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O que faz da pessoa um criminoso?Despertai! — 1985 | 8 de agosto
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Conclui o dr. Samenow: “A frustração, por parte da criança criminosa, das expectativas dos pais e da sociedade, envolve mais do que ações isoladas. Começando já mesmo nos anos pré-escolares, desenvolvem-se padrões que se tornam parte de um estilo de vida criminoso.” (O grifo é nosso.) Como corolário disso, há psicólogos que voltam agora sua atenção para o campo da prevenção do crime na infância por oferecerem ajuda àqueles pais e filhos que apresentem um problema de delinqüência em potencial.
O crime, suas causas e possíveis soluções, é um assunto complexo. Será que, no caso de alguns, o aumento dos empregos e um ambiente aprimorado modificariam o quadro? Está a solução em prisões maiores e melhores? Será que mais polícia nas ruas reduziria o crime? Com efeito, existe alguma solução prática para o crime em nossa atual sociedade humana?
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Existe alguma solução para o crime?Despertai! — 1985 | 8 de agosto
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Existe alguma solução para o crime?
UMA vez que o crime atinge a todos nós, direta ou indiretamente, permanece a pergunta: Existe uma solução? O juiz Richard Neely, do Tribunal Superior de Recursos da Virgínia Ocidental, EUA, sugere: “Para se chegar às causas básicas do crime, subentende-se um reordenamento da sociedade em uma magnitude que poucos se dispõem a empreender.” (O grifo é nosso.) Argumenta que “não se dispõe, nem do conhecimento científico, nem da vontade política para se eliminar as causas básicas do crime”.
Por que isto se dá? Arrazoa ele que as pessoas mais atingidas pelo crime, os que “moram em guetos ou em localidades decadentes da classe operária”, são os que dispõem de menor poder político direto. Declara o juiz Neely: “As vítimas do crime, deve-se observar, não constituem um grupo organizado de interesses.” Por conseguinte, dispõem de muito pouca ou de nenhuma influência política. Os que detêm o poder político vivem principalmente fora da esfera das atividades criminosas comuns — não utilizam os transportes públicos, nem moram em favelas. E, em alguns casos, argumenta ele, maior imposição da lei poria em perigo os seus próprios crimes de colarinho branco. Isto se dá basicamente na maior parte do mundo. Assim, as massas de menor renda são com mais freqüência as vítimas do crime e também da hipocrisia política.
Mas há outro fator vital que impede o progresso na luta contra o crime — a própria
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