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Certeza viva de paz na terraDespertai! — 1971 | 8 de maio
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Certeza viva de paz na terra
Conforme exemplificado nas Assembléias “Homens de Boa Vontade” no Canadá
AS DEZ Assembléias de Distrito “Homens de Boa Vontade” das Testemunhas de Jeová realizadas no Canadá, no verão setentrional passado, foram revigorante alívio. Para quem? Para os cansados de ouvir falar de ódios, motins, crimes hediondos, guerras, abusos de tóxicos e crescentes índices de filhos ilegítimos e doenças venéreas.
Tais assembléias constituíram certeza viva para as pessoas de disposição justa, para os observadores pensantes, de que há pessoas na terra que, pelas suas vidas agora, demonstram que pode haver um mundo da humanidade sem ódios, temores ou guerra.
Com uma assistência total de 91.876 pessoas, havia suficientes pessoas nos dez locais para impedir que alguém afirmasse que o que ocorria era coincidência ou, simplesmente, um feliz acaso.
Os que compareceram às assembléias se interessavam em ser “homens de boa vontade” de Deus. Esta frase vem da Bíblia, que mostra que o homem tem de possuir a boa vontade ou favor de Deus a fim de obter a vida e a paz duradouras. — Luc. 2:13, 14.
Trabalhando Voluntariamente Juntos em Paz
Assistir a todos os congressos teria exigido uma viagem e tanto. Os locais abrangiam mais de uma faixa de 6.500 quilômetros do Canadá, de costa a costa. Naturalmente, muito trabalho era necessário para se preparar o programa e aprontar os locais nas dez cidades de assembléia.
Por exemplo, em Amherst, Nova Escócia, por serem maiores as multidões do que se esperava, foi necessário trabalho extra para conseguir suficientes cadeiras. Através dum acordo com as autoridades locais, cada cadeira de toda escola num raio de cento e quarenta quilômetros de Amherst foi usada. Quando estas não bastaram, as Testemunhas transportaram de caminhão outras mais de Halifax, a mais de 210 quilômetros de distância.
Como é que as Testemunhas conseguem organizar um trabalho assim? Muitas vezes simplesmente por usar métodos que acharam práticos em seu ministério público. Um exemplo é a limpeza do local do congresso em Ednonton, Alberta. Cada uma das dezessete congregações locais teve uma designação de “território”. O edifício foi dividido em tal número de partes. A medida que os voluntários se apresentavam para o trabalho, eram designados de acordo com a congregação a que pertenciam.
Nestas assembléias, via-se a disposição realmente maravilhosa de trabalhar em favor do próximo. Por exemplo, em Príncipe George, Columbia Britânica, a fim de suprir o cardápio do restaurante, uma Testemunha saiu em seu barco de pesca e apanhou 1.270 quilos de salmão e hipoglossos. Contribuiu isto para o usufruto de seus irmãos cristãos.
Mas, às vezes, os esforços pareciam de início não corresponder aos resultados desejados. Em Sault Sainte Marie, Ontário, fez-se grande esforço de persuadir as autoridades locais a permitir que as Testemunhas usassem uma área de chão macadamizado perto do local de assembléia para o restaurante. Todas as tentativas falharam. Outro local teve de ser usado. Mas, quão gratas ficaram as Testemunhas de que isto acontecera. Por quê? Durante a assembléia, foi necessário que a municipalidade abrisse buracos em quatro lugares naquela área de macadame para tentar localizar a fonte de entupimento dos esgotos. Se tivessem usado aquele terreno, teriam que mudar de lugar o restaurante no primeiro dia da assembléia.
Hospedagem Para Congressistas
Arranjar hospedagem para os congressistas sempre é uma das coisas essenciais pré-assembléias. Milhares de Testemunhas participaram voluntariamente da procura de quartos, felizes de manifestar a hospitalidade cristã.
Em Toronto, Ontário, a Universidade de York ofereceu seus dormitórios. Isto proveu muitos quartos juntos, e centenas de congressistas foram alojados ali. Em Sherbrooke (Quebeque), Edmonton e Amherst, os dormitórios de faculdades e universidades foram também oferecidos, a Universidade de Monte Allison nesta última cidade oferecendo lugar para cerca de 1.000 pessoas.
Quando se tornou óbvio que a assistência esperada de 2.500 pessoas em Amherst seria ultrapassada, a busca teve de ser ampliada a Moncton, distante uns 58 quilômetros. Ali, certa senhora, depois de retitar o pedido dum visitante, telefonou para dizer que mudara de idéia, que, ao examinar seus motivos, compreendera que fora o preconceito que aprese a motivara a recusar o pedido. Então ela desejava oferecer quartos. Também, explicou que iria conversar com suas vizinhas que haviam negado quartos pelo mesmo motivo. E foi mesmo. Nos diversos dias a seguir, telefonou repetidas vezes, dizendo: ‘Podem vir e anotar as ofertas da Sra. Tal e Tal. Ela está pronta a oferecer hospedagem.’ Desta forma, foram obtidas hospedagens para vinte e cinco pessoas.
Batizados Como “Homens de Boa Vontade” de Deus
Muitas lágrimas de alegria foram vistas nos locais de batismo nas dez assembléias, à medida que filhos, filhas e amigos foram abraçados, felicitados e acolhidos na família feliz de “homens de boa vontade” de Jeová. Em Sault Sainte Marie, quando os 207 candidatos ao batismo se levantaram para responder às perguntas, foi interessante notar que predominavam entre eles os jovens.
Mas, havia muitos mais idosos que também foram batizados. Em Edmonton, onde duas estações locais de TV transmitiram a imersão, 208 pessoas foram batizadas. Entre elas se achava um casal idoso de Rocky Mountain House, Alberta. Há muito procuravam a verdade de Deus, e se haviam afiliado a muitas religiões diferentes. Há cerca de um ano atrás, começaram a estudar a Bíblia com as Testemunhas. “Não estamos mais tateando nas trevas”, disse a esposa de setenta e dois anos. “Sentimo-nos tão felizes de ter finalmente encontrado a verdade.” Seu marido de oitenta anos anuiu: “Jamais soube que tinha tantos parentes.”
Entre os 151 imersos na assembléia em Sherbrooke, Quebeque, achava-se uma senhora de Levis. Depois de começar a estudar a Bíblia, o marido dela se lhe opôs, ameaçando obrigá-la a sair ‘de casa e de destruir todas as suas publicações bíblicas. Mas, enquanto cuidava bem dos assuntos domésticos, ela continuou a estudar. Agora fora batizada. E o que dizer do marido dela? Oh, ele já foi imerso há uns seis meses atrás. O que acontecerá? Há um ano atrás, a sua filha de seis anos lhe pedira que ele lesse para ela antes de dormir. Ele concordou. Ela lhe entregou o livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado. Ele gostou do que lia. Por fim, isto o levou a aceitar o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna. Ele o leu, pediu um estudo bíblico e foi imerso em 1969.
O maior número de batizados em qualquer das dez assembléias foi em Toronto. Ali, 662 pessoas deram esse passo, mostrando que desejavam ser homens de boa vontade de Deus. Em todas as dez assembléias no Canadá houve 2.012 pessoas que se batizaram em símbolo de sua dedicação a Jeová, o Deus que dá paz.
Mais Congressistas do que o Esperado
Os tratores param, os homens vêm dos campos, e as famílias através das pradarias deixam suas fazendas no pleno verão ‘‘setentrional para a assembléia de Regina. Para muitos, isso exigia semanas de bom planejamento, para poderem comparecer à assembléia, mas quão felizes se sentiam de terem vindo! Antecipara-se que 3.500 pessoas viriam, mas foi bom que alguns trouxeram cadeiras de jardim, porque, no dia final, no discurso principal A Salvação da Raça Humana — ao Modo do Reino”, 5.533 pessoas estavam presentes!
Como se deu nas dez assembléias, quando uma pessoa andava pelas multidões na assembléia de Sault Sainte Marie, podia sentir o espírito de paz e contentamento. Havia excitação, também, quanto ao fato de que estavam presentes muito mais pessoas do que as 2.500 previstas. Quantas vieram ouvir o discurso público? Um total de 11.054!
Em Edmonton, foi ótimo que um prédio do tamanho do “Edmonton Gardens” fora contratado. Embora se esperassem 4.500 pessoas, tornou-se claro no primeiro dia que se iriam utilizar todos os 7.000 lugares. Pode imaginar a agitação à medida que a assistência foi aumentando dia a dia até chegar quase ao dobro do que se previra — 8.255 pessoas?
Em Sherbrooke, na assembléia em língua francesa, um total de 4.564 pessoas acorreram ao Palais des Sports, de 4.200 lugares, para o discurso público. A assistência dera um salto de quase 40 por cento desde o dia inicial. E, em Amherst, onde se esperavam 2.500 pessoas, 6.221 superlotaram o local de assembléia. Que impacto isso causou numa cidade de apenas cerca de 10.500 habitantes! Êste foi o maior congresso de qualquer espécie já realizado nas Marítimas.
Calculara-se que cerca de 16.000 pessoas compareceriam à assembléia de Toronto. Mas, para o discurso público, havia quase o dobro desse número, ou 31.272 pessoas — a maior desta série de assembléias no Canadá. Deveras, o interesse na mensagem de esperança da Bíblia cresce numa proporção tremenda, e, como resultado, a assistência em todas as dez assembléias ultrapassou as expectativas.
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Os veículos noticiosos deram excelente cobertura em várias assembléias. Por exemplo, em Sault Sainte Marie, a Estação de FM, CKCY, muito preocupada de que nem todos pudessem ouvir o programa, devido as grandes multidões presentes, ofereceu-se a gravar partes do programa e transmiti-las depois. Transmitiram ao vivo o inteiro drama baseado no livro bíblico de Ester na noite de sexta-feira e daí repetiram sua fita na noite seguinte em sua estação de ondas médias.
A rede francesa dá “Canadian Broadcasting Company” gastou dois dias em Sherbrooke filmando os pontos destacados da assembléia. La Tribune, um jornal de língua francesa, devotou cerca de 30 por cento de sua primeira página à assembléia no segundo dia. Em dias sucessivos, havia às vezes mais de meia página de fotos.
Observações Quanto à Conduta Pacífica
Muitos foram os comentários ouvidos nas cidades de assembléia no sentido de que as Testemunhas exemplificam a paz e a boa ordem. A reação das pessoas em Sault Sainte Marie diante da assembléia foi bem resumida por um policial que disse: “Os senhores trouxeram um espírito de pacificidade à nossa cidadezinha.”
Em Amherst, certa moradora disse a respeito de seus convidados que eram Testemunhas: “Será que não fazem nenhum barulho! Tinha oito pessoas aqui em casa por quatro dias e dificilmente sabia que estavam aqui.” Comentou um dono dum motel: “As melhores pessoas que já estiveram aqui, são bem-vindas a qualquer tempo. . . . É óbvio que as Testemunhas de Jeová têm algo que nós não temos.” E o chefe de polícia comentou: “Podem retornar a qualquer ano — duas vezes por ano no que me diz respeito.”
A boa ordem e limpeza da assembléia em Príncipe George foi observada pelo inspetor de saúde pública, que disse: “Provavelmente os senhores conhecem isto melhor do que eu.”
Uma autoridade da direção da “Woodbine Racetrack” em Toronto disse que o jardineiro ficou surpreso quando chegou a Montreal na manhã de domingo, “porque nem sequer uma flor fora partida”. Durante a assembléia, um guarda de segurança empregado na pista de corridas que falava a um repórter apontou para um letreiro que rezava “Mantenha Woodbine Limpa” e disse sobre as Testemunhas: “É a primeira vez que eu vi alguém realmente tentando fazê-lo.”
O Telegram de Toronto também teceu observações a respeito das Testemunhas, tais como: “A honestidade e a integridade das Testemunhas são uma constante. Seja lá o que for que se pense das Testemunhas — e uma porção de gente pensa sobre muitas coisas negativas — elas vivem vidas exemplares. E todas crêem exatamente a mesma coisa sobre tudo.” O Telegram descreveu-as ainda mais: “Também parecem ser as pessoas mais bondosas que se poderia esperar encontrar.” “Embora atingissem milhares, não havia empurrões, nem pisadelas — nem mesmo um temperamento desgastado devido ao calor.” “Não são antinacionais; simplesmente são a favor de Jeová”, observou o Telegram. “Não queimam seus certificados de alistamento, nem se levantam em rebelião . . . nem se empenham em qualquer forma de sedição.”a
À medida que o atual sistema em todas as partes do mundo continua a deteriorar a passos rápidos, torna-se cada vez mais patente para as pessoas de pensamentos claros que há um grupo de habitantes da terra que se destacam como diferente sociedade, exemplificando a paz na terra.
Que esta conduta que visa a paz realmente se baseia em amor tornou-se evidente quando o desastre assolou um congressista e sua família em Amherst. Seu carro-reboque pegou fogo. Perderam tudo. Dentro de meia hora, outro carro-reboque lhes havia sido emprestado. As Testemunhas supriram o marido, a esposa e os filhos com roupas e contribuíram suficiente dinheiro para manter a família durante o resto da assembléia e para voltarem para casa.
O Que Prova Isso?
Primariamente, tais assembléias visavam instruir e beneficiar as testemunhas de Jeová. Assim, o que tudo isso lhe devia significar?
Lembra-se de algumas das coisas ditas por observadores sobre as Testemunhas? — ‘Pessoas honestas.’ ‘Pessoas de integridade.’ ‘As melhores pessoas que já estiveram aqui.’ Um fotógrafo noticioso em Toronto não questionaria isso. Havia deixado suas chaves na fechadura do porta-malas de seu carro. O carro estava localizado num parqueamento do local da assembléia. Naquele porta-malas havia equipamento fotográfico no valor de centenas de dólares. Quando se lembrou e correu de volta para o carro, o porta-malas estava fechado a chave. Fora trancado por uma Testemunha que vira o que tinha acontecido e que entregou as chaves ao Departamento de Achados e Perdidos. Que alívio quando o fotógrafo as recebeu de volta! Não seria mais agradável a vida se vivesse entre pessoas dessa espécie?
Limpas e ordeiras? Sim. O diretor do conselho municipal de Sherbrooke observou: “Um membro do conselho municipal visitou a assembléia. . . . Disse que jamais em sua vida vira um edifício com quatro mil pessoas sem poder encontrar um pedaço de papel ou ponta de cigarro no chão. Os senhores são as pessoas mais limpas e mais ordeiras que eu já vi.” É com tal espécie de pessoas que gostaria de associar-se?
Que as Testemunhas gozam de união ao ponto de apaziguarem o “conflito de gerações” é visto na observação de um repórter em Sherbrooke: “Para os ‘profanos’ que se aventurassem a ir ao Palais des Sports, as Testemunhas de Jeová pareciam pessoas pacíficas que tentavam bastante viver segundo o que diz a Bíblia. Ademais, é estranho ver congressos em que participam famílias inteiras. Neste congresso, jovens e idosos estavam em contato, assim como bebês que não podiam sequer entender nada.”
O verdadeiro Cristianismo transcende barreiras nacionais e raciais erguidas por homens egoístas. Não havia clamores aqui contra a discriminação nestas assembléias. Deveras, foram organizadas sessões especiais para muitos imigrantes que se tornaram testemunhas de Jeová. Em Vancouver, Colúmbia Britânica, havia 65 pessoas nas sessões em grego; 106 nas em italiano. Regina tinha 146 e Winnipeg 209 pessoas nas reuniões em ucraniano. Sessenta e sete pessoas de língua finlandesa se achavam em Sault Sainte Marie. Edmonton tinha 35 pessoas numa sessão em italiano. A população cosmopolitana de Toronto foi refletida no arranjo de cobertura completa do programa em italiano, havendo 1.565 pessoas presentes. E partes principais foram reproduzidas em espanhol para 111 pessoas, em português, para 84, e em grego, para 334.
A profundidade da devoção de alguns destes congressistas pode ser melhor entendida quando a pessoa se lembra de que nem todos gozavam boa saúde nem podiam mover-se com facilidade. Quando um senhor em seus setenta e poucos anos com câncer chega e mantém sua determinação de batizar-se, é preciso pausar e considerar o que deve significar para ele chegar a esta íntima relação com seu Deus.
Sendo a terra povoada de pessoas assim, depois de Jeová Deus a ter limpado na vindoura “grande tribulação”, duvida de que haverá paz infindável na terra? A recapitulação desapaixonada do que se acha aqui registrado mostra claramente que há um povo que até mesmo agora busca a paz. (1 Ped. 3:8-11) Não apenas em congressos, mas cada semana, em seus Salões do Reino, poderá sentir esta paz e gozar desta saudável associação.
Por que não examina tais coisas um pouco mais por si mesmo? Goze a felicidade, os companheiros de boa moral, a unidade e a paz até mesmo agora. Descubra por que florescem e crescem entre as testemunhas de Jeová? numa era em que faltam notadamente na sociedade em geral. Pode significar eterna felicidade para o leitor e seus entes queridos.
[Nota(s) de rodapé]
a O Telegram, exemplares de 11, 25 e 28 de julho de 1970.
[Foto na página 17]
O banquete de Ester para o rei persa e Hamã, conforme apresentado no drama em Sherbrooke, Quebeque.
[Foto na página 18]
Algumas das 31.272 pessoas em Toronto, na maior das Assembléias “Homens de Boa Vontade” no Canadá.
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O comércio dos abortos — visto por um médicoDespertai! — 1971 | 8 de maio
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O comércio dos abortos — visto por um médico
NOS meus mais de trinta anos de experiência médica como cirurgião-geral, tenho visto muita coisa. Mas, não estava bem preparado para aquilo que meus olhos viram nesta manhã de 11 de agosto de 1970. Foi meu primeiro dia de trabalho num hospital de Brooklyn depois que se tornou legal no estado de Nova Iorque que os médicos realizassem abortos a vontade.
Ao me aproximar da seção de cirurgia para fazer a operação que tinha planejado para o dia de hoje, notei primeiramente a fileira de macas hospitalares no corredor do lado de fora da própria sala. Em cada uma havia uma jovem paciente meio tonta devido à medicação pré-operatória, esperando sua vez para um aborto. Dentro da seção de cirurgia, que consiste em três salas de operação, tornou-se logo evidente que todos — os médicos, as enfermeiras, os anestesistas, os serventes e vários auxiliares — trabalhavam sob mais do que a tensão usual ao cuidarem dos casos de abortos. Tais operações estavam sendo feitas numa taxa de uma a cada quinze minutos.
Repulsa Entre a Equipe Hospitalar
Ao examinar a tabela de operações para aquele dia, notei que meu caso era o único “legítimo” para o dia — as outras vinte e quatro operações planejadas eram todas abortos. Era óbvio que a equipe operatória não se sentia feliz com esta situação. Quando comentei que eu me sentia um tanto deslocado, no sentido de que fazia a única operação real do dia, um dos anestesistas, um médico que me era totalmente desconhecido, atravessou a sala de cirurgia, segurou a minha mão e apertou-a, saindo sem dizer uma palavra sequer. Considerei isto como indício de que concordava com minha repulsa diante da situação.
Durante a operação, conversou-se bastante sobre a questão dos abortos. Diversas enfermeiras e auxiliares de enfermagem indicaram que sentiam tamanha repulsa de trabalhar sob tais condições que pensavam em outros tipos de trabalho fora da sala de operações. Algumas até mesmo mencionaram abandonar a própria enfermagem.
Visto que a lei do Estado de Nova Iorque permite abortos que incluam gravidezes até de vinte e quatro semanas de gestação, vários das duas dúzias de casos programados para o dia de hoje estavam sendo feitos em mulheres que estavam em óbvio estado de adiantada gravidez. Em tais casos, o aborto não é uma operação simples como comumente é o caso duma gravidez de quatro a seis semanas de duração. Para se interromper uma gravidez de vinte e quatro semanas, é
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