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Direitos ou deveres — quais?A Sentinela — 1973 | 1.° de setembro
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18 Daí, pergunte: ‘Com quem me classifica o estilo que uso aos olhos das pessoas em geral? Será que alguém dos que visito me identificaria como ministro das testemunhas de Jeová?’ Por que deve sentir-se esquisito entre os companheiros de fora, se não usar cabelo comprido? Teme o que possam dizer? Acha que eles esperam que, como testemunha de Jeová, se vista como eles? Ou acha que o respeitariam mais, como ministro, se se vestisse como eles?
19, 20. Que exemplo é sábio seguir quando os irmãos da congregação recomendam que façamos alguma mudança num estilo ou numa prática que adotamos?
19 Se os irmãos responsáveis da congregação lhe recomendam mudar de estilo ou se outros acham que não convém a um ministro, está disposto a mudar? Talvez pense que eles se enganem ou que sejam antiquados, e que não precisa mudar só porque outros na congregação ficam perturbados. Neste caso, aceitaria o modelo fornecido pelo próprio Cristo?
20 O apóstolo Paulo disse a respeito de Jesus: “Pois até mesmo Cristo não agradou a si mesmo; mas, assim como está escrito: ‘Os vitupérios daqueles que te vituperaram caíram sobre mim.’” (Rom. 15:3) Cristo não exigiu os seus direitos. Teria sido muito mais conveniente para ele adotar um proceder diverso. Mas, neste caso, de que ajuda teria sido para nós? — Mat. 26:53, 54; 2 Cor. 5:14, 15.
21. Como mostra o apóstolo Paulo que não é uma atitude cristã quando um membro da congregação insiste em alguma prática que faz outros tropeçar?
21 Que diria se alguém lhe pedisse que parasse de comer carne, porque outros na congregação tropeçam por causa disso? O quê? Renunciar a um direito tão fundamental assim? No entanto, o apóstolo Paulo seguiu o exemplo de Cristo ao escrever: “Assim, pois, empenhemo-nos pelas coisas que produzem paz e pelas coisas que são para edificação mútua. Parai de demolir a obra de Deus só por causa do alimento. . . . É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer algo que faça teu irmão tropeçar.” Paulo disse então a alguém cuja consciência não o incomodava ao comer carne, mas que se absteria dela por causa do bem-estar da congregação: “A fé que tens, tem-na de acordo contigo mesmo à vista de Deus.” — Rom. 14:19-22; veja 1 Coríntios 8:12, 13.
22. Ofereça outros motivos pelos quais devemos mudar de prática ou de moda, quando nossos irmãos acham que estas dão má reputação às boas novas do Reino.
22 Por isso, é melhor ceder e ter a satisfação de saber no seu íntimo que está agradando a Deus, embora não concorde plenamente com as opiniões de outros, e mesmo que ache que está agora agindo direito. Afinal, quem vê mais o estilo que usa e que lhe agrada? Quem sabe como realmente combina com sua pessoa e pode comparar sua aparência com a dos outros? Não pode ver a si mesmo, pode? Não, são os outros que o vêem de todos os ângulos. Quando os seus irmãos acham que sua aparência dá uma impressão errada às pessoas ou deturpa a mensagem que leva, ou lhe dá má reputação, então, por que não mudar e ser feliz?
NÃO AS MODAS, MAS A SEPARAÇÃO DAS PRÁTICAS DO MUNDO
23. Qual era a situação em Israel no caso dum homem que preferisse andar barbeado do que deixar crescer a barba?
23 Podemos encarar a questão de estilo ou de modas de vestir ainda de outro ponto de vista. Suponhamos que vivesse, como homem, nos tempos dos israelitas, debaixo da Lei, e que não gostasse de ter barba. Talvez gostasse do modo como os egípcios se pareciam, barbeados. O que faria? Usaria de seu direito pessoal de se barbear? Não, porque não teria tal direito. Teria de usar barba, porque a Lei ordenava a todos os varões: “Não deveis cortar curto as vossas madeixas laterais ao redor, e não deves destruir a extremidade de tua barba.” — Lev. 19:27; 21:5.
24. Qual era o motivo da lei que exigia que os israelitas usassem barba?
24 Deu-se esta Lei por causa da moda? Não. Destinava-se a impedir que os israelitas imitassem a prática de algumas das nações pagãs em sua volta. No entanto, os israelitas deviam manter sua barba aparada, esmerada e bem cuidada. A barba não cuidada ou a cortada indicava pesar e lamento por causa duma calamidade. (2 Sam. 19:24-28; Isa. 7:20) Também se cortava periodicamente o cabelo, a menos que se estivesse sob o voto de nazireu. Na profecia de Ezequiel, os sacerdotes são ordenados a aparar o cabelo e a não o usar solto. — Eze. 44:15, 20.
25, 26. Como nos apresenta a Palavra de Deus o conceito dele sobre o decoro no estilo da roupa?
25 Também, Deus reconheceu que o estilo da roupa pode classificar alguém erroneamente, ao ordenar que “não se deve pôr vestimenta de varão vigoroso em mulher, nem deve o varão vigoroso usar capa de mulher; porque todo aquele que faz tais coisas é algo detestável para Jeová, teu Deus”. (Deu. 22:5) Por quê? Porque serviria de induzimento à imoralidade.
26 Portanto, embora haja alguns tipos de roupa que são similares, tais como as calças compridas de senhoras e as calças de homens, contudo, usualmente há uma distinção nítida no estilo ou no tecido. Mas, quando se usa roupa de modo que ele ou ela praticamente não podem ser distinguidos do sexo oposto, isto é mau aos olhos de Jeová. O mesmo se dá com roupa tão apertada ou escassa, que contribui para a imoralidade e classifica a pessoa com os que têm reputação de entregar-se a práticas detestáveis. Portanto, se sente vontade de insistir em certo estilo de cabelo ou de roupa, ou em certa prática, pergunte-se: ‘Faço isso para imitar pessoas do mundo?’
“A PRÓPRIA NATUREZA” NOS ENSINA
27, 28. (a) Que boa orientação nos fornece o apóstolo Paulo quanto ao que é correto para o cristão no que se refere às modas? (b) O que dizem certos eruditos bíblicos sobre a palavra “natureza”?
27 Não há regras específicas na Bíblia, por exemplo, sobre quão comprido deve ser o cabelo ou a saia. Mas o apóstolo inspirado apresenta uma boa orientação que habilita o cristão sincero e dedicado, bem como a congregação, a saber quando um estilo ou um costume é apropriado e próprio. Ele diz: “Não ensina a própria natureza que, se um homem tiver cabelo comprido, é uma desonra para ele; mas, se a mulher tiver cabelo comprido, é uma glória para ela? Porque o cabelo dela foi-lhe dado em lugar de mantilha.” — 1 Cor. 11:14, 15.
28 O erudito bíblico Albert Barnes observa a respeito destas palavras do apóstolo:
“A palavra natureza . . . denota evidentemente aquele senso de decoro que todos os homens têm e que se expressa em qualquer costume prevalecente ou universal. . . . É o que exige o senso natural de propriedade entre os homens. . . . A palavra, neste lugar, portanto, não significa a constituição dos sexos . . . nem o simples uso ou costume, . . . mas refere-se a um profundo senso íntimo do que é próprio e direito.”
E o erudito grego Dr. A. T. Robertson diz:
“Significa aqui o senso nato de decoro (cf. Rom. 2:14), além de mero costume, mas que se baseia na diferença objetiva na constituição das coisas.”
29. (a) Por que não precisa o cristão de regras quanto a que fazer e que não fazer? (b) Quando alguém, em certo caso, não souber isso, o que deverá fazer?
29 Portanto, não é uma questão de se nos ter de dizer exatamente o que fazer e o que não fazer, como que por meio de regras. Se formos cristãos e nosso coração amar o que é direito, saberemos por natureza, especialmente por nossa consciência treinada, quando algo aumenta ou então diminui a glória das boas novas que pregamos. Sabemos se edificamos ou se derrubamos a reputação ou a imagem da congregação aos olhos dos outros. Mas, quando alguém não souber, então deverá deixar-se dirigir pela boa consciência da congregação cristã. Que aceite o bom conselho e confie no bom critério dos irmãos responsáveis. — Pro. 12:15.
30. (a) Que obrigação têm todos os que estão em cargos de responsabilidade na congregação? (b) Qual é um dos princípios orientadores que nos manterá a salvo? (c) Por que nos devemos preocupar mais com deveres do que com direitos?
30 Os verdadeiros cristãos amam-se mutuamente e os em cargos de responsabilidade têm a obrigação de fazer apenas o que é melhor para seus irmãos, quer por meio do exemplo que dão, quer pelo conselho que dão. E as ações de todos nós devem sempre ser guiadas pelo princípio: ‘Adorno eu o ensino de nosso Salvador, Deus, em todas as coisas?’ Se cuidarmos de nossos deveres, trabalhando de toda a alma como para Jeová e não para homens, Jeová nos recompensará com bênçãos muito maiores do que quaisquer “direitos” que possamos fazer valer para nós mesmos, junto com anos de vida e paz. — Tito 2:10; Col. 3:23, 24; Pro. 3:1, 2.
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Livres — mas obedientesA Sentinela — 1973 | 1.° de setembro
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Livres — mas obedientes
“Sede como livres, contudo, mantende a vossa liberdade, não como disfarce para a maldade moral, mas como escravos de Deus. Honrai a homens de toda sorte, tende amor à associação inteira dos irmãos, tende temor de Deus.” — 1 Ped. 2:16, 17.
1. Que liberdade possuíam Paulo e seus condiscípulos, conforme ele mostrou?
“CRISTO nos libertou. Portanto, ficai firmes e não vos deixeis restringir novamente num jugo de escravidão.” Assim escreveu o Apóstolo Paulo depois de descrever a liberdade dos filhos de Deus, que são também filhos da organização celestial livre Dele, “a Jerusalém de cima”, sua “mãe”. Esta organização “mãe”, que tem a liberdade da relação perfeita com Deus, não obstante, é representada como sendo a ‘mulher’ de Jeová Deus. De modo que, como tal, sua liberdade é relativa. Ela está sujeita à chefia de seu grande Marido celestial. E Paulo e seus co-seguidores de Cristo, como filhos, também tinham liberdade relativa, pois estavam sujeitos ao seu “Pai” e à sua “mãe” celestiais. Como filhos, estavam obrigados a ser obedientes à ‘disciplina de seu pai e à lei de sua mãe’. — Gál. 5:1; 4:26; Pro. 1:8.
2. Por que está livre o povo de Deus, contudo, por que não é absoluta a sua liberdade?
2 Os do povo de Deus estão hoje livres porque ‘conhecem a verdade e a verdade os libertou’. (João 8:32) Sua liberdade, porém, é para o bem, não para o mal. Podem praticar plenamente os frutos do espírito pois, “contra tais coisas não há lei”. (Gál. 5:23) Estes frutos são tudo o que se precisa para ter completa felicidade; fazer o mal só causa novamente escravidão ao pecado e à morte. A fim de continuarem a praticar o que é bom e proveitoso, têm de ser obedientes Àquele que os libertou, Jesus Cristo.
SUJEIÇÃO QUE PRODUZ O BEM
3. Que sujeição, exigindo obediência, estabeleceu Deus na congregação cristã?
3 Deus proveu também na terra um
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