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O crime e a violência crescentesDespertai! — 1980 | 8 de abril
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O crime e a violência crescentes
IMAGINE-SE no lugar de certo homem, na Itália, que voltava do trabalho para casa. Descuidadamente, deixou suas chaves no carro, já que pretendia apanhar um item numa mercearia vizinha. Ausentou-se por apenas alguns minutos, mas quando voltou — já sabe: o carro sumira!
Depois de uma noite insone, que surpresa agradável teve, na manhã seguinte, ao encontrar seu carro estacionado no lugar de sempre, defronte de seu prédio de apartamentos. Um bilhete enfiado embaixo do limpador de pára-brisas explicava: “Desculpe-me por lhe ter importunado. Foi uma emergência. Aceite meus agradecimentos e divirta-se à noite por minha conta.” Estavam anexados dois ingressos de teatro — os melhores lugares da casa — para o espetáculo daquela noite. Sua confiança na humanidade fora restaurada.
Após uma noite muito agradável no teatro, ele voltou para casa com sua esposa, tateou momentaneamente à procura da chave da casa, abriu a porta e entrou — num apartamento vazio! Despojado de tudo! Sua renovada confiança na humanidade tivera vida curta.
Embora ímpar, esta história verdadeira é apenas uma entre muitas que se poderiam contar para demonstrar o descaramento com que muitas vezes são cometidos os crimes. Naturalmente, este crime foi relativamente brando, em comparação com outros, crimes tão marcados pela brutalidade e pelo sadismo que talvez meneasse a cabeça de pura descrença. Não é de se admirar que muitos tenham perdido a confiança na humanidade e vivam em temor.
Todos somos vítimas do crime. O crime organizado furta de cada bolso. Autoridades de Chicago, EUA, estimam que, devido à extorsão aberta, pela Máfia, ou devido ao seguro extra contra o roubo e às forças de segurança adicionais necessárias para combater suas operações, o cidadão estadunidense mediano paga dois centavos de dólar adicionais (cerca de Cr$ 1,00) para cada dólar que gasta (cerca de Cr$ 50,00).
A desonestidade dos empregados e os furtos em lojas obrigam o comércio a elevar os preços para recuperar as perdas. Paga-se pela desonestidade dos outros. A desonestidade dos empregados na República Federal da Alemanha, por exemplo, custa anualmente aos contribuintes um bilhão de marcos (Cr$ 25.000.000.000,00). O crime é realmente caro, se não para o criminoso, pelo menos para a vítima, pois a vítima sempre tem de pagar.
Novas Tendências Perturbadoras
O crime já existe por muito tempo. Mas recentemente assumiu nova dimensão. Uma onda de crime e violência que aumenta constantemente, não se limitando a nenhum país ou localidade, tem feito com que tanto os órgãos da lei como o homem comum olhem com mais seriedade para o crime e o que se pode fazer para combatê-lo com sucesso.
Cada vez mais se cometem “crimes sem nenhum sentido”, crimes sem motivo real. Talvez envolvam simplesmente “pichar” propriedades públicas ou arrancar as páginas de catálogos de telefones públicos.
Mas, mui freqüentemente tomam uma forma mais séria, assinalada por uma brutalidade desnecessária. Por exemplo, dois rapazes de 17 anos atacaram recentemente um homem de 33 anos nos arrabaldes de uma cidade alemã e se revezaram em apunhalá-lo; posteriormente a polícia relatou que encontrou mais de 80 ferimentos de punhal. Quando lhes perguntaram “Por quê?”, os dois jovens responderam: “Simplesmente sentimos o impulso de eliminar alguém.” Em outro caso, um grupo de adolescentes, com um pouco mais de idade, atacou um tabelião em Gherburgo, na França, e o espancaram tão impiedosamente que ele perdeu os sentidos e morreu três dias depois. O motivo deles? “Só para nos divertirmos.”
Outra tendência perturbadora é o aumento da delinqüência feminina. A situação do terrorismo na Alemanha, por exemplo, é sem igual no aspecto de que grande proporção de seus membros conhecidos é de mulheres. Em fevereiro de 1979, 12 das 16 pessoas da lista de suspeitos de terrorismo mais procurados pela polícia eram mulheres.
Mas, talvez o que acima de tudo preocupe os líderes judiciais e legislativos seja o acentuado aumento de crimes perpetrados por jovens. A revista Time, falando sobre a situação nos Estados Unidos, disse: “As pessoas sempre têm acusado os jovens de se safarem até com homicídios. Agora isto é uma verdade, literalmente. Tem surgido um padrão de criminalidade, por todos os EUA, que é tanto desconcertante como pavoroso. Muitos jovens parecem estar roubando e estuprando, mutilando e assassinando tão casualmente como se estivessem indo ao cinema ou se divertindo num jogo de beisebol ocasional.”
Esta tendência entre os jovens não prevê boa coisa para o futuro. O jornal Hamburger Abendblatt, comentando a situação na Alemanha, disse: “Conforme as últimas estatísticas do crime, o número de suspeitos entre 14 e 18 anos, presos desde 1975, cresceu 25,1%. Na categoria de crianças com menos de 14 anos, o aumento foi de 30,8% . . . e não está à vista o fim desta tendência. Temos de contar com novo aumento no número de adolescentes e crianças delinqüentes.”
Não há dúvida quanto a isso. O crime é um problema e algo que faríamos bem em levar a sério. O governo francês o considerou bastante sério para autorizar a formação de uma comissão de 11 homens para investigar a questão. Estes homens deliberaram por 16 meses antes de submeterem um relatório de 700 páginas, com 103 recomendações, para aliviar o problema.
A organização das Nações Unidas considerou o problema bastante sério para justificar a instituição de uma Comissão de Prevenção e Controle do Crime, de 15 membros, que patrocina um congresso mundial, a cada cinco anos, para considerar métodos de lidar de modo bem sucedido com o crime em escala global. O tema geral do encontro de 1975 foi: “Prevenção e controle do crime — o desafio do último quarto de século.” Programou-se um sexto congresso para 1980 em Sídnei, Austrália.
O que significa o atual aumento constante do crime e da violência? Aumentarão até que não haja mais esperança de serem remediados? Ou se está exagerando o problema? É tudo realmente tão ruim assim? O que acha?
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O crime . . . é realmente tão ruim assim?Despertai! — 1980 | 8 de abril
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O crime . . . é realmente tão ruim assim?
ALGUMAS pessoas nascem otimistas. Não importa quão ruim as coisas pareçam, sempre dão um jeito de sorrir e argumentar que poderia ser pior. Pode-se falar muito em defesa do otimismo, mas nunca se deve permitir que obscureça nossa visão e nos impeça de ver as coisas de modo realístico. Ignorar os problemas nunca irá solucioná-los. A recusa de reconhecermos um problema aumenta a possibilidade de nos tornarmos vítimas dele.
Agora, com respeito ao crime e à violência, é tudo realmente tão ruim assim?
As pessoas que dizem “Não” salientarão logo que o crime e a violência não são algo novo. Ora, o livro de história mais antigo que existe, a Bíblia, nos conta que a primeiríssima família da humanidade experimentou a violência do pior tipo. Relata: “Caim passou a atacar Abel, seu irmão, e o matou.” Também, ao descrever a condição que existia há mais de 4.000 anos, nos dias de Noé, não diz que “a terra ficou cheia de violência”? — Gên. 4:8; 6:11.
“O crime é ainda pior do que as estatísticas revelam.”
Concordamos que o crime não seja novidade. Não obstante, as estatísticas provam que no momento está ficando pior. Estatísticas? Talvez alguém nos faça recordar que Oscar Wilde, famoso dramaturgo da última parte do século 19, disse certa vez: “Há três tipos de mentiras: as mentiras comuns, as mentirinhas, e as estatísticas.” Seu ponto era que fiar-se demais em estatísticas pode ser enganoso. Elas podem ser interpretadas de maneiras variadas e às vezes até contraditórias. Ainda assim, seu freqüente mau uso não seria justificativa para alguém rejeitá-las totalmente.
Para o nosso benefício, vamos considerar brevemente alguns dos argumentos propostos pelas pessoas que afirmam que “realmente não é tão ruim assim”. Daí nós mesmos poderemos chegar a uma conclusão.
“O Crescimento Populacional É Responsável Pelo Aumento do Crime.”
Poucas pessoas questionariam que temos presenciado uma explosão populacional nas últimas décadas. Ao passo que levou 4.200 anos, desde o dilúvio nos dias de Noé (até 1830), para a população mundial alcançar um bilhão de pessoas, levou apenas 100 anos mais para alcançar o segundo bilhão, em 1930. Alcançou-se o terceiro bilhão em mais trinta anos (1960), e o quarto em mais 15 anos (1975). Agora, com mais de quatro bilhões de pessoas na terra, estima-se que por volta de 1985 haverá quase cinco bilhões, e bem mais de seis bilhões por volta do fim do século.
O crescimento populacional certamente é fator contribuinte para o aumento do crime, mas não é sua causa básica ou única Se fosse, então qualquer aumento ou decréscimo na população significaria logicamente igual aumento ou decréscimo no número de crimes. Esse, porém, nem sempre é o caso.
Considere a República Federal da Alemanha. Como um dos poucos países do mundo que apresentaram recentemente um decréscimo na população — entre 1975 e 1977 sua população caiu em mais de 600.000 pessoas — deveria haver, usando-se tal argumento, um decréscimo proporcional do crime. No entanto, fontes governamentais dizem que se registraram 2.919.390 crimes em 1975, e 3.287.642 em 1977, um aumento de mais de 12 por cento. Isto mostra que o crime aumenta mesmo em lugares onde a população diminui.
E longe de terem qualquer base para complacência, os que dizem que o aumento do crime é apenas conseqüência normal da explosão populacional enfrentam uma perspectiva futura funesta. De acordo com a própria alegação deles, a onda atual de crimes continuará a aumentar para se igualar ao crescimento da população mundial. Até que ponto tem de piorar a situação para que estejam dispostos a admitir: “É realmente ruim”?
“Mantem-se Agora Cômputos Mais Precisos dos Crimes Cometidos.”
Certamente é verdade que se faz agora um registro mais exato dos crimes cometidos do que há 100 anos. Assim sendo, uma comparação acurada entre os crimes cometidos nessa época com os cometidos agora seria impossível. Mas este argumento não seria válido se comparássemos os registros de 1977 com os de 1975, ou mesmo de 1970, não acha? E se, como se argumenta, mantemos agora melhores registros, deveríamo-nos perguntar: Por quê? Em si mesma, não sugere a necessidade de mais precisão e eficácia na manutenção de registros que as coisas pioraram?
Qual tem sido o empenho da polícia em compilar tais relatórios? Muito poucos crimes têm sido descobertos, e sendo a queixa registrada pelos próprios oficiais de polícia. Uma apuração dirigida pelo Instituto MaxPlanck, alemão, revelou que um total de 90 por cento do cômputo dos crimes por parte da polícia baseia-se na queixa dada pela vítima do crime ou por testemunhas. A manutenção de registros precisos, portanto, depende mais da boa vontade e prontidão do público de comunicar os crimes que vêem ser cometidos do que da polícia.
Há algo que indique que as pessoas estão mais cuidadosas ou conscientes agora em comunicar os crimes do que estavam no passado? Não, se havemos de acreditar nessa apuração: descobriu-se que foram comunicados apenas 46 por cento dos crimes cometidos contra as pessoas entrevistadas. Mais da metade ficaram sem ser comunicados, quer porque a vítima achasse que sua perda fora muito pequena para se preocupar, porque achasse que as possibilidades de o crime ser solucionado fossem mínimas, quer por outras razões pessoais.
Estes dados, que se comparam favoravelmente com dados similares da Suíça, dos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália e da Finlândia, indicam que o crime é ainda pior do que as estatísticas revelam. Isto é apoiado pela revista alemão Der Spiegel, que disse: “Na verdade, o número [de invasões de domicílios durante o ano] é dez ou doze vezes maior [do que o comunicado].” Ela citou Werner Hamacher, encarregado do Departamento de Investigações Criminais do Estado de Nordrhein-Westfalen, que assemelhou o número dos crimes comunicados a “pouco mais do que o mais diminuto biquíni” a cobrir o corpo do total de crimes cometidos.
Desse modo, o que concluímos logicamente? Que o cômputo dos crimes comunicados é ainda muito incompleto e que as estatísticas no máximo podem indicar apenas certas tendências. Mas, longe de exagerar os fatos, na realidade as estatísticas contam apenas parte da história. Assim, o que acha? É realmente tão ruim assim? Ou é ainda pior?
“O Crime Pode Ser Crítico em Alguns Lugares, Mas Não Onde Moro.”
Se isto for verdade, mostre-se grato. As áreas rurais amiúde têm taxas de crime mais baixas do que as áreas urbanas, e, dentro de uma cidade, algumas áreas podem ser mais sujeitas ao crime do que outras. Alguns países reconhecidamente têm uma taxa de crime mais baixa do que outros. Mas, naturalmente, a questão não é se há tantos crimes em sua localidade quanto há em outra parte, mas se está aumentando no lugar onde vive.
Qual tem sido sua experiência na comunidade em que vive? O que dizem as pessoas de mais idade, pessoas que têm podido observar o desenrolar das coisas por longo período de tempo? Cometem-se mais crimes agora do que há cinco anos? Do que há dez anos? Estão tornando-se mais brutais?
Em vista da seriedade do problema, a próxima pergunta é: Como posso proteger a mim e a meus entes queridos? Que medidas práticas posso tomar?
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O conselho sábio protege contra o crimeDespertai! — 1980 | 8 de abril
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O conselho sábio protege contra o crime
MUITAS pessoas têm escrito livros e artigos onde aconselham o melhor modo de lidar com o crime. Muitas de suas sugestões práticas são de real valor, embora no momento não haja um modo de se garantir a segurança ou a proteção totais. Contudo, isto não significa que não possamos fazer nada. Podemos e devemos fazer algo, em vista da onda de crime e violência que cresce constantemente em nossos dias.
Para obtermos algumas sugestões bem práticas, voltemo-nos para um homem que foi abençoado por Deus com “sabedoria e entendimento em medida muito grande”, sim, uma sabedoria tal que o fez “mais sábio do que qualquer outro homem” de seu tempo e que tornou possível que ‘falasse três mil provérbios’. (1 Reis 4:29, 31, 32) Talvez reconheça este homem como o Rei Salomão.
Cervantes, o famoso autor espanhol, definiu apropriadamente certa vez os provérbios como sendo “sentenças pequenas advindas de longa experiência” Ninguém tem mais experiência com o homem e seus problemas do que o próprio Criador do homem, que dotou Salomão da sabedoria necessária para compor as “sentenças pequenas” que encontramos nos livros bíblicos de Provérbios e Eclesiastes. O conselho de Salomão, visto que vem de Deus, é o melhor que se pode encontrar. Vejamos como podemos aplicá-lo para a nossa proteção.
ANTEVER O PROBLEMA
“Argucioso é aquele que tem visto a calamidade e passa a esconder-se, mas os inexperientes passaram adiante e terão de sofrer a penalidade.” — Pro. 22:3.
O princípio aqui subjacente é que a pessoa deve antever possíveis perigos e se esconder antes que sobrevenha a calamidade. Em outras palavras, tomar medidas de precaução. Este é o melhor tipo de proteção. Exemplos? Há muitos.
Mantenha suas portas e janelas trancadas quando estiver fora de casa. Em certas regiões, pode ser sábio até mesmo mantê-las trancadas todo o tempo. Caso more numa casa com garagem contígua, não descuide da porta entre a garagem e a parte principal da casa. Ouve-se falar de maridos que saem tarde para o trabalho e que deixam a porta da garagem aberta, permitindo que estranhos entrem com facilidade na casa, por meio da garagem.
O que se aplica à sua casa também se aplica ao seu carro. Conserve-o trancado. Em alguns países, é ilegal deixar o carro sem estar trancado, e isto é apropriado. Mesmo ao dirigir, achará ser sábio manter as portas travadas; senão pessoas indesejáveis poderão entrar em seu carro enquanto espera o sinal abrir. Se tiver de deixar seu carro na rua, de noite, procure encontrar o lugar mais claro possível para estacioná-lo.
Os ladrões de residências gostam de trabalhar sem ser perturbados e notados, de modo que geralmente o visitarão quando não estiver em casa. Um alarme ruidoso contra ladrão (na casa ou no carro) ou um cão ladrador podem ser suficientes para convencê-los de que as condições de trabalho não são favoráveis. Se tiver de ficar fora por um período de tempo mais extenso, não anuncie sua ausência por deixar que jornais ou correspondência se acumulem na parte da frente da casa ou na caixa de correspondência. Peça que sejam guardados até sua volta ou providencie para que um amigo os apanhe regularmente.
Deixar uma luz acesa na casa dá a impressão de que há alguém em casa. É claro que deixá-la acesa dia e noite por vários dias pode ser tão revelador para um provável ladrão observador como não deixar luz alguma. Nos casos de ausência prolongada, pode ser um investimento sábio comprar um dispositivo que ligue e desligue automaticamente suas luzes, ou mesmo seu televisor ou rádio, em certos horários predeterminados.
Mantenha seus pertences valiosos num lugar seguro, um lugar tal que o ladrão nem pense em vasculhar. Ou ainda melhor: mantenha-os em vários lugares, para que, caso ele consiga safar-se com alguns deles, não leve todos. Antever o problema compensa.
EVITE SER CONFIANTE DEMAIS
“Qualquer inexperiente põe fé em cada palavra, mas o argucioso considera os seus passos.” — Pro. 14:15.
Seria maravilhoso se pudéssemos confiar em cada pessoa que encontrássemos, e isto ainda é possível em algumas partes do mundo. Mas em outros lugares, inclusive em muitas cidades grandes, abunda a iniqüidade, e temos de ser realistas. Nisso é que se pode ser sábio por se ficar alerta contra pessoas e situações duvidosas.
Pode não ser sábio, por exemplo, convidar estranhos para entrar em sua casa, mesmo quando aparentem razões legítimas para visitá-lo, a não ser que possam identificar-se corretamente. De fato, visto que até mesmo abrir a porta pode ser perigoso, em alguns lugares, convém equipá-la de um olho mágico ou uma corrente, se a situação onde mora o exigir.
Nunca deixe a chave de sua porta debaixo do capacho ou em qualquer outro esconderijo geralmente bem conhecido. Pode confiar na pessoa para quem deixa a chave, mas pode confiar em quem possa vir a encontrá-la? Também não é sábio anexar nome e endereço ao seu chaveiro, atribuindo, assim, honestidade à pessoa que possa encontrá-lo, caso venha a perdê-lo.
Cautela é o proceder de sabedoria quando uma pessoa o aborda na rua, especialmente à noite. Suas intenções podem parecer honestas, mas pode ser um truque para se chegar bem perto para lhe causar algum dano. É melhor ser cauteloso do que se tornar vítima de um assaltante. Não sair sozinho, até onde isto for possível, também pode ser uma proteção. Duas pessoas não são tão fáceis de serem atacadas quanto uma. Eclesiastes 4:12 diz: “Se alguém levar de vencida a um que está só dois juntos poderiam manter-se de pé contra ele.”
Cuide de sua aparência, quando estiver em lugares públicos. O modo em que se veste é importante. Pode incitar outros a ações que não apreciará.
Também. ao freqüentar reuniões públicas exerça cautela. Deixar objetos de valor em seu assento enquanto vai ao banheiro ou sai para se refrescar não é sábio. Numa multidão honesta é preciso apenas um intruso desonesto para que lamente sua negligência.
Evite tentar “parecer rico”. O homem que exibe um punhado de cédulas e a mulher coberta de jóias estão querendo problemas. Um artigo recente na revista Time comentou que “em grande parte devido à epidemia de seqüestros e outro tipo de violência dirigidos contra os ricos da Itália, o aparato — e a ostentação — do estilo de vida endinheirado quase que desapareceu.” Citou uma pessoa abastada como tendo dito: “Na Itália, agora, a gente quer sentir-se rico e parecer pobre.”
ESCOLHA CUIDADOSAMENTE SEUS COMPANHEIROS
“O homem de violência seduzirá seu próximo e certamente o fará ir num caminho que não é bom.” — Pro. 16:29.
A violência é como uma doença contagiosa: ela pega. Até mesmo discussões inocentes com colegas de trabalho, amigos ou parentes podem rapidamente terminar em violência, se a pessoa não for cuidadosa. Afirma-se, por exemplo, que mais de um quarto de todos os assassinatos nos Estados Unidos são por questões familiares, geralmente ocasionadas por desavenças domésticas. Freqüente uma festa onde existam bebidas alcoólicas em excesso, ou envolva-se num movimento ou numa marcha de protesto onde as emoções corram soltas, e estará multiplicando o perigo da violência. Quão sábio é, então, evitar pessoas dadas à violência e situações que tendem a nutri-la!
Deve preocupar-se com seu próprio procedimento, mas não se preocupar demais com o mau procedimento dos outros. Se observar alguém agindo descortesmente ou de modo inapropriado em lugares públicos, é melhor exercer autodomínio e não dizer nada, desde que uma vida não esteja em perigo. Provérbios 26:17 explica: “Como alguém que agarra as orelhas de um cão é aquele que, estando de passagem, fica furioso com uma altercação que não é dele.” Pode facilmente incitar outros à violência por comentários impróprios ou por um olhar “feio”.
O que deve fazer a pessoa se inadvertidamente for envolvida numa contenda que não provocou?
RETIRE-SE, SE PUDER
“Retira-te antes de estourar a altercação.” — Pro. 17:14.
Não ponha lenha na fogueira por discutir. Provérbios 26:20 nos diz: “Onde não há lenha, apaga-se o fogo.” Uma contenda pode durar apenas enquanto escolhe continuar no campo de batalha. Evitar a violência por se retirar não é sinal de covardia, mas, ao contrário, de sabedoria. Os exemplos de Jesus Cristo e do apóstolo Paulo provam isto. — Veja Lucas 4:28-30; Atos 9:23-25; 14:5, 6.
Mas, e se o seu oponente o impedir fisicamente de se ir? Então fale com ele calmamente. Lembre-se, “uma resposta, quando branda, faz recuar o furor”. (Pro. 15:1) Isto exige autodomínio, mas no fim das contas pode compensar. Sabe-se de mulheres que convenceram os agressores a desistir do estupro por permanecerem calmas e lhes explicarem sua posição bíblica sobre princípios de moral.
Naturalmente, pode haver ocasiões em que seja impossível fugir e quando palavras calmas encontram ouvidos de mercador. E ai? Depende do que a pessoa quer. Quer ela seus bens, seu dinheiro? Se for o caso, deixe-a tê-los. As coisas materiais podem ser substituídas, mas não a sua vida ou sua saúde. Nunca ponha estas em perigo por coisas puramente materiais. Ter a sabedoria e o discernimento correto para poder reconhecer a relativa insignificância das coisas materiais, em comparação com a vida, é, conforme diz Provérbios 3:14, “melhor do que ter por ganho a prata”.
Se o agressor estiver atrás de sua castidade ou de sua vida, contudo, a situação é diferente e tem o apoio bíblico para se defender por qualquer meio à sua disposição. Um artigo num jornal do norte da Alemanha explicou recentemente como se pode fazer isto. Ele aconselhou as mulheres e as jovens que se confrontam com quem quer violá-las a “manter-se calmas”, a “oferecer resistência”, se possível, e “ao mesmo tempo gritar por socorro”. (Compare com Deuteronômio 22:23, 24.) Aconselhou-se os incapazes de oferecerem resistência física a ludibriar o malfeitor ou “distrair sua atenção por orarem alto”. Este conselho é sábio, por que é bíblico. Também conduz a outra sugestão feita pelo sábio governante.
CONFIE EM JEOVÁ
“Não digas: ‘Vou retribuir o mal!’ Espera em Jeová, e ele te salvará.” — Pro. 20:22.
Estas palavras não devem ser entendidas como rejeitando a autodefesa, mas elas nos mostram a necessidade de discernimento e de equilíbrio ao exercê-la.
Basicamente, os crimes são de dois tipos: os dirigidos contra o patrimônio, tais como roubo e extorsão, e os dirigidos contra a pessoa, tais como assalto, estupro ou assassinato. Visto que a vida é de um valor infinitamente maior do que o patrimônio, estaríamos corretamente autorizados a uma latitude maior de ação ao nos precavermos dos crimes contra a nossa pessoa do que estaríamos dos crimes contra nosso patrimônio.
“Está crescendo a tendência [na Franca] de se confiar mais na autodefesa do que na proteção da polícia.” Assim relatou recentemente um diário alemão. O artigo falava de um grupo de autodefesa a cujos membros se aconselhou: “Armem-se e atirem primeiro.” Encontra-se tendência similar em outros países. Uma revista relatou que “os alemães ocidentais registraram 2.500.000 revólveres e pistolas, espingardas e rifles, mas que possivelmente têm posse ilegal de dez vezes este número”. O artigo continuou dizendo que obter armas está ficando cada vez mais fácil, e que “estas estão sendo usadas com uma facilidade e brutalidade ainda maiores — por criminosos, bem como por cidadãos bem-comportados”.
Alguns talvez achem que não há mal algum em terem uma arma em casa “só por precaução”, esperando, naturalmente, nunca terem de usá-la. Na realidade, contudo, o único meio de se estar realmente seguro de que nunca se usará uma arma é, em primeiro lugar, não a ter. Quão freqüentemente as pessoas, sob a pressão do medo e da tensão nervosa, têm usado armas de fogo apenas para o lamentarem depois. Coloque-se no lugar do dono dum posto de gasolina no sul de Paris que ouviu barulhos suspeitos no meio da noite. Descendo as escadas, viu subitamente uma sombra, e, pensando ser um assaltante, atirou. Quão trágico foi descobrir que havia atirado em seu filho de oito anos que se havia levantado para beber um pouco de água!
Derramar sangue humano, mesmo quando feito sem intenção, é assunto sério. Naturalmente, existem outros tipos de armas, tais como pistolas a gás, que podem ser usadas para se precaver contra os atacantes. Embora sem a intenção de ferir ou matar, estas armas “inofensivas” podem, às vezes, ocasionar uma violência maior por parte do oponente, de modo que a vantagem de usá-las deve ser considerada com cuidado.
As chamadas artes marciais, tais como o judô e o caratê, são outro método de se defender que esta ficando cada vez mais popular. Estas artes marciais treinam a pessoa para usar suas mãos e seu corpo para machucar ou matar o oponente, de modo que, na verdade, também são armas. Sua origem pagã e seu uso militar também suscitam perguntas quanto a se são próprias para o cristão. Pode imaginar o apóstolo João se defendendo com golpes de caratê ou Jesus Cristo lutando com um oponente usando táticas de kung fu? (Veja o número de Despertai! de 22 de maio de 1976, página 28, para uma consideração mais detalhada sobre o assunto.)
Até onde pode ir para defender a si mesmo e a seus entes queridos, bem como os métodos que deseja usar, são assuntos pessoais que deve decidir à base de sua consciência bem treinada. Pode ser útil, porém, fazer a si mesmo algumas perguntas para decidir o que deve fazer: Estou lutando Para defender a vida ou simplesmente para proteger um bem? É minha motivação proteger a mim e a meus entes queridos ou é ajustar contas com o malfeitor? Já pensei nos efeitos que minhas ações podem ter sobre outros, inclusive sobre o malfeitor? É meu desejo machucá-lo gravemente ou até mesmo matá-lo? Reconheço que ele pode ser vítima das circunstâncias, merecendo mais piedade do que condenação? Será que com treinamento apropriado, atenção e amor, ele pode estar disposto a desenvolver suas boas qualidades latentes e se arrepender das más qualidades? Estaria eu disposto a ajudá-lo a fazer isto, se tivesse a oportunidade?
Em resumo: os cristãos, embora não se oponham categoricamente a autodefesa, devem ter cuidado para evitar situações que a tornariam necessária. Reconhecem que por exercerem um espírito ajuizado, anteverem o problema, tomarem as precauções necessárias, serem cuidadosos com as associações, resguardarem a língua e as ações, evitarem confiar demais no homem, ao mesmo tempo em que colocam sua completa confiança em Jeová, estarão seguindo um proceder de sabedoria. Esta é uma forma de autodefesa melhor do que qualquer baseada no uso de armas e das artes marciais.
ECLESIASTES 9:18 RESUME TUDO:
“A sabedoria é melhor do que os apetrechos para a peleja.”
Jeová Deus, o personagem supremo do universo, visto que nem mesmo o menor crime acontece sem o seu conhecimento, é capaz de fazer uma apuração precisa dos crimes como base para ajustar contas com os malfeitores. Mas fará realmente isto? Está destinada a continuar a aumentar indefinidamente a atual onda crescente de crime e violência, ou trará Deus o alívio que a humanidade necessita? Para obter a resposta, leia o artigo “Podem o Crime e a Violência Vir a Ser Eliminados?”, nas páginas 28 e 29.
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