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‘Devíeis ser instrutores’A Sentinela — 1985 | 1.° de julho
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‘Devíeis ser instrutores’
‘O escravo do Senhor precisa ser qualificado para ensinar.’ — 2 Timóteo 2:24.
1, 2. Em que sentido notável devem os cristãos imitar a Jesus?
NUM dia de primavera (no hemisfério setentrional) em 31 EC, Jesus proferiu um discurso ao ar livre a uma grande multidão mista que se reunira para ouvi-lo ensinar. Falou sem a ajuda de modernos microfones, mas valeu-se da acústica natural da encosta duma montanha para fazer-se ouvir. E o que disse foi surpreendente. Depois que terminou de falar, seus ouvintes concordaram que nunca antes ouviram algo como aquilo. O registro nos diz: “As multidões ficaram assombradas com o seu modo de ensinar.” (Mateus 7:28) Nesta e em muitas outras ocasiões, Jesus demonstrou ser verdadeiramente instrutor por excelência.
2 Ademais, disse aos seus seguidores que eles também seriam instrutores. Disse: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações . . . ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei.” (Mateus 28:19, 20) O apóstolo Paulo também salientou que os cristãos tinham a responsabilidade de ensinar. ‘Devíeis ser instrutores, em vista do tempo’, disse ele aos cristãos hebreus. (Hebreus 5:12) Disse também a Timóteo: “O escravo do Senhor não precisa lutar, porém, precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar.” — 2 Timóteo 2:24.
3. Em que campos pode o cristão ser convocado a ensinar?
3 Por que tal ênfase ao ensino? Bem, os cristãos precisam saber como ensinar quando pregam de casa em casa e nas ruas, ou quando retornam para visitar e dirigir estudos da Bíblia com pessoas interessadas. Procuram usar todos os seus contatos com outros como oportunidade para ensinar. (Veja João 4:7-15.) Além disso, o ministro cristão precisa ensinar quando dirige a palavra à congregação no Salão do Reino, ou quando dá conselhos em base pessoal. E as mulheres maduras são aconselhadas a ensinar as mulheres mais jovens o “que é bom”. (Tito 2:3-5) Os pais cristãos também procuram criar os filhos “na disciplina e na regulação mental de Jeová” — algo que requer muita arte de ensino. (Efésios 6:4; Deuteronômio 6:6-8) Não é de admirar que o apóstolo Paulo dissesse que o cristão tem de ser “qualificado para ensinar”!
4, 5. Que ajudas temos para nos tornarmos bons instrutores?
4 Mas, ensinar não é fácil. É uma arte. (2 Timóteo 4:2) Como podem os cristãos, dos quais não muitos são “sábios em sentido carnal”, desenvolver essa arte? (1 Coríntios 1:26) Isso pode ser feito somente com a ajuda de Jeová. (Mateus 19:26) Jeová dá sabedoria aos que a pedem. (Tiago 1:5) Seu espírito santo apóia os que buscam fazer a vontade Dele, e Ele nos deu a Bíblia, que é “proveitosa para ensinar”, e capaz de ajudar-nos a estar ‘equipados para toda boa obra’, inclusive ensinar. — 2 Timóteo 3:16, 17.
5 A Bíblia nos ajuda a nos tornarmos melhores instrutores. Ela faz isso especialmente por nos relatar fielmente o ministério de Jesus, cuja arte de ensino causou tanto assombro entre seus contemporâneos. (Marcos 1:22) Se aprendermos o que fez dele tão bom instrutor, poderemos tentar imitá-lo. O fato é que há dois aspectos a considerar na questão do ensino: as próprias qualidades do instrutor e a forma como ele ensina. Vejamos como isso se deu no caso de Jesus, e o que podemos aprender do seu exemplo.
O Instrutor . . .
6. Qual é um dos aspectos do ensino de Jesus que é vital que imitemos? Por quê?
6 Certa ocasião Jesus disse: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” (João 7:16) Noutra ocasião ele disse: “Não faço nada de minha própria iniciativa; mas assim como o Pai me ensinou, estas coisas eu falo.” (João 8:28) Desta forma, Jesus dirigia a atenção para seu Pai celestial. Embora fosse o Messias, seu objetivo era a glorificação do nome de Jeová, não a do seu próprio. (Mateus 6:9; João 17:26) Esta atitude humilde contribuiu para fazer de Jesus um instrutor notável. Os hodiernos instrutores cristãos devem ter humildade similar. Seu objetivo é produzir louvor, não para si mesmos, mas para Jeová qual Autor do que ensinam. Seus estudantes tornam-se assim servos de Deus, não discípulos de algum humano. — Veja Atos 20:30.
7, 8. (a) Que excelente atitude para com a verdade tinha Jesus? (Salmo 119:97) (b) De que modo ter uma atitude similar melhorará nossa arte de ensino?
7 A seguir, considere que Jesus veio com o fim de “dar testemunho da verdade”, e que ele possuía conhecimento cabal do assunto que ensinava. (João 17:17; 18:37) Mesmo aos 12 anos, estava profundamente interessado em assuntos da Bíblia. (Lucas 2:46, 47) Evidentemente, Jesus amava a verdade. (Salmo 40:8) Este profundo entendimento da verdade e amor a esta convenceu Jesus de que outros necessitavam ouvir sua mensagem, e ele estava determinado a ensiná-la da forma mais eficaz possível. — João 1:14; 12:49, 50.
8 Que dizer de nós? É provável que conheçamos bastante sobre a verdade, mas será que a amamos? Gastamos tempo em estudar, a fim de adquirir mais perícia no seu uso? Gostamos de falar dela a outros? Ao passo que o nosso conhecimento da verdade se aprofundar, nosso amor por ela aumentará e o mesmo se dará com o nosso entusiasmo quanto a partilhá-la com outros. O salmista chamou de feliz o homem cujo “agrado é na lei de Jeová, e na sua lei ele lê dia e noite em voz baixa”. Para tal homem, diz a Bíblia, “tudo o que ele fizer será bem sucedido”, e isso inclui o ensino. — Salmo 1:1-3.
9. Que outra qualidade de Jesus contribuía para sua excelente arte de ensino?
9 Entretanto, simplesmente ser entendedor dum assunto não necessariamente fará de nós instrutores peritos. Quando estava na escola, é possível que tivesse um professor que conhecia bem sua matéria, mas era insatisfatório como instrutor. Por que isso? É possível que lhe faltasse uma qualidade que Jesus tinha em abundância: profundo amor e preocupação pelas pessoas. O registro conta-nos sobre certa ocasião: “Vendo as multidões, [Jesus] sentia compaixão delas, porque andavam esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor.” (Mateus 9:36) Ele nunca estava cansado ou ocupado demais para ajudar outros.(João 4:6-26) Era bondoso, gentil e paciente com as fraquezas deles. Queria ajudar. (Lucas 5:12, 13) Hoje, o instrutor cristão necessita dessas mesmas qualidades se também há de ser bem-sucedido.
10. Por que é o bom exemplo parte vital do êxito no ensino?
10 Note também uma quarta coisa que marcou Jesus como instrutor. “Ele não cometeu pecado, nem se achou engano na sua boca.” (1 Pedro 2:22) Ele não fez nada que detraísse do seu ensino. Dá-se o mesmo conosco? Paulo escreveu aos romanos: ‘Tu, pois, que ensinas outro: “Não furtes”, furtas?’ (Romanos 2:21) De modo similar, é o próprio ancião, que ensina à congregação a importância do serviço de campo, ativo no serviço de campo? Será que aquele que profere um discurso que incentiva a leitura da Bíblia possui ele próprio um programa de leitura da Bíblia? Em certas situações, a conduta sozinha pode, sem nenhuma palavra, ‘ganhar’ um opositor. (1 Pedro 3:1) Ações podem falar mais alto do que palavras. Certamente, se nossas ações contradisserem nossas palavras, o estudante notará rapidamente a diferença, e nosso ensino provavelmente será em vão.
11. Que outro aspecto do ensino é considerado aqui?
11 O desejo do instrutor de louvar a Jeová, seu entendimento da verdade e amor a ela, sua preocupação bondosa com outros, e seu bom exemplo são todos partes vitais de se ser bom instrutor. Estudantes sinceros reagem favoravelmente a tais qualidades, mesmo que o instrutor não seja particularmente perito no estilo e nas técnicas de ensino. Não obstante, ensinar é uma arte, e dar atenção a estilos e a técnicas de ensino pode melhorar nosso ensino. Considere alguns dos aspectos técnicos do ensino de Jesus e veja se podem ajudá-lo a tornar-se melhor instrutor.
. . . e Seu Ensino
12. (a) Que aspecto do ensino de Jesus sobressai em Mateus 5:3-12? (b) Como poderia você aplicar este aspecto para melhorar sua própria arte de ensino?
12 Leia os primeiros versículos do Sermão do Monte proferido por Jesus, para sentir o sabor do ensino de Jesus. (Mateus 5:3-12) O que o impressiona imediatamente? Bem, Jesus escolheu cuidadosamente suas palavras. A série de sentenças curtas iniciadas pela frase: “Felizes os . . .” constitui uma introdução memorável. Mas note também: Ele não usou palavras ou sentenças complexas e altissonantes. As verdades expressas são profundas, mas são expressas de forma simples. Aqui está um segredo do ensino eficaz: SIMPLICIDADE. Leia o restante do discurso de Jesus e note alguns outros exemplos de verdades profundas expressas de forma simples e clara. (Mateus 5:23, 24, 31, 32; 6:14; 7:12) Daí, pense em como poderia explicar certas verdades profundas, tais como, talvez, os Tempos dos Gentios, ou por que a Bíblia oferece tanto uma esperança celestial como uma terrestre.
13, 14. De que modo as ilustrações dão vida às palavras de Jesus?
13 Agora, leia Mateus 5:14-16. Jesus incentiva seus ouvintes humildes a divulgar a verdade mediante palavras e ações excelentes. É possível que esta idéia os tenha surpreendido. Naqueles dias os escribas e os fariseus eram encarados como os instrutores da nação judaica. Mas, Jesus ressaltou o ponto de modo a soar bem razoável. Como? Por usar uma ilustração magistral. Aqui está uma ajuda pedagógica valiosa que Jesus utilizava com freqüência: ILUSTRAÇÕES.
14 Por que ilustrações? Porque nossa mente raciocina melhor com o auxílio de ilustrações. E, por se recorrer a coisas familiares, as ilustrações podem facilitar o entendimento de coisas espirituais. Por conseguinte, Jesus comparou Jeová, o Ouvinte de orações, a um pai que provê coisas boas aos seus filhos. A difícil vereda que conduz à vida foi descrita como um portão estreito que dá para uma estrada apertada. Os falsos profetas foram comparados a lobos que se disfarçam de ovelhas, ou a árvores que produzem frutos podres. (Mateus 7:7-11, 13-21) Tais ilustrações da vida real davam vida às palavras de Jesus. Suas lições tornaram-se memoráveis, inesquecíveis.
15. Forneça alguns exemplos de como os cristãos hoje podem usar ilustrações para melhorar seu ensino.
15 Os instrutores cristãos de hoje usam de modo similar ilustrações, a fim de tornar novas idéias mais aceitáveis a outros. Alguns têm ilustrado a irracionalidade da doutrina do inferno de fogo por perguntar o que o ouvinte pensaria dum pai que punisse seu filho desobediente por colocar a mão dele no fogo. A verdade de que relativamente poucos da humanidade vão para o céu, ao passo que a maioria possui a esperança de viver para sempre na terra, pode ser ilustrada por uma nação em que apenas alguns fazem parte do governo, ao passo que a maioria desfruta os benefícios desse governo. Mas, geralmente a ilustração deve basear-se em coisas com as quais o ouvinte esteja familiarizado. Não deve requerer uma longa explicação, ou ser tão longa que obscureça o ponto em consideração.
16. Que tipo de ilustrações são especialmente vívidas?
16 Não se esqueça de que as ilustrações também podem ser visuais. Quando se perguntou a Jesus se era correto pagar os impostos a César, ele pediu que lhe mostrassem uma moeda, um denário, e usou-a para ilustrar sua resposta. (Mateus 22:17-22) Ao salientar a necessidade de se ser humilde, ele ilustrou o ponto por chamar a si uma criancinha. (Mateus 18:1-6) E, ao falar de completa devoção, apontou para uma viúva real que estava dando seu tudo — duas moedas de pequeno valor — ao tesouro do templo. (Marcos 12:41-44) De modo similar, alguns oradores nas reuniões cristãs, no Salão do Reino acham muito útil usar quadros-negros, gravuras, gráficos e slides, ao passo que nos estudos bíblicos domiciliares as ilustrações impressas ou outras ajudas podem ser usadas. As ilustrações visuais são muito mais eficazes do que meras palavras.
17. Cite outro método de ensino que Jesus usava com muita freqüência.
17 Por fim, leia como Jesus lidou com os fariseus na ocasião relatada em Mateus 12:10-12. Note a perícia com que ele respondeu a uma pergunta bem capciosa. Sim, usou uma ilustração, mas notou como ele a fraseou? Na forma de pergunta. Habilmente orientou assim seus ouvintes a encarar o Sábado de forma mais equilibrada. Portanto, PERGUNTAS são uma ajuda pedagógica adicional de inestimável valor que Jesus utilizava. Note como Jesus usava perguntas para fazer seus ouvintes pararem e pensarem, e para forçar os opositores a reconsiderarem sua posição. — Mateus 17:24-27; 21:23-27; 22:41-46.
18. Forneça alguns exemplos de como os cristãos hoje podem fazer uso de perguntas em palestras doutrinárias.
18 Os cristãos hoje podem, de modo similar, usar perguntas. Assim, quando um trinitarista usa Mateus 28:18, visando provar que Jesus, é todo-poderoso, e, portanto, igual a Deus, instrutores experientes acham conveniente usar perguntas para ajudá-lo a raciocinar. Talvez pudéssemos perguntar: ‘Se toda a autoridade foi dada a Jesus, conforme diz o versículo, quem a deu a ele? E qual era a posição de Jesus antes de esta lhe ser dada?’ Deste modo o trinitarista será ajudado a encarar esse texto sob uma nova luz. De modo similar, alguém que crê no inferno de fogo poderá usar a parábola do rico e de Lázaro para tentar provar que o inferno ardente existe. (Lucas 16:19-31) Perguntas tais como as seguintes poderão ajudá-lo: Para onde foi o pobre quando morreu? Se foi para o céu, significa isso que todos no céu estão junto ao seio de Abraão? Ademais, o que estava Abraão fazendo lá, uma vez que Jesus disse que até o Seu tempo nenhum homem havia ascendido ao céu? (João 3:13) Tais perguntas ajudariam a mostrar que a condição do homem pobre após a morte, conforme descrita na parábola, deve ser simbólica. Portanto, a condição do homem rico após a ‘morte’ também era simbólica e não deveria ser entendida de modo literal — especialmente em vista do que outros textos falam sobre o inferno. — Eclesiastes 9:10.a
19. Por que são as perguntas tão valiosas em todos os campos do ensino?
19 As perguntas fazem do estudante um participante no processo de ensino. Até mesmo perguntas de retórica (em que o orador não espera que seus ouvintes respondam) estimulam o raciocínio do ouvinte. Observe como Jesus usou perguntas de retórica em Mateus 11:7-11. As perguntas também têm outra utilidade. Muitas vezes, antes de podermos ajudar a uma pessoa, temos de saber o que ela pensa. Visto que, diferentes de Jesus, não podemos ler o coração das pessoas, só existe uma forma de obtermos esta informação: fazer perguntas ponderadas. — Provérbios 18:13; 20:5.
20. Quais serão as recompensas se ‘prestarmos constante atenção a nós e ao nosso ensino’? (1 Timóteo 4:16)
20 Sim, ensinar é uma arte. Para cultivá-la, o instrutor precisa desenvolver certas qualidades em si mesmo e esforçar-se a aprender como ensinar. Não é fácil, mas pode ser cultivada. Contudo, ser cristão é ser instrutor. O cumprimento de tantas obrigações cristãs envolve o ensino. Portanto, faremos bem em aplicar o conselho de Paulo: “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino.” É verdade que alguns, por natureza, têm mais dom para isso do que outros. Mas, todos podem instruir com êxito se se esforçarem e buscarem a ajuda de Jeová. Se fizerem isso, as recompensas serão incalculáveis. Conforme Paulo prosseguiu dizendo: “Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.” — 1 Timóteo 4:16.
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Encaminhe os novos à organização de DeusA Sentinela — 1985 | 1.° de julho
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Encaminhe os novos à organização de Deus
“Tende amor à associação inteira dos irmãos.” — 1 Pedro 2:17.
1, 2. Que coisas além de doutrinas transmitem os instrutores cristãos?
A TAREFA do instrutor é transmitir fatos. Mas, o bom instrutor faz mais do que isso. Ele transmite valores, ajuda o estudante a ver a importância do que está aprendendo e indica-lhe a melhor forma de usá-lo. Isto se dá especialmente com o instrutor cristão. É verdade que ele tem de transmitir “a verdade de Deus”. (Romanos 1:25) Mas isso envolve mais do que mero conhecimento doutrinário. A Bíblia incentiva ensinar o temor de Jeová, bem como as qualidades da bondade e da sensatez. — Salmo 34:11, 119:66.
2 Jesus mencionou assuntos adicionais que têm de ser ensinados: “Fazei discípulos de pessoas de todas as nações . . . ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei.” (Mateus 28:19, 20) ‘Todas as coisas ordenadas’ incluem a participação na obra mundial de pregação que foi profetizada para os nossos dias. (Mateus 24:14) E há algo mais que devemos transmitir aos nossos estudantes da Bíblia. O que é? Para descobrir a resposta, considere o ministério do apóstolo Paulo e observe algo que se destacava no ensino dele.
Paulo Qual Organizador
3. Como procedeu Paulo ao ensinar recém-interessados em Corinto?
3 Durante sua primeira visita a Corinto, o apóstolo Paulo encontrou muitos ouvidos atentos, apesar da oposição por parte da comunidade judaica. Todavia, Paulo não ensinou esses recém-interessados meramente em base individual. Lemos: “Saiu [da sinagoga judaica] e entrou na casa dum homem de nome Tício Justo, adorador de Deus, cuja casa era contígua à sinagoga.” (Atos 18:7) Aquela casa tornou-se o local para os novos discípulos se reunirem e adorarem juntos. Logo Paulo organizou-os como congregação. — 1 Coríntios 1:2.
4. O que surgiu logo em Éfeso depois que Paulo começara a ensinar ali?
4 Mais tarde Paulo viajou a Éfeso, onde ocorreu algo similar. Ele ensinava pessoas interessadas individualmente, “de casa em casa”. (Atos 20:20) Mas, também fez prontamente arranjos para que os novos discípulos pudessem associar-se. “Separou deles [dos judeus] os discípulos, proferindo diariamente discursos no auditório da escola de Tirano.” (Atos 19:9) Logo este grupo de cristãos também estava organizado como congregação, com anciãos designados. — Atos 20:17, 18.
5. O que faziam os primitivos instrutores cristãos com os novos tão logo fosse possível?
5 Está claro que quando novos aceitavam a verdade no primeiro século, não ficavam entregues a si mesmos. Eram reunidos em congregações. Estes se alegravam de receber incentivos da parte do corpo governante daquele tempo. Irmãos maduros, tais como Paulo e Barnabé, devotaram muito tempo a ensinar nessas congregações recém-formadas e a ‘declarar, também com muitos outros, as boas novas da palavra de Jeová’. (Atos 15:30-35) Por que isso? Por que não foram os novos deixados entregues a si mesmos, dependendo de sua consciência recém-treinada para orientá-los a fazer o que é correto?
Por Que Congregações?
6. Por que foram os primitivos cristãos organizados em congregações?
6 Há muitas razões, algumas das quais mencionaremos aqui. Para começar, quando alguém se tornava cristão, deixava de ter muito em comum com o mundo em volta dele. (João 17:14, 15) Se fosse deixado isolado, entregue a si mesmo, isto constituiria uma situação bem solitária. Entretanto, se ele se associasse com concristãos na congregação local, seria fortalecido por eles de modo a manter sua separação. Ademais, Jesus disse que seus seguidores seriam “um”. (João 17:11) Essa união era vista especialmente nas congregações. Jesus disse também: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) Para os cristãos demonstrarem esse amor de tal forma que servisse de sinal para os de fora, teriam de viver em comunidades. Essas comunidades eram as congregações cristãs locais, nas quais os cristãos vigiavam o bem-estar espiritual e físico uns dos outros. (Filipenses 2:4) Por exemplo, as medidas de ajuda para as viúvas, que Paulo considerou com Timóteo, eram evidentemente organizadas mediante as congregações. — 1 Timóteo 5:3-10.
7. (a) Em que implicam as palavras de Paulo em Hebreus 10:24, 25? (b) Qual era o papel das congregações cristãs do primeiro século na obra de pregação?
7 Portanto, as palavras de Paulo eram um encorajamento direto para que se apoiasse a congregação cristã, quando disse: “Consideremo-nos uns aos outros para nos estimularmos ao amor e a obras excelentes, não deixando de nos ajuntar, como é costume de alguns, mas encorajando-nos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes chegar o dia.” (Hebreus 10:24, 25) Além disso, a pregação das boas novas do Reino, que foi realizada de forma tão notável no primeiro século, foi evidentemente feita de maneira organizada mediante as congregações. (Romanos 10:11-15) Assim, o espírito santo orientou os anciãos da congregação de Antioquia a enviar Paulo e Barnabé quais missionários a territórios não designados, e Paulo sujeitou-se à autoridade dos anciãos da congregação de Jerusalém quanto a orientá-lo sobre onde deveria pregar. — Atos 13:1-3; Gálatas 2:8-10.
As Congregações Locais Hoje
8, 9. Por que motivos nós também devemos encaminhar as pessoas interessadas à congregação local?
8 O que podemos aprender hoje desse fundo histórico? Que nós também devemos encaminhar os recém-interessados à congregação cristã local. Hoje, assim como nos dias de Paulo, o cristianismo não é uma religião de isolacionistas. “Quem se isola procurará o seu próprio desejo egoísta”, adverte o livro de Provérbios. (Provérbios 18:1) Por outro lado, “quem anda com pessoas sábias tornar-se-á sábio”. (Provérbios 13:20) Os novos necessitam do apoio espiritual, moral e emocional que a congregação cristã oferece. Precisam sentir o amor dos concristãos, os serviços dos anciãos e a agradável união que faz de ser cristão uma experiência tão alegre e sem igual. — Salmo 133:1.
9 Também hoje, a pregação mundial das boas novas do Reino está sendo realizada de forma organizada na maior parte mediante as congregações cristãs locais. (Mateus 24:14) Portanto, quando ensinamos aos novos sobre sua obrigação de participar nesse trabalho, temos de encaminhá-los à congregação local e mostrar-lhes como cooperar com esta.
Fraternidade Internacional
10. Mencione alguns textos que indiquem a unidade internacional dos cristãos do primeiro século.
10 Todavia, o apóstolo Paulo introduzia os novos em mais do que simplesmente uma congregação local. Ele disse o seguinte aos efésios: “Há um só corpo e um só espírito, assim como também fostes chamados em uma só esperança a que fostes chamados.” (Efésios 4:4) Havia um só “corpo” em todo o mundo, não diversas congregações espalhadas e localmente independentes. Jesus se referia também aos membros vivos deste “corpo” na terra quando falou dum “escravo fiel e discreto”, autorizado a ‘alimentar’ os “domésticos”. (Mateus 24:45-47) Os cristãos em todo o mundo teriam de reconhecer a autoridade deste “escravo” se é que haveriam de ser ‘alimentados’ por ele. Isto resultaria numa associação internacional de cristãos.
11. (a) De que chamou Pedro este organização internacional de cristãos? (b) Que arranjo mantinha a unidade doutrinal dos cristãos do primeiro século? Como demonstrou Paulo que aceitava este arranjo?
11 Portanto, o apóstolo Pedro chamou todos os cristãos dos seus dias de “associação inteira dos irmãos”. (1 Pedro 2:17) Constituíam uma “associação” internacional (em grego, adelfotés, “fraternidade”). Novos tornavam-se parte, não só da congregação local, mas desta inteira fraternidade internacional. As congregações estavam em contato umas com as outras. (Colossenses 4:15, 16) Quando havia questões doutrinárias, os cristãos não tomavam suas próprias decisões. Para obterem uma resposta oficial, recorriam aos anciãos da congregação de Jerusalém, que serviam como corpo governante mundial naqueles dias. (Atos 15:2, 6-22) O próprio apóstolo Paulo reconheceu a autoridade doutrinal daquele corpo. Embora tivesse recebido a verdade mediante uma Revelação especial da parte de Jesus Cristo, não obstante, viajou a Jerusalém e explicou-lhes as boas novas que estava pregando, ‘com receio de que de algum modo estivesse correndo ou tivesse corrido em vão’. — Gálatas 1:11, 12; 2:1, 2, 7-10.
12. Que outras práticas uniam mais estreitamente a “associação inteira dos irmãos”?
12 Para manter a unidade de pensamento e de ação da “associação inteira” dos irmãos, ministros viajantes, tais como Timóteo, Tito e Epafrodito, foram enviados a fim de visitar e edificar os irmãos, e cartas tais como as de Paulo, Pedro, Tiago, João e Judas circulavam entre eles. Devido à existência de tal fraternidade é que cristãos mais ricos em outras terras ficaram sabendo da necessidade de seus irmãos na Judéia durante um tempo de dificuldades, e Paulo pôde — mediante as congregações — organizar as medidas de socorro para os necessitados. (1 Coríntios 16:1-4) Cristãos individuais também eram encorajados quando ouviam relatórios da perseverança e da fé ‘da associação inteira de seus irmãos no mundo’. — 1 Pedro 5:9.
Encaminhe Novos à “Associação Inteira”
13. Quais são algumas similaridades entre a “associação inteira dos irmãos” em todo o mundo do primeiro século e a de hoje?
13 Existe hoje similar “associação inteira dos irmãos”? Sim, existe. “O escravo fiel e discreto” ainda existe e ainda tem a responsabilidade de ‘alimentar’ os “domésticos”. (Mateus 24:45-47) Assim como nos dias de Paulo, há um Corpo Governante que representa este “escravo” e dirige a obra mundial de pregação das “boas novas”. A unidade internacional também é fortalecida hoje mediante cartas e publicações impressas procedentes deste Corpo Governante, bem como mediante instrutores maduros que ministram nas congregações. Portanto, quando alguém aprende a verdade, ele aprende a fazer parte da congregação local e também a sentir que faz parte da “associação inteira dos irmãos” em todo o mundo. É responsabilidade do instrutor cristão ajudar seu estudante da Bíblia a fazer isso. Como pode ele fazê-lo?
Ajudar Outros a Amar a “Associação Inteira”
14. Que maneiras achou eficazes para falar aos estudantes da Bíblia sobre a congregação local e também sobre a organização internacional do povo de Deus?
14 O instrutor cristão pode falar ao seu estudante sobre a congregação e a fraternidade internacional, e daí poderá mostrá-la a ele. Como poderá falar sobre estas? Citamos a seguir algumas maneiras que instrutores experientes acharam eficazes: Tome tempo antes ou após o estudo da Bíblia para falar sobre a congregação e sua importância bíblica, e também sobre “o escravo fiel e discreto” e o modo como este nos serve hoje. Descreva o Salão do Reino e as reuniões. Fale de coisas interessantes que aprendeu nas reuniões. Nas orações antes e após o estudo, mencione a congregação local, bem como a fraternidade internacional.
15. Quais são algumas formas excelentes de mostrar aos interessados a congregação local e a organização internacional?
15 Mas como poderá ele mostrar tais coisas? Aqui vão algumas sugestões que têm dado certo: Assim que for possível, convide outros membros da congregação para acompanhá-lo no estudo, a fim de que o estudante comece a fazer novas amizades o mais rápido possível. É importante que ele entenda logo que seja o que for que ele perder em matéria de amizades no velho sistema de coisas, será mais do que compensado por novas amizades na ‘associação inteira dos irmãos no mundo’. (1 Pedro 5:9; Mateus 19:27-29) Faça uso pleno da brochura As Testemunhas de Jeová no Século Vinte. Esta descreve a moderna organização internacional das Testemunhas de Jeová e possui algumas ilustrações excelentes duma grande assembléia, dum típico Salão do Reino, duma reunião em andamento, da obra de pregação, e assim por diante. Dará ao estudante uma idéia visual do alcance da “associação inteira dos irmãos”. De modo similar, o capítulo 23 do livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, provê uma descrição belamente ilustrada da organização de Deus hoje.
16. (a) O que deveremos fazer com nossos estudantes da Bíblia tão logo for possível? Com que base bíblica? (b) Como podemos tirar proveito da visita do superintendente de circuito ou de distrito para ajudar nossos estudantes de Bíblia a fazer parte do povo de Deus?
16 Lembre-se também de que Paulo organizou reuniões em Éfeso quase assim que encontrou pessoas interessadas.(Atos 19:9, 10) Ele disse à congregação coríntia que quando “qualquer incrédulo ou pessoa comum” entrasse numa reunião cristã bem organizada, “os segredos do seu coração se tornarão manifestos, de modo que se prostrará sobre o seu rosto e adorará a Deus, declarando: ‘Deus está realmente entre vós.’” (1 Coríntios 14:24, 25) De modo similar hoje, quanto mais cedo o estudante começar a se associar com a congregação local, tanto mais cedo ele reconhecerá onde está realmente a verdade. Por este motivo, os instrutores cristãos convidam seus estudantes a assistir às reuniões congregacionais e assembléias maiores o mais cedo possível. Se necessário, fazem um esforço extra para ir à casa de alguém interessado e levá-lo pessoalmente às reuniões. Quando sua congregação é visitada por um hodierno “Tito” ou “Epafrodito”, um superintendente de circuito ou de distrito, certificam-se de que seu estudante da Bíblia seja apresentado a ele e à sua esposa, talvez até convidando os visitantes para participar do estudo bíblico regular.
17. Portanto, qual é uma parte vital da nossa obra de ensinar e fazer discípulos? (Mateus 28:19, 20) De que modo isso beneficia nossos estudantes?
17 A congregação mundial de ungidos de Jeová é “coluna e amparo da verdade”. (1 Timóteo 3:15) Para que os recém-interessados tirem proveito desse “amparo”, precisarão juntar-se às centenas de milhares de mansos que afluem para associar-se com esses ungidos. (Zacarias 8:23) Hoje, esses mansos constituem uma fraternidade internacional de quase três milhões, e a aceitação da verdade inclui a associação com essa fraternidade internacional. Quando os recém-interessados se tornam parte dela, desfrutam de todo o amparo e proteção que esta oferece. Deleitam-se no amor fraternal de seus companheiros cristãos e têm a oportunidade de retribuir com seu amor. (Hebreus 13:1) Isto significa também que se tornam parte duma multidão internacional inúmera que sobreviverá à vindoura grande tribulação para uma eternidade de feliz associação unida. (Revelação 7:9-17) Portanto, ao ensinar doutrinas aos seus estudantes da Bíblia, não se esqueça de encaminhá-los à “associação inteira dos irmãos” e de ensiná-los a amá-la. — 1 Pedro 2:17.
Lembra-se?
◻ O que fez Paulo com os recém-interessados que encontrou em Éfeso e em Corinto?
◻ De que forma beneficiou Paulo assim aos novos?
◻ Além de ensinar doutrinas, a que devemos estar alertas a encaminhar aqueles com quem estudamos a Bíblia?
◻ Quais são algumas maneiras práticas de fazer isso?
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