A estrada de retorno à paz no Paraíso
1, 2. (a) Quais são algumas das reações espontâneas diante da criação terrestre de Deus, que nos fazem perguntar: Por quê? (b) Por que gostamos tanto de tais criações terrestres?
POR QUE gosta tanto de ir ao jardim de sua casa ou a um parque da cidade? Por que gosta de sair da cidade e ir ao campo? Por que tem apreço das belezas do cenário natural? Por que se agrada tanto em observar um rio majestoso atravessar em paz um vale? Por que se sente arrebatado de prazer ao ver os outeiros revestidos de árvores majestosas, de arbustos e de, flores? Por que fica admirado diante das grandes elevações, das montanhas, que sobem ao céu azul, tendo nuvens deslumbrantes acumuladas em torno do seu cume ou calmamente passando por ele?
2 Por que fica encantado com a música dos pássaros que entoam felizes o seu canto na copa das árvores? Por que se sente agradavelmente excitado ao observar os animais da floresta, que talvez apareçam repentinamente, livres no seu estado natural e segundo seus instintos — a graciosa corça passando aos saltos, o canguru pulando, a ema ou o casuar avançando velozmente a grandes passos — ou até mesmo um rebanho de ovelhas na campina? Por que é que todas as glórias ao seu redor, no céu, na terra e nas correntes, o enchem do gozo delicioso de estar vivo como criatura inteligente? É porque foi feito para viver num paraíso!
3. De quem obtivemos nosso apreço do paraíso?
3 Não! Nunca esteve no paraíso, mas o primeiro casal humano, nosso primeiro pai e nossa primeira mãe humanos, estiveram no início num paraíso. Obteve deles o seu apreço do que é um paraíso. Eles obtiveram o apreço do paraíso do seu Criador, a quem reconheciam como seu Deus. Ele os fez assim, porque ele mesmo tem um senso perfeito de beleza e de harmonia pacífica. Fez o Paraíso terrestre especialmente para eles, pois é o maior Jardinista em existência, o maior Paisagista, o maior Silvicultor. Desejou deliciá-los com o seu lar paradísico, e por isso deu-lhes as qualidades divinas por meio das quais podiam usufruir o paraíso e nunca se cansar dele. Ele os fez de tal modo, que podiam transmitir a mesma percepção do paraíso e o apreço alegre dele, que eles mesmos possuíam, como pais. Herdamos deles esta tendência enobrecedora. Gostaríamos então de voltar ao paraíso, se for da vontade e do arranjo do Criador? Certamente que sim!
4. Com que qualidades dotou Jeová originalmente o homem, mostrando o que com respeito à sua criação humana?
4 Quão bom foi da parte do Criador celestial dar início à família humana num lar paradísico! Quão característico de Deus era fazer isso! Ele não nos degradou, só porque somos humanos e feitos do pó do solo. Dignificou-nos, deu-nos a maior dignidade na terra, por criar os nossos primeiros pais como criaturas humanas perfeitas, as criaturas viventes mais belas na terra, com qualidades divinas, porque os nossos primeiros pais humanos foram feitos à imagem e à semelhança de Deus. Não se envergonhou de chamá-los de seus filhos, embora fossem um pouco inferiores aos anjos do céu. Em perfeita harmonia com as boas sensibilidades que possuíam, e com os seus corpos sadios, perfeitos e bonitos, ele os colocou num lar que se harmonizava com a capacidade deles, um paraíso terrestre que só o Deus Todo-poderoso podia projetar. Sua Palavra escrita, a Bíblia Sagrada, contando-nos como era, chama-o de “jardim no Éden”, sendo que o nome “Éden” significa “Prazer”. — Gên. 1:26-28; 2:7-14.
5. Como sabemos que o jardim do Éden não foi apenas um pequeno parque belo?
5 Este Jardim do Éden, este Paraíso de Prazer, não era uma região pequena, semelhante ao parque duma cidade. Além das outras espécies de vegetação, possuía toda espécie de árvores, árvores de bom aspecto e árvores frutíferas, para alimentação. Estava cheio de aves e de animais. Mas, para nos fornecer um indício de seu tamanho, havia um rio que se originava neste paraíso e que corria com tanta água fresca, que se podia dividir em quatro cabeceiras de rios. Nestas águas abundavam os peixes, embora os grandes mares e oceanos estivessem distantes. Sem dúvida, havia colinas e vales neste lugar paradísico seleto da terra, no primeiro lar do homem.
6. Por que não nasceu a humanidade no Paraíso?
6 Hoje, depois de quase seis mil anos desde que começou a vida humana no Paraíso, a terra por certo não é nenhum paraíso, nenhum pacífico Jardim do Éden. O que aconteceu àquele Paraíso do primeiro casal humano, no sudoeste da Ásia? Por que não nascemos todos nós no Paraíso! Foi porque nossos primeiros pais humanos, antes de terem filhos, foram expulsos do Jardim do Éden. Daí, mais de dezesseis séculos depois, um dilúvio que cobriu toda a terra destruiu o Jardim abandonado. Mas o rio Eufrates e o rio Tigre, cujas nascentes estavam antigamente naquele Paraíso, ainda existem, como testemunho inegável da veracidade deste assunto. Não se trata do mito dum povo supersticioso. O nome daquele primeiro homem foi Adão, e este significa “Do Solo”. O nome de sua esposa foi Eva, e este significa “Vivente”, porque ela veio a ser a mãe de todas as outras criaturas humanas. Todas estas, inclusive nós hoje em dia, começaram a nascer-lhes depois de terem sido expulsos do paradísico Jardim do Éden.
7. (a) Qual é o propósito imutável de Deus para com esta terra? (b) De que modo demonstrou o Senhor Jesus Cristo fé na Palavra de Deus, convencendo-nos de sua veracidade?
7 Quem, porém, tinha o direito de expulsar Adão e Eva daquele Paraíso? Quem tinha o direito de destruir aquele Paraíso e nos manter fora dele? Deus, o Criador dele bem como de Adão e Eva. Ele tem também o direito de nos prometer replantar o Paraíso na terra. De fato, ele nos fez esta promessa, e fez que esta promessa fosse escrita na sua Palavra inspirada, A Bíblia Sagrada. Quando primeiro plantou o paradísico Jardim do Éden, no sudoeste da Ásia, teve por propósito imutável que aquele Paraíso se estendesse sobre toda a terra, sobre toda a Ásia, Europa, África, Austrália, Antártida, América do Norte e do Sul, e sobre as ilhas dos sete mares. Não mudou seu propósito amoroso neste sentido. Não foi frustrado no seu propósito original. Não é desistente. Ainda se apega ao seu propósito original. Em prova deste fato feliz, ele proveu à família humana a estrada de retorno ao Paraíso, a um Paraíso tão grande como primeiro se propôs que fosse, a um Paraíso global de paz eterna. Ele fará que esta terra, por fim, seja ainda mais bela do que apareceu àqueles astronautas no espaço, quando giravam em órbita da lua no seu veículo espacial de fabricação humana. Não se trata dum mito religioso. Se fosse mito, então Deus, o responsável pela escrita da Bíblia Sagrada, se tornaria alvo de riso. Neste caso, os clérigos religiosos da cristandade e os cientistas hodiernos estariam justificados em rir-se dele e caçoar de sua Bíblia. Mas um homem que foi maior do que todos estes clérigos e cientistas juntos falou bem seriamente sobre os nossos primeiros pais humanos. Num argumento, quando foi interrogado sobre o assunto do casamento e do divórcio, ele disse: “Não lestes que aquele que os criou desde o princípio os fez macho e fêmea, e disse: ‘Por esta razão deixará um homem seu pai e sua mãe, e se apegará à sua esposa, e os dois serão uma só carne’? De modo que não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus pôs sob o mesmo jugo, não o separe o homem.” (Mat. 19:3-6) Este homem foi Jesus Cristo, e ele citou ali o primeiro e o segundo capítulo da Bíblia Sagrada. — Gên. 1:27; 2:24.
8, 9. Por que podia Jesus falar com autoridade sobre a criação do homem e o futuro do homem?
8 Antes de Jesus Cristo descer do céu à terra, para nascer como homem perfeito, foi a ele que o Deus no céu disse no sexto dia da criação: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança, e tenham eles em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e os animais domésticos, e toda a terra, e todo animal movente que se move sobre a terra.” (Gên. 1:26) Portanto, Jesus Cristo pôde falar com autoridade sobre a criação de Adão e Eva, e seu lar paradísico.
9 Em vista deste convite de Deus, Jesus Cristo, na sua existência pré-humana, participou com Deus na criação de Adão e Eva, e de seu Paraíso. Esteve ali no céu e ouviu Deus abençoar Adão e Eva, e dizer-lhes: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” (Gên. 1:27, 28) Jesus Cristo sabia diretamente, à base disso, que o propósito de Deus era que toda a terra fosse sujeita e cultivada até atingir o estado dum Paraíso, e ser enchida de filhos de Adão e Eva, todos à imagem e semelhança de Deus, tendo em sujeição todos os peixes, as aves e os animais domésticos e selváticos, mas não adorando estas criaturas inferiores como deuses e deusas. Quão glorioso e lindo lugar será esta terra quando o Deus Todo-poderoso cumprir plenamente este propósito, pois não mudou de idéia sobre isso.
A CRIAÇÃO DO HOMEM E SUA QUEDA DA PERFEIÇÃO
10. Como é a criação do homem descrita em Gênesis, capítulo dois?
10 O segundo capítulo da Bíblia Sagrada nos conta que Deus criou primeiro Adão, o que pouco depois foi seguido pela criação da esposa dele, Eva, ocorrendo depois seu casamento. Citamos agora da versão católica romana de Matos Soares aquilo que o Gên. capítulo dois da Bíblia Sagrada diz: “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente. Ora, o Senhor Deus tinha plantado, desde o princípio, um paraíso de delícias, no qual pôs o homem que tinha formado.” — Gên. 2:7, 8; também PIB.
11, 12. Antes de criar Eva, o que mandou Deus que Adão fizesse e que ordem deu a Adão?
11 Mas antes de Deus criar a mulher Eva, fez que Adão desse nomes às criaturas voadoras e aos animais terrestres, e impôs também a Adão a ordem de não comer de certa árvore, a saber, da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. Lemos:
12 “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse. E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de todas as árvores do paraíso, mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque, em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitavelmente.” — Gên. 2:15-17, So.
13. (a) Visto que a humanidade morre, o que se torna logo evidente quanto à obediência de Adão? (b) O que disse Jesus sobre a obediência nas coisas pequenas?
13 O Senhor Deus apresentou ali ao nosso primeiro pai humano a escolha entre a vida eterna no paraíso de prazer e a morte eterna. Podemos logo suspeitar que, com o tempo, Adão comeu do fruto proibido e foi sentenciado à morte por Aquele cuja lei violou. Senão, por que é que todos nós, que somos descendentes de Adão, morremos? É isso mesmo. Mas o que induziu Adão a violar esta lei, apesar da pena de morte? Tratava-se apenas de uma coisa pequena que Deus lhe mandou que não fizesse, mas, por ser uma coisa tão pequena, pôs à prova a perfeição da obediência de Adão. Bastava apenas um pequeno começo na maldade para destruir a perfeição de Adão, semelhante à de Deus, e torná-lo um homem mau. Jesus Cristo, que manteve a sua própria perfeição apesar de grande tentação e prova, disse: “O que é fiel no pouco, também é fiel no muito; e o que é injusto no pouco, também é injusto no muito.” (Luc. 16:10, So) Toda a injustiça da humanidade, hoje em dia, se desenvolveu do pequeno pecado cometido pelo homem perfeito Adão. Portanto, por que pecou Adão? A Bíblia nos conta por quê.
14. Qual foi a resposta de Eva à pergunta sobre a árvore proibida, e quem fez a pergunta?
14 Depois de Deus ter criado a mulher Eva e a ter apresentado a Adão, como esposa deste, Adão contou a ela a ordem de Deus proibindo comer da árvore do conhecimento do que é bom e do que mau, e falou sobre a pena de morte no caso de comerem dela em desobediência. Mais tarde, quando se perguntou a Eva sobre a árvore proibida, ela disse ao indagador: “Nós comemos do fruto das árvores, que estão no paraíso. Mas do fruto da árvore, que está no meio do paraíso, Deus nos mandou que não comêssemos, e nem a tocássemos, não suceda que morramos.” (Gên. 3:2, 3, So) Ora, quem era este que indagava sobre tal árvore proibida? Para todas as aparências, tratava-se duma cobra, duma serpente. Mas as cobras não falam a língua do homem. Por isso, a voz deve ter procedido duma pessoa invisível, que usava esta cobra assim como o ventríloquo usa um boneco. Portanto, Eva realmente não suspeitava que o indagador fosse realmente uma pessoa espiritual, invisível, decidida a induzi-la a violar a ordem de Deus e assim a pecar. Por isso, Eva disse mais tarde, em explicação: “A serpente enganou-me, e comi.” — Gên. 3:13, So.
15. De que modo caluniou a serpente a Deus, quando falou com Eva, e por isso, por que é apropriado o título “Diabo” para esta criatura espiritual invisível, que primeiro falou a Eva?
15 Foi ali que se falou a primeira mentira, pois o invisível que falou a Eva contradisse então a palavra de aviso de Deus. Tornou-se mentiroso, mas queria dar a entender que Deus havia mentido a Adão e assim era mentiroso. Lemos: “A serpente disse à mulher: Vós de nenhum modo morrereis. Mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.” (Gên. 3:1-5, So) Todos nós hoje sabemos que se tratava duma mentira, pois todos nós morremos e herdamos a morte. Deus não foi o mentiroso, mas o manipulador da serpente o foi. Quem era ele como pessoa? Jesus Cristo disse que era “o Diabo” e acrescentou: “Ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade; porque a verdade não está nele; quando ele diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (João 8:44, So) Quão apropriado era que Jesus Cristo o chamasse de Diabo, pois “Diabo” significa “Caluniador”, e este havia caluniado a Deus. De modo homicida, induziu Eva a tomar o caminho da morte.
16. (a) Que pensamentos começou a ter Eva? (b) O que fez ela e a que persuadiu depois seu marido?
16 Eva permitiu que a mentira lhe ficasse na cabeça. Começou a descrer de Deus, seu Criador e Pai. A árvore proibida começou então a parecer algo desejável, em vez de algo a ser evitado como a praga da morte. Criou-se, então, no seu coração o desejo pelo fruto da árvore proibida. Não deixou que Deus fosse achado verdadeiro, mas permitiu que seu crescente desejo a vencesse e a induzisse a comer do fruto proibido. Violou a lei de Deus e praticou o primeiro pecado humano. Não caiu imediatamente morta, o que aparentemente provava que a serpente manipulada pelo Diabo tinha razão, no momento. Depois, quando seu marido se chegou a ela e a encontrou ainda viva, ela o persuadiu a aceitar da mão dela o fruto proibido. Ele sabia que a plena penalidade por fazer isso era a morte, mas escolheu egoistamente morrer com ela às mãos de Deus, em vez de viver no Paraíso sem ela. Perderam imediatamente a sua paz de coração e mente. A consciência começou a incomodá-los. Haviam perdido a sua perfeita inocência; pareciam-se impuros. Perderam também a sua paz com Deus. Fugiram e se esconderam diante do próprio som da chegada invisível de Deus. — Gên. 3:6-10.
17. Como foi o Diabo provado mentiroso, e o que aconteceu realmente a Adão e Eva?
17 Em resposta à interrogação de Deus, Eva e Adão confessaram seu pecado deliberado. Não tinham base para pedir-lhe perdão e não o pediram, pois teria significado que Deus devia deixar de lado a sua própria lei. Contrário ao que o Diabo dissera por meio da serpente, Deus, de modo justo, se apegou à sua lei e sentenciou Adão e Eva à morte. Não os sentenciou à vida eterna num lugar de tormento de fogo; sentenciou-os ao que sua lei havia especificado: à morte. Isto significava que tinham de retornar ao lugar do qual Adão havia sido tomado, ao pó do solo, voltando assim ao estado da não-existência. Não se destina a ninguém à não-existência em recompensa dum mérito pessoal, como se ensina na doutrina religiosa do Nirvana. É a punição da desobediência deliberada da lei de Deus, um pecado deliberado. O apóstolo cristão Paulo escreveu: “O estipêndio do pecado é a morte. Mas a graça de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo.” — Rom. 6:23, So.
18. Por meio de seu proceder, a que se haviam decidido Adão e Eva, e, portanto, que ação tomou então Deus?
18 Como executou Deus esta sentença? Adão e Eva, ao comerem da árvore proibida do conhecimento do que é bom e do que mau, haviam decidido ser semelhantes a deuses, escolhendo para si mesmos o que era bom e o que era mau. Por isso diz o registro de Deus, em Gênesis 3:22-24 (So): “E disse: Eis que Adão se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal; agora, pois, para que não suceda que ele estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. E o Senhor Deus lançou-o fora do paraíso de delícias, para que cultivasse a terra, de que tinha sido tomado. E expulsou a Adão, e pôs diante do paraíso de delícias Querubins brandindo uma espada de fogo, para guardar o caminho da árvore da vida.” O registro bíblico indica que a esposa de Adão, Eva, foi expulsa junto com ele. O pecado de Adão afetou a sua perfeição física tão pouco, que fora do paraíso de delícias ele viveu até à idade de novecentos e trinta anos, o que lhe permitiu tornar-se pai de muitos filhos e de muitas filhas. (Gên. 5:1-5) Se tivesse permanecido obediente dentro do Paraíso, Adão poderia ter vivido para sempre e se tornado pai de todos os seus filhos e filhas em perfeição humana.
19. Como se bloqueou naquele tempo a estrada de retorno ao Paraíso para o primeiro casal humano e sua descendência, e o que aconteceu por fim àquele Paraíso do Éden?
19 Esta foi a estrada que levou para fora do Paraíso e para fora da sua paz com Deus, da paz do homem com a mulher e da paz do homem com os animais, as aves e os peixes. O caminho de retorno foi impedido pela presença daqueles querubins guardiães, criaturas sobre-humanas de Deus, e pela lâmina chamejante duma espada que girava em todas as direções. Durante mil seiscentos e cinqüenta e seis anos, o homem não pôde retornar ao Paraíso e à sua árvore da vida; nem mesmo homens piedosos tais como Abel, Enoque e Noé foram admitidos de volta. Depois veio o dilúvio global dos dias de Noé e eliminou o Paraíso. (Heb. 11:1-7; Gên. 6:5 a 8:22) Nunca mais foi descoberto.
20. (a) Converteu-se nossa terra num paraíso desde o Dilúvio, e o que ameaça agora este globo? (b) Por que não pode o homem transformar esta terra num paraíso?
20 Desde aquele Dilúvio de há mais de quarenta e três séculos, a humanidade não conseguiu converter esta terra inteira num paraíso, embora a humanidade tenha aumentado a mais de três bilhões e quatrocentos milhões de pessoas e haja o que se chama de “explosão demográfica”. Outra guerra mundial, esta com armas nucleares, químicas, biológicas e radiológicas, ameaça fazer desta terra um planeta desabitado, a se tornar agreste e não cultivado, poluído duma extremidade a outra. Os fatos falam por si mesmos: o homem no seu presente estado não pode transformar este planeta terra num paraíso, comparável ao original Jardim do Éden ou Paraíso de Prazer. Por que não? Porque o homem não está em paz com Deus, o Criador do Paraíso. O homem não pode mais pretender ter perfeição física e mental, ou perfeita inocência, perfeita moralidade. Ele é simplesmente o que a Bíblia Sagrada o chama: pecador. Por esta razão, o homem se acha sob a condenação de Deus e está sujeito a morrer.
A ESTRADA DE RETORNO EM PREPARAÇÃO
21, 22. Fez a desobediência de Adão e Eva que se frustrasse para sempre o propósito de Deus, de que esta terra fosse um paraíso, e como sabemos isso?
21 É o caso, então, desesperador? É impossível qualquer retorno à paz no Paraíso? Pelos esforços do próprio homem: sim! Mas por Deus: não! Logo no primeiro dia da criação, quando Deus disse: “Venha a haver luz”, ele tinha em mente que esta terra se tornasse um paraíso global. No fim do sexto dia criativo, deixou os recém-criados Adão e Eva saber que este era seu propósito e designou-lhes a sua parte no cumprimento deste propósito divino. (Gên. 1:3, 28) O pecado da parte de Eva e Adão impediu a ampliação do paraíso até os confins da terra. Mas o Deus Todo-poderoso não é Alguém a ser frustrado no seu propósito amoroso pelo Diabo, o manipulador da serpente. Antes de expulsar os pecadores Adão e Eva do Jardim do Éden, Deus informou tanto a eles como ao Diabo, que se apegava ao Seu propósito e indicou que restabeleceria a humanidade no Paraíso. Como foi isto indicado por Deus? Por aquilo que ele disse ao Diabo. Lemos, segundo a edição atualizada da Versão Almeida da Bíblia:
22 “Então o SENHOR [Jeová] Deus disse à serpente: Visto que isto fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos, e o és entre todos os animais selváticos: rastejarás sobre o teu ventre, e comerás pó todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” — Gên. 3:14, 15.
23. (a) Quem era a serpente simbólica e a mulher simbólica mencionadas em Gênesis 3:14, 15? (b) O que significaria, por fim, o esmagamento da cabeça da serpente para a humanidade?
23 Por amaldiçoar assim a serpente, Deus amaldiçoou realmente o Diabo, manipulador da serpente. A serpente se tornou símbolo do Diabo. (Rev. 12:9; 20:2) Se houve degradação do símbolo, da serpente literal, então também o Diabo deve ser degradado. Deus chamou o Diabo de “serpente original”, indicando esta degradação. Concordemente, a descendência ou semente da serpente tornou-se símbolo da descendência ou semente do Diabo. O descendente ou a semente da mulher tornou-se símbolo do descendente ou da semente da “mulher” simbólica de Deus, a saber, de sua santa e fiel organização celestial de criaturas espirituais. O ferimento da cabeça da serpente pelo descendente da mulher significa o ferimento da cabeça do Diabo, ferida que significa a morte e destruição para ele. Mas, não só haveria esta punição do Diabo, a “serpente original”, porém, também se desfaria a sua obra iníqua. Isto tinha de incluir o restabelecimento da humanidade num paraíso terrestre.
24. Que bênção resultaria para o descendente da “mulher” de Deus por combater a “serpente” e sua descendência, e onde podemos encontrar a identificação do descendente da “mulher” de Deus?
24 O ferimento no calcanhar não seria por nada. O descendente da mulher seria recompensado por sofrer ferimento no calcanhar, pois aconteceu por ele lutar ao lado de Jeová Deus na guerra resultante da inimizade que Deus estabeleceu entre a serpente e a mulher, e entre a descendência da serpente e o descendente da mulher. Seu ferimento havia de ser recompensado com honra e glória, pelo cumprimento da vontade de Jeová e pelo ferimento da cabeça da grande Serpente, destruindo este principal opositor de Deus. Estamos chegando muito perto do tempo em que o descendente da “mulher” de Deus obterá glória eterna por esmagar a cabeça da grande Serpente. Toda a humanidade viva estará então endividada com este Descendente glorioso por tal ato de libertação dela deste principal inimigo seu, o Diabo. Mas sabemos quem é este descendente da “mulher” de Deus? A história o identifica para nós, e esta história indisputável se encontra nas páginas do Livro que nos fala também do vindouro replantio do Paraíso para a humanidade, a saber, a Bíblia Sagrada. Repassemos rapidamente os indícios da identificação.
25, 26. Delineie a história que nos leva ao descendente da “mulher” de Deus, começando com Sem.
25 Não obtemos esta informação de historiadores mundanos, seculares. A história secular, em geral, despercebe, omite ou deixa fora os fatos históricos realmente importantes. Recorremos à Bíblia para saber que Sem, filho de Noé, foi especialmente destacado quando Noé abençoou a Sem e disse: “Bendito seja Jeová, Deus de Sem, e torne-se Canaã escravo dele. Conceda Deus amplo espaço a Jafé, e resida ele nas tendas de Sem.” (Gên. 9:24-27) Por passarmos então por nove gerações depois de Sem, chegamos ao descendente de Sem chamado Abrão (ou Abraão), na terra de Mesopotâmia. O Deus de Sem, Jeová, revelou-se a Abraão e disse: “Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei; e farei de ti uma grande nação e te abençoarei, e hei de engrandecer o teu nome; e mostra-te uma bênção. E hei de abençoar os que te abençoarem e amaldiçoarei aquele que invocar o mal sobre ti, e todas as famílias do solo certamente abençoarão a si mesmas por meio de ti.” (Gên. 12:1-3) Abraão obedeceu a Deus e obteve a sua bênção.
26 Abraão mostrou-se uma bênção para todas as famílias do solo, não por meio do seu primeiro filho, Ismael, mas por meio do seu segundo filho, Isaque. Quando Abraão se mostrou obediente a Jeová Deus ao ponto de sacrificar seu filho amado Isaque às ordens de Deus, Deus disse a Abraão, junto ao altar de sacrifício: “Seguramente te abençoarei e seguramente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como os grãos de areia que há à beira do mar; e teu descendente tomará posse do portão de seus inimigos. E todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de tua descendência, pelo fato de que escutaste a minha voz.” (Gên. 22:15-18) A promessa de Deus indicava assim que o descendente de sua “mulher” viria a estar associado com a descendência de Abraão para a bênção de todas as nações da terra.
27, 28. (a) Através de quem continuou a linhagem até o Descendente, depois de Isaque? (b) O que mostra o registro bíblico então com respeito à bênção dos doze filhos de Israel?
27 Jeová Deus repetiu a sua promessa de bênção ao filho de Abraão, Isaque. Mas Isaque teve filhos gêmeos, Esaú e Jacó. Deus escolheu o segundo filho, Jacó, e repetiu-lhe sua promessa de bênção. Mudou também o nome de Jacó para Israel. Os israelitas atuais são descendentes de Jacó ou Israel; no entanto, hoje em dia, todas as nações da terra estão longe de querer abençoar a si mesmas por meio destes descendentes de Jacó ou Israel. Por quê? A história bíblica nos esclarece a razão. Por seguirmos o seu registro, notamos que Jacó teve doze filhos, os quais se haviam de tornar chefes patriarcais das doze tribos de Israel, uma nação-família. Por meio de qual destes doze filhos viria especificamente o descendente da “mulher” de Deus, para ferir a cabeça da grande Serpente e para abençoar todas as nações da terra sem parcialidade? Jacó, no seu leito de morte, lá no Egito, indicou quem seria. Quando deu as suas bênçãos proféticas a todos os doze filhos, ele disse ao seu quarto filho, Judá:
28 “Quanto a ti, Judá, teus irmãos te elogiarão. . . . Judá é um leãozinho. . . . O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comandante de entre os seus pés, até que venha Siló; e a ele pertencerá a obediência dos povos.”
29. Que fatos possuímos agora sobre este descendente da “mulher” de Deus?
29 Estas palavras, preservadas para nós em Gênesis 49:8-10, tornam certo que o Feridor da grande Serpente e Abençoador de todos os povos obedientes tinha de ser judeu. Brandiria o cetro real e o bastão de comando legítimo havia de descansar entre os seus pés ou no seu colo. Seria a Ele que pertenceria o nome ou título “Siló”, que significa “Aquele a Quem Pertence”. Como Regente designado por Jeová Deus, teria o direito à obediência de todos os povos que procuram a bênção do Descendente de Abraão.
30. Como sabemos que Davi e Salomão, descendentes de Judá, não estavam habilitados para serem aquele descendente da “mulher” de Deus?
30 Seiscentos e quarenta e um anos depois, ou seja, em 1070 A. E. C., um descendente do patriarca Judá tornou-se rei duma nação, a saber, Davi, filho de Jessé, da cidade de Belém. Como rei de Jerusalém, ele comandou a obediência de todas as doze tribos de Israel. Terminou a conquista de toda a terra que Deus prometera dar a Abraão, no Oriente Médio, e os povos daquelas regiões conquistadas tinham de ser obedientes ao Rei Davi. Mas nem Davi, nem seu filho e herdeiro no trono, Salomão, comandaram a obediência de todos os povos em todo o nosso globo terrestre. A regência mundial, porém, viria a ser de um dos descendentes reais de Davi, a quem Deus daria um reino eterno. Deus indicou isto ao Rei Davi por meio da promessa pactuada que fez com ele. (2 Sam. 7:4-17) Sob a regência pacífica do filho de Davi, Salomão, grande parte da terra de Israel foi levada a uma condição aproximada daquela do Paraíso. — 1 Reis 4:20-25.
[Foto na página 612]
O Criador do homem iniciou a família humana num lar paradísico, pacífico.
[Foto na página 616]
A desobediência de Adão e Eva foi a estrada que levou para fora do Paraíso e da paz com Deus.
[Capa na página 609]
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