única congregação de Seul. No fim do ano de serviço de 1952, houve um auge de 192 publicadores, em cinco congregações, e isto apesar das condições de tempo de guerra, e de que a maioria dos irmãos compunha-se de refugiados.

Durante esse período, a Sociedade também patrocinou uma campanha de distribuição de roupas. Duas toneladas de roupas e sapatos chegaram dos Estados Unidos.

FINALMENTE A SENTINELA EM FORMA IMPRESSA!

Setembro de 1952 foi um grande mês para as Testemunhas — a revista A Sentinela obteve seu registro oficial do Governo, e a permissão de ser publicada. De início, as cópias mimeografadas eram de estênceis cortados a mão, mas, depois de fevereiro de 1953, eles eram datilografados. As primeiras edições de 16 páginas tinham uma tiragem de apenas 700 exemplares cada uma.

O número de A Sentinela, de 1.º de Janeiro de 1954, marcou o início da impressão de revistas. A primeira tiragem foi de 2.000 exemplares, e, então, a partir do número de Janeiro de 1955, ela foi ampliada para 20 páginas e 5.000 exemplares. Ela era uma revista mensal, impressa por uma gráfica comercial de Seul. No entanto, tornou-se uma revista quinzenal em 1961, e aumentou para 24 páginas com o número de Janeiro de 1967.

A fim de serem uma religião legalmente reconhecida no país, era mister que as Testemunhas de Jeová formassem uma Associação. Formou-se assim a The Watch Tower Songso Chackja Hyuphoi of Korea, obtendo seu registro, no Ministério da Educação, em 30 de outubro de 1952, tendo seis diretores e nove membros. Em 25 de fevereiro de 1969, por decreto do Governo, este registro foi transferido para o Ministério da Cultura e Informações, e esta é a entidade legal usada até o dia de hoje. Então, como associação legal, ela pôde comprar o prédio que os missionários tinham usado antes da guerra.

ESTABELECIDA A FILIAL

“As coisas estão indo tão bem na Coréia que quase são boas demais de se crer”, declarava a carta da Sociedade, datada de 18 de outubro de 1952, dirigida aos irmãos coreanos. Daí, em 27 de julho de 1953, foi assinado um armistício precário, e foi estabelecida uma zona desmilitarizada entre a Coréia do Norte e a do Sul. Até os dias atuais, não existem comunicações entre as duas Coréias, ou entre os membros das famílias que foram separados pela zona desmilitarizada.

Já no fim do mês seguinte, Don e Earlene Steele haviam retornado a Pusã, depois de assistirem ao congresso de Nova Iorque. Ficaram contentíssimos de ver que o ano de serviço de 1953 na Coréia fechou com 417 publicadores, em 7 congregações. A Sociedade determinou assim que, a partir de 1.º de setembro de 1953, a organização na Coréia deixaria de ficar sob a direção da filial dos EUA, e se tornaria a filial da Coréia. Don Steele seria o servo da filial; atualmente ele é o coordenador da Comissão de Filial.

A filial da Coréia mudou-se para a mesma casa, em Seul, usada pelos missionários antes da guerra. Fizeram-se apenas os consertos mais necessários no prédio. Ainda era preciso trazer a água utilizada, e se dispunha de pouca energia elétrica. Os missionários preferiram alojar-se no segundo piso, e a congregação local usava o andar térreo para suas reuniões.

AJUDA DE FONTE INESPERADA

No decorrer dos anos, alguns dos milhares de militares dos EUA que serviram na Coréia não só demonstraram interesse pela verdade, mas também progrediram espiritualmente. Depois de voltarem para os Estados Unidos e efetuarem as necessárias mudanças em sua vida, eles se tornaram Testemunhas ativas.

Norbert Matz, primeiro-sargento do Exército dos EUA, constitui notável exemplo. Ele desejava usufruir um relacionamento correto com Deus. Assim, começou a estudar a Bíblia com as Testemunhas enquanto lotado nos Estados Unidos. Progrediu rapidamente, tanto assim que, quando o exército o transferiu para a Coréia, ele realmente estava apto a dirigir estudos com coreanos. Também ajudava os irmãos na Escola do Ministério Teocrático. Como? Não havia um compêndio para a Escola do Ministério Teocrático na língua coreana, de modo que ele os ajudava a entender a matéria para a escola, mediante um intérprete. Ele também ajudou a fazer os arranjos para um batismo em grupo, em 30 de junho de 1953, e usou alguns veículos militares para transportar as pessoas para o local do batismo — 52 pessoas foram imersas. Provou ser de grande ajuda na época em que os missionários não puderam estar em Seul. Atualmente, como irmão Matz, ele serve qual ancião numa congregação dos Estados Unidos.

Um dos estudantes da Bíblia de Norbert Matz era um jovem médico coreano do exército, Chun Young-soon. Ele foi batizado em 1953 e, pouco depois disso, iniciou sua carreira de serviço de tempo integral. Como formado em Gileade, tornou-se superintendente viajante, e o superintendente do Lar de Betel, servindo atualmente na Comissão de Filial. Nesse mesmo ano de 1953, Park Chong-il enfrentou a questão do serviço militar pela segunda vez. Novamente deu um exemplo de neutralidade cristã para tais irmãos, bem como para outros.

O PRIMEIRO GRANDE CONGRESSO

Finalmente, com o fim da lei marcial, no outono setentrional de 1953, foi então possível realizar na Coréia um congresso de distrito — de 6 a 8 de agosto de 1954. O local foi a Escola Primária de Chae Dong. Pela primeira vez, irmãos de todo o país se reuniram. Calculava-se que a assistência seria de 700, mas 1.043 pessoas estavam presentes no primeiro dia, e ela aumentou para 1.245 na reunião pública de domingo. Lágrimas de alegria enchiam os olhos de muitos, que relembravam os dias obscuros da II Guerra Mundial, seguidos pelos horrores da Guerra da Coréia. Julgavam que jamais veriam o dia em que tantas pessoas seriam ajuntadas do lado de Jeová.

Neste congresso, foi notável o primeiro batismo em massa. O marido duma irmã, que era oficial do Corpo de Bombeiros, fez arranjos de encher de água a piscina da escola, depois de os irmãos terem removido os entulhos deixados nela pela guerra. Nesse dia, para a feliz surpresa de todos, foram imersas 284 pessoas, ou 23 por cento de todos os presentes. Tornava-se então evidente que a filial teria um grande trabalho a fazer, a fim de ajudar todas essas pessoas novas a progredir espiritualmente.

GILEADE ENVIA MAIS AJUDA

Em março de 1955, chegou à Coréia a segunda leva de missionários — Milton e Liz Hamilton, Keith e Evelyn Kennedy, Karl Emerson, Norris Peters, Elaine Scheidt (atual Sra. Ness), e Druzilla (Dru) Craig (atual Sra. Youngberg). Um grande grupo de irmãos os recebeu no Aeroporto de Yoido. Lá naquele tempo, o aeroporto se localizava numa ilha arenosa do rio Han que, atualmente, é uma cidade dentro de outra. Embora nenhum dos novos missionários conhecesse o idioma coreano, os sorrisos, as lágrimas de alegria, e os gestos diziam tudo. Novamente, então, o escritório da filial fervilharia de colaboradores, visto tratar-se duma combinação de escritório de filial e lar missionário.

Um mês após a chegada dos missionários, realizou-se, em abril de 1955, a primeira assembléia de circuito na Coréia. Que experiência excitante e nova isso era para os irmãos! Os missionários até mesmo tiveram partes no programa, mas falaram por meio de intérpretes.

LAR MISSIONÁRIO DE PUSÃ

No outono setentrional de 1955, abriu-se um lar missionário na cidade portuária de Pusã, a cerca de 320 quilômetros, em linha reta, de Seul. Pusã tinha então uma população de cerca de 1.100.000 habitantes, e apenas uma congregação de Testemunhas. O casal Hamilton, Evalyn Myung Hae Park (atual Sra. Emerson), e uma irmã coreana estabeleceram o lar.

Graças à ampla população de refugiados, valiam ouro as acomodações na cidade, mas encontrou-se uma moradia pequena. Localizava-se no segundo piso e dispunha de dois cômodos que serviriam de dormitórios, fora um pequeno cômodo que seria a sala de jantar, além do corredor, que serviria de cozinha. Não havia água encanada, e só se dispunha de reduzida eletricidade, o que fazia que o cozinhar, o limpar a casa e o lavar roupa fossem tarefas cansativas. Para tornar potável a água, ela tinha de ser fervida ou clorada.

“Os irmãos não dispunham de muitos bens naqueles dias, mas eram calorosos e amigáveis, e tinham zelo pelo serviço de campo”, afirma o irmão Hamilton.

Na cidade de Pusã já serviram 17 missionários, e, hoje em dia, existem 51 congregações para uma população de 3.500.000 habitantes. Os irmãos ali sempre consideraram um privilégio ter um lar missionário em sua cidade.

MARCANTE VISITA

Eis uma época momentosa — o primeiro visitante oficial da sede mundial desde os dias do irmão Hollister. O irmão Nathan H. Knorr, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), pisou o solo coreano em 27 de abril de 1956, no Aeroporto de Yoido, onde 500 dos 1.500 publicadores lhe deram boas-vindas. Acompanhando o irmão Knorr achavam-se Don Adams, do escritório de Brooklyn, e Lloyd Barry (agora um membro do Corpo Governante), que estava sendo treinado para o serviço zonal no Oriente.

A visita de seis dias do irmão Knorr estabeleceu um marco na história teocrática na Coréia. Seu primeiro discurso para as 1.330 pessoas reunidas em congresso nacional reassegurou-lhes de que elas verdadeiramente eram parte da organização mundial de Jeová. Neste congresso, 303 pessoas foram batizadas nas frias águas primaveris do rio Han. Apontando as perspectivas para o futuro, uma multidão de 3.473 pessoas reuniu-se no Estádio de Seul para o discurso público intitulado “Unificando Toda a Humanidade Debaixo de Seu Criador”.

O irmão Knorr viu que, naquele momento, a importante obra a ser feita na Coréia era a de ajudar estes novos a progredir espiritualmente. Ele colocou a principal responsabilidade por isto sobre os ombros do pessoal da filial e dos missionários. Também reconheceu que alguns estavam batizando-se cedo demais, sem suficiente conhecimento das Escrituras. Em resultado disso, alguns tinham-se desviado. Assim, instruiu os membros da filial para só realizarem batismos nas assembléias de circuito ou em congressos maiores. Isto ajudou. Os interessados então estudavam e se associavam por mais tempo antes do batismo, o que os preparava para assumir suas responsabilidades futuras como Testemunhas.

UMA MÃO NA RODA PARA A EDUCAÇÃO BÍBLICA

A obra de estudos bíblicos assumiu novas dimensões em 1956 com o lançamento da edição completa em coreano do livro “Seja Deus Verdadeiro”. Para os coreanos, a educação é uma das coisas mais importantes na vida, atestada pelo fato de que o atual índice de analfabetismo é de meros 8 por cento. A filial jamais precisou patrocinar aulas de leitura e escrita. Isto, por certo, é uma mão na roda para instruir as pessoas na Bíblia, e os publicadores têm um dom de fazer isto.

É também interessante a formação religiosa do povo no país. Quase 20 por cento dos 42.000.000 de habitantes da Coréia são budistas, outros 20 por cento professam o cristianismo, e os restantes não seguem nenhuma crença específica. No entanto, o xamanismo ainda predomina bastante por todo o pais, e o confucionismo domina as atitudes e os valores da maioria. Os publicadores se mostram alertas em oferecer instrução bíblica a todos os religiosamente confusos. Com que resultados? Eles têm sido espetaculares!

O ano de 1956 presenciou a designação de 12 pessoas para o serviço de pioneiro especial, além dos 11 missionários que já estavam no campo. Até os dias de hoje, esta força de pioneiros especiais, que agora soma cerca de 400 pessoas, continua a produzir excelentes frutos. Houve épocas em que os maiores aumentos procediam das populações citadinas. Mas, agora, com os modernos meios de comunicação e de transporte, os bem pequeninos povoados e vilarejos para onde os pioneiros especiais são enviados estão apresentando excelentes resultados.

FAMÍLIA DE ZELOSOS TRABALHADORES

O irmão Park Young-shin, superintendente de circuito, relata como sua família assumiu a adoração verdadeira graças aos esforços de pioneiros especiais e ao livro “Seja Deus Verdadeiro”. Tudo começou na cidade de Sunchon, na província de Chola, no sul da Coréia.

“Naquela época havia três pioneiros especiais na cidade, e, ao passo que minha mãe visitava os vizinhos, ela aceitou a revista A Sentinela de um deles”, começa ele. “Minha irmã mais velha e eu pedimos à minha mãe que não aceitasse isso, visto que as Testemunhas eram hereges ignorantes. No entanto, mamãe insistiu que pareciam ser pessoas boas que usavam a Bíblia. Naquele momento, duas senhoras, que eram Testemunhas, nos visitaram. Eu perguntei qual era a diferença entre elas e os protestantes. Achei razoável a explicação delas, e aceitei o livro “Seja Deus Verdadeiro” e concordei em estudar a Bíblia com elas, não para me tornar uma delas, mas para aumentar meu conhecimento da Bíblia.

“Não precisei de muito tempo para ver que, anteriormente, me haviam ensinado doutrinas falsas. Isso me pesava na consciência, e, por fim, decidi deixar a igreja. Quando relatei isto ao pastor, ele me disse: ‘Por que as Testemunhas de Jeová? Se você tinha de mudar, poderia ter ido para a Igreja Metodista ou para a Igreja da Santidade. Você escolheu a religião errada.’

“Em outubro de 1957, eu, minha mãe e minha irmã mais velha fomos batizados, sendo depois seguidos por meu pai e outros irmãos — ao todo, sete filhos. Minha mãe, aos 73 anos, é pioneira regular, ao passo que minha irmã mais velha tem servido como pioneira especial desde 1967, e já ajudou cerca de 60 pessoas à dedicação e ao batismo. Meus dois irmãos mais velhos são superintendentes viajantes.”

ELE TOCAVA SUA GAITA

Para Janeiro de 1957 foi programado outro congresso nacional, devido à primeira das várias visitas feitas pelo irmão Frederick W. Franz, atual presidente da Sociedade. Assim que ele saiu do avião, os irmãos o levaram depressa e direto para o salão do congresso, onde ele surpreendeu sua assistência por dizer que sentia muito por terem sido necessários 63 anos para ele vir ao país. Ele então os prestigiou por tocar alguns cânticos do Reino com sua gaita-de-boca.

Nos poucos dias depois do congresso, onde quer que o irmão Franz ia, os irmãos o seguiam, plenos de perguntas bíblicas que simplesmente tinham de ser respondidas. Em um desses dias, foi programado um almoço para as 13 horas. Depois de todos terem saboreado a deliciosa refeição composta de pratos coreanos, os irmãos começaram a fazer suas perguntas bíblicas e mantiveram o irmão Franz ocupado, respondendo a elas, até às 18 horas. O irmão Franz não se sentiu cansado, mas um de seus intérpretes sim, e foi necessário usar um segundo intérprete.

ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL DA VONTADE DIVINA, DE 1958

Quando chegaram dois outros missionários, Bradley Ness e Bill Phillips, que podiam cuidar do prédio em Seul, os 11 outros missionários puderam assistir ao congresso internacional em Nova Iorque. Além deles, compareceram 14 representantes coreanos. Depois do congresso, dois irmãos, Park Chong-il, que se tornara o primeiro tradutor residente da filial, em 1956, e Kim Jang-soo, além de duas irmãs, Kim Kyung-hi e Lee Hae-young, foram escolhidos para cursar Gileade.

O congresso “Vontade Divina” na Coréia aconteceu em outubro. Realizou-se num estádio aberto, onde 2.800 delegados enfrentaram o tempo frio do outono setentrional e compareceram no domingo, sendo que 53 pessoas foram batizadas.

EXPANSÃO NA ATIVIDADE DE CIRCUITO

A filial enfrenta a constante necessidade de superintendentes viajantes habilitados, em parte, por nomear irmãos formados em Gileade para servir nos circuitos ou nos distritos. Estes incluíam Norris Peters e Karl Emerson, que vieram para a Coréia em 1955. De início, ao visitarem as congregações, eram necessários intérpretes, até eles se tornarem fluentes no idioma. O irmão Chae Soo-wan, superintendente do Departamento de Serviço e membro da Comissão de Filial, era um oficial do exército da Coréia quando começou a estudar. Em 1957, foi nomeado superintendente de circuito e cursou Gileade em 1962.

No fim no ano de serviço de 1958, houve um auge de 2.724 publicadores, nas 54 congregações e nos muitos grupos isolados que formavam os cinco circuitos existentes. Com este aumento no campo, foi necessário encontrar mais irmãos habilitados, para serem incluídos entre os ministros viajantes. Ok Ryei-joon e sua esposa foram nomeados para servir num circuito, assim como Milton e Liz Hamilton, o primeiro casal de missionários a iniciar o serviço como ministros viajantes na Coréia.

Para o casal Hamilton, isso significava viver com os naturais do país e penetrar fundo em seu modo de vida, em contraste com a vida no lar missionário. Como estrangeiros, tiveram de aprender qual era a rotina diária de comer e de dormir no chão, além de sentar-se no chão, quando estavam nas reuniões no Salão do Reino. Naquela época, era escassa a água encanada, e não existiam esgotos sanitários. Todavia, tudo isso era parte do trabalho missionário. Atualmente, o irmão Hamilton serve na Comissão de Filial e é o superintendente da gráfica.

O irmão Park Ii-kyun iniciou o serviço de tempo integral em 1956, e acompanhou um dos missionários na atividade de circuito como intérprete. Depois de formado em Gileade, foi redesignado para a filial e atualmente serve como membro da Comissão de Filial.

Depois de Jerry e Barbara Tylich chegarem à Coréia, em 1966, foram designados a uma congregação em Seul, e, depois disso, serviram num circuito. Serviam junto com eles, em 1967, como superintendentes de circuito, Jim Tylich, Merlin Stoin, e Durand e Rachel Norbom. Os Norbom são agora membros da família de Betel de Kongdo. Rachel lembra-se de algumas das perguntas que lhe eram feitas quando visitava as congregações.

“Mesmo no início da década de 70, uma mulher ocidental que aparecesse no interior era uma novidade, e a pessoa tinha de acostumar-se com algumas perguntas de ordem bastante pessoal”, explica ela. “‘Qual é a sua idade?’ ‘É casada?’ ‘Quantos filhos tem?’, e, então: ‘Por que não tem filhos?’ Num certo lugar, espalhara-se o rumor de que um casal americano tinha vindo ali para levar algumas crianças para serem adotadas nos Estados Unidos; assim, várias mulheres vieram oferecer seus filhos para serem levados para o que julgavam ser uma vida mais próspera.”

Outros que também servem hoje como ministros viajantes entre os 43 circuitos da Coréia são Joseph Breitfuss (da Áustria), Perry e Geline Jumuad (das Filipinas), e John e Susan Wentworth (dos Estados Unidos), todos sendo missionários nos últimos 14 a 17 anos.

ESCAPAR POR UM FIO DE TUMULTOS

O avião que trazia o irmão Milton Henschel aterrissou no Aeroporto Internacional de Kimpo em 13 de abril de 1960. Sua visita zonal à filial coincidia com um congresso de quatro dias, que teve início com uma assistência de 2.385 pessoas.

Enquanto se realizava a Assembléia “Seguindo a Paz”, o Governo da Coréia tentava controlar sangrentos motins por parte de milhares de estudantes. Ocorriam entreveros bem na rua do local do congresso. A assistência do congresso, felizmente, subiu para mais 4.000 pessoas — o auge para uma Reunião Pública — lotando cada caminho do auditório Samil Dang.

Na noite de segunda-feira, no dia depois do congresso, o irmão Henschel presidiu à cerimônia de casamento dum casal de missionários, Bradley Ness e Elaine Scheidt. No entanto, sair do local do casamento para um restaurante provou-se perigoso. O irmão Henschel e vários missionários saíram do local do casamento para uma ruela estreita. Subitamente, viram-se encurralados entre milhares de estudantes amotinados que avançavam ameaçadoramente de um extremo da rua e caminhões lotados de policiais armados, que vinham do outro extremo. O irmão Henschel e os que estavam com ele correram para o outro lado da rua e entraram no restaurante instantes antes de os dois lados se chocarem. É surpreendente como conseguiram escapar! Uma vez dentro do restaurante, porém, gozaram de paz e de tranqüilidade.

Quando cinco outros formados em Gileade foram designados à Coréia, o Governo coreano negou seus pedidos de visto de entrada, uma vez que alguns oponentes tinham acusado as Testemunhas de ser revolucionários. Don Steele conseguiu solicitar uma audiência ao Embaixador dos EUA, Walter McConaughy, em 6 de abril de 1960.

O embaixador contou ao irmão Steele que era uma ironia da pior espécie acusar as Testemunhas de Jeová de revolucionários. Ele acabava de servir num país da Europa Oriental, e sabia exatamente como as Testemunhas tinham sido perseguidas na Alemanha Oriental. Mas, ele também indicou que, visto ser a Coréia um governo soberano, ela tinha o direito de conceder vistos de entrada a quem quisesse. No entanto, ele tentaria conseguir, para o irmão Steele, uma audiência com o Ministro do Exterior. Esta foi marcada para a terça-feira, 19 de abril de 1960. Visto que o irmão Henschel, que é um dos diretores da Sociedade Torre de Vigia dos Estados Unidos, achava-se na Coréia, ele também poderia conversar com o ministro.

As condições no país estavam-se agravando; o governo não conseguia sufocar os tumultos. Chegou a terça-feira. Os irmãos deveriam avistar-se com o Ministro do Exterior no centro da cidade, que era o cenário dos distúrbios mais intensos. Impávidos, e não desejosos de faltar ao encontro, os irmãos conseguiram chegar ao Ministério.

Encontraram o prédio completamente cercado, com as persianas metálicas baixadas, e sacos de areia por toda a volta, à medida que os ocupantes do prédio montaram barricadas para proteger-se do ataque dos estudantes. Obviamente não haveria a audiência naquele dia, e os irmãos Henschel e Steele voltaram correndo para casa pelas ruas laterais, tão rápido quanto puderam, desviando-se das pessoas atingidas ao longo do caminho.

Dias depois, o Ministério das Relações Exteriores avisou que o “motivo” das rejeições “tinha sido eliminado” e que os vistos seriam concedidos. Em junho daquele ano, chegaram Russell e Dottie MacPhee, Delauris Webb (atualmente Sra. Peters), Audrey Wendell (agora Sra. Holmes), e Lois Dyke (atual Sra. Renter), para realizar o trabalho missionário. Foi montado outro lar missionário em Cuangueju.

RESTRIÇÕES TEMPORÁRIAS

O governo de Syngman Rhee caiu na primavera setentrional de 1960. Meses depois, assumiu o poder um governo devidamente eleito, apenas para ser derrubado por um golpe militar em maio de 1961. Mais uma vez, a lei marcial exercia a repressão sobre todo o país. Assim, foram proibidas até mesmo grandes reuniões religiosas, até que as novas autoridades obtiveram o controle da situação. No entanto, a assistência às reuniões congregacionais não diminuiu sob tais condições.

Ao terminarem as restrições, todas as organizações religiosas tiveram de registrar-se de novo perante as novas autoridades. Tratava-se de uma questão delicada, que exigiu consideráveis medidas burocráticas. No devido tempo, registrou-se de novo a Watch Tower Songso Chaekja Hyuphoi of Korea no Ministério de Educação, em 25 de novembro de 1961.

ASSEMBLÉIAS “BOAS NOVAS ETERNAS”

Houve grande alegria quando se anunciou que a Coréia sediaria uma das Assembléias “Boas Novas Eternas” em 1963. A Coréia era então um país em desenvolvimento. Embora, hoje em dia, um milhão ou mais de turistas visitem a Coréia a cada ano, naquele tempo este era um dos maiores grupos de turistas que já visitara a Coréia — mais de 400 pessoas, de 19 países. Assim, toda Testemunha coreana estava interessada na chegada dos irmãos do exterior.

O primeiro avião, que transportava 94 congressistas estrangeiros, chegou na manhã de 24 de agosto de 1963, tendo a bordo o irmão e a irmã Knorr. O principal funcionário encarregado do protocolo do Ministério das Relações Exteriores estava a postos para dar boas-vindas ao irmão Knorr e sua esposa, que foram então levados à frente num carro particular. Mas, logo depois um cortejo de ônibus lotados de outros congressistas, escoltados por especial cortesia da polícia, ultrapassou o carro particular e o deixou bem para trás.

O batismo de 612 pessoas foi o maior até a data. O anúncio de que a revista Despertai! em coreano passaria então a ser quinzenal alegrou a todos os presentes, porque, desde seu primeiro número, em 8 de setembro de 1959, a Despertai! tinha sido uma revista mensal. A assistência no discurso público aumentou para 8.975 pessoas, três mil das quais eram pessoas interessadas! Não se deve desperceber, contudo, o aumento de 12 por cento de publicadores naquele ano, e a assistência de 9.893 pessoas na Comemoração da morte de Cristo.

PRIMEIRA AMPLIAÇÃO DA FILIAL

Havia crescente necessidade de expandir as instalações da filial, para manter-nos em dia com o notável aumento de publicadores. Afinal de contas, em menos de 15 anos, tal crescimento nos levara de um punhado de publicadores, antes da Guerra da Coréia, para bem mais de 5.000, já no início do ano de serviço de 1964. Em agosto de 1964, deu-se início à construção de um anexo de três pavimentos para a filial, o que triplicaria o espaço útil existente.

A família de Betel mudou-se para lá em 1.º de maio de 1965. O novo Salão do Reino era algo inédito na Coréia — ele possuía cadeiras!

BROCHURAS PARA O CAMPO

O dia 19 de julho de 1966 foi outro dia histórico. Desse tempo em diante, todas as publicações da Sociedade em coreano seriam impressas na Coréia. Não mais a filial dos EUA precisaria fornecer lotes doados de livros encadernados.

Os livros eram impressos em uma só cor, em papel de imprensa, e brochados, porque o custo de livros encadernados os tornaria proibitivos para o público. De qualquer modo, a mensagem era realmente o que importava, e ela seria a mesma. Ademais, a maioria das publicações feitas na Coréia, naquele tempo, era também em forma de brochuras. Qual foi a primeira publicação? ‘Coisas em Que É Impossível que Deus Minta’.

Os primeiros 50.000 exemplares do livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, lançado em coreano em Janeiro de 1969, duraram apenas alguns meses, e foi necessário reimprimi-lo de imediato. Os irmãos então fizeram bom uso no campo deste acessível instrumento para dirigir estudos bíblicos domiciliares. O número de estudos bíblicos subiu vertiginosamente! Quase todos que entraram na verdade naquele tempo aprenderam as doutrinas básicas da Bíblia mediante esta publicação. Até a data, mais de 2,2 milhões de exemplares deste livro já foram impressos e distribuídos apenas na Coréia! O total de publicadores subiu de apenas pouco mais de 8.000, em fins de 1968, para mais de 30.000 em 1982, quando foi lançado o livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra.

O 22.º auge consecutivo de publicadores, um total de 10.610, foi seguido de imediato pelo Congresso Internacional “Paz na Terra” em Seul, realizado no Ginásio Chang Choong, em outubro de 1969. Para uma assistência de 14.529 pessoas, o irmão Franz lançou o livro É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus?. Pela primeira vez, uma publicação em coreano era lançada simultaneamente com o inglês.

UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

A República da Coréia possui uma das maiores forças armadas do mundo. Impera o serviço militar obrigatório, sem exceções para os clérigos ou para os objetores de consciência.

Em 22 de fevereiro de 1971, chegou à filial uma carta registrada do Governo. A carta acusava as Testemunhas de ensinar as pessoas a não cantar os hinos patrióticos, e a não votar nas eleições políticas, e de deliberadamente incentivarem a evasão do alistamento militar. Ao responder a estas acusações, a filial explicou por que as Testemunhas de Jeová não são anarquistas, e a base bíblica para a sujeição às autoridades superiores. A filial disse que as Testemunhas não interferem em nenhum processo do governo, inclusive a votação ou o serviço militar.

A situação piorou. Depois de ficar sabendo de acontecimentos subseqüentes, o irmão Knorr sugeriu que os irmãos se dirigissem à embaixada dos EUA. Assim, em 24 de março de 1971, os irmãos Steele e Hamilton tiveram um encontro de uma hora com o Vice-Chefe da Missão Diplomática dos EUA, Francis T. Underhill. Depois de uma palestra viva a respeito da obra das Testemunhas de Jeová, e de sua posição quanto a estes assuntos, o Sr. Underhill disse que ele transmitiria tais assuntos ao Departamento de Estado em Washington. Entretanto, não aconteceu mais nada sobre este assunto naquela ocasião.

Assim, no decorrer dos anos, multidões de irmãos — idosos e jovens — tiveram de enfrentar galhardamente tais questões. Alguns não conseguiram concluir seus estudos, ou não puderam obter emprego. Ainda outros, que levaram até o fim uma vida de integridade, aguardam a ressurreição.

O MAIOR DE TODOS

Aproximava-se a época do terceiro congresso internacional a ser realizado em Seul, no verão setentrional de 1973. O Congresso “Vitória Divina” foi, de per si, o maior congresso já realizado na Coréia — mais de 29.000 pessoas estavam presentes, e 2.002 foram batizadas.

O irmão Park Ii-kyun, superintendente do congresso, fornece o seguinte relatório: “Devido à inquietação predominante no país, havia ainda uma intranqüilidade por parte das autoridades. Como resultado, a polícia mandou 130 policiais em trajes civis, e 2 deles foram colocados em cada um dos departamentos do congresso, além dos espalhados pelo estádio. A polícia comentou que nós éramos mais obedientes do que as pessoas educadas em universidades.

“Quando começa a chover nos eventos esportivos, e em outras reuniões ao ar livre, ocorre o pandemônio, todo o mundo correndo em louca disparada para as saídas. Durante uma sessão do congresso, começou a cair muita chuva, e os policiais correram para abrir todos os portões de saída, mas, para surpresa deles, ninguém saiu. Antes, todos abriram seus guarda-chuvas e simplesmente continuaram calmamente sentados, e ouvindo o programa.

“Ademais, o diretor do estádio me disse que o estádio jamais ficara tão limpo, e, se ele o pudesse alugar para as Testemunhas de Jeová uma vez por mês, ele sempre ficaria limpo.”

MOTIVO DE PREOCUPAÇÃO

Tudo parecia bem na primavera setentrional de 1975. A família de Betel se mudou para suas novas instalações espaçosas, e o irmão Lloyd Barry veio do Japão para visitá-la, a fim de proferir o discurso de dedicação. O ano de serviço de 1975 terminou com um notável relatório de serviço — inclusive com 8.120 pessoas sendo batizadas naquele ano. Assim, em apenas três anos, 19.600 pessoas foram imersas. Bem mais da metade de todas as Testemunhas coreanas estavam na verdade há menos de três anos.

Entretanto, os primeiros meses do ano de serviço de 1976 começaram com marcante decréscimo em publicadores e em estudos bíblicos domiciliares. Tal tendência decrescente deveria prosseguir nos três anos seguintes, resultando num decréscimo de 26 por cento em publicadores, passando de 32.693, em agosto de 1975, para 24.285, em novembro de 1978. A assistência na Comemoração da Morte de Cristo também caiu, passando de 68.000, em 1975, para 49.545, em 1978. Os irmãos na filial estavam perplexos. Haveria uma reversão desta tendência?

Naturalmente, nem eles, nem a Sociedade, estavam simplesmente deixando as coisas prosseguirem ao léu. A carta da Sociedade, de 4 de abril de 1977, declarava:

“Esperamos que os irmãos sejam cuidadosos em seu ensino. Evidentemente, alguns eram muito taxativos quanto à data de 1975, e, assim, não se lançou uma boa base. Tal base, naturalmente, devia ser a fé em Cristo Jesus e no sacrifício de resgate, e a dedicação devia ser feita com entendimento.”

Trata-se deveras de uma observação bem cândida! Alguns instrutores da Bíblia haviam dado ênfase demais a uma data. Muitos dos recém-batizados assumiram a verdade motivados por emoção. Até mesmo alguns anciãos haviam fixado suas esperanças em 1975. Ademais, o materialismo penetrara furtivamente no país, como resultado do rápido crescimento econômico da Coréia, e aumentava o nacionalismo. O resultado era: a apatia entre os irmãos.

O CAMINHO DE VOLTA; LONGO, MAS SEGURO

Mais de 24.000 Testemunhas, sólidas na fé, não ficaram abaladas por nenhuma data. Ainda assim, o caminho de volta a um novo auge de publicadores levaria oito longos anos para ser percorrido e não seria alcançado senão em agosto de 1983.

Já então ninguém mais entrava na verdade motivado pela emoção, e os que eram batizados faziam uma dedicação com entendimento. Muitos que se haviam tornado inativos começaram a voltar, reconhecendo que não havia realmente nenhum outro lugar para onde ir. Muitos aprenderam a duras penas que a verdade só pode ser encontrada em um único lugar.

PRIMEIRO SALÃO DE ASSEMBLÉIAS NO ORIENTE

Já em meados da década de 70, surgiram dificuldades para se obter locais adequados para as assembléias de circuito e eventos especiais. Como solução, os irmãos decidiram construir, eles mesmos, um Salão de Assembléias. Seu projeto arquitetônico e sua estrutura eram simples, mas suficientes para tornar uma assembléia confortável para todos os presentes. Por conseguinte, o primeiro Salão de Assembléias das Testemunhas de Jeová no Oriente foi dedicado em abril de 1976, em Pusã, Coréia. Até esta data, a Coréia possui sete Salões de Assembléias, que servem a cerca de 75 por cento de todos os publicadores.

AJUSTES NA PUBLICAÇÃO DE REVISTAS

Novos regulamentos do Governo em 1980 obrigaram a filial a fazer ajustes na publicação das revistas A Sentinela e Despertai!. Assim, se uma organização publicava duas revistas, só se daria permissão para uma. Em novembro de 1980, a revista Despertai! foi um dos 67 periódicos cujo registro foi cancelado pelo Governo. A filial da Coréia fez todo o empenho para anular tal decisão, mas isso de nada adiantou.

Daí, depois de dois meses, as autoridades inesperadamente nos informaram que elas permitiriam que se publicasse um suplemento de A Sentinela. O espírito santo estava operando! O suplemento teria a mesma data que A Sentinela, dia primeiro e quinze. Este proceder ainda é seguido.

PROIBIDOS OS MISSIONÁRIOS

Não são mais necessários os missionários estrangeiros para trabalhar no campo coreano, visto que os pioneiros coreanos locais podem cuidar adequadamente disto. Mas os missionários ainda são necessários para o treinamento e a edificação espiritual dos irmãos. Tendo isto presente, a Sociedade designou cinco outros missionários para a Coréia, no outono setentrional de 1977. Para a grande surpresa da filial, eles não conseguiram obter vistos de entrada. Ademais, os então missionários não receberiam permissão de retornar, caso se ausentassem do país.

No entanto, desde o fim de 1987, os missionários têm apreciado muito a consideração mostrada pelas autoridades no sentido de lhes conceder permissão de retornar ao país da forma usual.

GIGANTESCO PROJETO

No verão setentrional de 1979, o Corpo Governante deu à filial a permissão de procurar um novo local para a filial. Depois de um ano de buscas, foi encontrado um terreno de uns 3,6 hectares duma fazenda e área florestal, a pouco mais de 67 quilômetros ao sul de Seul, em Quiongue Do, Ansung Kun, Kongdo Myun. Isto situaria a filial num ambiente livre de poluição.

Este projeto de expansão tinha gigantescas proporções em comparação com os anteriores. A filial assumiria então a tarefa de imprimir revistas e também a de preparar-se para a futura impressão de livros. Uma atmosfera de excitamento prevalecia em 8 de maio de 1982, quando os prédios acabados foram dedicados e os irmãos Franz e Barry, da sede mundial, estavam presentes para proferir discursos especiais.

Graças à ajuda dos irmãos nos Estados Unidos e no Japão, bem como à cooperação de uma firma comercial impressora local, a filial dispõe agora de sua própria gráfica. Em muito pouco tempo, a tiragem de cada edição das revistas aumentou para quase 200.000 exemplares, o que mantém todas as máquinas rodando o dia inteiro.

Três anos depois de a filial mudar-se para Kongdo, o irmão Albert Schroeder, do Corpo Governante, atuando como superintendente zonal, dedicou um anexo do prédio, em maio de 1985. O anexo duplicou o espaço útil para quase 9.300 metros quadrados de área útil. Os publicadores aumentaram de 30.000, em 1982, para mais de 39.600, em 1985. Que tremendo crescimento!

Visto que Seul não é apenas a capital da Coréia do Sul, mas também o seu centro de comércio, julgou-se necessário que o escritório registrado da associação permanecesse ali. Um excelente prédio novo que abrange este escritório da filial, um Salão do Reino, e suficiente espaço de armazenagem para um depósito de publicações foi construído em Seul, sendo dedicado em 20 de dezembro de 1986. Quatro membros da família de Betel moram e trabalham ali.

RODA UMA ROTATIVA DE ALTA VELOCIDADE

Há quase 600 anos, os coreanos promoveram o avanço da tecnologia da impressão por inventarem o primeiro tipo móvel de metal. Atualmente, as Testemunhas coreanas utilizam a tecnologia de impressão da mais alta sofisticação para promover os interesses do Reino. Com todas as fases pré-impressão fluindo de equipamento assistido por computador, e uma nova rotativa Mitsubishi, que imprime 500 revistas de 32 páginas, em quatro cores, por minuto, eles não têm problema algum em produzir suficientes revistas e outras publicações. A primeira idéia de se obter tal enorme impressora ocorreu no verão setentrional de 1983, quando o irmão Lloyd Barry, que servia como superintendente zonal, viu a situação superapertada da gráfica.

Naquele tempo, a gráfica estava trabalhando em sua plena capacidade. Não havia absolutamente nenhum espaço disponível para se colocar uma rotativa de 130 toneladas, de uns 26 metros de comprimento, naquele prédio. Isto significava construir outro prédio, um segundo anexo em Kongdo, em apenas quatro anos. Até essa época, as revistas em coreano estavam três meses atrasadas em relação com as edições em inglês, de modo que a perspectiva de imprimir revistas simultaneamente com o inglês fazia com que valesse a pena ter-se todo esse trabalho.

A importação de tal rotativa, porém, estava eivada de problemas. A diretriz governamental estipulava que era preciso obter-se uma recomendação do Governo, antes de ser concedida a permissão para a importação. Isto era quase que impossível. No entanto, no verão de 1985, tal restrição foi eliminada, e os irmãos na filial obtiveram de imediato uma licença de importação. Em questão de seis semanas desde que se concedeu tal licença, a lei mudou de novo, exigindo uma recomendação. O espírito santo abrira o caminho; os irmãos agiram rapidamente. Assim, na filial, hoje em dia, a rotativa está rodando, de modo que as mãos dos publicadores se mantenham repletas de publicações usadas no testemunho.

OLHAR À FRENTE

Para o seu povo, a Coréia é conhecida como Choson, o “país da manhã tranqüila”. Há alguns anos, os irmãos coreanos ficavam imaginando como é que poderiam, algum dia, levar a todas as pessoas em seu país a mensagem do Reino, e quantas destas pessoas Jeová escolheria como suas “ovelhas”. — Mat. 25:32.

Atualmente, apenas 7 por cento do território é considerado não-designado, e quase todo ele é cuidado nos meses de verão pelos publicadores. Os territórios nas cidades são muitas vezes cobertos mais de uma vez por mês. Visto que bem mais de um quarto dos mais de 48.000 publicadores acham-se no serviço de pioneiro regular, além dos que servem como pioneiros auxiliares todo mês, o povo da Coréia sabe quem são as Testemunhas de Jeová. Na verdade, Jeová tem escolhido suas “ovelhas” também dentre os coreanos.

Como um dos escritores da Bíblia se expressou: “Semeia de manhã a tua semente, e não descanse a tua mão até a noitinha; pois não sabes onde esta terá bom êxito, quer aqui quer ali, ou se ambas serão igualmente boas.” Tem-se semeado a semente, e a colheita tem sido boa. O futuro é brilhante. Apenas o espírito de Jeová poderia ter feito que isto acontecesse aqui na Coréia. — Ecl. 11:6.

[Nota(s) de rodapé]

a Na Coréia, o nome de família (sobrenome) sempre vem primeiro, na linguagem oral e na escrita.

b As mulheres casadas retêm seu sobrenome anterior.

c Depois de 36 anos de fiel serviço missionário na Coréia, Earlene Steele faleceu em 1985, após prolongada enfermidade.

[Foto na página 143]

Lee Shi-chong, colportor que viajou extensamente de bicicleta pelas áreas rurais, no início da década de 30, para disseminar a mensagem do Reino.

[Foto na página 146]

Ok Ung-doo Ok Ryei-joo e Ok Ji-joon (da esquerda para a direita) enfrentaram duras provas durante a II Guerra Mundial.

[Foto na página 153]

Choi Sung-kyu sofreu terrivelmente até a morte, em 1941, devido às suas crenças, mas sua fé serviu de grande encorajamento para seus irmãos.

[Foto na página 157]

Missionários e a família da filial, na frente da filial amplicada, em Seul. O anexo à direita foi dedicado em 1975.

[Foto na página 159]

Earlene e Don Steele, primeiros missionários da Torre de Vigia na Coréia, em agosto de 1949.

[Fotos na página 175]

Irmãos e irmãs dão boas-vindas a Nathan H. Knorr então presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), depois de seu avião aterrissar no Aeroporto de Yoido, na Coréia, em 27 de abril de 1956. Acompanhavam-no Don Adams e Lloyd Barry.

[Foto na página 178]

Em janeiro de 1957, durante um congresso realizado em Seul, Frederick Franz, atual presidente da Sociedade Torre de Vigia(EUA), retribuiu às boas vindas dos congressistas com uma seleção de cânticos do Reino tocados em sua gaita-de-boca.

[Fotos na página 180]

Durant e Rachel Norbom, e Liz e Milton Hamilton (da esquerda para a direita), dois casais de missionários que já estão na Coréia por mais de 20 e 33 anos, respectivamente.,

[Foto na página 181]

Missionários que atuam como superintendentes viajantes. Da esquerda para a direita: Susan e John Wentworth, Geline Jumuad, Josef Breitfuss e Perry Jumuad.

[Fotos na página 183]

Kim (Phillips) Kyung-hi, Evalyn Park (atual Sra. Emerson), e Liz e Milton Hamilton estabeleceram o lar missionário em Pusã, em 1955.

Keith e Evelyn Kennedy, Karl Emerson, Druzilla Craig (atual Sra. Youngberg), Elaine Scheidt (atual Sra. Ness) Norris Peters e Earlene e Don Steele, nos degraus do prédio da filial e lar missionário, atingido por obuses, em Seul, em 1957.

[Foto na página 191]

Estes irmãos, da Comissão de Filial, já se acham no serviço de tempo integral por 37 anos, em média. Na fileira da frente, da esquerda para direita: Chae Soo-wan, Don Steele (coordenador da Comissão de filial, e Chun Young-soon. Fileira de trás, da esquerda para a direita: Park li-kyun, Milton Hamilton, e Park Chong-il.

[Foto na página 194]

Equipe da filial, composta de japoneses e coreanos, trabalhando e recebendo treinamento, depois que a rotativa de uns 26 metros de comprimento, que imprime em quatro cores, foi instalada no anexo da filial em Kongdo, em 1986.

[Fotos/Mapa na página 136]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

CORÉIA

CHINA

U.S.S.R.

Mar Amarelo

Piongueiangue

Sariwon

ZONA DESMILITARIZADA

SEUL

Inchon

Rio Han

Ansung-Kongdo

Piunguetaeque

Taejon

Cunsan

Taegu

Chonju

Pusã

Cuangueju

Cheju

Mar do Japão

JAPÃO

[Fotos/Quadro na página 193]

No dia 23 de maio de 1987, Milton G. Henschel, do Corpo Governante, dedicou um novo anexo de três pavimentos do prédio da filial em Kongdo. O novo prédio da gráfica abriga uma nova off-set de 130 toneladas, que imprime em quatro cores. O irmão Henschel falou a 2.060 pessoa reunidas no local da filial. Este é o segundo grande anexo da filial, desde 1982.

[Foto]

Prédio residencial original, dedicado em 1982.

[Foto]

Escritório; gráfica (parte creme, ao centro); e, à direita, novo prédio residencial, dedicado em 1985.

[Foto]

Anexo da gráfica, à direita, dedicado em 1987.

[Foto]

Concepção arquitetônica do anexo da filial da Coréia.

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