O que os filmes apresentam hoje
OS FILMES sempre contiveram estórias de amor e violência. Usualmente, porém, estas foram mantidas em limites moralistas.
Hoje, isto já não acontece mais. Como observa The Wall Street Journal:
“Cenas de nudez e perversidade, uma vez tabus em filmes financiados e distribuídos pelos principais estúdios, aparecem com cada vez maior freqüência. . . .
“Os grupos de igrejas adotaram uma atitude mais liberal. . . . O filme ‘Uma Rajada de Balas’ (Bonnie and Clyde), violenta comédia-drama sobre um sexualmente impotente assaltante de bancos e sua amiga, foi escolhido pelo escritório católico como o melhor filme de 1967 para as assistências maduras. . . .
“As atitudes refletidas em muitos dos filmes novos se colocam em nítido contraste com os antigos filmes hollywoodianos. Os novos são menos moralistas, e, com freqüência o vilão é glorificado. Em ‘Uma Rajada de Balas’ (Bonnie and Clyde), o jovem par roubou e matou, e, ainda assim, é apresentado como inocentes que confiavam na sorte. Quando, no fim, são metralhados numa emboscada, a simpatia da assistência se converge para o casal morto.”
Imoralidade Sexual
Muitos filmes recentes representam, sim, até mesmo glorificam a imoralidade sexual. A fornicação e o adultério se acham liberalmente salpicados por eles. Deveras, não raro é difícil encontrar-se um filme inteiramente “limpo” nos dias atuais.
Quando certo filme recente, originário da Suécia, chegou aos EUA, foi confiscado pelo Serviço de Censura dos EUA. Mas, um Tribunal de Recursos Regional dos EUA deliberou que poderia ser exibido sem cortes. The Wall Street Journal, de 10 de março de 1969, declarou sobre tal filme:
“Os 120 minutos de exibição apresentam o herói e a heroína em abundante nudez, várias cenas de relações sexuais (inclusive uma na curvatura duma árvore) e brincadeiras sexuais mais exóticas. Tem uma seqüência dum sonho em que a heroína castra seu amante. . . .
“Para outro grupo bem diferente, o filme é a confirmação final do desastre que há muito viram fermentar. A crescente liberalidade da sociedade estadunidense, sustentam eles, por fim atingiu a depravação total.”
Ao fazer a crítica deste filme, observou o crítico de cinema do Times de Nova Iorque: “Já chegou a Explosão de Sujeira.” Chamou o filme de “genuinamente vil e repugnante . . . pseudo-pornografia em sua forma mais feia”, e acrescentou:
“Todavia, o que me angustia — e deveras deveria angustiar a todos nós — é a forma em que foi recebido. Passando por um dos dois cinemas em Nova Iorque em que este filmezinho podre estava sendo exibido na semana passada, fiquei surpreso de ver as filas de bobões em frente das bilheterias. ‘Deve ser algo sujo’, disse o motorista de táxi, . . . ‘As únicas coisas pelas quais as pessoas fazem fila nesta cidade é algo grátis ou algo sujo.’”
Em cada vez maior número de filmes, agora, a fornicação, o adultério, e a troca de esposas são desculpados ou tolerados. Até mesmo se glorificou a prostituição, pois certo filme se baseava na vida de uma prostituta que vendia seu corpo todo dia da semana, exceto um, que ela considerava ser ‘sagrado’. Foi representada como sendo uma pessoa honrada. O filme foi mais tarde exibido na televisão, o que motivou o seguinte comentário de Look:
“Moralmente, cada vez há menos barreiras até mesmo na tela pequenina [TV]. . . . Esta é, afinal de contas, a época da televisão, que nos trouxe Nunca aos Domingos no horário nobre duma rede de televisão de modo que a garotada que não foi dormir por volta das 21 horas pudesse passar os olhos na prostituta mais feliz de Pireu.”
Nem esta tendência termina com os filmes e a televisão. É bem evidente nas peças teatrais, também. O Times de Nova Iorque, de 1.º de abril de 1969, disse em editorial: “A representação explícita, no palco, das relações sexuais, é o passo final na erosão do bom gosto e da sutileza no teatro. Reduz os atores a meros exibicionistas, transforma as assistências em tealagnistas e degrada as relações sexuais quase ao nível da prostituição.”
Muitas pessoas na indústria cinematográfica não acham que a fornicação e o adultério sejam ruins. Mas, esta opinião difere redondamente da do Deus Onipotente. Em sua Palavra, a Bíblia, lemos: “Não sejais desencaminhados. Nem fornicadores . . . nem adúlteros . . . herdarão o reino de Deus.” (1 Cor. 6:9, 10) Assim, a tendência no sentido de cada vez maior liberalidade sexual nos filmes choca-se diretamente com as leis de Deus. Será isto significativo? Tem maior significado para os nossos dias? Tem, e muito, como veremos mais tarde.
Crime e Violência
Muitos filmes agora também destacam o crime e a violência. Não, não o tipo que mostrava o xerife que perseguia o proscrito e o matava. Muitos filmes hoje mostram consideração grosseira, mórbida e até mesmo sadista da matança e do derramamento de sangue. Às vezes, glorifica-se o vilão, e não a vítima inocente.
O Herald-Examiner de Los Angeles noticiou a respeito: “A tendência é clara, e já paira sobre nós. O sadismo é um item quente nos filmes nos dias atuais.” Em certo filme, mencionava-se que “pelo menos 40 homens, mulheres e crianças são mortos a sangue frio na primeira hora de exibição.” Este tipo de violência moveu o crítico de filmes do Times de Nova Iorque a dizer:
“Algo acontece nos filmes que me alarma e perturba. Os produtores cinematográficos e os freqüentadores de cinema concordam que o matar é divertido. Não simplesmente o matar à moda antiga, ou de forma direta, o tipo que é rápida e limpamente executado por honrados agentes da lei ou por aceitáveis competidores no crime. Trata-se de matança de natureza brutal e sangrenta, amiúde maciça e excessiva, executada por personagens cujas motivações assassinas são mórbidas, degeneradas e frias. Esta é a sorte de matança que os desajustados sociais e os pervertidos sexuais com toda a probabilidade executarão. E a coisa medonha é que os freqüentadores de cinema absorvem isso de bom grado.”
Este tipo de violência e de matança se introduz agora nos programas de televisão. Em certa enquête, verificou-se que em cerca de oitenta e cinco horas de horário nobre e de programas de sábado pela manhã, 372 atos separados ou ameaças de violência foram observados. Incluídas se achavam a brutalidade sádica, a matança a sangue frio e a crueldade sexual. A respeito disto, o 1969 Year Book of the World Book Encyclopedia afirmou: “É a este veículo de comunicações que a criança estadunidense devota mais de seu tempo do que a qualquer outra atividade de per si, exceto o dormir.”
Então, é interessante observar que tal glorificação da violência e do assassínio entra diretamente em choque com as leis de Deus. O Salmo 11:5 declara: “O próprio Jeová examina tanto o justo como o iníquo, e Sua alma certamente odeia a quem ama a violência.” E Revelação 21:8 acrescenta: “Mas, quanto aos . . . assassinos . . . o seu quinhão [será] . . . a segunda morte [a aniquilação total].” E, quanto à liberalidade sexual, a tendência para mais crimes e violências é também altamente significativa, em nossos tempos, conforme veremos.
Homossexuais e Lesbianas
Nunca antes surgiram tantos filmes sobre homossexuais e lesbianas como agora. O Sunday News de Nova Iorque chamou a isso de “dilúvio de filmes homossexuais’’. Acrescentava: “Dezenas de produtores andam apressadamente à procura de mais textos que destaquem temas desnaturais de amor. No ano passado apenas, mais de uma dúzia de filmes tinham coloração homossexual.” Sobre um certo filme, noticiou Time:
“Os personagens são todos homossexuais e viciados em entorpecentes . . . Um casal de homossexuais numa cama, trajados de sujas roupas de baixo, acariciam-se descuidadamente. Outro homossexual faz um strip-tease. Uma lesbiana surra outra com um cinto com grande fivela. Outra lesbiana que é também viciada em tóxicos aplica a si mesma nas nádegas uma injeção. Certa mulher de má reputação que se chama a si mesma de ‘o Papa’ aconselha a uma lesbiana que penetre furtivamente numa igreja e faça algo obsceno para com a figura na cruz — ‘Isso lhe fará bem.’”
Até mesmo atores e atrizes cinematográficos de fama aparecem agora em partes representando pervertidos sexuais.
A avalancha de tais filmes tem levado alguns participantes a acusar os escritores, produtores e diretores de serem homossexuais que tentam promover o homossexualismo. Uma destacada atriz declarou recentemente que havia uma dúzia de escritores e autores de peças teatrais que eram até mesmo mais afeminados do que os personagens que apresentavam em seus filmes. Acrescentou ela: “Pelo que parece, tais escritores querem que o público aceite o submundo dos transviados.”
A perversão sexual adquire também proeminência nas peças teatrais agora. A respeito disto, o Sunday News, de 23 de fevereiro de 1969, noticiou: “Certo veterano da Broadway disse: ‘Há homossexualismo mais generalizado no teatro do que nos filmes e na TV juntos. Os homossexuais exercem tremenda influência. Há alguns anos, um grupo deles se juntou e apresentou um dos maiores musicais de todos os tempos. Todo homem criativo por trás desse sucesso era homossexual. Naturalmente, sua escolha do artista principal recaiu sobre um homossexual.’”
Com respeito à tendência no sentido de tolerar ou desculpar a perversão sexual, a indústria cinematográfica mais uma vez entra em choque com o Criador, Jeová Deus. A Bíblia diz-nos: “Os varões abandonaram o uso natural da fêmea e ficaram violentamente inflamados na sua concupiscência de uns para com os outros, machos com machos, praticando o que é obsceno . . . os que praticam tais coisas merecem a morte.” (Rom. 1:27, 32) Junto com o sexo e a violência, tal tendência no sentido de mais perversão nos filmes é muito significativa, e comentaremos sobre isto mais tarde.
Não obstante, algumas pessoas consideram os filmes que destacam o sexo e a violência como simples divertimento, como inofensivos. Mas, será isso inofensivo?