Quão seguros são seus alimentos?
MÔNICA ficou perturbada ao descobrir, no fundo da geladeira, a carne que ela havia comprado para o jantar do último sábado. Quando a família inesperadamente foi jantar fora naquela noite, ela se esquecera de colocar a carne no congelador. Agora se haviam passado quatro dias.
Relutantemente, ela tirou o pacote, desembrulhou-o e, ao cheirá-la rapidamente, confirmou seus temores. Contudo ela pensou: ‘Talvez o ligeiro mau cheiro desapareça ao cozinhar bem.’ Ao refletir no assunto, porém, ela se lembrou duma frase conhecida: ‘Na dúvida, jogue fora.’ Por jogar fora a carne, Mônica poupou a família de possíveis complicações de saúde por comer um alimento inseguro.
Mas, o problema de alimentos inseguros apresenta situações muito mais sérias. Doenças decorrentes de alimentos contaminados são importante causa de sofrimento e morte nos países em desenvolvimento. Milhões são afetados mesmo em países prósperos. No Reino Unido, por exemplo, são relatados anualmente mais de dez mil casos de intoxicação por alimento, e é possível que na realidade os casos ocorridos sejam cem vezes isso. Mas, o que torna inseguros os alimentos?
Por Que São Inseguros?
Os alimentos podem tornar-se inseguros devido à contaminação por bactérias nocivas. Isto pode ocorrer quando um pote de legumes em conserva caseira não está corretamente vedado, quando a alface numa salada fresca não está lavada, quando a carne cozida fica exposta por muito tempo à temperatura ambiente, ou quando há descuido no manuseio por parte dos que preparam os alimentos. Os alimentos também podem ser contaminados por resíduos de pesticidas ou por contato acidental com substâncias nocivas ou venenosas.
Vastas quantidades de alimentos inseguros são exportadas e importadas diariamente. Só num período de três meses, os Estados Unidos rejeitaram, como inadequados para importação, alimentos no valor de mais de 65 milhões de dólares. Muitos países, porém, não podem dar-se ao luxo de rejeitar alimentos inseguros. Estes são muitas vezes vendidos e consumidos.
A revista A Saúde do Mundo relata que “doenças transmitidas por alimentos são praticamente endêmicas no mundo inteiro, e não só entre as famílias atingidas pela pobreza”. A revista também diz: “A doença e o mal-estar, que levam a uma reduzida produtividade econômica, devido a alimentos contaminados, constituem um dos mais alastrados problemas de saúde do mundo contemporâneo.”
Calcula-se que talvez até 20 milhões de pessoas nos Estados Unidos padeçam anualmente de problemas de saúde por consumirem alimentos contaminados. E na Europa, as doenças transmitidas por alimentos são consideradas a principal causa de morte depois das infecções das vias respiratórias. “Os países industrializados têm suas próprias preferências e costumes que promovem doenças transmitidas por alimentos”, afirma certo cientista. “Um dos problemas mais óbvios é a preferência por pedaços grandes de carne, freqüentemente muito mal passados.”
Comer Fora
Em geral, ninguém pensa duas vezes antes de comer num restaurante ou fazer um lanche rápido numa lanchonete. Centenas de milhares de refeições são servidas diariamente sem quaisquer efeitos perniciosos para os fregueses de restaurantes. Contudo, mesmo em países desenvolvidos, pessoas têm sido afetadas por graves doenças transmitidas por alimentos em resultado de comerem em restaurantes.
Num restaurante no noroeste da Europa, por exemplo, mais de 150 pessoas sofreram intoxicação alimentar após o almoço de Natal. Descobriu-se mais tarde que os perus assados haviam sido cortados sobre os mesmos talhos de madeira usados para preparar aves cruas para assar. A bactéria salmonela foi encontrada mais tarde nas rachaduras dos talhos de madeira.
Durante um cruzeiro de sete dias, 20 por cento dos passageiros sofreu de diarréia. Verificou-se que a cozinha do navio estava muito apertada e suja, com espaço inadequado para armazenagem segura. Os alimentos ficavam sobre as mesas de servir por longos períodos sem refrigeração, e as sobras eram servidas no dia seguinte.
Embora alimentos inseguros constituam problema até em países desenvolvidos, as conseqüências são desastrosas nos países em desenvolvimento.
Parte do Dia-a-dia
A revista A Saúde do Mundo relata que, em muitas regiões do mundo, a elevada prevalência da desnutrição não se deve a uma mera falta de alimento, “mas antes [ao] consumo de alimentos contaminados e inseguros”. Isto leva a repetidos casos de diarréia e a outras doenças infecciosas.
“Em 1980”, relatou A Saúde do Mundo, “houve de 750 milhões a 1 bilhão de casos de diarréia aguda em crianças com menos de cinco anos nos países em desenvolvimento (excluindo a China). Quase cinco milhões de crianças morreram, à taxa de dez mortes por diarréia a cada minuto de cada dia de cada ano”. Mas as crianças não são as únicas que correm perigo. Um relatório de 1984 sobre “O Papel da Segurança Alimentar na Saúde e no Desenvolvimento” comentou que “a diarréia dos viajantes é agora um fenômeno muito espalhado, afetando cerca de 20 a 50 por cento de todos os viajantes”.
A ignorância quanto à higiene correta é sem dúvida a causa da maioria das doenças transmitidas por alimentos. De início os alimentos talvez sejam seguros, mas depois ficam contaminados através do consumidor ou dum intermediário, tal como um vendedor ou um cozinheiro.
De modo similar, crenças culturais podem levar à contaminação dos alimentos. Em certas regiões do México, por exemplo, as pessoas acreditam que mãos “quentes”, em resultado de costurar, passar roupa, assar ao forno e assim por diante, não devem ser lavadas imediatamente. Pensa-se que o esfriamento prematuro com água causa reumatismo ou cãibras. Assim, uma senhora com mãos “quentes” talvez utilize o banheiro e depois passe a preparar a refeição da família sem lavar as mãos. Em resultado disso, as bactérias nocivas se propagam.
Por outro lado, algumas culturas têm tradições que, se seguidas, são úteis para controlar o alastramento de doenças transmitidas por alimentos. Em muitos lares na Índia, onde se cozinha ao nível do chão, os sapatos usados na rua são removidos antes de se entrar em casa, especialmente na cozinha. Também, as frutas são descascadas antes de serem consumidas. A carne é consumida poucas horas depois de o animal ser abatido. E as refeições talvez sejam consumidas em folhas recém-lavadas em vez de em pratos.
Resolver o Problema
Quão próximo está o homem de atingir o alvo de prover uma quantidade adequada de alimentos seguros para todas as pessoas? Comentando o problema, um relatório das Nações Unidas sobre segurança alimentar disse: “Nos últimos 40 anos, organizações internacionais têm produzido um grande número de relatórios técnicos e iniciado muitos programas para lidar com este problema. Contudo as doenças transmitidas por alimentos continuam a aumentar.”
Para enfrentar o problema é preciso educar o público em geral e especialmente as mães. Daí, cada indivíduo poderá tomar precauções para não contaminar os alimentos e manter hábitos alimentares seguros para si mesmo e sua família. O artigo que segue fornecerá algumas sugestões.
[Foto na página 17]
Os alimentos podem ser seguros quando a área de preparação é mantida limpa, assim como neste lar na Índia.