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Por que a religião está envolvidaDespertai! — 1982 | 22 de setembro
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Por que a religião está envolvida
A Religião — Força Para Paz ou Para Guerra?
DIANTE da inegável realidade do envolvimento das religiões na guerra, surge inevitavelmente a pergunta: Por quê? Muitos acham que a culpa não está nas religiões, mas nos que deixam de praticar o que sua religião lhes ensina. Acham que, se mais pessoas aplicassem sua crença religiosa à sua vida diária, a paz seria atingível.
Embora haja certa verdade nisso, não devemos desperceber o fato de que muitos dos que se empenham em guerras religiosas fazem isso com tanto zelo e tanta convicção que deixam envergonhados os soldados de guerras convencionais.
Através dos séculos, o conceito de guerra “santa” ou “legítima” tem tido tremenda influência nos adeptos de muitas religiões. São exemplos destacados disso as Cruzadas da cristandade e, do outro lado, as guerras religiosas dos maometanos. Os promovedores das cruzadas recorriam costumeiramente à Bíblia em apoio de seus argumentos. Mas é reconhecido pelos historiadores que “na Igreja primitiva prevalecia amplamente o conceito de que a guerra é uma iniqüidade organizada com a qual a Igreja e os seguidores de Cristo nada têm que ver”. — Encyclopœdia of Religion and Ethics, de Hastings.
Em tempos posteriores, porém, proeminentes líderes eclesiásticos, como Agostinho e Tomás de Aquino, argumentaram fortemente a favor da guerra “legítima”. “Agostinho (em princípios do quinto século) criou a primeira grande síntese da fé cristã e da prática da guerra”, escreve Robert Culver, professor de teologia, em Christianity Today. Isso “se tornou a norma de todos os principais ramos da igreja desde então até hoje”.
A doutrina de guerra “legítima”, ou “justificada”, parte da premissa de que os dirigentes têm o dever e o poder, conferidos por Deus, de manter a lei e a ordem numa sociedade imperfeita por meio da força — polícia, tribunais, prisões e patíbulos — quando necessário. Sendo assim, então são também justificados quanto a usar o exército, a marinha e qualquer outra coisa para manter a paz e a segurança nacionais quando necessário.
Pode-se ver facilmente por que tal doutrina foi acatada bem favoravelmente pela classe governante. Mas teve também aceitação popular porque aliviava a pessoa comum do fardo de fazer decisões conscienciosas. Tudo o que tal pessoa precisa fazer é seguir o que o Estado lhe ordena. Sua cooperação, de fato, pode fazer com que sinta que está fazendo a vontade de Deus ou que Deus está do seu lado. Não é assim que a bem dizer todo soldado se sente na guerra?
Conceito Errado Sobre o Reino Milenar
“A busca do Milênio, amiúde liderada por uma figura messiânica, tem desencadeado numerosos movimentos revolucionários, muitos dos quais produziram significante inovação política e social”, escreve Gunter Lewy em Religion and Revolution.
Um exemplo especialmente interessante e esclarecedor é o da rebelião dos taipingues, de 1850-64, na China, durante um tempo de opressão estrangeira e corrupção interna. O culto era uma estranha mistura de confucionismo e evangelismo cristão. O líder, Hung Hsiu-chuã, afirmava que, como filho de Deus e irmão de Jesus, ele fora enviado por Deus à terra para estabelecer o Taipingue Tien-kuo, o Reino Celestial de Grande Paz. O movimento penetrou por fim em 16 das 18 províncias, capturou umas 600 cidades e ocupou Nanquim, tornando-a a “capital celestial” na terra. Tem sido chamado “o maior movimento pré-moderno das massas na história”, e com a sua queda perderam-se provavelmente uns 40 milhões de vidas.
Em outros lugares e em outros tempos houve os macabeus e os zelotes do judaísmo, os monges budistas políticos da Birmânia e do Ceilão, os Homens da Quinta Monarquia da Revolução Puritana do século 17 na Inglaterra, os madistas maometanos do Sudão, que levaram ao infame sítio de Cartum — a lista poderia prosseguir indefinidamente.
Os líderes religiosos continuam a pedir a cooperação inter-religiosa a bem da paz mundial. Evidentemente, acham que, se tão-somente puderem solucionar suas diferenças religiosas, a paz será assegurada. Mas, os fatos mostram que são poucas as guerras travadas unicamente por causa de diferenças doutrinais. Antes, elas têm muito a ver com questões sociais, econômicas, territoriais, políticas e numerosas outras. Mas, ao contrário de evitar tais guerras, a religião se envolveu nessas questões e, às mãos de alguns clérigos mal-orientados, infundiu nas multidões de ‘fiéis’ fervor e zelo para pegarem em armas.
Claramente, a religião fracassou em ser uma força para paz. Mas o que dizer da Palavra de Deus, a Bíblia? É ela realmente uma força para a paz?
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A religião verdadeira — uma força para a pazDespertai! — 1982 | 22 de setembro
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A religião verdadeira — uma força para a paz
A Religião — Força Para Paz ou Para Guerra
A Bíblia inspira paz não apenas em palavras. Para os que seguem seus ensinamentos, é uma poderosa força para a paz.
Os primitivos cristãos não só falavam sobre paz, mas eram também conhecidos pela sua firme posição neutra em questões militares e políticas e pelos maus tratos que suportavam em razão disso. “Desde o fim do período do Novo Testamento até a década de 170-180, não há absolutamente nenhuma evidência de cristãos no exército”, escreve o historiador Roland Bainton, da Universidade de Yale, E.U.A. “Está bastante claro que antes de cerca de 174 A.D. é impossível falar de soldados cristãos”, acrescenta Guy Franklin Herschberger.
Que dizer dos nossos dias? É a Bíblia ainda uma força para a paz na vida dos que de todo o coração seguem seus ensinamentos?
Paul Johnson, na sua obra A History of Christianity (História do Cristianismo), escreveu sobre as atividades das igrejas na Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial e disse: “Os mais valentes eram as Testemunhas de Jeová, que proclamavam sua inequívoca oposição doutrinal desde o início e sofreram em conseqüência disso. . . . Muitos foram sentenciados à morte por recusarem prestar serviço militar . . . ou foram levados a Dachau ou a manicômios. Um terço deles foram realmente mortos; noventa e sete por cento sofreram perseguição de uma forma ou outra.”
Mais recentemente, apareceram as seguintes observações num destacado jornal de um país da América do Sul: “Nega-se liberdade de religião a diversos milhares de Testemunhas de Jeová neste país porque sua religião não lhes permite saudar a bandeira nem cantar o hino nacional ou pegar em armas. Em conseqüência disso membros das Testemunhas de Jeová foram presos, queixaram-se de terem sido espancados e de seus filhos terem sido expulsos das escolas, e se lhes negou receber educação escolar.”
Em abril do ano passado, a Gazette de Arkansas, E.U.A., publicou um artigo sobre os refugiados cubanos em Fort Chaffee, Arkansas. Segundo essa, quando se perguntou a um refugiado por que as Testemunhas de Jeová em Cuba eram tratadas como banidos, ele replicou: “Não conheço nenhuma Testemunha em Cuba que estivesse na força militar. . . . Isso não se dá com nenhuma outra religião em Cuba.” Ele disse também que o motivo de as Testemunhas sofrerem tanta dificuldade era “sua posição neutra”.
Benefícios Decorrentes de se Buscar a Paz
O que se conseguiu pela “posição neutra” deles? Alguns podem achar que não lhes trouxe outra coisa senão dificuldades. Entretanto, sua posição firme a favor dos princípios da Bíblia lhes trouxe também reconhecimento e elogios. Eis aqui alguns desses casos:
Um rabino judeu, que sobreviveu aos campos de Sachsenhausen, após ler um relato sobre as Testemunhas de Jeová nos campos nazistas de concentração, escreveu: “O conhecimento de que houve homens e mulheres [Testemunhas de Jeová] que preferiram a morte a sacrificar sua mais profunda fé e suas vividamente sustentadas convicções permanecerá para sempre para mim como uma das experiências verdadeiramente inspiradoras e enobrecedoras de minha vida.”
O Times de Londres publicou uma carta escrita pelo Dr. Bryan Wilson, da Universidade de Oxford, a respeito da neutralidade das Testemunhas de Jeová em Zâmbia e em outros países africanos. Em parte, o Dr. Wilson disse: “As Testemunhas de Jeová acham-se entre os cidadãos mais íntegros e diligentes dos países africanos. Se os valores que endossam e pelos quais vivem tão coerentemente fossem mais amplamente difundidos na África, alguns dos piores problemas sociais que os países africanos enfrentam seriam consideravelmente mitigados.”
A respeito dos refugiados cubanos que eram Testemunhas de Jeová, em Fort Chaffee, a reportagem da Gazette de Arkansas dizia: “Foram os primeiros a serem relocalizados em novos lares porque seus ‘irmãos e irmãs’ americanos — co-Testemunhas de Jeová — os procuraram. . . . Quando as Testemunhas chamam seus correligionários de ‘irmãos e irmãs’, falam de verdade.”
As Testemunhas de Jeová, depositando confiança no reino de Deus, atestam o fato de que a verdadeira religião, baseada na Bíblia, é uma poderosa força para a paz quando seguida coerentemente.
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