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Coloque-se no lugar do outroA Sentinela — 1963 | 15 de dezembro
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Coloque-se no lugar do outro
DEVIDO a flagrante descuido deu-se um grande incêndio num gigantesco porta-avião dos Estados Unidos em construção. O incêndio custou ao govêrno mais de 50 milhões de dólares e levou vintenas de vidas. A espôsa de uma das vítimas ouvia ansiosamente pelo rádio a notícia do incêndio. Quando seu marido não voltou na hora de costume, ela temeu o pior. Então tocou a campainha, e como ela se apressou para atender! Quando abriu a porta, lá estavam dois policiais. Faltaram-lhes palavras, mas palavras não eram necessárias. A bondosa expressão de condolência na face dêles falou suficientemente claro. Sim, o marido dela estava entre os que perderam a vida no incêndio.
Os policiais sabiam perfeitamente como se sentia aquela mulher, pois êles sabiam como as suas próprias espôsas se sentiriam no lugar dela. Em tais ocasiões, uma bondosa expressão facial, um gesto ou algumas palavras faladas com calorosa compreensão, pode ser tudo o que precisamos para mostrar que compreendemos, que podemos colocar-nos no lugar do outro.
A Bíblia faz observação sôbre a necessidade disto, pois ela nos diz: “Alegrai-vos com os que se alegram, e chorai com os que choram.” Ela mostra que entoar “canções junto ao coração aflito” é simplesmente fora de lugar e que há “tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar de alegria”. Podendo colocar-nos no lugar do outro, sabemos quando é hora de chorar e lamentar, e quando é hora de rir e saltar de alegria. — Rom. 12:15; Pro. 25:20; Ecl. 3:4, ALA.
Esta questão de nos colocar no lugar do outro aplica-se a tôdas as nossas relações com êle. Em especial, há necessidade disto no círculo familiar. Quanto melhor pais e filhos se darão bem se todos forem capazes de se colocarem no lugar uns dos outros! Não que os pais devam abdicar a autoridade dêles, mas a compreensão é vital. E quanto atrito há entre marido e mulher por falta de compreensão! Êste princípio aplica-se até a pequenas coisas, tais como a querer ver televisão ou ouvir o rádio quando o outro precisa de silêncio para descansar ou estudar. Também se aplica a estar na hora para as refeições e estar pronto para sair na hora combinada.
Já tomou dinheiro emprestado e negligenciou devolvê-lo no dia que disse que o faria? Considerou o seu descuido como algo trivial? Mas o que dizer do outro? Êle talvez se pergunte se se esqueceu completamente. Se prometer pagar certa soma em certa data e não puder, será que não poderia pelo menos dar uma explicação quanto a por que não pôde manter a palavra em vez de ignorar a questão como se não tivesse obrigação? O seu credor sem dúvida ficaria contente em dar-lhe mais tempo, conquanto que não se tenha a idéia de que o empréstimo foi uma dádiva! Difi̇̀cilmente seria justo conseguir uma dádiva sob o pretexto de empréstimo, não é verdade?
Quantas greves, confusões e sofrimentos desnecessários há na indústria porque os homens não se colocam no lugar uns dos outros! Por os operários ou o empregador ou ambos não fazerem isto, às vêzes as greves se prolongam por semanas e meses. Ora; não haveria absolutamente preconceito racial nem religioso onde quer que as pessoas fôssem capazes de se colocarem no lugar dos outros que fôssem diferentes nestes sentidos.
Quer se tenha um pedido a fazer ou uma repreensão a dar, é muito mais efetivo quando se é capaz de colocar-se no lugar do outro. Quão bem Jesus podia fazer isto! Foi por isso que, após Pedro o ter negado três vêzes, êle não o censurou. Tudo que foi preciso foi olhar: “E o Senhor voltou-se e olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da pronunciação do Senhor” referente a êle traí-lo. Então Pedro “saiu e chorou amargamente”. Sim, às vêzes um olhar de reprovação, às vêzes em tom de rôgo — quantas vêzes Jeová rogou ao seu povo! — às vêzes apenas um bondoso arrazoamento com o que errou faz mais do que aterrissar sôbre êle com todo o seu pêso. — Luc. 22:60-62; Gál. 6:1.
O apóstolo Paulo imitou o seu Mestre neste assunto também. Êle sabia que se fôsse indiferente para com o modo em que os outros pensavam e sentiam, poderia feri-los desnecessàriamente, pois é muito fácil achar que os outros, os que achamos estarem errados, ou são insinceros ou faltos de inteligência. Êle fêz-se de “escravo de todos” para que ganhasse muitos mais. “E assim”, disse êle, “para os judeus tornei-me como judeu, para ganhar judeus; . . . Para os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tôdas as coisas para pessoas de tôda a sorte, para de todos os modos salvar alguns.” Não há dúvida, o apóstolo Paulo sabia colocar-se no lugar do outro. — 1 Cor. 9:19-22.
Ser capaz de colocar-se no lugar do outro não só poderá guardar-se de ofender o outro desnecessàriamente, mas também proteger-se contra flagrante egoísmo ou pecados. Uma das principais causas da imoralidade e do crime é a ganância, isto é, um desejo ganancioso do que pertence a outro. Mas se puder colocar-se no lugar do outro, simplesmente não cobiçará seu automóvel, seu emprêgo, sua mulher ou quaisquer de suas possessões. Não quereremos perder coisas assim, se nós as possui̇́rmos, não é verdade? — Deu. 5:21.
Naturalmente, colocar-se no lugar do outro não significa que será levado indevidamente por sentimentos ao tratar com outros que não o mereçam. Tampouco significa que não repreenderá severamente quando fôr seu dever e fôr bom que assim o faça. Preocupar-se-á com o que fôr melhor para o outro, assim como deseja o melhor para si mesmo, não é verdade?
Em resumo, colocar-se no lugar do outro pode fazer, oh!, tanto para tornar amigáveis os tratos com outros, bem como para ajudá-lo a fazer o que é correto. É exatamente o que Jesus queria dizer, quando se expressou assim: “Tôdas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a êles; isto, de fato, é o que a Lei e os Profetas querem dizer.” — Mat. 7:12.
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Testemunhando apesar de doença — AustráliaA Sentinela — 1963 | 15 de dezembro
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Testemunhando apesar de doença — Austrália
Certa irmã já tinha obtido doze assinaturas durante a campanha, quando teve de ir ao hospital para uma operação séria. Operou-se com bom êxito na terça-feira e na quinta-feira os irmãos puderam visitá-la. Imagine a surprêsa dêles quando descobriram que, apesar de sua operação e de sentir-se mal, ainda obteve mais quatro assinaturas com senhoras em leitos próximos! Não obteve tais assinaturas antes, mas depois da operação. — Anuário das Testemunhas de Jeová de 1963, em inglês, pág. 78.
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