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CronologiaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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A primeira visita de Paulo a Corinto pode ser datada mediante o proconsulado de Gálio. (Atos 18:1, 11-18) Conforme explicado no verbete GÁLIO, este proconsulado decorreu desde o verão setentrional de 51 até o verão setentrional de 52 E.C. Assim, os 18 meses da atividade de Paulo em Corinto provavelmente começaram no outono set. de 50 E.C., terminando na primavera set. de 52 E.C. Isto é ainda mais confirmado pelo fato de dois dos associados de Paulo em Corinto, Áquila e Priscila, terem chegado ali há pouco da Itália, devido ao edito do imperador Cláudio, para que todos os judeus deixassem Roma. (Atos 18:2) Paulo Orósio, historiador do século V, declara que esta ordem foi dada no 9.° ano de Cláudio, no início de 50 E.C.
Os dois anos que Paulo gastou na prisão em Cesaréia foram durante os dois últimos anos da governança de Félix, Paulo sendo depois disso enviado a Roma por Pórcio Festo, sucessor de Félix. (Atos 21:33; 23:23-35; 24:27) É um tanto incerta a data da ascensão de Festo, a evidência histórica não apresentando pleno acordo. Entretanto, a época mais provável parece reduzir-se aos anos de 57 a 60 E.C., alguns cronologistas modernos mostrando-se favoráveis quer a 59 quer a 60 E.C. De qualquer modo, a chegada subseqüente de Paulo em Roma pode ser situada entre 59 e 61 E.C.
O grande incêndio que consumiu Roma se deu em julho de 64 E.C., sendo seguido pela hedionda perseguição aos cristãos, Nero sendo seu instigador. É provável que o segundo encarceramento de Paulo e sua execução tenham acorrido pouco depois disso. (2 Tim. 1:16; 4:6, 7) Considera-se, em geral, que o exílio de João para a ilha de Patmos se deu durante a reinado do imperador Domiciano. (Rev. 1:9) A perseguição aos cristãos atingiu um ápice durante a regência dele (81-96 E.C.), especialmente nos últimos três anos. O conceito tradicional é de que João foi liberto do exílio depois da morte de Domiciano, e morreu em Éfeso por volta do fim do primeiro século E.C. Assim, ao ter João escrito suas epístolas por volta dessa época, completou-se o cânon da Bíblia, e o período apostólico chegou ao fim.
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CucoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CUCO
[Heb., barburím (plural)]. Tal nome só ocorre uma vez na Bíblia, em 1 Reis 4:23, onde a lista das provisões diárias de alimentos para a corte de Salomão inclui “cucos cevados [barburím]”. (BJ, NM) O nome hebraico, como seu nome em português, é evidentemente imitativo do canto desta ave, visto que se diz que a fêmea tem um canto de som cacarejante, como o da “água borbulhante com entonação gutural”.
O cuco comum e o grande cuco atravessam a Palestina, em sua migração para o N, chegando no início de março. O cuco é um pássaro de tamanho moderado, semelhante a um gaviãozinho, tendo bico ligeiramente arqueado e pontiagudo. A cabeça dele é geralmente cinzenta, as asas longas e pontudas são castanhas, sua longa cauda é arredondada, e o baixo abdome e as coxas são cinzentas ou castanhas, e pintadas ou barradas.
Ao passo que muitos consideram o cuco como sendo um pássaro um tanto pequeno demais para ser usado no cardápio de Salomão, deve-se observar que até mesmo pardais depenados eram vendidos antigamente nos mercados orientais. (Mat. 10:29) Adicionalmente, tais cucos eram “engordados” ou “cevados”, e, a respeito deles, The American Cyclopoedia (Ciclopédia Americana; 1883, Vol. V, p. 557) afirma: “No outono [set.] estão gordinhos e são muito apreciados como alimento; os antigos eram grandes apreciadores deles, e supunha-se que a carne deles tinha valiosas propriedades medicinais.” Sabe-se que os romanos comiam cucos recheados, e diz-se que, até o dia de hoje, os cucos são considerados uma iguaria fina na Itália e na Grécia.
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CuraAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CURA
A restauração da saúde para os doentes; tornar saudável ou inteiro aquilo que foi quebrado ou ferido; a cura de várias doenças e defeitos; fazer uma pessoa retornar ao estado de bem-estar geral. Várias palavras hebraicas e gregas na Bíblia descrevem tal cura, tanto em sentido literal como figurado. Às vezes, a cura era um processo gradual; outras vezes, era instantânea.
Entre as bênçãos que Jeová concedeu a toda a humanidade acha-se o poder regenerador de seu organismo físico, a capacidade do corpo de curar a si mesmo quando ferido ou adoentado. Um médico poderá recomendar certas medidas para apressar a recuperação, mas, em realidade, são os poderes recuperativos, dados por Deus, que há dentro do próprio corpo, que efetuam a cura. Por isso, o salmista Davi reconheceu que, embora ele mesmo nascesse imperfeito, seu Criador podia sustentá-lo durante a enfermidade e curar todas as suas moléstias. (Sal. 51:5; 41:1-3; 103:2-4) Jeová restaurou a saúde física do afligido Jó. (Jó 42:10) Menciona-se a cura física em relação a moléstias tais como a lepra, e a feridas recebidas em batalha. — Êxo. 15:26; Lev. 14:3, 4; 2 Reis 8:29; 9:15.
Sobre Jeová, está escrito que ele tanto fere como cura, e ele faz isso em sentido literal e figurado. Por isso, para Ele há um tempo para ferir e um tempo para curar. (Deut. 32:39; compare com Eclesiastes 3:1, 3.) O infiel Jeorão, rei de Judá, para exemplificar, foi punido por Jeová com um distúrbio intestinal, físico, para o qual não havia cura. (2 Crô. 21:16, 18, 19) Moisés reconheceu que foi Jeová quem afligiu Miriã de lepra, por isso, suplicou ao Único que podia curá-la, dizendo: “Ó Deus, por favor! Sara-a, por favor!” (Núm. 12:10, 13) Na questão de ter filhos, Jeová curou o Rei Abimeleque, a esposa dele e as escravas dele, depois de ter passado a crise que envolvia Sara e o descendente prometido. — Gên. 20:17, 18.
Na Bíblia, o colapso espiritual, ao invés de o físico, e, por sua vez, a cura espiritual, são assuntos que merecem especial significado. Traz-se à atenção a responsabilidade dos líderes naturais de Israel nestes assuntos. “Desde o profeta até mesmo ao sacerdote, cada um [agia] de modo falso”, nos dias de Jeremias, ao passo que, ao mesmo tempo, pretendiam curar o colapso do povo de Deus. (Jer. 6:13, 14; 8:11) Desta forma, eram bem parecidos com os confortadores de Jó, “médicos sem valor algum”. — Jó 13:4.
JESUS E SEUS CO-CURADORES
Jesus Cristo reconheceu que ‘ensinar e pregar as boas novas do reino’ era de importância primária em seu ministério, e que ‘curar toda sorte de moléstias e toda sorte de enfermidades entre o povo’ era secundário. É por isso que sentia pena das multidões, primariamente “porque andavam esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor”. — Mat. 4:23; 9:35, 36; Luc. 9:11.
Este grande Instrutor também mostrou compaixão para com as multidões que o seguiam, na esperança de que ele curasse seus males físicos. (Mat. 12:15; 14:14; 19:2; Luc. 5:15) Sua obra de curas milagrosas servia como sinal visível para a sua geração, e provia evidência adicional de que era o Messias, conforme profetizado. (Mat. 8:16, 17) Também prefigurava as bênçãos curativas que serão estendidas à humanidade sob a regência do Reino de Deus. (Rev. 21:3, 4) Em sentido mui real, Jesus curou e restaurou a saúde de muitas pessoas — coxos, aleijados, cegos e mudos (Mat. 15:30, 31), epilépticos, paralíticos (Mat. 4:24), uma mulher que sofria de hemorragia (Mar. 5:25-29), um homem com mão ressequida (Mar. 3:3-5), um homem com hidropisia (Luc. 14:2-4), e, em muitas ocasiões, aqueles que estavam possessos de demônios foram libertos de sua escravização e servidão satânicas. — Mat. 12:22; 15:22-28; 17:15, 18; Mar. 1:34; Luc. 6:18; 8:26-36; 9:38-42; Atos 10:37, 38.
A maneira de Jesus curar as pessoas assumiu várias formas, em ocasiões diferentes. “Levanta-te, apanha a tua maca e anda”, é tudo o que Jesus disse em certa ocasião, e um homem doente, perto da piscina de Betsata, foi curado. (João 5:2-9) Em outro caso, Jesus só proferiu a palavra e o enfermo, embora estivesse bem distante, foi sarado. (Mat. 8:5-13) Outras vezes, ele colocou pessoalmente a mão sobre o doente (Mat. 8:14, 15), ou tocou numa ferida e a sarou. (Luc. 22:50, 51) Várias pessoas enfermas simplesmente tocaram na orla da roupa de Jesus, ou tocaram nele, e foram curadas. (Mat. 14:36; Mar. 6:56; Luc. 6:19; 8:43-47) E não fazia diferença que as pessoas já estivessem sofrendo por muitos anos dessa doença — Mat. 9:20-22; Luc. 13:11-13; João 5:5-9.
O que curou os doentes não foi a aplicação do próprio poder, conhecimento ou sabedoria de Jesus. Nem foi usada a hipnoterapia, a psicoterapia ou qualquer método similar. Ao invés, foram o espírito e o poder de Jeová que efetuaram tais curas. (Luc. 5:17; 9:43) Nem todos, contudo, mostraram-se suficientemente gratos para dar a Deus a glória por tais curas (Luc. 17:12-18) Atualmente, nem todos reconhecem os benefícios curativos eternos que se acham disponíveis a eles por meio do sacrifício resgatador de Cristo. — 1 Ped. 2:24.
Este poder divino de cura, Jesus delegou a outros que estavam intimamente associados com ele em seu ministério. Quando os 12 apóstolos foram enviados, e, mais tarde, os 70 discípulos, receberam o poder de curar os doentes (Mat. 10:5, 8; Luc. 10:1, 8, 9) Depois de Pentecostes de 33 E.C., certas pessoas, inclusive Pedro, João, Filipe e Paulo, também receberam este poder divino de curar completamente a outros. (Atos 3:1-16; 4:14; 5:15, 16; 8:6, 7; 9:32-34; 28:8, 9) Depois de o cristianismo ficar firmemente arraigado, e com o desaparecimento dos apóstolos da cena, também passaram tais “dons de curar”. — 1 Cor. 12:8, 9, 28, 30; 13:8, 13.
Era importante que quem realizasse a cura tivesse plena fé e confiança em Jeová, e reconhecesse, como Jesus, que a cura estava sendo realizada pelo poder de Deus. (Mat. 17:14-20; João 5:19) Não era preciso, contudo, que os afligidos tivessem fé antes de serem curados. (João 5:5-9, 13) Muitos, porém, tinham realmente uma fé forte. — Mat. 8:5-13; 15:28; Mar. 5:34; Luc. 7:1-10; 17:19; Atos 14:8-10.
A cura milagrosa deveria ser um “sinal” do apoio divino. (Atos 4:22, 29, 30) Aqueles que se recusassem a reconhecer e a admitir este sinal estavam cegos e surdos. (Isa. 6:10; João 12:37-41) Pelo motivo, então, de que as curas divinas deviam servir como sinal para os descrentes, não eram geralmente realizadas em favor daqueles que já eram cristãos gerados pelo espírito. Assim, quando Timóteo tinha dificuldades estomacais, ao invés de realizar uma cura miraculosa, Paulo recomendou que ele tomasse um pouco de vinho para mitigar sua enfermidade. — 1 Tim. 5:23.
CURA ESPIRITUAL
Por outro lado, a verdadeira cura espiritual provém de Jeová para os arrependidos. Em sentido figurado, significa o retorno ao Seu favor e o usufruto mais uma vez de Suas bênçãos. (Isa. 19:22; 57:17-19; Jer. 33:6) Tal cura tem, como efeito, o fortalecimento das mãos fracas e dos joelhos vacilantes, o abrir os olhos cegos e o restaurar a audição aos surdos, sarando os coxos e devolvendo a fala aos mudos, em sentido espiritual. (Isa. 35:3-6) Mas os incorrigíveis em sua apostasia jamais gozam
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