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O Papa não é infalívelA Sentinela — 1969 | 15 de janeiro
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claro que a afirmação de infalibilidade do Papa é uma patente falsidade destinada a desencaminhar as pessoas que nela confiam. A respeito dos líderes religiosos que enganam outros, declara a Bíblia: “Porque tais homens são falsos apóstolos, trabalhadores fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo.” (2 Cor. 11:13) Conforme Jesus avisou de antemão, há grave perigo em se seguir cegamente a orientação de tais homens. — Mat. 15:14.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1969 | 15 de janeiro
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Perguntas dos Leitores
• Qual é a ação bíblica a tomar quando se espera que o cristão fique de pé ou se curve diante de um juiz ou regente, ou que use alguma forma exaltada de tratamento para com tal pessoa? — H. A., África.
Deus encoraja os cristãos a mostrar respeito aos regentes civis ou às pessoas dotadas de autoridade. Com relação a tais autoridades superiores, o apóstolo Paulo escreveu sob inspiração: “Rendei a todos o que lhes é devido, . . . a quem exigir temor, tal temor; a quem exigir honra, tal honra.” (Rom. 13:1, 7) Paulo também escreveu que se podia fazer intercessão “com respeito a reis e a todos os em altos postos”. (1 Tim. 2:1, 2) A forma costumeira de se esperar que sejam prestados esta honra e este respeito varia de lugar em lugar. Talvez inclua curvar-se perante o regente, prostrar-se ao solo diante dele, levantar-se quando ele entra numa sala ou usar alguma forma especial de tratamento. Em tais casos, o costume local exige que o cristão mostre respeito à posição oficial de tal homem, a seu cargo.
Há precedentes bíblicos para se mostrar certo grau de respeito por se assumir algum porte especial. Jacó se curvou sete vezes ao se encontrar com Esaú. (Gên. 33:3) O patriarca Abraão se curvou perante os nativos pagãos de Canaã, os filhos de Hete. (Gên. 23:7, 12) Quando Jesus estava na terra, ele, como Rei designado de Jeová, permitia que pessoas lhe prestassem homenagem. (Mat. 8:2; 9:18) Visto que tais ações não envolviam real adoração de uma criatura humana, eram permitidas quais demonstrações de respeito. — Êxo. 34:14; Mat. 4:10.
Há também exemplos bíblicos que mostram como se prestava de forma oral a honra às pessoas dotadas de autoridade. Paulo se referiu ao governador romano Festo como “Excelência, Festo”. (Atos 26:25) Tanto os servos de Deus como os pagãos usavam expressões tais como: ‘Que o rei viva por tempo indefinido’, indicando o desejo de que o regente tivesse vida longa. — 1 Reis 1:31; Dan. 3:9.
Não obstante, esta questão de se prestar honra às autoridades humanas tem limites. Os cristãos têm de lembrar-se de que somente Jeová merece a adoração deles. (Êxo. 20:3-5; Sal. 100:3) Uma lei que Jeová destacou há muito é que a adoração não deve ser dada às coisas criadas, inclusive aos humanos, pois isso seria idolatria. Paulo e Barnabé sabiam disso, de maneira que, quando os homens de Listra começaram a tratá-los como deuses, eles lhes imploraram: “Por que estais fazendo estas coisas? Nós também somos humanos, tendo os mesmos padecimentos que vós.” (Atos 14:11-15) Quando prostrar-se diante de humano é feito em atitude de adoração, é errado! Por isso, quando Cornélio fez tal coisa, Pedro não iria permiti-la, e disse: “Levanta-te; eu mesmo também sou homem.” (Atos 10:25, 26) Seria errado realizar atos de adoração até mesmo para com um anjo, conforme indicado a João quando ele se deixou tomar de emoção e estava prestes a perder seu equilíbrio espiritual e adorar um anjo. — Rev. 19:10; 22:8, 9.
Estes exemplos precisam ser retidos na mente quando se trata de dar honra a um chefe tribal, um juiz ou a uma autoridade civil. Biblicamente, seria errado atribuir a tais humanos os poderes de um deus. (Atos 12:22, 23) Quanto a qualquer caso específico, as pessoas envolvidas têm de decidir se o costumeiro respeito ao cargo de alguém dotado de autoridade está sendo exigido, ou se as palavras e ações esperadas equivalem à adoração religiosa ou violam a injunção: “Fugi da idolatria.” (1 Cor. 10:14) Se certo regente não estiver nem sequer presente e forem exigidas palavras ou atos de adulação quando apenas sua fotografia é exposta ou para saudar outras pessoas, isso seria idolatrá-lo. — 1 João 5:21.
O proceder dos cristãos primitivos é de interesse neste particular. Como já temos visto, Paulo mostrava o devido respeito a Festo. Também, muito embora o César reinante de modo algum vivesse segundo os princípios cristãos (tendo por volta dessa época assassinado parentes, inclusive sua mãe, e se tornado notoriamente imoral), Paulo respeitou seu cargo e apelou para “César”. — Atos 25:10-12.
Era este respeito típico dos cristãos de então? Sim! O livro The Early Church and the World (A Igreja Primitiva e o Mundo) afirma: “Quando eram levados a julgamento, usualmente argüiam seu caso com cortesia e deferência para com os juízes.” Daí, comentando a respeito dos homens que, no segundo século, escreveram em defesa do Cristianismo, observa: “Sua linguagem é cortês; observam as regras da etiqueta oficial em dar aos Imperadores seus completos títulos honoríficos, e adicionam expressões elogiosas.” — Págs. 108, 109, 258, 259.
Mas, significa isto que os cristãos primitivos podiam fazer tudo que se esperasse deles ao honrarem as autoridades civis? Poderiam, por exemplo, chamar o imperador de Líder, Salvador ou Deus? Poderiam oferecer incenso em favor dele? Não, havia um limite quanto ao ponto a que poderiam chegar. Diz-se-nos: “A expressão normal de lealdade, tanto ao imperador como à Cidade imperial, era queimar incenso ao seu gênio e ao gênio de Roma. O cristão sustentava que tal ação era prestar adoração a deuses ou a divindades que ele não reconhecia.”a O que fariam os cristãos quando se lhes exigisse que oferecessem sacrifícios ao imperador, passando dos limites, por assim dizer, do respeito para a adoração religiosa? Responde a História: “Os cristãos recusavam-se a . . . sacrificar ao gênio do imperador. . . . Era também explicado cuidadosamente ao [cristão] que ele não adorava o imperador; simplesmente reconhecia o caráter divino do imperador qual chefe do estado romano. Ainda assim, quase nenhum cristão aproveitava a oportunidade para escapar.”b
De maneira que os cristãos primitivos recusavam-se a atribuir a um regente humano os poderes de um deus ou a realizar atos religiosos de adoração para com uma autoridade civil, mas, estavam dispostos a render-lhe a devida honra. Todavia, em alguns aspectos deste assunto, entra em cena a consciência. Até mesmo quando se reconhece que curvar-se perante um regente é apenas uma forma local comum de respeito pela sua posição e não um ato de adoração, alguns cristãos talvez declinem de tomar parte nisso. Ou, alguns talvez se sintam obrigados a evitar usar certas expressões costumeiras de honra com relação a um regente específico por causa de suas ações, ainda assim, esforçam-se de ser cidadãos pacíficos e acatadores da lei. O respeito que outros têm para com a conduta excelente deles, e seu próprio tato, talvez habilite os cristãos a seguir os ditames de sua consciência sem interferência. (Atos 24:16) Mas, se isto não ocorrer, então estariam dispostos a aceitar as conseqüências de sua decisão. — 1 Ped. 2:19.
Um ponto final que merece breve comentário neste contexto é a importância da posição bíblica de neutralidade. Às vezes as pessoas que poderiam fazer, em sã consciência, uma expressão oral de respeito a uma autoridade civil são instadas a participar no brado de lemas políticos ou em cantar cânticos patrióticos. Fazer isso equivaleria a tomar lados nos assuntos políticos das nações. Poderia um cristão fazê-lo, visto que Jesus disse que os verdadeiros adoradores “não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo”? (João 17:16) Se a pessoa recusasse participar em tais atividades, talvez sofra oposição de modo temporário, mas, aconselhou o apóstolo Pedro: “É melhor sofrerdes por fazer o bem, se for a vontade de Deus, do que por fazer o mal.” — 1 Ped. 3:17.
Em todos esses assuntos, os cristãos desejam pensar primeiro em manter aceitável sua adoração e em manter a aprovação de Deus. Guiando sua vida de modo a cumprir tal vontade resultará em seu bem eterno, como resultou para Jesus, que disse: “No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” — João 16:33.
• Casou-se alguma vez o apóstolo Paulo? — L. B. E.U.A.
A Bíblia não comenta diretamente sobre isto; embora, pelas coisas que Paulo escreveu, parece ser possível que fosse viúvo durante seus anos qual cristão.
Uma base para esta conclusão é a forma de se expressar ao defender seu apostolado quando escrevia aos coríntios. Indicou que tinha certos direitos que não utilizava. Por um lado, não aceitou a ajuda financeira pessoal deles, muito embora tivesse o direito de comer às custas deles. (1 Cor. 9:4, 11-15) Semelhantemente, escreveu: “Temos autoridade para levar conosco uma irmã como esposa, assim como os demais apóstolos.” (1 Cor. 9:5) Ter ele mencionado isto ao delinear as coisas a que tinha direito mas que não utilizava, indica que evidentemente não possuía esposa naquele tempo.
Quanto a se concluir que era viúvo, observe a sua expressão em 1 Coríntios 7:8: “Digo . . . aos não casados e às viúvas, que é bom que permaneçam assim como eu.” Acabara de oferecer
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