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Morreu Jesus numa cruz?Despertai! — 1975 | 22 de março
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e morte, viu “o discípulo a quem amava”, o apóstolo João. Jesus confiou-lhe os cuidados de sua mãe, Maria. (João 19:25-30) Assim, João estava lá. Sabia se Jesus morrera ou não numa cruz.
Para designar o instrumento da morte de Cristo, João usou a palavra grega staurós, traduzida “estaca de tortura” na Tradução do Novo Mundo. (João 19:17, 19, 25) No grego clássico, staurós denota a mesma coisa que no grego comum das Escrituras Cristãs — primariamente uma estaca ou poste reto sem barra transversal. Interessante é que John Denham Parsons escreveu no livro The Non-Christian Cross (A Cruz Não-Cristã): “Não existe uma única sentença em qualquer dos inúmeros escritos que formam o Novo Testamento que, no grego original, forneça sequer evidência indireta no sentido de que a stauros usada no caso de Jesus fosse diferente da stauros comum; muito menos no sentido de que consistisse, não de um só pedaço de madeira, mas em dois pedaços pregados juntos em forma de uma cruz.”
O Interpreter’s Dictionary of the Bible declara, com referência a staurós: “Literalmente uma estaca reta, barra, ou poste . . . Como instrumento de execução, a cruz era uma estaca enfiada verticalmente no chão. Não raro, mas de forma alguma sempre, um pedaço horizontal era ligado à porção vertical.” Outra obra de referência afirma: “A palavra grega para cruz, staurós, devidamente significava uma estaca, um poste ereto, ou pedaço de ripa, em que algo podia ser pendurado, ou que poderia ser usado em cercar um pedaço de terreno. . . . Até mesmo entre os romanos a crux (da qual se deriva nossa cruz) parece ter sido originalmente um poste reto, e este sempre permaneceu sendo a parte mais destacada.” — The Imperial Bible-Dictionary.
No livro The Cross and Crucifixion (A Cruz e Crucificação), de Hermann Fulda, diz-se: “Jesus morreu numa simples estaca de morte: Em apoio disto falam (a) o uso então costumeiro deste meio de execução no Oriente, (b) indiretamente a própria história dos sofrimentos de Jesus e (c) muitas expressões dos primitivos padres da igreja.” Fulda também aponta que algumas das ilustrações mais antigas de Jesus pendurado o representam sobre um único poste.
O apóstolo cristão Paulo afirma: “Cristo nos livrou da maldição da Lei por meio duma compra, por se tornar maldição em nosso lugar, porque está escrito: ‘Maldito é todo aquele pendurado num madeiro.’” (Gál. 3:13) Sua citação era de Deuteronômio, que menciona a colocação dum cadáver duma pessoa executada sobre um “madeiro”, e adiciona: “Seu cadáver não deve ficar toda a noite no madeiro; mas deves terminantemente enterrá-lo naquele dia, pois o pendurado é algo amaldiçoado por Deus; e não deves aviltar teu solo.” — Deu. 21:22, 23.
Era tal “madeiro” uma cruz? Não era. Com efeito, os hebreus não possuíam nenhuma palavra para a cruz tradicional. Para designar tal implemento, usavam “urdidura e trama”, aludindo aos fios que corriam ao comprido num tecido e os outros que o cruzavam num tear. Em Deuteronômio 21:22, 23, a palavra hebraica traduzida “madeiro” é ‘ets, significando primariamente uma árvore ou madeira, especificamente um; poste de madeira. Os hebreus não usavam cruzes de execução. A palavra aramaica ‘a, correspondente ao termo hebraico ‘ets, aparece em Esdras 6:11, onde se diz, relativo aos violadores do decreto do rei persa: “Se arranque da sua casa um madeiro (estaca, Centro Bíblico Católico) e ele seja pendurado nele.” Obviamente, um único madeiro não teria barra transversal.
Ao traduzir Deuteronômio 21:22, 23 (“madeiro”) e Esdras 6:11 (“madeiro”) os tradutores da Versão dos Setenta empregaram a palavra grega xy’lon, o mesmo termo empregado por Paulo em Gálatas 3:13. Foi também empregado por Pedro quando disse que Jesus “levou os nossos pecados no seu próprio corpo, no madeiro”. (1 Ped. 2:24) Com efeito, xy’lon é usada várias outras vezes para se referir ao “madeiro” em que Jesus foi pendurado. (Atos 5:30; 10:39; 13:29) Esta palavra grega tem o significado básico de “madeira”. Nada subentende que, no caso do penduramento de Jesus, ela significasse uma estaca com uma barra transversal.
Assim, a evidência pontifica que Jesus não morreu na cruz tradicional. Por isso, as testemunhas de Jeová, que certa vez possuíam uma representação da cruz na capa da frente de sua revista A Sentinela, não usam mais tal símbolo. Nem veneram a estaca. Por certo, o instrumento que causou o sofrimento e a morte de Jesus não merece tal reverência, assim como não merece a forca em que um ente querido talvez tenha sido injustamente morto. Ademais, a Palavra de Deus proíbe tal veneração, pois afirma: “fugi da idolatria” e “guardai-vos dos ídolos”. — 1 Cor. 10:14; 1 João 5:21.
Significa isto que as testemunhas de Jeová pouco se importam com a morte de Jesus Cristo? Não. Sabem que, por meio dela, Deus proveu o resgate que liberta a humanidade crente da escravidão ao pecado e à morte. (1 Tim. 2:5, 6) Estes assuntos são considerados com freqüência em suas reuniões. E, como os cristãos primitivos, comemoram anualmente a morte de Jesus durante a celebração da refeição noturna do Senhor. (1 Cor. 11:23-26) Em todas essas reuniões no Salão do Reino local o leitor será calorosamente recebido.
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Observando o MundoDespertai! — 1975 | 22 de março
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Observando o Mundo
“Não Estamos Preocupados”
◆ Recentes eventos políticos moveram “The National Observer” a entrevistar pessoas em várias cidades dos EUA. Muitas pessoas mostraram-se amarguradas — mas um casal claramente não estava. Afirma a notícia: “Um casal de San Diego [Califórnia], que se identificou apenas como José e Margarida, declinou dizer se tinham opiniões sobre os perdões, a Presidência, ou o futuro da república. ‘Como missionários das Testemunhas de Jeová’, disse José, ‘praticamos a neutralidade total. Somos neutros, não estamos preocupados.’ Ele puxou sua Bíblia e começou a folheá-la. ‘Há um versículo que abrange tudo isso’, disse ele. Sugeriu o Salmo 37 (‘. . . apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá’), e o Salmo 146 (‘. . . não confieis nos nobres’).”
Potencial Nuclear
◆ Agora mesmo há 19 nações, com um total de 149 reatores-nucleares que produzem eletricidade. Poderiam estes ser empregados para fabricar armas nucleares? Antes que o combustível gasto destas usinas possa ser usado em armas, os resíduos radiativos têm de ser separados do plutônio — processo difícil e custoso. Todavia, dez destes países já se recusaram a assinar ou a ratificar tratados que limitam a disseminação das armas nucleares. E, presentemente, 23 outras nações dispõem de usinas sob construção ou planejadas.
Crime na Índia
◆ “A taxa de crimes na Índia ultrapassa sua explosão demográfica”, afirma um artigo do Capitão F. D. Colabavala, no Free Press Journal de Bombaim. Na década de 60, a população aumentou 27,4 por cento, mas o crime ascendeu 56,6 por cento. A delinqüência juvenil, no mesmo período, subiu vertiginosamente quase
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