-
HospitalidadeAjuda ao Entendimento da Bíblia
-
-
associação anterior com Filêmon, que este estaria mais do que ansioso de prover o que pudesse. (Filêm. 21, 22) O apóstolo João, em sua carta escrita por volta de 98 E.C., indicou que os membros da congregação cristã tinham a obrigação de ajudar os representantes viajantes que lhes eram enviados, “para que nos tornemos colaboradores na verdade”. João também elogiou Gaio por sua hospitalidade, afirmando que ele demonstrara este espírito para com aqueles que eram “ainda por cima estranhos”. Ou seja, Gaio não conhecia antes pessoalmente a tais pessoas, mas elas foram, mesmo assim, tratadas calorosamente, por causa do serviço que prestavam à congregação. — 3 João 5-8.
SINAL DO VERDADEIRO CRISTIANISMO
A hospitalidade genuína, de coração, é um sinal do verdadeiro cristianismo. É uma expressão de fé ativa. (Tia. 2:14-17) Depois do derramamento do espírito santo no dia de Pentecostes de 33 E.C., muitos cristãos recém-convertidos permaneceram em Jerusalém a fim de aprenderem mais sobre as boas novas do Reino, antes de partirem para seus lares em várias partes da terra. Os cristãos que moravam em Jerusalém demonstraram-lhes hospitalidade, acolhendo-os em seus lares, e até mesmo vendendo seus bens e considerando todas as coisas que possuíam como um bem comum. (Atos 2:42-46) Um arranjo organizado foi mais tarde estabelecido pelos apóstolos, para a distribuição de alimentos às viúvas necessitadas entre eles. — Atos 6:1-6.
A hospitalidade é um requisito para os cristãos. Paulo ordenou: “Não vos esqueçais da hospitalidade”; e Pedro mostrou que ela devia ser demonstrada voluntariamente, afirmando: “Sede hospitaleiros uns com os outros, sem resmungar.“ (Heb. 13:2; 1 Ped. 4:9; compare com 2 Coríntios 9:7.) Evidentemente, as condições motivaram que a demonstração de hospitalidade para com não-crentes fosse necessariamente limitada. Entretanto, disse-se aos cristãos que ‘fizessem o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé’. — Gál. 6:10.
REQUISITO PARA SUPERINTENDENTES E PARA OS QUE RECEBEM AJUDA ESPECIAL
A hospitalidade era uma das qualidades importantes exigidas dos que seriam designados superintendentes nas congregações cristãs. (1 Tim. 3:2; Tito 1:7, 8) Também, Paulo instruiu Timóteo, superintendente em Éfeso, que as viúvas cristãs colocadas na lista para receberem ajuda material da parte da congregação deviam ser as que ‘tinham hospedado estranhos’. (1 Tim. 5:9, 10) Como é evidente, tais senhoras tinham aberto seus lares e os tornado disponíveis para os ministros ou missionários cristãos que visitavam ou serviam a congregação. Muitos deles, naturalmente, tinham sido anteriormente “estranhos” para estas senhoras hospitaleiras. Lídia era uma senhora deste tipo. Ela era incomumente hospitaleira, Lucas relatando: “Ela simplesmente nos fez ir.” — Atos 16:14, 15.
BÊNÇÃOS
As Escrituras, ao recomendarem a hospitalidade, indicam que grandes são as bênçãos espirituais colhidas pela pessoa hospitaleira. Paulo afirma: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por meio dela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.” (Heb. 13:2; Gên. 19:1-3, 6, 7; Juí. 6:11-14, 22; 13:2, 3, 8, 11, 15-18, 20-22) O próprio Jesus declarou o princípio: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” — Atos 20:35.
Numa profecia relativa ao tempo de sua volta na glória do reino, Jesus disse que as pessoas seriam separadas, assim como um pastor separa as ovelhas dos cabritos. Isto seria feito à base do tratamento que dispensassem aos “irmãos” dele, ainda que não vissem a Jesus com seus olhos naturais. Os que mostrassem hospitalidade e bondade aos “irmãos” de Cristo estariam fazendo isto por reconhecerem-nos como sendo irmãos de Cristo, e filhos de Deus. (Mat. 25:31-46) Em outra declaração, ele mostrou que, não a simples hospitalidade humanitária é o que traria a recompensa duradoura de Deus, e sim a hospitalidade motivada pelo reconhecimento dos representantes de Deus como sendo Seus profetas, discípulos que pertenciam a Cristo. — Mat. 10:40-42; Mar. 9:41, 42.
QUANDO NÃO DEVE SER DEMONSTRADA
Há alguns para os quais a Bíblia manda que os cristãos não demonstrem hospitalidade. O apóstolo João admoesta: “Todo aquele que se adianta e não permanece no ensino do Cristo não tem Deus. . . . Se alguém se chegar a vós e não trouxer este ensino, nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis. Pois, quem o cumprimenta é partícipe das suas obras iníquas.” (2 João 9-11) Manter tal pessoa em casa, ou confraternizar com ela, seria perigoso para a própria espiritualidade do cristão, e este, com efeito, estaria tolerando o proceder dela. Isto seria desencaminhante para outros e um vitupério para a congregação. Tal princípio é expresso também em Romanos 16:17, 18; 2 Tessalonicenses 3:6; Mateus 7:15; 1 Coríntios 5:11-13.
O CONVIDADO (HÓSPEDE)
Nos tempos antigos, esperava-se que o convidado, ao passo que era tratado com a máxima cortesia e honra, observasse certas disposições e regras. À guisa de exemplo: Considerava-se como um dos atos mais vis compartilhar o alimento dum homem e então traí-lo ou causar-lhe dano. (Sal. 41:9; João 13:18) O convidado ou hóspede não devia pressupor algo da parte de seu hospedeiro ou, estando no grupo reunido, assumir o lugar de honra ou o ponto destacado, mas devia deixar que seu anfitrião determinasse tal coisa. (Luc. 14:7-11) Nem devia ‘tornar-se inoportuno’ por demorar-se demais ou ir demasiadas vezes à casa de seu anfitrião. (Pro. 25:17) Deve-se observar que Jesus sempre concedia bênçãos espirituais ao usufruir a hospitalidade de seu anfitrião. (Luc. 5:27-39; 19:1-8) Por motivo similar, ele disse a seus discípulos, aos quais enviou, que, quando chegassem numa cidade, deviam permanecer na casa onde foram recebidos hospitaleiramente, e não ficarem “transferindo[-se] de casa em casa”. Não deviam, assim, ficar procurando um local em que o morador lhes pudesse prover mais conforto, diversão ou coisas materiais. — Luc. 10:1-7; Mar. 6:7-11.
O apóstolo Paulo, que viajou muito e que foi alvo da hospitalidade de muitos de seus irmãos cristãos, não se tornou, contudo, uma carga financeira para nenhum deles. Por boa parte do tempo, trabalhou num serviço secular, e delineou a lei: “Se alguém não quiser trabalhar, tampouco coma.” (2 Tes. 3:7-12; 1 Tes. 2:6) Por este motivo, Paulo tinha uma resposta para as acusações dos chamados ‘apóstolos superfinos’ em Corinto, os quais acusaram Paulo de aproveitar-se dos cristãos da congregação ali. (2 Cor. 11:5, 7-10) Ele podia jactar-se de ter fornecido as boas novas a eles absolutamente grátis, nem sequer recebendo as coisas a que tinha direito como apóstolo e ministro de Deus. — 1 Cor. 9:11-18.
EVITE A HOSPITALIDADE HIPÓCRITA
Em Provérbios 23:6-8 se dá um aviso quanto a aceitar a demonstração hipócrita de hospitalidade: “Não te alimentes do alimento de alguém de olho não generoso [literalmente, “mau quanto ao olho”], nem te mostres almejante dos seus pratos gostosos. Pois ele é como alguém que estava calculando na sua alma. ‘Come e bebe’, ele te diz, mas o seu coração mesmo não está contigo. Vomitarás o teu bocado que comeste e terás desperdiçado as tuas palavras agradáveis.” (Nota da ed. 1957 da NM, em inglês.) Não sendo da espécie que dá algo de coração, mas esperando algo em troca, tal indivíduo maquina contra a pessoa, convidando-a de maneira calorosa, mas com segundas intenções. Por partilhar de seu alimento, e especialmente se a pessoa almeja seus pratos gostosos, de modo a desejar saboreá-los de novo, tal pessoa se coloca, até certo ponto, sob o poder dele. Talvez ache difícil recusar alguma solicitação que ele faça, e, possivelmente, se meta em dificuldades. Daí, sentirá náuseas de ter chegado a comer junto com tal indivíduo, e as palavras agradáveis que pronunciou, esperando que promovessem a espiritualidade e uma amizade edificante, certamente terão sido desperdiçadas. — Compare com Salmo 141:4.
-
-
HuldaAjuda ao Entendimento da Bíblia
-
-
HULDA
[possivelmente, espálace]. A esposa de Salum; uma profetisa que residia em Jerusalém, no segundo bairro, no reinado do fiel Rei Josias, de Judá. Quando Josias ouviu a leitura do “próprio livro da lei”, encontrado por Hilquias, o sumo sacerdote, durante a obra de restauração do templo, ele enviou uma delegação para indagar a Jeová. Dirigiram-se a Hulda, que, por sua vez, transmitiu a palavra de Jeová, a qual indicava que todas as calamidades devidas à desobediência, registradas no “livro”, recairiam sobre aquela nação apóstata. Hulda acrescentou que Josias, graças a ter-se humilhado perante Jeová, não contemplaria essa calamidade, mas seria ajuntado a seus antepassados e levado a seu sepulcro em paz. — 2 Reis 22:8-20; 2 Crô. 34:14-28.
Alguns reputam errada a profecia de Hulda, em vista da morte de Josias numa batalha desnecessária. (2 Reis 23:28-30) Não obstante, a “paz” em que Josias seria recolhido a seu sepulcro se contrasta obviamente com a “calamidade” que devia vir sobre Judá. Josias morreu antes da vinda dessa calamidade em 607 A.E.C., quando os babilônios cercaram e destruíram Jerusalém. Em aditamento, que a expressão ‘ser ajuntado a seus antepassados’ não exclui, necessariamente, uma morte violenta na guerra, é indicado pelo uso da expressão comparável ‘deitar-se com seus antepassados’, que se refere tanto à morte em batalha como à morte não-violenta. — Compare com Deuteronômio 31:16; 1 Reis 2:10; 22:34, 40.
-
-
HumildadeAjuda ao Entendimento da Bíblia
-
-
HUMILDADE
Nas Escrituras Hebraicas, este termo procede de uma raiz (‘anáh) que significa ‘ser curvado, afligido; ser humilhado; ser humilde’. As palavras que procedem desta raiz são traduzidas de forma variada como “humildade”, “mansidão”, “condescendência”, “despretensão”, etc. Nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra tapeinophrosy’ne é traduzida “humildade” e “humildade mental”. Procede das palavras tapeinóo, “rebaixar” e phren, “a mente”. A palavra portuguesa “humildade” provém do elemento latino humus, “terra”, “chão”, e significa “ausência de orgulho ou de arrogância”. A pessoa detentora da verdadeira humildade é mansa e humilde de espírito.
O indivíduo pode alcançar um estado de humildade por raciocinar sobre seu relacionamento com Deus e com seu próximo, conforme delineado na Bíblia, e, daí, por praticar os princípios aprendidos. Um vocábulo hebraico, hithrappés, traduzido “humilhar-se”, significa literalmente “espezinhar-se”. Isto bem expressa a ação descrita pelo sábio escritor de Provérbios: “Filho meu, se tiveres prestado fiança pelo teu próximo, . . . se tiveres sido enlaçado pelas declarações da tua boca, . . . chegaste a ficar na palma da mão do teu próximo: Vai humilhar-te [espezinhar-te] e arremete contra o teu próximo com importunações. . . . Livra-te.” (Pro. 6:1-5) Em outras palavras, deixe de lado seu orgulho, reconheça seu erro, corrija os assuntos e procure o perdão. Jesus admoestou a pessoa a humilhar-se perante Deus como uma criança, e, em vez de tentar ser destacado, ministrar e servir a seus irmãos. — Mat. 18:4; 23:12.
Ou, a pessoa talvez aprenda a humildade por
-