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O que acontece com o que come?Despertai! — 1984 | 8 de setembro
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O que acontece com o que come?
“ESTOU com fome!” Quando o corpo sente esta necessidade premente, poucos oferecem grande resistência a ela.
Mas, já meditou alguma vez no que acontece com o que come? (Além de se acumular na cintura, bem entendido!) Jesus Cristo certa vez observou que “tudo o que entra pela boca passa para os intestinos e é eliminado para o esgoto”. (Mateus 15:17) Mas, o que acontece a meio-caminho e por que isso acontece é, na maior parte, um verdadeiro mistério — até mesmo para os cientistas. Vamos, todavia, examinar mais de perto as teorias correntes sobre como a máquina humana é “alimentada”.
Por Que Sente Fome
A expressão “é aquilo que come” é muito batida, porém, é bem verdadeira. As células de seu corpo compõem-se quase que inteiramente de moléculas extraídas dos alimentos e dos líquidos que ingeriu. Constantemente, o seu corpo está nutrindo, fabricando, consertando ou destruindo tais células. Assim, comer tem um objetivo muito maior do que encher o estômago. Fornece combustível e materiais para o programa incessante de construção do seu corpo. O Criador sabiamente nos fez com um alarme inato que nos deixa saber quando nosso corpo precisa de mais alimento.
Muitos pesquisadores acreditam que uma parte do cérebro, chamada hipotálamo — e não o estômago — desempenha grande papel em acionar o desejo de comer. Na verdade, a pessoa com estômago vazio pode sofrer aquilo que a Bíblia chama de “agonia da fome” — agudas contrações estomacais. (Lamentações 5:10) A maioria de nós, porém, jamais sentiu isto. Não raro, a pessoa come por ser movida pelo hábito ou por fatores psicológicos. Ora, simplesmente ver a comida ou sentir seu aroma pode gerar fome! Ademais, o cérebro parece monitorar o nível de glucose no sangue, e uma queda de tal nível pode fazê-lo sentir fome. Alguns até mesmo pensam que o cérebro possui um “ponto” pré-determinado que controla quanta gordura corpórea tem. “Mensageiros” químicos talvez informem o cérebro quando os níveis de gordura são baixos demais para o gosto do cérebro. Em resultado, sente fome. Felizmente, o cérebro também informa quando já comeu o bastante. Mas se este sistema funcionar mal (como parece ser o caso de alguns), a pessoa talvez coma muito além da saciedade. Esta talvez seja uma das muitas causas da obesidade.
O Trajeto da Boca Até o Estômago
Desde que Deus forneceu ao homem a permissão de comer “toda a vegetação que dá semente, que há na superfície de toda a terra”, o homem tem feito exatamente isso. (Gênesis 1:29) Depois do Dilúvio noáquico, o homem adicionou outro item importante ao seu menu — a carne. (Gênesis 9:3) A carne e as hortaliças suprem nutrientes vitais, tais como proteínas, gorduras e amidos. O problema, porém, é que seu corpo só assimila pequenas moléculas de alimento, ao passo que as moléculas de proteínas, de gorduras e de amidos são bem grandes. A digestão, portanto, reduz estas longas cadeias químicas ao tamanho apropriado.
Desde o momento em que vê, cheira ou até mesmo pensa num saboroso item alimentício, seu corpo se prepara para a digestão. Imagine, por exemplo, que tenha diante dos olhos um suculento e desossado peito de galinha entremeado em duas fatias frescas de pão de trigo integral. Só ver isso já o deixa com água na boca, não deixa? Secretamente, seu estômago começa a segregar sucos gástricos. Agora, dê uma abocanhada neste saboroso petisco, e seu aparelho digestivo entra em plena operação. Sua boca aquece (ou esfria) o alimento até a temperatura correta. A mastigação não só lhe permite saborear o alimento, mas também o tritura a uma polpa facilmente engolível. As glândulas salivares ajudam, por bombearem saliva para umedecer e amaciar o alimento. As enzimas contidas na saliva operam sobre o pão, transformando os amidos em açúcares simples.
Da boca, a refeição tem de percorrer então um trajeto até sua próxima parada — o estômago. Ali, a galinha pode se, digerida. Engula uma porção. Um reflexo fecha a traquéia, de modo que o alimento desça para a garganta, ou esôfago. Fica ali muito pouco tempo, contudo. Em questão de segundos, as contrações musculares ajudam a movê-la para baixo, em direção ao estômago. “As contrações são tão fortes”, afirma certo escritor, “que o alimento seria forçado a descer, mesmo se o comedor estivesse pousado sobre a cabeça”. Uma válvula unidirecional chamada cárdia, ou esfíncter da parte inferior do esôfago, permite que o alimento penetre no estômago, mas impede que os sucos gástricos refluam para o esôfago.
Qualquer pessoa que passou pela experiência desagradável de vomitar sabe que o estômago nada mais é do que um depósito de ácidos. Assim, por várias horas, o bolo alimentar se revolve no ácido clorídrico e nas enzimas. Ali a galinha é misturada, esterilizada e desfeita em moléculas de proteína, chamadas polipetídios.
Infelizmente, alguns têm deficiência de ácido clorídrico e de enzimas gástricas. Como conseqüência disso, sua digestão é seriamente dificultada. Talvez se empanturrem de alimentos nutritivos, mas sofram, mesmo assim, de desnutrição. Em contrapartida, alguns possuem um excesso de ácidos estomacais e sofrem as bem-conhecidas queimações, ou até mesmo contraem úlceras. A pessoa fará bem em observar sua dieta alimentar e não ingerir alimentos que geralmente perturbam seu estômago. Cuide, também, do efeito provocado por suas emoções. Nos dias de Jó Eliú sofreu tensão emocional quando controlava o impulso de falar. “Eis”, disse ele, “que meu ventre é como o vinho sem respiradouro; como odres novos, quer rebentar”. (Jó 32:19) A pessoa de “coração calmo”, contudo, pode escapar de desnecessários distúrbios estomacais — Provérbios 14:30.
Absorção e Distribuição
O alimento, depois de passar várias horas no estômago, é agora uma massa líquida, chamada quimo. Este líquido e gradualmente passado para o duodeno, a primeira parte do intestino delgado. Ali prossegue o processo digestivo.
O fígado vem então em auxílio das enzimas presentes no intestino por produzir a bílis — um líquido alcalino, amarelado. Seu corpo produz cerca de 500 a 800 mililitros diários deste líquido salgado e o estoca na vesícula biliar. Quando necessário, tal órgão segrega apenas a quantidade necessária de bílis para fazer seu trabalho de emulsificar os glóbulos gordurosos. Uma vez cumprida esta tarefa, as enzimas estão livres para realizar suas maravilhas químicas. O que resta de seu sanduíche é transformado em partículas microscópicas! Mas, como é que tais partículas se tornam parte de seu corpo?
Pela absorção. Como vê, é preciso cerca de quatro horas para que o alimento digerido passe do intestino delgado para o próximo passo de seu trajeto: o intestino grosso. No ínterim, encontra milhões de diminutas rugosidades, parecidas a dedinhos, chamadas vilosidades, que revestem as paredes do intestino delgado. Por meio destas vilosidades, o alimento é absorvido — quer pelo sistema linfático ou pelo sistema sanguíneo. O sistema sanguíneo transporta o alimento digerido para aquela “fábrica” notável, o fígado. Ali, as moléculas decompõem-se ainda mais. Daí, quando as células de seu corpo precisam de reparos, o fígado emprega esta matéria prima para fabricar ou sintetizar as “peças de reposição” — os aminoácidos e as proteínas. Também, pode estocar e enviar mais tarde a glucose para alimentar suas células. O fígado é também um depósito. Quando se faz mister o reparo adicional das células, o corpo envia um sinal, e o fígado fornece alguns dos materiais necessários para os reparos, a pedido.
Que dizer, então, do alimento que não foi absorvido? A água por fim vai para os rins, para ser eliminada pela bexiga. Os resíduos sólidos passam para o intestino grosso, ou cólon, para ser eliminados pelo reto. Visto que o cólon fica em sua condição de máxima eficiência quando está relativamente cheio (e existe evidência de benefícios adicionais para a saúde), muitos médicos recomendam uma dieta rica em fibras, isto é, materiais não-digeríveis, tais como farelo de cereais, para ajudar na eliminação regular.
“Feito Maravilhosamente”
Este breve exame do aparelho digestivo do corpo é uma confirmação da declaração do salmista: “Elogiar-te-ei [Jeová] porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante.” (Salmo 139:14) Como fomos feitos de modo tão intricado e maravilhoso! E não só Deus nos tem dado os meios materiais e físicos para permanecermos vivos, mas ele também proveu a direção e a orientação necessárias para que tiremos o máximo proveito da vida! — João 17:3.
[Fotos na página 18]
Estudantes, isto é o estômago
e isto é o fígado
e estas são as vilosidades intestinais.
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De novo o canal LoveDespertai! — 1984 | 8 de setembro
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De novo o canal Love
Há uns cinco anos, uma emergência sanitária foi declarada no Canal Love, na parte norte do estado de Nova Iorque, EUA.a Resíduos tóxicos tinham sido enterrados ali, e, segundo as autoridades decidiram, isso tornava o local perigoso demais para que humanos continuassem a viver naquele local. Assim, a maior parte das pessoas se mudaram, mas outras criaturas vivas permaneceram; entre estas, havia pequenos animais castanhos, dotados de caudas curtas e orelhas curtas, conhecidos como arganazes das campinas.
Em data recente, algumas autoridades afirmaram que já era seguro o retorno de pessoas para tal área — embora outras discordassem. Em vista desse desacordo, recente estudo dos arganazes das campinas, que viviam no Canal Love e nas redondezas, provou-se muito interessante. O estudo foi dirigido pelo professor John Christian, e publicado na revista Natural History (História Natural).
O que descobriu ele? Descobriu que havia grande diferença entre os arganazes que viviam bem na área de vazadouro do Canal Love, os que viviam próximo do vazadouro e os que viviam a um quilômetro e meio dali. Ao passo que a vida média dos arganazes que viviam a um quilômetro e meio da área era de 154 dias, a dos arganazes que viviam perto do vazadouro era de 105 dias. Para os arganazes que realmente viviam no vazadouro do Canal Love, a vida média era de 84 dias.
Não se conhece ainda a razão precisa de os arganazes do Canal Love morrerem tão cedo. Mas, parece indicar que, depois de cinco anos, os resíduos tóxicos do Canal Love ainda são perigosos para as coisas vivas.
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