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Qual é a condição de seu coração?A Sentinela — 1971 | 1.° de setembro
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e os desejos originados nele? Ao examinar seu coração à luz da Palavra de Deus, verifica que o motiva na direção certa e que tem desejos e afeições corretas? Ao encontrar deficiências, é bem sucedido em renovar e fortalecer tanto seu coração como a mente, para pensar de modo correto e resistir às tendências da carne imperfeita a às tentações em sua volta? Se tiver obtido certo êxito nisso já agora, é vital que continue a edificar e a proteger seu coração.
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O coração humano é traiçoeiroA Sentinela — 1971 | 1.° de setembro
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O coração humano é traiçoeiro
“O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado. Quem o pode conhecer? Eu, Jeová, esquadrinho o coração, sim, para dar a cada um segundo os céus caminhos, segundo os frutos das suas ações.” — Jer. 17:9, 10.
1. O que nos diz a Bíblia fracamente sobre a inclinação do coração do homem?
NOSSAS próprias experiências e as experiências dos outros nos fazem lembrar cada dia que não nascemos com um bom coração e com inclinação mental para a justiça. Apesar da inocência dum bebê recém-nascido, o pecado e a imperfeição já estiveram trabalhando nele desde a sua concepção. O salmista Davi o expressa do seguinte modo: “Eis que em erro fui dado à luz com dores de parto, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Sal. 51:5) Até mesmo os pais conscienciosos, que se esforçam a criar seus filhos “na disciplina e no conselho de autoridade de Jeová”, ficam muitas vezes dolorosamente apercebidos de que “a tolice está ligada ao coração do rapaz”, e verificam que exige “a vara da disciplina”, nas suas diversas aplicações, para ‘a remover para longe dele’. (Efé. 6:4; Pro. 22:15) Jeová, misericordiosamente, reparou nesta herança desditosa, transmitida dos pais aos filhos, quando ele aceitou o sacrifício de Noé e de sua família após o dilúvio global: “Nunca mais invocarei o mal sobre o solo por causa do homem, porque a inclinação do coração do homem é má desde a sua mocidade.” — Gên. 8:21.
O CORAÇÃO PODE SER ENGANOSO
2. (a) Em que sentido e “o coração . . . mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado”? (b) O que reconheceu o apóstolo Paulo, mesmo depois de ter transformado a mente?
2 Trabalhar com o coração é complicado. Se não tivermos cuidado, poderemos tornar-nos vítimas por enganarmos a nós mesmos. A Bíblia adverte: “O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado. Quem o pode conhecer?” (Jer. 17:9) Quem é traiçoeiro se distingue pela disposição de prontamente trair a confiança ou a fé depositada nele; é desleal, indigno de confiança e realmente pérfido. Imagine só! Todos nós, na nossa condição imperfeita, temos um traidor em potencial no nosso íntimo! Não é verdade que às vezes ficamos espantados, sim, envergonhados, com as coisas que se começam a arraigar no coração? E quando o coração deseja desesperadamente algo, isto pode levar a sérias dificuldades. É vital que façamos rapidamente ajustes para sossegar estas novas afeições e para eliminar estes desejos repentinos. O apóstolo Paulo confessou que sua mente renovada estava sendo combatida pelos desejos maus do coração bem como pelos fardos impostos pela carne imperfeita: “Eu realmente me deleito na lei de Deus segundo o homem que sou no íntimo, mas observo em meus membros outra lei guerreando contra a lei da minha mente e levando-me cativo à lei do pecado que está em meus membros.” (Rom. 7:22, 23) Ele reconhecia que só Jeová, por meio de Cristo, podia socorrer-nos neste estado lastimável. Se ficássemos entregues a nós mesmos, certamente nos perderíamos muitas vezes. “Muitos são os planos no coração do homem, mas é o conselho de Jeová que ficará de pé.” — Pro. 19:21
3. Embora a mente esteja em condições de influenciar o coração com conclusões raciocinadas, o que pode acontecer quando o coração não está inclinado a escutar?
3 Conforme já aprendemos antes, o coração nem sempre atende à mente. Há ocasiões em que o coração se sobrepõe à mente, apesar da sua força de lógica. Devemos lembrar-nos de que o coração também raciocina, embora isto não tenha tanto que ver com a lógica, como tem que ver com o que ocorre no coração à medida que as nossas motivações, nossas afeições e nossos desejos, tomam forma e ganham ímpeto em certa direção, quer para o bem, quer para o mal. Davi orou: ‘A meditação de meu coração, torne-se ela agradável diante de ti, ó Jeová.’ Em contraste, Jesus disse: “Do coração vêm raciocínios iníquos.” (Sal. 19:14; Mat. 15:19) A mente está em situação de influenciar o coração, de fazer recomendações lógicas a ele, de apelar para ele, talvez à base de experiência passada, e, em alguns casos, de exortá-lo fortemente a adotar certo proceder, por saber dos perigos envolvidos, mas se o desejo e a afeição para com certa coisa se tiverem tornado fortes no coração, o coração pode sair-se vencedor.
4. Ilustre as operações da mente e do coração com relação a compra de um novo terno ou novo vestido.
4 Para ilustrar isso, suponhamos que chega a ocasião em que tenha de decidir-se a comprar um terno ou um vestido novo. Primeiro, a mente é confrontada com certos fatos. Talvez a roupa velha já tenha perdido a utilidade ou há necessidade duma mudança por outro motivo bom. O coração também entra nesta questão, visto que há o desejo, no coração, de ter aparência mais apresentável. O coração e a mente estão de acordo, de que se compre um novo vestido ou um novo terno. A mente reúne então informações sobre os preços, a qualidade, o estilo e assim por diante, para que, quando for fazer a compra, tenha uma boa idéia sobre que terno ou vestido comprar. Mas quando chega à loja, encontra na vitrina algo que atrai muito o olhar, à espera dum comprador impulsivo. Não é realmente prático para sua pessoa; envolve muito mais dinheiro; é bastante avançado na moda; mas quanto agrada ao coração! “É o deleite do coração!”
5. O que é preciso para mantermos o coração unido em fazer a vontade de Jeová?
5 O que se fará então? Que decisão será tomada? Será uma decisão prática, racional, ou uma segundo este novo desejo do coração? Se não tiver muito cuidado, o coração se sobreporá à mente. Sentir-se-á motivado a seguir certo proceder contrário ao bom senso. Por outro lado, pode tratar-se do caso de um coração momentaneamente dividido, como acontece amiúde. Neste caso, os transcendentes bons motivos e afeições do coração vencerão, resultando na decisão certa, de comprar a vestimenta mais prática para satisfazer as suas necessidades de roupa. Mas deve lembrar-se adicionalmente de que, para se assegurar de fazer as decisões certas, é necessário fortalecer e treinar o coração com antecedência no conselho de Jeová. “Quem confia no seu próprio coração é estúpido, mas aquele que anda em sabedoria é o que escapará.” O desejo mais forte que alguém cultivar no coração, de colocar os interesses e os princípios de Jeová em primeiro lugar na sua vida, podem derrotar interesses e desejos fascinantes que surgem repentinamente no coração. — Pro. 28:26.
6. Por que é necessário agir logo, quando desejos errados começam a arraigar-se no coração?
6 Agora, levemos este raciocínio mais um passo adiante, aos aspectos mais sérios da vida. Como reage o coração quando somos confrontados com a tentação de cometer imoralidade, de furtar e de prejudicar os outros? Ainda mais sério, o que há de errado quando alguém começa a planejar deliberadamente satisfazer os desejos do coração! É o seu coração bastante forte para motivá-lo a se afastar do proceder errado, ou sucumbirá a pensar secretamente na possibilidade de satisfazer os desejos da carne? Demorar em fazer a decisão certa pode ser desastroso. Gera-se uma força poderosa quando o coração começa a cogitar, incitam-se as emoções e a carne se prepara para o proceder errado. “Mas cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo [que tem início no coração]. Então o desejo, tendo-se tornado fértil, da à luz o pecado; o pecado, por sua vez, tendo sido consumado, produz a morte.” — Tia. 1:14, 15.
7. Ilustre como o coração pode sair vencedor em preferir contrariar os argumentos da mente.
7 Por exemplo, tome o caso do homem casado que se vê confrontado com a tentação de cometer adultério com alguém que não é seu cônjuge. Sua mente, à base do estudo e do que ouviu e viu, talvez tenha informações que são muito contrárias a tal proceder. Por pensar no que resultou aos outros que adotaram tal proceder e por considerar as dificuldades e os maus efeitos a que tal ação levará logicamente, a mente dele talvez apresente argumentos sobrepujantes na direção contrária de tal tentação, informações que recomendam urgentemente afastar-se da zona de perigo. Mas, suponhamos que o coração da pessoa não deseje desviar-se da tentação? Neste caso, seu coração fará uma decisão contrária ao que sua mente apresenta e recomenda, sendo que o coração, de fato, diz à mente: “Não, mas este é o caminho que seguiremos.” O poder emocional do coração faz que permaneça na zona de perigo, contrário ao conselho e ao raciocínio de sua mente.
8. Como descreve a Bíblia a capacidade do coração de escolher o proceder a adotar?
8 Esta capacidade do coração, de escolher entre procederes opcionais e fixar seu desejo num deles explica por que a Bíblia fala do coração do homem como ‘fazendo planos’ e ‘concebendo o seu caminho’, quer dizer, o caminho em que a sua mente primeiro pensou e que agrada ao coração. (Pro. 19:21; 16:9) Isto se dá especialmente no caso de questões morais e espirituais.
9. Quando o coração tem um forte desejo de fazer o errado, o que pode acontecer ao exercer sua influência sobre a mente?
9 Além disso, porém, o coração talvez induza então a mente a começar a procurar algum pretexto ou uma desculpa para adotar o proceder errado, empregando raciocínios falsos. A pessoa pode entregar-se a uma ação pecaminosa, e, no mesmo momento em que está pecando, seu coração pode induzir a sua mente a inventar justificativas. Talvez tome liberdades com a benevolência de Deus, dizendo: ‘Deus é muito misericordioso, ele me perdoará por causa da minha fraqueza carnal’, continuando ao mesmo tempo com seu proceder errado. Torna-se igual a pessoa iníqua que “disse no seu coração: ‘Deus se esqueceu. Escondeu a sua face. Certamente nunca o verá.”‘ (Sal. 10:11; veja Romanos 1:21, 24) Não é de se admirar, portanto, que as Escrituras nos advirtam de que o coração do homem pecador é “mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado”. — Jer. 17:9.
10, 11. (a) O que disse Jesus sobre o homem cometer adultério no coração? (b) De que modo pode o homem, aos olhos de Deus, ir ao ponto de cometer adultério no coração, embora não toque em alguém que não seja sua esposa?
10 Isto nos ajuda também a compreender como alguém pode ser considerado por Deus como tendo cometido adultério, embora nem mesmo tenha tocado na outra pessoa envolvida. Um homem talvez veja de relance uma mulher bonita, não sua esposa, e diga no seu coração: “Ela é muito bonita”, mesmo antes de ter tido tempo de pensar nisso. Tal conclusão passageira não necessariamente é errada ou impura, mas, se o homem ‘persistir em olhar’ para esta mulher, seu desejo forçosamente se desenvolverá ao ponto de sentir no coração paixão por ela. Jesus aconselhou: “Mas eu vos digo que todo aquele [casado] que persiste em olhar para uma mulher, ao ponto de ter paixão por ela, já cometeu [onde?] no coração adultério com ela.” — Mat. 5:28.
11 Ele não se empenhou realmente no ato físico, talvez porque as circunstâncias não o permitiram; não acha que se pode ‘safar com isso’ sem sofrer uma série de problemas desagradáveis. Sua mente talvez o tenha advertido sobre isso. Mas, caso a situação mude, parecendo propícia, e ele pense que haja possibilidade de escapar de resultados sérios, então seu coração já está disposto a cometer o ato e deseja cometê-lo. A plena motivação está presente — apenas falta a oportunidade. Aos olhos de Deus, tal pessoa já é culpada. (Veja Tiago 1:13-15.) Do mesmo modo, alguém poderia tornar-se culpado de roubo ou mesmo de assassinato. (1 João 3:15) Podemos ver, assim, por que é tão importante que reconheçamos claramente a diferença bíblica entre a mente e o coração, e que o coração, e não a mente, é a sede das motivações?
12. Como permitiu Davi que seu coração o desencaminhasse, em contraste com José?
12 A respeito de Davi se dizia que era homem segundo o próprio coração de Deus, mas numa ocasião aconteceu que passeava no eirado e via à distância Bate-Seba banhando-se, talvez inocentemente. Em vez de se desviar, antes que pudessem surgir pensamentos eróticos no seu coração, ele continuou a olhar e a criar paixão por ela. Isto, por sua vez, levou a ele cometer vergonhosamente adultério e a manobrar a situação para que o marido dela fosse morto, a fim de que pudesse tomá-la por esposa. Em contraste com isso, José fugiu quando tentado pela esposa sexomaníaca de seu amo. É verdade que acabou sendo lançado na prisão sob uma acusação falsa e que perdeu por um tempo a sua liberdade, mas não perdeu a sua boa consciência e posição perante Deus.
JEOVÁ CONHECE O CORAÇÃO E SUAS NECESSIDADES
13. O que mostram as Escrituras quanto a Jeová conhecer bem o coração?
13 Quem pode conhecer o coração humano? Ora, temos de confessar que nós, no nosso estado imperfeito, não o podemos conhecer plenamente, mas quão gratos podemos ser que Jeová o conhece! “Porque não como o homem vê é o modo de Deus ver, pois o mero homem vê o que aparece aos olhos, mas quanto a Jeová, ele vê o que o coração é.” “Eu, Jeová, esquadrinho o coração . . . sim, para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo os frutos das suas ações.” “Examinaste meu coração, fizeste uma inspeção de noite, tu me refinaste.” (1 Sam. 16:7; Jer 17:10; Sal. 17:3) Jesus também conhece exatamente as operações do coração do homem. “As coisas procedentes da boca saem do coração, e estas coisas aviltam o homem.” (Mat. 15:18) Ora, quais são estas coisas?
14. (a) Que analise penetrante fez Jesus da capacidade do coração? (b) Empenhamo-nos contra probabilidades impossíveis ao tentarmos ter um bom coração?
14 Embora o coração humano seja capaz das motivações mais nobres e sublimes, veja que coisas sórdidas e repugnantes também podem proceder do coração, conforme enumeradas por Jesus! “Pois, de dentro, dos coração dos homens, saem raciocínios prejudiciais: fornicações, ladroagens, assassínios, adultérios, cobiças, atos de iniqüidade, fraude, conduta desenfreada e um olho invejoso, blasfêmia, soberba, irracionalidade. [O relato de Mateus acrescenta “falsos testemunhos”.] Todas estas coisas iníquas saem de dentro e aviltam o homem “ (Mar. 7:20-23) Quando alguém se vê confrontado com a capacidade de praticar uma série tão enorme de coisas iníquas originadas do coração, ele poderia facilmente desistir e dizer que é um caso perdido. A maioria das pessoas faz isso. Este é um dos motivos por que a estrada larga para a destruição está apinhada de tantos milhões de pessoas, ao
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