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Como enfrentar o desapontamento?Despertai! — 1984 | 22 de fevereiro
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Os Jovens Perguntam . . .
Como enfrentar o desapontamento?
“SAÍ da escola em junho”, diz Bárbara, “mas só em outubro consegui arranjar emprego — e era temporário! Só recentemente consegui arranjar um emprego fixo.” E como ela se sentia? “É duro você chegar em casa e informar a todos que não conseguiu emprego. E quando vem a época de pagar o aluguel e todo mundo ajunta um dinheirinho — e você não tem nenhum para dar — dá vontade de entregar os pontos!”
O poeta inglês Philip James Bailey disse certa vez: “Não existe desapontamento que suportamos que chegue a ter metade do tamanho daqueles que causamos a nós próprios.” E, mesmo que você nunca tenha sido recusado num emprego, conhece provavelmente a humilhação de fracassar numa tarefa importante ou de ver um amigo ou genitor seu decepcioná-lo. Que deve fazer quando afligido pelo desapontamento?
Quando a Falha É Sua
O professor Dan Russell, da Universidade de Iowa, EUA, que estudou as reações de atletas competitivos, fez a seguinte observação: “As pessoas são autoprotecionistas. Quando perdem, culpam razões externas, como o tempo ou o juiz. Quando ganham, dizem que é devido às suas próprias habilidades.” Não obstante, muitas vezes a culpa pelo fracasso é sua. E aceitar esta responsabilidade é fator importante para se lidar satisfatoriamente com o desapontamento.
O Rei Davi, por exemplo, certa vez foi duramente reprovado por cometer adultério. No entanto, ele não se defendeu com um monte de desculpas. O Sal. 51.° salmo revela acerbamente quão honesto ele foi em encarar a sua falha. Todavia, Deus decretou que a criança, fruto de seu adultério, morresse! Davi jejuou e orou fervorosamente pela vida da criança, mas por fim ela morreu. Será que Davi se entregou à autocomiseração? Ao contrário, a Bíblia diz: “Davi se levantou do chão e se lavou, e ele se esfregou com óleo e trocou as suas capas . . . depois entrou na sua própria casa e . . . começou a comer.” — 2 Samuel 12:20.
Era Davi frio e insensível? Não, mas ele reconhecera sua falha e estava determinado a não repeti-la. Agora que já havia tratado do seu erro, só lhe restava refazer-se e tocar o barco para frente.
Você também pode tirar lições mesmo de erros mais crassos. Bárbara, por exemplo, agora reconhece: “Eu devia ter sido mais persistente na procura de emprego. Às vezes eu ficava tão desanimada que até desistia de procurar.” E o mesmo se aplica caso você seja reprovado num exame. Admitiria honestamente o seu fracasso? Certo jovem admitiu: “Nunca liguei muito para matemática, de modo que nunca me esforcei para passar. Poderia ter-me saído melhor.”
Espinhos na Carne
Nem todos os desapontamentos são por sua culpa, porém. O apóstolo Paulo, embora altamente bem-sucedido como apóstolo, escritor e missionário, carregava um amargo desapontamento — uma aflição que chamava de “um espinho na carne”. Provavelmente Paulo se referia a um sério problema de visão. Ele disse que ‘suplicara três vezes ao Senhor para que isso se afastasse dele’, mas, em vez disso, foi-lhe dito que ‘bastava-lhe a benignidade imerecida [de Deus]’. — 2 Coríntios 12:7-9.
Para muitos jovens hoje as limitações físicas são similarmente “um espinho na carne”. Certa mocinha tem sofrido de vários padecimentos. Ela diz: “Quando soube que tinha de me submeter a uma operação séria, realmente fiquei chocada” Mas, aos poucos, foi-se acostumando à idéia. E embora o tratamento médico lhe tivesse dado algum alívio, ela ainda tem dificuldades. Não obstante, diz: “Aprendi a aceitar a situação.” Novamente, a aceitação é a chave do bom êxito. E, como no caso de Paulo, as limitações físicas não devem obrigatoriamente privá-lo da realização — ou de usufruir a vida.
Quando Pais o Decepcionam
“Meu maior desapontamento”, disse certo jovem, “foi quando meu pai foi desassociado [expulso] da congregação cristã. De modo algum tem melhorado. E a maneira como trata minha mãe me angústia!”
Às vezes, os nossos próprios pais deixam de corresponder à nossa expectativa. Talvez a conduta deles seja prejudicial. Talvez façam promessas que não cumprem. Ou simplesmente não estão presentes quando necessitamos deles. A mãe de Pedro, este com 13 anos, é obrigada a trabalhar fora o dia todo. Pedro disse: “Chego da escola e fico em casa sozinho até por volta das sete horas. Vejo TV, mas isso acaba sendo muito enfadonho. . . . Gosto de ficar sozinho, às vezes. Mas é uma sensação esquisita. A gente fica totalmente sozinho. Sem ninguém com quem conversar. Quando minha mãe chega em casa é ruim do mesmo jeito, porque chega cansada e vai dormir. Quando tento explicar-lhe o que sinto, ela fica um tanto aborrecida.”
Como enfrentar essa situação? Primeiro, você pode tentar — por mais difícil que seja — encarar seus pais objetivamente. Quando você era pequeno, seus pais lhe pareciam infalíveis. Mas, à medida que vai ficando mais velho, lentamente começa a compreender que seus pais estão longe de ser perfeitos, e que sofrem pressões que você apenas começa a entender. Lembre-se, também, de que um genitor — mesmo aquele com sérios problemas — merece seu respeito e obediência amorosa. — Efésios 6:1.
Que dizer se o horário de trabalho de seus pais priva você da plena atenção dele ou dela? Reconheça que os nossos tempos são realmente “críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1) Em breve você talvez terá de sentir na pele como é difícil ganhar a vida hoje em dia. Assim, tire o melhor partido de uma situação difícil. Afinal, uma casa vazia não é motivo para ficar ocioso. Ponha mãos à obra e ajude nas tarefas caseiras! Tente preparar uma comida quente para servir a seu pai ou a sua mãe ao voltar do serviço. E, ao se apresentarem as oportunidades para estar com seus pais, tente recuperar o tempo perdido.
Quando Amigos o Decepcionam
“Certa vez”, disse uma adolescente, “eu contei à minha amiga algo que não era para ser passado adiante. Mais tarde descobri, porém, que ela havia contado a alguém e, quando a confrontei, começou a inventar desculpas. Eu disse-lhe que ela não era uma verdadeira amiga e que eu não desejava vê-la de novo.”
Não deve surpreendê-lo, no entanto, que algumas amizades se revelem desapontadoras. O patriarca Jó por exemplo, estava afligido de doença, desastre financeiro e perda de entes queridos. Certamente seus três “amigos” iriam confortá-lo! Mas, o que fizeram? Censuraram a Jó com acusações de que ele havia cometido erros secretamente! “Meus próprios irmãos agiram traiçoeiramente”, lamentou Jó. — Jó 6:15.
Se de maneira similar um de seus amigos o decepcionar, não se precipite em desfazer a amizade. Por que não tentar dialogar a respeito de suas diferenças e resolvê-las? Provavelmente houve algum mal-entendido. E a Bíblia diz: “Tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros, assim como também Deus vos perdoou liberalmente por Cristo.” — Efésios 4:32.
Aprenda dos Desapontamentos
Quanto mais viver, tanto mais desapontamentos terá. Aprender a lidar com eles, porém, é uma experiência valiosa. O próprio Jesus Cristo sofreu desapontamentos. Seu próprio povo o rejeitou. Um de seus amigos mais íntimos o traiu. Seus discípulos o abandonaram na noite em que foi preso. Mas ele não se deixou abater pelo desapontamento. Em vez disso, “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. Sua decisão de servir fielmente a Jeová Deus foi fortalecida pelo que passou. (Heb. 5:7, 8) Você, também, pode tornar-se uma pessoa mais forte por ter sofrido uma decepção.
[Destaque na página 15]
Quando falham, as pessoas culpam os outros. Quando bem-sucedidas, assumem o crédito.
[Foto na página 13]
É duro você chegar em casa e informar aos pais que não conseguiu emprego.
[Fotos na página 14]
Evite o desapontamento por meio de preparação e trabalho árduo.
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A mistura de catolicismo e candomblé — como a encara?Despertai! — 1984 | 22 de fevereiro
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A mistura de catolicismo e candomblé — como a encara?
Do correspondente de “Despertai!” no Brasil
VÁRIOS ANOS atrás, no Brasil, uma bem-conhecida atriz de televisão batizou seu filho adotivo. De manhã ele foi batizado segundo os ritos da Igreja Católica Romana, de tarde segundo os ritos do candomblé (religião afro-brasileira). Mais tarde, seria batizado segundo os ritos Messiânico e Rosa-Cruz. A mãe, orgulhosamente, explicou: “Isso é para ele ter a proteção de todas as religiões quando crescer.”
Surpreende-o o conceito aberto sobre religião demonstrado por ela? No Brasil isso não é incomum. Até mesmo os clérigos são afetados.
Algum tempo atrás, certo sacerdote católico-romano mudou-se para o estado da Bahia, a fim de estudar as religiões afro-brasileiras. Ele acabou aderindo a uma delas! O caso dele foi publicado no jornal International Herald Tribune, que disse que ele serviu quatro anos como líder de um terreiro de candomblé. Como tal, regularmente invocava os espíritos para que intercedessem em favor dos freqüentadores. “Mas isso não significa que ele tenha abandonado seu catolicismo romano”, disse Tribune. O sacerdote explicou: “Eu sempre falo com Deus através de Jesus e nunca através dos espíritos.”
Existe um termo técnico para designar essa mistura de crenças de diferentes religiões. É“sincretismo”. Talvez se surpreenda, mas milhões de brasileiros misturam com a maior naturalidade celebrações católicas-romanas com a adoração de deuses antigos, pagãos. Como tudo começou?
“No Brasil o sincretismo é um fenômeno antigo, pois desde o início da colonização já o encontramos no quilombo dos Palmares [refúgio de escravos fugitivos] . . . encontramo-lo em Cuba, no Haiti, da mesma forma que no Brasil.” Assim escreveu o historiador Roger Bastide em seu livro “Contribuição ao Estudo do Sincretismo Católico-Fetichista”.
O Processo da Mistura
O autor prossegue explicando que o processo se seguiu à importação de escravos da África: “Chegando ao Brasil os negros eram catequizados [ao catolicismo]
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