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Evite idolatrar criaturasA Sentinela — 1968 | 15 de novembro
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idolatram seu chefe de estado, Mao Tsetung. E que adoração de criaturas foi dada ao Papa Paulo VI quando visitou os Estados Unidos e as Nações Unidas! Literal frenesi de adulação choveu sôbre êle da parte de 90.000 pessoas ao passear por volta do Estádio Ianque num carro aberto.
O QUE E RESPONSÁVEL POR ISSO?
O que é responsável por esta ‘perpétua realidade da adoração de criaturas’, como tem sido chamada? Entre as várias causas que poderiam ser mencionadas há o senso de inutilidade da parte de alguns. Êste senso os move a considerar com desarrazoada admiração aquêles que se distinguiram em coisas tais como a música, os esportes, a ciência ou a guerra. É como se, por exaltarem uma concriatura humana, também se exaltassem a êles próprios. — Rom. 1:25.
Outra razão, sem dúvida, é a necessidade de se amar alguém. As pessoas que carecem de madureza emocional não podem amar profundamente a pessoa comum ou mediana, e, assim, escolhem alguém que tenha conseguido distinção por motivo de dons ou consecuções especiais e idolatram a êle ou a ela. Assim, quando certo cientista social perguntou a algumas dentre uma multidão histérica de milhares de mocinhas por que os Beatles as influenciavam de tal maneira, as môças responderam que era porque “amavam” aquêles quatro jovens.
Daí, novamente, a falta da perspectiva correta, de conhecimento e de entendimento, tanto da parte dos que idolatram como da parte dos idolatrados, pode bem ser responsável pelo comportamento dêles daquela forma. Na verdade, aquêles que primam em algo merecem certo reconhecimento. O homem perito tem o direito de ‘colocar-se perante reis’, diz-nos a Bíblia. Mas, será isso razão para que seu próprio coração se torne exaltado ou para que outros o exaltem indevidamente? Os reis de Israel receberam a ordem de ler diàriamente a Palavra de Deus, para que não perdessem a perspectiva e se tornassem exaltados em sua própria mente. — Pro. 22:29; Deu. 17:19, 20.
Ao passo que ainda poderiam ser citadas outras causas para explicar a tendência de idolatrar os humanos, sem dúvida uma das mais básicas é a falta de entendimento da relação da pessoa com o seu Criador; quão verdadeiramente grande êle é e que, em comparação com êle, todos os humanos são meras partículas de pó sôbre outra partícula. Conforme escreveu há muito o profeta de Jeová: “(Verdadeiramente o povo é idêntico à erva). A erva seca e a flor fenece, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente.” — Isa. 40:7, 8, CBC.
Originalmente, o Criador implantou no homem a necessidade de adoração como um dos meios de ligar suas criaturas a seu Criador. Mas, como resultado da rebelião de nossos primeiros pais, êste instinto de adoração tem sido tristemente pervertido, mal encaminhado. Conforme nos diz o apóstolo cristão, Paulo: “Embora conhecessem a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe agradeceram, mas tornaram-se inanes nos seus raciocínios e o seu coração ininteligente ficou obscurecido. . . . tornaram-se tolos e . . . trocaram a verdade de Deus pela mentira, e veneraram e prestaram serviço sagrado antes à criação do que Aquele que criou, que é bendito para sempre.” — Rom. 1:21-25.
O MODO DE DEUS É DIFERENTE
Idolatrar criaturas humanas usualmente envolve desarrazoada lealdade à pessoa idolatrada, indevido apêgo emocional a tal pessoa. Significa dar a tal pessoa certa medida de devoção do tipo adoração, ao passo que Jeová Deus declarou explícitamente que não tolera tal coisa: “Eu, Jeová, teu Deus, sou um Deus que exige devoção exclusiva.” O que Jeová Deus pensa a respeito de tal idolatria de criaturas pode ser depreendido do que aconteceu ao Rei Herodes Agripa, que vivia nos dias dos apóstolos. Certa vez, adornando-se de vestes resplandecentes, comprazia-se com a adulação de seu povo ao proferir um discurso público. Pelo visto, sua aparência e oratória eram tais que o povo exclamou: “A voz de um deus e não de homem!” O registro prossegue, dizendo: “O anjo de Jeová o golpeou instantâneamente porque não deu a glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.” Sente Jeová Deus desagrado com a adoração de criaturas? Certamente que sente! — Exo. 20:5; Atos 12:21-23.
Jesus Cristo, o Filho de Deus, quando estava na terra não cometeu tal engano. Não só recusou curvar-se perante Satanás, o Diabo, muito embora lhe fôssem oferecidos todos os reinos do mundo e a glória dêles, mas também não permitiria que os outros o idolatrassem. Recusou permitir que as pessoas o coroassem rei, e, quando alguém o chamou “Bom Instrutor”, êle respondeu: “Por que me chamas de bom? Ninguém é bom, exceto um só, Deus.” Ademais, repetidas vêzes destacou que não fazia nada de sua própria iniciativa, mas simplesmente cumpria as instruções de seu Pai. — Mar. 10:17, 18; Mat. 4:8-10; João 5:19, 30; 7:28.
Os apóstolos e os primitivos discípulos de Jesus semelhantemente se mantiveram sem mácula quanto à questão de idolatrar criaturas. Repetidas vêzes avisaram a respeito disso. (1 Cor. 10:14; 1 João 5:21) E eram muito cuidadosos em não permitir que outros os idolatrassem. Quando certas pessoas naturais da cidade de Listra desejavam adorar a Paulo e Barnabé por ter Paulo curado a um aleijado de nascença, Paulo e Barnabé “rasgaram as suas roupas exteriores e pularam para o meio da multidão, clamando e dizendo: ‘Homens, por que estais fazendo estas coisas? Nós também somos humanos, tendo os mesmos padecimentos que vós” e então passaram a lhes falar a boa-nova a respeito do Criador, e a necessidade de adorarem a Êle. — Atos 14:8-18.
Semelhantemente, quando Cornélio caiu aos pés do apóstolo Pedro, Pedro recusou aceitar êste ato de exaltação, mas disse: “Levanta-te; eu mesmo também sou homem.” (Atos 10:26) Pelo relato do apóstolo João, em Revelação 22:8, 9, depreendemos que nem sequer a um anjo se deve render adoração. As ações de Cornélio e do apóstolo João nestas ocasiões ilustram quão inclinada é a natureza humana a atribuir indevido respeito a pessoas altamente favorecidas.
PREJUDICA OS IDÓLATRAS E OS IDOLATRADOS
Idolatrar criaturas, sendo contrário à vontade de Deus, só pode causar dano, tanto aos que a prestam como aos que a aceitam. Quanta desilusão sofreram os alemães que idolatravam Hitler, os italianos que idolatravam Mussolini, os russos que idolatravam Stalin! As pessoas que idolatram homens e depositam nêles sua confiança estão inclinadas a ficar desapontadas, como mostra a Palavra de Deus. — Sal. 146:3, 4; Isa. 31:1-3.
Os que aceitam indevida honra de outros semelhantemente sofrem pesar, primàriamente porque incorrem no desagrado de Jeová. Em seu devido tempo, “os olhos soberbos do homem terreno têm de ser rebaixados, e a altivez dos homens se tem de curvar; e apenas Jeová tem de ser elevado naquele dia”. “Aquele dia” é o dia em que Jeová se levantará para expressar sua “ira ardente” contra todos os que competem com êle, para que tôdas as “pessoas saibam que tu, cujo nome é Jeová, sòmente tu és o Altíssimo sôbre tôda a terra”. — Isa. 2:11, 17; Sof. 3:8; Sal. 83:18.
Até mesmo no tempo atual, aquêles que aceitam a idolatria de outros são prejudicados por isso, como no caso em que viram as cabeças. Por exemplo, um dos populares e mui idolatrados Beatles foi citado como tendo dito: “O Cristianismo passará. Desvanecerá e murchará. Nem preciso discutir isso. Estou certo e verão que estou certo. Somos mais populares do que Jesus Cristo agora; não sei o que desaparecerá primeiro, se o rock e roll ou o Cristianismo. Jesus era legal, mas seus discípulos eram grossos e ordinários.” — Time, 12 de agôsto de 1966.
Mas, quão satisfatória tem sido a sua própria filosofia? Quanto os tem ajudado pode ser visto pela sua admissão de que começaram a utilizar drogas, inclusive o LSD; aparentemente para encher um vácuo criado por seu modo de vida e pela idolatria por parte de milhões de pessoas. Os últimos relatos nos dizem que se voltaram para o ‘espiritualismo’, sob a orientação de um vidente ioga, que promete que, com duas sessões de trinta minutos de meditação transcendental, a pessoa poderá “perceber a divindade dentro de si mesmo” e endireitar todos os seus problemas.a Não obstante, a Palavra de Deus avisa a respeito de tôdas as formas de religião pagã e espiritismo. — 2 Cor. 6:14-18; Gál. 5:20, 21; Rev. 22:15.
EVITAR IDOLATRAR CRIATURAS
Em especial, os jovens cristãos devem ficar vigilantes para evitar o laço de idolatrar criaturas. Será preciso forte determinação e a resolução de restringir ‘a si mesmo’. Devido ao exemplo dos jovens em tôda a sua volta, é muito fácil se deixarem levar pelo fervor, pela excitação, pela histeria ou pelo frenesi daqueles que adoram heróis, que idolatram criaturas. Daí, então, o jovem cristão talvez procure evitar sentir-se conspìcuamente diferente por não acompanhar a multidão; talvez não goste da idéia de ser considerado “quadrado” pelos outros. Mas, deve lembrar-se de que a Bíblia avisa a respeito de se seguir “o proceder popular”. — Jer. 8:6.
Os jovens cristãos, a menos que fiquem vigilantes, podem cair fàcilmente no laço de idolatrar criaturas simplesmente por atribuírem à pessoa indevida reverência em razão de suas proezas ou consecuções, como no caso em que veleje inteiramente sòzinho ao redor do mundo em pequeno barco. A menos que o jovem seja cuidadoso, pode prontamente imaginar algum senso de lealdade ou parentesco com seu ‘herói’. Talvez tenda a defendê-lo prontamente ou se disponha a fazer concessões às indiscrições dêle. O jovem talvez se sinta excitado com a idéia de ver seu ‘herói’ em pessoa, deleite em falar com êle e gaste muito tempo sonhando com êle. Talvez até deseje imitar a forma de vestir ou o corte de cabelo do seu ‘herói’.
Mas, o jovem cristão deve perguntar a si mesmo: É cristã esta pessoa destacada? Ama a Jeová Deus? Vive segundo a Bíblia? Endossa os princípios justos que Deus estabeleceu em sua Palavra? Se não, então deveria tal pessoa ser admirada e imitada por um cristão dedicado, bem como receber a sua afeição? Não pertence tal pessoa ao mundo, a respeito do qual se diz aos cristãos que não o amem? Certamente que sim! — Tia. 1:27; 4:4; 1 João 2:15-17.
Como se pode evitar tôda a idolatria de criaturas? Por se obter a ‘mente do Senhor’ sôbre tais assuntos mediante o estudo da Palavra de Deus, a Bíblia, e de tais ajudas para o estudo bíblico como esta revista, A Sentinela, e evitar-se a inclinação de admirar ou ficar excitado com os feitos das criaturas humanas. Como certa vez se expressou aptamente um poeta:
“O lustre dos brasões, a pompa do poder,
Beleza, riquezas, máxima altura,
Aguardam com certeza, mesmo sem querer,
A hora inevitável, a sepultura.”
Jesus disse, em certa ocasião: “Aquilo que é altivo entre os homens é uma coisa repugnante à vista de Deus.” (Luc. 16:15) Por que idolatrar aquilo que é repugnante para Deus? Verifique o que êle pensa sobre os assuntos, que é tão diferente do que pensam os homens. Granjeie o favor de Deus, pois em seu favor e em sua benevolência há vida. — Sal. 103:17, 18.
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A felicidade advém de se utilizar ao máximo os talentos possuídosA Sentinela — 1968 | 15 de novembro
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A felicidade advém de se utilizar ao máximo os talentos possuídos
A história da vida de ANTON KOERBER conforme narrada por seus amigos
ERA fins do verão setentrional de 1967, e a ocasião era um congresso das testemunhas de Jeová. O local era o hipódromo de Laurel, Maryland, EUA. Lá no alto das sociais, de onde se podia ver o programa, sentava-se idoso cavalheiro de cabelos grisalhos numa cadeira de rodas, cercado por um punhado de amigos. Embora acontecesse que não teria muito tempo mais de vida — morreu dentro de quatro meses — sua mente estava alerta e seu espírito era feliz e entusiástico ao compartilhar idéias edificantes e itens de interêsse com seus amigos.
Vendo-o ali, cercado de amigos, lembramo-nos das palavras do salmista: “Os que são plantados na casa de Jeová, nos átrios do nosso Deus, florescerão. Ainda continuarão a vicejar durante a canice, gordos e bem dispostos continuarão a ser para dizer que Jeová é reto. Êle é minha Rocha, em quem não existe injustiça.” — Sal. 92:13-15.
O semi-inválido era Anton Koerber, de setenta e cinco anos, servo feliz e zeloso de Jeová Deus por mais de cinqüenta anos. Durante êsse tempo, usufruiu grande variedade de oportunidades de servir a seu Deus, Jeová, e a seu próximo, cristãos e não-cristãos. Ao mesmo tempo, foi abençoado com um quinhão nada insignificante dos bens dêste mundo, os quais utilizou generosamente.
Anton nasceu em 13 de junho de 1892, de pais luteranos de meios modestos, seu pai sendo cozinheiro-chefe dum hotel em Baltimore, Maryland. Seu lar era pequeno, porém limpo, e praticava-se a parcimônia, e também a disciplina. As circunstâncias permitiam pouco tempo para os esportes, e, começando à idade de doze anos, passou as férias escolares trabalhando, primeiro numa mercearia e daí num escritório de jornal. As modestas circunstâncias familiares ditaram que obtivesse um emprêgo logo que completou os oito anos da escola primária. Enquanto trabalhava assim, Anton cursava uma escola noturna e fêz cursos por correspondência de técnico em máquinas a fim de obter o equivalente a uma instrução secundária.
Especialmente desde os quatorze anos êle era fiel leitor da Bíblia. Por volta dos dezessete anos, abandonou sua igreja luterana, desiludido. Mas, não perdera a fé em Deus, na Palavra de Deus, nem na retidão dos princípios bíblicos. Por cêrca de quatro anos freqüentou vários ofícios em igrejas e até mesmo se interessou em uma ordem fraternal, procurando a Deus, como se o pudesse achar. (Atos 17:27) Daí, certo dia, entrou em
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