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DaviAjuda ao Entendimento da Bíblia
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sobre as outras tribos. Cerca de dois anos mais tarde, contudo, Is-Bosete foi assassinado, e seus agressores levaram sua cabeça a Davi, esperando receber uma recompensa, mas eles também foram mortos, assim como fora o pretenso matador de Saul. (2 Sam. 2:1-4, 8-10; 4:5-12) Isto pavimentou o caminho para que as tribos que até então haviam apoiado o filho de Saul se juntassem a Judá, e, com o tempo, juntou-se uma força que somava 340.822 homens, e Davi foi constituído rei de todo o Israel. — 2 Sam. 5:1-3; 1 Crô. 11:1-3; 12:23-40.
Reinado em Jerusalém
Davi reinou sete anos e meio em Hébron, antes de mudar sua capital, sob a direção de Jeová, para a fortaleza jebusita capturada, Jerusalém. Ali construiu a cidade de Davi, em Sião, e continuou a reinar por mais 33 anos. (2 Sam. 5:4-10; 1 Crô. 11:4-9; 2 Crô. 6:6) Enquanto morava em Hébron, o Rei Davi tomou mais esposas, fez com que Mical lhe fosse devolvida e gerou numerosos filhos e filhas. (2 Sam. 3:2-5, 13-16; 1 Crô. 3:1-4) Depois de mudar-se para Jerusalém, Davi adquiriu ainda mais esposas e concubinas, as quais, por sua vez, deram-lhe mais filhos. — 2 Sam. 5:13-16; 1 Crô. 3:5-9; 14:3-7.
Quando os filisteus souberam que Davi era rei de todo o Israel, vieram depô-lo. Como no passado (1 Sam. 23:2, 4, 10-12; 30:8), Davi indagou a Jeová quanto a se devia subir contra eles. “Sobe”, foi a resposta, e Jeová lançou-se com ímpeto sobre o inimigo, causando uma destruição tão sobrepujante que Davi chamou o lugar de Baal-Perazim, que significa “Senhor das Rupturas”. Num novo confronto, Jeová mudou a estratégia e Davi recebeu ordens para contornar e golpear os filisteus pela retaguarda. — 2 Sam. 5:17-25; 1 Crô. 14:8-17.
Davi empreendeu trazer a arca do pacto para Jerusalém, mas isto falhou quando Uzá tocou nela e foi abatido. (2 Sam. 6:2-10; 1 Crô. 13:1-14) Uns três meses mais tarde, com preparativos cuidadosos, que incluíam a santificação dos sacerdotes e dos levitas e a certeza de que a Arca fosse carregada nos ombros deles, ao invés de ser colocada numa carroça, como da primeira vez, ela foi levada para Jerusalém. Davi, trajado de modo sumário, externou sua alegria e entusiasmo nessa importante ocasião, “pulando e dançando diante de Jeová”. Mas, sua esposa Mical censurou a Davi, dizendo que ele se comportara “assim como um dos homens inanes”. Por causa desta queixa injustificada, Mical “não veio a ter nenhum filho até o dia da sua morte.” — 2 Sam. 6:11-23; 1 Crô. 15:1-29.
Davi também tomou medidas para expandir a adoração de Jeová no novo local da Arca por designar porteiros e músicos, e por providenciar que fossem feitas “ofertas queimadas . . . constantemente, de manhã e à noitinha”. (1 Crô. 16:1-6, 37-43) Em adição, Davi pensou em construir um templo-palácio de cedro para abrigar a Arca, em lugar da tenda. Mas Davi não recebeu a permissão de construir tal casa, pois Deus disse: “Derramaste sangue em grande quantidade e travaste grandes guerras. Não construirás uma casa ao meu nome, porque derramaste diante de mim grande quantidade de sangue na terra.” (1 Crô. 22:8; 28:3) No entanto, Jeová fez um pacto com ele, prometendo que o reinado permanecería para sempre na sua família e, em conexão com este pacto, Deus assegurou-lhe de que seu filho Salomão, cujo nome significa “Pacífico”, construiria o templo. — 2 Sam. 7:1-16, 25-29; 1 Crô. 17:1-27; 2 Crô. 6:7-9; Sal. 89:3, 4, 35, 36.
Foi, portanto, em consonância com este pacto do reino que Jeová permitiu que Davi expandisse seu domínio territorial desde o rio do Egito até o Eufrates, consolidando suas fronteiras, sustentando a paz com o rei de Tiro, combatendo e conquistando inimigos de todos os lados — filisteus, sírios, moabitas, edomitas, amalequitas e amonitas. (2 Sam. 8:1-14; 10:6-19; 1 Reis 5:3; 1 Crô. 13:5; 14:1, 2; 18:1 a 20:8) Estas vitórias, concedidas por Deus, fizeram de Davi um regente muito poderoso. (1 Crô. 14:17) Contudo, Davi sempre estava cônscio de que esta posição não fora adquirida por conquista ou por herança, mas provinha de Jeová, que o colocara no trono desta teocracia típica. — 1 Crô. 10:14; 29:10-13.
Pecados provocam calamidade
Durante a campanha continua contra os amonitas, ocorreu um dos mais tristes episódios da vida de Davi. Tudo começou quando o rei, ao observar de seu terraço a bela Bate-Seba a banhar-se, entreteve desejos errados. “O desejo, tendo-se tornado fértil, dá à luz o pecado.” (Tia. 1:14, 15) Depois de ficar sabendo que o marido dela, Urias, havia saido para a guerra, Davi providenciou que a mulher fosse trazida ao seu palácio, onde teve relações sexuais com ela. Com o tempo, o rei foi informado de que ela estava grávida. Imediatamente, Davi deu ordem ao exército para que Urias se apresentasse a ele em Jerusalém, na esperança de que Urias passasse a noite com sua esposa. Mas, embora Davi o tivesse embebedado, Urias recusou-se a dormir com Bate-Seba. Em desespero, Davi o enviou de volta às tropas, com instruções secretas ao comandante Joabe ordenando que Urias fosse destacado para as linhas de frente, onde certamente seria morto. A trama deu certo. Urias morreu em batalha, sua viúva guardou o costumeiro periodo de pesar e daí Davi casou-se com a viúva antes que o povo da cidade soubesse que ela estava grávida. — 2 Sam. 11:1-27.
Jeová observava, contudo, e expôs toda esta coisa repreensível. Pela boca do profeta Natã, Jeová pronunciou: “Eis que suscito contra ti uma calamidade provinda da tua própria casa.” — 2 Sam. 12:1-12.
E assim veio a ser. O filho adulterino nascido a Bate-Seba logo morreu, embora Davi jejuas- se e chorasse sete dias por causa do filho doente. (2 Sam. 12:15-23) Em seguida, o filho primogênito de Davi, Amnom, violentou sua própria meia-irmã Tamar e foi posteriormente assassinado pelo irmão dela, para tristeza de seu pai. (2 Sam. 13:1-33) Mais tarde, Absalão, o terceiro e amado filho de Davi, não apenas tentou usurpar o trono, mas desprezou de forma aberta e desonrou publicamente a seu pai, por coabitar com as concubinas de Davi. (2 Sam. 15:1 a 16:22) Por fim, a humilhação chegou ao clímax quando a guerra civil mergulhou o país numa disputa de filho contra pai, que resultou na morte de Absalão, contrário aos desejos e para grande tristeza do pai dele. (2 Sam. 17:1 a 18:33) Ao fugir de Absalão, Davi compôs o Salmo 3, no qual diz: “A salvação pertence a Jeová.” — V. 8.
Mas, apesar de todas as suas falhas e pecados graves, Davi sempre mostrou a condição correta de coração por arrepender-se e implorar o perdão de Jeová. Isto foi demonstrado no caso que envolveu Bate-Seba, depois do qual Davi escreveu o Salmo 51, declarando: “Em erro fui dado à luz . . . em pecado me concebeu minha mãe.” (V. 5) Outro exemplo em que Davi humildemente confessou seus pecados foi quando Satanás o incitou a fazer um censo dos homens habilitados para as forças militares. — 2 Sam. 24:1-17; 1 Crô. 21:1-17; 27:24; veja Registro.
A compra do local para o templo
Quando terminou a pestilência que resultou do erro do rei nesse último exemplo, Davi comprou a eira de Ornã e, como sacrifício a Jeová, ofereceu o gado bovino com o trenó usado na debulha. Foi neste local que Salomão mais tarde construiu o magnífico templo. (2 Sam. 24:18-25; 1 Crô. 21:18-30; 2 Crô. 3:1) Davi sempre acalentou o desejo de construir esse templo, e, embora isso não lhe fosse permitido, foi-lhe concedido constituir uma grande força-tarefa para talhar pedras e reunir materiais que incluíam cem mil talentos de ouro e um milhão de talentos de prata, e cobre e ferro em quantidade impossível de se calcular. (1 Crô. 22:2-16) De sua fortuna pessoal, Davi contribuiu ouro de Ofir e prata refinada. Davi também forneceu as plantas arquitetônicas, recebidas por inspiração, e organizou as dezenas de milhares de levitas em suas muitas divisões de serviço, incluindo um grande coro de cantores e de músicos. — 1 Crô. 23:1–29:19; 2 Crô. 8:14; 23:18; 29:25; Esd 3:10.
Fim do reinado
Nos dias finais da vida de Davi, o rei, já com 70 anos, confinado ao leito, continuou a colher a calamidade na sua família. Seu quarto filho, Adonías, sem o conhecimento ou consentimento de seu pai, e, pior, sem a aprovação de Jeová, tentou constituir-se rei. Quando esta notícia chegou a Davi, ele agiu rapidamente para que seu filho Salomão, o escolhido de Jeová, fosse empossado oficialmente qual rei e se sentasse no trono. (1 Reis 1:5-48; 1 Crô. 28:5; 29:20-25; 2 Crô. 1:8) Davi em seguida aconselhou Salomão a andar nos caminhos de Jeová, a guardar os seus estatutos e os seus mandamentos, a agir com circunspeção em tudo, pois assim havería de prosperar. — 1 Reis 2:1-9.
Após um reinado de 40 anos, Davi morreu e foi sepultado na cidade de Davi, tendo-se provado digno de ser incluido na lista honrosa, feita por Paulo, de testemunhas que se notabilizaram pela fé. (1 Reis 2:10, 11; 1 Crô. 29: 26-30; Atos 13:36; Heb. 11:32) Ao citar o Salmo 110, Jesus disse que Davi o escrevera “por inspiração”. (Mat. 22:43, 44; Mar. 12:36) Os apóstolos e outros escritores bíblicos frequentemente reconheceram Davi como profeta inspirado de Deus. —Compare Salmo 16:8 com Atos 2:25; Salmo 32:1, 2 com Romanos 4:6-8; Salmo 41:9 com João 13:18; Salmo 69:22, 23 com Romanos 11:9, 10; Salmos 69:25 e 109:8 com Atos 1:20.
PICTORICO
Os profetas amiúde se referiram a Davi e à sua casa real, às vezes em conexão com os últimos reis de Israel que sentaram no “trono de Davi” (Jer. 13:13; 22:2, 30; 29:16; 36:30), e às vezes num sentido profético. (Jer. 17:25; 22:4; Amós 9:11; Zac. 12:7-12) Em certas profecias messiânicas focaliza-se a atenção no pacto do reino de Jeová com Davi. Por exemplo, Isaias diz que aquele chamado “Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz” será firmemente estabelecido no “trono de Davi” por tempo indefinido. (Isa. 9:6, 7; compare também com 16:5.) Jeremias assemelhou o Messias a “um renovo justo” que Jeová ‘suscitará a Davi’. (Jer. 23:5, 6; 33:15-17) Por meio de Ezequiel, Jeová fala do Pastor messiânico como “meu servo Davi.” — Eze. 34:23, 24; 37:24, 25.
Ao informar Maria de que ela teria um filho chamado Jesus, o anjo declarou que “Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai“. (Luc. 1:32) Segundo os historiadores Mateus e Lucas, “Jesus Cristo, filho de Davi”, era o herdeiro tanto legal como natural do trono de Davi. (Mat. 1:1,17; Luc. 3:23-31) Paulo disse que Jesus era o descendente de Davi segundo a carne. (Rom. 1:3; 2 Tim. 2:8) O povo comum também identificou Jesus como o “Filho de Davi”. (Mat. 9:27; 12:23; 15:22; 21:9, 15; Mar. 10:47, 48; Luc. 18:38, 39) Era importante estabelecer isso, pois, conforme os fariseus admitiram, o Messias seria filho de Davi. (Mat. 22: 42) O próprio Jesus ressuscitado também deu testemunho, dizendo: “Eu, Jesus, . . . sou a raiz e a descendência de Davi.” (Rev. 22:16) Jesus é aquele “que tem a chave de Davi” e é “a raiz de Davi.” — Rev. 3:7; 5:5.
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Davi, Cidade DeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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DAVI, CIDADE DE
Nome dado à “fortaleza de Sião” após ter sido capturada dos jebuseus. (2 Sam. 5:6-9) Entende-se que este lugar seja o
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