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Razões de tantos passarem fomeDespertai! — 1973 | 22 de dezembro
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o número de hindus aumentou apenas em 24 por cento, ao passo que os muçulmanos subiram em 31 por cento. Ao saber disto, o que fizeram os líderes religiosos hindus? O jornalista A. S. Abraham, de Bombaim, afirma que “não perderam tempo em usar tais estatísticas para apoiar seus repetidos apelos aos hindus para não praticarem o planejamento familiar, temendo tornarem-se minoria em seu próprio país. Ignoraram, simplesmente o fato de que os hindus constituem 82 por cento da população, ao passo que os muçulmanos só somam aproximadamente 12 por cento.” Tais líderes religiosos contribuem muito para anular os esforços do governo em controlar o aumento da população.
Ademais, a maioria dos indianos obedecem prontamente os desejos de seus líderes religiosos. Por quê? Porque, para eles, os filhos são uma forma de riqueza. Os lavradores, por exemplo, usam seus filhos para ‘cuidar das cabras’. Também, os pais desejam filhos que cuidem deles em sua velhice. Muitas crianças asiáticas morrem na primeira infância; assim, quanto mais filhos a pessoa tiver, arrazoam os pais, tanto mais provável será que alguns deles sobrevivam até à velhice dos pais.
A oposição aos programas de controle da natalidade do governo provém não só das ‘religiões orientais’. A cristandade, também, é fonte de rígida oposição.
Em 1930, o Papa Pio XI resumiu a posição oficial católica sobre o controle da natalidade em sua encíclica Casti connubii. Disse que a maioria dos métodos anticoncepcionais “infringe a lei de Deus e da natureza, e aqueles que ousarem cometer tais ações tornam-se réus de culpa grave”. Os papas desde então reafirmaram tal crença.
O papa atual, Paulo VI, disse a uma assistência das Nações Unidas, em outubro de 1965, que o “controle artificial da natalidade” é “irracional”. Daí, em julho de 1968, promulgou sua própria encíclica sobre o assunto, Humanae Vitae. Em meados de 1970, apenas dois anos depois, a população católica da América do Sul aumentara em mais dez milhões de pessoas, ou cerca do dobro do número de pessoas que viviam em toda a Bolívia! Todavia, desde 1944, a produção de alimentos per capita decresceu mais na América Latina do que em qualquer outra parte do mundo.
Os chamados líderes religiosos cristãos deviam estar cônscios da verdade declarada pelo apóstolo cristão Paulo: “Quem se descuida dos seus e principalmente das pessoas de casa, renegou a fé e é pior do que um infiel.” (1 Tim. 5:8, tradução católica da liga de Estudos Bíblicos, da editora Herder) O tamanho da família da pessoa é, naturalmente, um assunto pessoal. Todavia, deviam os pais ser incentivados a ter tantos filhos a ponto de não poderem ‘cuidar’ deles, deixando-os passar fome? Obviamente que não.
Algumas das maiores religiões do mundo, portanto, têm de partilhar a responsabilidade pela avolumante população mundial e a crise alimentar.
Há ainda outros fatores que contribuem para a fome, fatores que são difíceis de as pessoas bem nutridas das ‘nações ricas’ avaliarem plenamente.
Efeitos da Subnutrição
Um deles é o efeito físico adverso da subnutrição. Os famintos amiúde não podem prover alimento para si mesmos. Inclinam-se a ficar doentes, visto que a imunidade natural desaparece com a dieta deficiente. Pode-se ver em muitos países pessoas com pernas definhadas e que não conseguem andar por causa da subnutrição. Quanto trabalho árduo podem tais pessoas fazer na lavoura?
Mentalmente, também, as pessoas são atingidas pela subnutrição. O que talvez de início pareça para o visitante uma ‘calma’ natural em algumas nações amiúde é o cansaço, a falta dum objetivo e a complacência resultantes duma dieta deficiente. Arthur Hoperaft afirma sobre certo país em seu livro Born to Hunger (Nascidos Para Passar Fome): “Vi muito pouca disposição de brincar, entre as crianças; dificilmente se empenhavam em quaisquer jogos. A prevalecente fragilidade e inércia das crianças é um dos aspectos mais influentes da vida diária.” Poder-se-ia esperar que pessoas desanimadas e debilitadas enfrentassem com vigor o desafio de prover amplo alimento para suas famílias? Acham-se obviamente limitadas no que podem realizar.
Infelizmente, também, as pessoas das nações mais ricas amiúde deixam de compreender que, ao passo que as pessoas criadas numa cultura inteiramente diversa em geral pensam diferente delas mesmas, isto não significa necessariamente que sejam atrasadas ou inferiores. Todavia, os homens considerados dedicados a solucionar os problemas alimentares do mundo talvez se considerem superiores aos nativos de outro país. Isto limita sua efetividade. Trata-se de uma razão a mais porque o mundo ainda sofre uma crise alimentar. Afirma H. D. Thurston, da Universidade de Cornell:
“A habilidade de travar relações com os hospedeiros duma pessoa e tratá-los como iguais e co-trabalhadores amiúde é mais importante do que o conhecimento científico dessa pessoa. . . . Até mesmo o lavrador e o trabalhador mais pobre sente grande orgulho e tem sua dignidade humana. A menor sugestão de inferioridade será ressentida e talvez arruine todo o trabalho futuro duma pessoa.”
Todavia, a humildade necessária para solucionar os problemas alimentares internacionais deste sistema não é facilmente encontrada.
A escassez de alimentos, portanto, vai muito além da mera combinação correta de solo e tempo. As atividades políticas, tecnológicas e religiosas, e as atitudes sociais do homem, bem como sua falta de consideração humanitária, sem dúvida complicaram o problema além da habilidade de os homens imperfeitos poderem solucioná-lo.
Nós, hoje em dia, como conseqüência, testemunhamos um paradoxo mundial. Considere apenas: o homem dispõe agora do ‘know-how’ tecnológico para produzir abundantes safras, usando vasta irrigação e estocagem. Dispõe de escolas para ensinar sofisticadas técnicas agrícolas. Há impressionante equipamento agrícola para cultivar amplas áreas de terra. Uma internacional F. A. O. mantém os homens informados sobre a situação alimentar em qualquer parte, e rápidas comunicações os avisam onde são necessários os suprimentos. Rápidos sistemas de transporte podem levar velozmente o alimento para onde seja necessário. Todavia, milhares de pessoas ainda morrem de fome CADA DIA.
Por que agora, neste tempo, existe tal situação paradoxal? Deve haver uma razão. E, igualmente importante, há uma solução para a crise mundial de alimentos?
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Comer maçãsDespertai! — 1973 | 22 de dezembro
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Comer maçãs
● Dois pesquisadores da Universidade de Alexandria, no Egito, forneceram evidência que parece apoiar o velho adágio “Uma maçã por dia dá saúde e alegria”. Relatam que a pectina, que constitui 0,8 por cento das maçãs, possui propriedades antibacterianas. Em uma experiência, levou apenas quinze minutos para que uma concentração de 1 por cento de pectina matasse 90 por cento das bactérias que podem transtornar o sistema digestivo humano e que se associam à diarréia. No entanto, certa variedade de bactérias que às vezes se acha associada com a diarréia desafiou a pectina — de fato, comeu-a!
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