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Não esgote a paciência de DeusA Sentinela — 1972 | 15 de novembro
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cima dum visionário carro celeste, dizendo:
“E tu, ó filho do homem, toma para ti um tijolo, e tens de pô-lo diante de ti e gravar sobre ele uma cidade, sim, Jerusalém. E tens de sitiá-la e construir contra ela um muro de sítio, e erguer contra ela um aterro de sítio, e armar acampamentos contra ela, e colocar contra ela aríetes ao redor. E no que se refere a ti, toma para ti uma assadeira de ferro e tens de pô-la como muro de ferro entre ti e a cidade, e tens de firmar tua face contra ela, e, ela tem de ficar sitiada, e tu tens de sitiá-la. É um sinal para a casa de Israel.” — Eze. 4:1-3.
OS 390 DIAS DE SE LEVAR O ERRO DE ISRAEL
Um fator interessante deste cenário era que indicava com antecedência o ano exato em que Jerusalém havia de ser destruída. À base dos registros oficiais disponíveis em Jerusalém, sem dúvida podia saber-se o tempo em que ocorreu a divisão do reino. Ezequiel, em Babilônia, talvez tivesse suficientes informações para calcular o ano da calamidade de Jerusalém, quando recebeu a visão seis anos antes de ocorrer a sua queda. O aspecto do tempo é revelado no que Jeová disse a seguir:
“E no que se refere a ti, deita-te sobre o teu lado esquerdo, e tens de deitar sobre ele o erro da casa de Israel. Pelo número dos dias que ficares deitado sobre ele levarás o erro deles. E eu é que tenho de dar-te os anos de seu erro no número de trezentos e noventa dias, e tens de levar o erro da casa de Israel. E tens de completá-los.” — Eze. 4:4-6a.
Deus havia tolerado a rebelião e a idolatria em Israel desde 997 A. E. C. O rebelde Reino setentrional não durou trezentos e noventa anos. Quando foi destruído em 740 A. E. C., foi em punição direta pelo seu afastamento da adoração de Jeová, como Deus. Mas isto não resolveu a questão, no que se referia a Jeová. Ainda havia certo ajuste de contas a ser feito com a capital-mãe, Jerusalém. Por isso, Jeová prosseguiu a mandar a Ezequiel:
“E tens de deitar-te sobre o teu lado direito, no segundo caso, e tens de levar o erro da casa de Judá por quarenta dias. Um dia por um ano, um dia por um ano é o que te dei. E firmarás a tua face para o sítio de Jerusalém, com o teu braço desnudo, e tens de profetizar contra ela. E eis que vou pôr sobre ti cordas para que não te vires de um lado para outro, até que tenhas completado os dias do teu sítio.” — Eze. 4:6b-8.
Se Ezequiel estava deitado (de bruços) com a cabeça para o leste, no seu sítio mímico de Jerusalém, então seu lado esquerdo estava para o norte, direção do anterior Reino setentrional de Israel, e seu lado direito estava para o sul. Por isso era apropriado que se deitasse sobre o seu lado direito ao levar o “erro” do Reino meridional de Judá. Lançaria assim todo o peso sobre o seu lado direito. Naturalmente, deitar-se Ezequiel sobre o seu lado direito, por quarenta dias, aconteceu depois de ele se deitar sobre o lado esquerdo por trezentos e noventa dias, o que significaria quatrocentos e trinta dias de estar deitado como num sítio.a
OS QUARENTA DIAS DO ERRO DE JUDÁ
Entretanto, no cumprimento real na antiga Jerusalém, os quarenta dias pelo “erro” da “casa de Judá” correriam simultaneamente com os últimos quarenta dias dos trezentos e noventa dias pelo “erro” da “casa de Israel”. A unidade de medição do tempo que Jeová deu a Ezequiel era “um dia por um ano”, enfatizada pela repetição. Por conseguinte, os quarenta anos pelo “erro” da “casa de Judá” correriam simultaneamente com os últimos quarenta anos do período de 390 anos pelo “erro” da “casa de Israel”. Os últimos quarenta anos deste período começaram no ano 647 A. E. C. Ambos os períodos, o mais comprido e o mais curto, tinham de convergir para a mesma data, porque a antiga Jerusalém foi destruída apenas uma vez, a saber, em 607 A. E. C.
Surge então uma pergunta: Ficou o começo destes quarenta anos pelo “erro da casa de Judá” de algum modo assinalado para indicar o começo da contagem do “erro” religioso? Sim, o ano inicial deste período foi o décimo terceiro ano do reinado do bom Rei Josias, de Jerusalém, e foi naquele ano que Jeová designou Jeremias para servir como seu profeta na terra de Judá. (Jer. 1:1-3; 25:3) Mas, não estava o bom Rei Josias restabelecendo naquele tempo a adoração pura de Jeová em toda a terra de Judá? Então, por que começaria Jeová a contar naquele ano o “erro” contra a “casa de Judá”?
POR QUE A PUNIÇÃO NÃO PODIA SER IMPEDIDA
Judá estava cheia de erro incurável. O Rei Manassés, avô do Rei Josias, havia levado Judá a pecados tão múltiplos e chocantes, que Jeová não podia eliminá-los do ajuste de contas que tinha com Jerusalém, como cidade idólatra e manchada de sangue. Lemos:
“Foi somente pela ordem de Jeová que isto sucedeu a Judá, a fim de removê-lo da sua vista por causa dos pecados de Manassés, conforme tudo o que tinha feito; e também por causa do sangue inocente que tinha derramado de modo a encher Jerusalém de sangue inocente, e Jeová não consentiu em dar perdão.” — 2 Reis 24:3, 4; 21:16.
Mesmo depois dos nobres esforços do Rei Josias, para fazer vigorar a lei de Jeová em Judá e Jerusalém, lemos:
“E antes dele não se mostrou haver nenhum rei igual a ele que voltasse a Jeová de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de toda a sua força vital, segundo toda a lei de Moisés; nem depois dele surgiu um igual a ele. Não obstante, Jeová não recuou do grande ardor da sua ira com que a sua ira ardia contra Judá por causa de todas as coisas ofensivas com que Manassés os fizera ofender. Jeová disse, porém: ‘Também a Judá removerei da minha vista assim como removi Israel; e hei de rejeitar esta cidade que escolhi, sim, Jerusalém, e a casa [templo] da qual eu disse: “Meu nome continuará ali.”’” — 2 Reis 23:25-27.
É notável tal paciência de Jeová para com ambas as casas de Israel. Trezentos e noventa anos são um longo tempo para se ser indulgente — mais de duas vezes mais longo, por exemplo, do que a existência do Brasil como nação independente. Este exemplo certamente nos devia ajudar a compreender e apreciar mais plenamente esta boa qualidade de Deus. E devia ser para nós um forte incentivo para termos mais paciência com outros.
Mas o que podemos aprender de a paciência de Deus finalmente se esgotar?
PROVEITO DA PACIÊNCIA DE DEUS ANTES DE ELA SE ESGOTAR
Podemos aplicar este princípio à cristandade, às nações que se chamam cristãs. A cristandade não se iniciou com Jesus Cristo ou com seus apóstolos, mas, antes, no quarto século, na fusão do cristianismo apóstata com a religião pagã e a política, por Constantino, o Grande. Por isso, a cristandade nunca praticou o verdadeiro cristianismo. Este imperador romano transformou o “cristianismo” na religião do Estado por motivos políticos. Depois de ter presidido ao concílio religioso de Nicéia, mandou matar seu filho mais velho e depois sua própria esposa Fausta. Desta maneira, o próprio alicerce da cristandade ficou manchado com sangue. O “erro” da cristandade começou no seu início. — The Encyclopœdia Britannica, 11.ª Edição, Volume 66, página 989, parágrafo 4.
Durante os 1.600 anos desde então, as vestes da cristandade têm ficado encharcadas de sangue. Lembre-se das cruzadas, da inquisição religiosa, da Guerra dos Trinta Anos, e, finalmente, das suas duas guerras mundiais deste século.
Ninguém pode dizer que Deus não deu ampla oportunidade à cristandade para revelar sua verdadeira natureza. No entanto, sua paciência não era sem objetivo.
É claro que nenhum de nós deseja morrer, mas sim viver. O Criador, Jeová Deus, usa de tal paciência notável porque não quer que alguém morra. Quanto desperdício é morrer e perder as boas coisas que Deus está para trazer para os que apreciam a sua paciência! Jeová diz às pessoas da cristandade, assim como disse ao seu professo povo no tempo de Ezequiel: “Por que devíeis morrer, ó casa de Israel? Pois, não me agrado na morte de quem morre . . . Portanto, fazei um recuo e continuai a viver.” — Eze. 18:31, 32.
Deus não só é paciente, mas é também Provedor de ajuda aos que desejam recuar do proceder da cristandade, que provoca a Deus, ou das outras falsas religiões e ideologias do mundo. As testemunhas de Jeová preocupam-se tanto em que obtenha a vida como com as suas próprias perspectivas dela. Aproveite-se de sua ajuda gratuita e do atual tempo da ainda existente paciência de Deus para com os de coração sincero. — 2 Cor. 6:1, 2.
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Generosidade gera generosidadeA Sentinela — 1972 | 15 de novembro
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Generosidade gera generosidade
O ESPÍRITO de generosidade permeia todos os tratos de Deus com suas criaturas terrestres. Há uns três mil anos atrás, um homem de discernimento observou: “Jeová sustenta a todos os que estão caindo e ergue a todos os encurvados. Os olhos de todos se fixam esperançosos em ti [Jeová], e tu lhes dás o seu alimento a seu tempo. Abres a tua mão e satisfazes o desejo de toda coisa vivente.” (Sal. 145:14-16) Concorda com esta admissão inspirada?
Há os que não concordam com ela. Praticamente toda a família humana se esqueceu de Deus. Pelo menos deixa de tomar a ele e seus princípios de justiça em conta na sua vida. Multidões de pessoas negam a própria existência de Jeová e recusam-se a dar seria consideração à sua Palavra, a Bíblia Sagrada. Não obstante, sua atitude não nega que Deus é generoso. Revela realmente a profundeza de sua generosidade, porque até mesmo os que não a apreciam tiram proveito dela. Jeová Deus “faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos”. — Mat. 5:45.
E há mais. Deus recomenda aos seus adoradores e incute neles o mesmo bom espírito — o da generosidade e liberalidade. As seguintes palavras são típicas de seu ensino aos seus servos terrestres: “Far-se-á que a própria alma generosa engorde [seja próspera], e aquele que rega liberalmente os outros também será regado liberalmente.” (Pro. 11:25) E na lei que Deus deu por intermédio de Moisés, como mediador, incluiu-se este conselho: “Deves terminantemente dar-lhe
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