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Que soluções oferecem?Despertai! — 1972 | 8 de julho
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eram veteranos no ramo; nenhum deles era pessoa ‘de sentir muita pena’, ‘mole’ em relação ao crime, ou míope quanto aos criminosos.
“Perguntei ao diretor que estava sentado ao meu lado que percentagem de pessoas sob sua supervisão que precisavam mesmo estar presas. ‘Segundo que padrões?’ — perguntou. ‘A fim de proteger a sociedade do dano pessoal’, respondi-lhe. ‘Cerca de 10 a 15 por cento’, disse ele. Fizemos um escrutínio entre os demais diretores presentes na sala; nenhum discordou.
“Desde então, em visitas a numerosas prisões por todo o país e no exterior, sempre fiz a mesma pergunta. Jamais recebi uma resposta diferente.”
Ramsey Clark, antigo procurador-geral dos EUA, detém o mesmo ponto de vista. Sublinha “uma filosofia de se evitar a detenção, sempre que possível, por meio de esforços de prevenção, tratamento comunitário e supervisão de livramento condicional.
Por isso, depois de anos de tentativas e de fracassos, a conclusão a que chegam agora cada vez maior número de autoridades é a de que as prisões não constituem elemento dissuasório do crime e nem reformam os ofensores. Simplesmente não cumprem a tarefa esperada, e outra coisa é necessária. Mas, quanto ao que deve ser o padrão para se arranjar um substituto, não há acordo. Ao invés, há uma anarquia de idéias.
Mais Se Acha Envolvido
Não se deve ser precipitado, contudo, de tirar a conclusão de que o fracasso das prisões em geral seja a causa básica da explosiva situação criminal. Este não é o caso, embora o fracasso das prisões torne pior uma situação que já é ruim.
O que está envolvido é muito mais fundamental. Há uma doença básica que permeia a humanidade em geral. A avolumante população carcerária é simples reflexo desta doença da sociedade.
Por longo tempo, em especial desde a Primeira Guerra Mundial, as nações têm sido saturadas de influências negativas. Tem havido violência e destruição em massa nas guerras, preconceito racial, crescentes favelas, guetos, pobreza, e egoísmo e hipocrisia nos mais altos níveis da vida política, religiosa e econômica. Ensinos permissivos no que toca à moral têm corroído ainda mais os altos princípios e têm incentivado tendências criminosas.
Colhe-se o que se semeia, diz aptamente a Bíblia. Com tais influências negativas que já bombardeiam as mentes por mais de meio século agora, não deve constituir realmente surpresa de que uma gigantesca colheita de violadores da lei esteja sendo feita.
Também, um relatório do Departamento de Justiça dos EUA observa “que 75% de todas as pessoas presas por roubo tinham menos de 25 anos”. Mostra que, destas, “33% eram adolescentes”. Por conseguinte, muitos jovens cometem crimes sem terem jamais antes visto o interior de uma prisão. Assim, a vida na prisão não pode ser culpada pela maioria do aumento nos crimes. Os defeitos na sociedade o estão gerando.
Nem são poucas as pessoas envolvidas no crime e em apoiar o crime. A responsabilidade cabe em grande parte à população. O antigo consultor presidencial sobre o crime organizado, Ralph Salerno, dirigindo-se a uma assistência canadense, pontificou:
“As pessoas que fazem apostas e acolhem bem a oferta de bens e de serviços de figuras do sindicato do crime são as mesmas pessoas que dizem aos seus entrevistadores e aos meus que elas desejam lei, e ordem, e justiça.
“Deseja parar o Crime Organizado amanhã pela manhã às 8 horas? Consiga que todo canadense e eu conseguirei que todo estadunidense deixe de apoiar suas atividades ilegais e o Crime Organizado deixará de existir. Não se precisa de policiais. O que se precisa é de cidadãos honestos. O que se precisa é combater a hipocrisia.”
Assim, os esforços de reforma dentro das prisões fracassam pela mesma razão que os criminosos são gerados dentro da prisão: os ensinos, as atitudes e as ações do mundo operam contra a criação de mentes saudáveis. Não se pode realisticamente esperar que as reformas carcerárias funcionem, ou que o crime diminua, em vista da dieta mental que as pessoas obtêm agora. Qual é a solução? O que pode ser feito quanto às próprias prisões? Será que chegará a ser feito algo quanto às condições que geram violadores da lei?
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Qual é a solução?Despertai! — 1972 | 8 de julho
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Qual é a solução?
A POPULAÇÃO carcerária continua a aumentar. Também o crime. Quão óbvio é que algo mais precisa ser feito. Mas, o quê?
Há várias coisas a considerar. Uma delas é o que se acha dentro do escôpo dos humanos. Outra é o que está além de seu poder, mas que será feito sem falta.
Quais são algumas das coisas que as pessoas e os governos poderiam mudar, caso quisessem?
Necessária a Justiça Uniforme
Algo que poderiam mudar é a falta de uniformidade que agora existe. O castigo para uma ofensa em certo lugar não é sempre o mesmo que em outro. Isso desencoraja o respeito pela lei e amargura os ofensores.
Por exemplo, um estuprador em Connecticut, EUA, segundo se diz, cumpre em média a pena de um ano e nove meses de prisão. Mas, apenas do outro lado da linha divisória estadual, em Nova Iorque, o termo médio, segundo se diz, é de quatro anos e dois meses. Um assassino no Texas cumpre uma pena de dois anos e nove meses, em média. Mas, em Ohio, o mesmo tipo de ofensor geralmente cumpre uma pena de quinze anos e dois meses.
Certo senhor, com trinta e dois anos, desempregado, e tendo uma esposa que sofrera um aborto involuntário, falsificou um cheque de Cr$ 350,40. Não tinha ficha prévia na polícia e era um veterano de guerra com baixa honrosa. O juiz o sentenciou a quinze anos de prisão. No mesmo ano, outro senhor de trinta e dois anos, também desempregado, falsificou um cheque de Cr$ 211,20. Outrossim, já estivera preso duas vezes antes, uma vez por seis meses, por deixar de sustentar a esposa e filho. Todavia, o juiz que julgou este caso o sentenciou apenas a trinta dias de prisão. O homem com melhores antecedentes recebeu uma pena cerca de 180 vezes mais pesada!
Em Atlanta, o tesoureiro de uma cooperativa de crédito foi sentenciado a apenas 117 dias por se ter apropriado de Cr$ 144.000,00. Na prisão, encontrou-se com outro autor duma apropriação indébita de sua própria idade, sem quaisquer antecedentes criminais e com boa vida familiar, que cumpria vinte
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