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LabãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Labão é chamado de “filho de Betuel, o sírio [literalmente, “o arameu”]”. Ele também é mencionado como “Labão, o sírio”. (Gên. 28:5; 25:20; 31:20, 24) Tal designação é apropriada em vista de que residia em Padã-Arã, que significa “a planície (baixada) de Arã”, ou Síria. Labão era um semita que morava numa região ocupada por pessoas que falavam aramaico, uma língua semítica.
O idoso Abraão enviou seu servo à área que acabamos de mencionar, a fim de encontrar uma esposa para Isaque. (Gên. 24:1-4, 10) Quando Labão ouviu o relato de Rebeca sobre seu encontro com o servo de Abraão, e viu os presentes que ela recebera, ele se dirigiu correndo a tal servo, referindo-se a ele como alguém abençoado por Jeová, e demonstrou-lhe hospitalidade. (Gên. 24:28-32) Labão, depois disso, assumiu parte destacada nas negociações do casamento de Rebeca, a aprovação para tal casamento provindo tanto dele como de seu pai, Betuel. — Gên. 24:50-61.
Anos depois, para escapar da vingança de Esaú e para conseguir uma esposa, Jacó viajou para a casa de seu tio, Labão, em Harã. (Gên. 27:41 a 28:5) Já nessa época, Labão tinha duas filhas, Léia e Raquel (Gên. 29:16), se não também alguns filhos. (Gên. 31:1) Labão fez um acordo com Jacó no sentido de que, em troca de sete anos de serviço, ele daria a Jacó, como esposa, a sua filha mais moça, Raquel. Entretanto, Labão enganou Jacó na sua noite de núpcias, substituindo Raquel por sua filha mais velha, Léia, pondo de lado os protestos de Jacó por apelar para o costume local, e então oferecer Raquel a Jacó como esposa secundária, conquanto Jacó o servisse por outros sete anos. — Gên. 29:13-28.
Quando Jacó, por fim, desejou partir, Labão instou com ele que permanecesse e continuasse servindo-o por um salário. (Gên. 30:25-28) O acordo foi que Jacó ficasse com todas as ovelhas salpicadas e malhadas, com as ovelhas de coloração escura entre os carneiros novos, e com quaisquer cabras malhadas e salpicadas. (Gên. 30:31-34) Mas as palavras posteriores de Jacó a Léia e a Raquel, e também a Labão (Gên. 31:4-9, 41), indicam que, nos anos que se seguiram, Labão com freqüência alterou este acordo original, quando aconteceu que os rebanhos de Jacó estavam crescendo muito. Por fim, mudou a atitude de Labão para com Jacó, e, orientado por Jeová, Jacó decidiu voltar à sua terra natal com sua família e seus rebanhos. — Gên. 31:1-5, 13, 17, 18.
No terceiro dia depois de sua partida sigilosa, Labão ficou sabendo dela e foi no encalço de Jacó, alcançando-o na região montanhosa de Gileade. No entanto, um aviso da parte de Deus impediu que Labão prejudicasse Jacó. (Gên. 31:19-24) Quando eles se encontraram, Labão e Jacó discutiram. Jacó apontou seus vinte anos de serviço fiel e de trabalho árduo, e mostrou como Labão havia lidado injustamente com ele, mudando dez vezes o seu salário. — Gên. 31:36-42.
Labão ficou muito preocupado em recuperar os terafins ou ídolos domésticos, que Raquel, sem que Jacó o soubesse, havia roubado. Labão não conseguiu encontrá-los, pois Raquel os manteve escondidos. (Gên. 31:30-35) Labão talvez tivesse sido influenciado em suas idéias religiosas pelo povo adorador da lua entre o qual vivia, e isto pode ser indicado pelo emprego que fazia de presságios e por possuir terafins. Entretanto, é preciso observar que é provável que outras razões, mais do que as simplesmente religiosas, tenham deixado Labão tão ansioso de localizar e recuperar os terafins. Tabuinhas descobertas em escavações feitas em Nuzi, perto de Quircuque, Iraque, revelam que, de acordo com as leis dos tempos patriarcais nessa determinada região, a posse de tais ídolos domésticos por parte do marido de certa mulher lhe daria o direito de se dirigir a um tribunal e pretender o espólio de seu sogro falecido. Assim, Labão pode bem ter pensado que Jacó tivesse roubado os terafins com vistas a, posteriormente, privar da herança os próprios filhos de Labão. Isto talvez explique por que, não conseguindo localizar os seus deuses domésticos, Labão se mostrou ansioso de concluir um acordo com Jacó que garantisse que Jacó não retornaria, de posse dos deuses domésticos, após a morte de Labão, para privar da herança os filhos dele.
Labão fez um pacto de paz familiar com Jacó, e, para comemorá-lo, ergueram uma coluna de pedras e um monte de pedras. Usando o hebraico, Jacó chamou o montículo de Galeede, que significa “monte de testemunho”. Labão o chamou de Jegar-Saaduta, usando uma expressão aramaica ou síria que tinha o mesmo significado. Foi também chamado de “A Torre de Vigia”. (Gên. 31:43-53) Depois de despedir-se de seus netos e de suas filhas, Labão voltou para casa, e o registro bíblico não mais o menciona. — Gên. 31:54, 55.
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LábioAjuda ao Entendimento da Bíblia
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LÁBIO
Sendo parte da boca e tendo muito que ver com a formação das palavras, o termo “lábio” é usado figuradamente no sentido de fala ou linguagem (Pro. 14:3; 1 Cor. 14:21), e é, ocasionalmente, empregado em paralelismos com “língua” (Sal. 34:13; Pro. 12:19) e com “boca”. (Sal. 66:14; Pro. 18:7) Antes da confusão da linguagem em Babel, “toda a terra continuava a ter um só idioma [literalmente, ‘lábio’] e um só grupo de palavras”. (Gên. 11:1, 6-9; o mesmo emprego é feito no Salmo 81:5; Isaías 19:18.) Por meio do profeta Sofonias, Deus prometeu conceder aos povos “a transformação para uma língua [lábio] pura”, referindo-se evidentemente à verdade, conforme revelada a seu povo por meio de Jesus Cristo. — Sof. 3:9; compare com Provérbios 12:19.
Os lábios não constituem indício seguro do que existe no coração, visto que o indivíduo pode empregá-los para proferir palavras hipócritas. (Mat. 15:8) No entanto, os lábios não conseguem ocultar de Deus a verdadeira condição do coração (Heb. 4:13), e, por fim, desvendarão o que existe no coração. — Pro. 26:23-26; Mat. 12:34.
Moisés quis escusar-se de falar perante o Faraó porque era de “lábios incircuncisos”, isto é, era como se seus lábios possuíssem um prepúcio sobre eles e, assim sendo, fossem longos e grossos demais para falar com facilidade. É possível que ele tivesse alguma dificuldade na fala. (Êxo. 6:12, 30) Isaías, quando convocado por Jeová, desejava servir, mas lamentou ‘estar perdido’ (BJ) porque, sendo homem impuro de lábios, tinha contemplado a Jeová em visão, e não era apto a levar a mensagem pura de Deus. Jeová fez então com que os lábios de Isaías fossem purificados. — Isa. 6:5-7; compare com João 15:3; Isaías 52:11; 2 Coríntios 6:17.
A profecia de Oséias incentivava Israel a oferecer a Jeová os “novilhos” de seus lábios, representando os sacrifícios de louvor sincero. (Osé. 14:2) O escritor cristão do livro de Hebreus faz alusão a esta profecia ao exortar os co-crentes a oferecerem a Deus “um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do Seu nome”. — Heb. 13:15.
Em sentido figurado, um “lábio macio” indica linguagem enganosa. (Sal. 12:2, 3) Tais lábios, bem como os lábios duros ou enganosos, podem ser prejudiciais, ferindo em profundidade como uma espada, ou envenenando como uma víbora. (Sal. 59:7; 140:3; Rom. 3:13) A pessoa que “abre bem os seus lábios” é aquela que fala de modo impensado ou insensato. (Pro. 13:3) Isso pode conduzi-la à ruína, pois Deus determina que todos terão de prestar contas por suas palavras. — Deut. 23:23; Núm. 30:6-8; Pro. 12:13; compare com Jó 2:10; Mateus 12:36, 37.
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LaçoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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LAÇO
Veja ARMADILHA.
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LádanoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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LÁDANO
Há certa incerteza quanto ao que é designado pela palavra hebraica nekhó’th, item levado por uma caravana de ismaelitas, aos quais José foi vendido, e um dos produtos excelentes que Jacó mandou seus filhos levar como presente para aquele que era governante do Egito. (Gên. 37:25; 43:11) O termo nekhó’th tem sido traduzido de forma variada como “especiarias” (Al), “resina” (CBC), “tragacanto” (IBB; PIB; VB); “arômatas” (ALA), e, segundo definido por um léxico hebraico e aramaico, de Koehler e Baumgartner, “ládano”. (NM) O ládano é uma resina macia, castanho-escura ou negra que exsuda das folhas e dos ramos de várias variedades de Cistus, esteva ou xara, plantinha arbustiva dotada de flores grandes, de cinco pétalas, que se parece com a rosa silvestre. A resina tem sabor amargo, mas cheiro fragrante. É usada em perfumes, e, em certa época, também era empregada na medicina. Com referência a esta substância, o antigo historiador grego, Heródoto (História, Livro III, seção 112, Clás. Jackson), escreve: “Embora odorífero, . . . extraem-no da barba dos bodes e das cabras, tal qual a goma que escorre lentamente das árvores. Empregam-no na composição de vários perfumes, e é principalmente com ele que os árabes se perfumam.”
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LadrãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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LADRÃO
Alguém que, deliberadamente, apossa-se daquilo que pertence a outrem sem permissão, especialmente alguém que pratica a fraude e o engano, ou que rouba secretamente. O modo de agir dos ladrões era quase o mesmo antigamente como o de hoje. Vinham roubar geralmente à noite (Jó 24:14; Jer. 49:9; Mat. 24:43; Luc. 12:39; João 10:10; 1 Tes. 5:2-5; 2 Ped. 3:10; Rev. 3:3; 16:15), e uma das formas comuns de penetração na casa era por uma janela. (Joel 2:9) Por outro lado, ladrões e assaltantes de estradas armavam uma emboscada e caíam sobre suas vítimas em áreas desertas, onde era virtualmente impossível obter ajuda. Não raro, não hesitavam em empregar violência ou em ameaçar e pôr em perigo a vida daqueles de cujos bens se apoderavam. — Juí. 9:25; Luc. 10:30, 36; 2 Cor. 11:26.
Os termos das línguas originais traduzidos “roubar” e “salteador” podem também referir-se a reter de outrem o que lhe é legitimamente devido, ou conseguir coisas de outros por meios fraudulentos ou por apropriar-se, em proveito próprio, daquilo que a pessoa estava obrigada a dar a outros. Por deixarem de pagar os dízimos que sustentavam a verdadeira adoração no templo, os judeus dos dias de Malaquias estavam ‘roubando a Deus’. (Mal. 3:8, 9) Provérbios 28:24 fala de a pessoa roubar a seu pai ou a sua mãe, significando, como é evidente, privar os pais, de algum modo, do que pertence de direito a eles. Jesus Cristo condenou os cambistas por terem transformado o templo num “covil de salteadores”. Isto sugere que os cambistas cobravam taxas exorbitantes para seus serviços. — Mat. 21:12, 13.
Em sua segunda carta aos coríntios, o apóstolo Paulo escreveu: “A outras congregações roubei, por aceitar provisões, a fim de ministrar a vós.” (2 Cor. 11:8) Não havia nada de fraudulento em Paulo receber de outros as provisões para seu sustento. Mas, evidentemente, ele se referiu a isso como se fosse roubar aquelas congregações no sentido de ter usado aquilo que recebera delas para suprir suas necessidades enquanto labutava, não a favor delas, mas em prol dos coríntios.
Em alguns casos, ‘roubar’ pode referir-se ao ato justificado de se apoderar daquilo a que se tem direito, sendo dada ênfase à maneira furtiva em que tal ato é executado. Para exemplificar, alguns israelitas ‘furtaram’ o corpo de Saul da praça pública de Bete-Sã. (2 Sam.
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