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A bênção da liberdade de reunião na Grécia!A Sentinela — 1976 | 15 de janeiro
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A bênção da liberdade de reunião na Grécia!
MANCHETES nas primeiras páginas dos jornais de Atenas proclamavam a notícia: As Testemunhas de Jeová realizam uma grande assembléia pública na Grécia!
Muitas vezes acompanhadas de fotografias da reunião, manchetes tais como as seguintes proclamavam: “20.000 ASSISTEM A CONGRESSO INTERNACIONAL”, “CONCLAVE LOTADO DE TESTEMUNHAS DE JEOVÁ!” “UMA REUNIÃO PACÍFICA!”
Mas, o que havia de incomum nisso? As testemunhas de Jeová são conhecidas em todo o mundo pelos seus grandes congressos. Centenas deles são realizados nas principais cidades do mundo, já por décadas. Os maiores estádios de futebol, de beisebol, pistas de corrida, auditórios e diversos outros locais, capazes de acomodar grande massa de gente, têm sido o cenário de muitas assembléias públicas das testemunhas de Jeová.
Então, por que criou tal evento manchetes em Atenas, no julho passado?
POR QUE NOTÍCIA DE PRIMEIRA PÁGINA?
Esta reunião era notícia de primeira página porque representava uma notável inversão! Era a primeira vez que as autoridades permitiam às testemunhas de Jeová ter uma grande assembléia na Grécia! Os governos anteriores haviam proibido a esses cristãos realizar tais reuniões, assembléias que em outros países são acolhidas como acontecimentos normais em cada ano.
Mas, na Grécia, a organização e realização bem sucedida da assembléia, no ano passado, era um acontecimento de importância extraordinária. Significava uma enorme mudança na atitude do governo. E visto que esta assembléia de quatro dias marcava época na Grécia, recebeu ampla publicidade na imprensa.
Por que eram antes impossíveis tais assembléias? Porque a dominante Igreja Ortodoxa Grega havia conseguido pressionar os governos anteriores ao ponto de que tais assembléias foram proibidas. De fato, a intolerância religiosa e a perseguição pelo clero haviam sido tais, que até mesmo os casamentos de testemunhas de Jeová tiveram negado o reconhecimento legal. E os filhos oriundos de tais casamentos eram classificados como ilegítimos.
OS EVENTOS QUE LEVARAM À ASSEMBLÉIA
Meses antes deste acontecimento, as testemunhas de Jeová na Grécia decidiram tentar realizar uma assembléia em Atenas ou nas vizinhanças, por volta dos meados de julho. Mas, visto que nunca fora permitido tal congresso pelos governos anteriores, havia dúvidas sobre a concessão da permissão.
No entanto, certos acontecimentos forneciam alguma esperança de que tal reunião pacífica de cristãos sinceros talvez fosse possível. Primeiro, em 1974, veio ao poder um novo governo na Grécia, seguido pela adoção duma nova constituição do tipo democrático. Esta constituição entrou em vigor em 11 de junho de 1975.
A nova constituição garantia, entre outras coisas, o direito de reunião pacífica. Garantia também a liberdade de consciência religiosa e a realização de serviços religiosos por qualquer religião conhecida, sem impedimento. Estes direitos básicos haviam de ser protegidos por lei.
Outro acontecimento significativo foi o de que, em 8 de julho de 1975, os jornais de Atenas publicaram o acórdão N.º 2106/1975 do Conselho do Estado. Este declarava que a religião das testemunhas de Jeová é conhecida e reconhecida, e que quaisquer uniões matrimoniais solenizadas entre testemunhas de Jeová deviam ser reconhecidas por lei. Quaisquer filhos oriundos de tais casamentos deviam ser considerados como legítimos.
Estes novos desenvolvimentos criaram um ambiente favorável. Deram esperança de que, por fim, se podia realizar uma assembléia livre de perturbação. Isto seria realmente um marco na luta pela liberdade de adoração na Grécia. Pois, embora antigamente classificada como “berço da democracia”, a Grécia havia perdido muitos direitos democráticos, fundamentais, por causa da interferência do clero e dum regime do tipo ditatorial. Sim, o “berço” mostrou-se por muito tempo vazio!
Fez-se um requerimento às respectivas autoridades para a realização duma assembléia de quatro dias. O requerimento foi examinado pelas autoridades — e aprovado!
O local da Assembléia “Soberania Divina” seria o Estádio Apolo, em Rhizúpolis, perto de Atenas. O programa seria similar ao das muitas outras assembléias das testemunhas de Jeová realizadas no ano passado em cidades diferentes, em todo o mundo.
PREPARATIVOS PARA A ASSEMBLÉIA
Antes de começar a assembléia, muitas testemunhas de Jeová de diversas profissões, vieram trabalhar na preparação do estádio, sem cobrar nada. Empreenderam a tarefa com entusiasmo, muito apreciativos do privilégio de participar nesta ocasião importante, que faria história.
Em primeiro lugar, era preciso construir um palco para as diversas partes do programa. Conjuntos de alto-falantes tinham de ser armados em diversos lugares em todo o estádio. Além disso, era preciso construir sanitários para homens e mulheres, visto que não existiam no estádio. Era preciso providenciar áreas de estacionamento de automóveis. Fez-se muito outro trabalho, para que os congressistas estivessem confortáveis e se cuidasse das suas necessidades, tanto físicas como espirituais.
Quando veio a hora do começo da assembléia, na quinta-feira, 10 de julho, multidões de congressistas pacíficos entraram no estádio e ocuparam os lugares. Era um espetáculo maravilhoso, emocionante, em vista da história passada de oposição e intolerância clerical. Muitos olhos ficaram cheios de lágrimas.
Em outros países, onde as testemunhas de Jeová se reúnem regularmente, as assembléias são bem anunciadas, pela imprensa, por rádio e televisão, e também por meio de convites impressos deixados nos lares das pessoas que moram naquela região. Mas aqui, na tentativa de evitar quaisquer possíveis problemas, evitou-se toda a publicidade pré-assembléia.
ENORME PUBLICIDADE
Mas, esta ocasião recebeu de qualquer modo uma enorme publicidade! A Igreja Ortodoxa Grega e outras organizações relacionadas começaram uma campanha publicitária em grande escala para difamar e insultar.
O Metropolita Augustine, de Florina, na Macedônia, disse, segundo noticiado no diário Hellinikos Vorras de Atenas, em 6 de julho: “É imperativo convocar uma reunião extraordinária de toda a hierarquia, para enfrentar fatos sociais e religiosos de enorme importância. A Igreja se trairá se continuar inativa. Protestamos muito fortemente contra [a assembléia das testemunhas de Jeová], e esperamos que seja cancelada na última hora; senão, por ordem do Sínodo, todos os sacerdotes de Atenas devem subir ao campanário e dobrar os sinos das igrejas em lamento, durante todo o congresso satânico. Pois, sem exagero, algo está morrendo na Grécia, e o que está morrendo é a sua alma, alma que é a crença ortodoxa.”
As organizações eclesiásticas seguiram a liderança do clero. Por exemplo, centenas de milhares de volantes, contendo acusações falsas contra as testemunhas de Jeová, foram distribuídos nos lares e nas lojas na região de Atenas-Pireu. Um volante, patrocinado por seis revistas religiosas, continha declarações tais como as seguintes a respeito das testemunhas de Jeová: “Agentes do Sionismo internacional estão em movimento com dólares dos judeus americanos.” “Eles . . . negam o Cristo.” “Pregam . . . o domínio de Israel sobre o mundo inteiro.” O volante concluiu: “POVO GREGO! Permitirão a assembléia de tais pessoas?”
No entanto, mesmo os que têm apenas um conhecimento rudimentar das crenças das testemunhas de Jeová sabem que tais acusações são inteiramente falsas. É absurdo afirmar que os dólares dos judeus americanos estejam financiando as testemunhas de Jeová, quando as Testemunhas proclamam hoje que o sionismo judaico fracassará.a Também, quem examinar as publicações das testemunhas de Jeová poderá ver que se tem o maior respeito por Jesus Cristo, por causa de sua relação com o Criador, Jeová Deus, e por causa do papel que Cristo desempenha nos propósitos de Deus.
Quanto à atitude das testemunhas de Jeová para com as autoridades governamentais, é bem conhecido que acatam a lei e são pacíficos. Obedecem à ordem de Jesus Cristo, de ‘dar a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus’. (Mat. 22:21) Todos os das testemunhas de Jeová são ensinados a respeitar a autoridade civil, visto que Romanos 13:1 diz: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores”, quer dizer, aos governos civis. Por isso, as testemunhas de Jeová obedecem a todas as leis do país, que não entram em conflito com as leis de Deus.
Além de se distribuírem tais volantes caluniosos, representantes do Santo Sínodo tomaram medidas para tentar pressionar as autoridades governamentais a cancelar a assembléia. Para este fim, clérigos e pessoas inspiradas pelos clérigos enviaram milhares de telegramas ao Ministério de Religiões e ao gabinete do primeiro-ministro.
O QUE FARIA O GOVERNO?
A questão era então: O que faria o governo grego? Cederia à pressão dos clérigos? Proibiria a pacífica reunião cristã, realizada em pleno acordo com as leis do país? Mostrar-se-ia eficiente a recém-votada constituição grega, que protege a liberdade de reunião?
Os jornais noticiaram amplamente os protestos contra a assembléia, por parte dos líderes eclesiásticos e seus grupos relacionados. Notou-se também que o Arcebispo Seraphim pressionou pessoalmente os Ministros do Interior e da Ordem Pública, tentando obter o cancelamento da assembléia. Conforme observou o diário Vradyni, essas objeções “foram tomadas em consideração pelo Governo”.
Mas, para o crédito do governo grego, este não cedeu à pressão religiosa! Nem os grupos religiosos, nem os metropolitanos, nem o Arcebispo Seraphim puderam prevalecer! O governo grego mostrou que respeitava e aplicava a recém-aprovada constituição grega. Estava decidido a proteger os direitos de todo o seu povo, não apenas de parte dele. Portanto, conforme comentou certo observador, podia-se dizer que, neste assunto, “a democracia finalmente voltou ao seu berço”, depois duma longa ausência.
ENORME TESTEMUNHO
A assembléia pacífica, de quatro dias de duração, foi bem usufruída por todos os presentes. E a ordem e conduta exemplar dos congressistas foram observadas favoravelmente por muitos que não eram testemunhas de Jeová. Em resultado disso, deu-se um enorme testemunho em toda a Grécia.
No segundo dia da assembléia, os jornais publicaram boas fotografias panorâmicas da multidão reunida no estádio. Os comentários dos jornais eram objetivos. Vieram também equipes de televisão e gravaram cenas de partes diferentes do programa, tais como os dramas bíblicos encenados para ilustrar diversos princípios bíblicos. Estas cenas, junto com outras do estádio lotado, foram transmitidas pela televisão nacional, algo que nem se podia imaginar mesmo só há um ano atrás!
A assembléia pacífica, o bom programa, com sua informação edificante sobre Deus e seus propósitos, bem como a boa ordem das Testemunhas, ficaram contrastados na mente de muitos com a conduta ímpia dos clérigos e de suas organizações religiosas. Religiosos fanáticos distribuíram seus volantes caluniosos bem ao longo das estradas que levam ao estádio, tentando incitar as pessoas a ações hostis contra as Testemunhas.
Outros fanáticos tiraram duma igreja vizinha os ícones, tais como o “crucifixo” e os “querubins de seis asas”, e, sob a liderança dum sacerdote, postaram-se defronte do estádio. Cantavam e faziam gestos ameaçadores às Testemunhas transeuntes. E durante todas estas demonstrações barulhentas, os sinos das igrejas vizinhas dobravam em lamento.
Todavia, não houve nenhum incidente sério. As testemunhas de Jeová haviam sido instruídas a continuarem com seu comportamento usual, calmo e sem provocação, em todas as circunstâncias. Não prestavam atenção aos perturbadores e evitavam qualquer discussão que pudesse irritar alguém e possivelmente levar a um distúrbio.
No penúltimo dia da assembléia, mais de 400 sacerdotes reuniram-se na Igreja de Sta. Irene. O diário ateniense Akropolis noticiou: ‘400 SACERDOTES CONDENAM ASSEMBLÉIA — PREPARADOS PARA TODO CUSTO E LUTA SE FOR REPETIDA.’ O jornal imprimiu uma resolução adotada pelos sacerdotes. Dizia, em parte: “Nós, os sacerdotes ortodoxos gregos, congregados hoje numa reunião panclerical extraordinária . . . expressamos nosso latente desassossego . . . A concessão duma permissão [para a assembléia], apesar dos passos dados pelo Santo Sínodo do Monsenhor Seraphim, Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, e dos Reverendíssimos Metropolitas, constitui uma ação hostil contra a Igreja, visto que [as testemunhas de Jeová] não são meramente outra crença, mas são inimigos reconhecidos e perseguidores da Igreja . . . Prevenimos o Governo, o Parlamento do país e todas as administrações governamentais, de que nós, os curas, líderes, ajudantes e amigos de nosso pio povo grego, gentil e cônscio da honra, estamos prontos para qualquer luta e custo em face de todas as futuras ações similares do Governo.”
Mas, naturalmente, os observadores sem preconceito podiam ver facilmente que não foram as testemunhas de Jeová que mostraram desrespeito pelo governo, nem perseguiram de algum modo a Igreja. Antes, o clero ortodoxo grego demonstrou claramente sua hostilidade ao governo e sua constituição, empenhando-se numa intromissão política, anticristã. Foi o clero quem se empenhou na perseguição, tentando impedir a assembléia das testemunhas de Jeová, mediante suas acusações caluniosas e por tentar incitar o povo contra esses cristãos pacíficos.
A polícia agiu de modo muito elogiável. Cuidou de que se preservassem os direitos das pessoas. Expressou-se corretamente elogio por esta excelente atitude da polícia grega. Quando alguns perturbadores causaram certos danos aos automóveis estacionados de várias testemunhas de Jeová, a polícia sugeriu que se movesse uma ação contra os que os causaram. Mas, procurando evitar qualquer dificuldade nessa ocasião, as Testemunhas acharam que seria melhor não tomar nenhuma ação contra tais elementos anárquicos. Felizmente, um das testemunhas de Jeová, proprietário dum posto de serviço, ofereceu-se a consertar os carros danificados às suas próprias custas.
Durante os quatro dias da assembléia, e nos dias seguintes, o assunto desta assembléia estava em primeiro plano no noticiário dos jornais. Em toda a parte havia debates sobre o acontecimento. Muitas pessoas sinceras expressaram sua repugnância diante das demonstrações repulsivas e dos protestos impróprios das organizações religiosas;
Um bem conhecido deputado do parlamento em Atenas, bem como comentarista dum diário de destaque de Atenas, escreveu: “Eu não podia entender a fúria irrestrita das organizações [eclesiásticas], que queriam ter a cabeça das testemunhas de Jeová numa travessa.” (O diário To Vima, 16 de julho de 1975.) Outro jornal ateniense publicou uma boa fotografia da assembléia. E quando alguns dos seus leitores protestaram contra a cobertura jornalística da assembléia, o jornal respondeu: ‘Tantos milhares de pessoas reunidas em algum lugar, para qualquer fim, constituem notícia. Como pode isto ser desconsiderado por um jornal, prezados leitores, não importa o que sejam com respeito a esta manifestação — quer inimigos, amigos ou indiferentes?’ — o diário Kathimerini de Atenas, 12 de julho de 1975.
Certo jornalista perguntou a uma Testemunha, o encarregado das relações públicas: “Os sinos das igrejas, que dobram em lamento — o que tem a dizer sobre isso?” A Testemunha respondeu: “Para nós, esta reunião é tempo de alegria e prazer. Mas, para aquela gente é tempo de lamentação, por isso dobram seus sinos em lamento.”
O espírito dos dois povos ficou nitidamente contrastado, fazendo lembrar que a Palavra de Deus diz que, onde está o espírito de Deus, ali há também “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio”. (Gál. 5:22, 23) Também foi lembrado o que Deus disse há muito, através do profeta Isaías: “Eis que os meus próprios servos gritarão de júbilo por causa da boa condição do coração, mas vós [opositores] fareis clamores por causa da dor de coração e uivareis por causa do puro quebrantamento do espírito.” — Isa. 65:14.
COMENTÁRIOS FAVORÁVEIS DE OBSERVADORES
A ordem e limpeza prevalecentes durante a assembléia causaram impressão favorável nos observadores, mesmo nos que antes tinham opiniões desfavoráveis.
Os oficiais e agentes da polícia encarregados do trânsito e da manutenção da lei em volta do estádio expressaram grande satisfação pela pronta obediência das testemunhas de Jeová, ao receberem instruções da polícia. Certo oficial disse: “Se todas as reuniões realizadas fossem tão ordeiras, nós, policiais, não seríamos necessários para coisa alguma.”
Os homens da administração do estádio expressaram seu apreço pela paz, ordem e limpeza dos cristãos que lotaram o estádio. Declararam que as instalações “sempre estarão à disposição das Testemunhas”.
Um visitante na assembléia declarou: “Não se vê nem um pedacinho de papel neste estádio. Que gente limpa são as testemunhas de Jeová” Um jornalista escreveu: “O estádio estava lotado, mas . . . não se via fumo ali.’ Ele ficou impressionado com que ninguém fumava. Um engenheiro duma vizinha usina elétrica, depois de assistir a algumas sessões, declarou: “Agora vou freqüentar regularmente suas reuniões.”
Deveras, esta assembléia foi uma ocasião momentosa e inesquecível. Certamente, foi um marco na atividade das testemunhas cristãs de Jeová na Grécia. Foi muito apreciada a liberdade de realizar assim pela primeira vez pacificamente uma assembléia.
A multidão de 19.211 presentes, que escutou os comentários finais, na noitinha de domingo, expressou seus profundos agradecimentos ao Soberano Senhor Jeová e seu Filho, Jesus Cristo, por esta ocasião maravilhosa. Com prolongados aplausos expressaram também seus agradecimentos a todos os que tornaram possível tal assembléia excelente.
ASSEMBLÉIA AGRADÁVEL TAMBÉM EM TESSALÔNICA!
Três semanas depois da assembléia bem sucedida das testemunhas de Jeová em Atenas, realizou-se uma assembléia similar, de quatro dias, na cidade histórica de Tessalônica, na Macedônia. No dia final desta assembléia, em 3 de agosto, uma multidão entusiástica de 10.124 ouviu a informação animadora de que a justa nova ordem de Deus em breve será realidade.
A reação do clero ortodoxo grego e de suas organizações religiosas foi similar à ocorrida durante a assembléia de Atenas. Entretanto, o oficial encarregado da gendarmaria na Macedônia central disse à administração da assembléia: “A Constituição e as leis do Estado os protegem, e nós estamos aqui para garantir-lhes proteção durante sua assembléia e onde quer que seja necessária.” E o Diretor da Polícia de Tessalônica acrescentou: “Nossos homens estarão à sua disposição para protegê-los. Eu, pessoalmente, sei que são gente cumpridora da lei e não precisam de policiais por perto. Mas, nossos homens estarão ali.” De modo que em Tessalônica, assim como anteriormente em Atenas, as autoridades demonstraram seu respeito pela nova constituição grega.
Todos os presentes gostaram muito desta bênção da liberdade de reunião, para ouvir a Palavra de Deus, assim como seus irmãos três semanas antes, em Atenas.
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Por que um preço de resgate tão caro?A Sentinela — 1976 | 15 de janeiro
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Por que um preço de resgate tão caro?
NO DECORRER da história, tem havido pessoas que sacrificaram sua vida para que outros pudessem continuar a viver mais alguns anos. O que tais pessoas fizeram tem sido considerado como nobre e louvável. Entre os que deram sua vida houve um cuja morte realizou muito mais do que a de todos os outros em conjunto. Este foi Jesus Cristo. Sua morte sacrificial, numa estaca de execução, lançou a base para os homens obterem não apenas mais alguns anos de vida, mas uma vida infindável.
Para muitos, não tem sido fácil entender que a morte de Jesus Cristo tenha realizado tanto. Em outros casos, como quando a vida das pessoas é ameaçada por fogo, inundações e coisas assim, a necessidade de ação e os benefícios resultantes dela podem ser prontamente vistos. Mas, depor Jesus a sua vida tem-se mostrado um assunto inteiramente diferente. Muitos permitiram que a morte sacrificial dele numa estaca de execução fosse um obstáculo para aceitarem a verdade cristã. Há mais de dezenove séculos atrás, o apóstolo Paulo escreveu: “A palavra a respeito da estaca de tortura é tolice para os que estão perecendo, mas para nós, os que estamos sendo salvos, é o poder de Deus. . . . Pregamos Cristo pendurado numa estaca, que é para os judeus causa de tropeço, mas para as nações, tolice.” — 1 Cor. 1:18, 23.
As palavras do apóstolo Paulo indicam que há grave perigo em encarar a morte de Jesus e o que ela realizou como “tolice”, ou em tropeçar por causa disso. Conforme ele disse, este é o efeito que tem sobre “os que estão perecendo”. Portanto, é sabedoria da nossa parte considerar exatamente por que o resgate da humanidade por Jesus Cristo só pôde ser feito por ele dar a sua vida em sacrifício.
USO DE RESGATE NAS ESCRITURAS HEBRAICAS
Um exame do modo em que as Escrituras Hebraicas usam a palavra “resgate” pode ajudar-nos neste sentido. Em Êxodo 21:29-31, o termo “resgate” é usado primeiro em conexão com a lei que envolvia um touro que escornava. Lemos: “Se o touro anteriormente escornava e se tiver advertido o seu dono, mas este não o tiver mantido sob guarda, e ele matou um homem ou uma mulher, o touro deve ser apedrejado e também o seu dono deve ser morto. Se lhe for imposto um resgate, então terá de dar o preço de redenção pela sua alma, segundo tudo o que se lhe impor. Quer tenha escornado um filho, quer tenha escornado uma filha, deve-se-lhe fazer segundo esta decisão judicial.”
Em vista desta lei, pode-se ver que o resgate envolve contrabalançar as coisas.
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