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Por dentro das notíciasA Sentinela — 1989 | 15 de junho
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Por dentro das notícias
Chave da Felicidade?
“Dois anos de dureza, felicidade para sempre.” Este, segundo o jornal japonês Yomiuri Shimbun, é o atual lema entre os estudantes chineses no Japão. Na esperança de enriquecer, esses estudantes tomam dinheiro emprestado para ir ao Japão, onde crêem que o dinheiro chove do céu. Esperam que, por trabalharem dois anos em empregos de tempo parcial enquanto estudam, podem economizar dois milhões de ienes (uns 15.400 dólares) e daí voltar para casa e viver feliz para sempre.
Tal confiança no dinheiro como chave da felicidade prevalece no mundo inteiro. Uma recente pesquisa entre jovens, revelou que “o ‘dinheiro’ encabeçava a lista” das ansiedades e preocupações em 9 de 11 países, diz o Asahi Evening News.
Será que confiar nas riquezas realmente abrirá as portas da felicidade? O sábio rei Salomão acautelou que “o mero amante da prata não se fartará de prata”. (Eclesiastes 5:10; 7:12) Colocar o dinheiro em primeiro lugar não resulta em verdadeira satisfação, tampouco garante segurança futura. Por exemplo, a Bíblia diz: “Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da fúria de Jeová.” (Sofonias 1:18) Em contraste, porém, o salmista Davi escreveu: “Feliz o varão vigoroso que pôs a sua confiança em Jeová.” Confiar em Jeová, não no dinheiro, é a chave para usufruir a felicidade para sempre. — Salmo 40:4; Isaías 30:18.
O Dilema do Batismo
Dois problemas relacionados com o batismo de bebês surgiram em tempos recentes na Igreja Anglicana. O primeiro diz respeito ao batismo “indiscriminado”, que certo clérigo descreveu como um tipo de “inoculação espiritual”. O segundo é a recusa de crescente número de clérigos de batizar bebês cujos pais não apóiam ativamente a Igreja Anglicana.
Muitos clérigos se apercebem de que os pais muitas vezes não têm desejo de freqüentar a igreja, e tampouco vão querer que seus filhos o façam. Por que, então, batizar bebês? “Eles querem batizar seus bebês”, comenta The Times, “do mesmo modo como querem dar ou receber presentes de aniversário, decorar a casa no Natal. . . Faz parte de sua cultura: não precisa haver uma razão.”
Certo clérigo deixou o cargo porque chegou à conclusão que batismos de bebês não deviam ser realizados. Disse ele: “A única pessoa que pode assumir tal compromisso com Cristo é a própria pessoa.” Ele poderia ter acrescentado que Jesus Cristo tinha 30 anos de idade quando foi batizado, e que a palavra grega para batismo, ba·ptí·zo, significa mergulhar ou submergir. Depois de ter sido batizado no rio Jordão, Jesus ‘subiu da água’. (Marcos 1:10; Mateus 3:13, 16) Em parte alguma a Bíblia fala de aspergir bebês com água. Visto que o batismo é o símbolo da dedicação da pessoa a Deus como seguidora das pisadas de Cristo, esta não é uma decisão que um bebê possa fazer.
Contraceptivos e os Católicos
A oposição da Igreja Católica à contracepção foi confirmada por João Paulo II, no Segundo Congresso Internacional de Teologia Moral, realizado em Roma, em novembro último. Segundo o jornal da Cidade do Vaticano, L’Osservatore Romano, ele disse: “Não se trata de uma doutrina inventada pelo homem. Foi escrita pela mão criativa de Deus na própria natureza da pessoa humana. Duvidar disto equivale a negar a Deus a obediência de nossa inteligência”, e, por conseguinte, acrescenta ele, “não pode ser questionada por teólogos católicos”.
Mas, a encíclica Humanae Vitae a que se referiu o papa João Paulo, escrita uns 20 anos atrás por Paulo VI, “foi imediatamente questionada por grande número de teólogos”, disse o jornal italiano La Stampa, e desconsiderada pela “maioria dos católicos”.
Claramente, a inflexibilidade da igreja na questão do controle da natalidade tem desunido teólogos e desnorteado católicos sinceros. A contínua dissensão sobre o uso de qualquer tipo de contraceptivo até mesmo levou João Paulo a exortar os teólogos a falarem todos “a mesma linguagem”. Todavia, contrário à afirmação do papa de que a posição da igreja sobre a contracepção foi “escrita pela mão criativa de Deus”, o jornal italiano La Repubblica diz que “nenhum versículo dos Evangelhos ou do Antigo Testamento é citado para validar a doutrina”.
Em parte alguma a Bíblia fala do uso de contraceptivos ou do controle da natalidade no casamento, tampouco diz ela que os cristãos são obrigados a produzir filhos. A Palavra de Deus deixa a questão do planejamento familiar entregue à consciência de cada casal cristão. Por impor as suas normas sobre controle de natalidade, a Igreja Católica tem ido “além das coisas que estão escritas”. — 1 Coríntios 4:6.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1989 | 15 de junho
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Perguntas dos Leitores
◼ É compatível com os princípios bíblicos o casal cristão usar pílulas anticoncepcionais?
As Escrituras não dizem claramente que os casais cristãos sejam obrigados a ter filhos, ou, caso os tenham, quantos. Todo casal deve, em particular e de modo responsável, determinar se deseja ou não controlar o tamanho de sua família. Se concordarem em praticar o controle da natalidade, a sua escolha de contraceptivos é também um assunto pessoal. Contudo, eles devem considerar — segundo seu entendimento da Bíblia e sua consciência — se usar determinado método mostraria ou não respeito para com a santidade da vida.
A Bíblia indica que a vida da pessoa começa na concepção; o Dador da Vida vê a vida que foi concebida, ‘até mesmo o embrião’ que depois se desenvolverá no útero. (Salmo 139:16; Êxodo 21:22, 23a; Jeremias 1:5) Assim, não se deve fazer esforço algum para acabar com uma vida concebida. Fazer isso seria aborto.
Pílulas anticoncepcionais são largamente consumidas em todo o mundo. Como é que evitam o nascimento de uma criança? Existem dois principais tipos de pílulas — a de anticoncepcionais combinados e a de progestogênio isolado (minipílula). A pesquisa tem esclarecido os seus mecanismos primários para evitar o nascimento.
Os anticoncepcionais combinados contêm os hormônios estrogênio e progesterona. Segundo a Administração de Alimentos e Remédios, dos EUA, “o mecanismo primário” dos anticoncepcionais combinados é a “inibição da ovulação”. Parece que, quando tomada sistematicamente, este tipo de pílula quase sempre evita a liberação de um óvulo do ovário. Quando o óvulo não é liberado, não pode ocorrer a concepção nas trompas de Falópio. Ao passo que este tipo de pílula talvez cause também mudanças no “endométrio [revestimento do útero] (que reduz a probabilidade de implantação)”, isto é considerado um mecanismo secundário.
Para reduzir efeitos colaterais, desenvolveram-se anticoncepcionais combinados com dosagens mais baixas de estrogênio. Aparentemente, estes anticoncepcionais combinados, de baixa dosagem, permitem maior atividade nos ovários. O Dr. Gabriel Bialy, chefe do Setor de Desenvolvimento de Contraceptivos do Instituto Nacional de Saúde (dos EUA) diz: “O peso da evidência científica indica que, mesmo com a pílula de baixa dosagem de estrogênio, a ovulação é bloqueada, não cem por cento, mas, muito provavelmente, por volta de 95 por cento. No entanto, o mero fato de que ocorra a ovulação, não equivale a dizer que tenha havido a fertilização.”
Se a mulher deixar de tomar o anticoncepcional combinado segundo a programação, existe uma aumentada possibilidade de que o mecanismo secundário venha a desempenhar um papel na prevenção da natalidade. Um estudo de mulheres que deixaram de tomar duas das pílulas de baixa dosagem constatou que 36 por cento tiveram ovulações que “escaparam”. A revista Contraception diz que, em tais casos, os “efeitos das pílulas no endométrio e no muco cervical podem continuar a prover. . . proteção contraceptiva”.
Que dizer do outro tipo de pílula — a de progestogênio isolado (minipílula)? A publicação Drug Evaluations (Avaliações de Drogas) [1986] informa: “A inibição da ovulação não é uma característica marcante da contracepção com minipílulas que só contêm progesterona. Tais agentes causam a formação dum espesso muco cervical que é relativamente impenetrável ao esperma; eles talvez aumentem o tempo do transporte tubário e também causem involução endométrica [que impediria o desenvolvimento de qualquer óvulo fertilizado].”
Alguns pesquisadores afirmam que no caso da pílula de progestogênio isolado, “a ovulação normal ocorre em mais de 40% das usuárias”. Assim, esta pílula freqüentemente permite a ovulação. O espesso muco no colo do útero talvez bloqueie a passagem do esperma e, assim, não permita a concepção; se isso não acontecer, o ambiente hostil que a pílula cria no útero poderá impedir o óvulo fertilizado de se implantar e se desenvolver em uma criança.
Portanto, pode-se ver que, quando usadas regularmente para o controle da natalidade, ambos os principais tipos de pílula parecem, na maioria dos casos, impedir que a concepção ocorra, e, portanto, não são abortivas. Contudo, visto que a pílula de progestogênio isolado (minipílula) mais freqüentemente permite a ovulação, existe uma maior possibilidade de, às vezes, ela evitar a gestação por interferir com a implantação no útero de uma vida concebida já iniciada. Estudos científicos indicam que, normalmente, (com o útero não afetado por pílulas anticoncepcionais) “sessenta por cento dos óvulos fertilizados são. . . perdidos antes da interrupção da menstruação”. Que isso acontece, porém, é muito diferente de se escolher usar um método de controle de natalidade que mais provavelmente impeça a implantação de um óvulo fertilizado.
Assim, existem definidos aspectos morais a considerar, se o casal considera com um médico o assunto de usar pílulas anticoncepcionais. Os cristãos devem resolver até mesmo assuntos íntimos e pessoais de modo a conservar uma “consciência perfeitamente limpa” perante nosso Deus e Dador da Vida. — Atos 23:1; Gálatas 6:5.
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