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  • Necessita de conselheiro matrimonial?
    Despertai! — 1984 | 22 de janeiro
    • Necessita de conselheiro matrimonial?

      “QUANDO meus pais enfrentavam problemas, eles tinham família e amigos a quem recorrer. Mas, meu emprego nos levou a mais de mil e quinhentos quilômetros longe de casa. Nosso casamento está desmoronando. Eu e Jane não temos ninguém a quem recorrer, a não ser um conselheiro matrimonial.”

      João e Jane são jovens. São cristãos. E recém-casados. João lamenta o tempo que há muito passou, em que seus bisavós eram recém-casados, por volta da virada do século. Naquele tempo o divórcio não era tão comum como hoje — naquela época isso bastava para arruinar a reputação da pessoa! Pouco depois da Segunda Guerra Mundial seus avós ainda moravam na “velha terra natal”, cercados dos tradicionais parentes, amigos, pregador de domingo, e médico da família. Vitoriosamente mantinham intacto seu casamento numa época em que o índice de divórcio havia disparado uns 300 por cento.

      Havia aumentado mais 20 por cento por volta da época em que os pais de João se casaram. Hoje João e Jane ingressam na vida de casado num mundo em que 60 por cento dos casamentos na Suécia terminam em divórcio, 44 por cento nos Estados Unidos, 43 por cento na República Dominicana, 30 por cento na Alemanha e na Inglaterra, e 28 por cento na União Soviética.

      Sociedades inconstantes, turbulência industrial, golpes políticos, educação moderna e convulsões religiosas lançam famílias num turbilhão de confusão. Muitos membros de família não mais se identificam com os papéis tradicionais de maridos, esposas e filhos. Nos Estados Unidos, na Suécia, na Inglaterra e na América do Sul os valores matrimoniais estão mudando. Muitos encaram o casamento como algo ‘descartável’, não mais como um compromisso vitalício.

      Moral indulgente, alcoolismo, drogas, independência econômica das mulheres, busca de melhor padrão social, egocentrismo que transcende a interesses mútuos, depressão, temores de ataque nuclear, noções românticas sobre o amor — tudo isso leva a culpa pela moderna instabilidade do casamento. Independente de quantos bodes expiatórios sejam encontrados, porém, a dra. Emily Mudd, professora de estudos sobre família, da Universidade de Pensilvânia, EUA, sustenta que as contendas entre membros de família em geral se reduzem a uma queixa básica: “A pessoa deixa de considerar os sentimentos, as necessidades, os valores e os alvos de seu cônjuge, ou age com desconsideração para com eles.” — The Encyclopedia of Mental Health.

      O caso de casais cristãos, como João e Jane, com problemas maritais, pode em certos sentidos ser uma falha em ‘revestir-se da nova personalidade’ e em praticar qualidades piedosas tais como amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio. — Efésios 4:22-24; Gálatas 5:22, 23.

      O Conselheiro Matrimonial

      João e Jane ainda se amam, assim, como tentarão salvar seu casamento? Planejam consultar um estranho, um conselheiro marital profissional. Mas, em que se estarão envolvendo?

      O conselheiro matrimonial profissional é um fenômeno moderno. Ele — ou ela — apareceu em cena em décadas mui recentes — mas com que ímpeto! “O aconselhamento por parte de psiquiatras infantis ou conselheiros familiares se tem tornado uma crescente grande indústria”, segundo a revista U.S. News & World Report. Crescente exército de conselheiros profissionais — psiquiatras, psicólogos, clérigos (conselheiros pastorais), médicos, advogados, professores, terapeutas matrimoniais e familiares, assistentes sociais e pessoas com vários níveis de formação em ciência comportamental — tem substituído os solícitos mas não profissionais conselheiros e consultores de tempos idos.

      Após a Segunda Guerra Mundial, o aconselhamento matrimonial começou a se popularizar nos Estados Unidos. Agora se tem proliferado instituições educacionais de vulto que oferecem mestrados e doutorados num campo que se transformou em profissão independente, no ramo da sanidade.

      Que É Aconselhamento Matrimonial?

      O aconselhamento matrimonial é, segundo a junta de Michigan, EUA, que licencia conselheiros matrimoniais, “orientação, experiências, discussões, terapia, instrução, ou dar conselhos, sendo o principal objetivo disso evitar, eliminar, amenizar, enfrentar ou resolver conflitos ou discórdias maritais, ou criar, melhorar, ou restaurar a harmonia marital”.

      Isto soa como se fosse exatamente do que João e Jane necessitam. Contudo, esta é apenas uma dentre centenas de definições de aconselhamento matrimonial. Empenhos para aplicar a ciência do comportamento (do corpo, da mente, do sistema nervoso) têm gerado miríades de teorias e práticas. O psicólogo Allen S. Bernsten, da Flórida,a EUA, descreve quatro tipos de escolas de psicoterapia que, por sua vez, se ramificam em 130 subescolas:

      Analítica: O terapeuta tenta analisar motivações inconscientes, ou por que você age do modo como age. Ele sonda recordações da primeira infância, que podem lançar luz sobre seu comportamento atual.

      Comportamental: Neste método ele se preocupa menos com suas motivações interiores. Em vez disso, tenta mudar seus hábitos e comportamento indesejáveis por treinamento e condicionamento.

      Humanística: Neste método o terapeuta acentua mais a autoconscientização, o desenvolvimento próprio, a responsabilidade própria, para provocar mudanças em você e em suas ações.

      Transpessoal: Ele tenta ajudá-lo a erguer-se acima de tudo e a incorporar-se numa espécie de “vontade universal”. Este método pode tornar-se realmente místico.

      Certa pesquisa concluiu que 64 por cento dos conselheiros matrimoniais criam o seu próprio estilo, partindo duma profusão de teorias e métodos. Não obstante, muitos conselheiros aparentemente têm um alvo similar. O dr. Usha Anand, conselheiro matrimonial na Índia, escreveu que “o alvo do aconselhamento marital . . . é fortalecer a unidade da família e a união da família”. A professora de relacionamentos com a criança e a família, da Universidade de Connecticut, EUA, dra. Eleanor Luckey, descreve o aconselhamento matrimonial como “aconselhar dois indivíduos mais o relacionamento”.

      E os conselheiros têm de fato um objetivo comum: a comunicação. Tentam desenvolver e criar métodos mais eficazes de comunicação entre o casal.

      São Qualificados?

      Alguns estados e países licenciam conselheiros matrimoniais como profissão independente. Contudo, segundo o psiquiatra australiano dr. William Carrington, devido à escassez de conselheiros preparados, há muitos subprofissionais exercendo o aconselhamento matrimonial na Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia. Em alguns países da África, Ásia e América do Sul o aconselhamento matrimonial está sendo feito por sacerdotes, ministros, médicos, educadores e líderes de comunidade aparentemente não preparados.

      “O aconselhamento matrimonial”, conclui o psicólogo e conselheiro dr. William Nichols, “é uma profissão emergente, uma quase-profissão, e uma atividade amadora, um campo povoado por praticantes altamente peritos e clinicamente sofisticados num extremo e bem-intencionados mas incompetentes amadores no outro”.

      De modo que João e Jane terão de investigar bastante caso levem avante seu plano de consultar um conselheiro matrimonial. Mas, sendo casal jovem, há um item de informação em que sem dúvida devem estar profundamente interessados:

      Quanto Custa?

      Nos Estados Unidos os preços variam de consultas grátis em alguns centros de saúde mental comunitários a uma taxa por hora em clínicas beneficentes baseada numa tabela variável em torno de $ 45 (Cr$ 40 mil). Profissionais particulares, de assistentes sociais a psiquiatras, cobram de $ 35 a $ 150 (Cr$ 30 a 130 mil cruzeiros) — o que quer que o mercado suporte.

      É eficaz o aconselhamento matrimonial? “Muitos conselheiros dizem que dois terços de seus clientes sentem melhoras”, segundo a revista Consumer Life Magazine. O psicólogo Morris B. Parloff, do Instituto Nacional de Saúde Mental, diz: “Todas as formas de psicoterapia tendem a ser razoavelmente úteis para pacientes altamente motivados, que vivenciam aflições agudas, que mostram alto grau de organização na sua personalidade, razoavelmente bem instruídos, que já experimentaram sucesso social e reconhecimento, que são ponderados e capazes de sentir e expressar emoção.”

      Contudo, existem muitos prós e contras. O internacionalmente conhecido conselheiro matrimonial Jay Haley concluiu que os terapeutas não estão certos, nem de suas técnicas, nem de seus resultados. É por isso que, diz ele, refutam em publicar suas descobertas.

  • Respeitará o conselheiro a sua consciência?
    Despertai! — 1984 | 22 de janeiro
    • Respeitará o conselheiro a sua consciência?

      ESPERAMOS que João e Jane não fiquem chocados ao consultar seu conselheiro. Talvez lhes diga que por todos os meios vale a pena salvar seu casamento. É o que sem dúvida esperam ouvir. Por outro lado, talvez lhes diga: “Um bom divórcio é melhor do que um mau casamento.” “Não mais o chamamos de aconselhamento matrimonial”, diz Earl Beatt, executivo do Serviço da Família e da Criança, de Minneapolis, EUA. “Chamamo-lo de ‘aconselhamento sobre relacionamento’.”

      O circunspecto conselheiro tenta mostrar-lhe onde você realmente se encontra no caminho. Talvez indique as possíveis conseqüências caso você tome a esquerda ou a direita. Se ele tenta induzi-lo de leve a qualquer um dos caminhos, você tem de considerar quais são as perspectivas do conselheiro, seus valores, se são bons ou maus.

      Por exemplo, que dizer se você tiver fortes convicções a respeito de princípios bíblicos? O dr. Lawrence Onoda, psicólogo clínico, diz:

      “Na maior parte, os conselheiros matrimoniais advogam uma posição neutra quanto à religião em geral. Embora não a apóiem, sua posição oficial é ser aquiescente e não julgador no tocante a pessoas com conceitos diferentes.”

      Ele acrescenta, porém: “Os conselheiros matrimoniais em geral atuam na premissa de que não existem ‘verdades’ universais, como as expressas na Bíblia. A maioria dos conselheiros matrimoniais baseia suas normas sobre o casamento em teorias concebidas por homens ou em suas próprias crenças pessoais.”

      Assim, que acontecerá a João e Jane? Como alguns casais, poderão ser ajudados por conselheiros matrimoniais. Ou, como outros, talvez se percam em algum ponto desse labirinto de teóricos matrimoniais e profissionais ateus.

      E você, que dizer se estiver precisando de aconselhamento matrimonial? A quem recorrerá? Se é cristão, desejará um conselheiro que respeita a sabedoria do Originador do casamento e seu Maravilhoso Conselheiro? — Gênesis 2:18-24; Isaías 9:6.

      Antes de escolher um conselheiro, considere a informação a seguir. Deverá ser útil.

      [Quadro nas páginas 6, 7]

      Que conselheiro prefere?

      Embora haja conselheiros matrimoniais dotados de elevados padrões morais, e alguns que sinceramente respeitarão os escrúpulos conscienciosos de seus clientes, como fazem muitos médicos e cirurgiões, os padrões de outros variam até o extremo. Ilustra-se isso nas seguintes citações de publicações em inglês. O que se compara aqui não são fatos ou exatidões científicas, mas os valores morais que poderá encontrar em diferentes fontes de conselho.

      A BÍBLIA

      “Amortecei, portanto, os membros do vosso corpo . . . com respeito a fornicação, impureza, apetite sexual, desejo nocivo . . . pois sabeis que é de Jeová que recebereis a devida recompensa da herança. . . . Certamente, quem estiver fazendo o errado receberá de volta o que fez de errado, e não há parcialidade.” — Colossenses 3:5, 24, 25.

      “‘O que Deus pôs sob o mesmo jugo, não o separe o homem.’ . . . Todo aquele que se divorciar de sua esposa, exceto em razão de fornicação, e se casar com outra, comete adultério.” — Mateus 19:6, 9.

      “A lei é promulgada, não para o justo, mas para os . . . fornicadores, homens que se deitam com machos.” — 1 Timóteo 1:9, 10.

      “O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros.” — Hebreus 13:4.

      PSICÓLOGO

      “Alguns dos jovens mais carregados de sentimentos de culpa e pusilânimes são dissuadidos de praticar relações sexuais pré-maritais por medo da gravidez, da doença venérea e da alegada ira de um vingativo Jeová. . . . É só porque insistimos em recitar rigidamente a nós mesmos a cantiga moral sobre a natureza catastrófica do coito pré-marital que nem mesmo podemos ver claramente a nossa moralidade sexual pré-marital completamente desnecessária, totalmente idiota, muito menos fazer algo construtivo a respeito.” — Dr. Robert Harper em “Questões Morais no Aconselhamento Marital”, Aconselhamento Marital, páginas 332, 333.

      “Uma ética sexual deve ser elaborada exclusivamente para o bem-estar da vida e dos futuros seres humanos e não para agradar . . . quaisquer pretensos seres sobrenaturais” — Dr. Harper.

      CONSELHEIRO MATRIMONIAL

      “O sexo pré-marital tem seu valor se impedir pessoas de se casarem, que de outra forma o fariam só para praticar o sexo. . . . Como sociedade, não temos o direito de negar as alegrias do sexo a pessoas que não se casam, ou que se casam mais tarde por opção ou necessidade, ou que perderam o cônjuge por morte ou divórcio.” — Charlotte Holt Clinebell em “Aconselhamento Para Libertação”, Cuidado Pastoral Criativo e Séries de Aconselhamento, página 30.

      “Outro estilo de vida crescentemente viável para muitas pessoas, à medida que alargamos a nossa perspectiva quanto ao que significa ser humano, é a homossexualidade. . . . Ministros e conselheiros podem influenciar a mudança de atitudes que fazem a pessoa sentir-se sub humano simplesmente porque ela ou ele se comporta diferente da maioria.” — Clinebell.

      CLÉRIGO

      “Qualquer lei pode ser posta de lado se fazer isso for mais amoroso para a maioria. . . . Nada é rígido. O amor existe em função de pessoas e não necessariamente de princípios.” — Dr. Ace Tubbs em “Os Problemas Morais e Éticos no Aconselhamento Pastoral”, Aconselhamento Marital, página 445.

      REFORMADORES SOCIAIS

      “Se os parceiros num casamento aberto têm relacionamentos sexuais extramaritais, isto é à base de seu próprio relacionamento interno — porque conhecem o amor maduro, têm confiança genuína e são capazes de se expandir, para amar e usufruir outros e reconduzir esse amor e prazer a seu casamento, sem ciúme.” — Nena O’Neill e George O’Neill, Casamento Aberto, página 257.

      Nem todos os conselheiros profissionais sustentam tais conceitos antibíblicos. O fato de que alguns os sustentam, porém, mostra que as pessoas que cogitam procurar conselho profissional devem exercer extremo cuidado. Seguir o conselho de alguém com tais idéias anti-cristãs tornará a situação delas pior, não melhor.

  • Como dar conselho que realmente ajuda
    Despertai! — 1984 | 22 de janeiro
    • Como dar conselho que realmente ajuda

      “DESDE o princípio da criação ‘Ele os fez macho e fêmea. Por esta razão deixará o homem seu pai e sua mãe, e os dois serão uma só carne’; de modo que não são mais dois, mas uma só carne.” Com estas palavras Jesus Cristo descreveu como o Criador planejou o casamento entre o primeiro par humano, formando assim o núcleo da sociedade humana. E era para durar, conforme Jesus mostrou a seguir: “O que Deus pôs sob o mesmo jugo, não o separe o homem.” — Marcos 10:6-9.

      Em vista disso, vemos que havia uma alternativa para João e Jane. É verdade, muitos conselheiros profissionais são pessoas sinceras, bem intencionadas e bem preparadas, que podem estar habilitadas para ajudar um casamento em crise. Esperamos sinceramente que João e Jane encontrem um desse tipo. Mas, como cristãos, podiam também ter dado consideração à ajuda que o Autor do casamento, Jeová Deus, provê em sua Palavra, a Bíblia.

      A Bíblia foi inspirada pelo Originador do casamento. Se extrair dela tudo o que diz sobre o casamento, você terá um guia, um conjunto de princípios perfeitos divinamente providos para produzir um casamento perfeito. Talvez se pergunte, em vista disso, por que um casamento cristão poderia não dar certo. Visto que temos a Bíblia qual ‘lâmpada para o nosso pé e luz para a nossa senda’, por que deveria um casal cristão como João e Jane necessitar de ajuda externa no seu casamento? — Salmo 119:105.

      A resposta, como a própria Bíblia realisticamente nos diz, é que, ao passo que os princípios de Deus são perfeitos, nós, que devemos aplicá-los, ainda somos todos imperfeitos. (Deuteronômio 32:4; Romanos 5:12) Quanto mais falharmos em aplicar os princípios perfeitos de Deus, tanto mais ajuda necessitaremos.

      Ademais, nossos problemas se agravam devido aos “tempos críticos, difíceis de manejar” em que vivemos. (2 Timóteo 3:1) “Os conflitos modernos são tão complexos que resistem a uma solução através da tentativa da pessoa de ser objetiva consigo mesma”, diz o psicólogo Allen S. Bernsten. Amiúde necessitamos da ajuda uns dos outros para lidar com as dificuldades da vida: “Prossegui em levar os fardos uns dos outros”; “falai consoladoramente às almas deprimidas, amparai os fracos, sede longânimes para com todos”. — Gálatas 6:2; 1 Tessalonicenses 5:14.

      O “Maravilhoso Conselheiro”

      A Bíblia, em Isaías 9:6 prediz a vinda do Cristo para cumprir vários papéis. Um deles é o de “Maravilhoso Conselheiro”. Uma provisão, através da qual ele torna disponível o necessitado conselho, é a congregação. Alguns dos homens mais velhos, maduros, responsáveis, são constituídos anciãos, ou pastores, para ajudar membros que atravessam períodos de aflição, incluindo casais. São os prometidos por Deus quando disse: “Vou novamente trazer de volta . . . conselheiros para ti, como no início.” — Isaías 1:26; 1 Timóteo 3:1-7; 1 Pedro 5:1-4; Jeremias 3:15; Isaías 32:1, 2.

      Teriam João e Jane sido sábios se tivessem buscado a ajuda desses conselheiros antes de recorrerem a estranhos? Bem, deve-se reconhecer que os anciãos não são profissionais especializados, treinados para entender ou tratar todos os tipos de problemas de saúde mental. Seu campo, em vez disso, abrange problemas espirituais. Contudo, em assuntos tais como aconselhamento matrimonial, a distinção entre dificuldades espirituais, emocionais e mentais nem sempre é clara. E a verdade é, a maioria dos conselheiros profissionais não está qualificada para tratar de problemas espirituais. Assim, anciãos cristãos qualificados têm realmente algo valioso a contribuir.

      A Arte de Aconselhar

      Contudo, como o ensino, o aconselhamento é uma arte que precisa ser estudada e desenvolvida. (Tito 1:9) É possível que alguns anciãos necessitem de ajuda em certas áreas a fim de que seu conselho seja mais eficaz. Neste caso, também, a Bíblia pode ajudar porque não só nos diz o que falar, mas, também, como fazê-lo. Curiosamente, muitas sugestões da Bíblia são similares às que os mais eficientes conselheiros profissionais aplicam em seu trabalho. Consideremos algumas delas.

      Atitude para com o paciente. O conselheiro cristão do primeiro século, Paulo, escreveu a certa congregação: “Tornamo-nos meigos entre vós, como a mãe lactante que acalenta os seus próprios filhos. [Tivemos] assim terna afeição por vós.” (1 Tessalonicenses 2:7, 8) Que espírito excelente! Os que dão conselho devem tratar seus pacientes como pessoas que necessitam de ajuda, não como errantes que precisam ser julgados. Não é tanto uma ocasião para criticar, condenar ou repreender, como o é para entender, reassegurar que os problemas podem ser resolvidos e que vale a pena viver.

      Certo psicólogo fez um comentário similar, dizendo: “Eles não necessitam de punição ou de castigo de nossa parte, eles meramente querem ser ajudados.”

      Tempo para ouvir. “Quando alguém replica a um assunto antes de ouvi-lo, é tolice da sua parte e uma humilhação.” (Provérbios 18:13) Trata-se de excelente conselho. O conselheiro eficiente, diante de um problema sério, não responde de supetão como que aviando uma receita “de palpite”, chamando a isso de aconselhamento. Como um médico ou advogado, ele marca uma entrevista para que o assunto seja examinado cuidadosamente.

      O conselheiro profissional aprende a ouvir. Por mais que demore, não importa quantas sessões sejam necessárias, ele procura obter o entendimento por ouvir. Deve o conselheiro cristão deixar por menos? Lembre-se, o jovem Eliú, que deu bom conselho a Jó e seus três “amigos”, primeiro ‘esperou as palavras deles’ e ‘deu ouvidos aos raciocínios deles’. — Jó 32:11.

      Ao ouvir, o conselheiro deve exercitar faculdades de percepção bem desenvolvidas, sondando discretamente sob a superfície a fim de descobrir as motivações íntimas de seu interlocutor. Para isso, o conselheiro cristão dispõe de uma maravilhosa ajuda. Que ajuda? A Bíblia. Fala-se de seu conteúdo como algo vivo, que exerce poder, e “capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração”. — Hebreus 4:12.

      Reconhece a individualidade. O conselheiro sábio se apercebe de que não há duas pessoas ou situações exatamente iguais e que não existem soluções prontas para serem administradas como se fossem comprimidos. Assim, ele medita, de modo que o que diga ‘seja sempre com graça, temperado com sal, para que [saiba] como responder a cada um’. — Colossenses 4:6.

      Certo psicólogo diz que alguns pacientes criam tamanha desesperança que dizem: “Sou imprestável. Sou indigno de qualquer benevolência.” Como poderia o conselheiro cristão ajudar a tais pessoas? Poderia dizer-lhes algo assim: ‘Jesus nos mandou amar o próximo como a nós mesmos.’ Daí poderia ajudá-los nesta linha de raciocínio: ‘Que vai acontecer se não tivermos valor próprio ou amor-próprio? O que, então, teremos para dar ao nosso próximo? Se Jesus morreu por nós, a nossa vida deve ser preciosa, independente de quanto a tivermos manchado. Fomos criados à imagem de Deus, destarte capazes de refletir suas qualidades em nossa personalidade. O que precisamos fazer, então, é nos empenhar em assumir uma nova personalidade. Isto inclui agir misericordiosamente para com nós mesmos.’ — Mateus 22:37-39; Marcos 10:45; Colossenses 3:9, 10.

      Preocupação Genuína

      Jesus, no trato com pessoas, foi sempre humilde, jamais altivo, interesseiro ou egoísta. (Mateus 11:28, 29; Filipenses 2:5-8) O apóstolo Paulo incentivou os cristãos a imitarem tal atitude, por cultivarem terna afeição e compaixão e ‘não fazerem nada por briga ou por egotismo, mas, [usarem de] humildade mental’. (Filipenses 2:1-3) Conselheiros bem-sucedidos reconhecem a sua própria necessidade de humildade e preocupação genuína.

      Similarmente, o bem-conhecido psicólogo Carl Rogers descreve o conselheiro como “pessoa sincera, sem máscara, e que usa empatia”. É o que outro psicólogo chama de “estima positiva”: “Isto significa que ele preza seu cliente qual pessoa, de algum modo com a mesma qualidade de sentimento que um genitor tem para com seu filho, prezando-o qual pessoa.” Existe aqui um perigo contra o qual se acautelar, porém. Se o conselheiro se ocupa com um casal, ótimo. Se, no entanto, ele se ocupa apenas com a esposa, precisa ser cauteloso para que ela não se torne tão dependente dele na busca de compreensão e solicitude a ponto de excluir seu marido.

      Como Se Comunicar

      Como já mencionado, o conselheiro bem sucedido dá importância à comunicação. A verdadeira comunicação inclui mais do que dar e obter informação. Primeiro, o que você diz é realmente o que você pensa. Segundo, o interlocutor realmente ouve o que você diz.

      Ademais, não tire conclusões afoitas nem faça interpretações apressadas sobre o que ouve. Para se certificar, faça uma pergunta, ou várias. Solicite uma confirmação. Certifique-se de que o que é dito seja realmente o intencionado. E que o intencionado seja dito. É isso o que você quer dizer?” “Quero ver se estou entendendo bem.”

      As palavras que alguém usa podem às vezes fornecer indícios sobre coisas abaixo da superfície, coisas que vão muito fundo ou que percorrem um longo caminho de volta ao passado. O conselheiro eficiente é perito em chegar a tais pensamentos, pelo uso de perguntas.

      Perguntas para reunir informação: “Há quanto tempo vocês têm problemas maritais?” “Quais parecem ser as áreas de desacordo?” “Há quanto tempo estão casados?” Ao marido (ou à esposa): “Quais são as suas responsabilidades domésticas?” Estas são exemplos.

      Perguntas que fazem revelar sentimentos, pontos de vista, atitudes: “O que acha sobre o seu casamento?” “Vocês se amam?” “Como encara seu papel de marido (ou de esposa)?”

      Perguntas que ajudam os entrevistados a raciocinar ou a tirar conclusões: “Por que acha importante seguir os princípios de Deus no casamento?” “Por que o amor altruísta beneficia o casamento?” “Por que acha que seu cônjuge não se sente amado por você?” “Se Deus perdoa você, qual deve ser a sua reação diante das imperfeições de seu cônjuge?”

      É vital que o aconselhador imite a Jeová e seja imparcial. (1 Pedro 1:17) Não deve tirar conclusões prematuras nem permitir que suas próprias idéias preconcebidas falseiem seu julgamento. Se a esposa é um tanto emotiva, o conselheiro talvez conclua precipitadamente que ela é rebelde e talvez tome o partido do marido desde o início. Ou algum traço na personalidade do marido pode induzir o conselheiro de início a pender mais para o lado da esposa. Ambas são armadilhas a se evitar.

      Se tomar partido, alerta certo psicólogo, “terá quase garantido o fracasso . . . você então não estará ajudando — estará . . . na verdade julgando. . .. A história contada a você [por uma das partes] não é necessariamente a certa.” Isto se harmoniza com o que a Bíblia previne: ‘O primeiro na sua causa jurídica pode parecer justo, mas entra seu oponente e certamente o esquadrinha.’ — Provérbios 18:17; 25:8-10.

      Pesar Opiniões à Luz da Razão

      Quando marido e esposa discutem é comum que tendem a perder de vista a razão e busquem convencer um ao outro de que a sua própria opinião é correta.

      Por exemplo, ela acha que o quarto está desarrumado se um paletó está fora do lugar. Ele acha que com um paletó fora do lugar e alguns papéis sobre a mesa o quarto ainda está limpo e bem-arrumado. Como o conselheiro cristão tenta resolver tais sólidas opiniões pessoais? Há excelentes lembretes bíblicos que pode usar, tais como: “Seja a vossa razoabilidade conhecida de todos” e ‘O amor é longânime e benigno e não procura os seus próprios interesses’. — Filipenses 4:5; 1 Coríntios 13:4, 5.

      Conceitos ou motivações obstinados podem levar a situações difíceis. Num casamento, por exemplo, a esposa talvez se sinta negligenciada e indesejada, ao passo que o marido talvez ache que ela exige demais da sua atenção e que não lhe dá suficiente liberdade de ação. Talvez nunca chegaram a um consenso sobre o que o amor realmente é e como deve ser expresso e aceito.

      Em tal caso, talvez se exija muito cuidado e tato no aconselhamento para levar os aconselhados a terem um conceito equilibrado. Induzi-los a explicar em suas próprias palavras a descrição bíblica do amor pode ajudar. (1 Coríntios 13:4-8) Às vezes facilita-se o reajustamento por assegurar o entrevistado de que sua fraqueza é comum a todos nós. “Enganos — quem pode discernir?” “Todos se apartaram.” — Salmo 19:12; Romanos 3:12; Salmo 130:3.

      Generalidades São Inúteis

      Ao dar conselho ou instrução, Jesus referiu-se a assuntos específicos. (Mateus 22:15-46) Similarmente, o aconselhamento matrimonial deve ser específico. Ponderações vagas sobre amor, bondade e generosidade geralmente são inúteis. Um tapinha nas costas e o conhecido ‘confie em Deus e tudo dará certo’ talvez baste em certas circunstâncias. Mas, em outros casos, tais generalidades podem ser a expressão de alguém sem conselho real e prático a dar. — Veja Tiago 2:15, 16.

      O conselheiro inexperiente ou imaturo talvez tenda a evitar assuntos embaraçosos ou “delicados”. Mas Jesus, o Maravilhoso Conselheiro, não se esquivou de abordar com finura assuntos como sexo, finanças e hábitos pessoais. — Mateus 5:23, 24, 27, 28; 6:25-34.

      Tocar o Coração

      O conselho deve ser sempre baseado na Bíblia. Contudo, a meia citação de textos não garante que os aconselhados captem o verdadeiro entendimento do assunto. De novo, o bem-sucedido conselheiro segue o exemplo de Jesus e está preparado para raciocinar sobre eles. Como? — Mateus 17:24-27.

      Considere, por exemplo, um casal que não se entende no assunto da chefia. O marido acha que exerce razoável chefia cristã. A esposa acha que está sendo desarrazoadamente dominada e mandada. Ler a consideração do apóstolo Paulo sobre a chefia, em Efésios 5:21-27, deve bastar para estabelecer os princípios em questão. Mas, será que o casal então entenderá e aceitará plenamente tais princípios? Não a menos que os aconselhados se enquadrem pessoalmente nas palavras de Paulo, vendo como se aplicam a eles individualmente.

      Isto, por sua vez, pode exigir uma seqüência de perguntas esquadrinhadoras: “Como exerceu Jesus a chefia sobre a congregação?” “Por que se diz ‘Estai sujeitos uns aos outros’?” “Em que sentido está o marido sujeito à sua esposa?” “Em que sentido está a congregação sujeita a Jesus?” “O que nos revela isso sobre o relacionamento da esposa com o marido?”, e assim por diante.

      Jesus, ao usar esta forma de aconselhamento, não forneceu as respostas ele mesmo. Tampouco o fará o sábio conselheiro moderno. Em vez disso, ele induzirá a própria pessoa a fornecer as respostas, uma após outra — não por forçar, mas, de modo paciente e gentil. “Os desígnios no coração humano são como águas profundas, mas o homem inteligente os retira de lá.” (Provérbios 20:5, The New American Bible) O processo pode levar minutos. Pode levar horas. Mas pode encetar o raciocínio da pessoa na direção correta. E serve qual poderoso tônico no combate à atitude negativa.

      Conselho por Exemplo

      Certo eficiente conselheiro matrimonial nos Estados Unidos cita o seguinte caso de ensinar por exemplo: “Para certo marido que achava difícil mostrar afeição à esposa, certo ancião fez questão de mostrar afeição à sua própria esposa na presença daquele marido. Este logo aprendeu o que era apropriado.”

      Em alguns países diz-se que a imagem popularizada “ideal” do homem é o tipo atlético, bronzeado, bom nos esportes de contato corporal, que gosta de drinques e outras coisas “varonis”. Tende a se associar com homens e acha embaraçoso mostrar afeição à esposa em público, considerando isso uma coisa efeminada. Eis aqui uma situação em que o aconselhamento pelo exemplo seria uma força para o bem.

      Não Se Pode Forçar o Ritmo

      As qualidades e experiências positivas que primeiro uniram um casal podem erodir em conseqüência de queixas constantes. Lembretes apropriados — talvez baseados no livro bíblico O Cântico de Salomão, a história do amor inabalável da moça Sulamita por um jovem pastor humilde — podem reacender poderosas emoções que um casal em dificuldades certa vez compartilhava quando seu amor era recente.

      O conselheiro, porém, deve estabelecer um ritmo segundo as necessidades dos aconselhados. Certo conselheiro profissional diz que nem sempre é sábio tentar especificar todas as falhas reconhecidas, como que buscando a perfeição. Em vez disso, ele faz com que o casal formule quais são seus problemas principais, e, na maioria dos casos, pede que os alistem em ordem de importância, primeiro os mais difíceis. Por inverter a lista, faz com que o casal se empenhe em resolver primeiro os mais fáceis. Assim, torna-se mais leve resolverem mais tarde os mais difíceis.

      Técnicas de aconselhamento jamais substituem a sabedoria. O mais hábil conselheiro profissional será de pouco valor se usar sua habilidade para promover teorias humanas contrárias aos princípios bíblicos. Por outro lado, o conselheiro matrimonial bem versado nos pensamentos de Deus, conforme contidos na Bíblia, é um recurso divinamente providenciado para estes tempos de dificuldade em que vivemos. — Isaías 32:1, 2.

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