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  • Desígnio inteligente ou coincidência — qual?
    Despertai! — 1978 | 8 de outubro
    • Desígnio inteligente ou coincidência — qual?

      EXISTE desígnio inteligente nas coisas vivas ao redor de nós, ou tudo é resultado de simples acaso? Há dois campos de pensamento sobre essa questão.

      Os proponentes da teoria da existência pelo acaso, ou pela ação de ‘forças cegas’, crêem que a vida existe mediante a combinação, por coincidência, de incontável número de eventos. Isto significaria que exatamente as corretas substâncias químicas teriam de formar-se nas quantidades certas, precisamente sob as condições certas de temperatura, umidade e outros fatores, todas estas sendo mantidas durante o exigido período de tempo. Ademais, tais eventos coincidentes teriam de ser contínuos ou ser repetidos infindáveis vezes, para que a vida começasse e se perpetuasse na terra.

      Os que crêem no desígnio sustentam que há um objetivo inteligente na vida. Cada forma de vida é importante unidade no padrão geral, existindo interdependência entre todas essas formas. A variedade das coisas vivas, os instintos que revelam e os mecanismos ou equipamentos possuídos pelos animais, por um lado, para caçar seu alimento, e, por outro lado, para a sobrevivência de sua espécie, demonstram uma inteligência que não lhes é própria — com efeito, é muitíssimo superior a qualquer coisa que até mesmo o homem inteligente poderia conceber ou imaginar.

      Os que crêem na existência coincidente da vida reconhecem que as probabilidades contra tal acontecimento ocasional são astronômicas, sim, muito mais do que astronômicas. Mas, afirmam, todo tipo de combinação poderia acontecer, uma vez decorrido o tempo suficiente.

      No entanto, é difícil explicar, pela teoria da “coincidência”, por que não se observam, em profusão, as mudanças ocasionais, atualmente. Um cientista dá passos progressivos em sua pesquisa, e baseia-os em suas experiências prévias ou na pesquisa de outros cientistas. Também age segundo seu conhecimento das leis que governam as coisas naturais. Não crê, à guisa de exemplo, que as reações de certas combinações químicas demonstradas ontem sejam diferentes hoje, mantidas as mesmas condições. Assim, tem fé no que chama de leis da química. Tal fé contradiz a teoria da coincidência ou da operação de ‘forças cegas.

      Entre as coisas vivas da terra, tanto vegetais como animais, há surpreendente complexidade. Todavia, na provisão feita para a continuidade da vida — a grande diversidade de métodos, todos eles engenhosos e perfeitamente eficazes — há base para ainda maior surpresa.

      Por que cada pessoa deve a si mesma a obrigação de considerar a evidência sobre esta questão de a vida ser produto de desígnio inteligente ou do acaso? Bem, o padrão de vida duma pessoa, e suas relações com o próximo sofrem grande influência de seu conceito sobre a fonte da vida. Consequentemente, é bom evitar assumir uma posição final sobre essa questão até que se tenha pesado criteriosamente, pelo menos, pequena porção da grande massa de evidência Daí, pode-se chegar à verdade, que é a única coisa que satisfaz a mente raciocinandora. Nos próximos dois ‘artigos será apresentada alguma evidência, da qual o leitor poderá tirar as conclusões guiadas pelo seu raciocínio.

  • Considere a evidência da vida vegetal
    Despertai! — 1978 | 8 de outubro
    • Considere a evidência da vida vegetal

      A VIDA vegetal é a maior “usina” da terra, produzindo, segundo certo cálculo conservador, 150 bilhões de toneladas anuais de carboidratos (açúcares). Isto é mais de 200 vezes a produção mundial de aço e cimento. As plantas constituem a fonte alimentícia de todo animal e humano na terra — sendo uma provisão fartíssima. Junto com o açúcar energizante, as plantas fornecem vitaminas, sais minerais, remédios e matérias-primas para roupas, construção, fabricação de papel, tinturas, tintas e um leque quase inumerável de outras coisas proveitosas para o homem.

      Devíamos ficar contentíssimos de que a vida vegetal, em suas miríades de variedades, surgiu na terra antes do gênero humano, pois é essencial a toda vida animal e humana. A Bíblia descreve a vegetação como vindo a existir antes dos animais e apresenta o Criador como indicando que Ele tinha um desígnio ao produzir primeiro a vegetação, quando disse ao primeiro homem e mulher: “Eis que vos tenho dado toda a vegetação que dá semente, que há na superfície de toda a terra, e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente. Sirva-vos de alimento. E a todo animal selvático da terra, e a toda criatura voadora dos céus, e a tudo o que se move sobre a terra, em que há vida como alma, tenho dado toda a vegetação verde por alimento.” — Gên. 1:29, 30.

      O Papel da Fotossíntese

      A vida vegetal inclui o fitoplancto vegetal do mar, básico para sustentar os peixes e outras criaturas marinhas. A vegetação, desde as gramíneas até às árvores, é a base da “cadeia alimentar” do solo. Isto acontece porque nenhum animal pode fabricar seu próprio alimento. As plantas, porém, fazem esse trabalho. Pelo processo complexo da fotossíntese, ainda não plenamente entendido nem reproduzido pelo homem, as plantas convertem o bióxido de carbono, a água e a energia solar em carboidratos e oxigênio. Absorvendo a energia solar, a planta também utiliza os sais minerais do solo para produzir gordura, proteínas, amidos, vitaminas e outros produtos que suprem alimentos para a vida animal. Os animais e os humanos respiram oxigênio que “alimenta” a conversão dos carboidratos para produzir água e energia química, através dos quais outros produtos vegetais são assimilados em seu corpo.

      Propagação da Vida Vegetal

      Para que as plantas cumpram seu objetivo indispensável como base de toda vida animal, elas, ou seus frutos, precisam ser comidos. Assim, as plantas têm de dispor de um meio de propagar-se, a fim de continuarem a ser fonte alimentar. Precisam morrer, decompor-se e renovar-se, reproduzindo regular e indefinidamente a sua espécie. Verificamos haver desígnio neste arranjo? Se assim for, não poderá tratar-se de mera coincidência.

      Considere os métodos de propagação empregados pela vegetação. As plantas usualmente produzem prolificamente sementes. Isto é essencial, pois toneladas de sementes são ingeridas como alimento pelos insetos, pelas aves, por outras criaturas e pelos humanos. Bem, se apenas uma semente, ou algumas, fossem produzidas por uma planta, elas seriam comidas, e tal espécie desapareceria. Também, as sementes caem em muitos tipos de solo, e algumas jamais germinam. O tempo desfavorável, fungos e outros fatores talvez impeçam muitas sementes de germinar. Por esse motivo, é preciso haver uma produção liberal de sementes. Portanto, não se trata de “a natureza ser muito esbanjadora”, como afirmam alguns. Antes, ela é prolífica, e parece haver desígnio em tal liberalidade. É mister que as plantas produzam centenas, e até mesmo milhares, de sementes. Algumas árvores produzem milhões de sementes por hectare. Por certo, não se pode afirmar que tal prodigiosa produção de sementes não cumpra um propósito. E a existência dum propósito não exige desígnio?

      As sementes produzidas precisam também ser dotadas de forte poder germinativo, pois algumas precisam sobreviver meses de inverno, secas ou longos períodos de condições desfavoráveis. A maioria das sementes possuem notável poder germinativo, atingindo até 90 por cento de viabilidade. A semente talvez fique completamente seca, sua vida se tornando latente. Mas, em sua condição inerte, pode suportar os extremos de temperatura, em muitos casos muito abaixo do ponto de congelamento, ou quase tão elevadas quanto o ponto de ebulição da água (embora não na água). Mesmo após um lapso de alguns anos, as sementes espocam para a vida quando colocadas em água, ou em solo úmido. Um loto-índico germinou e floresceu depois de ficar dormente como semente por 2.000 anos, e mudinhas e sementes dele foram enviados a instituições botânicas através do mundo.

      Por certo, não se pode afirmar que as plantas discirnam a necessidade da continuidade de sua espécie. Que tremenda coincidência — se for coincidência — que todas as plantas possuam tal provisão! Poderiam forças “cegas”, ocasionais, fornecer tal orientação uniforme que beneficia toda a vida na terra?

      Quando examinamos a germinação ou reprodução vegetal, encontramos outras complexidades, sem as quais a semente jamais poderia crescer. Uma destas é que as sementes são dotadas de sua própria reserva alimentar inicial. Cada semente contém carboidratos e outras substâncias que habilitam a semente germinante a sobreviver o tempo suficiente até que produza raízes e folhas, de modo que possa atingir a maturidade de forma normal.

      Daí, há a ampla variedade de formas de propagação, de modo que cada espécie de planta consegue sobreviver em seu ambiente específico, segundo sua própria natureza. Certas plantas podem ser divididas ou dissecadas, constituindo dois ou mais sistemas de raízes, cada um dos quais poderá transformar-se numa nova planta saudável. Outras florescem à base de simples mudinha, um pedaço da planta inserido no solo. A ponta exposta da mudinha consegue produzir suas próprias raízes. As folhas de algumas plantas criam raízes em lugares cortados da folha. Outras, tais como as batatas, propagam-se por meio de tubérculos; algumas plantas crescem de bulbos.

      Na distribuição ou disseminação das sementes, há beleza e engenhosidade “científica”. As árvores e outra vegetação são usualmente imóveis, todavia, precisam espalhar suas sementes, se hão de cobrir qualquer área apreciável. Os meios usados para isso são vários e muitíssimo eficazes. A semente do ácer possui asas ou expansões aliformes com as quais o vento pode levá-la a grandes distâncias. Similarmente, o dente-de-leão, por meio de seu próprio apêndice semelhante a um pára-quedas, virtualmente flutua ao vento. O beijo-de-frade espalha sementes fininhas por meio de emissão explosiva. As sementes do carrapicho e outras são levadas no pêlo dos animais para outras áreas de crescimento. Algumas frutinhas silvestres e frutos são ingeridos pelos animais. Suas sementes, contudo, não são digeridas, mas se dispersam através dos resíduos dos animais.

      Mui engenhoso é o método de disseminação do coqueiro, que transporta sua espécie às praias mais remotas, até mesmo a outras ilhas e continentes através do mar. Talvez pensemos que o coqueiro nasceu por acaso numa praia ou próximo dela, porque precisa de água do mar, mas isto não acontece. Na realidade, precisa de água doce. Por isso, suas raízes são relativamente curtas, tendo o comprimento bastante para chegar à água doce, que é mais leve que a água do mar e, assim, fica no topo da água do mar nas regiões costeiras. Todavia, para disseminar sua semente, a região costeira é a melhor, porque os cocos podem flutuar a grandes distâncias. Que espécie de coincidência faria com que o coqueiro dispusesse desse arranjo ímpar? É razoável pensar que havia algum tipo de conhecimento que orientou esta combinação ímpar de circunstâncias?

      Métodos de Fecundação

      Também, na fecundação das plantas florescentes, que ‘forças cegas’ fariam que certas plantas tivessem sexos diferentes, de modo que a fêmea tivesse de ser fecundada pelo pólen da planta macho? E como é que o acaso cego faria então arranjos para um transportador de pólen, especialmente quando este transportador é, por vezes, mais complexo do que a própria planta?

      Embora algum pólen seja transportado pelo vento, muitas plantas têm de conseguir a cooperação dos insetos. Isto exige que as plantas disponham de alimento que os insetos apreciam, bem como disponham dum modo de atraí-los a tal alimento. Para isso, as plantas empregam um odor agradável ao inseto. Também, em alguns casos, as cores brilhantes parecem suprir os atrativos. Daí, na flor macho, o estame que contém o pólen precisa estar perto do alimento, de modo que o inseto se esfregue nele e capte grãos de pólen em seus pêlos do corpo. Na flor fêmea, o pistilo precisa estar corretamente posicionado para receber o pólen, na visita do inseto. Pense só na complexidade envolvida. A estrutura das flores, seu odor e a correta produtividade de néctar precisam ser exatamente corretos. Mesmo isto de nada valeria se não houvesse a cooperação completa dos instintos e hábitos do inseto, junto com sua necessidade de obter e saborear certo alimento que apenas as flores de sua preferência podem suprir.

      Embora tal fecundação dependa de tantos fatores, a abundante proliferação destas flores testifica a eficácia de seu método. E tal processo é uniformemente duplicado bilhões de vezes, por milhares de anos. Poderia a coincidência produzir todas essas exigências e daí, repeti-las de forma exata, sem mudanças prejudiciais no seu padrão, por centúrias?

      A Magnitude da ‘Maior Usina da Terra’

      No alimento que produz, a vida vegetal fornece a usina geradora de energia mais rica da terra, que obtém do sol, a fonte de quase toda a energia usada na terra. Mas considere quão mais ampla é esta estocagem de energia, conforme comentado em Photosynthesis and Related Products (Fotossíntese e Produtos Relacionados), de Eugene I. Rabinowitch (Volume I, “Interscience Publishers Incorporated”):

      “A redução do bióxido de carbono por parte das plantas verdes é, de per si, o maior processo químico da terra. Para tornar claro o que significa uma produção de 1011 toneladas anuais, podemos compará-la com a produção total das indústrias químicas, metalúrgicas e mineradoras da terra, que é da ordem de 109 toneladas anuais. Noventa por cento desta produção é carvão e petróleo i. e., produtos devidos à fotossíntese nas épocas primitivas. Similarmente impressionante é a comparação da energia estocada anualmente pelas plantas, junto com a energia disponível de outras fontes. A energia convertida pela fotossíntese é cerca de cem vezes maior do que o calor da combustão de todo o carvão minerado na terra no mesmo período, e dez mil vezes maior do que a energia da água que cai, utilizada em todo o mundo.”

      Considerar os Benefícios da Vida Vegetal Faz-nos Refletir Seriamente

      Em suma: Podemos ficar felicíssimos de que os eventos se sucederam desse modo. E cabe à mente lógica e inquiridora determinar se a idéia da coincidência ou da criação por parte de uma inteligência superior produziu isso tudo. O fato de que a vida vegetal foi introduzida antes da vida animal é certamente vital. Foi isto feito deliberadamente ou de modo acidental? Poder-se-ia argumentar que a vida vegetal teria de vir antes da vida animal, porque a vida animal não poderia existir sem ela. Mas, o exame de perto revela que as plantas são extremamente complexas, e não simples, e distam muito, muito mesmo, duma molécula “primeva”. Ademais, as plantas diferem grandemente dos animais e não existe explicação de como qualquer delas poderia, de alguma forma, ter evoluído no animal mais primitivo.

      Um fato que argumenta contra o acaso cego poder garantir a perpetuidade da vida na terra reside na capacidade da vegetação de absorver o bióxido de carbono da atmosfera. É certo que o acaso, ou ‘forças cegas’ não poderiam deduzir, de antemão, nem prover as mudanças drásticas que poderiam ocorrer no meio ambiente. Mas um Criador desejoso de que a vida continuasse na terra poderia fazê-lo. E esta preparação antecipada é evidentemente o que foi feito no início, ao se trazer a existência a vida vegetal. Como assim? Observe o seguinte exemplo:

      Desde que começou a “revolução industrial” do mundo, tem havido considerável temor de que a produção de bióxido de carbono resultante da queima de combustíveis fósseis pusesse em perigo a vida na terra, talvez até mesmo tornando impossível a vida. Mas recentes estudos fornecem um quadro bem mais animador. Science News, de 19 de abril de 1975, relatando as descobertas do geólogo Fred T. MacKenzie, da Universidade Northwestern, dos EUA, afirma:

      “À medida que os combustíveis fósseis são queimados, expelem bióxido de carbono. Por se saber quanto combustível é queimado mundialmente, pode-se calcular as quantidades esperadas de bióxido de carbono expelidas, e quanto se poderia encontrar na atmosfera. Há, contudo, um problema interessante em tais cálculos. A comparação dos níveis reais e espera. dos de C02 revela que a maior parte dele ‘sumiu’.

      “ . . . O C02 sumido está sendo incorporado nas plantas. A biomassa de vegetação talvez aumentou em 10 por cento desde os fins dos anos 1800, afirma ele, quando as emissões de C02 aumentaram, junto com o uso crescente dos combustíveis fósseis.

      “A incorporação do C02, junto com os nutrientes disponíveis, nas plantas, talvez represente um mecanismo global de realimentação que ajude a impedir desequilíbrios na atmosfera, afirma MacKenzie.”

      A isto poder-se-ia acrescentar que o oceano é tremendo reservatório de bióxido de carbono. Absorve ou libera o bióxido de carbono conforme seja necessário. Assim, junto com a ajustabilidade do processo de fotossíntese, a vida animal consegue sobreviver.

      Quem poderá afirmar, dogmaticamente, que não existe nenhum Criador, que, no próprio estabelecimento da terra e da vida sobre ela, proveu estás “margens de segurança” para lidar com situações que surgissem?

      Ademais, é mui lógico, e certamente essencial, que houvesse alguma provisão para utilizar a energia solar. A vegetação faz isso em nosso benefício. Que cooperação teria de haver, para que o sol, a uns 150 milhões de quilômetros de distância, provesse exatamente a radiação certa e na quantidade certa! De novo, é bom que a vegetação não compita com os animais e os humanos na questão de alimentos, mas, ao invés, forneça os alimentos. E a vida vegetal não depende do homem. Na maior parte, promove seu próprio crescimento, independente da vida animal. A parte que o homem desempenha até mesmo nas plantas cultivadas é mínima. Pode ajudar somente muito pouco — o próprio crescimento é automático e não é nem mesmo inteiramente compreendido pelo homem. É concebível que o acaso ou forças cegas pudessem programar e produzir tal intricamento, complexidade e eficiência, ao passo que os homens inteligentes podem ver, examinar e estudar tudo isso, e, ainda assim, ignorar exatamente como funciona?

      [Diagrama na página 8]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      a fotossíntese simplificada

      sol

      decomposição das moléculas de água

      oxigênio para a atmosfera

      hidrogênio e compostos ricos em energia

      bióxido de carbono da atmosfera

      hidrogênio e carbono formam glicose

      a glicose rica em energia, a molécula básica de alimento

      [Foto na página 6]

      As plantas espalham suas sementes de muitas formas — o dente-de-leão envia “pára-quedas” levados pelo vento.

      [Foto na página 9]

      Que “força cega” poderia fazer que algumas plantas necessitassem da ajuda dos insetos na fecundação, daí, suprissem os insetos para transportar o necessário pólen?

  • Considere a evidência do mundo animal
    Despertai! — 1978 | 8 de outubro
    • Considere a evidência do mundo animal

      O MUNDO animal tem de enfrentar um problema bem diferente do confrontado pelo mundo vegetal. As plantas são, na maioria, imóveis. Sua localização fixa torna essencial que tenham a adaptabilidade para suportar fatores mutáveis e contrários, no meio ambiente. Daí, também, têm de produzir alimento de materiais inorgânicos.

      Já os animais usualmente dispõem de grande liberdade de movimento. Não podem fabricar seu alimento, mas têm de juntá-lo ou caçá-lo. Assim, têm de empregar diferentes métodos de caçar alimento e para a propagação e sobrevivência de sua espécie. E tais métodos variam conforme a espécie, cada um deles sendo bem sucedido.

      A estrutura corporal e os métodos usados pelos animais se comparam bem com os inventos e instrumentos que o homem inventou para caça, proteção, etc. Com efeito, o homem conseguiu aprimorar o formato de suas invenções, tais como os aviões, equipamento ótico, navios e outro equipamento “avançado”, por estudar a constituição e o comportamento animal. Não se credita aos animais a inteligência de inventar tais coisas, e, por certo, não conseguem formar nem alterar seus próprios corpos para criar tais coisas. De onde, então, provém a inteligência?

      Relação Entre a Procriação e o Perigo de Extinção

      Há evidência de que, entre os animais ovíparosa, o número de ovos produzidos por um genitor depende dos perigos a que os ovos ou os filhotes ficam expostos. À guisa de exemplo, a ostra comum produz cerca de 50 milhões de ovos duma só vez. Para praticamente todos os animais marinhos, tais ovos são um prato delicioso. E têm oportunidade de comer milhões deles, pois os ovos flutuam por vários dias até se fixarem de modo permanente num local para se desenvolverem a maturidade. Embora milhões de ovos sejam comidos, sobrevive um número bastante para manter a população de ostras. Todavia, a ostra obviamente não possui a capacidade de saber o que acontece com os ovos. Similarmente, embora não sejam tão prolíficos quanto a ostra, muitos outros animais marinhos, que não dispõem de nenhum outro meio de proteger seus ovos, põem prodigioso número deles.

      Por outro lado, a águia-real põe de um a quatro ovos de uma só vez, e a águia-de-cabeça-branca de um a três ovos. Estas aves constroem ninhos altíssimos e de dificílimo acesso, e, com sua capacidade de vôo, e suas fortes presas, podem proteger seus ninhos. Por conseguinte, grande número de ovos seriam supérfluos.

      Com respeito ao efeito geral de tal produção variada por parte de diferentes espécies animais, a Encyclopœdia Britannicab declara:

      “A maioria das populações animais não estão, em média, nem aumentando nem diminuindo acentuadamente, e, em tais populações . . . a taxa de natalidade ou reprodutiva iguala a mortandade total dos ovos filhotes, e adultos.”

      Alguns que crêem na evolução sustentam que a igualdade ou equilíbrio entre a natalidade e mortalidade é um mecanismo evolucionário que impede a superpopulação. Outros argumentam do ponto de vista da seleção natural. Mas quando a pessoa pensa em todos os fatores envolvidos — o clima, a procriação, os suprimentos alimentares, e outros — será que realmente consegue crer, em qualquer base lógica, que forças não inteligentes avaliaram e orientaram esta situação extremamente complexa, com tão eminente êxito?

      Exemplo da complexidade de se manter um equilíbrio ecológico é a tartaruga, que põe mais ou menos 100 ovos por ano. A fêmea chega à praia no escuro e cava buracos na areia, onde deposita seus ovos e os cobre. Ela então os deixa entregues a si mesmos. Quando chega o tempo de eclodirem, a tartaruguinha sente o ímpeto de romper sua casca. Para esta fuga, dispõe dum ponto especial, duro, na cabeça, com que rompe a casca. Daí, cava a areia até sair e, sem hesitação, adeja apressadamente em direção ao mar. No trajeto, corre grande perigo de ser apanhada por predadores, especialmente por aves. Embora não saiba isto, ela, todavia, move-se apressadamente sobre todos os obstáculos e, se for apanhada e virada de direção, volta-se de imediato para obter a proteção de seu elemento natural, o mar. Mesmo ali ela corre perigo, e muitas tartaruguinha são comidas por peixes. As aves e os peixes, portanto, recebem um quinhão de seu alimento por parte de tartarugas, mas um número suficiente sobrevive para garantir a continuidade das tartarugas.

      Poderia o acaso cego orientar cada tartaruga de modo tão inerrável e determinado em direção ao mar? Como é que ela sabe que precisa romper a casca e sair de seu lugar arenoso de incubação? Aconteceu por simples acaso ter ela sido provida do equipamento especial para romper sua casca? Cada um desses recursos, desde a vinda de sua mãe para a praia, no escuro, enterrar seus ovos, de modo a ficarem a salvo de predadores, até que a tartaruga atinja o mar, é essencial. Se um elo nessa cadeia falhasse, a espécie das tartarugas ficaria extinta em muito pouco tempo.

      Medidas Protetoras

      O guaxe, ave da América Central, possui um meio de proteger seus filhotes que até mesmo o mais inteligente humano reputaria ser um teste de sua capacidade cerebral. Os gatos-do-mato, os lagartos-gigantes e os guaxinins poderiam todos, com facilidade, dar uma batida nos ninhos do guaxe, mesmo os construídos bem alto nas árvores. Mas, tais aves frustram seus inimigos por conseguir a ajuda dum aliado, mesmo sem o convite desse aliado. Constroem uma colônia de ninhos, amiúde 50 ou mais, num único ramo duma grande árvore. Escolhem um ramo que contenha um grande ninho das vespas tropicais. As vespas não parecem ficar aborrecidas com os ninhos, ou pela atividade das aves, mas ai do intruso que tente alcançar esses ninhos!

      A lagarta da mariposa da África Ocidental possui perigosos inimigos parasitos. Estes parasitos furam o lado do casulo da lagarta e depositam seus ovos no corpo da lagarta. Quando a lagarta se desenvolve por completo, as larvas dos parasitos a devoram. Daí, à medida que as larvas dos parasitos furam o casulo para sair, tecem diminutos casulos, espumosos, para si mesmas. Assim, a lagarta, ao tecer inicialmente o casulo, produz bolhas espumosas, presas à parte externa, de modo que pareça que sua casa já foi invadida. Trata-se duma tentativa, que sem dúvida com freqüência tem êxito, de desencorajar os inimigos parasitos. Como é que o acaso orientaria os instintos e daria ao corpo desta lagarta a capacidade de fabricar tão astuta camuflagem?

      Equipamento de Caça

      Pequeno peixe antilhano chamado Anableps dowei, tipo tralhoto, gosta de alimentar-se de migalhas que flutuam na superfície da água. Tem de poder vigiar tanto a superfície em busca de alimento como abaixo da superfície, alerta aos inimigos. Isto seria impossível para olhos com um único foco. O tralhoto (A. dowei), porém, possui lentes “bifocais”. Por meio de duas pupilas, pode ver acima da água através do foco superior das lentes e sob a água pelo foco inferior das lentes. Por este meio, ajusta-se ao fato de que a luz viaja a velocidade diferentes no ar e na água. Para manter úmidas as pupilas superiores, ele enfia a cabeça na água de tantos em tantos minutos.

      Outro peixe maravilhosamente equipado para enfrentar a propriedade de refração da luz, da água, é o peixe-arqueiro. Quase todos já notaram que um objeto sob a água parece estar mais perto do observador por cima da água, ou que um pau enfiado na água, em certo ângulo, parece curvo. Caso se atire uma flecha ou com um revólver sobre pequeno objeto na água, seria necessário fazer um cálculo bem complexo para atingir tal objeto. O peixe-arqueiro enfrenta esse problema ao reverso. Ele vê um inseto sobre um ramo pendurado. Rapidamente projeta a cabeça, ou apenas a boca, fora da água e abate o inseto como que com “foguete antiaéreo”, um jato de água. Para fazer isso, precisa mirar ao subir à superfície da água, fazendo a compensação pela refração da água, à medida que assim age. Será esta capacidade de cálculo matemático instantâneo inata ao peixe-arqueiro por desígnio, ou será que um padrão complexo de muitos fatores simplesmente aconteceu ser inculcado no mecanismo físico de algum peixe-arqueiro primitivo, e, depois disso, continuou no caso de todos os seus descendentes?

      Aerodinâmica Avícola

      Têm-se realizado muitos estudos da aerodinâmica do vôo das aves. Cada espécie de ave é assim dotada, segundo a parte que desempenha no arranjo ecológico. As andorinhas-do-ártico voam 16.000 quilômetros em suas viagens migratórias. Tais aves migratórias estão equipadas para altas velocidades. As asas de algumas aves possuem capacidade impulsionadora, para o vôo frontal. Algumas permanecem no ar durante horas, em vôo ascendente e planagens. Na descida, as penas de uma asa se achatam ou se agrupam, para o máximo “impulso” no ar. Na subida, as penas se contorcem e se abrem para permitir que a asa seja elevada com facilidade. Um grupo de penas no bordo da asa impede a turbulência que causaria a perda do poder ascensional. Os homens têm copiado este mecanismo nas asas dos aviões.

      O beija-flor, ao passo que suas asas possuem algumas caraterísticas similares às de outras aves, plana ao voar, por meio do princípio do “helicóptero”. Mas ao invés de girar como as lâminas dum helicóptero, suas asas batem para frente e para trás, num total de 60 ou 70 batidas por segundo. Cada asa gira na junta umeral, com o bordo virado para a frente ao bater para a frente, e girando quase 180 graus, de modo que o bordo se volte para trás na batida para trás. Em realidade, as asas desenham um padrão de um oito horizontal. Cada batida fornece sustentação, mas nenhuma propulsão. Por tal meio, a ave pode adejar, imóvel, enquanto suga o néctar duma flor.

      Maravilha da Regulação Térmica

      O leipoa (galináceo Mallee), da Austrália, realiza um feito que os humanos achariam praticamente impossível sem o uso de modernos instrumentos sofisticados — ele constrói sua própria incubadora.

      No árido semideserto que é seu lar, onde as temperaturas variam de 8 graus C abaixo de zero a 46 graus C, o leipoa macho enterra folhas durante o inverno, enquanto ainda úmidas, de modo que não se sequem mas se decomponham. Em maio, com a aproximação do inverno, cava um buraco de 4,60 metros de diâmetro, e de 1 a 1,20 metros de fundo, ciscando o lixo de folhas de até 36,50 metros em volta dele. Daí, no frio de agosto, cobre o montículo com terra, por até 60 centímetros de espessura. A fêmea então deposita os ovos num buraco no topo do montículo.c

      Um pesquisador sobre o assunto, H. J. Frith, segundo veiculado em Scientific American, de agosto de 1959, págs. 54-58, afirma:

      “Na primavera [o macho leipoa] precisa reduzir a dose de calor de fermentação que atinge os ovos. Visita o montículo antes do amanhecer, cada dia, e cava rapidamente até que se aproxima da câmara dos ovos. Depois de permitir que apenas o calor suficiente escape, ele enche de novo o buraco com areia fria.

      “Mais tarde, no verão, o sol se torna muito quente, e muito calor é conduzido da superfície do montículo até a câmara de ovos. Parte do calor ainda sobe à superfície, proveniente da matéria orgânica, embora a fermentação diminua por volta desse tempo. Os ovos tendem assim a aquecer-se demais, e a ave ainda precisa fazer algo para reduzir a temperatura. Há pouco que pode fazer para reduzir a taxa de fermentação, mas ele realmente reduz a taxa de condução solar. Diariamente, acrescenta mais terra ao montículo. À medida que o montículo se eleva cada vez mais os ovos, por certo tempo, ficam mais cabalmente insulados do sol. Após algum tempo pelo que parece, a ave não pode elevar mais o montículo, e uma onda de calor começa a descer de novo em direção aos ovos. Daí, o macho visita o montículo a cada semana, mais ou menos, bem cedo de manhã, remove toda a terra e a espalha no ar frio da manhã. Quando está fria, ele a junta e restaura o montículo. Trata se dum trabalho árduo, porém eficaz, em destruir a onda de calor na incubadora. A temperatura na câmara dos ovos permanece constante em 33 graus centígrados.

      “Quando chega o outono, a ave se confronta com o problema oposto: a redução da temperatura no montículo. O montículo não mais gera calor de fermentação, e declina a dose diária de calor solar. A ave então modifica suas atividades para enfrentar esse desafio. Ao passo que ciscou e espalhou a areia para resfriá-la de manhã cedo, não raro antes do amanhecer, agora vem ao montículo, cada dia, por volta das 10 horas, quando o sol brilha sobre ele. Cava todo o solo, retirando o dali e o espalha, de modo que o montículo pareça um grande pires, com os ovos a apenas alguns centímetros abaixo da superfície. Esta fina camada de solo, exposta ao sol do meio-dia, absorve algum calor, mas não o suficiente para manter a temperatura durante a noite. O pires tem de ser enchido com areia aquecida. Durante a parte mais quente do dia, a ave cisca a areia que removeu do montículo, expondo-a toda ao sol. À medida que cada camada fica quente, ela a devolve ao montículo. Cronometra sua atividade, de modo que restaura a incubadora com camadas de areia aquecida por volta das 16 horas, quando o sol vai abaixando “

      Este pesquisador fez experiências, colocando um aquecedor, operado por um gerador de 240 volts, no montículo, ligando e desligando o calor. Isto mantinha o macho ocupado, mas ele conseguiu manter a temperatura em cerca de 33 graus centígrados.

      Que força do acaso cego permitiria que esta ave soubesse que uma temperatura de 33 graus C era absolutamente essencial para a incubação dos ovos, e, nesse sentido, por que tal ave haveria de querer produzir descendentes? No caso do galináceo leipoa, é mais uma questão a se meditar, pois quando o filhote é incubado e sai do montículo, as aves paternas o deixam inteiramente entregue a si mesmo. Não lhe prestam nenhuma ajuda. Todavia, o macho executou trabalhos dos mais árduos, sob um sol abrasador, a fim de incubar os ovos, como se a continuidade da espécie leipoa fosse importante para a ecologia, o que, sem dúvida, é.

      Comportamento Que Evidencia Desígnio

      Há milhares de outras caraterísticas do comportamento animal que podem ser facilmente entendidas como resultado de desígnio por parte duma supermente, mas que exigem milhares de suposições apenas para justificar a teoria do acaso ou da coincidência. A guisa de exemplo, como é que o castor veio a ter uma cauda tão adaptada ao seu trabalho de “reboco”, dentes que conseguem abater árvores, e a motivação de construir, primeiro uma represa, e, daí, um lar seguro e confortável, estocado com reservas de alimentos? Como é que as represas que constrói são um acessório, sim, uma necessidade, para outras vidas animais da vizinhança? Dificilmente poderíamos afirmar que o castor trabalha deliberadamente em proveito de outros animais.

      Como é que a gerboa de três dedos, ou rato-do-deserto, da Ásia, vem a construir seu ninho permanente com uma entrada principal, bloqueada com areia no período diurno, e com várias saídas de emergência? Como é que o takahe, galináceo da Nova Zelândia, sabe construir vários ninhos, cada um com duas saídas, de modo que possa mudar-se de um ninho para outro? Até mesmo um humano que tente escapar de perseguidores talvez se esqueça de fazer tal plano de antemão. Devemos observar, também, que os animais não aprendem de seus pais tais padrões básicos, embora, em alguns casos, os pais ensinem algumas coisas aos filhotes, inclusive a ter cautela, a caçar e o comportamento defensivo. Por certo, não existe evidência alguma de que os animais edifiquem sobre o conhecimento ou as descobertas de seus ancestrais, de modo a progredir em erudição, como fazem os humanos. Sem embargo, cada animal possui um padrão comportamental necessário à sobrevivência de sua espécie.

      Desígnio Evidenciado na Diferença de Espécies

      Embora muitos leitores casuais talvez não estejam cônscios desse fato, Charles Darwin não cria na evolução em sentido absoluto. Na conclusão de sua obra, Origem das Espécies (trad. de Joaquim Dá M. Paul), ele afirma: “Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só?”

      Mas não existe nenhuma prova de que a grande variedade atual de “espécies” amplamente diferentes de animais na terra surgisse de uma só ou apenas de algumas formas originalmente criadas, embora muitas variedades tenham surgido das “espécies”, que não podem cruzar-se. Sobre este ponto, H. W. Chatfield, em seu livro A Scientist Search of God (Um Cientista à Procura de Deus), escreve:

      “Um tosco e incontrolado instinto de reprodução significaria o desastre para a vida animal, mas, como é o mundo animal guiado em sua trilha virtuosa e responsável, se não pela intervenção de uma força orientadora que, de alguma forma, não compreendida por nós, interpôs um embargo de segurança para manter a ordem da criação? Esta força proveu dois sexos ao mundo animal, com a atração essencial entre eles para manter a vida, mas, sabiamente, circunscreveu esta atração para impedir sua desorientação.

      “Poder-se-ia argumentar que as aproximadamente 800.000 espécies animais reconhecidas são resultado de cruzamento anterior, e, se isto é ou não válido, permanece o fato de que nós conseguimos caraterizar agora estas espécies distintas. Caso o cruzamento indiscriminado tivesse ocorrido pelos milhões de anos que os zoólogos e evolucionistas estão acostumados a escamotear, devemos sentir-nos felicíssimos, deveras, de reconhecer qualquer espécie de per si. A surpresa é que, depois de todo esse tempo, conseguimos separar a vida animal em espécies bem distintas e facilmente identificáveis.” — págs. 138, 139.

      Quanto à vida na terra, a Bíblia supre a resposta de que toda vida é produto dum Arquiteto Magistral, e não o produto do acaso. Lemos: “Digno és, Jeová, sim, nosso Deus, de receber a glória, e a honra, e o poder, porque criaste todas as coisas e porque elas existiram e foram criadas por tua vontade.” — Rev. 4:11.

      E, com respeito à reprodução das diferentes espécies, existe uma lei que as governa, e sabemos que nenhuma lei se origina por acaso ou coincidência, mas é produto dum legislador. Esta lei é que toda espécie de vegetação e de animal tem de reproduzir-se “segundo a sua espécie”. Diria que os fatos indicam coincidência, ou desígnio, da vida na terra? — Gên. 1:11, 12, 21, 24, 25.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Que produzem ovos que maduram ou são incubados depois de expelidos pelo corpo.

      b Macropædia, edição de 1976. Volume 14, p. 827.

      c O leipoa fêmea começa a pôr ovos em meados de setembro, pondo um ovo em cada quatro a oito dias; parando em fevereiro ou no início de março. Sendo o período de incubação de sete semanas, avezinhas recém-incubadas estão periodicamente saindo do montículo — uma verdadeira “linha” de produção.”

      [Foto na página 12]

      O tralhoto (“A. dowei”) acha-se dotado de lentes “bifocais” — consegue ver o alimento, na superfície da água, enquanto fica alerta aos inimigos, embaixo dela.

      [Foto na página 13]

      Como é que o peixe-arqueiro faz a compensação da retração da água, de modo a “abater” com exatidão os insetos?

      [Foto na página 15]

      Como é que o leipoa (galináceo “Mallee”) “sabe” tanto sobre controle de temperatura?

  • Onde é que o homem se enquadra?
    Despertai! — 1978 | 8 de outubro
    • Onde é que o homem se enquadra?

      AO PASSARMOS, do exame das maravilhas e complexidades do mundo animal, para o exame da vida humana, verificamos ainda maiores maravilhas, pois o corpo humano, e especialmente o cérebro humano, é de incomensuravelmente maior complexidade Com efeito, o abismo entre o mundo animal e o do gênero humano é muito mais amplo do que o existente entre insetos e macacos.

      O que constitui tal abismo? Verifica-se na diferença da constituição física, mental e espiritual. O gênero humano, de todas as tribos e nações, em toda a parte, possui um desejo de adorar. O mais ateísta dos governos não conseguiu eliminar tal caraterística. A história revela que os humanos estão sempre devotados a um deus, em um sentido ou outro. Até os que afirmam ser ateístas talvez adorem o Estado, o dinheiro, o prazer, algum herói, ou um craque esportivo ou astro do mundo das diversões, ou talvez se estabeleçam a si mesmos quais “deuses”.

      Capacidade do Homem Para a Espiritualidade

      A razão é que o homem, dentre todas as coisas vivas na terra, possui a capacidade de captar e entreter as coisas espirituais, e, por conseguinte, possui também moral, o que os animais não possuem. Na verdade, pode-se dizer que o homem possui capacidade inata para a espiritualidade, e tem ânsia de satisfazer tal capacidade. Aprecia a arte, a beleza e as qualidades excelentes. Pode, com a ajuda de Deus, produzir os “frutos do espírito”, que são “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio”. — Gál. 5:22, 23.

      Objetivo, Raciocínio, Consciência da Morte

      A Bíblia explica esta superioridade por parte do gênero humano por afirmar que o homem foi feito ‘à imagem e semelhança de Deus’. (Gên. 1:26, 27) Pode refletir algumas das qualidades de Deus. Antes de Adão pecar, ele era, completa e perfeitamente, “imagem e glória de Deus”. (1 Cor. 11:7) Não que fosse à imagem de Deus na aparência ou forma, mas nos atributos desejáveis de amor, raciocínio, sabedoria, compaixão e misericórdia. Possuía estas e outras qualidades de Deus numa medida apropriada ao lugar que ocupava na criação de Deus e às obrigações que tinha a cumprir.

      Os humanos também fazem as coisas com objetivo, não como os animais, que fazem as coisas por instinto. Os animais cumprem um objetivo, é verdade, mas não com seu poder de raciocínio — é por instinto ou curta reação resultante de experiência, para cuidar de seu objetivo imediato. Tome, por exemplo, a descrição do comportamento da avestruz feita pela Bíblia:

      “Ela deixa seus ovos na própria terra

      E os mantém quentes no pó

      E se esquece que algum pé pode esmagá-los

      Ou mesmo uma fera do campo pode trilhá-los.

      Trata rudemente os seus filhotes, como se não fossem seus —

      Sua labuta é em vão, porque não tem pavor.

      Porque Deus a fez esquecer a sabedoria

      E não Lhe deu parte na compreensão.”

      — Jó 39:14-17.

      Em Animals Are Quite Different (Os Animais São Bem Diferentes), “Um Estudo da Relação Entre a Humanidade e os Animais”, Hans Bauer afirma:

      “Em contraste com a humanidade, nenhum animal investiga as razões de suas ações. O animal, quando entregue a seus próprios artifícios, simplesmente procura seu próprio prazer e conforto, nada mais. É verdade que, como regra geral, usufrui fazer seja lá o que for útil à sua constituição específica. E, em muitíssimos casos, o que é útil para ele é estabelecer a vida comunitária [como no caso das térmites, das formigas, das abelhas, das aves, etc.]. — P. 204.

      Isto não quer dizer que os animais não tenham sentimentos. Afirma o livro supracitado, nas páginas 24, 25:

      “Temos todo motivo de admitir que os animais, tal como os seres humanos, podem temer, odiar, sentir afeição e desprezo e saudade, amar seu ambiente nativo, sentir ira e terror, possuir instintos sociais e imitativos e sentir prazer, pesar, alegria e depressão.”

      Mas, tais emoções são, em geral, apenas temporárias, e não se baseiam na razão. Por exemplo, um cão poderá apegar-se e lutar a favor dum dono que o trata mui duramente e que usa o cão para realizar objetivos cruéis e iníquos.

      Apenas os humanos têm uma concepção do futuro, ou planejam para o futuro. Podem contemplar o tempo indefinido, o infinito. A Bíblia afirma sobre a dádiva de Deus ao homem: “Pôs até mesmo tempo indefinido no seu coração.” (Ecl. 3:11) Os animais, por outro lado, vivem apenas para o instante imediato ou para a satisfação pronta de seus desejos. O homem constrói para o futuro. Usa as informações e as descobertas da história para planejar seu futuro, e a maioria dos homens gostaria de continuar a perseguir seus objetivos por tempo indefinido. Os homens “receiam” o fim de sua vida. Sabem o que se passa com a vida — primeiro, o processo de envelhecimento em direção à morte, daí, a despedida dos entes queridos, a impossibilidade de executar seus projetos, a cessação de todo usufruto e o ser logo esquecido. Os animais, porém, não possuem tal “receio”, assim como a Bíblia afirma a respeito da avestruz.

      Homem Foi Criado Para Viver Para Sempre e Foi-lhe Dado o Domínio Sobre os Animais

      A razão desta ampla diferença é que o homem foi criado, não para morrer, mas para viver para sempre na terra. A entrada do pecado foi o que introduziu a morte. (Rom. 5:12; 6:23) No entanto, o pecado por parte do homem não introduziu o pecado e a morte no mundo animal. Os animais não têm conhecimento do pecado nem consciência para orientá-los ou condená-los O tratamento pecaminoso dos animais, por parte do homem, provocou a morte deles em alguns casos, até mesmo a extinção de algumas espécies. Mas as descobertas geológicas comprovam que os animais já viviam e morriam muito antes de o homem surgir em cena. É óbvio que sempre tiveram uma vida de duração limitada. Assim, quer morram e degenerem, quer sejam consumidos por outros animais, é algo natural que eles desapareçam de cena. Possuem instintos que os avisam do perigo. Isto assegura a sobrevivência da espécie. O animal, contudo, não sabe disso.

      Originalmente, concedeu-se ao homem o domínio sobre os animais. (Gên. 1:28) Isto se deu por causa da sua grande superioridade mental. Não raro, ele tem exercido tal domínio de forma cruel e destrutiva. Entretanto, ele é o inquestionável amo deles. Deus reassegurou a Noé, após o dilúvio: “O medo de vós e o terror de vós continuará sobre toda criatura vivente da terra e sobre toda criatura voadora dos céus, sobre tudo o que se está movendo no solo, e sobre todos os peixes do mar. Na vossa mão estão agora entregues.” — Gên. 9:2.

      Em harmonia com tal declaração, os animais temem o homem. Até mesmo os animais selvagens considerados perigosos usualmente fazem todo o possível para evitar o homem. Raro é o animal que procura os humanos para atacá-los. Usualmente isto só acontece quando o animal se vê encurralado e se vê obrigado a atacar. Com efeito, no estado original perfeito, os animais eram amigos do homem e certamente foram ali colocados para o bem do gênero humano. Apenas pequeníssima porcentagem, hoje em dia, pode ser considerada prejudicial, e isto se dá usualmente por causa dos maus tratos impostos a eles pelo homem, ou seus hábitos perdulários, poluidores.

      Assim, o homem se enquadra no cenário terrestre como aquele que tem o domínio, e como aquele para o qual a inteira estrutura intricada de vida existe na terra. Ao passo que a criação vegetal e animal glorifica a Deus, o homem, por sua natureza e constituição criadas, caso trave um bom relacionamento com Deus, pode trazer muito mais glória a Ele. Em resposta à nossa pergunta, temos de dizer: Não, a vida aqui na terra não é produto do mero acaso. Em todas as suas formas contrabalançadas, e especialmente na obra-prima da criação terrestre — o próprio homem — o arranjo maravilhoso das coisas vivas exalta a magnificência do maior de todos os arquitetos e edificadores — DEUS.

  • Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    Despertai! — 1978 | 8 de outubro
    • Ajuda ao Entendimento da Bíblia

      [Matéria selecionada de Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]

      ARREPENDIMENTO. A palavra portuguesa “arrepender-se” tem o sentido de “mudar de atitude com respeito a uma ação ou conduta passada (ou tencionada), etc., por causa de se sentir lástima ou dessatisfação” ou “sentir lástima, contrição, ou compunção pelo que a pessoa fez ou deixou de fazer”. Em muitos textos, esta é a idéia do hebraico nahhám. Nahhám pode significar “deplorar (sentir lástima), prantear, arrepender-se” (Êxo. 13:17; Gên. 38:12; Jó 42:6), embora, com igual freqüência, signifique “consolar-se” (Gên. 5:29; 37:35; 50:21), “aliviar-se ou livrar-se (como de inimigos da pessoa)”. (Isa. 1:24) Quer se sinta lástima ou consolo, pode-se depreender que está envolvida a mudança de idéia e/ou de sentimento.

      Em grego, usam-se dois verbos em conexão com o arrependimento: metanoéo e metamélomai. O primeiro compõe-se de metá, “depois”, e de noéo (relacionado a nous, a mente, disposição ou consciência moral), significando “perceber, notar, captar, reconhecer ou entender”. Por isso, metanoéo literalmente significa conhecimento posterior (em contraste com previsão, ou conhecimento anterior) e significa a mudança da idéia, atitude ou propósito da pessoa. Metamélomai, por outro lado, provém de mélo, que significa “cuidar de ou ter interesse em”. O prefixo metá (“depois”) fornece ao verbo o sentido de ‘deplorar’ (Mat. 21:30; 2 Cor. 7:8), ou ‘arrepender-se’.

      Assim, metanoéo sublinha o ponto de vista ou a disposição mudada, a rejeição do proceder ou da ação passada como sendo indesejável (Rev. 2:5; 3:3), ao passo que metamélomai dá ênfase ao sentimento de lástima por parte da pessoa. (Mat. 21:30) Como comenta o Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento, Vol. IV, p. 629): “Quando, portanto, o N[ovo] T[estamento] separa os significados [destes termos], revela clara consciência da substância imutável de ambos os conceitos. Em contraste, o uso helenístico amiúde acabou com o limite entre as duas palavras.” Comentando sobre as formas substantivas (p. 628), afirma: “Junto com (colocar caracteres gregos)” [metánoia], a mudança de vontade, acha-se (colocar caracteres gregos) os [metámelos; ou, metaméleia], remorso, mediante o qual o homem sofre a dor da auto-acusação.”

      Naturalmente, um ponto de vista mudado amiúde traz consigo um sentimento alterado, ou a sensação de lástima talvez preceda e conduza a uma mudança definida de ponto de vista ou de arbítrio. (1 Sam. 24:5-7) Assim os dois termos, embora tendo significados distintos, estão intimamente relacionados.

      ARREPENDIMENTO HUMANO DE PECADOS

      O que torna necessário o arrependimento é o pecado, deixar de satisfazer os justos requisitos de Deus. (1 João 5:17) Visto que todo o gênero humano foi vendido ao pecado por Adão, todos os descendentes dele precisam arrepender-se. (Sal. 51:5; Rom. 3:23; 5:12) Conforme indicado sob o verbete RECONCILIAÇÃO, o arrependimento (seguido pela conversão) é um pré-requisito para que o homem seja reconciliado com Deus.

      O arrependimento talvez se dê quanto ao inteiro proceder da pessoa, proceder este que tem sido contrário ao propósito e à vontade de Deus e que, ao invés, tem-se harmonizado com o mundo sob o controle do adversário de Deus. (1 Ped. 4:3; 1 João 2:15-17; 5:19) Ou talvez se refira a determinado aspecto da vida da pessoa, a uma prática errada que manche e macule um proceder de outro modo aceitável; poderá referir-se a apenas um ato errado ou até mesmo a uma tendência, inclinação ou atitude errada. (Sal. 141:3, 4; Pro. 6:16-19; Tia. 2:9; 4:13-17; 1 João 2:1) Por conseguinte, o âmbito das falhas poderá ser mui amplo, ou bem específico.

      Similarmente, a extensão em que a pessoa se desvia da justiça poderá ser grande ou pequena, e o grau de lástima será, logicamente, comensurável ao grau do desvio. Os israelitas “se revoltaram profundamente” contra Jeová, e estavam “apodrecendo” em suas transgressões. (Isa. 31:6; 64:5, 6; Eze. 33:10) Por outro lado, o apóstolo Paulo fala do ‘homem que dá um passo em falso antes de se aperceber disso’, e aconselha os que possuem qualificações espirituais a ‘tentarem reajustar tal homem num espírito de brandura’. (Gál. 6:1, Tradução do Novo Mundo, Ed. 1971, em inglês; Visto que Jeová considera de forma misericordiosa a fraqueza carnal de seus servos, eles não precisam ficar num estado constante de remorso, devido aos erros que resultam da imperfeição herdada. (Sal. 103:8-14; 130:3) Se estiverem andando conscienciosamente nos modos de Deus, podem sentir-se alegres. — Fil. 4:4-6; 1 João 3:19-22.

      O arrependimento poderá dar-se por parte

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