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  • Deus quer que o homem viva no paraíso
    A Sentinela — 1989 | 1.° de agosto
    • Deus quer que o homem viva no paraíso

      “E Jeová Deus passou a tomar o homem e estabelecê-lo no jardim do Éden, para que o cultivasse e tomasse conta dele.” — GÊNESIS 2:15.

      1. Qual era o propósito original do Criador para com humanos obedientes?

      O PROPÓSITO original do Criador era, e ainda é, que os humanos obedientes usufruíssem uma vida sem envelhecimento, sempre cheia de vigor juvenil, sem tédio, tendo sempre um objetivo digno a cumprir, uma vida de amar e ser amado de maneira genuína, altruísta e perfeita — num paraíso! — Gênesis 2:8; compare com Lucas 23:42, 43.

      2. (a) O que deve ter acontecido quando o primeiro homem ficou consciente? (b) Quando foi criado o primeiro homem, onde, e em que época do ano?

      2 Para aperceber-se disso, visualize o recém-criado Adão quando este originalmente recebeu o estado consciente, quando examinou o seu próprio corpo e tudo o que via, ouvia e sentia ao seu redor, ao subitamente perceber que estava vivo! Isto foi uns 6.000 anos atrás, no ano 4026 antes de nossa Era Comum, segundo a contagem de tempo fornecida na Bíblia Sagrada. Ocorreu na região hoje conhecida como Turquia, ou na parte sudoeste do que hoje se chama Ásia, a algum ponto nas imediações dos rios Eufrates e Tigre, portanto, na metade norte de nosso globo terrestre. A ocasião seria por volta de 1.º de outubro, pois a maioria dos antigos calendários da humanidade começam a contar o tempo perto dessa data.

      3. (a) Em que estado o primeiro homem veio à vida? (b) Qual veio a ser o nome do primeiro homem, e o que significava?

      3 O primeiro homem veio à vida plenamente desenvolvido, perfeitamente formado, com saúde perfeita e com perfeito senso de moral. O nome que repetidas vezes se lhe dá no registro bíblico nos traz à atenção a substância da qual foi formado. O seu nome era ’A·dhám.a A terra, ou solo, da qual ele foi formado, era chamada de ’a·dha·máh. Portanto, pode-se dizer apropriadamente que seu nome significa “Homem Terreno”. Este veio a ser o nome pessoal do primeiro homem — Adão. Que sensação deve ter sido para Adão vir à vida, tornando-se uma pessoa consciente, inteligente!

      4. Que estranho despertar para a vida não teve o primeiro homem, portanto, ele não era filho de quê?

      4 Quando esse primeiro homem, Adão, veio à vida, despertou para o estado consciente, inteligente, e abriu os olhos, ele não se viu deitado sobre um peito cabeludo, abraçado pelos poderosos longos braços de uma criatura simiesca fêmea, agarrando-se a ela, olhando para os seus olhos e, com terna afeição, chamando-a de mãe. O primeiro homem, Adão, não teve tal estranho despertar para a vida. Ele não sentiu nenhum parentesco carnal com um macaco, nem mesmo mais tarde, quando pela primeira vez avistou um. No dia de sua criação, nada havia que sugerisse que ele era um descendente, ou um filho distante, de um macaco ou de qualquer criatura semelhante a esta. Mas, será que o primeiro homem, Adão, permaneceria intrigado quanto a como viera à existência? Não.

      5. O que Adão definitivamente sabia a respeito de seu jardim semelhante a um parque e sobre si mesmo?

      5 Compreensivelmente, ele muito bem que poderia ter ficado intrigado quanto a como todas as belas coisas que ele via vieram à existência. Ele se achava num jardim semelhante a um parque, um paraíso cujo projeto, feitura e arranjo não eram de sua autoria. Como é que surgiu isso? Como homem de inteligência perfeita e de raciocínio, ele desejaria saber. Não tivera experiência anterior. Sabia que não era um homem feito ou desenvolvido por si próprio. Não havia chegado a esse estado através de seus próprios esforços. — Compare com o Salmo 100:3; 139:14.

      6. Qual provavelmente foi a reação de Adão ao fato de estar vivo num perfeito lar terrestre?

      6 O primeiro homem, Adão, talvez estivesse no início excitado demais a respeito dessa experiência original de alegremente estar vivo num lar terrestre perfeito para pensar sobre de onde viera e por quê. Talvez não pudesse conter a emissão de brados felizes. Descobriu que de sua boca saíam palavras. Ouvia a si mesmo falando na linguagem de homem, fazendo observações a respeito das encantadoras coisas que via e ouvia. Quão bom era estar vivo ali, naquele jardim paradísico! Mas, à medida que prazerosamente colhia informações à base de tudo o que via, ouvia, cheirava ou tocava, ele seria induzido a raciocinar. No nosso caso, se estivéssemos nas circunstâncias dele, haveria um mistério a respeito de tudo, um mistério que não poderíamos resolver sozinhos.

      Nenhum Mistério Quanto à Existência Humana

      7. Por que Adão não ficou por muito tempo intrigado quanto a estar vivo e num jardim paradísico?

      7 O primeiro homem, Adão, não ficou por muito tempo intrigado com a sua situação, vivo e sozinho, sem ninguém mais igual a ele visível no jardim paradísico. Ele ouviu uma voz, de alguém que falava. O homem entendeu o que se disse. Mas, onde estava aquele que falava? O homem não via ninguém falar. A voz vinha do domínio invisível, e se dirigia a ele. Era a voz do Fazedor do homem, seu Criador! E o homem podia responder-lhe usando o mesmo tipo de linguagem. Ele se viu falando com Deus, o Criador. O homem não precisava de um moderno radiorreceptor científico para ouvir a voz divina. Deus conversava com ele diretamente como criatura sua.

      8, 9. (a) Que respostas Adão poderia obter, e que cuidado e interesse paternais foram-lhe mostrados? (b) Que resposta recebeu Adão de seu Pai celestial?

      8 Agora o homem sabia que não estava só e, por causa disso, deve ter-se sentido melhor. Na sua mente havia muitas perguntas. Ele as podia fazer ao Invisível que lhe falava. Quem criou o homem, e aquele jardim de delícias? Por que fora o homem colocado ali, e o que deveria fazer com a sua vida? Havia algum objetivo na vida? Mostrou-se cuidado e interesse paternais para com esse primeiro homem, Adão, pois as suas perguntas receberam respostas que satisfizeram sua mente inquiridora. Que prazer deve ter sido para seu Fazedor, seu Dador da Vida, seu Pai celestial, ouvir o homem começar a falar e pronunciar as suas primeiras palavras! Que felicidade dava ao Pai celestial ouvir seu filho conversar com ele! A primeira pergunta natural seria: “Como vim a existir?” O Pai celestial tinha prazer em responder a isso e, assim, reconhecer que esse primeiro homem era Seu filho. Ele era um “filho de Deus”. (Lucas 3:38) Jeová identificou a si mesmo como Pai deste primeiro homem, Adão. Da parte de seu Pai celestial, eis a essência da resposta que Adão recebeu à sua pergunta, e que ele transmitiu à sua descendência:

      9 “E Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma vivente. Além disso, Jeová Deus plantou um jardim no Éden, do lado do oriente, e ali pôs o homem que havia formado. Jeová Deus fez assim brotar do solo toda árvore de aspecto desejável e boa para alimento, e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. Ora, havia um rio saindo do Éden para regar o jardim, e dali começava a dividir-se, e tornou-se como que quatro cabeceiras.” — Gênesis 2:7-10.b

      10, 11. (a) Que fatos Adão aprendeu claramente, mas a que outras perguntas necessitava ele de respostas? (b) Que respostas deu o Pai celestial a Adão?

      10 A mente brilhante e fresca de Adão avidamente absorveu essas informações satisfatórias. Agora ele sabia que não viera daquele domínio invisível a partir do qual seu Fazedor e Formador falava. Em vez disso, ele fora formado da terra sobre a qual vivia e, portanto, era terreno. O seu Dador de Vida e Pai era Jeová Deus. Adão era “uma alma vivente”. Tendo recebido a vida de Jeová Deus, era um “filho de Deus”. As árvores à sua volta, no jardim do Éden, produziam frutos bons para alimento, para que os comesse e se mantivesse vivo como alma vivente. No entanto, por que devia permanecer vivo e por que foi colocado na terra, naquele jardim do Éden? Ele era um homem plenamente formado, dotado de inteligência e aptidões físicas, e merecia saber. Senão, como poderia cumprir seu objetivo na vida e, deste modo, agradar seu Fazedor e Pai por fazer a vontade divina? As respostas a estas perguntas apropriadas foram dadas na seguinte informação:

      11 “E Jeová Deus passou a tomar o homem e a estabelecê-lo no jardim do Éden, para que o cultivasse e tomasse conta dele. E Jeová Deus deu também esta ordem ao homem: ‘De toda árvore do jardim podes comer à vontade. Mas, quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.’” — Gênesis 2:15-17.

      12. Pelo que deve Adão ter agradecido a seu Criador, e, assim, como poderia o homem glorificar a Deus?

      12 Adão deve ter-se sentido grato a seu Criador por ter recebido algo a fazer para mantê-lo proveitosamente ocupado nesse belo jardim do Éden. Agora ele conhecia a vontade de seu Criador, e podia fazer algo na terra por Ele. Tinha agora sobre si uma responsabilidade, a de cultivar o jardim do Éden e cuidar dele, mas essa seria uma tarefa prazenteira. Ao cumpri-la, ele poderia conservar a aparência do jardim do Éden de tal modo que trouxesse glória e louvor a seu Fazedor, Jeová Deus. Sempre que Adão ficasse com fome em decorrência do trabalho, poderia comer à vontade das árvores do jardim. Podia assim renovar as suas forças e manter a sua vida de felicidade indefinidamente — para sempre. — Compare com Eclesiastes 3:10-13.

      Perspectiva de Vida Eterna

      13. Que perspectiva tinha o primeiro homem, e por quê?

      13 Para sempre? Que idéia quase inacreditável deve ter sido para o homem perfeito! Mas, por que não? O seu Criador não intencionava destruir esse magistralmente projetado jardim do Éden. Por que deveria destruir a sua própria obra, sendo ela tão boa e tão expressiva de sua criatividade artística? Logicamente, ele não pretendia fazer isso. (Isaías 45:18) E, visto que esse inigualável jardim havia de permanecer sob cultivo, necessitaria de um cultivador e um zelador como o homem perfeito, Adão. E se o homem zelador jamais comesse do fruto da proibida “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”, jamais morreria. O homem perfeito poderia viver para sempre!

      14. Como poderia Adão ter vida eterna no Paraíso?

      14 Apresentou-se a Adão a perspectiva de vida eterna no paradísico jardim do Éden! Poderia ser usufruída eternamente, contanto que ele permanecesse perfeitamente obediente ao seu Criador, jamais comendo do fruto que fora proibido pelo Criador do homem. Era Seu desejo que o homem perfeito continuasse obediente e continuasse a viver eternamente. A proibição de comer do fruto da “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau” nada tinha de mortífero em si. Era meramente um teste da perfeita obediência do homem a seu Pai. Proveu uma oportunidade para o homem provar o seu amor a Deus, seu Criador.

      15. Por que poderia Adão aguardar um futuro brilhante, recebendo de seu Criador o que era bom?

      15 Com a satisfação íntima de saber que não era simplesmente fruto de um acidente não intencional, mas que tinha um Pai celestial, com a sua mente esclarecida por um entendimento de seu objetivo na vida, com a vida eterna no Paraíso em vista, o homem perfeito contemplava o brilhante futuro à frente. Ele comia das árvores que eram boas para alimento, evitando “a árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. Ele queria receber de seu Criador o que era bom. O trabalho, não do tipo ruinoso, mas o de cultivar o jardim do Éden, era bom, e o homem perfeito trabalhava.

      Nenhuma Obrigação de Explicar as Coisas

      16-18. Que assim chamados mistérios Adão não se sentiu obrigado a resolver, e por que não?

      16 A claridade do dia diminuía à medida que o grande luzeiro do dia, que ele podia observar cruzando o céu, se punha. Caía a escuridão, a noite, e a lua tornava-se discernível a ele. Ela não o encheu de um sentimento de medo; era o luzeiro menor que dominava a noite. (Gênesis 1:14-18) Provavelmente, vaga-lumes voavam pelo jardim, com sua luz fria piscando como diminutas lâmpadas.

      17 Ao passo que anoitecia e a escuridão o cobria, ele sentiu a necessidade de dormir assim como os animais à sua volta. Ao despertar, ele passou a sentir fome, e comeu com bom apetite das árvores frutíferas permitidas, o que se poderia chamar de desjejum.

      18 Com forças renovadas e bem reanimado pelo descanso da noite, ele voltou a sua atenção para o trabalho do dia. Ao observar todo o verde ao seu redor, ele não achou que tinha de aprofundar-se no mistério daquilo que as pessoas milhares de anos mais tarde chamariam de fotossíntese, a enigmática operação através da qual a matéria verde das plantas, a sua clorofila, utiliza a energia da luz solar para produzir alimentos para o consumo do homem e do animal, e, ao mesmo tempo, absorvendo o dióxido de carbono que o homem e o animal exalam e produzindo-lhes oxigênio para respirar. Um ser humano talvez chame isso de mistério, mas não havia necessidade de Adão resolvê-lo. Era um milagre do Criador do homem. Ele o entendia e fê-lo funcionar para o benefício dos seres vivos na terra. Assim, bastava para a inteligência perfeita do primeiro homem saber que Deus, o Criador, fazia as coisas crescerem e que a tarefa que Deus confiara ao homem foi cuidar dessas formas de vida vegetal que cresciam no jardim do Éden. — Veja Gênesis 1:12.

      Sozinho — Mas Não Sem Alegria

      19. Embora sentisse que estava sozinho, sem mais ninguém igual a ele na terra, o que Adão não fez?

      19 A educação do homem às mãos de seu Pai celestial ainda não terminara. O homem cuidava do jardim do Éden sem mais ninguém igual a ele na terra para juntar-se a ele ou para ajudá-lo. No tocante à sua espécie, a espécie humana, ele estava só. Ele não se pôs a procurar alguém igual a ele com quem pudesse ter companhia terrestre. Ele não pediu a Deus, seu Pai celestial, que lhe desse um irmão ou uma irmã. Estar ele sozinho como homem não o levou à loucura, nem lhe tirou a alegria de viver e trabalhar. Ele tinha companheirismo com Deus. — Compare com o Salmo 27:4.

      20. (a) Qual era o auge da alegria e do prazer de Adão? (b) Por que não seria para Adão uma aflição mortífera continuar naquele modo de vida? (c) O que considerará o próximo artigo?

      20 Adão sabia que ele e sua obra estavam sob a inspeção de seu Pai celestial. O auge de seu prazer residia em agradar seu Deus e Criador, cuja magnificência foi revelada por todas as belas obras de criação que cercavam o homem. (Compare com Revelação [Apocalipse] 15:3.) Continuar neste modo de vida não teria sido uma aflição mortífera, ou uma tarefa enfadonha para esse homem perfeitamente equilibrado que podia conversar com seu Deus. E Deus dera a Adão trabalho interessante, fascinante, que lhe daria grande satisfação e prazer. O artigo seguinte considerará mais a respeito das bênçãos paradísicas e das perspectivas que Adão usufruía às mãos de seu amoroso Criador.

  • Grandiosas perspectivas humanas num paraíso de delícias
    A Sentinela — 1989 | 1.° de agosto
    • Grandiosas perspectivas humanas num paraíso de delícias

      “Deus os abençoou e Deus lhes disse: ‘Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.’” — GÊNESIS 1:28.

      1, 2. Com que fim está Jeová amorosamente trabalhando com respeito a humanos, e que designações de trabalho deu ele a Adão?

      “DEUS é amor”, diz-nos a Bíblia Sagrada. Amorosa e altruisticamente ele se interessa pela humanidade, trabalhando incansavelmente para que esta tenha para sempre uma vida saudável e pacífica num deleitoso paraíso terrestre. (1 João 4:16; compare com Salmo 16:11.) O primeiro homem, o perfeito Adão, tinha uma vida pacífica e um trabalho interessante e agradável a realizar. O Criador do homem designara-o para cultivar o prazeroso jardim do Éden. Daí, Ele deu-lhe uma tarefa adicional, especial, uma missão desafiadora, como revela o relato do que ocorreu:

      2 “Ora, Jeová Deus estava formando do solo todo animal selvático do campo e toda criatura voadora dos céus, e ele começou a trazê-los ao homem para ver como chamaria a cada um deles; e o que o homem chamava a cada alma vivente, este era seu nome. O homem deu assim nome a todos os animais domésticos e às criaturas voadoras dos céus, e a todo animal selvático do campo.” — Gênesis 2:19, 20.

      3. Por que não havia medo da parte de Adão e da criação animal?

      3 O homem chamou o cavalo de sus, o touro de shohr, a ovelha de seh, o bode de ‛ez, o pássaro de ‘ohf, a pomba de yoh·náh, o pavão de tuk·kí, o leão de ’ar·yéh ou ’arí, o urso de dov, o macaco de qohf o cachorro de ké·lev, a serpente de na·hhásh, e assim por diante.a Quando se dirigiu ao rio que fluía do jardim do Éden, ele viu peixes. Aos peixes deu o nome de da·gáh. O homem, desarmado, não sentiu medo desses animais, domésticos e selvagens, nem das aves, e estes não sentiam medo dele, a quem instintivamente reconheciam como superior, ou de uma espécie superior de vida. Eram criaturas de Deus, dotadas de vida por Ele, e o homem não tinha desejo nem inclinação no sentido de feri-los ou tirar-lhes a vida.

      4. O que se pode presumir com respeito a Adão dar nome a todos os animais e aves, e que tipo de experiência deve ter sido esta?

      4 Exatamente por quanto tempo se mostrou ao homem os animais domésticos e os selvagens, e as criaturas voadoras dos céus, o relato não diz. Tudo foi feito sob orientação e arranjo divinos. Adão provavelmente tomou tempo para estudar cada tipo de animal, observando seus hábitos e constituição distintivos; daí, selecionava um nome que lhe fosse especialmente apropriado. Isto poderia significar a passagem de considerável tempo. Foi uma experiência das mais interessantes para Adão familiarizar-se assim com os seres vivos desta terra em suas muitas espécies, e exigiu grande habilidade mental e a faculdade de linguagem para ele distinguir cada uma dessas espécies de criaturas vivas com um nome adequado.

      5-7. (a) Que perguntas provavelmente surgiriam? (b) Que tipo de respostas foram dadas no relato da criação em Gênesis 1:1-25?

      5 Mas, qual havia sido a ordem de criação de todas essas criaturas viventes? Foram os animais do solo criados antes das aves, ou não, e onde no tempo e na ordem se enquadrava o homem com respeito a todas essas criaturas viventes de espécie inferior? Como foi que Deus preparou a superfície da terra para tal ampla variedade de seres vivos, proveu o ar em que as aves pudessem voar tão alto, supriu a água para beber e a vida vegetal para servir de alimento, fez um grande luzeiro para clarear o dia, para que o homem pudesse enxergar, e fez o luzeiro menor para embelezar a noite? Por que o clima era tão ameno que o homem podia locomover-se, trabalhar e dormir exposto e nu?

      6 O homem não ficou entregue à sua própria sorte para adivinhar as respostas. A sua mente inquiridora merecia respostas inteligentes duma fonte autoritativa que conhecesse os fatos. Ele não foi abandonado qual filho ignorante de Deus, mas seu alto grau de inteligência foi provavelmente dignificado com a maravilhosa história da criação fornecida em Gênesis 1:1-25.

      7 Por tal emocionante relato da criação, Adão deve ter-se sentido muito grato. Esclareceu-lhe muitas coisas. À base da fraseologia empregada, ele entendeu que houve três longos períodos que Deus chamou de dias, segundo a Sua maneira de medir o tempo, antes do quarto período criativo em que Deus fez com que aparecessem os dois grandes luzeiros na expansão dos céus para marcar o muito mais curto dia de 24 horas do homem. Este dia mais curto, do homem, na terra, era o período desde o ocaso do luzeiro maior a até o seu próximo poente. Adão também apercebeu-se de que haveria períodos de ano para ele, e sem dúvida imediatamente começou a contar seus anos de vida. O luzeiro maior na expansão dos céus possibilitaria que assim o fizesse. Mas, quanto aos dias de criação mais longos, de Deus, o primeiro homem apercebia-se de que vivia então no sexto dia do trabalho criativo terrestre de Deus. Até então não se lhe mencionara nenhum fim deste sexto dia reservado para criar todos aqueles animais do solo e daí para criar o homem separadamente. Agora ele entenderia a ordem em que foram criadas a vida vegetal, a vida marinha, as aves e os animais do solo. Mas, sozinho no jardim do Éden, Adão não era a plena e completa expressão do amoroso propósito de Deus para com o homem em seu Paraíso terrestre.

      A Criação da Primeira Mulher

      8, 9. (a) O que observou o homem perfeito a respeito da criação animal, mas o que concluiu a respeito de si mesmo? (b) Por que foi apropriado que o homem perfeito não pedisse a Deus um cônjuge? (c) Como descreve o relato bíblico a criação da primeira esposa humana?

      8 O primeiro homem, com mente e faculdade de observação perfeitas, viu que entre as aves e os animais do solo havia macho e fêmea, e que entre si reproduziam a sua espécie. Mas, quanto ao homem, por ora não era assim. Se a sua observação inclinou-o a ter a idéia de usufruir uma companhia, ele não encontrou um cônjuge adequado dentre o reino animal, nem mesmo entre os macacos. Adão concluiria que não havia cônjuge para ele, pois, se houvesse, não traria Deus esse cônjuge para ele? O homem havia sido criado distinto de todas aquelas espécies animais, e pretendia-se que ele realmente fosse diferente! Ele não estava inclinado a decidir os assuntos por si mesmo e tornar-se impertinente, pedindo a Deus, seu Criador, um cônjuge. Era apropriado que o homem perfeito deixasse o assunto todo nas mãos de Deus, pois, pouco depois, constatou que Deus chegara à Sua própria conclusão sobre a situação. Sobre isso, e o que ocorreu a seguir, o relato nos diz:

      9 “Mas para o homem não se achava nenhuma ajudadora como complemento dele. Por isso, Jeová Deus fez cair um profundo sono sobre o homem, e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma das costelas e fechou então a carne sobre o seu lugar. E da costela que havia tirado do homem, Jeová Deus passou a construir uma mulher e a trazê-la ao homem. O homem disse então: ‘Esta, por fim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne. Esta será chamada Mulher, porque do homem foi esta tomada.’ Por isso é que o homem deixará seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de tornar-se uma só carne. E ambos continuavam nus, o homem e a sua esposa, contudo, não se envergonhavam.” — Gênesis 2:20-25.

      10. Como reagiu o homem perfeito quando a mulher perfeita lhe foi apresentada, e o que talvez indiquem as suas palavras?

      10 Havia completa satisfação expressa em suas palavras quando a perfeita mulher lhe foi apresentada como ajudadora e complemento: “Esta, por fim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne.” Em vista destas palavras, quando ele por fim viu a sua recém-criada esposa, é possível que tivesse esperado considerável tempo para receber o seu deleitoso correlativo humano. Descrevendo o seu complemento, Adão chamou sua esposa de “Mulher” (‘ish·sháh, ou, literalmente, “homem feminino”), “porque do homem foi esta tomada”. (Gênesis 2:23, Bíblia Tradução do Novo Mundo com Referências, nota de rodapé) Adão não sentiu parentesco carnal algum com as criaturas voadoras e os animais do solo que Deus anteriormente trouxera à sua atenção para que lhes desse nome. A sua carne era diferente da deles. Mas, esta mulher realmente era de sua espécie carnal. A costela tirada de seu lado fabricava o mesmo tipo de sangue que existia em seu próprio corpo. (Veja Mateus 19:4-6.) Agora ele tinha alguém para com quem podia agir como profeta de Deus e com quem poderia partilhar o maravilhoso relato da criação.

      11-13. (a) Tendo Adão recebido uma esposa, que perguntas talvez durassem? (b) Qual era o propósito de Deus para com o primeiro casal humano? (c) O que serviria de alimento para a família humana perfeita?

      11 Qual, porém, era o propósito do Criador do homem em dar-lhe uma esposa? Era meramente prover-lhe uma ajudadora e complemento, uma companheira de sua própria espécie para evitar que se sentisse solitário? O registro explica o propósito de Deus ao relatar-nos a bênção de Deus sobre o casamento deles:

      12 “E Deus prosseguiu, dizendo: ‘Façamos o homem a nossa imagem, segundo a nossa semelhança, e tenham eles em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e os animais domésticos, e toda a terra, e todo animal movente que se move sobre a terra.’ E Deus passou a criar o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. Ademais, Deus os abençoou e Deus lhes disse: ‘Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.’

      13 “E Deus prosseguiu, dizendo: ‘Eis que vos tenho dado toda a vegetação que dá semente, que há na superfície de toda a terra, e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente. Sirva-vos de alimento. E a todo animal selvático da terra, e a toda criatura voadora dos céus, e a tudo o que se move sobre a terra, em que há vida como alma, tenho dado toda a vegetação verde por alimento.’ E assim se deu.” — Gênesis 1:26-30.

      Perspectivas do Primeiro Casal Humano

      14. Com a bênção de Deus, que futuro jazia à frente dos perfeitos homem e mulher, e o que poderiam eles corretamente visionar?

      14 Que coisa maravilhosa era aquele homem perfeito e sua esposa perfeita ouvirem a voz de Deus falando com eles, dizendo-lhes o que fazer e abençoando-os! Com a bênção de Deus, a vida não seria fútil, mas eles teriam condições de fazer o que se lhes ordenara que fizessem. Que futuro os aguardava! Ali em seu lar, o jardim do Éden, aquele casal feliz provavelmente meditava no que aconteceria à medida que executasse a vontade de Deus para com eles. À medida que os seus olhos da mente contemplavam o futuro distante, eles viam não apenas o “jardim do Éden, do lado do oriente”, mas a terra toda cheia de homens e mulheres de face radiante. (Gênesis 2:8) O coração do homem e da mulher pularia de alegria com a idéia de que todos seriam seus filhos, seus descendentes. Todos seriam perfeitos, sem defeito na forma e constituição física, com juventude perpétua, cheios de saúde vibrante e alegria de viver, todos expressando amor perfeito uns para com os outros, todos adorando unidamente o seu grandioso Criador, seu Pai celestial, fazendo isso junto com o primeiro pai e mãe humanos. Como o coração do primeiro homem e da primeira mulher deve ter extravasado com a idéia de ter tal família!

      15, 16. (a) Por que haveria abundante alimento para a família humana? (b) À medida que a família feliz aumentasse, que trabalho haveria para eles fora do jardim do Éden?

      15 Haveria fartura de alimentos para todo membro dessa família humana, que encheria toda a terra. Já havia fartura de alimento, ali no jardim do Éden. Deus lhes fizera provisões e dera-lhes toda vegetação que dá semente para servir de alimento saudável e sustentador da vida, além das árvores frutíferas. — Compare com o Salmo 104:24.

      16 À medida que a sua família feliz aumentasse, expandiriam o jardim para as terras além dos limites do Éden, pois as palavras de Deus indicavam que, fora do jardim do Éden, a terra jazia num estado não preparado. Pelo menos, não estava sendo cuidada e não foi levada ao mesmo elevado nível de cultivo que caracterizava o jardim do Éden. Foi por isso que seu Criador disse a eles que ‘sujeitassem’ a terra à medida que a enchessem. — Gênesis 1:28.

      17. Por que haveria abundante alimento para a crescente população, e o que por fim prevaleceria à medida que o jardim se expandisse?

      17 À medida que o jardim se expandisse às mãos de cultivadores e zeladores perfeitos, a terra subjugada produziria abundantemente para a crescente população. Por fim, o jardim em constante expansão cobriria a terra toda, e haveria um paraíso global, para florescer como lar eterno da humanidade. Seria um belo lugar para se observar do céu, e o Criador celestial poderia declará-lo muito bom. — Compare com Jó 38:7.

      18. Por que estaria o jardim do Éden global isento de perturbações, e que situação pacífica prevaleceria?

      18 Tudo seria tão pacífico e isento de perturbação como era aquele jardim do Éden no qual os recém-casados homem e mulher se encontravam. Não haveria necessidade de temer perigo ou dano da parte de todos aqueles animais e criaturas voadoras aos quais o primeiro homem, Adão, inspecionara e dera nomes. Assim como seu primeiro pai e mãe humanos, os habitantes perfeitos do Paraíso global teriam em sujeição os peixes do mar, as criaturas voadoras nos céus, e toda coisa vivente que se movia sobre a terra, mesmo os animais selvagens das campinas. Com um instintivo senso de sujeição ao homem, que fora criado “à imagem de Deus”, essas criaturas viventes inferiores estariam em paz com ele. Seus amos humanos, brandos e perfeitos, ao terem essas criaturas viventes inferiores em sujeição, promoveriam um clima de paz entre a criação animal. A pacífica influência desses amos humanos de qualidades divinas se estenderia protetoramente a essas satisfeitas criaturas viventes inferiores. Acima de tudo, os da humanidade perfeita estariam em paz com Deus, cuja bênção jamais seria removida deles. — Veja Isaías 11:9.

      Deus Repousa de Suas Obras Criativas

      19. (a) No tocante ao propósito de Deus, de que o primeiro homem e a primeira mulher devem ter-se apercebido? (b) O que indicou Deus com respeito ao tempo?

      19 À medida que o casal humano perfeito visualizasse o cenário terrestre concluído, segundo o propósito de Deus, eles se aperceberiam de algo. Executarem essa maravilhosa incumbência da parte de Deus exigiria tempo. Quanto tempo? O seu Criador e Pai celestial sabia. Ele indicou-lhes que a grande série de dias criativos havia então chegado a mais um fim, e que eles estavam na “noitinha”, o ponto de partida de um novo dia segundo a maneira de o próprio Deus marcar os dias. Havia de ser um dia abençoado e santificado para o propósito puro e justo do próprio Deus. O homem perfeito, o profeta de Deus, observou isso. A narrativa inspirada nos diz:

      20. O que diz o relato bíblico sobre o “sétimo dia”?

      20 “Depois, Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom. E veio a ser noitinha e veio a ser manhã, sexto dia. Assim foram acabados os céus, e a terra, e todo o seu exército. E ao sétimo dia Deus havia acabado sua obra que fizera e passou a repousar no sétimo dia de toda a sua obra que fizera. E Deus passou a abençoar o sétimo dia e a fazê-lo sagrado, porque nele tem repousado de toda a sua obra que Deus criara com o objetivo de a fazer. Esta é uma história dos céus e da terra no tempo em que foram criados, no dia em que Jeová Deus fez a terra e o céu.” — Gênesis 1:31-2:4.

      21. (a) Diz a Bíblia que Deus acabou seu dia de repouso e que este era muito bom? Explique. (b) Que perguntas surgem?

      21 O relato não diz que Deus terminou seu dia de repouso e disse que era muito bom, e que veio a haver noitinha e manhã, um sétimo dia. Para corresponder com os precedentes seis dias criativos, o sétimo dia ainda terá de ser declarado muito bom, pois ainda não terminou. Pode Jeová Deus declarar esse dia muito bom até este ponto? Tem sido um dia de repouso pacífico para ele até agora? Que dizer daquela arrebatadora perspectiva que o primeiro homem e a primeira mulher visualizaram para si mesmos no dia de seu casamento no Paraíso? Vejamos isso no desenrolar da cena, no próximo artigo.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estes são nomes encontrados no texto hebraico de Gênesis e em outros livros inspirados das Escrituras Hebraicas.

      Que Resposta Daria?

      ◻ Que tarefa deu Deus a Adão além de cuidar do jardim, e o que isso envolvia?

      ◻ O que revela o relato da criação em Gênesis 1:1-25?

      ◻ Como foi criada a primeira esposa humana, e como reagiu Adão no seu dia de casamento?

      ◻ Que perspectivas aguardavam o primeiro casal humano?

      ◻ Como indicou Deus que a grande série de dias criativos haviam chegado a mais um fim?

  • Perspectivas paradísicas válidas apesar da desobediência humana
    A Sentinela — 1989 | 1.° de agosto
    • Perspectivas paradísicas válidas apesar da desobediência humana

      1. Com o passar do tempo, onde se encontravam o primeiro homem e a primeira mulher, e em que tipo de ambiente?

      O TEMPO passou. O primeiro homem e a primeira mulher não mais estão inocentemente nus. Estão vestidos — com longas vestes de pele de animais. Estão perto da entrada do perfeito jardim do Éden, do lado de fora. Estão de costas para o jardim. Olham para o cenário diante de si. Vêem apenas solo não cultivado. Bem obviamente, este não tem a bênção de Deus. Diante deles vêem-se espinhos e abrolhos. Não é esta a terra que eles haviam sido incumbidos de sujeitar? Sim, mas o primeiro homem e a primeira mulher não estão ali fora com o objetivo de estender o jardim do Éden sobre tal terra não cuidada.

      2. Por que o homem e a mulher não tentaram entrar de novo no jardim paradísico?

      2 Diante de tal vista contrastante, por que eles não voltam e entram de novo no jardim paradísico? Parece óbvio, mas veja o que há atrás deles na entrada do jardim. Criaturas a quem nunca haviam visto antes, nem mesmo dentro do jardim, querubins, e a lâmina chamejante de uma espada que se revolve continuamente. O homem e a mulher jamais poderiam passar vivos por eles para entrar no jardim! — Gênesis 3:24.

      3. O que havia acontecido que mudou tão drasticamente as circunstâncias do primeiro casal?

      3 O que acontecera? Não se tratava de um mistério tão complicado que frustrasse a ciência por milhares de anos. A explicação é simples. O primeiro homem e a primeira mulher realizariam as maravilhosas perspectivas que lhes foram apresentadas mediante a incumbência que Deus lhes dera no dia de seu casamento, mas sob a condição de que obedecessem a seu Pai celestial nos mínimos detalhes. A perfeita obediência deles seria testada por uma única proibição envolvendo um alimento: Eles não deviam comer do fruto da “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. (Gênesis 2:16, 17) Se fizessem isso contra as ordens de Deus, positivamente morreriam. Foi isso o que Adão, como profeta de Deus, disse à sua esposa, a criatura humana mais nova. Mas, surpreendentemente, aquela na·hhásh, aquela serpente, negou a veracidade do que Deus dissera a Adão em Seu aviso contra comer da proibida “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. A serpente enganou a mulher, levando-a a crer que violar a lei de Deus e comer do fruto proibido resultaria em ela tornar-se igual a Deus e independente Dele quanto a determinar o que é bom e o que é mau. — Gênesis 3:1-5.

      Não É Um Relato Mitológico

      4, 5. Como mostra o apóstolo Paulo que o relato de a serpente enganar a primeira mulher não é mito?

      4 Incrível? Soa por demais como mito, uma história lendária e sem base em fatos e, portanto, inaceitável para as modernas esclarecidas mentes adultas? Não, não para alguém que ainda hoje é um amplamente lido escritor, um escritor confiável, um apóstolo especialmente escolhido, que sabia ser exato o que escrevia. Para a congregação de cristãos adultos na cidade de Corinto, sábia segundo os padrões do mundo, este apóstolo Paulo escreveu: “Tenho medo de que, de algum modo, assim como a serpente seduziu Eva pela sua astúcia, vossas mentes sejam corrompidas, afastando-se da sinceridade e da castidade que se devem ao Cristo.” — 2 Coríntios 11:3.

      5 Paulo dificilmente se referiria a um mito, uma fábula, usando tal coisa imaginária como argumento para aqueles coríntios, que conheciam bem os mitos da religião grega pagã. Citando das inspiradas Escrituras Hebraicas, que ele disse ser “a palavra de Deus”, o apóstolo Paulo afirmou que “a serpente seduziu Eva pela sua astúcia”. (1 Tessalonicenses 2:13) Ademais, ao escrever a um superintendente cristão incumbido do dever de ensinar o “modelo de palavras salutares”, o apóstolo Paulo disse: “Adão foi formado primeiro, depois Eva. Também, Adão não foi enganado, mas a mulher foi totalmente enganada e veio a estar em transgressão.” — 2 Timóteo 1:13; 1 Timóteo 2:13, 14.

      6. (a) Em que sentido a transgressão de Adão contra Deus foi diferente da da mulher? (b) Por que podemos ter certeza de que a mulher não estava inventando uma história a respeito da serpente?

      6 Ser a mulher enganada por uma serpente é um fato, não um mito, tão certamente como as conseqüências de ela desobedientemente comer do fruto proibido são duros fatos da história. Depois de ter desta forma incorrido na transgressão contra Deus, ela induziu seu marido a participar com ela em comer, mas, o fato de ele comer não se deu por ter sido também totalmente enganado. (Gênesis 3:6) A narrativa de sua posterior prestação de contas a Deus diz: “E o homem prosseguiu, dizendo: ‘A mulher que me deste para estar comigo, ela me deu do fruto da árvore e por isso comi.’ Com isso, Jeová Deus disse à mulher: ‘Que é que fizeste?’ A que a mulher respondeu: ‘A serpente — ela me enganou e por isso comi.’” (Gênesis 3:12, 13) A mulher não estava inventando uma história sobre aquela na·hhásh, aquela serpente, e Jeová Deus não considerou a explicação dela uma invenção, um mito. Ele lidou com aquela serpente como tendo sido um instrumento no engano da mulher, que levou-a a transgredir contra Ele, seu Deus e Criador. Não seria condizente com a dignidade de Deus lidar com uma mera serpente mitológica.

      7. (a) Como descreve o relato bíblico o trato judicial de Deus com a serpente? (b) Como poderia a serpente que enganou a primeira mulher enganar a nós também? (Inclua comentários sobre a nota ao pé da página.)

      7 Descrevendo os tratos judiciais de Deus com aquela serpente no jardim do Éden, o relato diz: “E Jeová Deus passou a dizer à serpente: ‘Porque fizeste isso, maldita és dentre todos os animais domésticos e dentre todos os animais selváticos do campo. Sobre o teu ventre andarás e pó é o que comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente [literalmente: semente] e o seu descendente [semente]. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.’” (Gênesis 3:14, 15) Qualquer tribunal sério lida com fatos, e apura evidências reais, não lendas. Jeová Deus não se fazia de tolo, ingênuo, dirigindo sua sentença judicial a uma serpente mitológica, mas pronunciava julgamento contra uma criatura factual, que existia, e que era culpada. Não seria risível, mas sim patético, se essa mesma serpente nos enganasse, levando-nos a pensar que ela nunca existiu, que era mero mito, que não era responsável por nada de errado na terra.a

      8. Que julgamento pronunciou Deus contra a mulher, e com que conseqüências para suas filhas e netas?

      8 Tratando a declaração da mulher a respeito da serpente como fato, o registro concernente à esposa do homem diz: “A mulher ele disse: ‘Aumentarei grandemente a dor da tua gravidez; em dores de parto darás à luz filhos, e terás desejo ardente de teu esposo, e ele te dominará.’” (Gênesis 3:16) Nada assim havia sido incluído na bênção de Deus no casamento dela com Adão, quando Deus lhes dissera: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra.” (Gênesis 1:28) Esta incumbência abençoada dada ao casal humano perfeito feito pressagiava muita gravidez para a mulher, mas não indevida agonia e extremas dores de parto, e tampouco opressão marital sobre ela. Este julgamento contra a mulher transgressora afetaria as suas filhas e netas por geração após geração.

      Sentença Contra Adão Magnifica a Lei de Deus

      9, 10. (a) Que aviso dera Deus diretamente a Adão, e quais seriam as conseqüências se Deus mantivesse tal penalidade? (b) Que julgamento proferiu Deus contra Adão?

      9 Que mudadas circunstâncias, porém, haveria a mulher de partilhar com o homem a quem induzira a juntar-se a ela na transgressão? A este homem, Deus dissera diretamente: “Quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” (Gênesis 2:17) Apegar-se-ia Deus, o Juiz, a uma sentença tão decisiva por Adão meramente ter comido um pedaço de fruta? Imagine o que a execução de tal penalidade significaria! Destruiria por si mesma aquela arrebatadora perspectiva que Adão e Eva haviam entretido no seu dia de casamento, a perspectiva de encher a terra inteira com a sua descendência, com uma perfeita raça humana habitando pacificamente numa terra paradísica para sempre em eterna juventude, em relações pacíficas com seu Deus e Pai celestial! Por certo, Deus não frustraria seu próprio propósito maravilhoso para com a humanidade e para com o lar terrestre do homem por aplicar estritamente a penalidade da morte contra os primeiros pais humanos de toda a humanidade! Mas, ouça o decreto divino, claramente registrado no relato bíblico:

      10 “E a Adão ele disse: ‘Porque escutaste a voz de tua esposa e foste comer da árvore a respeito da qual te ordenei, dizendo: ‘Não deves comer dela’, maldito é o solo por tua causa. Em dor comerás dos seus produtos todos os dias da tua vida. E ele fará brotar para ti espinhos e abrolhos, e terás de comer a vegetação do campo. No suor do teu rosto comerás pão, até que voltes ao solo, pois dele foste tomado. Porque tu és pó e ao pó voltarás.’” — Gênesis 3:17-19.

      11. Que fatos a respeito de obediência ilustram a justeza do julgamento de Deus contra Adão?

      11 Tal julgamento significou a execução da pena de morte contra o homem, independente das conseqüências sobre o propósito de Deus de ter uma terra paradísica cheia de homens e mulheres perfeitos, amorosa e pacificamente mirando juntos e para sempre, cultivando e cuidando do jardim paradísico global. O homem escutara a voz de sua esposa em vez de a voz de Deus, que lhe dissera que não comesse da proibida “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. E se ele mesmo não obedeceu a voz de seu Deus e Criador, seria coerente pensar que ele ensinaria seus filhos a fazerem isso? Seria o seu próprio exemplo um argumento positivo ao ensinar-lhes a obedecerem a Jeová Deus? — Compare com 1 Samuel 15:22.

      12, 13. (a) Como o pecado de Adão afetaria seus filhos? (b) Por que Adão não merecia viver para sempre no Paraíso ou na própria terra em si?

      12 Teriam os filhos de Adão condições de guardar a lei de Deus de maneira perfeita, como ele próprio, na sua perfeição humana, outrora tinha condições de fazer? Pela operação das leis da hereditariedade, não transmitiria ele a seus filhos a sua fraqueza e tendência de desobedecer à voz de Deus e de escutar uma outra voz? A história factual supre as respostas a estas perguntas. — Romanos 5:12.

      13 Será que um homem que, simplesmente por causa de uma criatura humana, se desviou da perfeita obediência a Deus como expressão de amor perfeito para com Ele merecia viver para sempre no Paraíso ou mesmo na própria terra em si? Seria seguro deixá-lo viver na terra para sempre? Será que ser-lhe permitido viver para sempre na terra em sua transgressão magnificaria a lei de Deus e mostraria Sua justiça absoluta, ou, ao contrário, ensinaria desrespeito para com a lei de Deus e daria a entender que a Sua palavra não era confiável?

      Expulso do Jardim do Éden

      14. Como descreve o registro bíblico a ação que Deus tomou contra Adão e sua esposa?

      14 O registro bíblico nos diz como Deus decidiu esses assuntos: “E Jeová Deus passou a fazer vestes compridas de peles para Adão e para a sua esposa, e a vesti-los. E Jeová Deus prosseguiu, dizendo: ‘Eis que o homem se tem tornado como um de nós, sabendo o que é bom e o que é mau, e agora, a fim de que não estenda a sua mão e tome realmente também do fruto da árvore da vida, e coma, e viva por tempo indefinido —’ Com isso, Jeová Deus o pôs para fora do jardim do Éden para lavrar o solo de que tinha sido tomado. E expulsou assim o homem, e colocou ao oriente do jardim do Éden os querubins e a lâmina chamejante duma espada que se revolvia continuamente para guardar o caminho para a árvore da vida.” — Gênesis 3:21-24.

      15. (a) Como mostrou Deus consideração para com o sentimento de vergonha que Adão e sua esposa nutriam por estarem nus? (b) Como foi o primeiro casal expulso do jardim do Éden? (c) Que mudadas circunstâncias enfrentavam Adão e sua esposa fora do jardim do Éden?

      15 O Juiz divino mostrou consideração para com o sentimento de vergonha que os pecadores Adão e sua esposa agora nutriam por estarem nus. De algum modo não declarado, proveu-lhes longas vestes de pele para substituir as coberturas para os lombos, de folhas de figueira costuradas, que haviam feito para si. (Gênesis 3:7) As vestes de pele durariam mais tempo e lhes dariam maior proteção contra os espinhos e abrolhos e outras coisas prejudiciais fora do jardim do Éden. Por terem uma má consciência depois de terem pecado, eles haviam tentado esconder-se da vista de Deus entre as árvores do jardim do Éden. (Gênesis 3:8) Agora, depois de terem sido sentenciados, eles experimentaram alguma forma de pressão divina ao serem expulsos do jardim por Deus. Foram afastados na direção leste, e logo se encontravam fora do jardim, banidos para sempre dele. Não mais estariam trabalhando para expandir aquele jardim e estender as suas condições paradísicas aos confins da terra. De agora em diante, comeriam pão feito da vegetação do campo, mas este não sustentaria para sempre a sua vida humana. Eles foram barrados da “árvore da vida”. Depois de algum tempo — quanto tempo? — teriam de morrer!

      O Propósito Original de Jeová Não Foi Frustrado

      16. O que Deus não se propunha a fazer, e por que não?

      16 Decidiu Deus então destruir a terra, junto com a lua, o sol e as estrelas, numa conflagração universal porque essas duas criaturas provindas do pó pecaram contra ele? Se assim o fizesse, não significaria isso que ele fora frustrado em seu propósito glorioso, tudo por causa do que uma na·hhásh iniciara? Poderia uma mera serpente frustrar por completo o propósito de Deus? Ele havia manifestado o seu propósito a Adão e Eva no dia de seu casamento, quando os abençoou e lhes disse qual era a Sua vontade para com eles: encher a terra inteira com uma raça humana perfeita, com toda a terra sujeita ao grau de perfeição do jardim do Éden, e com toda a humanidade pacificamente tendo em sujeição todos os seres vivos inferiores na terra e nas águas. Uma deslumbrante visão do realizado propósito de Deus, cujos preparativos ele fizera por seis dias criativos de trabalho durante um período de milhares de anos! Seria este louvável propósito agora abandonado simplesmente por causa de uma serpente e da perversidade do primeiro casal humano? Dificilmente! — Veja Isaías 46:9-11.

      17. O que determinara Deus fazer com respeito ao sétimo dia, e, assim, como terminará esse dia?

      17 Ainda era o dia de repouso, o sétimo dia, de Jeová Deus. Ele havia determinado abençoar aquele dia e o santificara. Não permitiria que nada o transformasse num dia amaldiçoado, e qualquer maldição que fosse tramada, por quem quer que fosse, para que caísse sobre esse dia de seu repouso, ele neutralizaria e transformaria em bênção, fazendo com que o dia terminasse abençoado. Isto deixaria a inteira terra como lugar sagrado, com a vontade de Deus sendo feita aqui na terra como é feita no céu, e isso por uma raça de humanos perfeitos. — Compare com Mateus 6:10.

      18, 19. (a) Por que podem cobrar ânimo os sofredores descendentes do pecaminoso primeiro casal humano? (b) O que considerarão futuras colunas de A Sentinela?

      18 Deus não se sentiu frustrado. Não abandonou o seu propósito. Ele estava decidido a vindicar a si mesmo como a Pessoa plenamente confiável que tanto se propõe como executa plenamente o que se propõe a fazer, com o devido crédito para si mesmo. (Isaías 45:18) Os imperfeitos e sofredores descendentes do pecaminoso primeiro casal humano podem cobrar ânimo e aguardar que Deus cumpra fielmente o seu propósito original com benefícios eternos para eles. Já se passaram milênios de Seu dia de descanso; e a parte final do dia que terá a sua bênção especial deve estar próxima. A “noitinha” de seu dia de repouso está passando, e, como em todos os seis dias criativos precedentes, a “manhã” deve vir. Quando essa “manhã” atingir a sua perfeição e se fizer plenamente visível a todos os observadores o glorioso cumprimento do propósito imutável de Deus, será possível registrar: ‘E veio a ser noitinha e veio a ser manhã, sétimo dia.’ Deveras uma perspectiva assombrosa!

      19 É eletrizante pensar em tudo isso! E, em futuras colunas de A Sentinela, haverá informações adicionais a respeito das arrebatadoras perspectivas de um Paraíso em reserva para humanos obedientes, amantes da lei de Deus.

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