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  • É o crime uma verdadeira ameaça à sua pessoa?
    Despertai! — 1985 | 8 de agosto
    • É o crime uma verdadeira ameaça à sua pessoa?

      Já foi alguma vez atacado pelas costas e roubado, ou conhece alguém que o tenha sido?

      Sente receio de sair à rua depois do pôr-do-sol? Ou, se sair, toma suas precauções?

      Evita tomar o metrô ou o transporte público em certas horas do dia?

      Caso tenha filhos pequenos, acautela-os para não conversarem com estranhos? Preocupa-se com a possibilidade de seus filhos serem agredidos na escola? Possui mais de uma tranca na porta? Tem um alarme contra roubo ou uma tranca especial em seu carro? Tranca com corrente e cadeado sua bicicleta, quando a estaciona na rua?

      Se respondeu sim a qualquer destas perguntas, então percebe que o crime é uma verdadeira ameaça à sua pessoa.

      NOS anos recentes, as pessoas têm-se tornado mais cônscias do crime. Por quê? Porque o crime atinge sua vizinhança, seus amigos, sua família e a elas mesmas. Como deu em manchete o jornal The New York Times: “O Medo do Crime Faz Parte Agora do Tecido da Vida dos que Moram nas Cidades.” O artigo passava a dizer: “Para os moradores de Nova Iorque, tanto os ricos como os pobres, o crime não mais é algo que só acontece com os outros. Permeia a cidade, e tem provocado mudanças — algumas sutis, algumas dramáticas — no modo como as pessoas levam a vida.” E isso se aplica não só a Nova Iorque, mas a muitas outras cidades ao redor do mundo.

      Crime — “Crescente Indústria” Mundial

      ÍNDIA: O crime não é de forma alguma um problema apenas brasileiro ou americano. Trata-se duma praga mundial. A guisa de exemplo, a revista Índia Today (Índia Atual) mencionou o estado setentrional de Biar como “Reino dos Seqüestradores”. Disse o irmão de uma vítima de seqüestro: “Vivemos em total terror. Não saímos mais de casa depois do pôr-do-sol. Vivemos em constante temor.” Outra manchete da imprensa dizia: “O Crime Organizado É Crescente Indústria na Índia.”

      ITÁLIA: A Itália também tem seus problemas com o crime — e não se trata apenas da Máfia. Há também “a Camorra, um império criminoso fundado há mais de um século, segundo as linhas da Máfia siciliana, um estado dentro dum estado”, de acordo com o jornal The Washington Post. Esta sociedade criminosa, “segundo se crê, tem sido responsável por quase 1.000 homicídios nos últimos três anos”, afirma a mesma fonte.

      JAPÃO: O crime é motivo de preocupação na sociedade nipônica. Certo jornal noticiou, recentemente, que o Japão possui 2.330 grupos criminosos conhecidos pela polícia, com um total de cerca de 100.000 gangsteres.

      CHINA: O governo tomou medidas drásticas para reduzir seu “avolumante problema de criminalidade”, de acordo com a publicação Far Eastern Economic Review (Revista Econômica do Extremo Oriente). Assassinos e estupradores são por vezes executados em público, e outros criminosos são obrigados a desfilar pelas ruas portando letreiros pendurados no pescoço que alistam seus nomes e seus crimes.

      BRASIL: Uma pesquisa feita em São Paulo e no Rio de Janeiro indica que 65% da população evitam de forma deliberada áreas reconhecidamente perigosas; 85% não mais usam jóias nem portam objetos de valor ao sair de casa. Mais de 90% dos entrevistados crêem que poderiam ser assaltados a qualquer hora.

      NIGÉRIA: O crime também faz parte da vida nos países africanos. Escrevendo no New Nigerian (Novo Nigeriano), o correspondente A. Adamu explicou: “Os assaltos às residências, o assalto a mão armada, o incêndio propositado, o homicídio e as lesões corporais, a crueldade hedionda com que são executados neste país, hoje em dia, deixam a pessoa perplexa e patética quanto ao melhor modo de descrever o estado de terror e de frenesi que o crime gerou na mente popular.”

      A verdade é que o temor do crime assola a maioria das cidades grandes. Esta ampla percepção da possibilidade de crime inibe o segmento da sociedade que obedece à lei. E as pessoas estão cansadas de ser intimidadas e de obter proteção inadequada. Assim, quando um cidadão reage com vigor contra os criminosos, obtém uma gigantesca onda inicial de simpatia.

      Mas, por que tantas pessoas se voltam para o crime? Poderia ser o caso de que, contrário ao velho ditado, o crime deveras compense?

  • Será que o crime compensa?
    Despertai! — 1985 | 8 de agosto
    • Será que o crime compensa?

      “Ninguém sai de casa para cometer um crime porque está faminto hoje em dia”, declarou o sr. Koch, prefeito de Nova Iorque, EUA. “Então, qual o motivo sobrepujante de as pessoas cometerem crimes?” Prosseguiu ele: “É porque se tem maiores probabilidades de não ser apanhado do que se tem no hipódromo. Caso se tenham 500.000 ou mais contravenções, apenas 100.000 delas terminam em prisão, e apenas 2 por cento vão para a cadeia. Estas são . . . boas probabilidades.”

      NATURALMENTE, a opinião do prefeito Koch é apenas um aspecto dum problema deveras complexo — as causas do crime. Todavia, trata-se dum ponto válido. Se a classe criminosa em qualquer país acredita haver pouca possibilidade de ser apanhada, é provável que prossiga em sua carreira lucrativa.

      Com freqüência, o motivo básico do crime é o desejo de obter dinheiro. Bens roubados logo são convertidos em dinheiro. E qual é um dos itens que mais movimentam dinheiro no mundo atual? Eis um indício: “Se houvesse uma empresa que negociasse com cocaína hoje, nos Estados Unidos, sua renda anual de US$ 30 bilhões a situaria em sétimo lugar entre as 500 empresas alistadas na [revista] Fortune.” (Jornal The New York Times) E isso representa apenas um entorpecente — a cocaína! Se pudéssemos juntar todo o dinheiro movimentado em todo o tráfico mundial de tóxicos, o total nos deixaria estupefatos. O crime e os tóxicos pagam altos dividendos a pessoas em todo o mundo. Os milionários traficantes de tóxicos constroem caras mansões de veraneio e luxuosos palácios para eles mesmos. Para eles, o crime realmente compensa. Mas, como é que conseguem safar-se?

      Por Que o Crime Prospera?

      Entre os vários motivos pelos quais o crime prospera, um deles é fundamental — uma falha no aparelho judiciário de muitos países. Qual é? A Bíblia declara: “Porque não se executa prontamente a sentença contra as obras más, os homens se animam a praticar o mal.” (Eclesiastes 8:11, Bíblia Vozes) Essa máxima antiga talvez tenha ainda maior validez hoje, quando, em muitas partes do mundo, os lentos processos judiciais favorecem os criminosos. Declarou certo advogado da Califórnia, EUA: “Uma das melhores defesas é ganhar tempo.” As lembranças se desvanecem e, por vezes, a motivação de processar alguém é reduzida por causa de todas as dificuldades causadas às vítimas. — Veja a página 6, “O Sistema de Injustiça Criminal”.

      Para muitos, o crime compensa — e fartamente. E quem paga o preço? O público em geral, especialmente os de níveis mais baixos de renda da sociedade, que são os menos protegidos. O senador D’Amato, dos EUA, declarou numa carta enviada a concidadãos nova-iorquinos, que existia “pequeno efeito apreciável na taxa de crimes”. Mas, acrescentou: “Ainda colocamos ferrolhos em nossas portas. Ainda vivemos com medo de sair de casa à noite, mesmo para ir à mercearia, ou à igreja ou templo. Quando saímos de casa, certificamo-nos de andar por onde haja bastante gente e, cada vez mais, certificamo-nos de levar algum ‘dinheiro dos assaltantes’. Há tanta coisa com que nos preocupar, agora, coisas sobre as quais jamais costumávamos recear. Às vezes, ficamos com tanto medo que nos tornamos prisioneiros, enquanto que os que deviam ficar presos andam soltos por aí.”

      Mas, por que alguns se voltam para o crime como modo de vida? Serão a pobreza, a fome, e o desemprego os motivos básicos disso?

      [Foto na página 5]

      Tóxicos — um dos itens que mais movimenta dinheiro no mundo atual.

      [Quadro na página 6]

      O Sistema de Injustiça Criminal

      A seguinte comparação entre os efeitos do crime sobre o criminoso e sobre sua vítima se baseiam numa tabela editada pelo The Daily Oklahoman (Diário de Oklahoma), e foi preparado pelo procurador-geral de Oklahoma, EUA, Mike Turpin.

      O CRIMINOSO

      Tem uma escolha a fazer: cometer ou não o crime.

      Caso cometa o crime, poderá (1) ser apanhado e preso (cerca de uma possibilidade em cinco, nos EUA), (2) não ser apanhado e provavelmente continuar levando uma vida de crime.

      Prisão

      1. Tem de ser informado de seus direitos.

      2. Se for ferido ao cometer o crime ou ao ser preso, recebe cuidados médicos imediatos.

      3. Fornecem-lhe um advogado, se não puder contratar um.

      4. Pode ser libertado sob fiança ou consignação (processo cível).

      Prestar Depoimentos

      1. Fornecem-lhe comida e alojamento.

      2. Poderá dispor de livros, TV, e recreação.

      3. Conta com tratamento médico, incluindo orientação sobre tóxicos e álcool.

      Julgamento

      1. Fornecem-lhe um advogado nomeado pelo Estado.

      2. Pode tentar acordo para obter sentença menor.

      3. Pode retardar o julgamento e mudar de foro.

      4. Pode utilizar várias manobras para suprimir evidência ou obter livramento.

      5. Se condenado (apenas 39b dos crimes resultam em condenação), pode interpor recurso.

      Declaração da Sentença

      1. Talvez não vá para a prisão — existem numerosas alternativas.

      Sentença

      1. Se mandado para cadeia, terá casa e comida de graça novamente.

      2. Tem acesso a todo tipo de tratamento médico e psicológico às custas do Estado.

      3. Pode aprimorar sua instrução escolar e desenvolver-se profissionalmente.

      4. Conta com numerosos programas de reabilitação.

      5. Se tiver boa conduta, e trabalhar, pode ser libertado mais cedo.

      Depois de Solto

      1. Conta com programas de ajuda e empréstimos.

      Resultado Final

      Grande número de criminosos volta a levar uma vida de crime.

      A VÍTIMA

      Não tem escolha — é vítima involuntária do crime.

      Prisão [do criminoso]

      1. Se ferida, paga suas próprias contas de ambulância e cuidados médicos. Talvez carregue seqüelas psicológicas pelo resto da vida.

      2. Tem de assumir suas próprias perdas de bens.

      3. Tem de resolver os problemas econômicos advindos desse crime.

      4. Gasta tempo em cooperar com as agências da lei.

      5. Em geral, não é informada do andamento do processo.

      Prestar Depoimentos

      1. Tem de fazer arranjos e pagar seu próprio transporte para o tribunal e delegacias. Perde horas de trabalho, e talvez parte do salário.

      2. Ainda fica sem saber do andamento do processo.

      Julgamento

      1. Novamente tem de fazer arranjos e pagar seu transporte e estacionamento.

      2. Tem de pagar babá ou outros custos domésticos.

      3. Precisa reconstituir o crime e submeter-se a rigoroso interrogatório. É apenas mais uma peça de evidência.

      4. O promotor público representa o Estado, e não a vítima. Usualmente não se exige retribuição financeira para a vítima.

      5. Não tem direito de interpor recurso, mesmo que o criminoso seja solto.

      Declaração da Sentença

      1. Não tem parte na decisão, nos recursos ou na sentença.

      2. Muitas vezes nem é chamada para ouvir a sentença.

      Depois de Solto [o criminoso]

      1. Não raro mostra-se dessatisfeita com o sistema de “justiça” criminal.

      2. Fica com medo do(s) criminoso(s) solto(s) e da retaliação.

      3. Trauma talvez dure toda a vida dele ou dela.

      Resultado Final

      Não mais respeita um sistema propenso a respeitar os direitos dos criminosos, mas que ignora as necessidades da vítima.

  • O que faz da pessoa um criminoso?
    Despertai! — 1985 | 8 de agosto
    • O que faz da pessoa um criminoso?

      “EU ACREDITAVA que o comportamento criminoso fosse um sintoma de conflitos subjacentes que resultassem de antigos traumas e privações . . . Julgava que as pessoas que se voltavam para o crime eram vítimas de um distúrbio psicológico, de um ambiente social opressivo, ou de ambas as coisas. . . . Encarava o crime como uma reação quase que normal, se não desculpável, da esmagadora pobreza, instabilidade e desespero que permeava a vida delas.” (Inside the Criminal Mind [O Interior da Mente Criminosa]) (O grifo é nosso.) Esse era o conceito do psiquiatra Stanton Samenow antes de ele começar a entrevistar centenas de criminosos.

      Os psiquiatras e outros peritos, em seus empenhos de explicar por que uma pessoa se torna criminosa, apresentam amplo leque de motivos — desemprego, instrução deficiente, dura formação familiar, desequilíbrio nutricional, e pressões psicológicas, dentre outros. Ao passo que tais fatores podem exercer influência, não se pode desperceber outra realidade — milhões de pessoas suportam tais circunstâncias a cada dia sem recorrer ao crime como solução.

      Criminosos — Vítimas ou Algozes

      Depois de extensivas investigações, o dr. Samenow adotou diferente enfoque. Escreve: “A essência deste enfoque é que os criminosos decidem cometer crimes. O crime reside no íntimo da pessoa e é ‘causado’ pelo seu modo de pensar, e não pelo ambiente.” (O grifo é nosso.) “Os criminosos são a causa do crime — e não os bairros ruins, os pais inadequados, a televisão, a escola, os tóxicos, ou o desemprego.”

      Isto o levou a mudar de conceito quanto à mente criminosa. Prossegue ele: “Tendo considerado os criminosos como vítimas, vimos que, em vez disso, eram algozes, que tinham livremente escolhido seu modo de vida.” Por conseguinte, infere, em vez de provermos desculpas para o criminoso por sua conduta, devemos torná-lo cônscio de sua própria responsabilidade. — Veja a página 9, “O Perfil dum Criminoso Calejado”.

      A juíza Lois Forer, de Pensilvânia, EUA, que advoga uma mudança no sistema de sentenças dos EUA, escreve: “Minhas conclusões respaldam-se na crença de que todo ser humano é responsável por seus atos.” — Criminals and Victims (Os Criminosos e as Vítimas), página 14.

      Por Que Escolhem o Erro, em Primeiro Lugar?

      A respeito dessa pergunta, o dr. Samenow chega à conclusão simples: “O comportamento é, em grande parte, produto da reflexão. Tudo o que fazemos é precedido, acompanhado e seguido pela reflexão.” Assim, como pode ser alterado o comportamento criminoso? Ele responde: “O criminoso tem de aprender a identificar e então a abandonar os padrões de pensamento que guiaram seu comportamento durante anos.” (O grifo é nosso.) Esta conclusão simples está de acordo com o ensino da Bíblia.

      Por exemplo, o escritor bíblico, Tiago, explicou: “Cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo. Então o desejo, tendo-se tornado fértil, dá à luz o pecado.” (Tiago 1:14, 15) Em outras palavras, a forma como agimos depende do nosso modo de pensar. Um desejo errado é resultado do processo mental. Um pecado ou um crime é o resultado de um desejo incorreto e de uma escolha malfeita.

      Paulo dirige a atenção para o processo mental como fundamental para a mudança de personalidade, ao referir-se à “força que ativa a vossa mente”. (Efésios 4:23) A Bíblia de Jerusalém (ed. inglesa) verte este trecho: “Vossa mente tem de ser renovada por uma revolução espiritual.” Semelhantemente, hoje em dia, tem de haver uma mudança radical no modo de pensar, uma vez que “os crimes redundam do modo como a pessoa pensa”. — Inside the Criminal Mind.

      Isto ainda nos deixa a pergunta: Como foi que o criminoso veio a adquirir seus padrões de pensamento anti-sociais?

      Quando É que se Semeiam as Sementes

      “Educa o rapaz [“menino”, Almeida; segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22:6) Esta máxima bíblica atinge o âmago da questão. A chave é ‘treinar o menino’ — não o rapazinho, porém antes — o garotinho. Por que é necessário começar quando o filho é tão jovem? Porque os padrões de pensamento e de comportamento são estabelecidos na infância e na meninice.

      Na verdade, algumas características negativas acham-se implantadas já desde o nascimento, porque todos nascemos imperfeitos. (Romanos 5:12) Como a Bíblia diz: “A tolice está ligada ao coração do rapaz [“menino”, Al].” No entanto, esse texto acrescenta: “A vara da disciplina é o que a removerá para longe dele.” — Provérbios 22:15.

      Muitos criminosos tentam justificar sua conduta por atribuí-la às influências da infância, culpando seus pais, mestres, e outros. O dr. Samenow tira diferente conclusão: “Os criminosos afirmam que foram rejeitados pelos pais, pelos vizinhos, pelas escolas e pelos patrões, mas é raro que um criminoso diga por que foi rejeitado. Mesmo quando criança, ele já era furtivo e desafiador, e, a medida que foi ficando mais velho, passou a mentir mais a seus pais, a roubar e destruir os bens deles, e a ameaçá-los. Tornou insuportável a vida no lar . . . Foi o criminoso que rejeitou seus pais, e não vice-versa.” — Veja a página 8, “O Perfil do Florescente Criminoso de Carreira”.

      Sim, as sementes do comportamento criminoso são amiúde semeadas na infância, e, as vezes, são nutridas sem querer por genitores indulgentes demais. O dr. Patterson, psicólogo do Centro de Aprendizado Social do Oregon, EUA, crê que “a maior parte da delinqüência pode muito bem desenvolver-se devido às deficientes perícias parentais”. Refere-se aos pais “que não conseguem manter regras claras, verificar a obediência a elas e cuidar até mesmo de diminutas violações com castigos que não sejam físicos”.

      Conclui o dr. Samenow: “A frustração, por parte da criança criminosa, das expectativas dos pais e da sociedade, envolve mais do que ações isoladas. Começando já mesmo nos anos pré-escolares, desenvolvem-se padrões que se tornam parte de um estilo de vida criminoso.” (O grifo é nosso.) Como corolário disso, há psicólogos que voltam agora sua atenção para o campo da prevenção do crime na infância por oferecerem ajuda àqueles pais e filhos que apresentem um problema de delinqüência em potencial.

      O crime, suas causas e possíveis soluções, é um assunto complexo. Será que, no caso de alguns, o aumento dos empregos e um ambiente aprimorado modificariam o quadro? Está a solução em prisões maiores e melhores? Será que mais polícia nas ruas reduziria o crime? Com efeito, existe alguma solução prática para o crime em nossa atual sociedade humana?

      [Foto/Quadro na página 8]

      O Perfil do Florescente Criminoso de Carreira

      Quando criança, o criminoso é um ser com vontade férrea, esperando que os outros se curvem a cada capricho seu. Corre riscos, mete-se em dificuldades, e então exige que o livrem delas e o perdoem.

      Os pais tornam-se as primeiras duma longa cadeia de vítimas do criminoso.

      O filho constrói uma barreira cada vez mais impenetrável para a comunicação. Vive a vida que deseja, escondida dos pais. Considera que não é da conta deles o que ele faz.

      O delinqüente mente tanto e por tanto tempo que parece que sente a compulsão de mentir. Todavia, controla totalmente o seu mentir.

      O filho sente desprezo não só pelos conselhos e pela autoridade de seus pais, mas também pelo modo como eles vivem, não importa quais as condições sociais e econômicas deles. Para ele, o usufruto dos prazeres é tudo que a vida significa.

      Quando há outros filhos na família, estes se tornam vítimas do irmão delinqüente, que vive azucrinando-os, usa a seu bel-prazer o que lhes pertence, e lança a culpa neles quando alguma disciplina está prestes a ser ministrada.

      O delinqüente prefere associar-se com jovens que assumem riscos e que fazem o que é proibido.

      O delinqüente recusa-se a subordinar-se à autoridade de outrem. Prefere, em vez disso, fazer algo mais excitante, amiúde ilícito.

      Os pais destes menores não raro desconhecem onde estão seus filhos, não por negligência de sua parte, mas pela engenhosidade do jovem em ocultar suas atividades.

      O delinqüente recebe, mas raramente dá. Não conhece o que significa a amizade, porque a confiança, a lealdade e a partilha, são incompatíveis com seu modo de vida.

      Parte do cenário social do jovem delinqüente é o consumo de álcool, que se inicia até mesmo antes da adolescência.

      O criminoso rejeita a escola muito antes de a escola o rejeitar. Explora a escola, utilizando-a como arena para o crime, ou, de outra forma, como cobertura para si.

      O que outros julgam ser meter-se em dificuldades, ele considera como aprimoramento da imagem que faz de si.

      (Queira notar que apenas um ou dois destes fatores talvez não indiquem que o menor apresente sintomas do florescer de um criminoso de carreira. Mas, no caso de muitos fatores se conjugarem, existe base para preocupação.)

      [Quadro na página 9]

      O Perfil dum Criminoso Calejado

      Os criminosos são, de coração, contra o trabalho.

      O negócio mais importante para o criminoso é o crime, e não um trabalho regular.

      Ele é positivo de que sua perícia e talentos ímpares o diferenciam do povo comum.

      Valoriza somente as pessoas que se curvam à vontade dele. Mesmo a avaliação que faz de sua mãe vacila da santidade para o satânico dependendo de quão prontamente ela satisfaz seus caprichos.

      Um criminoso não julga ter obrigações com ninguém, e raramente justifica suas ações perante ele próprio.

      Seu orgulho é tamanho que ele se recusa peremptoriamente a reconhecer sua própria falibilidade.

      O criminoso não deseja que sua conduta seja questionada por outros membros de sua família.

      O criminoso sabe diferençar o certo do errado. Quando lhe convém, é acatador da lei.

      Como faz com tudo o mais, o criminoso explora a religião para seus próprios fins.

      O criminoso molda cuidadosamente sua história para fornecer o que espera seja um relato convincente do porquê de suas ações.

      O criminoso não considera a vítima de forma alguma como vítima. Ele é que é a vítima, por ter sido apanhado.

      Os perfis nas páginas 8 e 9 baseiam-se na publicação Inside the Criminal Mind.)

  • Existe alguma solução para o crime?
    Despertai! — 1985 | 8 de agosto
    • Existe alguma solução para o crime?

      UMA vez que o crime atinge a todos nós, direta ou indiretamente, permanece a pergunta: Existe uma solução? O juiz Richard Neely, do Tribunal Superior de Recursos da Virgínia Ocidental, EUA, sugere: “Para se chegar às causas básicas do crime, subentende-se um reordenamento da sociedade em uma magnitude que poucos se dispõem a empreender.” (O grifo é nosso.) Argumenta que “não se dispõe, nem do conhecimento científico, nem da vontade política para se eliminar as causas básicas do crime”.

      Por que isto se dá? Arrazoa ele que as pessoas mais atingidas pelo crime, os que “moram em guetos ou em localidades decadentes da classe operária”, são os que dispõem de menor poder político direto. Declara o juiz Neely: “As vítimas do crime, deve-se observar, não constituem um grupo organizado de interesses.” Por conseguinte, dispõem de muito pouca ou de nenhuma influência política. Os que detêm o poder político vivem principalmente fora da esfera das atividades criminosas comuns — não utilizam os transportes públicos, nem moram em favelas. E, em alguns casos, argumenta ele, maior imposição da lei poria em perigo os seus próprios crimes de colarinho branco. Isto se dá basicamente na maior parte do mundo. Assim, as massas de menor renda são com mais freqüência as vítimas do crime e também da hipocrisia política.

      Mas há outro fator vital que impede o progresso na luta contra o crime — a própria natureza humana. “A lascívia, a avareza, a agressão, e o engrandecimento pessoal são parte inerente da constituição das pessoas”, afirma o juiz Neely. Essa realidade se tornou patente desde quando Caim assassinou seu irmão, Abel. — Gênesis 4:3-11.

      Não obstante, o fator do mal na natureza humana é um problema que a psicologia moderna se recusa a encarar. Numa entrevista concedida a Despertai!, o dr. Samenow declarou: “No todo, tremendo número de pessoas que trabalham no campo da saúde mental realmente não levam em conta o problema do mal.”

      Muitos criminosos, porém, não desejam pôr de lado sua ‘lascívia, avareza e agressão’. Assim, recusam-se a aceitar alguma terapia e os programas de reabilitação. Na Califórnia, EUA, por exemplo, os detentos combateram qualquer enfoque terapêutico. “O argumento dos detentos é que a terapia é uma ilusão, devido ao insuficiente conhecimento científico sobre a reabilitação . . . Seja qual for a razão pela qual deixem [de ser criminosos], prossegue tal argumento, isso não resultará de qualquer terapia carcerária.” Argumentam que “o objetivo da prisão é o castigo, breve e leve. Assim sendo, querem que todo condenado saiba exatamente por quanto tempo cumprirá pena ao entrar no estabelecimento, de modo que não precise desempenhar o joguinho kafkiano [irracional] da reabilitação”. — Why Courts Don’t Work (Por Que os Tribunais Não Dão Certo), juiz R. Neely.

      Pode um Criminoso Mudar?

      Todavia, alguns criminosos se dispõem a cooperar com programas de reforma. No programa dos drs. Yochelson e Samenow, utilizou-se drástico enfoque. Eles comunicaram: “Deixamos bem claro que, do nosso ponto de vista, nada do modo de vida do criminoso deve ser preservado. Não basta colocar roupas novas sobre as velhas e manchadas; as roupas velhas têm de ser consideradas como contaminadas e infectadas, e então ser descartadas e destruídas. O criminoso precisa eliminar seus velhos padrões e tornar-se responsável em todo sentido.”

      Similarmente, na Bíblia, o apóstolo Paulo aconselhou: “Desnudei-vos da velha personalidade com as suas práticas e revesti-vos da nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada segundo a imagem Daquele que a criou.” — Colossenses 3:9, 10.

      O próprio comentário de Paulo, depois de alistar os tipos de pessoas que não herdarão o Reino de Deus — fornicadores, ladrões, extorsores, e outros, evidencia que podem ser feitas mudanças. Diz ele: “No entanto, isso é o que fostes alguns de vós. Mas vós fostes lavados . . . no nome de nosso Senhor Jesus Cristo e com o espírito de nosso Deus.” (1 Coríntios 6:9-11) Atualmente existem quase três milhões de Testemunhas de Jeová ativas, a maioria das quais teve de fazer mudanças em seu modo de pensar. Alguns levavam uma vida criminosa até que fizeram tal mudança.

      Um caso é o dum antigo ladrão de diamantes, cuja história foi narrada na Despertai! de 8 de abril de 1984. Era um criminoso de carreira em Londres, Inglaterra. Quando, por fim, aceitou um estudo da Bíblia e revestiu-se da “nova personalidade”, entregou-se à polícia e confessou seus crimes. Depois de cumprir uma pena de cinco anos, foi libertado para viver uma vida reformada. Foi isto fácil para ele? Ele mesmo responde:

      “Não foi fácil fazer a mudança no meu conceito sobre a vida. A parte das lutas, o trabalho físico mais duro que eu tinha feito na vida era lavar meu carro. Eu tinha então de me conformar com trabalho de oito horas por dia . . . Nunca me havia preocupado na vida com rotinas. Tornou-se então importante levar uma vida ordeira. Eu sempre caçoara orgulhosamente da disciplina de qualquer sorte. Tive de aceitar então o fato de que meu modo de fazer as coisas podia nem sempre ser certo.” — Compare isto com “O Perfil dum Criminoso Calejado”. página 9.

      Mas, fez as mudanças. Valeu a pena te] esforço? “Não digo que foi fácil”, respondeu. “Mas certamente valeu a pena.”

      Por que, porém, alguém deveria querer modificar sua vida para ajustar-se aos princípios bíblicos? Porque existe uma forte motivação — a oportunidade de vida eterna numa Terra paradísica. Essa foi a promessa que Jesus fez ao criminoso que morria ao seu lado, ao dizer: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” (Lucas 23:43) Naturalmente, o malfeitor não poderia continuar no Paraíso terrestre sendo criminoso, mas somente como uma pessoa arrependida e modificada.

      Não importa, contudo, quão bem-sucedido seja um programa de reforma, ainda se comprova o velho adágio: “Pode-se levar um cavalo até a água, mas não se pode obrigá-lo a bebê-la.” A maioria dos criminosos de carreira não se interessam em mudar. Daí, não existe solução alguma para o problema do crime mundial? Existe uma solução, sim — e bem drástica.

      Como Acabará o Crime

      A Bíblia indicou que viria uma época em que haveria um aumento das calamidades sobre a raça humana. Entre elas, Jesus incluiu o “aumento do que é contra a lei”. (Mateus 24:12) O apóstolo Paulo profetizou que “nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, . . . desobedientes aos pais, . . . desleais, sem afeição natural . . . sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade”. — 2 Timóteo 3:1-5.

      Embora a humanidade sempre tenha sido afligida pelo crime e pelo mal numa escala maior ou menor, é desde a data crucial de 1914 que têm notável cumprimento as profecias bíblicas relacionadas com o fim do corrupto sistema de coisas do mundo. (Coteje com Mateus 24, Lucas 21, Marcos 13 e Revelação 6:1-8.) Por conseguinte, aproxima-se a época em que o governo justo do Reino de Deus entrará em ação contra Seus inimigos na Terra. Estes incluem os criminosos que deliberadamente escolhem o crime como modo de vida, pois “os injustos não herdarão o reino de Deus”. — 1 Coríntios 6:9.

      Assim, se a pessoa não se dispuser a mudar, qual é a alternativa? A Bíblia responde: “Os próprios malfeitores serão decepados . . . Apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá.” Sim, dentro em breve, a Terra será purificada de todos os elementos criminosos — quer religiosos, quer políticos, quer sociais. A guerra purificadora do Armagedom, da parte de Deus, só deixará vivos na Terra “os que esperam em Jeová . . . os que possuirão a terra. . . . E deveras se deleitarão [requintadamente] na abundância de paz.” — Salmo 37:9-11; Revelação 16:14, 16.

      Este é o único modo, pois como a Bíblia declara: “Ainda que se mostre favor ao iníquo, ele simplesmente não aprenderá a justiça. Na terra da direiteza, ele agirá injustamente.” (Isaías 26:10) Os “novos céus e uma nova terra” de Deus, em que “há de morar a justiça” é a única solução viável para os problemas do crime e do pecado da humanidade — e nesse sistema só residirão os que escolherem a justiça. — 2 Pedro 3:13.

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