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SábadoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Havia uma diferença nas exigências para o sábado semanal, regular, e os sábados ou “santos congressos” que estavam ligados às festividades. (Lev. 23:2) Nos sábados semanais, nenhuma atividade de qualquer espécie podia ser feita (exceto no santuário), laboriosa ou não. Até mesmo juntar lenha ou acender uma fogueira era proibido. (Núm. 15:32-36; Êxo. 35:3) O Dia da Expiação era, igualmente, uma ocasião de descanso de toda sorte de trabalho. (Lev. 16:29-31; 23:28-31) No entanto, nos dias de santo congresso das festividades, não se podia empenhar em nenhuma obra laboriosa, nenhum comércio ou nenhuma atividade comercial, mas o cozinhar, e os preparativos para a festividade, etc., eram permitidos. — Êxo. 12:16; Lev. 23:7, 8, 21, 35, 36.
Às vezes, dois sábados legais caíam no mesmo período de vinte e quatro horas, e isto era chamado de “grande” sábado, como quando o dia 15 de nisã (um dia sabático) coincidia com o sábado regular. — João 19:31.
OS BENEFÍCIOS E A IMPORTÂNCIA DO SÁBADO
A desistência de toda labuta e a observância de outros requisitos sabáticos, dados por Deus, não só propiciavam o repouso para o corpo, porém — o que era mais importante — forneciam a oportunidade para o indivíduo demonstrar sua fé e obediência pela observância do sábado. Forneciam aos pais a oportunidade de inculcar as leis e os mandamentos de Deus na mente e no coração de seus filhos. (Deut. 6:4-9) O sábado era costumeiramente ocupado na assimilação de conhecimento de Deus, e no cuidado das necessidades espirituais, conforme indicado pela resposta do marido da sunamita quando ela lhe solicitou permissão para ir ver Eliseu, o homem de Deus: “Por que vais a ele hoje? Não é lua nova nem sábado.” (2 Reis 4:22, 23) E os levitas que estavam espalhados por toda a terra sem dúvida tiravam proveito do sábado para ensinar a Lei ao povo de Israel. — Deut. 33:8, 10; Lev. 10:11.
Era importante que os israelitas singulares se lembrassem de guardar o sábado, porque a sua violação era tida como rebelião contra Jeová e era punida com a morte. (Êxo. 31:14, 15; Núm. 15:32-36) O mesmo princípio se aplicava à nação. Sua guarda do inteiro sistema sabático, de dias e de anos, de todo o coração, constituía um fator vital de sua continuada existência como nação, em sua terra dada por Deus. Deixarem de honrar as leis sabáticas contribuiu notadamente para a sua queda e para a desolação da terra de Judá por setenta anos, para compensar os sábados violados. — Lev. 26:31-35; 2 Crô. 36:20, 21.
AS RESTRIÇÕES SABÁTICAS RABÍNICAS
O sábado foi originalmente tencionado para ser uma ocasião jubilosa, espiritualmente edificante. Mas, em seu zelo de distinguir-se dos gentios tanto quanto possível, os líderes religiosos judeus, especialmente depois de sua volta do exílio babilônico, gradualmente o tornaram uma carga, por aumentarem grandemente as restrições sabáticas para trinta e nove, havendo inumeráveis restrições menores. Estas, quando compiladas, enchiam dois grandes volumes. À guisa de exemplo, pegar uma pulga era proibido como caça. O sofredor não podia receber alívio, a menos que corresse risco de vida. Não se podia encanar um osso fraturado, nem enfaixar uma entorse. Estes lideres religiosos judaicos invalidavam o verdadeiro objetivo do sábado, pois faziam com que o povo se tornasse escravo da tradição, em vez de fazerem com que o sábado servisse aos homens, para a honra de Deus. (Mat. 15:3, 6; 23:2-4; Mar. 2:27) Quando os discípulos de Jesus colheram cereal e o esfregaram em suas mãos para comê-lo, foram evidentemente acusados em dois aspectos, a saber, de realizarem uma colheita e uma debulha no sábado. (Luc. 6:1, 2) Os rabinos tinham um ditado: “Os pecados de todo aquele que observa estritamente toda lei do Sábado, embora seja um adorador de ídolos, são perdoados.”
NÃO É OBRIGATÓRIO PARA OS CRISTÃOS
Jesus, sendo judeu sob a Lei, guardou o sábado conforme orientava a Palavra de Deus (e não os fariseus). Ele sabia que era lícito fazer coisas excelentes no sábado. (Mat. 12:12) Não obstante, os inspirados escritos cristãos declaram que “Cristo é o fim da Lei” (Rom. 10:4), o que resulta em os cristãos serem “exonerados da Lei”. (Rom. 7:6) Nem Jesus nem seus discípulos fizeram qualquer diferenciação entre as chamadas leis “morais” e as “cerimoniais”. Eles citaram outras partes da Lei, bem como os Dez Mandamentos, e os consideraram como tendo igual validez para os que estavam sob a Lei. (Mat. 5:21-48; 22:37-40; Rom. 13:8-10; Tia. 2:10, 11) As Escrituras declaram expressamente que o sacrifício de Cristo “aboliu . . . a Lei de mandamentos, consistindo em decretos”, e que Deus “apagou o documento manuscrito que era contra nós, que consistia em decretos . . . e Ele o tirou do caminho por pregá-lo na estaca de tortura”. Foi a completa Lei mosaica que foi ‘abolida’, ‘apagada’, ‘tirada do caminho’. (Efé. 2:13-15; Col. 2:13, 14) Por conseguinte, o inteiro sistema de sábados, fossem eles dias ou anos, foi levado ao seu término, junto com o restante da Lei, pelo sacrifício de Cristo Jesus. Isto explica por que os cristãos podem avaliar “um dia como todos os outros”, quer seja sábado, quer qualquer outro dia, sem receio de ser julgado por outrem. (Rom. 14:4-6; Col. 2:16) Paulo teceu a seguinte observação a respeito dos que escrupulosamente guardavam “dias, e meses, e épocas, e anos”: “Temo por vós, que de algum modo eu tenha labutado em vão com respeito a vós.” — Gál. 4:10, 11.
Depois da morte de Jesus, seus apóstolos em nenhuma ocasião ordenaram a guarda do sábado. O sábado não foi incluído como requisito cristão em Atos 15:28, 29, ou posteriormente. Nem instituíram um novo sábado, um “dia do Senhor”. Muito embora Jesus fosse ressuscitado no dia que agora é chamado de domingo, em parte alguma a Bíblia indica que este dia de sua ressurreição devia ser comemorado como um “novo” sábado, ou de qualquer outro modo. Alguns têm recorrido a 1 Coríntios 16:2 e Atos 20:7 como base para observar-se o domingo como um sábado. No entanto, o primeiro texto indica simplesmente que Paulo instruiu os cristãos a pôr de lado, em suas casas, para os irmãos carentes de Jerusalém, uma certa quantia, a cada primeiro dia da semana. O dinheiro não devia ser entregue em seu local de reuniões, mas devia ser retido até a chegada de Paulo. Quanto ao último texto, era somente lógico que Paulo se reunisse com seus irmãos em Trôade no primeiro dia da semana, visto que partiria logo no dia seguinte.
Do precedente, torna-se claro que a guarda literal dos dias de sábado e dos anos sabáticos não fazia parte do cristianismo do primeiro século. Tertuliano, um escritor cristão de perto do início do terceiro século, comentou: “Nada temos que ver com os sábados, as luas novas, e as festas em que Deus, certa vez, se agradava.” (De Idolatria, c. 4, sec. 4; c. 14) Não foi senão em 321 EC que Constantino decretou que o domingo (latim: dies Solis, um velho título associado com a astrologia e a adoração do sol, e não Sabbatum [sábado] ou dies Domini [dia do Senhor]) fosse um dia de descanso para todos, exceto os lavradores. De acordo com tal decreto, a escolha do primeiro dia da semana, feita por Constantino, foi, pelo menos em parte, motivada pelo seu ódio aos judeus e à identidade deles: “Que não tenhamos nada em comum com a ralé muitíssimo hostil dos judeus.”
O GRANDE DIA DE DESCANSO DE DEUS
O apóstolo Paulo mostra em Hebreus, capítulos 3 e 4, que o dia de descanso ou sábado do próprio Deus, mencionado em Gênesis 2:2, 3 e em Salmo 95:7-11, é um descanso de continuidade ininterrupta em que os judeus, no deserto, não puderam entrar pela falta de fé e pela desobediência. (Heb. 3:18, 19; Núm. 14:28-35) Aqueles que realmente entraram na Terra Prometida, sob Josué, experimentaram um descanso, mas não o pleno descanso a ser usufruído sob o Messias. Era apenas típico ou uma sombra da realidade. (Heb. 4:8; 1 Cor. 10:11; Heb. 10:1) Por conseguinte, Paulo continua, resta ainda um sábado (o qual, nos dias dele, já existia por mais de 4.000 anos, e agora, nesta ocasião do século XX, tem c. 6.000 anos) “para o povo de Deus” (Heb. 4:9) que é obediente e exerce fé em Cristo, desta forma usufruindo o verdadeiro sábado — o descanso de suas próprias obras egoístas ou obras de justificação própria. (Compare com Romanos 9:31, 32; 10:3; Hebreus 6:1; 9:14.) Os homens entravam no sábado de Deus nos dias de Paulo, e a oportunidade permanece aberta até agora. — Heb. 4:3, 6, 10.
O SÁBADO MILENAR
Seguir-se o padrão sabático de santificar a sétima parte faria dos últimos 1.000 anos do descanso de Deus, de 7.000 anos, um grandioso dia sabático, ou sábado, no âmbito do sábado de 7.000 anos. É interessante que Revelação 20:1-6 afirma que Satanás é acorrentado “por mil anos”, de modo que as nações da terra não sejam desencaminhadas enquanto Cristo Jesus — que era o “Senhor do sábado” quando estava na terra e o é agora no céu — reina qual Rei. Que descanso! As obras miraculosas que ele realizou na terra durante sua primeira presença, muitas das quais no sábado, evidentemente mostram o que ele fará como “Senhor do sábado” para soerguer a humanidade à perfeição espiritual e física. (2 Ped. 3:8; Mat. 12:8; 1 Cor. 15:25-28; Luc. 13:10-17; Rev. 21:1-4) Assim, o sábado literal é “sombra das coisas vindouras, mas a realidade pertence ao Cristo”. — Col. 2:16, 17.
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SABEDORIA
Os termos básicos que significam sabedoria são o hebraico hhokhmáh (verbo, hhakhám) e o grego sophía, com suas formas relacionadas. Há também o termo hebraico tushiyáh, que pode ser traduzido “trabalho eficiente” ou “sabedoria prática”, e os termos gregos phrónimos e phrónesis (de phren, a “mente”), relacionados com “sensatez”, “discrição” ou “sabedoria prática”.
Para o vocábulo hhokhmáh, os Commentaries on the Old Testament (Comentários Sobre o Velho Testamento; O Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, p. 230), de Keil e Delitzsch, fornecem o sentido básico de “solidez, compactação”, e descrevem-no como “conhecimento sólido do que é verdadeiro e certo”. O sentido bíblico de sabedoria, quer expresso pelo termo hebraico hhokhmáh, quer pelo grego sophía, dá ênfase ao são julgamento, baseado em conhecimento e entendimento; à capacidade de utilizar com êxito o conhecimento e o entendimento para equacionar problemas, evitar ou afastar perigos, atingir certos alvos ou aconselhar outros a fazê-lo. “A sabedoria é provada justa [“justificada”] por todos os seus filhos [ou, pelas suas obras].” (Luc. 7:35; Mat. 11:19, Int) É o oposto de tolice, estupidez e loucura, com as quais é amiúde contrastada. — Deut. 32:6; Pro. 11:29; Ecl. 6:8.
A sabedoria subentende assim uma amplitude de conhecimento, e uma profundeza de entendimento, estas suprindo a solidez e a clareza de julgamento características da sabedoria. O sábio ‘entesoura conhecimento’, possui um fundo do qual pode retirá-lo. (Pro. 10:14) Ao passo que “sabedoria é a coisa principal”, o conselho é no sentido de que “com tudo o que adquirires, adquire compreensão [entendimento]”. (Pro. 4:5-7) O entendimento (termo amplo que com freqüência abrange o discernimento e a perspicácia) dá forças à
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