-
Exame completo do relógio radiocarbônicoDespertai! — 1972 | 22 de outubro
-
-
o quadro agora, depois de cerca de vinte anos de investigação do mecanismo do relógio radiocarbônico? Será que as suposições ainda parecem bem fundamentadas como pareciam então?
Lendo os relatos da conferência de Upsália, chega-se à conclusão de que nem uma das suposições alistadas acima é agora reconhecida como correta! Algumas delas talvez estejam apenas um pouco erradas, mas outras se revelaram erradíssimas. Examinemos de novo cada uma delas à luz do conhecimento atual — ou, talvez, da ignorância que ainda persiste.
Validez da Amostra
Entre as possibilidades mais óbvias de erro no método de datar radiocarbônico se acha a falta de integridade da amostra. (Suposição 3) Se a amostra for alterada pelo contacto com material que contenha radiocarbono mais antigo ou mais novo, ou for contaminada pela inclusão desse material, a análise não pode fornecer a resposta certa. Mas, o arqueólogo prático aprendeu o que fazer quando uma amostra volta do laboratório com data diferente do que ele esperava. Conforme o Dr. Evzen Neustupný, do Instituto de Arqueologia da Academia Tcheca de Ciências disse ao simpósio: “A contaminação das amostras, quer pelo carbono moderno quer pelo antigo, pode amiúde ser claramente discernida se o resultado da medida se desviar consideravelmente do valor esperado.”2
Parafraseando suas palavras, não reconhece a contaminação da amostra antes de enviá-la, mas, quando a examina de novo, com a resposta intragável anexada, pode ver claramente que ela foi contaminada.
O mesmo perito também indicou, relativo à importância de selecionar amostras contemporâneas (Suposição 4): “Deve ser claro, embora muitos arqueólogos pareçam ignorá-lo, que as medidas radiocarbônicas datem a idade do tecido orgânico da amostra, i.e., o tempo quando se originou. O tecido da amostra que data de algum evento histórico (ou pré-histórico) poderia já estar biologicamente morto por diversas centúrias ao ser usado pelo homem antigo. Isso se aplica à madeira de construção, ao carvão para cadinhos, e à maioria das outras espécies de materiais.”2
Este é um ponto que o leitor faria bem em ter presente quando vê uma notícia de que o método de datar radiocarbônico de um pedaço de carvão extraído de uma caverna em alguma parte prova que os homens da caverna viviam ali a tantos e tantos milhares de anos. Há lugares hoje onde o campista poderia apanhar lenha que cresceu a centenas, sim, até a milhares de anos atrás.
Erros dessa espécie têm ocorrido com suficiente freqüência para impedir a aceitação geral das datas radiocarbônicas pelos arqueólogos. Mas, têm que ver apenas com a aplicação do método das amostras particulares, de modo que uma amostra talvez possa ser datada erradamente, mas a outra corretamente.
Além destas, questões mais difíceis são apresentadas aos que trabalham com datas radiocarbônicas, questões que atingem o próprio âmago da teoria mesma. Tais questões, se não forem solucionadas satisfatoriamente, suscitam dúvidas quanto a se podem fornecer uma idade correta de qualquer amostra.
Semivida do Radiocarbono
Uma das questões diz respeito à primeiríssima suposição. Quão certo se está de que a semivida do C14 seja correta? Note o seguinte comentário de dois peritos do laboratório de radiocarbono da Universidade de Pensilvânia:
“O que causa a máxima preocupação, quanto à veracidade destas determinações da semiviva, é o fato de que todas dependem dos mesmos métodos básicos — a saber, a calibragem absoluta do contador de gás para se determinar a taxa específica de desintegração, e a massa subseqüente da medição espectográfica da quantidade exata de C14 que foi contada. Na primeira fase, há dificuldade de se obter a calibragem absoluta de um contador de gás, e, na última, há o problema da diluição precisa e da introdução do C14 ‘quente’ no espectógrafo de massa. Um erro causado pela absorção do C14 nas paredes dum receptáculo talvez prevaleça e seja mais ou menos da mesma magnitude em todas as determinações da semivida. Claro é que há necessidade de um enfoque e duma técnica inteiramente independentes, antes que se possa afirmar com certeza qual é o valor verdadeiro da semivida do C14.”3
O próprio Libby estava cônscio desta limitação na exatidão da semivida. Em 1952, escrevendo sobre a importância vital de se medirem as taxas absolutas de desintegração, disse: “Espera-se que medições posteriores da semivida do radiocarbono sejam feitas, preferivelmente, por técnicas inteiramente diversas.”4 Por enquanto, esta esperança não se materializou.
Produção do Carbono 14
Que dizer da constância dos raios cósmicos, (Suposição 2a) As observações mostram que não são de forma alguma constantes. Diversos fatores são agora conhecidos que provocam grandes flutuações nos raios cósmicos.
Um deles é a força do campo magnético da terra. Este afeta os raios cósmicos, que são na maioria prótons (núcleos carregados de átomos de hidrogênio), por desviar as partículas de menos energia da atmosfera. Quando o campo magnético da terra se torna mais forte, menos raios cósmicos atingem a terra e menos radiocarbono é produzido. Quando o campo magnético da terra se torna mais fraco, mais raios cósmicos atingem a terra e produz-se mais radiocarbono.
Os estudos indicam que o campo magnético dobrou em força de uns 5.500 anos atrás para cerca de 1.000 anos atrás, e está decrescendo novamente. Apenas este efeito pode ser responsável pela correção necessária de quase 1.000 anos nas datas mais antigas.
Os fenômenos solares também provocam grandes mudanças. O campo magnético do sol se estende muito pelo espaço, até mesmo além da órbita da terra. Sua força varia, embora não mui regularmente, junto com o ciclo de manchas solares de cerca de onze anos, e isto também atinge o número de raios cósmicos que atingem a terra.
Daí, há as protuberâncias solares. Estas grandes correntes de gás incandescente irrompem da superfície do sol esporadicamente e lançam enorme número de prótons. Os que atingem a terra produzem o C14. Isto produz um excesso impredizível da reserva. Uma tabela e um gráfico no relatório mostram a produção de C14 resultante de protuberâncias típicas. Em 23 de fevereiro de 1956, houve uma protuberância que produziu tanto C14 em questão de horas como é produzido num ano inteiro, de radiação cósmica média. É óbvio que é impossível incluir esta espécie de efeito nas correções do relógio radiocarbônico, pois ninguém sabe se as protuberâncias nos milênios passados foram mais ou menos ativas do que são agora.
A intensidade dos raios cósmicos que entram no sistema solar provenientes da galáxia é outro fator pouco conhecido. Os cientistas geoquímicos têm tentado, por medir as radioatividades bem diminutas de vários elementos produzidos nos meteoritos pelos raios cósmicos, ter uma idéia das intensidades médias do passado. No entanto, os resultados não têm sido de muita valia em fornecer a desejada certeza da sua constância nos últimos 10.000 anos.
A teoria do radiocarbono teria uma posição mais forte (embora ainda não invulnerável), com respeito às objeções acima, se se pudesse demonstrar que o radiocarbono se decompõe hoje de forma tão rápida quanto se forma. (Suposição 2c) Se isto não for comprovado como verdadeiro, então a suposição de um estoque constante de C14 também se provaria inverídica e a pretendida atividade constante do radiocarbono é colocada numa precária corda bamba entre dois postes de suporte que talvez subam independentemente um do outro.
A taxa de produção é mui difícil de calcular. Libby tentou fazer isso com os melhores dados disponíveis até 1952. Verificou uma produção correspondente de cerca de dezenove átomos de radiocarbono por segundo para cada grama de carbono no reservatório. Isto era um tanto mais alto do que sua medição de dezesseis desintegrações por segundo. Mas, em vista da complexidade do problema e da estimativa geral que teve de ser feita de tantos fatores, ele considerou que isto concordava bastante com suas suposições.
Dezessete anos depois, com melhores dados e melhor compreensão do processo, pode isto ser calculado com precisão? Os peritos no simpósio não podiam dizer nada mais definitivo do que afirmar que o radiocarbono está sendo produzido a uma taxa provável entre 75 por cento e 161 por cento da taxa de sua decomposição. O número menor significaria que a quantidade de radiocarbono está presentemente decrescendo; o número maior, que está aumentando. A medição não dá certeza de que é constante, como exige a teoria radiocarbônica. De novo, utiliza-se o recurso no sentido de que “a constância relativa da atividade de C14 no passado sugere que [esta proporção] se deve limitar a uma certa margem mais estreita de valores”.5 Assim, uma suposição é usada para justificar a outra.
Reservatório de Carbono 12
Não só o estoque de C14, mas também o estável C12 no reservatório de troca, precisa ser constante para manter sincronizado o relógio radiocarbônico. (Suposição 2b) Temos bons motivos para crer que esta suposição seja válida?
Visto que há cerca de sessenta vezes mais carbono no oceano do que na atmosfera, preocupamo-nos principalmente com tal reservatório oceânico. Este ponto entrou em discussão na reunião de Upsália, onde o consenso era de que aquilo que chamavam de “Era Glacial” poderia causar grandes perturbações. Libby havia indicado esta possibilidade em 1952:
“A possibilidade de que a quantidade de carbono no reservatório de trocas se tenha alterado apreciavelmente nos últimos 10.000 ou 20.000 anos gira quase que inteiramente em torno da pergunta se a época glacial, que, conforme veremos depois, parece ter atingido este período, poderia ter afetado o volume e as temperaturas médias dos oceanos de forma apreciável.”6
Efeitos do Dilúvio
A menção do volume dos oceanos de imediato suscita na mente do estudante da Bíblia a possibilidade de grandes deslocamentos no relógio radiocarbônico na época do dilúvio global dos dias de Noé, há 4.340 anos. Os oceanos devem certamente ter ficado muito maiores em extensão e profundidade depois do Dilúvio. Isto, em si mesmo, não aumentaria a quantidade de carbonato no oceano; meramente a diluiria. As quantidades de C14 e de C12, bem como a sua proporção, que determina a atividade específica, não teriam mudado simplesmente pela queda da água. No entanto, o volume aumentado teria dado ao oceano por fim a capacidade de suportar uma carga muito maior de carbonato dissolvido.
E os ajustes na crosta da terra seriam esperados por causa do peso grandemente aumentado de água nas bacias oceânicas. Esta pressão seria maior do que a sobre os continentes. Empurraria ao subjacente manto plástico dos leitos oceânicos em direção aos continentes, assim erguendo-os a novas alturas. Isto exporia as superfícies rochosas à crescente erosão, inclusive as rochas calcárias nos leitos dos mares rasos que os geólogos mostram nas áreas continentais baixas em seus mapas dos tempos pliocênicos.
Assim, começando pouco depois do Dilúvio, o reservatório oceânico de carbonato aumentaria continuamente até alcançar a concentração que temos hoje. Então, ao invés de supor que o reservatório de carbonato tenha sido constante, devemos considerar a possibilidade de que aumentou gradualmente nos últimos 4.300 anos.
Como é que o Dilúvio afetaria o C14? Visto que a Bíblia indica que a água que caiu no Dilúvio se achava antes suspensa de alguma forma acima da atmosfera terrestre, deve ter impedido a entrada dos raios cósmicos e, por isso, a produção de radiocarbono. Se distribuída uniformemente numa camada esférica, poderia ter impedido por completo a formação de radiocarbono. Não obstante, não é preciso supor-se isto, o dossel de água talvez fosse mais grosso nas partes equatoriais do que nos pólos, assim admitindo os raios cósmicos em baixas intensidades. Em qualquer caso, a remoção desse escudo por sua queda sobre a superfície aumentaria a taxa de produção do C14.
Assim, deveríamos esperar que, depois do Dilúvio, tanto o radioativo C14 como o estável C12 no reservatório oceânico começassem a crescer rapidamente. Lembre-se de que é a proporção entre o C14 e o C12 que fixa a atividade específica. Assim, dependendo de exatamente quão rápido a erosão do solo acrescentava o carbonato aos mares, a atividade poderia aumentar ou decrescer. Deveras, seria possível, embora não seja provável, que o crescimento de um equilibrasse exatamente o crescimento do outro; nesse caso, o relógio radiocarbônico teria continuado a andar uniformemente, mesmo durante o Dilúvio. Libby indicou a possibilidade de que tal equilíbrio fortuito poderia produzir o “acordo entre os conteúdos radiocarbônicos predito e observado das matérias orgânicas da era historicamente conhecida”. Mas, não preferiu esta explicação.
Desde que os estoques de C14 e de C12 independem um do outro, é possível postular valores que seriam responsáveis pelas idades excessivas relatadas de amostras antigas. Exemplificando, se supusermos que a atividade específica antes do Dilúvio era apenas a metade do seu valor atual, todos os espécimes pré-diluvianos pareceriam ter cerca de 6.000 anos mais do que realmente têm. Isto também seria verdadeiro por algum tempo depois disso, mas, com a rápida erosão do carbonato nos séculos após o Dilúvio, o erro seria reduzido. Parece que por volta de 1500 A. E. C., a atividade se aproximava de seu valor atual, visto que as idades radiocarbônicas parecem estar quase certas desde então.
O Princípio da Simultaneidade
Estes são alguns dos problemas reconhecidos que afligem a cronologia radiocarbônica. Há outros que dificilmente foram considerados. Estas são as razões pelas quais a teoria, delineada há vinte anos atrás, não mais é sustentável. Não é simplesmente possível, por apenas medir o radiocarbono numa amostra e compará-la com a atividade atual, dizer com qualquer certeza a idade da amostra. No entanto, uma fase da teoria radiocarbônica se parece ter mantido até agora, o princípio da simultaneidade.
Este princípio declara que, em qualquer tempo passado, o nível de radiocarbono era o mesmo em todo o mundo, de modo que todas as amostras originadas no mesmo tempo têm a mesma atividade. Assim, não havendo alteração nem contaminação, decompuseram-se à mesma atividade medida que hoje. Assim, mesmo se todas as demais suposições tiverem de ser abandonadas, se suficientes amostras de datas absolutamente conhecidas poderem ser medidas para se construir uma curva corretiva, então as medidas radiocarbônicas podem ser feitas para se encontrar a posição de uma amostra nesta curva, e assim se pode inferir sua idade.
Certo laboratório coletou uma série de amostras de madeira de árvores de longa vida, e atribuiu datas a elas por contar os anéis de crescimento. Foram supridas tais amostras aos laboratórios radiocarbônicos, e tais datas são agora amplamente aceitas como fornecendo um alicerce sólido para a cronologia radiocarbônica. Deveras, sem este apoio de emergência, o relógio radiocarbônico já estaria tão malhado que dificilmente se confiaria nele para fornecer mais do que uma idéia geral da verdadeira idade das coisas.
Então, se havemos de crer nas datas radiocarbônicas corrigidas, temos de dispor-nos a transferir nossa fé para o método de datar de anéis de árvores como padrão fundamental. Quão fidedigno é este novo método? Examinemo-lo no artigo seguinte.
-
-
Datas radiocarbônicas ligadas aos anéis das árvoresDespertai! — 1972 | 22 de outubro
-
-
Datas radiocarbônicas ligadas aos anéis das árvores
O TÍTULO do Décimo Segundo Simpósio Nobel era “Variações do Radiocarbono e a Cronologia Absoluta”. O título subentendia que o método de datar radiocarbônico não mais é considerado absoluto. A ênfase no simpósio foi dada às variações nas datas radiocarbônicas e às tentativas, apenas parcialmente bem sucedidas, de explicá-las. Aquilo que emergiu como a cronologia absoluta foi a baseada na contagem dos anéis das árvores.
São isso más notícias? Afinal de contas, o método de datar radiocarbônico é um campo técnico especializado para alguns peritos altamente treinados, e a teoria tem sido corrigida aqui e ajustada ali até que se tornou difícil que mesmo outros cientistas a compreendam. Por outro lado, todo o mundo sabe — não sabe? — que uma árvore que cresce adiciona um anel a cada ano ao redor de seu tronco. E, depois de uma árvore ser abatida, pode-se dizer quão velha é por simplesmente contar os anéis, não pode? O que poderia ser mais simples do que isso? Sem dúvida muitas pessoas ficarão aliviadas de saber que o relógio radiocarbônico, que sempre parecia um pouco com a mágica científica, está agora sendo mantido no tempo certo por algo tão fácil e compreensível como a contagem dos anéis das árvores.
A curva de calibragem foi incluída no relatório publicado do simpósio (também publicado em Scientific American, de outubro de 1971). Mostra, para cada ano, remontando a 5200 A. E. C., quantos anos precisam ser adicionados ou subtraídos da data radiocarbônica para fazê-la corresponder com a data dos anéis de árvores.
À primeira vista, poder-se-ia confundi-la com uma tabela de cotações da bolsa de valores. Sua falta de qualquer regularidade, suas erráticas flutuações a curto prazo, e suas tendências imprevisíveis a longo prazo, todas sublinham a semelhança. Por usar esta curva corretiva, os laboratórios de datar radiocarbônicos chegaram a depender plenamente da exatidão da cronologia dos anéis das árvores, também chamada dendrocronologia.
Assim aqueles que tiveram fé nas datas radiocarbônicas precisam agora perguntar a si mesmos se tal fé é fortalecida ou debilitada pela nova ligação às datas dos anéis das árvores. A resposta, naturalmente, depende de quão certa é a cronologia dos anéis das árvores. Será firme âncora para as datas radiocarbônicas, impedindo-as de flutuar nas profundezas desconhecidas da antiguidade?
Cronologia do Pinheiro Americano
Não são muitas as árvores que vivem milhares de anos. As magníficas sequóias gigantes que crescem nas encostas montanhosas da Califórnia são famosas por sua extrema longevidade. Nos anos recentes, contudo, verificou-se que o pinheiro americano (pinus aristata), uma árvore despretensiosa, de aparência raquítica, que cresce nas encostas altas e rochosas da parte sudoeste dos EUA, às vezes vive até por mais tempo. Uma árvore em Nevada, segundo relatado, tem 4.900 anos.
A utilidade desta árvore de vida longa foi primeiro indicada em 1953, por Edmund Schulman, da Universidade do Arizona. Nas Montanhas Brancas da Califórnia oriental, encontrou várias árvores bem antigas, algumas delas ainda vivas, outras agora reduzidas a troncos de árvores ou pedaços de madeira mortos. Coletou cernes de árvores vivas bem como os restos de árvores caídas no bosque. Examinou-os em seu laboratório e usou-os para estabelecer uma cronologia de anéis das árvores. Após sua morte, em 1958, este trabalho foi continuado pelo Professor C. W. Ferguson, no mesmo laboratório. Ferguson relatou a situação atual do trabalho ao Simpósio Nobel. Afirma ter estabelecido uma cronologia de anéis de árvores para o pinheiro americano que remonta a 5522 A. E. C. Este é um período de tempo de quase 7.500 anos, uma consecução deveras impressionante. Poderia haver qualquer razão para duvidar-se de que seja correta?
Questionada por Alguns Pesquisadores
Bem, talvez observemos que o Professor P. E. Damon, do departamento de geologia da mesma universidade de Ferguson, disse: “A exatidão do método de datar pelos anéis de árvores pode ser questionada por alguns pesquisadores.”8a Então, examinemos o processo de construção da cronologia dos anéis das árvores para ver por que talvez seja questionável.
A primeira coisa que devemos inquirir sobre ela é a suposição básica da contagem dos anéis das árvores, de que cada anel equivale a um ano. Talvez lhe surpreenda saber que isso nem sempre é verdadeiro. Ferguson afirma sobre este ponto: “Em alguns casos, 5 por cento ou mais dos anéis anuais talvez estejam faltando, junto a uma certa proporção que abrange muitos séculos. A localização de tais anéis ‘que faltam’ num espécime é comprovada por se relatar seu padrão de anéis com o padrão de anéis de outras árvores em que se ache presente o anel ‘que falta’.”9 Visto que o investigador adiciona estes anéis ‘que faltam’ à sua cronologia, esta é maior do que o número real de anéis contados, em cinco ou mais anos para cada século.
Ainda mais interessante é o comentário de Ferguson sobre a possibilidade de uma árvore talvez produzir dois ou três anéis num único ano: “Em certas espécies de coníferas, em especial as das elevações mais baixas, ou nas latitudes meridionais, o acréscimo no crescimento de uma estação talvez se componha de dois ou mais rompantes de crescimento, cada um dos quais talvez se assemelhe fortemente a um anel anual. Tais anéis de crescimento múltiplo são extremamente raros no pinheiro americano, contudo, e são especialmente infreqüentes na elevação e na latitude dos locais que eram estudados.”9
Assim, sob as atuais condições climáticas, os anéis múltiplos são raros. Do ponto de vista uniformitarista, tal declaração é bastante tranqüilizadora. Este ponto de vista, porém, despercebe abundantes evidências de que o clima era muito mais temperado antes do Dilúvio de 2370 A. E. C. Também, a localização atual dos bosques do pinheiro americano talvez estivessem em elevações muito mais baixas. Ambas estas diferenças, em harmonia com a opinião citada, podem ter resultado em mais anéis múltiplos nas árvores que então viviam. Isso se teria dado, não só antes do Dilúvio, mas até por algum tempo depois disso, enquanto a crosta da terra se ajustava às novas pressões. Quem pode afirmar quão freqüentemente os anéis múltiplos formaram-se sob tais condições, ou quantos séculos extras estão incluídos na cronologia devido a isso?
Ajuntando os Padrões
O ponto seguinte a observar é que não há uma única árvore que tenha 7.500 anéis. Embora seja relatado que algumas árvores tenham mais de 3.000 e até mesmo 4.000 anos, a árvore mais antiga viva incluída na cronologia remonta apenas a 800 E. C. No entanto, encontrou-se um árvore morta com cerca de 2.200 anéis, e as semelhanças no padrão de anéis grossos e finos foram encontradas entre as camadas exteriores da árvore morta e as camadas interiores da árvore viva. Assim, as idades foram consideradas como se sobrepondo de 800 a 1285 A. E. C., e a árvore mais antiga foi datada de 957 A. E. C. Este processo foi repetido com dezessete outros restos de árvores caídas, indo de 439 a 3.250 anéis, levando a contagem dos anéis a um total de 7.484 anos.
Agora, talvez pergunte: Quão certo é o casamento dos padrões que se sobrepõem? Ferguson nos assegura de que há apenas uma forma possível de fazer com que cada um dos dezessete se ajustem; como ele diz: “A cronologia-mestra para todos os espécimes envolvidos é ímpar em seu padrão de ano para ano; em parte alguma, através do tempo, é repetida precisamente a mesma seqüência a longo prazo de anéis amplos e estreitos, porque as variações de ano para ano no clima jamais são exatamente as mesmas.”9 Alguns talvez se disponham a aceitar esta opinião pelo que ela vale; outros pesquisadores, conforme afirma Damon, podem achar-se entre os que a questionam.
Outra pergunta: Se fosse possível ajustar um segmento duma árvore morta em mais de um lugar, que considerações guiarão a seleção do ajuste “correto”? Esta declaração de Ferguson talvez nos forneça certo indício: “Ocasionalmente, uma amostra de um espécime ainda não datado é submetida à análise radiocarbônica. A data obtida indica a idade geral da amostra, isto fornece um indício quanto à que parte da cronologia-mestra deve ser perscrutada, e, assim, se pode identificar mais prontamente a data dos anéis das árvores.”10 E, novamente: “A análise radiocarbônica de uma espécie única, pequena, que contenha uma série de anéis de alta qualidade de 400 anos, indica que a espécie tem aproximadamente 9.000 anos. Isto apresenta grande esperança para a extensão da cronologia dos anéis das árvores bem mais para trás no tempo.”11
Assim, é evidente que o método de datar do C14 serve qual guia em ajustar as peças do quebra-cabeças dos anéis das árvores. Será que tais admissões fornecem razão para se suspeitar que talvez a cronologia dos anéis das árvores não esteja bem alicerçada como parece estar, mas que seus propronentes procuram apoio no método de datar radiocarbônico? Tal suspeita não é infundada, pois o Professor Damon, depois de nos assegurar de sua confiança pessoal nas datas dos anéis das árvores, adiciona: “Não obstante, é tranqüilizador ter alguma comparação objetiva, por exemplo, com outro método de datar. Esta é, com efeito, fornecida pelo método de datar do C14, de amostras historicamente datadas.”
Se as datas dos anéis das árvores precisam ser apoiadas pela comparação com as datas radiocarbônicas na série em que são apoiadas pelas datas históricas, remontando a apenas 4.000 anos, o que se pode dizer dos necessários 4.000 ou 5.000 anos antes disso?
Problemas de Datar Madeira
Os esforços de fortalecer o apoio mútuo das duas cronologias vêem-se afligidos por outro problema que ocasionou considerável discussão entre os peritos. Até mesmo na análise radiocarbônica daquelas amostras do pinheiro americano que agora servem de base para todas as outras datas radiocarbônicas, há possibilidade de alterações da amostra que precisam ser consideradas. Sabe-se que substâncias inorgânicas tais como o calcário dos moluscos de conchas e o carbonato nos ossos, são muito suscetíveis de mudança ou de troca com os carbonatos dissolvidos, quer mais antigos quer mais recentes. Por esta razão, são quase inúteis em datar. As substâncias orgânicas, tais como a celulose, são consideradas como improváveis de alterar-se. A seiva viva de uma árvore pode ser lavada da madeira morta, mas, se já tem circulado por séculos ou milênios pela madeira, podemos estar seguros de que não substituiu parcialmente o C14 em decomposição?
Diferente da seiva, a resina é difícil de ser removida. Ferguson se referiu à “natureza altamente resinosa” da madeira do pinheiro americano.12 Os peritos concordam que a resina da madeira mais recente passa para a madeira mais antiga, onde pode provocar erros. “A difusão para dentro da resina certamente é um resultado razoável.”13 Também: “Este problema da resina é importante, em especial à medida que a correção aumenta, ao se penetrar mais para o interior da árvore.”13 Em certa experiência, a resina extraída é aparentemente 400 anos mais recente do que a madeira.
No entanto, os peritos não concordaram quanto a quão eficaz são seus tratamentos químicos. Um deles disse que ferver a madeira em ácido e álcali “remove toda a resina”.14 Outro disse: “Na minha opinião, a resina dos pinheiros americanos não pode ser removida completamente por tratamento com solventes químicos inorgânicos.”14 Mas, quando usam solventes químicos orgânicos, têm de preocupar-se se o solvente foi inteiramente removido depois disso, porque apenas um pouco do carbono moderno dele poderia aparentemente rejuvenescer uma amostra de madeira antiga. Naturalmente, trabalham conscienciosamente para excluir todos esses erros, mas obtêm completo êxito? Quão seguros podemos estar disso?
Contar as Camadas Glaciais
Um método um tanto similar de contar os anos do passado foi considerado na reunião, método este baseado nas camadas glaciais. As camadas são constituídas alternadamente de areia e argila que supostamente são formadas anualmente por uma geleira ao se derreter. Afirma-se que fornecem um registro contínuo, uma na Suécia remontando até a 12.000 anos. Isto foi também proposto como cronologia absoluta à qual as datas radiocarbônicas poderiam ser vinculadas. Mas, quão firme base realmente é?
A cronologia da camada de aluviões lacustres escandinava é ajuntada de seções observadas em diversos lugares por toda a Suécia. O registro parece ser muito menos útil do que a cronologia dos anéis das árvores por diversos motivos.
Por um lado, não é nenhum elo para o dia atual, correspondendo ao anel da casca. Estimativas quanto à data em que a última camada foi depositada variam amplamente. Também, o problema de identificar os depósitos anuais contribui para a incerteza. Assim, certo geólogo datou o início da série em Skåne de 12.950 A. E. C., e outro de apenas 10.550 A. E. C. O Dr. E. Fromm, da Pesquisa Geológica da Suécia, disse: “Nestes casos, o assentamento geológico não limitou a priori a possível série de datas, e as ‘teleconexões’ obviamente forneceram resultados bem indignos de confiança. Ademais, nestas partes de Skåne permanecem dúvidas quanto a se todos os depósitos de camadas com sedimentação em pequenos lagos de águas derretidas são realmente camadas anuais.”15
Note esta admissão de que as camadas nem sempre correspondem a depósitos anuais. Na realidade, representam condições alternadas de fluxo rápido e vagaroso, que poderiam ocorrer diversas vezes no ano sob certas condições climáticas. “O Dr. Hörnsten, da Pesquisa Geológica da Suécia, indicou que cada camada tinha de ser examinada mui cuidadosamente para se evitar contar a camada de um ano como tendo dois anos. Uma única camada depositada durante um ano poderia ter uma ou duas camadas pseudo-hibernais, devido a variações na descarga da água derretida (cf. duplos anéis das árvores).”16 O Professor R. F. Flint, bem-conhecido geólogo da Universidade de Yale, solicitou uma declaração clara do critério pelo qual uma camada é reconhecida, mas no que tange ao registro do simpósio, ela não surgiu.17
Estas, então, são as “cronologias absolutas” oferecidas no Simpósio Nobel. Dos artigos nas revistas populares de ciência, seria fácil ter-se a impressão de que o método de datar radiocarbônico ficou mais estabelecido do que nunca antes. Mas, uma leitura cuidadosa das palestras de fundo da conferência de Upsália, revela que multiplicaram-se as incertezas. A teoria radiocarbônica não mais fornece uma base sólida para a aceitação de suas datas. Os resultados de vinte anos de estudos debilitaram grandemente a maioria de suas suposições de apoio.
Agora, coloca-se a confiança no trabalho de um único grupo de pesquisa quanto a um novo método — o método de datar dos anéis das árvores. Que habilidades adicionais nesta técnica se poderiam revelar através de vinte anos de intensivo estudo em diferentes laboratórios? Em seu estágio atual, estaria disposto a confiar nela, ao invés de na Bíblia, para basear as decisões vitais que precisará fazer no futuro próximo?
[Nota(s) de rodapé]
a As referências se acham na página 20.
-
-
A cronologia científica ou bíblica — qual merece sua fé?Despertai! — 1972 | 22 de outubro
-
-
A cronologia científica ou bíblica — qual merece sua fé?
MUITAS pessoas que lêem a Bíblia, até mesmo casualmente, sabem que a raça humana tem cerca de seis mil anos. Mas, talvez não saibam que os textos bíblicos apontam para tal tempo. Talvez já tenha visto em algumas Bíblias a data de 4004 A. C., na coluna marginal do primeiro capítulo de Gênesis.
Sabe se tal data é correta, ou em que raciocínio se baseia? Daí, o que dizer se ler uma notícia sobre nova medida radiocarbônica de que certo local arqueológico era ocupado por homens primitivos há oito ou nove mil anos atrás? Fica pensando quão certa é realmente a data bíblica para a criação? Ou lhe vem a idéia de que talvez os evolucionistas estejam certos, afinal de contas?
Os estudantes conscienciosos da Bíblia sabem que seu Autor é um cronometrista exato e meticuloso. Seguem os textos que fornecem o número exato de anos de um evento destacado ao outro. Sabem como a antiga cronologia da humanidade, mantida apenas na Bíblia, liga-se com a fidedigna cronologia histórica, de modo que se possam atribuir datas exatas aos acontecimentos registrados desde a criação de Adão em 4026 A. E. C. em diante.
Mais do que isto, sabem que a Bíblia, como livro profético, amiúde ligou os assuntos do tempo com eventos futuros que vieram a ocorrer exatamente no ano predito. Muitos que agora vivem testemunharam pessoalmente o cumprimento da profecia de longa duração sobre os “tempos das nações” que se estendeu até este século vinte. Viram o irrompimento da Primeira Guerra Mundial no ano predito de 1914, iniciando um período de angústia do qual o mundo jamais há de se recuperar. Contemplam agora esta década para o término dos seis mil anos da existência do homem. Esperam confiantemente que o sétimo dia de mil anos traga o reinado milenar do Príncipe da Paz.
Os cristãos maduros estão familiarizados, através de seu estudo e sua experiência, com a cronologia exata da Bíblia. Para eles, a idéia de que Deus tenha estado errado no tempo da criação do homem, ou que tenha sido tão descuidado em preservar o registro, de modo que nós hoje não tenhamos esta informação vital, é inacreditável. Quando são apresentadas cronologias científicas que contradizem a cronologia bíblica, afirmam com confiança calma que os cientistas devem estar errados, porque ‘Deus não pode mentir’. — Tito 1:2.
Bem, talvez seja alguém que não partilha esta confiança. Talvez fique pensando: Podemos realmente ter fé no relato da Bíblia sobre a criação do homem quando parece estar tão em desarmonia com o que os cientistas estão aprendendo? Se as datas radiocarbônicas para os primitivos povoados humanos forem corretas, então as datas bíblicas, de alguma forma estão erradas, e como saberemos onde estamos na corrente do tempo? Pior ainda, se a tabela de tempo da Bíblia não for fidedigna, talvez outras coisas na Bíblia tampouco sejam dignas de confiança. Como podemos realmente confiar nela?
Se o método de datar do relógio radiocarbônico o faz hesitar em aceitar de todo o coração as promessas bíblicas de uma nova ordem, convidamo-lo a considerar cuidadosamente as informações apresentadas nos dois artigos precedentes. Não aceite credulamente as opiniões dos cientistas como a verdade final dos assuntos, que tão vitalmente influem em seu futuro. Lembre-se de quão freqüentemente os “fatos” científicos de uma geração foram rejeitados pelos cientistas da geração seguinte. Veja a própria teoria radiocarbônica, como muitas de suas suposições básicas tiveram de ser modificadas para harmonizá-la com os estudos recentes. Sem o apoio (às vezes muito questionável) de amostras datadas por outros meios, o método de datar radiocarbônico seria agora um negócio bastante inseguro. Consideraria sábio abandonar sua fé na Bíblia para substituí-la pela fé numa teoria científica tão insegura como essa?
Datas do Carbono 14 Constituem Estrutura Frágil
Os cientistas que participaram do simpósio de 1969 em Upsália, saíram com a sensação de que estava sendo feito progresso no entendimento e na solução de seus muitos problemas. Sentiram especial satisfação em comparar o método de datar radiocarbônico com a contagem dos anéis das árvores. Muito embora a cronologia dos anéis das árvores tenha colocado as datas radiocarbônicas um tanto fora de forma, seus proponentes puderam concluir um acordo. Conseguiram construir uma curva corretiva mutuamente coerente, e fornecer explicações plausíveis para a maioria das tendências de desvios.
No entanto, talvez aconteça que nem estas cronologias científicas sejam tão independentes como seus apoiadores gostariam que fossem. Talvez dependam dum arrazoamento circular. Será que os que empregam o radiocarbono crêem que seu método de datar é correto porque os laboratórios dos anéis das árvores o comprovam? E será que os pesquisadores dos anéis das árvores ficam satisfeitos porque sua cronologia-mestra é correta porque as datas radiocarbônicas se ajustam a ela? Enquanto estiverem num canal assinalado pelas bóias históricas, ambos seguem um curso razoável, mas, nas profundezas nevoentas além disso, navegam sem nenhum constrangimento, mantendo um o olho no outro.
Para que não pense que este é um julgamento injusto, examine simplesmente alguns dos ventos e correntes contrárias que o piloto radiocarbônico tem de enfrentar:
(1) A semivida do radiocarbono não é tão seguramente conhecida como os cientistas gostariam que fosse.
(2) Os raios cósmicos, nunca constantes, talvez tenham sido muito mais fortes ou mais fracos nos últimos 10.000 anos do que em geral se crê.
(3) As protuberâncias solares mudam o nível do radiocarbono — e ninguém sabe quanto no passado.
(4) O campo magnético da terra muda espasmodicamente numa curta escala de tempo, e tão radicalmente em milhares de anos, que até mesmo os pólos norte e sul são invertidos. Os cientistas não sabem por quê.
(5) Os cientistas do radiocarbono admitem que uma certa “Era Glacial” poderia ter afetado o conteúdo radiocarbônico do ar, por mudar o volume e a temperatura da água oceânica, mas não estão seguros de quão grandes foram tais mudanças.
(6) Ignoram toda a evidência, tanto científica como bíblica, de um dilúvio mundial há quarenta e três séculos atrás, de modo que não reconhecem os efeitos drásticos que tal evento cataclísmico deve ter tido sobre as amostras que mediram de tal período.
(7) A mistura de radiocarbono entre a atmosfera e o oceano pode ter sido influenciada pelas mudanças de clima ou de tempo, mas ninguém sabe quanto.
(8) A mistura de radiocarbono entre as camadas superficiais e o fundo do oceano tem um efeito, muito imperfeitamente compreendido.
(9) A contagem dos anéis das árvores, usada para calibrar o relógio radiocarbônico, é posta em dúvida pela possibilidade de grandes diferenças climáticas nas eras passadas.
(10) O conteúdo de radiocarbono das árvores velhas pode ter mudado pela difusão da seiva e da resina no cerne da árvore.
(11) Amostras enterradas podem ganhar ou perder radiocarbono através da lavagem pela água do solo ou por contaminação.
(12) Jamais é seguro que a amostra selecionada para se datar um evento corresponda verdadeiramente a este. É apenas mais ou menos provável, à luz da evidência arqueológica do local.
Esta não é de forma alguma uma lista completa dos abismos que confrontam o método de datar radiocarbônico, mas deve bastar para fazer a pessoa pausar antes de jogar fora sua Bíblia. Muitos deles não influiriam seriamente nas datas do passado recente, mas sua influência cresce com o tempo. Assim, o método funciona razoavelmente bem até 2.500 ou 3.000 anos atrás, mas, à medida que recuamos cada vez mais no passado, os resultados se tornam crescentemente duvidosos. Não devíamos esperar que o relógio radiocarbônico andasse da mesma forma antes do Dilúvio do que anda hoje. E seria surpreendente se pudesse parar por completo dentro de mil anos, depois de tal golpe.
Note, especialmente, o último ponto da lista acima. Até mesmo se tudo o mais sobre o método de datar radiocarbônico fosse correto, se algumas partículas de carvão escavados num local de Jarmo, no Iraque, segundo verificado, têm 6.700 anos de idade, prova isto que a Bíblia está errada? Não depende isso da interpretação do arqueólogo que colheu a amostra? Será ele infalível? Mesmo que lhe assegure de que sua amostra é inequívoca, indisputável e irrefutavelmente genuína, é a crença dele uma base sólida para sua fé?
Ao pesar a evidência, não desperceba o resultado mais significativo do método de datar radiocarbônico, a saber: De todas as datas encontradas para as amostras associadas à presença do homem, a ampla maioria, talvez mais de 90 por cento, resultem ter menos de 6.000 anos.
Se as idéias dos evolucionistas sobre o homem já existir há milhões de anos fossem corretas, por certo deveríamos esperar encontrar um número bem maior de artefatos com 10.000 ou 20.000 anos, dentro do âmbito do carbono 14. Por que quase todos os espécimes caem dentro apenas dos últimos 6.000 anos? Não esperamos que uma medição científica fale com a autoridade duma testemunha ocular fidedigna. Só pode oferecer evidência circunstancial. Mas, falando-se de modo estatístico, o relógio radiocarbônico lança o peso do seu testemunho de forma esmagadora para o lado do relato da criação e contra a hipótese da evolução, quanto à origem do homem.
Elos Fracos na Cronologia dos Anéis das Árvores
Em face disso, o método de contar os anéis das árvores parece ser muito mais direto do que as medições de C14. No entanto, verificamos, pelo exame de perto, haver debilidades da cadeia dos padrões sobrepostos. Não há duas árvores que tenham exatamente o mesmo padrão de anéis grossos e finos. Os anéis que faltam têm de ser supridos para todos os padrões, a fim de adaptá-los. Devemos crer que o julgamento do analista está sempre correto em decidir onde colocar os anéis que faltam? Se fossem inseridos em diferentes lugares, seria possível que a superposição se adaptaria melhor em outra parte do registro? Diz-se-nos que, às vezes, a data do C14 já aferida da madeira ajuda a colocá-la no lugar correto. Sem ter preconceito para com esta informação, ou talvez tendo preconceito no sentido de tentar adaptar o registro total a um período mais curto, será possível que outro analista pudesse conseguir um ajuste igualmente bom? Estas são perguntas cruciais, se havemos de decidir ter mais fé num relato de anéis das árvores do que na contagem de anos registrados pelos escritores da Bíblia.
Como se dá com todas as conclusões científicas, há limites na fidedignidade no método de datar pelos anéis das árvores. Parece que algumas árvores conseguem contar os anos, permitindo que haja certo tropeço quanto a anéis que faltam e anéis duplos, e continuam contando muito tempo depois de terem morrido. Mas, árvores mortas, por si mesmas, não dizem quando começaram ou quando pararam de contar. O homem que junta os padrões tem de decidir por si mesmo isso, e suas opiniões e preconceitos não podem ser excluídos desta decisão subjetiva. Estaria disposto a arriscar a vida pela proposição de que ele não cometeu nenhum erro?
Estaria disposto a aceitar a palavra de qualquer cientista, não importa quanto prestígio tenha, de que o método de datar radiocarbônico, com o apoio das contagens de anéis das árvores tornara seguro de que não houve nenhum dilúvio nos dias de Noé, tal como a Bíblia descreve? Jesus Cristo disse que houve tal dilúvio. (Mat. 24:37-39; Luc. 17:26, 27) O próprio Deus fez com que este relato fosse registrado em sua Palavra. A autoridade de quem preferirá aceitar ao fazer uma decisão de vida ou morte?
Superioridade da Cronologia Bíblica
Compare estes sistemas científicos de cronologia com o da Bíblia: “Sem tinha cem anos de idade quando se tornou pai de Arpaxade, dois anos após o dilúvio. . . . E Arpaxade viveu trinta e cinco anos, tornou-se então pai de Selá. . . . E Selá viveu trinta anos, tornou-se então pai de Éber.” (Gên. 11:10-26) Esta é uma cronologia mantida por homens que sabiam contar, sem perder quaisquer anos ou sem contá-los duas vezes, e que sabiam manter registros escritos de sua contagem. E nós também podemos contar e podemos adicionar os anos de seu registro desde o Dilúvio até agora, 4.340 deles. Não é isto mais crível do que contar e relacionar anéis das árvores há muito tempo mortas, ou contar camadas de areia, ou tentar equilibrar todos os fatores da incerteza dum relógio radioativo?
A cronologia bíblica possui uma superioridade ímpar sobre as cronologias científicas. Penetra futuro adentro. O relógio radiocarbônico se esvai, ficando cada vez mais vagaroso, mas sem qualquer fim definitivo. A cronologia dos anéis das árvores cessa com o crescimento do último ano. Mas, a cronologia bíblica dirige nossa atenção para um ponto definido ainda futuro — o fim dos
-