-
A quem pertence o seu corpo?Despertai! — 1972 | 8 de maio
-
-
morrer. Ela não tentou tirar a sua própria vida. Queria cuidados médicos, até mesmo a cirurgia, se necessária. Ela estava disposta a tomar os remédios que ela aprovasse, inclusive qualquer das diversas alternativas para o sangue.
Mas, falando-se de tirar a vida, o que dizer dos milhares que morrem por tomarem sangue a cada ano? Se o risco de morrer por não se tomar sangue é considerado ofensa perante a lei e expede-se um mandado judicial, por que não expedir mandados judiciais para prender os médicos cujos pacientes têm sido mortos por transfusões de sangue? Afinal de contas, tais médicos têm sido responsáveis de tirar a vida e causar ferimentos a milhares de pessoas a cada ano. Será que recusar uma transfusão de sangue deve ser considerado contra a lei, mas aleijar e matar milhares de pessoas deve ser considerado legal? Será razoável considerar criminoso aquele que recusa o sangue, mas não aqueles que são homicidas culposos?
Os Motivos nem Sempre São Puros
A maioria dos médicos, inclusive aqueles que acreditam em transfusões de sangue, são sinceros em seu ponto de vista. Mas, podem estar equivocados, e estão. Daí, há médicos que simplesmente não estão a par das últimas descobertas no campo da medicina, em especial as relacionadas ao que se pode fazer sem sangue. Outros são orgulhosos demais para admitirem que não são infalíveis e outros ainda simplesmente não se preocupam com os direitos de seus pacientes.
No caso de alguns médicos, seus motivos, sua sinceridade, têm de ser questionados. Por quê? Porque, ao passo que afirmam que dão sangue por desejarem salvar a vida, dão meia-volta e realizam ou aprovam abortos, que tiram a vida — 165.000 na cidade de Nova Iorque em apenas um ano! Imagine-se o clamor e os mandados judiciais se 165.000 bebês morressem porque as mães recusaram-lhes transfusões de sangue! Mas, em especial visto que os mortos de abortos não são suficientemente grandes para protestarem, este assassinato legalizado é realizado por muitos médicos.
Fumar cigarros provoca o câncer pulmonar e mata milhares de pessoas. O alcoolismo encurta a vida de outros milhares. Mas, será que os médicos obtêm mandados judiciais para se apoderarem de fumantes e de alcoólatras e submetê-los à força a tratamento médico? Não, até tais práticas obviamente prejudiciais são deixadas a critério da pessoa, embora matem milhares de pessoas mais do que as mortas por se recusarem a receber uma transfusão de sangue. Será que alguém já sugeriu com seriedade que se obtenha um mandado judicial que proíba as pessoas de dirigir automóveis, só porque mais de mil morrem e quarenta vezes tantas sofrem ferimentos em média cada semana em acidentes, nos EUA?
Assim, há muitas práticas, para o bem ou para o mal, que envolvem riscos. Dá-se à pessoa o direito de decidir se as aceitará. Por que, então, marcar uma pessoa que recusa o sangue a fim de obrigá-la a receber um tratamento que não deseja, em especial quando o tratamento envolve um risco, é contrário às suas crenças religiosas e essa pessoa está disposta a receber o tratamento médico alternativo?
A mentalidade de alguns da classe médica para com os direitos de seus pacientes foi, recentemente, comentada em um artigo de Newsweek, de 9 de agosto de 1971. Noticiou o seguinte, depois de o Dr. Christiaan Barnard, da África do Sul, transplantar um coração e dois pulmões de uma pessoa em outra:
“Mais tarde, no mesmo dia, Rosaline Gunya, esposa do doador morto, Jackson Gunya, chorosamente contou aos repórteres que as autoridades do [hospital] Groote Schuur nem sequer lhe haviam falado na morte de seu marido, antes de seus órgãos serem removidos, quanto mais lhe pedir permissão para o transplante. ‘Jamais teria concedido permissão para que seu coração fosse tirado de seu corpo’, soluçou ela. ‘O que aconteceu é uma coisa terrível.’”
Embora as autoridades hospitalares afirmassem não saber que o Sr. Gunya era casado, soube-se que a Sra. Gunya visitara o marido na noite antes de ele morrer. E os repórteres não levaram mais de trinta minutos para descobrir os parentes do morto. Não podiam os médicos também ter feito isto, caso estivessem assim inclinados? Disse, em editorial, o Cape Times, da África do Sul: “É lamentável que [o Professor Barnard] deixasse registrado que dissera: ‘Pensávamos que ele era solteiro.’ Até os solteirões Africanos têm irmãos e irmãs.”
Assim, ao passo que muitos médicos e autoridades têm motivos corretos e respeitam as solicitações e direitos de seus pacientes, há aqueles que não o fazem, e que tripudiam sobre os mesmos. Que tal atitude ainda exista hoje é algo que nos deve fazer pensar muito. Mostra que a maneira de pensar de alguns não dista muito da mentalidade da “Idade Obscura” e dos campos de concentração nazistas.
Mas, aqueles que negam ao paciente seu direito de escolha, dado por Deus, em especial quando envolve a sua relação com Deus, um dia terão que responder pelo que fizeram. E terão de responder ao próprio Deus. Nessa ocasião, nenhum deles poderá correr para obter um mandado judicial, porque isto não terá nenhuma validez. Ao invés, colidirão, bem de frente, com o Juiz Supremo do universo, para a vergonha e perda eterna deles mesmos. — Deu. 32:35, 41.
-
-
Visita ao interior da terraDespertai! — 1972 | 8 de maio
-
-
Visita ao interior da terra
Do correspondente de “Despertai!” no Líbano
NENHUM escultor terrestre poderia talhar a beleza que se desvenda no interior da terra. Aqui há um assombroso país das maravilhas; um fenômeno de formações fantásticas — de coloridas estalactites e estalagmites, câmaras belíssimas e águas cristalinas.
As cavernas subterrâneas são encontradas em muitas partes do mundo. No Líbano, temos exemplo deveras notável de sua beleza — as deslumbrantes cavernas Jeita. Localizam-se nas Montanhas do Líbano, não muito distantes do Mediterrâneo azul.
-