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Criticar a religião de outrem — é anticristão?Despertai! — 1975 | 22 de maio
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ouvintes desperceber ‘a palha no olho de seu irmão’ até tirarem a trave de seu próprio olho. (Mat. 7:3-5) O que, porém, queria dizer?
O comentário de Jamieson, Fausset e Brown afirma: “O contexto torna claro que a coisa aqui condenada é aquela disposição de olhar de modo desfavorável para o caráter e as ações dos outros, o que leva invariavelmente ao pronunciamento de juízos duros, injustos e desamorosos contra eles.” E, confirmando que Jesus queria dizer um tipo pessoal de ‘julgar’, o comentarista Albert Barnes afirma que Jesus “refere-se ao julgamento particular . . . e talvez, primariamente, aos hábitos dos escritas e fariseus”. O conselho de Jesus deve ser aplicado por todo cristão em não ser duro ao julgar os hábitos e as preferências pessoais dos outros. (Compare com Romanos 14:1-4, 10.) Assim, em Mateus 7:1-5, Jesus não proibia os comentários francos, baseados na Bíblia, sobre as crenças e práticas de outra religião. Como podemos estar seguros? Observe o exemplo do próprio Jesus.
Em certa ocasião, Jesus falou sobre certos líderes religiosos judeus que prestavam mais atenção às suas tradições do que a seguir os princípios da Palavra de Deus. Evitou Cristo de modo cuidadoso criticar a religião de outrem? Pelo contrário, disse: “Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus. Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías: ‘Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim. Vão é o culto que me prestam. (Mat. 15:6-9, CBC) Qual é sua reação a tais palavras críticas? Talvez ofendam as sensibilidades de alguns. Mas, estava Jesus sendo “anticristão”? Obviamente que não.
Talvez ainda mais direto seja o seu discurso em Mateus, capítulo 23. Chamou os líderes religiosos de “insensatos e cegos”, “guias cegos”, e de “serpentes, raça de víboras”. (Mat. 23:16, 17, 24, 33, Pontifício Instituto Bíblico) Devíamos ficar chocados com tais palavras? De novo, estava Jesus sendo “anticristão”? O sacerdote católico-romano, Bruce Vawter, CM, afirma que este “discurso é um tanto embaraçoso, tanto na extensão como em sua dureza, mas deve ser encarado, tanto como um registro histórico e como parte da mensagem do Evangelho”. — The Four Gospels: An Introduction.
Mas, pergunte a si mesmo: Por que Jesus criticou publicamente os religiosos que afirmavam servir ao mesmo Deus que ele pregava? Eram ruins seus motivos? De jeito nenhum. Embora tivesse temperamento brando e fosse bondoso, seu amor à justiça e seu desejo de ajudar os de coração honesto o moveram a criticar aqueles que ensinavam ou agiam contra a vontade revelada de Deus. — Mat. 11:28-30; Heb. 1:9.
Também, os comentários francos de Jesus podiam ajudar as pessoas. Exemplificando: o que aconteceria se, ao aprender a usar certa máquina perigosa, persistisse em cometer grave erro? Não tiraria proveito se alguém o corrigisse antes que se ferisse ou matasse a si mesmo ou a outros? Assim sendo, os judeus que ouviam a crítica verídica de Jesus podiam ser ajudados no caminho da aprovação e salvação da parte de Deus.
Era somente Cristo que podia corretamente tecer tais comentários? Não, pois a Bíblia aponta meridionalmente que os discípulos de Jesus também trouxeram à atenção o erro religioso. Por exemplo, leia a intrépida denúncia de Estêvão contra os líderes judeus. (Atos 7:51-54) E observe que o apóstolo Paulo chamou a adoração ateniense de ídolos de “ignorância”. (Atos 17:29, 30) Ademais, por amor à verdade, estes cristãos do primeiro século expuseram os desvios do verdadeiro cristianismo por parte dos que professavam ser cristãos. — 1 Tim. 1:19, 20; 2 Tim. 2:16-19.
O que dizer, porém, se vivesse naquele tempo e os seguidores de Jesus criticassem a religião de seus amigos e parentes? Como agora, seria fácil ficar ofendido. Ainda assim, não podemos negar que os comentários dos discípulos — críticos como eram — estavam certos, e foram incluídos na Palavra de Deus. Como no caso de Jesus, o motivo por trás da crítica era bom. Assim, os discípulos estavam sendo cristãos — e não anticristãos — ao apontar o erro religioso.
Por conseguinte, é anticristão hoje oferecer comentários baseados na Bíblia sobre a religião de outrem? A resposta bíblica tem de ser Não. Na verdade, a crítica que revela falhas nos ensinos e nas práticas da religião de outrem talvez de início, pareça severa. Todavia, como deve reagir a pessoa? Não como aqueles que ficaram violentamente enraivecidos com a crítica de Estêvão. Ao invés, observe a excelente reação de alguns atenienses que ouviram os comentários de Paulo. Aceitaram a verdade da Bíblia e tornaram-se crentes, para seu proveito eterno. — Compare com Atos 17:11, 12.
Longe de ser rejeitada como anticristã, então, a crítica baseada na Palavra de Deus deve ser cuidadosamente considerada, pois pode trazer verdadeiros benefícios.
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Observando o MundoDespertai! — 1975 | 22 de maio
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Observando o Mundo
Conferência Mundial de Alimentos — Quão Significativa Foi?
Delegações de alto nível de 130 países reuniram-se em Roma para debater e negociar por 11 dias em novembro de 1974. As esperanças de quase meio bilhão de pessoas que encaram a morte pela fome dependiam do resultado dela.
● “Não deve desapontar a humanidade, declarou o Secretário Geral da Conferência, Sayed Ahmed Marei, pouco antes de ela iniciar. A crise alimentar, disse o diretor de Alimentação e Agricultura da ONU, A. H. Boerma, no dia de abertura, “é o maior escândalo dos nossos tempos”. O Secretário-Geral da ONU, Waldheim, clamou contra “a falta de previsão e de senso de interesse comum” entre as nações, que levou à crise. Materializaram-se as esperanças de atitudes modificadas? Julgue por si mesmo:
● As resoluções que tocavam no âmago do problema enfrentaram cínica descrença. “Não é um empenho fútil?” respondeu um delegado diante duma resolução propondo a redução global de 10 por cento nos gastos militares para financiar a ajuda em alimentos. Mesmo se aprovada, disse, tornar-se-ia de imediato “letra morta”.
● À medida que o delegado de Bangladesh falava da fome em massa que já grassava em seu país, somente cerca de 50 dos mais de 1.000 delegados estavam presentes. Dezenas de outros preferiram o coquetel na sala vizinha. No ínterim, o restaurante dos delegados servia suntuosas iguarias e bebidas importadas durante as sessões. Tinham de comer, queixou-se um deles, mas “alguma expressão, talvez uma lancheira”, seria mais apropriada; “estamos falando de um milhão de pessoas morrendo de fome”.
● Ao terminar a conferência, consumaram-se as esperanças de alívio para aqueles que morrem de fome agora? Disse o diretor da conferência, Marei: “Grande número de pessoas encararão a morte pela fome, apesar de todas as resoluções e decisões.” “Prevaleceu o egoísmo nacional”, observou o representante do México.
● Após a conferência, o Times de Nova Iorque disse, em editorial: “A demonstração de irresponsabilidade, até à data, por parte de tantas nações, em face
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